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15 de dez. de 2020

8 DICAS PARA ESCOLHER A ESCOLA DE SEU FILHO.

  1. A escola próxima de casa facilita em todos os sentidos. Não cansa a criança no trajeto, nem a familia. E a maioria dos amigos mora próximo.
  2. Conhecer a filosofia da escola. Quando levamos a criança para a escola é bom saber para onde a escola leva a criança.
  3. Criança precisa brincar, colocar a “mão na massa”. Verifique se há espaço para atividades lúdicas. Escolas muito tecnológicas vão deixar de desenvolver habilidades fundamentais à criança.
  4. Muitos alunos em sala de aula dificultarão a criança a ser olhada como um ser único, além de dificultar a aprendizagem e o desenvolvimento de habilidades e competências importantes. E, plataformas e aplicativos que dizem do seu filho estão muito baseados em algoritmos. Gosto muito mais do olhar humano e complexo para o desenvolvimento da criança.
  5. Verifique se a escola está mais interessada na memorização dos conteúdos ou na construção deles. Pois só aprendemos a fazer fazendo e só faz sentido aprender quando identificamos e utilizamos o aprendido. 
  6. Certifique-se como a criança será avaliada. O ideal é que a avaliação seja processual. E se há muita ênfase em provas averigue melhor, pois prova não prova muito.
  7. Parceria família e escola é fundamental. Veja se a escola tem esta abertura real.
  8. Observe as famílias, os alunos mais velhos que lá estudam… veja se estão afinados com o que você espera de seu filho.

28 de dez. de 2016

192. BYE BYE SO LONG FAREWELL



2016 vai e deixa marcas. Um ano que sacodiu o Brasil, outros países e muitos dos bilhões de cidadãos. Para mim, foi ano de mudança, também geográfica. Ano de inspiração, transpiração, ação. Ano intenso, produtivo, de reencontros e (des)encontros. Ano para agradecer. Fiz muito do que gosto, trabalhei, viajei, interagi com a família e com pessoas queridas em cursos, palestras, faculdades e pela vida. Conheci mais de mim, dos meus, do outro, do mundo, de amor, de felicidade. Ensinei e muito aprendi. 2016 vi a primeira filha se formar e apesar de prepará-las para o mundo de forma cuidadosa e consciente, assusta quando  conduzem a própria vida e pagam as próprias contas. A princípio os filhos são carentes de nós, mas rapidamente nós é que ficamos deles. Noto que diariamente a maternidade pede reflexões e revisões de papéis. Observo as minhas filhas e vejo a boa  base que demos. Como também como elas souberam e sabem dar continuidade aos seus desenvolvimentos com linda autoria. Aos 22 e 20 anos já possuem um belo caminho profissional, muita experiência enriquecedora, são comprometidas, éticas, autônomas, responsáveis  e sabem respeitar a si, ao mundo e aos outros. São amorosas, cuidadosas, competentes, pró-ativas, resilientes, posicionadas. E como todos os filhos têm um mãe coruja. Uma mãe e filhas que vão se constituindo mãe e filhas numa vida sem ensaios, com perdas e ganhos, com erros e acertos, mas com vida e com a vida, na busca de vida que seja viva e que valha a pena. Bem vindo 2017 e felicidade a todos neste fim de ano e no que se inicia. Até lá!

25 de nov. de 2016

190. APRENDE- SE DA CULTURA VIVENDO A CULTURA.


Estive estes dias em Londres e Paris e visitei vários museus. Em todos eles, sem exceção, encontrei professores com os seus alunos com didáticas diversas e metas também. Conto um pouco do que vi. Um grupo, bem a vontade espalhado pelo salão, estudava perspectiva ao reproduzir a escultura por vários ângulos. Outro grupo fazia uma gincana pelo museu. As crianças tinham que encontrar e fotografar as dez obras que haviam estudado. Outro grupo, encontrava-se cada qual atento a um quadro e fazia uma releitura. Um dos garotos desenhava a Mulher Maravilha no lugar da Nossa Senhora. Fazia sentido! E apesar de novos, desenhavam muito bem. Claro, professores desenvolvidos e recursos favoráveis ajudam a promover desenvolvimentos aos alunos. Vi ainda, um grupo de adolescentes, que parava nos quadros e o professor dialogava em busca de ampliar percepções. Apenas dois mostravam-se desinteressados. Diferente do outro salão, onde vários jovens nem piscavam, atentos à obra, ao professor e às anotações. E era bem comum ver crianças sentadas em frente a uma obra enquanto aprendiam a percebe-la e e senti-la na sua complexidade. Alguns professores eram mais interativos, outros mais expositivas, outros mais lúdicas. Mas todos, proporcionavam a vivência da cultura na cultura. E lembrei da educação do Brasil. Temos muitos projetos bonitos, escolas sem igual. Mas, penso na maioria. Nas nossas aulas, nos recursos, no desenvolvimento do professor e do aluno, no que valorizamos como cultura. Penso na esperança e no trabalho pela frente.

16 de dez. de 2015

173. EU QUERIA SER CRIANÇA PARA SEMPRE.


“Eu queria ser criança para sempre” foi uma das frases da menina de sete anos.  Claro que eu fui investigar o porquê. Acho uma delícia entrar no mundo da criança. É tão mais lógico, simples e surpreendente! Logo vi, que era menina como eu fui. Gostava de brincar. E queria ser sempre criança para poder brincar para sempre. Este era o seu desejo. E só se deseja o que se conhece? Talvez. E ela conhecia: brincava e sabia o que era brincar. Nossa conversa foi entrecortada por piruetas, mergulhos na piscina, corrida atrás da bola, penteados diferentes em mim enfim, uma conversa brincante. Mas continuei nosso rico diálogo enquanto dava um tapa na bola que não podia tocar o solo. “Adulto não pode brincar?”, perguntei. Ficou confusa. E então seguimos nossa conversa enquanto ela ia descobrindo que tinha tios, conhecidos e professores que sabiam ser crianças para sempre.
Infelizmente, esta menina é minoria. A maioria das crianças com esta idade já estão ocupadas com coisas de mocinha. Batom, esmalte, chapinha, até depilação eu já vi! O que é uma pena, pois para manter a criança viva é preciso primeiro ser criança. E a infância... a infância... passou.

18 de nov. de 2015

171. VOCÊ JÁ DESENHOU O PERFUME DE UMA FLOR?


Estava em seminário com as educadoras Maddalena Todeschi e Loretta Bertani de Reggio Emilia (Itália), cidade reconhecida pela sua educação infantil. Em suas escolas há muita reciprocidade entre adultos e crianças, num clima de alegria e com liberdade para expressar o seu ponto de vista sem que haja julgamentos. “Quanto melhor este clima, mais cada um trará o original que há dentro de si.”, diz Todeschi, e que vai ampliando-se a partir das experiências. Também não há salas fechadas, mas diferentes espaços que se interligam possibilitando a construção ampla do que se aprende, bem como a sua revisitação. Espaços para desenho e pintura, construção, jardim interno e externo, cozinha, enfim uma escola repleta de possibilidades de aprendizagens e em movimento. Conto um episódio. Numa determinada turma e momento, discutia-se o desejo. Citarei duas reflexões dos pequenos. Veja que riqueza: “Quando eu desejo, minha mente se abre.” “Você pode comprar uma flor, mas não pode comprar o perfume dela.” Nossa! Como as crianças sabem dizer as coisas! Parei nestas frases por dias. Mas as crianças continuaram. Foram desenhar o perfume da flor! Alguém aí já pensou em desenhar o perfume? Eu nunca! Obrigada crianças por esta aprendizagem! Achei sensacional e os desenhos ficaram maravilhosos. Concluo que cabe sim ao adulto “provocar” as crianças para que ampliem o conhecimento de si, do mundo e percebam o que não se mostra ou nomeia. Mas cabe principalmente deixar-se ser provocado por elas. Vou lá desenhar o meu perfume.

12 de mai. de 2015

146. AMO QUANDO A CRIANÇA ME DÁ UM NÓ!

Sistema ósseo: estrutura para o que viria.

Assisti com uma criança um vídeo lindo da BBC tendo como fundo a música “What a wonderful world”. A letra, falada em poesia, era ilustrada por maravilhosas imagens da natureza. Plantas, animais, rios, mares, sóis e luas movimentavam-se em versos a encantar nossos sentidos. E eis que a criança suspira e diz: “Como eu amo a natureza!” E é mesmo incrível notar como a criança é extremamente sensível à natureza e a tudo o que a atinge. O que nos ajuda a educá-la para continuar amando e não cair na armadilha “da força da grana que ergue e destrói coisas belas” (Caetano Veloso). Biofilia é o que a criança tem de sobra e que falta a tantos adultos. A palavra tem origem grega. Bio significa vida. Philia, amor. Ou seja, amor à vida, instinto de preservação seja lá ao que for. Há vários anos, estudava com alunos de 8-9 anos os sistemas do corpo humano. Para deixar mais concreto sugeri que abríssemos um mamífero, mais especificamente, um rato. Afinal somos todos parecidos por dentro. A crianças ficaram  indignadas e horrorizadas comigo. Mas, gostaram da proposta e sugeriram abrirmos outro mamífero: um indigente já morto. Minha cabeça deu um nó por um bom tempo. “Preferir abrir um homem a um rato?!”, pensava. Então lembrei-me da biofilia, voltei ao olhar da infância e notei vários condicionamentos culturais construídos em mim. Afinal, só queriam trocar um vivo por um morto! Fazia sentido. Mas não abrimos nem homem, nem rato. Encontrei outras formas também eficientes. E novamente estava eu aprendendo e crescendo com as crianças.

9 de mar. de 2015

141. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: Índia e a Educação por Projetos: Pune.


O interessante dos indianos é que eles nos colocam para viver a cultura, o que é bem mais fidedigno para compreendê-la. Em Pune, ficamos hospedados na Universidade de Flame, que fica em um lindo vale. Todos os alunos moram ali. Foi uma experiência muito mais rica em termos de conhecimento da cultura, inclusive da rural. 
Ficar entre os alunos e viver o cotidiano deles numa cultura tão diferente da nossa foi realmente interessante. Participei de meditações, de vivências com músicas e danças, de dinâmicas grupais e individuais, vivendo num campus em funcionamento. Bárbaro. Em um dos dias, tivemos uma troca de experiências entre um grupo de educadores brasileiros e o staff da Faculdade. Falamos das semelhanças e diferenças entre nós e senti muita vergonha quando um dos diretores, Rajneesh, perguntou-nos qual era o valor que nos unia enquanto nação. Nos enrolamos para responder, gaguejamos, falamos bobagens, o que significava para mim, que de fato não tínhamos um valor. Para eles, o respeito pela nação era o que os unia. Lembrei-me da Copa do Mundo de 2014, quando os brasileiros começaram a abandonar a arquibancada ainda no início daquele inesquecível jogo contra a Alemanha. Respeito ao país? Não temos. Temos valor? Hummm...

Além de outras ricas trocas, a própria reitora, Indira Parikh nos conduziu ao que ela chamou de Magic Lab, numa experiência inesquecível e realmente mágica de auto e heteroconhecimento. Além de nos proporcionar em sua própria casa, um jantar com educadores de didáticas diversas e nos levar ao seu quarto para mostrar os seus saris. Sentada em sua cama, pensava nessa rara, rica e diferente experiência. Que maravilha!

22 de fev. de 2015

138. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: Índia e a educação por projetos: Bangalore.

Dra Yasmin Jayathirtha, fundadora do Centre for Learning.

Em Bangalore, conheci dois projetos especiais. Um deles lembrou-me a deliciosa Escola Ágora em Cotia-SP onde aprendi muito enquanto ensinava. O outro, encantou-me o modo como nos foi apresentado, bem como a integração da instituição em sua complexidade. Um projeto vivido por vários ângulos. (Falarei dele no post de n.140.)
Centre for Learning fica há 40 Km de Bangalore, e assim como a Ágora, fica “em meio ao mato”, lugar privilegiado para muitos ensinos e aprendizagens, com espaços inimagináveis a serem explorados. Foi criado em 1990 por um grupo de educadores que queriam explorar a natureza da aprendizagem, a sua relação com os desafios atuais e o desenvolvimento do eu interior. Assim, baseados em Krishnamurti, fundamentaram a escola de forma não hierárquica, holística, interdisciplinar, introspectiva, provocando mais perguntas do que oferecendo  respostas. Não trabalham com recompensa e nem punição. E buscam que o ambiente educativo  traga conforto e segurança para que os alunos possam ser vulneráveis, enquanto buscam a própria verdade.

Tive o privilégio de participar de uma das aulas, que durou cerca de duas horas. Voltei no tempo e me vi com meus alunos, há tantas e tantas milhas dali. Eram dois professores, cerca de doze alunos de 10 a 11 anos, Ana Lucia Guimarães (querida amiga e educadora) e eu. Todos sentados no chão, com os pés descalços e no mesmo círculo. A aula deu início com os professores calmamente perguntando o que os alunos haviam aprendido na aula anterior. (Bravo!) E alunos respondiam com a mesma calma, sem nenhum tumulto. (Bem diferente da nossa realidade!) Esse início já me deixou claro que a aula seria produtiva e construtiva. Logo o professor passou um filme sobre o que estudavam: dinastia chinesa. Provocava reflexões, novas perguntas que não eram por ele respondidas, mas que devolvia aos alunos proporcionando-lhes inquietantes e novas questões, além de muito crescimento. Os alunos mostravam muita atenção, participação, curiosidade e respeito aos outros enquanto construíam seus conhecimentos. E cada um deles anotava, em esquemas, o que achavam pertinente. O professor não dizia: “Isso é para anotar.” “Posso apagar?” Não! Os alunos eram educados para serem autores do conhecimento, da própria vida, com autonomia e responsabilidade. Cada caderno era diferente do outro. (Aleluia!) Após essa rica troca, mudamos para a sala ao lado, que era muito parecida com a que estávamos. Ou seja, não tinha quase nada. Mas esta tinha um quadro que a diferenciava. E dos dois professores, brotavam ainda mais debates, reforçando com as crianças os novos conhecimentos (A neurociência agradece!), enquanto propunham a atividade a ser feita em casa. Os alunos deveriam se imaginar pertencentes a dinastia chinesa e escreverem em forma de uma peça teatral, ou uma carta, ou dialogando com alguém da mesma época. Enfim, deveriam ser bem criativos para apresentar o que sabiam. Isso me lembrou eu mesma. Adoro proporcionar tarefas assim, pois sei que o cérebro do aluno adora. Nada melhor do que transformar dever de casa em prazer de casa. (Atenção professores!). 
Aula do querido professor Navneeth.

Interessante que ainda almoçamos com eles, ficamos boa parte do dia por lá e não vi nenhum smartphone, nem tablets, nem celulares comuns nas mãos dos alunos ou de professores. Mas vi muito conhecimento vivo e de vida sendo alí construído. (Boa refexão a se fazer.) E, em meio a intensa vegetação, lá estava a biblioteca com uma metáfora pronta sobre a aprendizagem e a construção do conhecimento. Contarei na próxima postagem, para então falar de Srishti com seus lindos e integrados projetos.

18 de fev. de 2015

137. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: ÍNDIA E A EDUCAÇÃO POR PROJETOS: MUMBAI



As próximas postagens tratarão de projetos educacionais visitados na Índia. Serão postagens divididas por cidades. Viaje junto. Acompanhe, aproveite, acrescente. Sempre há o que aprender e ensinar.
Das visitas feitas em Mumbai relacionados a educação, destaco a renomada educadora Sophie Ahmed, que apresentou a mim e a Edna Marchini (grande amiga e educadora) o modo de viver dos indianos, algumas atrações, as praias de Mumbai (Chowpati e Juhu), sua coleção de brinquedos com exemplares do mundo todo e o seu espaço educativo voltado à aprendizagem da criança mediante os jogos e os brinquedos. Uma grande pesquisadora e uma lenda viva cheia de vida em seus mais de 80 anos.

Na Billabong High International School, fomos recebidos pela querida Lina Asher, uma australiana com sangue indiano, idealizadora e fundadora desse projeto educacional, um dos mais importantes da Índia. Trabalham baseados nos mecanismos cerebrais de aprendizagem, tema que venho defendendo e compartilhando há  anos. Possuem a consciência de que, assim como os japoneses, os indianos desenvolvem mais o hemisfério cerebral esquerdo. Portanto, investem em atividades que exploram também o hemisfério direito, chamados por alguns neurocientistas como o hemisfério do século 21, devido as suas especificidades. É o hemisfério capaz de enfrentar desafios, pensar criativamente, ter visão sistêmica e inovadora. Valorizam ainda, o desenvolvimento  da inteligência racional tanto quanto a emocional, outra competência de grande importância nos dias atuais. E exploram as múltiplas inteligências numa prática democrática, que cria diálogo entre o oriente e o ocidente, e que prepara o aluno para o hoje, sem perder o olhar para o amanhã e as competências que se farão necessárias. Na prática, percebi algumas contradições em relação ao discurso, não tão diferente do que o que vemos por aqui. Afinal, para agir conforme nossas concepções expressas é preciso primeiro tomar consciência dos condicionamentos incorporados, que não são tão óbvios assim, para então transformá-los na experiência. Questão de consciência, motivação e tempo. O mais importante estão fazendo: caminhando e juntos.

Próxima parada, Muktangan um projeto inglês que tem uma escola de formação docente com parceria de sete escolas municipais de comunidades indianas educacional e economicamente marginalizadas. Formam seus professores em teoria e prática, para que ganhem autonomia, multipliquem-se e impactem a política por uma educação melhor. A primeira tarefa dessa formação é ensiná-los a falar inglês para que formem as crianças nesse idioma que, na Índia (e no mundo), favorece melhores oportunidades. No primeiro ano, os futuros professores aprendem fundamentos pedagógicos. No segundo, conectam teoria e prática. E no terceiro,  vão à prática com foco nos objetos da Pedagogia. Além de lhes ofertarem uma boa base, promovem-lhes grupos de estudos e discussões entre professores, coordenadores, gestores para trocarem ideias e conhecimentos por um bem comum. Participei desses dois momentos: da formação dos professores e de sua atuação em sala de aula. Interessante o processo. Partem de uma comunidade carente, formam seus agentes para nela atuarem e transformarem em busca de melhores condições de vida. Lembrando que ter melhor condições de vida não se resume a ter mais, mas sim, a ser mais. Generosidade, responsabilidade e dignidade são marcas desse vivo projeto que encanta e proclama com Gandhi: “Viva como se fosse morrer amanhã. Aprenda como se fosse viver para sempre.” Um bom recado.
Próxima estação... Bangalore com dois projetos incríveis. Acompanhe.

11 de fev. de 2015

136. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: ÍNDIA E A EDUCAÇÃO GERAL


Tenho sentido urgência em conhecer os países, in loco, antes que a globalização tire deles o que há de mais interessante: a própria cultura com suas especificidades. Por isso, as últimas postagens trataram da cultura da Índia, que diz também da educação e da formação do ser. A Índia não é país que se destaca em educação. Mas, há projetos belíssimos que merecem ser compartilhados. Iniciemos com o que há em comum nas concepções e ações das instituições visitadas e que nos fazem refletir sobre as nossas.
Os projetos educacionais envolvem todos no processo. A equipe pedagógica, os alunos, funcionários, os pais. Cada um tem o seu papel definido e espera-se que o faça bem feito. E para fazer bem feito é preciso incluir o outro pois, como vimos, o bem estar de um depende do bem estar do outro. Isso faz uma diferença! Também assemelham-se no modo como vêem o educando. Um ser protagonista que requer ser desenvolvido no aspecto físico, intelectual, mental e espiritual. Espiritual que não se reduz ao sentido religioso, mas sim à formação do eu interior, muitíssimo valorizado na cultura.
Interessante notar que antes de qualquer atividade, e isso incluía os seminários de educação que participamos, havia uma introdução que objetivava levar os participantes à concentração, colocando-os na mesma frequência e harmonia. Uma música, um mantra, uma atividade meditativa, uma dança conjunta, uma construção de mandalas são exemplos que por lá vivi em diferentes ambientes educacionais.
Assemelham-se ainda nos espaços físicos. Poucas coisas, sem luxo, contendo apenas o que faz sentido usar. Curioso, que a maioria das escolas preferem o chão a vi mesas e cadeiras. Em geral, professores e alunos sentam no chão, descalços e em círculo para não haver diferenciação entre o ensinante e o aprendiz. E tanto professores quanto alunos fazem os seus registros em esquemas ou mapas conceituais, que sabemos que é uma excelente maneira de organização do conhecimento externo e interno.

Apesar da não diferenciação, era claro uma hierarquia na instituição, mas com relações bem integradas. Como exemplo, ilustro as refeições. Diretor, funcionário, aluno, visitante, cada qual tinha o seu espaço. Mas todos comiam com a mão, a mesma alimentação e lavavam os seus pratos. Linda metáfora.
Professor e Diretora do Centre for Learning
O ambiente escolar era vivo e colorido. Pés no chão, literalmente. Simplicidade em grandeza que desnudavam o meu ser, colocando-me de frente a tantos condicionamentos. E para além do quociente intelectual (QI) e o quociente emocional (QE), as instituições viviam o QG: quociente de Gandhi. A imagem abaixo já diz tudo.

Nas próximas postagens contarei dos projetos específicos, daqueles que me fizeram sentir e fizeram sentido.  Serão postagens divididas por cidades. Mas todos os projetos tem algo a nos acrescentar. Acompanhe, aproveite.

9 de dez. de 2014

129. DEZEMBRO DE 2014



Em pouco menos de um mes já estaremos em outro ano. Muito a agradecer nesse diferente 2014, ano marcante para muitos. Grata 2014, grata a você, leitor, por suas trocas, comentários, encorajamentos, aconchegos.
Este ano fui a sete países, em sua maioria, para pesquisar in loco projetos educacionais que geram transformações e dizem dos novos rumos da educação de qualidade. Noto, que quanto mais distante de minha cultura, mais a enxergo, assim como a mim mesma e as possibilidades de mudanças. As próximas postagens serão dedicadas à Índia, país que é mais para viver do que escrever. Mas há muito a compartilhar assim como já fiz nesse blog com a China, Rússia, Finlândia, Croácia, Estados Unidos. Este ano, ainda dei palestras, cursos, aulas em pós-graduação, escrevi as colunas na Pais & Filhos e alimentei com doçura esse blog FILHOsofar, onde compartilho para pais, professores e interessados, experiências educacionais de nossa e outras culturas. E para bem fechar o ano, fui convidada para ser cronista de um site de Portugal premeado e bem recomendado no país. Chamei esse espaço de “MÃEchete do dia”, onde falarei da minha experiência como mãe de um jeito bem sincero e humano.
Ps: Na página do blog você encontra os links tanto para  as colunas na Revista Pais & Filhos Coluna na Pais & Filhos, como para a última MÃEchete do dia MÃEchete do dia e as palestras e cursos mais requisitados.
Ps2: Em breve teremos os posts também em Ingles. Aguarde.
Soon the posts will have version in English. Hold up!

7 de nov. de 2014

126. SERÁ QUE CONHEÇO O MEU FILHO/ALUNO?



Sabemos que o conhecimento amplia a nossa percepção e aumenta nossas possibilidades de ação. Se você é formado, por exemplo, em odontologia, você terá uma percepção bem diferente do sorriso das pessoas do que a de um leigo. Se é formado em arquitetura, sua visão para as construções deve ser bem mais ampla do que a visão de um advogado ou médico. Basta ver quando fazemos faculdade, o quanto o conhecimento amplia a nossa percepção naquela área, aumentando as chances de acerto nas ações. Mas e com os filhos? Uma faculdade para pais ajudaria tanto!
Graças a essa necessidade é que criei esse blog como também tenho ministrado palestras e cursos pelo Brasil para pais e professores abordando temas diversos.
Se você tiver interesse em alguma palestra para a sua instituição ou se quiser fazer um grupo de pais para ampliar os conhecimentos sobre o desenvolvimento e a educação dos filhos, e poder agir com mais consciência e assertividade, contate-me. Tenho certeza que você conhecerá muito mais do seu filho/aluno, de suas potencialidades e possibilidades. E poderá fazer grande diferença no seu desenvolvimento.

7 de ago. de 2014

112. EDUCAÇÃO PELO MUNDO XIX: Finlândia: Coerência do princípio ao fim.


Nas escolas visitadas na Finlândia, vê-se excelente estrutura, moderna e ampla, espaço transparente, organizado e limpo. Nos corredores, obras de artes feitas pelos alunos são repletas de mensagens, habilidades, liberdade e respeito à diversidade. 
Além das aulas do currículo básico, os alunos têm várias optativas. Aulas de línguas, instrumentos musicais, corte e costura, gastronomia, lavanderia, marcenaria, tecelagem entre outras, com salas incrivelmente bem equipadas. 
E claro que numa sociedade tão igualitária e com mão de obra tão cara, no mínimo, aprender a fazer de tudo é uma excelente opção. Meninos e meninas cozinham, costuram, soldam, martelam sem distinção. A maioria dos alunos tem aparência saudável, descontraída e feliz. E o clima difícil não os impede de nada. Equipamentos e roupas especiais fazem com que a vida continue e explorem os conhecimentos para além das salas de aula.
Em geral, a conversa iniciava-se com a direção, mas eram os alunos que nos apresentavam as escolas em movimento. Apesar de ainda jovens, mostravam-se bem posicionados, seguros e cientes do que diziam. Sabiam o que aprendiam, o por que aprendiam e como aprendiam cada coisa. Que maravilha! Mas isso não é milagre. Para se ter uma educação de referência, o professor tem mesmo que ser bom, dedicado, estudioso e gostar do que faz. Precisa desenvolver nos alunos diversas habilidades e competências, diversificar métodos de ensino pois cada aluno aprende de um modo e em um tempo. Usar ainda os diversos sentidos e tecnologias, e propor várias possibilidades de aprendizagem. E isso vi na prática. Cito um exemplo: Os alunos haviam escrito um texto sobre um dado assunto, usando caneta e computador. Depois transformaram-no em imagens, então em colagens e por fim em audiovisuais. E tudo era apresentado ao grupo. As neurociências aplaudem!
O professor divide ainda os alunos em grupos de acordo com as capacidades e habilidades, e para isso é preciso conhece-las e saber identifica-las. Como também, possibilita que os melhores alunos ajudem os que têm mais dificuldade para que todos sejam bons. Mas ele não trabalha sozinho. Tem o apoio de um equipe de profissionais, o que contribui para um trabalho que prima a unidade na diversidade, e à igualdade. E isso também vi. Os alunos não são competitivos, mas estimulados à convivência e à construção em conjunto, pois ninguém aprende sozinho.  “Se é para competir que seja consigo mesmo para ser melhor.”, diz Mikael Flemminch do Conselho de Educação.
E nota-se, na prática, que os alunos têm mesmo a responsabilidade, e  não sofrem tantas pressões. A avaliação, por exemplo, serve em especial, para trazer informações aos alunos e aos professores sobre os ajustes necessários tanto ao ensino quanto à aprendizagem. Bravo! Disse-me uma professora: "A escola não é lugar de competitividade e alta pressão. Mas sim lugar de fazer amigos, aprender e ser feliz." E assim parecia ser.
O que mais dizer?
Finlândia, coerência é o seu sobrenome. E qual o nosso?

4 de ago. de 2014

111. EDUCAÇÃO PELO MUNDO VIII: Finlândia: Inclusive, educação inclusiva.


Para uma sociedade igualitária, a Finlândia aposta, inclusive, na educação inclusiva. Sabem que a dificuldade de aprendizagem pode colocar o sistema educacional em risco. Então ficam atentos e cuidam para que os alunos tenham uma boa base e não fiquem com lacunas. A cada dois alunos, um vai para as aulas de reforço, por ter mostrado alguma dificuldade. Ou seja, não deixam gaps! Se ainda assim o aluno não vai bem, é feito a ele um programa especial com duração de seis semanas. Se funcionou, volta ao ensino regular. Se não, um novo programa é elaborado, totalmente individualizado, com materiais feitos para o seu perfil, no qual pais, professores, médicos, psicólogos participam. E, há ainda, a classe de baixa motivação, para  alunos que não querem aprender, com uma equipe especializada em ajuda-los a querer e a gostar de aprender. Mas, apenas 4-5% possuem realmente problemas de aprendizagem, porcentagem que é mundial. E este número vem diminuindo devido ao trabalho precoce que fazem já na Educação Infantil. No Brasil, esta porcentagem é bem maior. Resolvemos o problema dopando nossas crianças? Quantas delas tem reais problemas de aprendizagem? Quantas são apenas problemas de ensinagem? Sei que meus ouvidos ouviram e meus olhos viram que os finlandeses fazem o máximo para que o aluno possa integrar-se no programa de ensino geral e quase não há reprovação. É sem dúvida um país igualitário! Atenção escolas, professores, pais!!! Inspiremo-nos neles!

31 de jul. de 2014

110. EDUCAÇÃO PELO MUNDO VII: Cultura da confiança: Um sonho possível?

Alunos de 14 anos apresentando-nos o sistema educacional.

Em minha pesquisa, in loco, sobre o sistema educacional finlandês, fiquei encantada com a cultura da confiança. Os finlandeses confiam muito neles mesmos. A nação confia nos municípios que confiam nas escolas, que confiam nos professores, que confiam nos alunos. E os pais confiam em seus filhos e no sistema educacional. Não há supervisão se as escolas usam corretamente o dinheiro pedido. Não há sistema de avaliação nacional para verificar se as escolas estão realmente educando seus alunos. Não há supervisores observando se os professores estão de fato trabalhando. Eles conhecem a sua responsabilidade e têm autonomia para fazer com que os alunos aprendam. Não há bedel  de olho no aluno. O aluno é responsável pelo seu estudo e sua aprendizagem. Inclusive, ser aluno na Finlândia é visto como profissão e é levado bem a sério, também pelos pais que colaboram para o desenvolvimento dessa aprendizagem, sem chantagens e sem premiações. 
Quando foi perguntado a Mikael Flemminch, representante do Conselho de Educação, o que faziam quando esta confiança era quebrada, ele riu. Pois esta confiança não é quebrada. Esta é uma verdadeira lição às escolas e aos pais: quando se dá liberdade com uma boa formação à autonomia e à responsabilidade,  e dá o voto de confiança àquele que a recebe, pode se ter certeza que haverá frutos. Afinal, o que de fato ensina uma supervisão (um super olho) a cada passo dado? Orientar sim, oferecer apoio, confiar na orientação dada e naquele que a recebe. Quer apostar como dá certo?
Mas alguém pode dizer: Mas aqui na cultura da desconfiança????
Há 25 anos, em minha primeira experiência como professora de Fundamental I, recebi a seguinte instrução da Diretora que me contratava: “Quero que você desenvolva nos alunos a responsabilidade e a autonomia. Para isso, você terá liberdade para desenvolvê-las em si mesma, pois só ensina o que se tem. E saiba que estaremos aqui para quando precisar, para quando não souber o que fazer, para quando se perder, se achar ou quiser compartilhar.” Confesso que eu tinha a maior motivação para fazer o melhor trabalho que eu poderia. Sentir a responsabilidade da confiança e saber-se livre para criar, ousar, conhecer, estudar fez toda a diferença. Esta escola foi uma faculdade para mim. Não só como professora, mas também depois como mãe, onde verifiquei que a cultura da confiança é possível. Afinal, a cultura também somos nós que a fazemos.

15 de jul. de 2014

108. EDUCAÇÃO PELO MUNDO V: Uma aula no Balé Bolshoi.

Credito: Reuters: Denis Sinyakov

Em Moscou, tivemos o privilégio de assistir uma aula em uma das mais antigas e prestigiadas companhias de dança do mundo: Companhia de Balé Bolshoi. Nela, os meninos, escolhidos a dedo, ficam dos 10 aos 18 anos, com disciplina, treino e vida digna de seus espetáculos. Entre eles estava o brasileiro Soares, cheio de sonhos, planos, determinação, consciente e agradecido por ser um privilegiado pela oportunidade. A aula aconteceu no teatro da escola. No grande palco cerca de 10 garotos esguios com cerca de 17 anos  aqueciam-se nas barras, com malhas que delineavam os perfeitos músculos.  Seus movimentos eram leves, limpos, graciosos e precisos.  Logo adentrou o professor, vestido de terno e gravata e se colocou na plateia dando o primeiro comando enquanto tirava o paletó. Era amável, doce, suave, mas também rígido e direto. Com os meninos já aquecidos, deu-se início pelos movimentos básicos, que iam tornando-se mais complexos conforme a perfeição dos movimentos. Assim, como deve ser a boa aprendizagem. O professor não poupava críticas nem repetições. Era claro, que ali não havia um grupo, mas uma equipe. Se um errava, a bronca era nomeada, mas todos repetiam. Aos poucos, e de forma bem dinâmica, foram fazendo movimentos em dupla, trios, quartetos, numa coordenação e velocidade que nos tirava o fôlego. Que seja assim também em nossas salas de aula.
Que privilégio! Que aquecimento, riqueza e aprendizado à alma, à educação e aos sentidos! Saí leve, dando piruetas no ar.

11 de jul. de 2014

107. EDUCAÇÃO PELO MUNDO IV: Rússia: Recuperação de prestígio pela educação.

Seminário do Ministério da Educação Russa

O interessante de conhecer a educação de outra cultura é poder notar as diferenças e semelhanças em relação a nossa e ver o que podemos refletir e aprender.
Nota-se que a Rússia tem como meta a reforma educacional para dar conta da mudança político-econômica e retomar o prestígio mundial. Até 2021 todas as escolas terão que adotar os princípios educacionais estabelecidos pela nação, com foco tanto na prática pedagógica quanto na formação docente. Parece óbvio repensar a educação junto com tal formação, mas nem sempre se vê por aí ou por aqui. Nos pressupostos da reforma, percebe-se, entre outros, muita influencia dos princípios educacionais finlandeses, bem como de Paulo Freire, citado nos seminários organizados pelo Ministério da Educação da Rússia.
Mas que mudanças investem ou já adotam?
O papel do professor foi revisto para dar conta deste novo contexto. Os professores devem ter formação pedagógica com educação continuada a cada três anos. E aqueles sem experiência  tem um tutor para ajuda-los no saber fazer pedagógico. Aqueles com menos formação trabalham com as crianças pequenas, o que na minha opinião é um grande erro, visto que a base do desenvolvimento se dá na educação infantil, e portanto, onde deveriam estar os mais preparados e os mais experientes.
Se antes a meta era fazer o aluno confortável e cômodo à escola, agora tratam de fazer a escola confortável e cômoda ao aluno, desenvolvendo-lhe o interesse por estudar. Perceberam que não basta conhecer, mas sim ensinar o aluno a aprender a aprender. Desenvolver-lhe a capacidade de identificar e aplicar na prática o conteúdo aprendido, bem como relacionar a matérias. (Bravo!) Citam como exemplo a matemática que sempre foi muito forte entre eles. Hoje cuidam para que as regras se apliquem no mundo real dando maior sentido. E transparecem que o maior orgulho deles está na escola primária onde já ensinam através do aprender a fazer fazendo. Todavia é mais fácil neste nível de ensino, onde os conteúdos são mais básicos e os alunos menos condicionados. Contudo, seguem em desafio.

A escola deve ainda dar ênfase na  comunicação, aumentando a capacidade linguística dos alunos, a segurança, dando espaço para  que defendam seus pontos de vista e não se acanhem na resolução de novos problemas. 
Alunos apresentando-nos o sistema educacional russo.
Dar voz e vez ao aluno é realmente uma grande quebra de paradigma entre eles, mas necessária nos novos tempos. Contudo, na prática, percebi os professores muito arraigados num modo de fazer, com pouca fluidez e espontaneidade, e com um olhar sobre os alunos, que sem dúvida os intimidava. Claro, leva tempo mudar comportamentos tão incorporados, tanto em alunos quanto em professores. Mas pareciam dispostos a tal.
Alunos apresentando os livros lidos.
Plateia não tão animada.
À escola cabe ainda utilizar-se do método da problematização com base na metacognição, que consta em desenvolver nos alunos a faculdade de conscientizar, analisar e avaliar como se conhece, e pensar sobre o próprio pensamento. Concordo com a escolha. E, como é um método relativamente novo a eles, os melhores professores ensinam aos demais as competências necessárias para tal, multiplicando este novo jeito de ensinar e aprender. Há ainda um espaço virtual criado para que todos da comunidade educativa, inclusive os pais, possam interagir, estudar e aprender.
Aluno demonstrando as suas descobertas.
A escola deve ainda Introduzir novas tecnologias ao processo educacional, mas sem deixar de incentivar os trabalhos manuais. Também desenvolver nos alunos diversas competências, usar os diversos sentidos e diversificar tecnologias para as aprendizagens. E isto realmente vi na prática. Estão aprendendo a viver a teoria, enquanto as neurociências aplaudem!
Todavia, se percebi uma prática com ranços do tradicionalismo, percebi um discurso mais renovado. Agora é aguardar prá ver o que será. Mas uma coisa eu sei, é preciso querer caminhar, e caminhar. E isso eles estão fazendo.
Na próxima postagem, leia um presente recebido: tive o privilégio de assistir uma aula na Companhia do Balé Bolshoi. Aguarde.