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8 de mai. de 2020

226. A AULA VIRTUAL E OS PRINCÍPIOS DA APRENDIZAGEM


Além de formar professores, ORIENTO FAMÍLIAS, interagindo tanto com crianças e jovens, como com os seus pais. Creio ser mais efetivo envolver a todos. Nesta quarentena, meu maior foco tem sido com as famílias cujos os filhos têm dificuldades de aprendizagem. Pois estão aí, pais e filhos, com esta difícil tarefa do “homeschooling”. Tem sido um desafio deixar os encontros virtuais com a METODOLOGIA que acredito e que vai a favor dos MECANISMOS CEREBRAIS DE APRENDIZAGEM da criança. Mas tenho amado desenvolver-me também. Hoje, uma das crianças, entre outros tantos conteúdos, precisava entender os gráficos de barras. Olhamos no seu livro os vários exemplos que tinha.  E ela começava a entender a função dos mesmos. Mas a criança APRENDE bem melhor com coisas que estão em sua REALIDADE e que lhe são SIGNIFICATIVAS. E não faz sentido “aprender” por aprender. É preciso IDENTIFICAR no seu cotidiano e saber USAR o que se aprende. Então, pensamos juntas em uma pesquisa a fazer e a escolha foi sabores de sorvete. TRANSFORMAR A CRIANÇA EM PROTAGONISTA DA SUA APRENDIZAGEM AJUDA A DAR SENTIDO e SENTIR ao que se aprende. Pedi que ela fizesse a pesquisa com os seus familiares, pois envolver quem se gosta FACILITA A ATIVAÇÃO DA EMOÇÃO, QUE É EXTREMAMENTE FUNDAMENTAL AO PROCESSO DE APRENDIZAGEM. O resultado da pesquisa foi: 4 pessoas preferiam o de chocolate, 2 pessoas o de morango e 3 pessoas escolheram o de flocos. Se eu estivesse na presença da criança teria várias possibilidades. Mas virtualmente? Não! Não queria vídeos explicativos, embora haja alguns bem bons. Mas ela se DESCONCENTRA muito e nem sempre os entende. Apreveitei meus dedos e fiz os eixos do gráfico e nele coloquei os dados conforme já havíamos visto. E pedi que ela fizesse o mesmo em sua mão. E lá fomos construir, primeiramente o gráfico com o nosso corpo e com os materiais que tínhamos. AS MEMÓRIAS MOTORAS SÃO EXCELENTES PARA A APRENDIZAGEM, ASSIM COMO ENVOLVER O MÁXIMO DOS SENTIDOS. Uso e abuso deles. Aproveitamos ainda para ver qual foi o sabor mais escolhido, qual o menos, qual a diferença entre a quantidade de um sabor com o outro, qual a soma de todos eles, aproveitando para revisar e reforçar conhecimentos que ela havia aprendido. Depois disso e de algumas risadas, a criança fez o registro no papel. ESTÁ APRENDIDO? Não há garantias. AS NOVAS CONEXÕES NEURONAIS NÃO SE ESTABELECEM ASSIM FACILMENTE. É preciso REFORÇAR tal aprendizagem. Vamos então às novas pesquisas. Como também ORIENTAR AOS PAIS, de forma significativa, todos estes princípios de aprendizagem para que possam colaborar com o progresso do processo de seus filhos.

25 de nov. de 2016

190. APRENDE- SE DA CULTURA VIVENDO A CULTURA.


Estive estes dias em Londres e Paris e visitei vários museus. Em todos eles, sem exceção, encontrei professores com os seus alunos com didáticas diversas e metas também. Conto um pouco do que vi. Um grupo, bem a vontade espalhado pelo salão, estudava perspectiva ao reproduzir a escultura por vários ângulos. Outro grupo fazia uma gincana pelo museu. As crianças tinham que encontrar e fotografar as dez obras que haviam estudado. Outro grupo, encontrava-se cada qual atento a um quadro e fazia uma releitura. Um dos garotos desenhava a Mulher Maravilha no lugar da Nossa Senhora. Fazia sentido! E apesar de novos, desenhavam muito bem. Claro, professores desenvolvidos e recursos favoráveis ajudam a promover desenvolvimentos aos alunos. Vi ainda, um grupo de adolescentes, que parava nos quadros e o professor dialogava em busca de ampliar percepções. Apenas dois mostravam-se desinteressados. Diferente do outro salão, onde vários jovens nem piscavam, atentos à obra, ao professor e às anotações. E era bem comum ver crianças sentadas em frente a uma obra enquanto aprendiam a percebe-la e e senti-la na sua complexidade. Alguns professores eram mais interativos, outros mais expositivas, outros mais lúdicas. Mas todos, proporcionavam a vivência da cultura na cultura. E lembrei da educação do Brasil. Temos muitos projetos bonitos, escolas sem igual. Mas, penso na maioria. Nas nossas aulas, nos recursos, no desenvolvimento do professor e do aluno, no que valorizamos como cultura. Penso na esperança e no trabalho pela frente.

5 de nov. de 2016

188. DICAS QUE FACILITAM ENSINAR A CRIANÇA.


Quando eu tinha cerca de 4 anos, achava que já era independente como quase toda a criança desta idade. Minha mãe quis se previnir ensinando-me a atravessar a rua. Morávamos numa ladeira, pista para tantas brincadeiras. Deu-me a mão, caminhamos até o meio-fio, mas fixei o olhar na sarjeta por onde navegavam nossos barcos de papel nos dias de chuva. Como eu era feliz com tão pouco! Ela chamou-me a atenção e disse: “Antes de atravessar a rua você deve olhar bem para cima e para baixo.” E repetiu isso várias vezes e me fez repetir para ter certeza de que eu havia entendido. Observou o entorno, viu que era seguro e soltou a minha mão para eu ir. E conta que fui toda importante, olhando para baixo e para cima. Literalmente, para o céu e para o chão incansáveis vezes até o outro lado da rua. (rsrsrsrs)
Valeu, mãe, pelo carinho e cuidado. Todavia, hoje, com o avanço das ciências temos novas dicas de como agir em situações como esta. Ei-las. 
1. Coloque-se no lugar da criança, como se fosse possível esquecer o que você sabe e pensar com o pensamento dela.
2. A criança pensa no concreto e ao pé da letra. Um trânsito engarrafado pode significar carros dentro da garrafa.
3. O movimento é um grande aliado na aprendizagem da criança. Neste caso, atravessem juntos e exagere ludicamente os movimentos da cabeça orientando-a para ambos os lados da ladeira. Repitam e a ensine também a analisar o entorno. 
4. Quando ambas sentirem segurança, deixe-a ir, mas sem tirar o olho. E, num instante, já estarão prontos para novos desafios.
Te amo, Mãe! Grata pela linda história.

3 de jun. de 2016

181. NOSSO FILHO DIZ DE NÓS.



Este vídeo encontrado no YOUTUBE (cerveja x mamadeira) mostra bem o quanto nosso filho diz e dirá de nós.
A criança nasce com bem poucas construções. Terá que aprender tudo do mundo, de si, do outro, de nós. Mas, incrivelmente, nos primeiros dois anos de vida passa de um ser quase inerte a um ser que, se tiver espaço, estará com dedo em riste a nos apontar e mandar. Em apenas dois anos! Isto nos mostra o poder da aprendizagem da criança pequena. Porém, aprende como uma esponja. Ainda não possui amadurecimento neurológico para refletir sobre o que aprende. E nem tem bagagem suficiente para fazer escolhas com autonomia. Eis aí o perigo. Pois, ela aprenderá e construirá a si e o que está ao seu redor a partir das experiências que o meio, em que se insere, lhe oferta. E sem dúvida, este meio diz e dirá muito de suas concepções, percepções e ações presentes e futuras. E, quem é o principal “meio” da criança pequena, aquele que dará a base para as suas construções? Nós, os pais. Quanta responsabilidade! Assim, sempre é bom ao educar os filhos, reeducar-nos conjuntamente. Pois, há sempre muitas coisas a rever em nós e é bom que façamos isso antes dos filhos dizerem de nós.

Neste vídeo, vemos os pais já enganando a criança. E assim, a crinça aprenderá. E usam a bebida alcoólica como estratégia! E assim ela aprenderá. Será que é muito difícil perceber que a nossa responsabilidade como pais é imesa!!!! Cuidemos, pois tudo forma. Trans-forma, re-forma, de-forma... o que irei propiciar?

17 de mar. de 2016

176. ADOLESCENTE AOS 3?

Tem filho de 3, 4 ou 5 anos? Por um acaso, de repente, ele está parecendo um mini adolescente? Quer fazer tudo sozinho? Acha-se bem independente? Virou do contra? Coloca o dedo em riste e quer dar ordens? Maravilha! Seu filho está passando por uma importante fase de desenvolvimento. Explico.

Segundo Henri Wallon, que tem uma teoria psicogenética bem interessante, a criança nesta fase passa por três momentos. O primeiro é a negação. Ou seja, ela nega tudo o que dizemos e fazemos. Nada tão pessoal. Apenas para expulsar o outro de dentro de si, dar inicio a sua pessoa consciente e esboçar a sua personalidade. (Atenção! Fase bem perigosa para perdermos o rumo.) Mas, expulsar o outro tem também o seu preço. O medo de perdê-lo faz com que a criança apele para a sedução. E seduz. E se torna narcisista, exibicionista e sai em busca de aplausos. E finalmente, a imitação. Em que especialmente pelos jogos de faz de conta, ela internaliza o outro e os papéis sociais. Brinca que é professora, que é mãe, piloto etc. Ao viver o outro ela passa a defini-lo melhor, bem como a si mesma. E o que fazer? Primeiro paciência. Depois, limites bem claros. Deixe ele se opor um pouco e chega. Cuide com as seduções e os exibicionismos. Ambos fazem parte do desenvolvimento, mas em excesso desandam a massa. E não limitem seus filhos ao tablet. Tais vivências vividas são importantíssimas! Propicie baús de fantasias, muitas brincadeiras de imitação enquanto deixa BEM claro os papéis de cada um na casa. Ajude o seu filho a ter bela personalidade.

Neste rápido video, observe a negação pelo grito e logo em seguida a sedução.


2 de dez. de 2015

172. COM A VOZ... AS CRIANÇAS.


Anotei algumas frases de crianças de educação infantil (3 a 6 anos) para atentarmos ao quanto as subestimamos e notarmos a diferença de um cérebro bem estimulado. Elas estudam em escolas na cidade de Reggio Emilia (Itália), que são mundialmente conhecidas pelas  suas práticas educacionais, que entre tantas outras, leva a criança a pensar, a criar hipóteses e teorias, a construir individual e coletivamente o conhecimento ligado ao seu cotidiano. Dá ainda condições para que adultos e crianças desenvolvam competências de dialogar, errar, construir argumentação, sequência lógica, fazer perguntas, desestruturar o pensamento e reorganizá-lo, passar a experiência concreta para uma representação mental, registrar de ene maneiras, não acumular saber e transformar o que tem já construído. A mente precisa saber se orientar em meio há tanta informação. E isto lá se ensina e se aprende muito bem.
As frases estão descontextualizadas, fora de seus projetos que as originaram, mas vale para perceber a complexidade na simplicidade e aprender com elas.

“Quando eu desejo minha mente se abre.”

“A lua perfuma as estrelas.”

“O perfume entra no coração e bate de modo diferente.”

“Você pode comprar uma flor, mas não pode comprar o perfume dela.”

“Quando você toca alguma coisa os dedos te fazem perguntas.”

“Para dar um passo para frente precisamos antes perder o equilíbrio.”

“Se as escolas não existissem não conseguiríamos fazer pensamentos.”

“A natureza é secreta porque não sabemos como se faz algumas coisas como as nuvens, o sol, o céu.”

“Se alguém dá água para a flor quer dizer que deseja a flor e que ela tenha uma vida serena.”

“A natureza é diferente. Depende do jeito que você olha.”

“A morte é a guerra.”

“Descansa porque já teve uma vida tanta!”

“Quando cai a neve tem um barulho de silêncio.”

“O silêncio é o gato que dorme.”

18 de nov. de 2015

171. VOCÊ JÁ DESENHOU O PERFUME DE UMA FLOR?


Estava em seminário com as educadoras Maddalena Todeschi e Loretta Bertani de Reggio Emilia (Itália), cidade reconhecida pela sua educação infantil. Em suas escolas há muita reciprocidade entre adultos e crianças, num clima de alegria e com liberdade para expressar o seu ponto de vista sem que haja julgamentos. “Quanto melhor este clima, mais cada um trará o original que há dentro de si.”, diz Todeschi, e que vai ampliando-se a partir das experiências. Também não há salas fechadas, mas diferentes espaços que se interligam possibilitando a construção ampla do que se aprende, bem como a sua revisitação. Espaços para desenho e pintura, construção, jardim interno e externo, cozinha, enfim uma escola repleta de possibilidades de aprendizagens e em movimento. Conto um episódio. Numa determinada turma e momento, discutia-se o desejo. Citarei duas reflexões dos pequenos. Veja que riqueza: “Quando eu desejo, minha mente se abre.” “Você pode comprar uma flor, mas não pode comprar o perfume dela.” Nossa! Como as crianças sabem dizer as coisas! Parei nestas frases por dias. Mas as crianças continuaram. Foram desenhar o perfume da flor! Alguém aí já pensou em desenhar o perfume? Eu nunca! Obrigada crianças por esta aprendizagem! Achei sensacional e os desenhos ficaram maravilhosos. Concluo que cabe sim ao adulto “provocar” as crianças para que ampliem o conhecimento de si, do mundo e percebam o que não se mostra ou nomeia. Mas cabe principalmente deixar-se ser provocado por elas. Vou lá desenhar o meu perfume.

29 de jul. de 2015

158: VIVER E NÃO TER A VERGONHA DE SER FELIZ.


Fim de férias e de volta a rotina. O filho volta a acordar cedo, a ir para a escola, a fazer tarefas, provas, aulas extra-curriculares de inglês, dança, futebol, balé. Corre prá cá, corre prá lá. Cuidado com o estresse avisa o doutor! Mas voltar à escola é muito bom. É delicioso rever amigos, professores, aprender coisas novas, desenvolver habilidades, perceber a si e ao mundo de um jeito cada vez mais amplo. Nela temos a oportunidade de fazernos coisas que dificilmente faríamos sem ela. Mas muitos pais, de forma inconsciente, passam aos filhos as suas representações de escola, que muitas vezes não trazem boas lembranças. E repassam os recados: “Se não colocar a comida para o cachorro vai ter que estudar!” “Se não fizer a tarefa, não vai jogar!” “Por que você não é estudioso como o seu amigo?” “O que? Foi mal na prova?” “Se não estudar vai ficar burro!” Ah, o pobre bichano que não tem nada a ver com isso!
Cuidado! Passamos recados aos filhos sem percebermos. E muitos dos relacionados à escola e aos estudos são negativos, fazem parte de punições ou desestímulos. Preste atenção, policie-se, pois aprender é uma das coisas mais maravilhosas desse mundo. Não estrague esse capacidade de seu filho. E se estragaram a sua, aproveite para encontrar a magia do aprender.
Neste início de volta às aulas, desejo a cada pai, mãe, professor, professora e a cada menino e menina que tenha a alegria de ser um eterno aprendiz. E viva sem ter a vergonha de ser feliz. 


22 de jul. de 2015

157: MECÂNICAS SÃO AS MÁQUINAS, NÃO O SEU FILHO.


Inicie assistindo ao video.


A criança aprende por modelos. Isto é, imita o que consciente ou inconscientemente ensinamos. Já temos um alerta: Prestar atenção ao que ensinamos sem perceber. Além disso, caímos em armadilhas perigosas. É bem comum ver crianças dizendo bobagens e palavrões sem ter noção do que dizem. Apenas reproduzem o que ouvem. Mas, como os adultos riem da graça, elas tendem a repetir. Afinal, quem não quer ser reconhecido e valorizado? A criança também.  Mas, aprender mecanicamente não é bom. É mais fácil deformar a criança do que formá-la. Por que? Porque tiramos dela uma das coisas mais lindas que ela tem: a capacidade de pensar. A criança precisa refletir sobre as suas aprendizagens para inclusive construí-las, ressignificá-las, retê-las. A oração no vídeo abaixo é um bom exemplo. Observe que a mãe diz e a criança repete. Seria mais interessante se a mãe fizesse a sua oração e depois pedisse para a criança fazer a dela. A criança aprenderia a rezar, mas com o que lhe tem sentido. Lembro das minhas filhas agradecendo a Deus pelo travesseiro. Eu nunca teria esta ideia e grandeza! Mas, a criança do vídeo não repete tudo, não cede e tenta argumentar. Bravo! Ela está pensando sobre o que diz. Momento ideal para parar, “FILHOsofar” e entender o porquê da discordância. Mas a mãe não dá ouvidos, contorna a oração e só piora. Posso apostar que ela não gostou de estudar e ir à escola! Cuidemos. Criemos espaços e tempos para a criança pensar. Não a transformemos em máquinas de reprodução em busca de aplausos e aceitação. Amém?

15 de jul. de 2015

156: FAÇA DA ALFABETIZAÇÃO UM CAMINHO INSTIGANTE.


Comece assistindo ao video.


Fui alfabetizada, como muitos, pela cartilha “Caminho suave”. Eu não achava tão suave assim e havia palavras que não existiam no meu mundo. Trabalhávamos as sílabas, que depois eram juntadas formando palavras, e então em frases e em histórias bem sem graça. Não havia liberdade. Tinha que seguir a ordem. O “DA DE DI DO DU” não podia ser trabalhado antes do “BA BE BI BO BU”. Aliás, demorou muito para chegar ao “LA LE LI LO LU” onde tinha o LI do meu nome. Mas eu tinha pena mesmo era do Valter. Até chegar no “VA VE VI VO VU”!!! O fato é que chegou, mas o texto dizia: “Vovô viu a uva!” Nem Lígia e nem Valter faziam parte da história, e nem sabiam nada de uva. Mas vovô viu a uva! E eu queria tocá-la, vê-la, cheirá-la, prová-la. Seria bem melhor para escrever e ler sobre ela. Mas repeti e reproduzi a cartilha como muitos. Mas os avanços das ciências fizeram com  que hoje vejamos a alfabetização de modo bem diferente. Sabemos que é bom fazer sentir, ter sentido, saber do seu uso, e principalmente, ser construída pela criança. No vídeo, vemos o garoto soletrando BRAHMA com a ajuda de um adulto, mas ao final lê “cerveja”, pois é isso que contém na caixa e faz sentido a ele. Afinal, qual o sentido de um “B” isolado ou de qualquer letra? Nenhum. Então, que tal fazer diferente nesse exemplo? Não soletre. Leia a palavra inteira, discuta o sentido dela ali, fale das marcas. Brinque e desafie o seu filho a formar palavras que comecem e terminem com BRA, com MA. Faça ele pensar na escrita e no uso dela, e não a ficar como papagaio repetindo letras. Isso já fizemos.

8 de jul. de 2015

155: QUANDO A CRIANÇA COMEÇA A SE ALFABETIZAR?


Assim que a criança nasce, ela já começa a ser alfabetizada e letrada. Em um processo bem longo e repleto de fases, começa a entender que há uma escrita, como ela funciona e para que ela serve. Quanto mais estímulo tiver, melhor será a sua evolução. E estimular não quer dizer comprar vários livros e cadernos. Conto uma breve história. Conheço uma manicure que lê o tempo todo. E sempre conta com empolgação o livro da vez. Um dia comentou que o programa preferido da filha de 7 anos era ir ao shopping. A cliente ao lado fez algum comentário, do tipo: “Obvio! Qual garota não gosta?” Mas a mãe manicure continuou: “Ela gosta das livrarias! E precisa ver a felicidade dela quando compra um livro. Não vê a hora de chegar em casa para lê-lo!” A cliente então espantou-se: “Nossa! O meu filho da mesma idade odeia ler! E olha que eu compro um monte de livros maravilhosos para ele!” E a manicure fez a pergunta crua, quase cruel: “Mas a senhora gosta de ler?” E ela respondeu: “Eu odeio! Mas compro um monte de livro prá ele.” Será que adianta? No vídeo abaixo, vê-se uma pequena criança “lendo”. É uma pseudoleitura, mas que já mostra muito da construção da alfabetização. Mas como ela sabe que o livro tem algo a dizer e que dá para ler? Não sabemos o que ela sabe exatamente, mas podemos dizer que ela está vivendo o processo da alfabetização. E posso garantir que seus pais lêem, que ela os observa lendo, que eles contam histórias a ela, que ela tem livros e que é bem estimulada. Atente-se: A alfabetização começa em casa e não na escola. Inspire-se nesta fofa.


26 de jun. de 2015

153: PAIS E FILHOS: ASSISTAM E SE INSPIREM.


Território do brincar é um longa, no mínimo, poético, dirigido por David Reeks e Renata Meirelles. Trata do brincar infantil em diferentes regiões e realidades do Brasil. O longa conseguiu me colocar dentro da tela, arrepiou os meus vários sentidos, me fez sentir, deliciar-me e fomentar reflexões. O modo como as crianças brincam no filme dizem da escola dos meus sonhos. Na realidade delas, seja em dunas, mares, florestas, cidades, as crianças desenvolvem brinquedos e brincadeiras que trazem em si valiosos conhecimentos culturais e interdisciplinares. Aprendem e desenvolvem matemática, química, física, biologia, história, geografia, linguística, psicomotricidade, sociologia, cidadania, criatividade, imaginação na experiência. E nela já fazem os ajustes necessários enquanto, sem nem perceberem,  aprendem e se desenvolvem. Seria um sonho se a escola aproveitasse dessa experiência para ampliar o mundo das crianças. Interessante notar que as crianças com menos recursos desenvolvem bem mais habilidades e competências do que as crianças com mais recursos, que já trazem na maioria brinquedos prontos. E como subestimamos as crianças e atrapalhamos seus desenvolvimentos limitando suas brincadeiras em prol de uma organização de tempo e espaço, da super proteção, da facilidade tecnológica, do consumo exagerado de brinquedos entre outros, dificultando com que encontrem o brincar no dia a dia e se desenvolvam integralmente. Leve seu filho para assistir esse filme. Façam dele uma grande inspiração para as férias e para a vida.

17 de jun. de 2015

152. PARA GABI EM SEUS 21 ANOS.


Quando fiz 21 anos meu pai lançou-me um enigma como sempre gostava de fazer. E, como sempre, eu passava horas, dias ou até anos até sossegar com uma boa resposta. E nesse dia não foi diferente. Ele disse: “Parabéns, minha filha! Agora já é dona do seu nariz.” Fez uma pausa e continuou: “Mas lembre-se: não é dona dos buracos que nele há.” A expressão “ser dona do nariz” era-me familiar. Ser independente, livre, responsável por meus atos eu já vinha sendo ao morar sozinha, experiência muito importante à minha formação. Mas, o que significava não ser dona dos buracos do nariz? Já modifiquei alguns vezes essa resposta, mas hoje eu diria que ser dona de si não significa fazer o que se quer, nem quando, onde e por que se quer, pois há os buracos. Os buracos hoje simbolizam tudo o que não sou eu, mas que eu interajo de certa forma. Lembram-me que vivo no mundo, com o mundo e com os outros, e que devo ter uma contribuição responsável com os seres e ambientes, ciente de que esses “buracos” são também ocupados por outros. Que por eles coisas boas e ruins podem ser “respiradas” e por isso que é fundamental saber onde coloco o meu nariz. Mas que é graças ao que não me pertence, o buraco, que posso oxigenar, movimentar e dar vida à vida. Parabéns, minha filha! Há 21 anos vivo a delícia de ser mãe e de tê-la como filha. É um encanto e um presente participar e notar o quão brilhantemente constrói a sua vida e o seu ser com tanta consciência de seu nariz com seus buracos. Viva! Bravo!

3 de jun. de 2015

150. DESCONECTAR PARA CONECTAR.

Visita na casa de alguma avó.
Esses dias recebemos uma mensagem de nossa filha que está há quase um ano na Austrália: “Por aqui está tudo bem, não se preocupem. Mas, vou fazer uma experiência e ficar três dias sem o celular.” Perguntei o motivo e obtive como resposta: “Mãe, eu quero perceber o que estou perdendo ao meu redor enquanto fico conectada ao mundo.” Achei brilhante a sua ideia e visão, mas queria me certificar se havia algum outro motivo. Coisas de mãe. Imediatamente conectei o facetime para me abastecer, acalmar, vê-la e saber mais. Pausa. Viva sim esta tecnologia que tem muitos benefícios. Mas,  encaremos de frente. Estamos viciados nela. E isso tem atrapalhado também a relação entre pais e filhos. Um exemplo? Observe qualquer lugar onde haja família “unida”. Restaurante, shoppings, festas. Em geral, cada um está no seu mundo. E Gabi tem razão: estamos tão plugados que mal percebemos o que e quem está ao nosso redor. Quando saímos em família, em geral, nossas filhas pedem para não levarmos os celulares. Não é maravilhoso? Sinal de que gostam e priorizam a nossa presença e gostam de conversar conosco. Mas isso não é sorte ou surgiu do nada. Investimos para tanto. E é esse desafio que quero propor: desconectar-se um pouco do mundo que está nas mãos para se conectar, sem distração, com a família. Relação entre pais e filhos se aprende e requer atenção, intenção, continuidade, espaço, diálogo, carinho, respeito, prazer, confiança, troca, tempo entre outras construções. Não se dá por um acaso. Atente ao seu redor e não perca a principal conexão.


9 de mar. de 2015

141. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: Índia e a Educação por Projetos: Pune.


O interessante dos indianos é que eles nos colocam para viver a cultura, o que é bem mais fidedigno para compreendê-la. Em Pune, ficamos hospedados na Universidade de Flame, que fica em um lindo vale. Todos os alunos moram ali. Foi uma experiência muito mais rica em termos de conhecimento da cultura, inclusive da rural. 
Ficar entre os alunos e viver o cotidiano deles numa cultura tão diferente da nossa foi realmente interessante. Participei de meditações, de vivências com músicas e danças, de dinâmicas grupais e individuais, vivendo num campus em funcionamento. Bárbaro. Em um dos dias, tivemos uma troca de experiências entre um grupo de educadores brasileiros e o staff da Faculdade. Falamos das semelhanças e diferenças entre nós e senti muita vergonha quando um dos diretores, Rajneesh, perguntou-nos qual era o valor que nos unia enquanto nação. Nos enrolamos para responder, gaguejamos, falamos bobagens, o que significava para mim, que de fato não tínhamos um valor. Para eles, o respeito pela nação era o que os unia. Lembrei-me da Copa do Mundo de 2014, quando os brasileiros começaram a abandonar a arquibancada ainda no início daquele inesquecível jogo contra a Alemanha. Respeito ao país? Não temos. Temos valor? Hummm...

Além de outras ricas trocas, a própria reitora, Indira Parikh nos conduziu ao que ela chamou de Magic Lab, numa experiência inesquecível e realmente mágica de auto e heteroconhecimento. Além de nos proporcionar em sua própria casa, um jantar com educadores de didáticas diversas e nos levar ao seu quarto para mostrar os seus saris. Sentada em sua cama, pensava nessa rara, rica e diferente experiência. Que maravilha!

6 de mar. de 2015

140. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: Índia e a Educação por Projetos: Srishti School (Bangalore).


Srishti School of Art, Design and Technology fica em Bangalore, principal hub de alta tecnologia e telecomunicações da Índia. Também conhecida como o coração do Vale do Silício Asiático. Cidade bem desenvolvida, mas como toda a Índia, também repleta de pobreza. Em Sristhi, há um projeto bem interessante e que pude vive-lo tal qual os fundamentos que ele proclama. Primeiro, a experiência. Explorar sem muito pensar. Segundo, pensar a respeito e de diferentes formas. Terceiro, voltar-se à experiência modificando-a. E foi exatamente assim que a Faculdade nos recebeu. Com um grupo de alunos do primeiro ano, ano que é destinado, intencionalmente para bagunçar os conceitos. Participamos dos conhecimentos de Kabir, o místico e popular poeta do século XV, que nos foi apresentado por músicas, histórias, documentários, vivências corporais, vivências sociais e depoimentos de diversos indianos que diziam da origem e da morada do conhecimento, enquanto expressavam seus modos de ver a vida, de dar sentidos a ela e encontrar sua missão na mesma. Pensamentos que pareciam alcançar uma ideia comum: o ser interior. Leia alguns retirados dos depoimentos.
“O conhecimento mora na experiência e então suas ações determinam quem você é!”; “Mas quem determina o que é bom ou ruim?”; “Minha ação é a minha religião.”; “Se você aprendeu só em livros, o seu conhecimento está limitado entre A a Z. É preciso ir além disso.”; “Muito do conhecimento já está em nós. É preciso saber olhar.”; “Se você enxerga a guerra fora é porque você tem a guerra dentro. Se você vê o amor fora, é porque você vê o amor dentro.”; “Muito do conhecimento, que vai além do A a Z, só pode ser encontrado no silêncio.”; “A verdade está nos seus olhos e há coisas que não se nomeiam.”; “Eu achei Deus na pupila dos meus olhos!” E assim seguiu, até o momento que conversamos com os alunos fazendo trocas de conflitos gerados pelo o que tínhamos já construído em nós e pelo o que foi ali apresentado. Muito rico o modo com os indianos vêem essas questões. Colocou-me para pensar. Objetivo atingido: provocou-me a desestabilização dos conhecimentos já construídos. Maravilha! 
Um rápido lanche e então, uma exposição liderada pela coordenadora Arzu Mistry sobre como a Faculdade se desenvolve, os seus projetos interdisciplinares e reais e como ela age de forma transformadora na comunidade. 
Almoçamos, sintetizamos o que vimos mediante os nossos corpos numa vivência interessante e fomos à prática, ver alguns projetos já vivenciados e outros ainda em construção.
Um deles me encantou. Os alunos de 4° e 5° anos visitaram comunidades carentes em busca de entender melhor a cultura popular. Foram em busca de metáforas, de conhecimentos, de histórias e relatos para então voltarem à faculdade e transformar o que detectaram em uma história infantil que voltaria depois à comunidade. Um encanto de projeto e de uma qualidade fantástica. Fez arrepiar. 
No dia seguinte, fomos a uma das sete comunidades que a Srishti apoia, oferecendo ajuda múltipla para trazer de volta as crianças e jovens que haviam abandonado a escola. Assim, dentro da comunidade e com a grande colaboração deles propiciam ampliar os horizontes de todos. Outro projeto de arrepiar. Estivemos com alguns alunos que deram belíssimos depoimentos de superação. Mostraram o funcionamento genial da escola e as possibilidades que se abrem a eles. Alguns já em faculdades, outros em trabalhos que antes nem podiam imaginar, falavam e apresentavam o seus crescimentos.
E a noite, jantamos com o staff da Faculdade, cada qual expondo o seu projeto principal dentro daquele vivo sistema educacional transformador de mundos e gentes. Aplausos, aplausos, aplausos. Propostas que fazem sentir e sentido. Bravo!