Minhas filhas eram pequenas e sempre jogávamos jogos de tabuleiros em família. Tais jogos costumam desenvolver muito o córtex pré-frontal (aquele que nos diferencia dos outros animais) e ótimas habilidades comportamentais (aquelas que nos diferenciam dos outros humanos), além de aumentarem o vínculo da família. Mas, como uma mãe normal, eu costumava deixar as crianças vencerem. Até que um dia, nossa caçula desapontada reclamou com bravura: “Mãe, jogo é jogo, família é família!” O que entendi do recado? Que todo ser humano quer ganhar por merecimento. Não há graça vencer facilmente. O desafio faz parte do nosso desenvolvimento, assim como a autorrealização faz um bem danado a qualquer ser humano. Em segundo lugar, era importante aprender sobre perdas e frustrações afinal, proteger os filhos disso é um grande engano, pois o mundo não os protegerá. E é melhor aprender desde pequeno. A partir deste dia, nunca mais as poupei. E logo, comecei a precisar me empenhar muito, pois já me venciam facilmente. Às vezes até sentia que queriam me poupar, mas daí era a minha vez: “Alto lá! Jogo é jogo, família é família!”
Oriento FAMÍLIAS, seus FILHOS e formo PROFESSORES. Este BLOG traz conhecimentos experimentados na minha prática com reflexões e dicas para quem ENSINA e APRENDE. Contato: email: prof.ligiapacheco@gmail.com Instagran: @ligiapa
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22 de mai. de 2020
19 de mai. de 2020
230. PÉ DE GALINHA
Certa vez, estava em um parque de São Paulo, que mais parece um sítio em meio aos concretos da pauliceia. Há galinhas, pintinhos, gansos, patos, pavões todos soltos compartilhando o espaço conosco sem cerimônia. O sol começava a se despedir e as galinhas começaram a se empoleirar em uma árvore. Cacarejavam sem parar e eu as observava feito criança, imaginando o que tanto falavam. Neste momento, chega uma criança de cerca de cinco anos, fixa o seu olhar para a árvore com encantamento e exclama a mim a sua grande descoberta: “Agora que eu entendi o que minha mãe sempre fala!!! Já sei o que é um pé de galinha!!!!” E saiu todo importante, com o peito empinado, sorriso largo, sem nem se preocupar com o que eu pensava. Além da fofura da sua conclusão, e de como funciona a mente infantil (leia postagem anterior), fiquei a pensar no quanto muitas vezes saímos assim, como se tivéssemos descoberto a pólvora sem nos atentarmos aos enganos de nossas verdades e conclusões.
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16 de mai. de 2020
229. ATENÇÃO, MÃES! UMA SUGESTÃO? PERCAM PARA GANHAR.
Na postagem anterior, escrevi sobre estes meninos de 8 e 6 anos, cuja mãe os ensina às atividades domésticas como um trabalho de equipe. E vimos quantas HABILIDADES estão por trás destas atividades tão necessárias ao HOJE quanto ao AMANHÃ destas crianças. (Leia: O que as tarefas domésticas podem causar aos seus filhos?). Hoje é dia de faxina de novo, e lá estão elas a repetí-las. Quando aprendemos algo novo, NOVAS CONEXÕES NEURONAIS são formadas, mas estas precisam de REPETIÇÃO para se estabelecerem. Por isso, manter uma ROTINA é tão importante. Sim, eu sei, dá trabalho ENSINAR. E GASTA tempo. Concorda que seria bem mais fácil à mãe, por exemplo, lavar a louça do que ensinar para as crianças? E ainda podemos imaginar o chão todo molhado, o uso exagerado de detergente e até a espuma no teto. Eu já passei por isso, sei bem como é. Mas como DESENVOLVEMOS mesmo? APRENDENDO. E como aprendemos? Na EXPERIÊNCIA, isto é, FAZENDO. A mãe está GASTANDO o seu tempo sim, mas mais à frente estará GANHANDO TEMPO, pois os meninos já estarão mais habilidosos e poderão contribuir bem mais, não só com a louça, isto eu garanto. Já provei e aprovei destes ganhos. Muitas vezes, é mesmo preciso PERDER PARA GANHAR. Então fica a sugestão: Gaste este tempo agora. E se prepare para contabilizar os inúmeros ganhos.
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14 de mai. de 2020
228. O QUE AS TAREFAS DOMÉSTICAS PODEM CAUSAR AO SEU FILHO?
Já respondo: muitos desenvolvimentos. Estes meninos têm 8 e 6 anos e uma mãe que os educa maravilhosamente, além de quebrar paradigmas. Não cabe mais o discurso de “isto é coisa de menina” e/ou que “são muito pequenos para tal”. E sem mimimi, lá estão eles em TRABALHO DE EQUIPE, tirando o pó, limpando vidros, colocando roupa em máquina de lavar, lavando louça, assim como vemos em tantos países desenvolvidos. Aliás, para mim, isto faz parte do verdadeiro homeschooling. Notem que estes meninos estão aprendendo tais atividades enquanto desenvolvem RESPONSABILIDADE E AUTONOMIA, COORDENAÇÃO MOTORA e muito mais. Além das tão faladas HABILIDADES COMPORTAMENTAIS fundamentais ao hoje e ao amanhã, como planejamento, tomada de decisão, solução de problemas, criatividade, empatia entre outras. Tudo isto não se desenvolve na teoria, nem em tablets, mas ali na prática, no dia a dia. E quanto antes, melhor. Aprendemos a fazer fazendo, pois o CÉREBRO É CONFIGURADO NA EXPERIÊNCIA. Aproveitem esta oportunidade única.
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11 de mai. de 2020
227. TROQUE A PALAVRA “AJUDA” POR TRABALHO DE EQUIPE.
Neste período de confinamento, muitas mães, mais do que nunca, estão berrando por socorro. E é muito comum elas dizerem aos membros da família: “Ninguém me ajuda!” Analisemos esta frase: Ao dizer que “ninguém te ajuda”, você está dizendo que esta tarefa é sua. E é? Creio que não. Que tal começar a desenvolver na sua família o trabalho de equipe? Este é um momento incrível para reeducar toda a família. Que tal todos participarem de tudo, dividindo as tarefas conforme a faixa etária? Todos podem participar, inclusive os pequenos. Você acha que a criança é pequena demais para fazer seu próprio lanche? Ensine-a e verás. Você acha que ela é pequena demais para colocar e tirar a mesa? Ensine-a e verás. Será que é pequena para varrer, lavar, arrumar a cama e o próprio quarto? Ensine-a e verás. Nós subestimamos muito a criança. Muitoooo. Quando pensar que o seu filho ou a sua filha são pequenos demais, lembre-se que uma criança de 2 anos já é capaz de correr, falar, dançar fazer graça e birra. Já é capaz de perceber os seus pontos fracos e estrategicamente cutucá-los. E se tiver espaço, este pequeno ser já é capaz de mandar em toda a família e ainda com o dedo em riste e com autoritarismo. Não é? Reeduque sua família. Fazer atividades domésticas ensina muito, inclusive conhecimentos escolares como escreverei outro dia. E toda aprendizagem leva a desenvolvimentos. Troque a palavra ajuda por trabalho de equipe. No começo não será tão fácil, em especial se todos já estiverem acostumados a serem servidos. Mas leve isto a sério e verás o quanto ganhará, não só você, mas toda a família.
27 de fev. de 2020
221. EU QUERO UM NÃO!
Queridos Pais e Mães,
Ontem cheguei do trabalho por volta das 21 hs. Do outro lado da calçada, um jovem de cerca de 23 anos andava de um lado ao outro com um imenso facão nas mãos. Pelo seu movimento não era fácil intuir que esperava alguém. Estava bem vestido, tinha um carro de luxo e aparentava ter tido boas oportunidades na vida. Rapidamente o cenário se criou em minha mente. E pode não ser real, mas creio ter grandes possibilidades que eu esteja certa, embora amaria estar errada. Imaginei o rapaz levando um fora da namorada, e por não saber o que é um “não”, iria buscar resolver com a estrutura psíquica que lhe foi formada desde a infância. Não importa a minha imaginação, mas sabemos o quanto há de crianças e jovens sem inteligência emocional. Nem precisa procurar, basta olhar ao lado. Dizer NÃO à criança, deixar que ela se frustre, dar limites claros, não barganhar, não ceder, não passar a mão na cabeça, não ser submisso (a) ou subserviente a ela, não deixar que ela nos eduque e nem nos condicione, não fará de nós pais menos amados. Pelo contrário, elas nos respeitarão e nos admirarão mais, e também nos amarão mais. E serão seres mais equilibrados e melhores preparados para viver consigo e em sociedade. Não deixemos para arrumar depois. Se educar dá trabalho, consertar os erros dá bem mais. Além disso, a infância é a base de tudo. E bons “nãos” ajudam a estruturar uma base segura.
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