Visitei entre outras, na Finlândia, uma escola para crianças de 1 a 3
anos. Escrevi na minha coluna da Revista Pais & Filhos as minhas
impressionadas impressões e lições tiradas dessa visita. Vale a pena conferir. http://www.paisefilhos.com.br/blogs-e-colunistas/de-olho-no-cotidiano/elevar-a-crianca-grande-licao
Recebi comentários em redes sociais, mas um deles chamou-me a atenção
e o coloco em discussão. Resumidamente, a coluna fala do desenvolvimento da
autonomia, responsabilidade e independência desde a primeira infância. E, a
diferença que isto faz no presente e futuro do ser em formação.
A brasileira Renata
trabalha com educação infantil em Montreal, Canadá. Ela conta que lá a base da
educação é essa mesmo: autonomia acima de tudo. “Se uma criança aprende
determinada tarefa (colocar os sapatos por exemplo) nunca mais os pais a
farão por ela.” Todavia, percebe nas crianças mais velhas, nos jovens e mesmo
nos adultos uma grande dificuldade para lidar com a hierarquia e a autoridade.
Nota muito desrespeito e desobediencia de todos para com todos. Então, questiona
se isto não é fruto do desenvolvimento precoce da independência. Pois, se desde
pequena a criança é tão acostumada ao “Je suis capable de le faire” (Sou capaz
de fazer sozinho), como conseguirá cumprir ordens ou reconhecer uma
autoridade? Para ela, tudo parece ser uma “reaçao em cadeia: criança
autonoma/independente demais - adolescente idem que nao suporta autoridade -
adulto que cresceu sem conhecer hierarquia/autoridade.”
Faz sim sentido a sua inquietação. Contudo, vejo esse comportamento no
Brasil, onde não é costume educarmos para a independência e autonomia. Então, o
buraco parece ser mais embaixo. Pergunta ainda se vi isso na Finlândia ou se
educação previne tal conduta. Eu não vi tal comportamento nem em escolas e
nem nas ruas, mas vi uma educação com liberdade e limites bem claros. Porém, verifiquei
com uma brasileira que já está inserida na cultura finlandesa por dois anos. Diana
conta que há alguns jovens que fogem a regra, e que perdem os princípios
básicos da educação, como em qualquer parte do mundo. Porém, nota que a maioria
das pessoas, independente de classe sócio-econômica, respeita a autoridade alheia
e “quando você conhece os seus limites e responsabilidades, a autonomia ou
independência é consequência.” A disciplina e as regras, diz ela, libertam. Também
faz muito sentido o que ela diz.
Eu continuo a crer que a melhor forma
de educar ainda seja pelo desenvolvimento da autonomia responsável e com uma
liberdade onde a criança, desde pequena, aprenda que está no mundo, com o mundo
e com os outros. Eu percebo em minhas filhas adolescentes, que assim as eduquei,
um enorme respeito a nós e aos outros, e reconhecem autoridades, inclusive a
nossa. Todavia, é fato que os jovens de hoje não vêem hierarquia como víamos. O
mundo não pára e nem a educação. Leia este post. http://filhosofar.blogspot.com.br/2014/02/92-o-jovem-de-hoje-foi-crianca-de-ontem_4.html









