- A escola próxima de casa facilita em todos os sentidos. Não cansa a criança no trajeto, nem a familia. E a maioria dos amigos mora próximo.
- Conhecer a filosofia da escola. Quando levamos a criança para a escola é bom saber para onde a escola leva a criança.
- Criança precisa brincar, colocar a “mão na massa”. Verifique se há espaço para atividades lúdicas. Escolas muito tecnológicas vão deixar de desenvolver habilidades fundamentais à criança.
- Muitos alunos em sala de aula dificultarão a criança a ser olhada como um ser único, além de dificultar a aprendizagem e o desenvolvimento de habilidades e competências importantes. E, plataformas e aplicativos que dizem do seu filho estão muito baseados em algoritmos. Gosto muito mais do olhar humano e complexo para o desenvolvimento da criança.
- Verifique se a escola está mais interessada na memorização dos conteúdos ou na construção deles. Pois só aprendemos a fazer fazendo e só faz sentido aprender quando identificamos e utilizamos o aprendido.
- Certifique-se como a criança será avaliada. O ideal é que a avaliação seja processual. E se há muita ênfase em provas averigue melhor, pois prova não prova muito.
- Parceria família e escola é fundamental. Veja se a escola tem esta abertura real.
- Observe as famílias, os alunos mais velhos que lá estudam… veja se estão afinados com o que você espera de seu filho.
Oriento FAMÍLIAS, seus FILHOS e formo PROFESSORES. Este BLOG traz conhecimentos experimentados na minha prática com reflexões e dicas para quem ENSINA e APRENDE. Contato: email: prof.ligiapacheco@gmail.com Instagran: @ligiapa
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15 de dez. de 2020
8 DICAS PARA ESCOLHER A ESCOLA DE SEU FILHO.
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19 de mai. de 2020
230. PÉ DE GALINHA
Certa vez, estava em um parque de São Paulo, que mais parece um sítio em meio aos concretos da pauliceia. Há galinhas, pintinhos, gansos, patos, pavões todos soltos compartilhando o espaço conosco sem cerimônia. O sol começava a se despedir e as galinhas começaram a se empoleirar em uma árvore. Cacarejavam sem parar e eu as observava feito criança, imaginando o que tanto falavam. Neste momento, chega uma criança de cerca de cinco anos, fixa o seu olhar para a árvore com encantamento e exclama a mim a sua grande descoberta: “Agora que eu entendi o que minha mãe sempre fala!!! Já sei o que é um pé de galinha!!!!” E saiu todo importante, com o peito empinado, sorriso largo, sem nem se preocupar com o que eu pensava. Além da fofura da sua conclusão, e de como funciona a mente infantil (leia postagem anterior), fiquei a pensar no quanto muitas vezes saímos assim, como se tivéssemos descoberto a pólvora sem nos atentarmos aos enganos de nossas verdades e conclusões.
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8 de mai. de 2020
226. A AULA VIRTUAL E OS PRINCÍPIOS DA APRENDIZAGEM
Além de formar professores, ORIENTO FAMÍLIAS, interagindo tanto com crianças e jovens, como com os seus pais. Creio ser mais efetivo envolver a todos. Nesta quarentena, meu maior foco tem sido com as famílias cujos os filhos têm dificuldades de aprendizagem. Pois estão aí, pais e filhos, com esta difícil tarefa do “homeschooling”. Tem sido um desafio deixar os encontros virtuais com a METODOLOGIA que acredito e que vai a favor dos MECANISMOS CEREBRAIS DE APRENDIZAGEM da criança. Mas tenho amado desenvolver-me também. Hoje, uma das crianças, entre outros tantos conteúdos, precisava entender os gráficos de barras. Olhamos no seu livro os vários exemplos que tinha. E ela começava a entender a função dos mesmos. Mas a criança APRENDE bem melhor com coisas que estão em sua REALIDADE e que lhe são SIGNIFICATIVAS. E não faz sentido “aprender” por aprender. É preciso IDENTIFICAR no seu cotidiano e saber USAR o que se aprende. Então, pensamos juntas em uma pesquisa a fazer e a escolha foi sabores de sorvete. TRANSFORMAR A CRIANÇA EM PROTAGONISTA DA SUA APRENDIZAGEM AJUDA A DAR SENTIDO e SENTIR ao que se aprende. Pedi que ela fizesse a pesquisa com os seus familiares, pois envolver quem se gosta FACILITA A ATIVAÇÃO DA EMOÇÃO, QUE É EXTREMAMENTE FUNDAMENTAL AO PROCESSO DE APRENDIZAGEM. O resultado da pesquisa foi: 4 pessoas preferiam o de chocolate, 2 pessoas o de morango e 3 pessoas escolheram o de flocos. Se eu estivesse na presença da criança teria várias possibilidades. Mas virtualmente? Não! Não queria vídeos explicativos, embora haja alguns bem bons. Mas ela se DESCONCENTRA muito e nem sempre os entende. Apreveitei meus dedos e fiz os eixos do gráfico e nele coloquei os dados conforme já havíamos visto. E pedi que ela fizesse o mesmo em sua mão. E lá fomos construir, primeiramente o gráfico com o nosso corpo e com os materiais que tínhamos. AS MEMÓRIAS MOTORAS SÃO EXCELENTES PARA A APRENDIZAGEM, ASSIM COMO ENVOLVER O MÁXIMO DOS SENTIDOS. Uso e abuso deles. Aproveitamos ainda para ver qual foi o sabor mais escolhido, qual o menos, qual a diferença entre a quantidade de um sabor com o outro, qual a soma de todos eles, aproveitando para revisar e reforçar conhecimentos que ela havia aprendido. Depois disso e de algumas risadas, a criança fez o registro no papel. ESTÁ APRENDIDO? Não há garantias. AS NOVAS CONEXÕES NEURONAIS NÃO SE ESTABELECEM ASSIM FACILMENTE. É preciso REFORÇAR tal aprendizagem. Vamos então às novas pesquisas. Como também ORIENTAR AOS PAIS, de forma significativa, todos estes princípios de aprendizagem para que possam colaborar com o progresso do processo de seus filhos.
7 de mai. de 2020
225. LIDAR COM A FRUSTRAÇÃO SE APRENDE.
Achei um encanto esta carta para a fada dos dentes, que recebi da avó da criança. Pelo conteúdo, imagino que a mãe, que deve estar levando a quarentena a sério, não poupou a filha do sentimento da FRUSTRAÇÃO, uma vez que até a fada está em quarentena, ainda que o dente da criança tenha caído. QUAL O MELHOR MOMENTO PARA SE TRABALHAR COM A FRUSTRAÇÃO? Quando ela acontece. A frustração ocorre quando um desejo ou uma expectativa não são satisfeitos, e facilmente causam um sofrimento e um DESEQUILÍBRIO EMOCIONAL. Mas quem é que quer ver o seu filho(a) assim? Resultado: POUPAMOS a criança e fazemos o que ela quer e na hora que ela quer. Mas, ao protegê-la estaremos de fato a desprotegendo, pois ela não aprenderá a lidar com este sentimento. E não temos como evitá-lo seja na escola, no playground ou em qualquer situação em que não estamos presentes. Assim, se você quer realmente proteger o seu filho, ENSINE-O A LIDAR COM ESTE SENTIMENTO o quanto antes. COMO?
1. Não o poupe, mas o acolha. Abrace-o e diga que você entende a sua tristeza e o seu querer, mas que não é possível realizá-lo naquele momento.
2. Converse com ele, deixe-o colocar o que sente para fora, ainda que não saiba nomeá-lo.
3. Busquem alternativas de como resolver aquele desejo não realizado.
4. Ajude a criança a dar forma ao que sente.
Na nossa ilustração, a criança escreveu para a fada. DEU FORMA À SUA FRUSTRAÇÃO, colocou-a para fora. Isto ajuda a criança a elaborar e a lidar com este difícil sentimento. A criança pode ainda desenhar, dar ideias de como farão depois, vocês podem criar um diálogo com os bichos de pelúcia que “estão na mesma situação”, enfim, use a imaginação, mas não desproteja seu filho ao tentar protegê-lo. LIDAR COM A FRUSTRAÇÃO SE APRENDE. E SE APRENDE, ENTÃO SE ENSINA. Seja você este mestre.
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3 de mai. de 2020
223. ACERTE NA MOSCA COM A CRIANÇA
Certa vez, uma professora preparava as crianças para o feriado: “Não teremos aula amanhã, pois é dia de TIRADENTES.” Uma criança começou a chorar, levantou-se e saiu em desespero pelos corredores da escola. A professora assustada foi conferir o que ocorria. E a criança, aos soluços, clamou: “ Eu não quero tirar meus dentes!!!!”
Esta é uma dica a nós adultos. A criança, por conta de seu desenvolvimento cerebral, percebe a realidade de modo muito concreto e leva tudo ao pé da letra. Ops! Aqui ela já perguntaria: “Como é o pé da letra?” Assim, tudo o que falar à criança lembre-se que o mundo interno do adulto é completamente diferente do da criança. Procure não falar pelos cotovelos, não pise na bola, nem meta os pés pelas mãos, mas faça das tripas coração para não dar um tiro no pé e acertar na mosca. E agora releia esta última frase como se tivesse a mente concreta da criança e veja como é difícil a ela compreender muito do que falamos. Vamos dar o braço a torcer. Ui! Torci! Doeu!
27 de fev. de 2020
221. EU QUERO UM NÃO!
Queridos Pais e Mães,
Ontem cheguei do trabalho por volta das 21 hs. Do outro lado da calçada, um jovem de cerca de 23 anos andava de um lado ao outro com um imenso facão nas mãos. Pelo seu movimento não era fácil intuir que esperava alguém. Estava bem vestido, tinha um carro de luxo e aparentava ter tido boas oportunidades na vida. Rapidamente o cenário se criou em minha mente. E pode não ser real, mas creio ter grandes possibilidades que eu esteja certa, embora amaria estar errada. Imaginei o rapaz levando um fora da namorada, e por não saber o que é um “não”, iria buscar resolver com a estrutura psíquica que lhe foi formada desde a infância. Não importa a minha imaginação, mas sabemos o quanto há de crianças e jovens sem inteligência emocional. Nem precisa procurar, basta olhar ao lado. Dizer NÃO à criança, deixar que ela se frustre, dar limites claros, não barganhar, não ceder, não passar a mão na cabeça, não ser submisso (a) ou subserviente a ela, não deixar que ela nos eduque e nem nos condicione, não fará de nós pais menos amados. Pelo contrário, elas nos respeitarão e nos admirarão mais, e também nos amarão mais. E serão seres mais equilibrados e melhores preparados para viver consigo e em sociedade. Não deixemos para arrumar depois. Se educar dá trabalho, consertar os erros dá bem mais. Além disso, a infância é a base de tudo. E bons “nãos” ajudam a estruturar uma base segura.
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24 de jan. de 2020
220. BRINCAR, DESENVOLVER E APRENDER DA VIDA VIVENDO.
| Meu irmão e eu. |
Quando eu era criança, passava muitas férias na praia, assim como minhas filhas. E passávamos o dia todo entretidos com as tantas possibilidades de brincadeiras que a praia oportuniza. Minha preferida era construir castelos gigantes. Aprendi na prática que toda construção precisava de uma boa base. Que as pontes e túneis não eram tão fáceis de construir, mas fazia e refazia até conseguir a melhor técnica. Que o fosso dos jacarés podia comprometer toda a estrutura. Que uma criança irritada ou uma bola perdida podiam destruir tudo, assim como o mar que parecia esperar estar tudo pronto para enviar a enorme onda a lamber tudo. Aprendi a me frustrar, a recomeçar, a focar no projeto e a só sossegar quando estivesse tudo pronto. E nem imaginava o quanto estas lições me serviriam para a vida e nem o quanto de desenvolvimento do meu sistema nervoso estavam ali em jogo. Hoje caminho pela praia a procura dos castelos. Raramente encontro uma criança brincando na areia. Mas as vejo embaixo do guarda-sol a brincar com seus tablets e sei o quanto estão comprometendo os seus desenvolvimentos. Pais, mães, cuidadores, por favor, não levem tablet para a praia. Levem pá, balde, regador, forminhas e deixem a criança aprender da vida, brincando com todos os seus sentidos e com o corpo em movimento. Pois esta base é semelhante a do castelo. Precisa ser fortalecida para que possam crescer e desenvolver. Aproveitem este final de férias, pois num instante os filhos crescem e sem uma boa base desmoronam assim como os castelos de areia.
5 de set. de 2019
219. MÃE, O QUE É SEXO?
A criança tinha 8 anos, mas a mãe já estava a postos para a pergunta. Havia lido blogs, comprado livros, conversado com psicólogas. Sabia exatamente o que responderia à filha, o que os seus pais não a conseguiram responder: “O que é sexo?” E este tabu ela não queria repassar. Queria poder falar abertamente com a filha, o que não conseguiu com os seus pais.E eis que chega o dia. A criança fazia as suas tarefas, quando perguntou:
- Mãe, o que é sexo?
Naquele momento a mãe corre ao quarto, volta carregada e expõe livros infantis sobre o tema, espalhando-os pela mesa. O olhar curioso da criança avança e logo a mãe se propõe a explanar. Ao final, faz algumas perguntas e a filha responde sem tanto envolvimento e interesse para frustração da mãe. Logo volta à sua tarefa e lança mais uma pergunta:
- Mãe, mas o que eu coloco aqui na ficha. Sexo F ou M?
Ou seja, era preciso contextualizar antes a pergunta da criança. Às vezes criamos tantas expectativas em algo e o planejamos tanto, que esquecemos de observar o mais importante. Quer uma dica que não falha às perguntas? Sonde o que a criança quer de fato perguntar. Busque entrar no mundo dela, que aliás é bem diferente do seu, pois cada um percebe o mundo à sua maneira de acordo com os recursos que tem. Deixe o diálogo fluir, deixe a criança se expressar. E busque ampliar sim o mundo dela, mas com cuidados. Afinal, são tantas possibilidades de assuntos e diálogos! Entre tantas, pode ser sobre o questionário, sobre a diferença de sexo e gênero, dar até esta aula sobre sexo se a conversa assim fluir. Mas é bom que os assuntos partam da necessidade da criança e não da nossa.
Que tal assim?
- Mãe, o que é sexo?
- Onde está aparecendo a palavra, Filha? Deixe-me ver com você.
E assim contextualizando, e em diálogo, você pode melhor ajudar seu filho(a) a compreender a si e o mundo ao seu redor.
9 de abr. de 2019
217. APRENDER USANDO TODOS OS SENTIDOS FAZ TODA A DIFERENÇA.
Aprender usando todos so
sentidos faz toda a diferença. Por que? Porque a aprendizagem, entre tantas
outras, é MULTISSENSORIAL. Note que colocamos o mundo externo para dentro de
nós através dos sentidos. E cada um deles, seja a visão, a audição, o tato, o
paladar, a audição, nos possibilita aprender. Cada sentido possue uma área
específica no cérebro, que será ativada quando requisitada. Quando a criança
aprende pelo tablet o que é um coelho, ou seja o que for, especialmente a área
da visão será ativada. Quando aprende ao vivo e a cores, as áreas de todos os
sentidos serão ativadas e isto fará toda a diferença para que a informação
possa ser processada e aprendida de
forma mais complexa e duradoura. Assim, ativar o cérebro como um todo, além de
promover mais desenvolvimentos e maior plasticidade cerebral, possibilita à
criança uma aprendizagem mais fortalecida, mais organizada e mais fácil de ser
lembrada. Além é claro de ser bem mais prazeroso e significativo, fatores
essenciais para realmente aprender, gostar de aprender e se desenvolver. Isto
vale também para nós adultos. Fica a dica.
27 de jun. de 2018
216. AS EMOÇÕES DOS PAIS MUITO DIRÃO DAS EMOÇÕES DOS FILHOS.
Se você não leu a postagem
anterior, sugiro que a leia, pois fundamenta a emoção e o sentimento, que
servirão de base para o melhor aproveitamento desta postagem.
Por que as emoções dos pais
dizem das emoções dos filhos?
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| Photo by Nathan Shively on Unsplash |
Porque os filhos sem
maturidade suficiente para gerir as emoções, imitarão seus pais. E esta
experiência será registrada em suas memórias e servirá de base para futuras
experiências semelhantes.Vamos a um exemplo: Cada vez que o pai da criança
interpreta como injusta a ação do árbitro, ele bufa, gesticula, berra com a TV
o xingando. O que acontece? A ação do árbitro entra sem “colorido” no cérebro
do pai através dos seus sentidos. É codificada e interpretada pela emoção a
partir de suas memórias emocionais registradas em experiências anteriores.
Neste caso, esta interpretação ativa nele a emoção da raiva, e a informação
contaminada e colorida pela raiva será então racionalizada. Esta, por sua vez,
mostra neste caso que, mal analisada e gerida, transforma aquela
ebulição causada pela emoção em sentimento de injustiça, irritação e de revolta
com um comportamento explosivo. E a criança aprenderá com esta experiência, e quando achar que um árbitro foi injusto, ou o professor, ou futuramente o seu
chefe, terá como forte influência estas memórias guardadas. Quando dizemos,
“ele puxou o pai, pois é explosivo como ele” estamos de fato dizendo que o pai, sem se
dar conta, ensinou o seu filho a ser explosivo.
Assim como ensinamos tantas coisas sem nos darmos conta. Cuidemos das
nossas emoções, pois assim estaremos também cuidando das emoções dos nossos
filhos. Boas emoções! Vamos lá Brasil!
16 de mar. de 2018
213. COMO TRANSFORMAR UMA HISTÓRIA INFANTIL EM APRENDIZAGENS E DESENVOLVIMENTOS À CRIANÇA.
Há várias maneiras de transformar
um livro numa experiência de aprendizagens e desenvolvimentos. Trarei sugestões
e cuidados fundamentados no desenvolvimento da criança, que ajudam a criança a
pensar, a se autoconhecer, a identificar suas emoções, sentimentos, conhecimentos
e comportamentos, bem como a gerí-los. Claro, que a experiência de leitura
dependerá do mediador/leitor e do desenvolvimento da criança ou do jovem. Especificarei
quando necessário.
1. Peça ao seu filho para
escolher um livro ou escolha você um que tenha uma mensagem que considere
importante discutir com ele. Ou que a personagem viva um problema semelhante ao
que ele vive, pois perceber no outro é sempre mais fácil. E quando o filho
percebe no outro fica mais fácil fazê-lo perceber em si. E percebendo em si,
fica mais fácil mudar e/ou gerir seja comportamento, pensamento ou emoção.
2. Ao ler para a criança de
qualquer idade é bom que estejam em um lugar confortável, iluminado, tranquilo,
sem muitos distratores. Se ela for maior, deixe-a ler.
3. Leia devagar página por
página, mostrando em cada uma a gravura. Não comente nada, apenas leia para que
você possa perceber e entender como o seu filho percebe e entende sem a
interferência da sua interpretação.
4. Se ele fizer algum
comentário no decorrer da leitura, apoie-o e o ajude a organizar o seu
pensamento e a fala, sem pensar ou dizer por ele. Se ele fizer alguma pergunta,
responda com a mesma pergunta que ele fez e o deixe responder. Segure-se mesmo
que saiba a resposta. Pois, a pergunta e a resposta da criança nos dão dicas de
como está organizada a sua cabeça e como e onde podemos contribuir.
5. Ao final, conversem sobre a
história e não economizem perguntas. O que entendeu? O que aprendeu? Onde a
percebe na vida? Em que a história se parece com a sua vida? Como usá-la na
vida? Uma pergunta por vez. Formule e deixe a criança também elaborar seus
questionamentos.
6. Cada um entenderá a
história a partir do que já construiu em si e com a maturidade que lhe cabe,
inclusive do sistema nervoso. Importante! Antes de você dar a sua
interpretação, escute muito a criança ou o adolescente. Provoque-os para que expressem,
sem medo, o que apreenderam. Ótima maneira de conhecer o filho, o que e como pensa,
o que e como sente, e como age.
7. A criança menor
compreenderá mais pelo concreto, ao pé da letra, de forma simples, mas muitas
vezes com verdades complexas aos olhos dos adultos que conseguem ver com olhos
de criança. Por isso, atenção ao que ela diz, pois sabe dizer saberes
incríveis! Porém, ainda apresenta o pensamento confuso e lento, o que é normal.
Então, quando ela for explicar ou dizer algo, calma. Não se apresse para
completar o pensamento dela como quem adianta ou adivinha o que ela vai falar.
Não! Deixe-a ter o esforço de pensar, de pensar sobre o que pensa, de sentir e
falar. Segure-se, pois isso ajudará muito no desenvolvimento do
autoconhecimento, da linguagem e de suas funções executivas, fundamentais na
escola, e essenciais para a vida. E é de pequenininho que a gente começa e só
aprendemos a fazer fazendo.
8. Os pré-adolescentes e os
adolescentes conseguirão abstrair mais a mensagem e vê-la de modo metafórico,
reflexivo e mais profundo. Provoque estes diferentes olhares e as formas de
pensar, pois eles estão em ótimo momento para isso. E o desenvolvimento não
acontece por um acaso. Precisa ser bem estimulado e trabalhado. Aproveite a
história, façam-se perguntas mais profundas sobre ela, busquem analogias com a
vida, enfim, FILHOsofem e explorem os deliciosos diálogos entre pais e filhos.
9. Importante cuidar da
comunicação. Preste atenção à maneira como você reage ao que o seu filho diz e
pergunte-se sempre: “Esta minha reação favorece que ele me conte o que sente, o
que pensa e o que faz?” Simples assim.
10. Além da leitura, os pais
podem criar outras atividades como desenhar o que achou mais importante, mudar
o final da história, criar uma história diferente com a mesma mensagem, fazer
novas ilustrações, fazer a personagem com argila etc. Importante é sentir o
momento, estimular bom desenvolvimento e aproveitar-se do nosso poder criativo,
bem como o da criança.
Estas dicas, testadas e
aprovadas com filhas e alunos, proporcionam inúmeros benefícios ao
desenvolvimento da criança, do adolescente e da relação entre pais e filhos.
Além disso, a leitura do livro com diálogo, cuidados e uma boa dose de atenção,
ajuda os pais a conhecerem melhor seus filhos, suas dificuldades, o que sentem,
o que pensam e como agem. Tendo a história como apoio e deixando a criança se
colocar, estamos ajudando-a a por para fora o que às vezes ela nem percebe que
tem dentro. E identificar como está
sendo é a melhor forma dela se conhecer, refletir sobre si e aprimorar-se. Isto
também vale a nós e para todos de qualquer idade. Só mudamos aquilo que temos
consciência. Por isso, use e abuse das histórias para as crianças se
autoconhecerem, pois isso será de grande valia para o hoje e para o amanhã.
Boas leituras. Bons diálogos.
Boas inspirações. Felizes encontros.
Até a próxima!
15 de mar. de 2018
212. POR QUE LER "A PARTE QUE FALTA" E “A PARTE QUE FALTA ENCONTRA O GRANDE O.”?
“A parte que falta” e “A Parte que falta encontra
o grande O”, ambos de Shel Silverstein, são livros infanto-juvenis (e para toda
a idade) que tocam, pois tratam da natureza humana, da nossa incompletude e da
nossa busca por plenitude, chamando-nos ao autoconhecimento. É de se supor que
pais que tenham esta preocupação consigo favorecem maiores oportunidades aos
filhos de se autoconhecerem também, o que é fundamental ao seu pleno
desenvolvimento como apregoam tantas pesquisas. Além disso, são livros que
chamam ao diálogo e várias questões podem ser trabalhadas de acordo com a idade
do filho. Ajuda ainda a perceber a compreensão da criança para a mensagem, identificar
as suas “faltas”, ajudá-la a lidar com elas, perceber como estão suas
habilidades sócio-emocionais entre outras, além de muitas vezes nos surpreender
com suas deliciosas interpretações, que mostram bem que o menos é mais. Ai as
crianças! Como ensinam! Mas voltemos aos pais.
“A parte que falta” foi primeiramente lançado em
1976, mas inquietou a muitos, graças à Companhia das Letrinhas que o relançou
este ano e ao vídeo cheio de vida da youtuber Jout Jout. Ouvi jovens, adultos,
crianças comentando o livro aparentemente simples no texto e nos desenhos. Como
se o autor não quisesse nos distrair com detalhes, mas sim nos fazer rolar
junto com a personagem, que afinal rola para dentro de si e nos leva junto,
fazendo brotar indagações de autoconhecimento na revelação enigmática da
mensagem. Nele, a personagem é como uma pizza faltando um pedaço que rola em
busca desta parte que falta. Interage com o meio, aprecia o entorno e até elege
alegrias, enquanto tenta ajustar-se às partes que parecem ser a parte que falta.
Mas elas sobram, faltam, sufocam, quebram, limitam, não encaixam. E, quando
parece ter encontrado a parte perfeita, a “pizza” plena passa a sentir falta da
vida, de seu ser e da sua falta. Então, coloca com cuidado a parte no chão e
segue a rolar em busca da parte que lhe falta. Não, não tem um final feliz. E,
talvez por isso, fiquem a ecoar em nós as tantas perguntas: Falta em mim? O que falta? Por que
falta? Como falta? Deve faltar? Fico com a sensação de que a falta nos move e
nos faz avançar. Mas, até que ponto nos falta o que cremos faltar?
Perguntas que nos levam, também, ao
autoconhecimento na relação com os filhos. Escuto mães dizendo: “Meu filho é
minha vida!” “Meu filho deu sentido à minha vida.” “Meu filho me completa!” É
bonito, mas será saudável e justo fazer do filho a parte que nos falta e
moldá-lo para tal? Será que o meu filho quer ser a parte que me falta e me completa?
Ou será melhor que ele seja inteiro? E eu?
E é esta a reflexão, ser parte ou inteiro, que me
tocou em “A parte que falta encontra o grande O.”, lançado em 1984. Afinal, a
ideia do outro ou de algo a nos completar é mais antiga que Cristo e está
incorporada em nós pela cultura. Aprendemos a buscar a nossa metade, a achar a
tampa da nossa panela, a fazer do filho uma parte de nós ou o todo de nós. E o
livro trata bem esta questão: a ideia da união de inteiros e não de metades.
Acho que vale pensar. Neste, é a parte que sente a falta e na sua busca
encontra a “pizza”, agora um círculo completo. A parte crê que encontrou o seu
complemento e quer rolar com o círculo. Mas este a nega pois já se encontra
completo. Sugere, então, num diálogo cru(el) e de impacto, que o pedaço role sozinho.
E assim a parte segue, aos trancos e barrancos, arredondando suas arestas com
esforço e determinação, até que rola por si, tornando-se livre para rolar junto sem precisar rolar com. E
assim seguem ambos inteiros rolando juntos num final bem mais feliz.
Resumindo em uma palavra, eu diria que um livro é
PIECE e o outro PEACE. O primeiro trata de PIECE (pedaço), e nos faz refletir o
que falta, seja em relação a nós, aos filhos, a outros, a objetos, a desejos
diversos. Já o segundo, remete-nos a PEACE (paz), estado que nos permite sentir
a completude, ainda que nos falte, mas que nos faz cientes de que cabe a nós
completarmo-nos. Creio que só assim poderemos em todos os nossos papéis rolar
junto sem precisar rolar com, o que propicia relações mais saudáveis e de
desenvolvimentos. E creio que só assim poderemos ajudar nossos filhos em suas
faltas e completudes: rolando e ensinando a rolar junto, sem rolar com.
Dito tudo isso, como explorar estes livros com a
criança ou adolescente? Leia, escute, indaque, leve seu filho a pensar sobre o
livro, sobre si e sobre o que pensa, sente e age: O que é a parte? O que falta? O que está
por trás da falta? Traga exemplos do seu cotidiano como a falta daquele
celular, tênis ou jogo que todo mundo tem menos ele. Ou faça uma analogia com
os amores, amigos, manias. Como eles completam? Por que completam? Deveriam? E
deixem fluir perguntas e respostas que lhe tragam informações importantes para
ajudar o seu filho a constituir-se por inteiro.
No próximo post, trarei sugestões e cuidados fundamentados
no desenvolvimento da criança e adolescente para proporcionar ao seu filho uma
rica experiência de leitura e autoconhecimento com a ajuda dos livros
infanto-juventis.
Boas leituras! Continuemos a rolar.
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