Srishti School of Art, Design and Technology fica em Bangalore,
principal hub de alta tecnologia e telecomunicações da Índia. Também conhecida
como o coração do Vale do Silício Asiático. Cidade bem desenvolvida, mas como
toda a Índia, também repleta de pobreza. Em Sristhi, há um projeto bem interessante e que pude vive-lo tal qual
os fundamentos que ele proclama. Primeiro, a experiência. Explorar sem muito
pensar. Segundo, pensar a respeito e de diferentes formas. Terceiro, voltar-se
à experiência modificando-a. E foi exatamente assim que a Faculdade nos recebeu.
Com um grupo de alunos do primeiro ano, ano que é destinado, intencionalmente
para bagunçar os conceitos. Participamos dos conhecimentos de Kabir, o místico e
popular poeta do século XV, que nos foi apresentado por músicas, histórias, documentários,
vivências corporais, vivências sociais e depoimentos de diversos indianos que
diziam da origem e da morada do conhecimento, enquanto expressavam seus modos
de ver a vida, de dar sentidos a ela e encontrar sua missão na mesma. Pensamentos
que pareciam alcançar uma ideia comum: o ser interior. Leia alguns retirados
dos depoimentos.

“O conhecimento mora na experiência e então suas ações determinam quem
você é!”; “Mas quem determina o que é bom ou ruim?”; “Minha ação é a minha
religião.”; “Se você aprendeu só em livros, o seu conhecimento está limitado
entre A a Z. É preciso ir além disso.”; “Muito do conhecimento já está em nós.
É preciso saber olhar.”; “Se você enxerga a guerra fora é porque você tem a
guerra dentro. Se você vê o amor fora, é porque você vê o amor dentro.”; “Muito
do conhecimento, que vai além do A a Z, só pode ser encontrado no silêncio.”; “A
verdade está nos seus olhos e há coisas que não se nomeiam.”; “Eu achei Deus na
pupila dos meus olhos!” E assim seguiu, até o momento que conversamos com os
alunos fazendo trocas de conflitos gerados pelo o que tínhamos já construído em
nós e pelo o que foi ali apresentado. Muito rico o modo com os indianos vêem
essas questões. Colocou-me para pensar. Objetivo atingido: provocou-me a desestabilização
dos conhecimentos já construídos. Maravilha!
Um rápido lanche e então, uma
exposição liderada pela coordenadora Arzu Mistry sobre como a Faculdade se
desenvolve, os seus projetos interdisciplinares e reais e como ela age de forma
transformadora na comunidade.
Almoçamos, sintetizamos o que vimos mediante os
nossos corpos numa vivência interessante e fomos à prática, ver alguns projetos
já vivenciados e outros ainda em construção.
Um deles me encantou. Os alunos de
4° e 5° anos visitaram comunidades carentes em busca de entender melhor a
cultura popular. Foram em busca de metáforas, de conhecimentos, de histórias e
relatos para então voltarem à faculdade e transformar o que detectaram em uma
história infantil que voltaria depois à comunidade. Um encanto de projeto e de
uma qualidade fantástica. Fez arrepiar.
No dia seguinte, fomos a uma das sete
comunidades que a Srishti apoia, oferecendo ajuda múltipla para trazer de volta
as crianças e jovens que haviam abandonado a escola. Assim, dentro da
comunidade e com a grande colaboração deles propiciam ampliar os horizontes de
todos. Outro projeto de arrepiar. Estivemos com alguns alunos que deram
belíssimos depoimentos de superação. Mostraram o funcionamento genial da escola
e as possibilidades que se abrem a eles. Alguns já em faculdades, outros em
trabalhos que antes nem podiam imaginar, falavam e apresentavam o seus
crescimentos.
E a noite, jantamos com o staff da Faculdade, cada qual expondo o
seu projeto principal dentro daquele vivo sistema educacional transformador de
mundos e gentes. Aplausos, aplausos, aplausos. Propostas que fazem sentir e
sentido. Bravo!