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2 de dez. de 2017

205. AS FASES DA CRIANÇA E O MUNDO DA FAMÍLIA.


A criança não nasce sabendo do mundo, de si e das pessoas. Precisará de tudo aprender. A princípio, pelos SENTIDOS, EMOÇÕES e MOVIMENTOS. Leva o mundo à boca, desafia-se, explora os objetos, a si mesma, as pessoas, os tempos, os espaços, as relações de tudo isso e a sua relação com tudo isso. Estas experiências lhe proporcionam um primeiro conhecimento de como as pessoas e as coisas são e funcionam. E nesta fase, a cada dia, há sempre uma surpreendente novidade.

Com o desenvolvimento da LINGUAGEM o seu mundo interno ganha muitas possibilidades. Brinca, cria e representa o mundo que vive e conhece através de personagens, jogos simbólicos, de faz-de-conta. Conversa sozinha, interage com tudo e todos numa imensa e intensa vontade de explorar e aprender. Ao brincar de casinha, de médico, de bicho, de polícia ladrão, de luta, a criança, além de desenvolver a linguagem e habilidades sócio-emocionais, ela vive papéis que a ajudam a compreender as regras de cada segmento da cultura que está inserida, as suas convenções, seus problemas, suas diferenças, seus costumes. Pode refletir e incorporar as características e as ações de quem imita e aprende que o mundo não é ela e nem que tudo é do jeito dela. Estas experiências, ajudam-na a compreender melhor de si, dos outros e do  mundo, e a representá-los dentro de si. Isto a possibilita pensar, imaginar, entender, falar sobre ele, ainda que seja de forma desorganizada e sem lógica. Por exemplo, quando a criança nos conta uma história, não há ainda uma organização espaço-temporal, certo? O fim vem embolado com o meio que passa ao começo e volta ao fim. Isso é normal para a fase. Mas é momento que requer redobrada atenção ao que é oferecido à criança, pois ela ainda age como “esponja”, imita e absorve tudo sem crítica. Aliás, esta se ensina desde pequeno. E é bom fazê-lo.

Pois, o MUNDO EXTERNO que é oferecido ao seu filho, com suas concepções, valores, erros, acertos, medos, modos de viver e de ser, dirá de seu MUNDO INTERNO, de seu ser, de sua interação com o meio. Dirá de como ele agirá, pensará, amará, odiará, falará, perceberá, criará o mundo externo, que dirá do seu interno num processo sem fim. Ou seja, se uma criança recebe sempre elogios, é protegida de qualquer frustração e a mãe obedece a tudo o que ela pede, este será o mundo externo que ela internalizará, e a partir dele perceberá e agirá no mundo. Quando na escola, a professor não a destacar diante da classe, ou quando tirar uma nota baixa, ou não for tratada como rainha, é bem provável que sofra, que culpe a outros, que se desorganize, que fique agressiva, pois não foi este mundo externo que construiu em si. Por isso vale sempre se perguntar: QUE MUNDO OFEREÇO AO MEU FILHO? Claro que outros mundos virão. Mas o primeiro deles, é a família. E o primeiro deles será a base de tudo. Pense na sua vida e observe como tudo o que você é tem uma ligação com a sua criança. A infância é tudo. Cuide bem da do seu filho, da construção do mundo que ele fará.

Conforme a criança amplia suas representações, ela sente a necessidade de organizá-las, dar um sentido maior e passa a CATEGORIZAR os mundos que conhece. O mundo das profissões, dos animais, dos objetos engraçados, dos objetos escolares, além de amar as coleções. Nesta fase, é bom enfatizar a organização externa para ajudar na interna, e saber que a criança ainda pensa de forma bem concreta, ao pé da letra e com uma pré-lógica deliciosa. Para ela, um trânsito engarrafado, pode significar carros dentro de uma garrafa, assim como ao pé da letra, pode ser uma letra com pé. Mas, os estímulos cada vez mais diversos do meio, a mediação daqueles que interagem com ela, sua interação com eles e o amadurecimento do sistema nervoso, a ajudarão a progredir e logo conseguirá ABSTRAIR o pensamento, desenvolver a lógica, a perceber metáforas, expressões idiomáticas, fortalecer a sua personalidade, as suas verdades, valores, saberes de tantos outros mundos, usando as bases das construções do seu primeiro mundo. E num piscar de olhos está adolescente, adulto e parindo nova criança, que a princípio aprenderá pelos sentidos, emoções e movimentos...

Note que em todas as fases, a participação ativa da criança na EXPERIÊNCIA é fundamental. Afinal, não é possível desenvolver no lugar do outro. Assim, com bom senso, não devemos impedí-la, pois será como querer alimentá-la oferecendo-lhe um cardápio. Logo, quantidade e qualidade de experiências são importantes, assim como o modo como a criança interage com a oportunidade. E isso se aprende. Atenção! Dizer a criança que ela não é capaz, enche-la de medos, criar resistências, fazer em seu lugar, superprotegê-la, poupá-la, devem ser observados, pois são impeditivos de desenvolvimento. Vale diversificar atividades, não se acomodar só a tecnologia, criar boas oportunidades de aprendizagens e desenvolvimentos e reflitir sempre sobre o mundo oferecido ao filho, pois é dele que ele constituirá o seu primeiro e mais importante mundo. Base de tudo e de todo o resto. Atente-se a isso. Feliz mundos!


25 de nov. de 2016

190. APRENDE- SE DA CULTURA VIVENDO A CULTURA.


Estive estes dias em Londres e Paris e visitei vários museus. Em todos eles, sem exceção, encontrei professores com os seus alunos com didáticas diversas e metas também. Conto um pouco do que vi. Um grupo, bem a vontade espalhado pelo salão, estudava perspectiva ao reproduzir a escultura por vários ângulos. Outro grupo fazia uma gincana pelo museu. As crianças tinham que encontrar e fotografar as dez obras que haviam estudado. Outro grupo, encontrava-se cada qual atento a um quadro e fazia uma releitura. Um dos garotos desenhava a Mulher Maravilha no lugar da Nossa Senhora. Fazia sentido! E apesar de novos, desenhavam muito bem. Claro, professores desenvolvidos e recursos favoráveis ajudam a promover desenvolvimentos aos alunos. Vi ainda, um grupo de adolescentes, que parava nos quadros e o professor dialogava em busca de ampliar percepções. Apenas dois mostravam-se desinteressados. Diferente do outro salão, onde vários jovens nem piscavam, atentos à obra, ao professor e às anotações. E era bem comum ver crianças sentadas em frente a uma obra enquanto aprendiam a percebe-la e e senti-la na sua complexidade. Alguns professores eram mais interativos, outros mais expositivas, outros mais lúdicas. Mas todos, proporcionavam a vivência da cultura na cultura. E lembrei da educação do Brasil. Temos muitos projetos bonitos, escolas sem igual. Mas, penso na maioria. Nas nossas aulas, nos recursos, no desenvolvimento do professor e do aluno, no que valorizamos como cultura. Penso na esperança e no trabalho pela frente.

5 de out. de 2016

186. MEU PAI FOI DEMITIDO!



A cada dia temos visto pessoas próximas a nós serem demitidas. Profissionais qualificados, medianos e excelentes. Não importa. Enxugar e diminuir gastos tem sido a palavra de ordem nesta crise complicada. Ser demitido mexe com qualquer um, mesmo com uma justificativa como esta. E não é fácil chegar em casa e contar para a família. Curioso notar que por mais que as mulheres estejam empoderando-se, brigando por igualdade e bancando muitos dos lares, percebo que ainda são os homens os que mais sofrem com as demissões. Por muito tempo eles tiveram um papel muito definido: o de provedores. Por mais que isto esteja mudando há anos, noto muitos homens com uma vergonha social por estarem demitidos e temem não proverem a família. Muitos conseguem contar à esposa, mas têm grande dificuldade de contar aos filhos. Inventam histórias para amenizar ou aliviar. Bobagem. Quem é fracassado na crise? Além disso, a criança sabe muito pouco sobre demissão. O modo como você lidar com esta situação, será o modo como a criança irá aprender sobre ela. Minha opinião: seja transparente com o seu filho e o ensine sobre o mundo real. Não é bom que os filhos nos vejam como infalíveis ou super-heróis. Aproveite este rico momento de aprendizagens, como por exemplo, a educação financeira, a flexibilidade em relação aos programas e aos gastos, aproveitar mais os momentos juntos e compartilhar as situações reais de acordo com a idade da criança. Crie convivências econômicas, aperte o cinto, aperte o abraço e lute em família que fica mais fácil e lindo.

26 de jun. de 2015

153: PAIS E FILHOS: ASSISTAM E SE INSPIREM.


Território do brincar é um longa, no mínimo, poético, dirigido por David Reeks e Renata Meirelles. Trata do brincar infantil em diferentes regiões e realidades do Brasil. O longa conseguiu me colocar dentro da tela, arrepiou os meus vários sentidos, me fez sentir, deliciar-me e fomentar reflexões. O modo como as crianças brincam no filme dizem da escola dos meus sonhos. Na realidade delas, seja em dunas, mares, florestas, cidades, as crianças desenvolvem brinquedos e brincadeiras que trazem em si valiosos conhecimentos culturais e interdisciplinares. Aprendem e desenvolvem matemática, química, física, biologia, história, geografia, linguística, psicomotricidade, sociologia, cidadania, criatividade, imaginação na experiência. E nela já fazem os ajustes necessários enquanto, sem nem perceberem,  aprendem e se desenvolvem. Seria um sonho se a escola aproveitasse dessa experiência para ampliar o mundo das crianças. Interessante notar que as crianças com menos recursos desenvolvem bem mais habilidades e competências do que as crianças com mais recursos, que já trazem na maioria brinquedos prontos. E como subestimamos as crianças e atrapalhamos seus desenvolvimentos limitando suas brincadeiras em prol de uma organização de tempo e espaço, da super proteção, da facilidade tecnológica, do consumo exagerado de brinquedos entre outros, dificultando com que encontrem o brincar no dia a dia e se desenvolvam integralmente. Leve seu filho para assistir esse filme. Façam dele uma grande inspiração para as férias e para a vida.

18 de nov. de 2014

128. PENSAMENTO INDIANO E A EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS.

Meu pai e minhas filhas. Foto com várias interpretações. 

Essa postagem foi pré-programada, assim como as anteriores. Hoje  escrevo no presente imaginando a possibilidade do futuro.
Nesse momento, devo estar do outro lado do mundo há 10 dias, fazendo mais uma pesquisa educacional, cultural e pessoal. Visitando escolas, universidades e tendo encontros com mentes brilhantes que percebem a educação de modo bem diferente do mundo ocidentalizado. Devo ainda estar conhecendo mais uma cultura e alimentando os meus sentidos num país tão diferente, país dos contrastes, onde parece se perceber simultaneamente o caos e a paz.
Dizem que quem vai a India volta transformado. E sei que assim voltarei, pois quando nos abrimos às novas aprendizagens, e elas acontecem, nossos circuitos mentais já não são os mesmos, transfomando nossa visão de mundo e de gente, incluindo a nós mesmos. Além disso, lá farei 50 anos, o que será bem significativo para mim.
Por ora, deixo-lhes um pensamento indiano que, a mim, muito diz dos filhos e das possibilidades que a educação irá gerar. E na volta trarei as novidades já vividas e as transformações experimentadas.

Para refletir:
A semente carrega em si a memória do passado e a possibilidade do futuro.

Até a volta!

28 de jan. de 2014

91. A VOZ E A VEZ DOS FILHOS


O post que segue foi escrito por Gabriela Pacheco (19 anos) e Camila Pacheco (17 anos), minhas filhas. Contam uma experiência que tiveram nesta semana. Ouvir os filhos é muito bom! Ajuda a conhece-los, a identificar ‘o que’ e ‘como’ está o que ensinamos, a avaliarmos a educação dada para, se necessário, fazer os ajustes necessários. Ouvir os filhos é muito bom e necessário. Com a palavra... Gabi e Camila.

TRABALHO VOLUNTÁRIO
Era uma manhã de sábado diferente. Estávamos a caminho de uma nova experiência: realizar o sonho de uma comunidade carente. Nos juntamos a um projeto chamado “Guerreiros sem Armas”, que engloba 60 pessoas escolhidas no mundo inteiro para juntas identificarem e realizarem o sonho de uma comunidade. O processo não é fácil, eles ficam durante um mês morando próximo a comunidade e, durante esse tempo, devem ouvir da comunidade qual o maior sonho deles. Para definir esse sonho, esses guerreiros passam por várias etapas, começando ao observar a comunidade, depois entrosar, ouvir histórias, até chegar em um consenso final de um sonho. Após essas fases, é construída uma maquete que permite que todos visualizem como ficará o sonho. Depois disso, é chegada a hora do milagre: em 4 dias, o sonho deve ser realizado. E foi desse fase que participamos! Vale mencionar que o principal objetivo desse projeto era mostrar para a própria comunidade que eles tinham todos os recursos necessários, e que só precisavam se mobilizar e se organizar para construir esse e tantos outros sonhos. Sendo assim, todos os recursos deveriam vir da própria comunidade.
Estávamos a caminho sabendo que precisávamos estar dispostas a fazer o que fosse preciso pra tornar o sonho real. A comunidade, conhecida como “Caminho da União”, fica em Santos-SP. Chegando lá, nos unimos aos “Guerreiros” e discutimos o sonho da comunidade: construir um Centro Cultural. Começou então, a parte do planejamento: fomos todos divididos em 4 grupos, dentre eles, o primeiro era responsável pela construção estrutural do Centro Cultural; o segundo, tinha como função construir o mobiliário interno; o terceiro, ficou com a tarefa de fazer uma horta; e o quarto, deveria criar e construir algum produto que gerasse renda para a comunidade e que eles pudessem produzir e vender a partir de então. Escolhemos o grupo do mobiliário, e ali começamos a colocar a mão na massa!
O dia foi intenso, debaixo do sol e rodeadas de  crianças que se dispunham a ajudar. Começamos arrecadando garrafas PET, caixas, tintas, pincéis, estofados, tecidos, e com muita energia para ajudar! E então a lavar garrafa PET daqui, pintar caixote de lá, enquanto os outros grupos faziam a fundação, iam atrás de madeira, plantavam, arrecadavam outros materiais. Enfim, foi um dia rico de experiências, de trocas, de sorrisos, de suor, de trabalho, de risadas, de realizações! A todo momento éramos rodeadas de crianças, que grudavam nos nosso braços, e era o dia inteiro “tia” pra cá, “tia” pra lá. Pouco tempo depois de nos conhecermos, já estavam nos nossos colos, fazendo carinho, mexendo no cabelo, ajudando a pintar e faziam daquilo uma diversão. No final da tarde, resolvemos dar um passeio comunidade a dentro. Carregando crianças no colo, que nos mostravam o caminho, saímos pelas ruelas, conhecendo de tudo. E foi impactante! Por um lado, crianças na rua dançando, brincando, se divertindo, adultos sentados conversando, ouvindo música, jogando baralho. Por outro lado, faltava saneamento básico, faltava estrutura, faltava parede, faltava chão, faltava educação, faltava limpeza, faltavam condições para se viver como seres humanos.
O sol já se punha, era chegada a hora de partir. Havia mais 3 dias de construção pela frente, mas nós só participaríamos do primeiro. Estava na hora de nos despedirmos. Abraçamos as crianças, que nos agradeciam, que ainda riam, e muito se divertiam. Olhamos para trás e nos demos conta da realidade que estava ali. Voltamos então pra casa, conversando sobre tudo o que havíamos vivido naquele dia. De fato, a grande mudança tinha acontecido dentro de nós. Tudo aquilo tinha mexido muito conosco, nos deu uma visão de mundo diferente. Por outro lado, sabíamos que a comunidade já não era mais a mesma: agora, mais do que nunca, se deram conta de que podiam sonhar. Pela primeira vez, talvez, eles se viam na posição de doadores, ajudantes, fornecendo o material necessário para a construção de um sonho. Sonhar era possível!

8 de nov. de 2013

81- SEGUNDA LIÇÃO: CISNES PRETOS TÊM PENAS BRANCAS


Segundo os ornitólogos todo cisne negro tem também plumas brancas. E nesta metáfora usada, diria que há em nós o potencial de ambos os cisnes: branco e negro. E, conscientemente ou não, desenvolvemos mais um deles. Ser cisne negro tem vantagens, mas é minoria e convive com a maioria. E se somos biológicos, somos também sociais. Assim, entender, respeitar e saber viver com cisne branco é necessário, caso contrário o cisne negro isolar-se-á em sua arrogância. Ter algumas penas brancas não é de todo mal. Há nelas características por vezes necessárias. E uma certa semelhança dará aos cisnes brancos segurança, o que possibilitará ao negro diferenciar-se. Mas, que penas escolher?
Ser cisne branco é agradar ao outro e não ser problema. É estar seguro nos trilhos, atento ao que já sabe e acomodado aos padrões. É ser dependente, submisso, meigo, passivo, previsível. Perfeito, frágil, inocente, suave, vulnerável, virginal.
Ser cisne negro é ser ousado, forte, espontâneo, criativo, visceral. Verdadeiro, intenso, exuberante, imprevisível, surpreendente. É reconhecer-se único, liberto da opressão e dos condicionamentos sem medo de impactar, de se entregar e de frustrar expectativas alheias. É saber andar por trilhas junto ao inesperado, ao incerto e à busca da excelência. Pronto a superar-se, a sair do lugar comum, a privilegiar o que não sabe em dúvidas e curiosidades.
Posto assim, que saibamos dialetizar os modos opostos de ser, bem escolher as nossas penas, em busca de uma síntese que faça de nós, pais e filhos, seres convictos do que se quer ser.

1 de nov. de 2013

80- EXEMPLO DE UMA CRIANÇA CISNE NEGRO


Na postagem anterior defendi a ideia de desenvolver nos filhos o ser Cisne Negro. Um ser raro, que busca em sua autenticidade, ser o que é, não se atendo ou se entregando as expectativas alheias e comuns. O vídeo abaixo fez-me refletir. Talvez nasçamos cisnes negros, mas corrompidos pela sociedade e educação, fortalecemos os cisnes brancos em nós, padronizados e socialmente corretos e aceitos. O vídeo mostra uma apresentação de sapateado de crianças em idade pré-escolar, onde uma delas quebra o protocolo, abre mão da coreografia sem graça e entrega-se, totalmente liberta, à música deixando corpo e mente fluirem. Não faz por exibicionismo, faz para si e se diverte. Notem que a menina ao lado, já bem padronizada, perde-se. Já deve ter aprendido que se frustrar o outro, arrisca-se a grandes perdas. Assim aprendemos. Mas, quem rouba a cena é a garota liberta. Observe a reação da plateia! Embora saiba que muitos veem um cisne como um Patinho Feio. Mas, os fatos históricos e a própria vida mostra que o diferente e o nada previsível é o que faz a diferença. Que esta pequena cisne negra ajude a professora de sapateado e toda a plateia a perceberem que a criança pequena tem muito mais a ensinar do que a aprender. E por favor, não a taxem de TDAH ou digam que há diferenças entre a abordagem afro-americana e a européia. Não, por favor, não! Prefiro crer que ela simplesmente resiste a contaminação. Vamos ao vídeo.

23 de jul. de 2013

73- EDUCAÇÃO PELO MUNDO. CHINA: III- ESCOLA, FAMÍLIA E A ÂNSIA PELA COMPETITIVIDADE.


Tão logo a criança entra na escola, inicia uma enorme expectativa dos pais e da escola sobre  sua disciplina e rendimento escolar. E logo inculcam na criança a valorização à competitividade. Afinal, num país tão populoso a competição já faz parte da cultura.
Com isso, nota-se uma grande parceria entre a escola e os pais. Em geral, a família coopera com a formação e o rendimento do aluno, e pressiona a escola requerendo qualidade e ensino puxado. Muitas mães param de trabalhar para apoiar o filho, e a casa tende a ser organizada para viabilizar um bom estudo.
As escolas, na maioria públicas, são de período integral e a rotina do aluno é intensa e extensa. E ao chegar em casa, ainda tem aulas extras e estuda por mais 3 ou 4 horas. Não há tempo para o lazer, para o ócio, para namoro, para viver além dos estudos. O foco é estudar, ser o melhor, superar os adversários e enfrentar o “Gao Kao”, que é o teste que lhes garantirá o ingresso a uma boa universidade, e que por sua vez, possibilitará um bom emprego e uma carreira de sucesso. 

No ambiente escolar é notória a organização e a concentração dos alunos de qualquer faixa etária. E, além de serem muito parecidos fisicamente, são também em termos comportamentais. Tímidos, reprimidos, focados, competitivos, disciplinados, excelentes alunos, mas pouco criativos e inovadores. Mas isto não fica assim, afinal a competição agora é também internacional. Veja no próximo post as mudanças que se fizeram necessárias.


ps: Note que nas salas de aula há alguns brasileiros tirando fotos, assim como eu. Nem professores e nem alunos desconcentram. Incrível!

9 de jul. de 2013

71- EDUCAÇÃO PELO MUNDO.CHINA: I. A POLÍTICA DO FILHO ÚNICO.


Fui a China buscar entender melhor a educação escolar e familiar deste país. E mais uma vez concluí: a cultura diz muito do seu povo. Assim, convido-o a ler estas impressões buscando isentar-se, na medida do possível, da cultura que nos faz.
A política do filho único, para controle populacional, traz consequências em vários setores. As famílias são muito pressionadas socialmente e financeiramente, recebendo multas elevadas se não cumprirem a ordem. E levam isso a sério.
A possibilidade de um único filho faz com que o deficiente seja considerado uma mancha na vida familiar. É comum abandoná-lo em instituições específicas ou deixá-lo morrer. Assim como fazem com as crianças que nascem sem um lar institucionalizado.
Por anos, a ideologia chinesa valorizou o sexo masculino. E por só poder ter um filho, as meninas eram abandonadas, mortas ou entregues à adoção. Todavia, hoje, com mais acesso à educação, as mentes estão sendo mudadas. Aliás, nota-se que o sexo feminino está em alta. Nas escolas era frequente ouvir o elogio à supremacia feminina nos estudos e na aprendizagem. 
Tal política favorece ainda um excesso de zelo, mimo e de expectativas nesta criança única. Além disso, é comum os avós morarem junto com a família. Era frequente ver pelas ruas crianças cercadas de adultos fazendo as vontades dos pequenos imperadores. Mas isto não permanece assim. Há uma virada drástica nesta relação afetiva. Aguarde a próxima postagem.

25 de abr. de 2013

67- TODA CRIANÇA É GENIAL


Dizia Albert Einstein: “Somos todos geniais. Mas, se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em árvores, ele passará sua vida inteira acreditando ser estúpido.”
Quantas vezes não fazemos isto, ainda que inconscientemente, com  os nossos próprios filhos ou alunos?
A criança ao nascer é um ser de possibilidades. Não acreditamos mais no determinismo e portanto, a expressão “filho de peixe peixinho é” já não faz mais sentido. E nem os nossos sonhos e conhecimentos passam pela genética. Cuidado, cada ser é cada ser, sendo. E, sendo um ser de possibilidades pode vir a ser um ser qualquer. Pois, para desenvolver seus potenciais, a criança vai depender de oportunidades, mas isto não basta. Não basta colocá-la na melhor escola, nos melhores cursos de línguas, informática, esportes, músicas, artes. Para que ela aproveite estes recursos, em prol de seu desenvolvimento, é necessário que  tenha a capacidade. E então, motivação, isto é, que tenha um motivo na ação. E para isto é preciso que a atividade mexa com suas emoções, faça sentido, seja ricamente desafiadora, mas nem aquém e nem além de suas capacidades. Portanto, avaliar nossas crianças a partir de nossos interesses, sonhos, capacidades, conhecimentos, visões e percepções é  tirar-lhes delas o que há de mais lindo no humano: o ser especial e essencialmente único. Assim, veja a criança como ela está sendo, ajude-a a desenvolver potenciais, cuide para que ela possa ser uma unidade na diversidade e admire sua genialidade, seja ela qual for.

16 de abr. de 2013

66- NO AR: AS NOVAS CONFIGURAÇÕES FAMILIARES

Fui novamente entrevistada pela BANDNEWS com mais um tema provocador: “As novas configurações familiares”.
É certo que nenhuma mudança pode ser vista de forma isolada. A família faz parte de um contexto maior, histórico-sócio-político-econômico-cultural, onde a mudança de uma das partes modifica as demais. E é fato que a família vem sofrendo nas últimas décadas mudanças profundas quanto a sua natureza, função, composição e concepção. Observe: Na década de 70 meus pais se separaram. Meus irmãos e eu perdemos os nossos amigos, tivemos que mudar de escola e algumas delas não nos aceitaram alegando que seríamos más influências às outras crianças. Vinte anos depois, minha filha chega da Educação Infantil aos prantos querendo saber quando iríamos nos separar, visto que ela era a única na classe que tinha os pais casados. Interessante notar a velocidade da mudança! Por motivos opostos, tanto eu quanto ela éramos “ETs” na sociedade! Além disso, qual escola hoje ousaria negar a matricula de uma criança de pais separados? Não há como fechar os olhos para a mudança familiar, hoje composta por múltiplos e diferentes arranjos: monoparental, homoparental, adotiva, recomposta, comunitária entre tantos outros formatos, que em breve estarão normalmente incorporados ao novo contexto. Independente de nossas crenças, valores, princípios, a diversidade é rica, cada qual tem o direito as suas escolhas, a criança não deve pagar o preço pela mudança e o preconceito não impedirá o turbilhão das transformações. Reflitamos.
Tendo interesse, segue o link da entrevista:

4 de out. de 2012

57- CUIDADO PAI, MÃE, ESCOLA!


Em viagem defrontei-me com esta camiseta: “Nasci inteligente, mas a educação arruinou-me.” Infelizmente, isto acontece. Eu mesma fui vítima de uma educação escolar que me rotulou, diminuiu minha autoestima, fez-me acreditar  que eu não era capaz. Acreditem, não fizeram por mal. Os conhecimentos eram outros e a percepção também. Mas, demorei anos para perceber que a (des)educação não tinha este direito, bem como para arrumar o estrago feito. Por isso, pais, mães, escolas: Cuidado para não arruinar uma criança. Ela pode acreditar em vocês.
Vamos a um único exemplo, mas há vários por aí. Uma mãe procurou-me aflita. A professora dizia que seu filho tinha déficit de atenção. Rapidamente percebi que o problema do menino era o desinteresse, isto sim. Como formadora de professores entendo bem o desencanto das crianças pela aprendizagem. Dá trabalho encantar e nem todos sabem ou estão dispostos. Mas vejam: Os pais têm um restaurante. O menino, com apenas dez anos, serve as mesas em busca da diária e das gorjetas quando quer comprar algo. Administra o que ganha até conseguir o que quer. No salão, passa de mesa em mesa, com muita atenção e cuidado e conhece bem a clientela. Chama-os pelo nome, sabe a marca da cerveja de cada um, o ponto em que deve servir a carne. Déficit de atenção? Eu vejo sim um empreendedor que desenvolve habilidades e competências com atenção, dedicação e determinação. Parabéns Garoto! Sugiro que sua professora faça com urgência uma avalição. Parece-me que ela sim está com déficit de atenção.

27 de jul. de 2011

20- O MEIO E O DESENVOLVIMENTO


    

As fotos são de minhas filhas quando tinham um ano. Uma já andava e a outra não. Seria a genética? Posso apostar que não. Diria que é o meio interferindo em seus desenvolvimentos. Como assim? A mais velha, a que está sentada, nasceu num dos invernos mais rigorosos de São Paulo. Vivia coberta de roupas, que a impediam de muitos movimentos. Além disso, morávamos em um apto muito pequeno. Bastava um passo e já se findava o espaço. Seu grande desenvolvimento na marcha se deu quando nos mudamos para Fortaleza, onde teve espaço e liberdade para andar. Já a filha mais nova, a que está de pé, andou 4 meses antes da irmã. Mas observe o contexto. Vivíamos em Fortaleza, em um apto com muito mais espaço, praias a explorar, e ela quase não usava roupas devido ao calor. Tinha liberdade de movimento, estímulo por todo lado, muito espaço e ainda uma irmã mais velha como modelo e desafiadora de desenvolvimentos. Note que estamos focando apenas o aspecto motor, em especial a marcha. Um pequeno exemplo só para mostrar o quanto a genética não é determinante, e o quanto o meio interfere no desenvolvimento, seja ele qual for. Hoje as duas são bem semelhantes na motricidade, fazem muitos esportes, e são bem boas nisso. Claro, o meio não determina, pois temos a capacidade de mudar. Mas, cuide, pois ele dirá muito do desenvolvimento do seu filho. Por isso, é bom estar bem atento para, dentro do possível, oferecer a ele um meio favorável a desenvolvimentos.

9 de jun. de 2011

12- COISA DE PROFESSORA: REVISÃO

Leia a síntese das postagens e procure identificar, no filme abaixo, os pontos refletidos até aqui. E então, faça uma análise de como tem percebido e agido para o desenvolvimento do seu filho. Não se preocupe, sempre há ajustes a fazer. Garanto.

VIMOS QUE:
O desenvolvimento do seu filho depende da genética, do meio sócio-cultural que ele está inserido e de como ele interage com o que lhe é disponibilizado.

O meio é fundamental e a interação do sujeito com ele idem. Pois, quase tudo que sabemos, aprendemos pela experiência. Inclusive, aprendemos a maneira de viver a experiência.

O primeiro meio da criança é a família, que oportunizará a base de seu desenvolvimento. Lugar onde terá as primeiras experiências e modelos que interferirão na construção do seu ser.

Entre o que o seu filho é e o que ele poderá a vir a ser, depende das oportunidades de desenvolvimento, que dependerá da base construída. Base esta que não é determinante, mas muito marcante. A expressão “vem de berço” faz sentido.

Pais e filhos são seres em construção. E, nesse processo as ações dizem mais do que as palavras, ensina-se e aprende, desenvolve e é desenvolvido, transforma e é transformado. Mas nada disso é automático. É preciso perceber e querer.

VEJA AGORA ESTA SÍNTESE NO FILME:



7 de jun. de 2011

10- UM FILHO EM NOSSAS MÃOS.

Vimos que a criança nasce em potencial e dependente de um meio para desenvolver. Sendo os pais (ou responsável) o seu primeiro “meio”, podemos dizer que a criança, a princípio, está literalmente em suas mãos. E isso é bem sério, pois o que os filhos serão dependem muito desta mão. Assim, é bom refletir. Ajuda a agir. Eu costumo fazer perguntas a mim mesma, e vejo que as respostas vão ficando mais complexas conforme minhas filhas crescem. Hoje com 16 e 14 anos, já encontram-se na corrida que ajuda a alçar vôo. Mas as perguntas valem para filhos de qualquer idade. Pois, são as respostas que dão a direção da ação para com eles. Que oportunidades de desenvolvimento eu tenho ofertado? Que segurança tenho oferecido? Que exemplo vivido tenho passado? Que valores, sentimentos, (pré)conceitos tenho ensinado? Protejo demais? Protejo de menos? Deixo crescer? Deixo fazer? Deixo ser? Essas e outras reflexões têm me ajudado a repensar a educação que tenho dado às minhas filhas, e a fazer os ajustes necessários. Pois é bom lembrar que, a princípio, nossos filhos estão em nossas mãos. Mas, logo voam. E voam com a base que proporcionamos a eles, com as raízes e as asas que oportunizamos e deixamos desenvolver.

E lembre-se, o desenvolvimento é um processo.

Primeiro em nossas mãos...
Depois, observam e ensaiam o vôo...

E então voam de acordo com o que construíram.


Pais, aproveitem o que lhes cabem. 
Ajudem seu filho a bem preparar-se para a vida.
E que saibam voar sem que esqueçam as raízes.

3 de jun. de 2011

9- O MEIO E O DESENVOLVIMENTO DO SEU FILHO

Não basta a genética. É preciso um meio adequado para que haja o desenvolvimento. Somos biológicos e culturais.


   
Não basta um meio cheio de estímulos e oportunidades para o desenvolvimento. É preciso percebê-los e interagir com eles.

 

         
Não basta a oportunidade e a percepção da mesma. É preciso ainda a motivação. Ou seja, que haja um bom motivo-na-ação.




Não basta a motivação. É preciso mantê-la. E isso se faz dando sentido ao que se ensina.



     
Não basta dar sentido. É preciso um ambiente saudável e seguro para bem aprender e desenvolver.



Pais, tudo isso se ensina e se aprende. Ensine o seu filho a perceber as oportunidades e a bem aproveitá-las. Ajude-o a manter a motivação e a dar sentido em tudo o que ele aprende. E favoreça sempre novas oportunidades de desenvolvimento em um ambiente acolhedor, seguro e estimulante.