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15 de dez. de 2020

8 DICAS PARA ESCOLHER A ESCOLA DE SEU FILHO.

  1. A escola próxima de casa facilita em todos os sentidos. Não cansa a criança no trajeto, nem a familia. E a maioria dos amigos mora próximo.
  2. Conhecer a filosofia da escola. Quando levamos a criança para a escola é bom saber para onde a escola leva a criança.
  3. Criança precisa brincar, colocar a “mão na massa”. Verifique se há espaço para atividades lúdicas. Escolas muito tecnológicas vão deixar de desenvolver habilidades fundamentais à criança.
  4. Muitos alunos em sala de aula dificultarão a criança a ser olhada como um ser único, além de dificultar a aprendizagem e o desenvolvimento de habilidades e competências importantes. E, plataformas e aplicativos que dizem do seu filho estão muito baseados em algoritmos. Gosto muito mais do olhar humano e complexo para o desenvolvimento da criança.
  5. Verifique se a escola está mais interessada na memorização dos conteúdos ou na construção deles. Pois só aprendemos a fazer fazendo e só faz sentido aprender quando identificamos e utilizamos o aprendido. 
  6. Certifique-se como a criança será avaliada. O ideal é que a avaliação seja processual. E se há muita ênfase em provas averigue melhor, pois prova não prova muito.
  7. Parceria família e escola é fundamental. Veja se a escola tem esta abertura real.
  8. Observe as famílias, os alunos mais velhos que lá estudam… veja se estão afinados com o que você espera de seu filho.

19 de mai. de 2020

230. PÉ DE GALINHA


Certa vez, estava em um parque de São Paulo, que mais parece um sítio em meio aos concretos da pauliceia. Há galinhas, pintinhos, gansos, patos, pavões todos soltos compartilhando o espaço conosco sem cerimônia. O sol começava a se despedir e as galinhas começaram a se empoleirar em uma árvore. Cacarejavam sem parar e eu as observava feito criança, imaginando o que tanto falavam. Neste momento, chega uma criança de cerca de cinco anos, fixa o seu olhar para a árvore com encantamento e exclama a mim a sua grande descoberta: “Agora que eu entendi o que minha mãe sempre fala!!! Já sei o que é um pé de galinha!!!!” E saiu todo importante, com o peito empinado, sorriso largo, sem nem se preocupar com o que eu pensava. Além da fofura da sua conclusão, e de como funciona a mente infantil (leia postagem anterior), fiquei a pensar no quanto muitas vezes saímos assim, como se tivéssemos descoberto a pólvora sem nos atentarmos aos enganos de nossas verdades e conclusões.

14 de mai. de 2020

228. O QUE AS TAREFAS DOMÉSTICAS PODEM CAUSAR AO SEU FILHO?


Já respondo: muitos desenvolvimentos. Estes meninos têm 8 e 6 anos e uma mãe que os educa maravilhosamente, além de quebrar paradigmas. Não cabe mais o discurso de “isto é coisa de menina” e/ou que “são muito pequenos para tal”. E sem mimimi, lá estão eles em TRABALHO DE EQUIPE, tirando o pó, limpando vidros, colocando roupa em máquina de lavar, lavando louça, assim como vemos em tantos países desenvolvidos. Aliás, para mim, isto faz parte do verdadeiro homeschooling. Notem que estes meninos estão aprendendo tais atividades enquanto desenvolvem RESPONSABILIDADE E AUTONOMIA, COORDENAÇÃO MOTORA e muito mais. Além das tão faladas HABILIDADES COMPORTAMENTAIS fundamentais ao hoje e ao amanhã, como planejamento, tomada de decisão, solução de problemas, criatividade, empatia entre outras. Tudo isto não se desenvolve na teoria, nem em tablets, mas ali na prática, no dia a dia. E quanto antes, melhor. Aprendemos a fazer fazendo, pois o CÉREBRO É CONFIGURADO NA EXPERIÊNCIA. Aproveitem esta oportunidade única.

11 de mai. de 2020

227. TROQUE A PALAVRA “AJUDA” POR TRABALHO DE EQUIPE.


Neste período de confinamento, muitas mães, mais do que nunca, estão berrando por socorro. E é muito comum elas dizerem aos membros da família: “Ninguém me ajuda!” Analisemos esta frase: Ao dizer que “ninguém te ajuda”, você está dizendo que esta tarefa é sua. E é? Creio que não. Que tal começar a desenvolver na sua família o trabalho de equipe? Este é um momento incrível para reeducar toda a família. Que tal todos participarem de tudo, dividindo as tarefas conforme a faixa etária? Todos podem participar, inclusive os pequenos. Você acha que a criança é pequena demais para fazer seu próprio lanche? Ensine-a e verás. Você acha que ela é pequena demais para colocar e tirar a mesa? Ensine-a e verás. Será que é pequena para varrer, lavar, arrumar a cama e o próprio quarto? Ensine-a e verás. Nós subestimamos muito a criança. Muitoooo. Quando pensar que o seu filho ou a sua filha são pequenos demais, lembre-se que uma criança de 2 anos já é capaz de correr, falar, dançar fazer graça e birra. Já é capaz de perceber os seus pontos fracos e estrategicamente cutucá-los. E se tiver espaço, este pequeno ser já é capaz de mandar em toda a família e ainda com o dedo em riste e com autoritarismo. Não é? Reeduque sua família. Fazer atividades domésticas ensina muito, inclusive conhecimentos escolares como escreverei outro dia. E toda aprendizagem leva a desenvolvimentos. Troque a palavra ajuda por trabalho de equipe. No começo não será tão fácil, em especial se todos já estiverem acostumados a serem servidos. Mas leve isto a sério e verás o quanto ganhará, não só você, mas toda a família.

8 de mai. de 2020

226. A AULA VIRTUAL E OS PRINCÍPIOS DA APRENDIZAGEM


Além de formar professores, ORIENTO FAMÍLIAS, interagindo tanto com crianças e jovens, como com os seus pais. Creio ser mais efetivo envolver a todos. Nesta quarentena, meu maior foco tem sido com as famílias cujos os filhos têm dificuldades de aprendizagem. Pois estão aí, pais e filhos, com esta difícil tarefa do “homeschooling”. Tem sido um desafio deixar os encontros virtuais com a METODOLOGIA que acredito e que vai a favor dos MECANISMOS CEREBRAIS DE APRENDIZAGEM da criança. Mas tenho amado desenvolver-me também. Hoje, uma das crianças, entre outros tantos conteúdos, precisava entender os gráficos de barras. Olhamos no seu livro os vários exemplos que tinha.  E ela começava a entender a função dos mesmos. Mas a criança APRENDE bem melhor com coisas que estão em sua REALIDADE e que lhe são SIGNIFICATIVAS. E não faz sentido “aprender” por aprender. É preciso IDENTIFICAR no seu cotidiano e saber USAR o que se aprende. Então, pensamos juntas em uma pesquisa a fazer e a escolha foi sabores de sorvete. TRANSFORMAR A CRIANÇA EM PROTAGONISTA DA SUA APRENDIZAGEM AJUDA A DAR SENTIDO e SENTIR ao que se aprende. Pedi que ela fizesse a pesquisa com os seus familiares, pois envolver quem se gosta FACILITA A ATIVAÇÃO DA EMOÇÃO, QUE É EXTREMAMENTE FUNDAMENTAL AO PROCESSO DE APRENDIZAGEM. O resultado da pesquisa foi: 4 pessoas preferiam o de chocolate, 2 pessoas o de morango e 3 pessoas escolheram o de flocos. Se eu estivesse na presença da criança teria várias possibilidades. Mas virtualmente? Não! Não queria vídeos explicativos, embora haja alguns bem bons. Mas ela se DESCONCENTRA muito e nem sempre os entende. Apreveitei meus dedos e fiz os eixos do gráfico e nele coloquei os dados conforme já havíamos visto. E pedi que ela fizesse o mesmo em sua mão. E lá fomos construir, primeiramente o gráfico com o nosso corpo e com os materiais que tínhamos. AS MEMÓRIAS MOTORAS SÃO EXCELENTES PARA A APRENDIZAGEM, ASSIM COMO ENVOLVER O MÁXIMO DOS SENTIDOS. Uso e abuso deles. Aproveitamos ainda para ver qual foi o sabor mais escolhido, qual o menos, qual a diferença entre a quantidade de um sabor com o outro, qual a soma de todos eles, aproveitando para revisar e reforçar conhecimentos que ela havia aprendido. Depois disso e de algumas risadas, a criança fez o registro no papel. ESTÁ APRENDIDO? Não há garantias. AS NOVAS CONEXÕES NEURONAIS NÃO SE ESTABELECEM ASSIM FACILMENTE. É preciso REFORÇAR tal aprendizagem. Vamos então às novas pesquisas. Como também ORIENTAR AOS PAIS, de forma significativa, todos estes princípios de aprendizagem para que possam colaborar com o progresso do processo de seus filhos.

7 de mai. de 2020

225. LIDAR COM A FRUSTRAÇÃO SE APRENDE.


Achei um encanto esta carta para a fada dos dentes, que recebi da avó da criança. Pelo conteúdo, imagino que a mãe, que deve estar levando a quarentena a sério, não poupou a filha do sentimento da FRUSTRAÇÃO, uma vez que até a fada está em quarentena, ainda que o dente da criança tenha caído. QUAL O MELHOR MOMENTO PARA SE TRABALHAR COM A FRUSTRAÇÃO? Quando ela acontece. A frustração ocorre quando um desejo ou uma expectativa não são satisfeitos, e facilmente causam um sofrimento e um DESEQUILÍBRIO EMOCIONAL. Mas quem é que quer ver o seu filho(a) assim? Resultado: POUPAMOS a criança e fazemos o que ela quer e na hora que ela quer. Mas, ao protegê-la estaremos de fato a desprotegendo, pois ela não aprenderá a lidar com este sentimento. E não temos como evitá-lo seja na escola, no playground ou em qualquer situação em que não estamos presentes. Assim, se você quer realmente proteger o seu filho, ENSINE-O A LIDAR COM ESTE SENTIMENTO o quanto antes. COMO? 

1.          Não o poupe, mas o acolha. Abrace-o e diga que você entende a sua tristeza e o seu querer, mas que não é possível realizá-lo naquele momento. 
2.          Converse com ele, deixe-o colocar o que sente para fora, ainda que não saiba nomeá-lo. 
3.          Busquem alternativas de como resolver aquele desejo não realizado. 
4.          Ajude a criança a dar forma ao que sente.


Na nossa ilustração, a criança escreveu para a fada. DEU FORMA À SUA FRUSTRAÇÃO, colocou-a para fora. Isto ajuda a criança a elaborar e a lidar com este difícil sentimento. A criança pode ainda desenhar, dar ideias de como farão depois, vocês podem criar um diálogo com os bichos de pelúcia que “estão na mesma situação”, enfim, use a imaginação, mas não desproteja seu filho ao tentar protegê-lo. LIDAR COM A FRUSTRAÇÃO SE APRENDE. E SE APRENDE, ENTÃO SE ENSINA. Seja você este mestre.

5 de mai. de 2020

224. HOMESCHOOLING E UM PEDIDO ÀS ESCOLAS


Trabalho com formação de professores, com educação parental e com crianças. Ou seja, estou percebendo o homeschooling pelos três ângulos. E não está fácil a ninguém, pois talvez estejamos complicando. Hoje meu pedido vai para as escolas. Eu sei que as equipes pedagógicas estão se desdobrando para produzirem conteúdos de um jeito novo para as crianças. Sei que estão dando o seu melhor. Mas sabem o que eu mais queria agora? Que invertessem um pouco. Que neste momento, ao invés de ensinarem virtualmente o período paleolítico, o vértice dos polígonos, a tabuada, os substantivos abstratos e adjetivos, ou qualquer outro conteúdo, que parassem um pouco e ouvissem as crianças. O que elas têm aprendido neste período de isolamento? Como é ter os pais em casa? O que elas têm sentido na nova rotina? O que têm feito? Como têm gastado energia? Que emoções têm aflorado? Como elas têm lidado com isso? Do que elas mais sentem falta? Que estranhamentos percebem? O que acham disso tudo? Que recados têm aos adultos e às crianças? Este seria um hangout precioso, não acham? Que troca mais rica! E quantos recados conseguiríamos captar! Afinal, todos estes conteúdos escolares podem esperar, enquanto repensamos o modo como são ensinados. Mas, neste momento, há outras urgências: a saúde mental e emocional das crianças. E não há aula virtual expositiva que possa dar conta disso. O cérebro é configurado na experiência. Vamos aproveitar?

3 de mai. de 2020

223. ACERTE NA MOSCA COM A CRIANÇA


Certa vez, uma professora preparava as crianças para o feriado: “Não teremos aula amanhã, pois é dia de TIRADENTES.” Uma criança começou a chorar, levantou-se e saiu em desespero pelos corredores da escola. A professora assustada foi conferir o que ocorria. E a criança, aos soluços,  clamou: “ Eu não quero tirar meus dentes!!!!” 
Esta é uma dica a nós adultos. A criança, por conta de seu desenvolvimento cerebral, percebe a realidade de modo muito concreto e leva tudo ao pé da letra. Ops! Aqui ela já perguntaria: “Como é o pé da letra?” Assim, tudo o que falar à criança lembre-se que o mundo interno do adulto é completamente diferente do da criança. Procure não falar pelos cotovelos, não pise na bola, nem meta os pés pelas mãos, mas faça das tripas coração para não dar um tiro no pé e acertar na mosca. E agora releia esta última frase como se tivesse a mente concreta da criança e veja como é difícil a ela compreender muito do que falamos. Vamos dar o braço a torcer. Ui! Torci! Doeu!

16 de abr. de 2020

222. ESCOLA-PAIS-ALUNOS: UMA IDEIA PARA SAIR DA SINUCA EM QUE ESTAMOS.

Tenho acompanhado algumas tarefas virtuais que as escolas enviam às crianças. Não deve estar sendo fácil aos professores desenvolverem os conteúdos e virarem youtubers do dia para a noite. E não tenho dúvida que tais conteúdos acabam tornando-se empobrecidos, uma vez que já sabemos da importância da mediação na construção do conhecimento e da utilização das metodologias ativas neste processo. Como fazer isso em EAD? Ajudaria se os pais soubessem, no mínimo, das teorias educacionais, psicológicas e do desenvolvimento do sistema nervoso para ajudarem melhor os filhos nesta empreitada da aprendizagem. Mas, esta não é a formação da grande maioria, e nem estava no cronograma deles realizar tal função, assim como lavar, faxinar, esterilizar, cozinhar, lidar com este turbilhão de emoções que a situação provoca. Além, é claro, do Home office. Consideramos ainda que as crianças não têm autonomia e nem habilidade para navegarem com maestria por este mundo virtual e acompanharem os links que aprimoram os seus conhecimentos. E nem para realizarem com autonomia as tarefas, pelo menos as que tenho acompanhado. Para dificultar, o cérebro é configurado na experiência e o movimento é de extrema importância para as representações mentais dos pequenos. E os conteúdos devem ser ligados à realidade da criança e trabalhados de forma bem concreta. Como contemplar tais exigências cerebrais frente a uma tela? Se paramos as escolas, o que as crianças farão o dia todo, e como irão aprender apenas por si sós? Se continuamos, o que as crianças estarão deixando de fazer e de aprenderem por elas mesmas? Como sair desta sinuca? Talvez o caminho do meio. Porém, todas as ideias que tenho requerem investimento de tempo (que de fato será um ganho de tempo), enquanto este, o tempo, tem sido a grande falta neste momento em que vivemos. Mas creio que a parceira escola-família, enfim, está sendo percebida como de extrema necessidade. Tenho uma ideia: já que os pais estão precisando doar seu tempo para estes aprendizados, que tal a escola ensiná-los a ensinar enquanto a escola ensina? E, claro, que tal darem menos tarefas para que as mesmas possam ser saboreadas por todos assim como devem ser os saberes? Dou um exemplo: Uma das tarefas que acompanhei hoje: aprender sobre os continentes. Que tal pedir a quem for ajudar a criança que navegue pelo Google Earth começando pela casa da criança, ampliando para a sua cidade, país até chegar à noção de continente? Então amplie mais e viagem de um continente a outro, fazendo provocações que levem a criança a pensar, a investigar, a buscar respostas e a fazer perguntas. Se a família já viajou ao exterior ou se sonha com algum lugar, há várias possibilidades. Ex: “Lembra que fomos (ou queremos) ir à Disney? Vamos achá-la? Em que país está? Qual o continente? Por onde o avião passa da nossa cidade até lá? Por quais países? Por quais continentes?” Façam isso com alguns países. A imaginação não está em quarentena. Depois, abra um mapa-mundi. Se tiver o material físico, melhor. Mas, antes, ajude a criança a imaginar o globo sendo aberto e se transformando em um plano. Lembremos que o que é claro a nós, não é necessariamente para a criança. Busquem coisas pela casa que são de outros países. Uma camiseta (veja as etiquetas e se surpreenda), um azeite,  um perfume, fotos, explore a sua observação e criatividade. E então busquem encontrar os países de onde vieram tais objetos e encontrem no mapa. E façam uma competição entre os continentes. O azeite era de Portugal? Um ponto para a Europa. A camiseta foi feita no Camboja? Um ponto para Ásia. E por aí vai. Mas deixe a criança procurar. Dê dicas: fica perto de tal lugar. Fica em tal continente. Mas deixe-a buscar, pois este também já é um exercício de atenção seletiva, muito importante às crianças. Pode ainda pedir para a criança ligar para a avó, ou  para a tia que viaja sempre ou seja lá quem for e fazer uma pesquisa dos países que as pessoas foram e o que gostaram mais. E vão lá procurar no mapa. Além de deixar a outra pessoa feliz, a criança estará desenvolvendo habilidades de comunicação importantes.  Se não tiver nada em casa de outro país, criem um roteiro de viagem. Vejam por onde querem ir. Pesquisem alguns lugares, vejam imagens, atividades para fazer, como é o clima por lá, quantos quilômetros viajarão. E deixem a imaginação fluir, inclusive para explorar o tema. E basta esta atividade, que já trabalha história, geografia, matemática, português, ciências e muitas e muitas habilidades. E ainda reforça o vínculo entre a família, que para mim é a principal lição.

27 de fev. de 2020

221. EU QUERO UM NÃO!


Queridos Pais e Mães,
Ontem cheguei do trabalho por volta das 21 hs. Do outro lado da calçada, um jovem de cerca de 23 anos andava de um lado ao outro com um imenso facão nas mãos. Pelo seu movimento não era fácil intuir que esperava alguém. Estava bem vestido, tinha um carro de luxo e aparentava ter tido boas oportunidades na vida. Rapidamente o cenário se criou em minha mente. E pode não ser real, mas creio ter grandes possibilidades que eu esteja certa, embora amaria estar errada. Imaginei o rapaz levando um fora da namorada, e por não saber o que é um “não”, iria buscar resolver com a estrutura psíquica que lhe foi formada desde a infância. Não importa a minha imaginação, mas sabemos o quanto há de crianças e jovens sem inteligência emocional. Nem precisa procurar, basta olhar ao lado. Dizer NÃO à criança, deixar que ela se frustre, dar limites claros, não barganhar, não ceder, não passar a mão na cabeça, não ser submisso (a) ou subserviente a ela, não deixar que ela nos eduque e nem nos condicione, não fará de nós pais menos amados. Pelo contrário, elas nos respeitarão e nos admirarão mais, e também nos amarão mais. E serão seres mais equilibrados e melhores preparados para viver consigo e em sociedade. Não deixemos para arrumar depois. Se educar dá trabalho, consertar os erros dá bem mais. Além disso, a infância é a base de tudo. E bons “nãos” ajudam a estruturar uma base segura.

5 de set. de 2019

219. MÃE, O QUE É SEXO?


A criança tinha 8 anos, mas a mãe já estava a postos para a pergunta. Havia lido blogs, comprado livros, conversado com psicólogas. Sabia exatamente o que responderia à filha, o que os seus pais não a conseguiram responder: “O que é sexo?” E este tabu ela não queria repassar. Queria poder falar abertamente com a filha, o que não conseguiu com os seus pais.E eis que chega o dia. A criança fazia as suas tarefas, quando perguntou:

- Mãe, o que é sexo?

Naquele momento a mãe corre ao quarto, volta carregada e expõe livros infantis sobre o tema, espalhando-os pela mesa. O olhar curioso da criança avança e logo a mãe se propõe a explanar. Ao final, faz algumas perguntas e a filha responde sem tanto envolvimento e interesse para frustração da mãe. Logo volta à sua tarefa e lança mais uma pergunta:

- Mãe, mas o que eu coloco aqui na ficha. Sexo F ou M?

Ou seja, era preciso contextualizar antes a pergunta da criança. Às vezes criamos tantas expectativas em algo e o planejamos tanto, que esquecemos de observar o mais importante. Quer uma dica que não falha às perguntas? Sonde o que a criança quer de fato perguntar. Busque entrar no mundo dela, que aliás é bem diferente do seu, pois cada um percebe o mundo à sua maneira de acordo com os recursos que tem. Deixe o diálogo fluir, deixe a criança se expressar. E busque ampliar sim o mundo dela, mas com cuidados. Afinal, são tantas possibilidades de assuntos e diálogos! Entre tantas, pode ser sobre o questionário, sobre a diferença de sexo e gênero, dar até esta aula sobre sexo se a conversa assim fluir. Mas é bom que os assuntos partam da necessidade da criança e não da nossa.

Que tal assim?
- Mãe, o que é sexo?
- Onde está aparecendo a palavra, Filha? Deixe-me ver com você. 
E assim contextualizando, e em diálogo, você pode melhor ajudar seu filho(a) a compreender a si e o mundo ao seu redor.


17 de abr. de 2019

218. DICA PARA A PÁSCOA

A criança pequena, graças ao sistema nervoso em desenvolvimento, mistura realidade e fantasia. E é uma delícia bem aproveitar esta fase. Costumava fazer uma atividade com as minhas filhas e era uma festa. Na noite anterior ao domingo de páscoa, colocávamos no chão da cozinha um pratinho com água e uma cenoura. Pela manhã, se a cenoura estivesse mordida e a água mexida era sinal de que o coelhinho havia passado e escondido os ovos. Antes de dormir, eu mordia a cenoura e derramava a água pelo chão. E no domingo pela manhã, eu acordava com os gritos: “O coelhinho passou! O coelhinho passou!” E saiam as duas atrás dos ovos escondidos com seus olhos brilhantes de felicidade. Ai como era bom! Aproveite, pois num instante o cérebro amadurece e estas fantasias serão transformadas em outras. Feliz Páscoa!

24 de jun. de 2018

215. A COPA DO MUNDO NO MUNDO DAS EMOÇÕES.

Photo by Dan Gold on Unsplash
Os jogos da copa afloram e potencializam em nós muitas emoções e sentimentos, o que facilita com que tomemos mais consciência deles para melhor SENTIR, NOMEAR, PENSAR, GERIR e bem AGIR. E o melhor modo de educar as emoções é conhecendo mais deste mundo, que por séculos foi tão preterido em prol da razão. Todavia, pesquisas, em especial das neurociências, revelam o oposto: a emoção precede a razão e interfere fortemente em nossos processos perceptivos, emocionais, cognitivos e comportamentais. Quando um jogador erra um pênalti, sabemos que não foi por falta de treino. Mas, na maioria, a emoção mal gerida contaminou os demais processos impedindo o gol. Assim como, quando metemos os pés pelas mãos, ou agimos sem pensar e nos damos mal. Sim, isto é má gestão das emoções, isto é, quando não as usamos a nosso favor. Importante diferenciar emoção de sentimento para que aprendamos a agir sobre eles com maior eficiência, assim como ensinar aos filhos para que desde a primeira infância consigam identificar as suas emoções e a cuidar delas. As EMOÇÕES são o que nos move, o que dá vida à vida e são manifestadas por reações fisiológicas, como sudorese, taquicardia, aumento das pupilas, entre outros. O SENTIMENTO é a racionalização deste movimento no corpo que a emoção causou. E ambos irão se pautar em experiências anteriores registradas na memória. Observe que todo estímulo que provém do meio não vem carregado de emoção, mas somos nós, cada um de nós, que interpretamos e damos um “colorido” ao que entra a partir das nossas memórias emocionais construídas em experiências anteriores. Por isso, uma barata pode parecer um dinossauro para um, enquanto que para outro ela é apenas um inseto. Alerta! As memórias da infância são muito poderosas e importantes e muitas delas acabam servindo de base interpretativa às novas situações até quando já adultos. Cuide das do seu filho. Assim, os estímulos que entram em nossos cérebros passam pelo centro das emoções, são interpretados a partir de memórias registradas gerando um colorido e um movimento à informação e preparando o corpo para uma ação baseada nesta análise. Todavia, antes de agirmos primitivamente, temos a chance de interpretar todo este movimento de modo racional, lembrando que a informação já foi contaminada pela emoção. Mais um motivo para ficarmos alertas às memórias emocionais das crianças. A racionalização da emoção acontece em nossa área cortical mais nobre: pré-frontal, onde se processam as funções executivas, a gestão das emoções, a moral, o certo e o errado, o justo e o injusto, o bom e o mal entre tantas outras funções essenciais à nossa sobrevivência e ao nosso progresso, além de serem muito requisitadas ao assistirmos aos jogos da copa. Afinal, haja coração! Ou melhor, haja sistema límbico e pré-frontal! Atente-se, pois o pré-frontal começa a se desenvolver entre 3 e 4 anos e precisará muito aprender para isso. Logo, precisará ser ensinado. E, conscientes ou não, a nossa interferência dirá muito deste desenvolvimento e nosso comportamento também. Pois, a criança, com seu sistema nervoso ainda imaturo e suas poucas experiências de aprendizagens, tem dificuldades para lidar com as emoções e com todas as novidades à sua volta. Então, utiliza-se de um grande recurso para aprender: a imitação, que acelera (ou retarda) processos.  E esta aprendizagem, cognitiva, psicomotora, emocional, servirá de base a outras novas aprendizagens como vimos. Por isso, é bom cuidarmos de nossos comportamentos, pois eles dizem de como usamos a razão em benefício da emoção (ou não). E nossos filhos nos imitarão. Assim, fique de olho na copa do mundo sem perder o foco também no mundo das emoções. Afinal, sabemos bem: em jogo do Brasil, haja emoção!
Vamos lá, Brasil!
No próximo post, trarei um exemplo bem prático para que fique ainda mais claro o poder das emoções e o quanto as emoções dos pais dirão das emoções dos filhos. Inscreva-se e receba por email. Até a próxima!


12 de mai. de 2018

214. NO DIA DAS MÃES, CHOREI PELO FILHO.

Há vinte anos, fui a uma festa descontraída, de dia das mães, na escola de Educação Infantil de minhas filhas. A escola caprichou muito mais em emoções do que em aparências, tanto é que não esqueci de cada detalhe. Afinal, a emoção é a cola da memória. A festa foi no pátio da escola e começou com um coral composto por crianças de 1 a 5 anos. As minhas filhas tinham 3 e 1 na época. As crianças começaram, com aquelas vozes infantis que pareciam anjos, a cantar Vinícius: “Eu sem você não tenho porque, porque sem você não sei nem chorar. Sou chama sem luz, jardim sem luar, luar sem amor amor sem se dar. E eu sem você, sou só desamor, um barco sem mar, um campo sem flor...” E claro que quase todas as mães se debulharam em lágrimas. Devo até ter puxado o coro. Mal havíamos recuperado e mais atividades e mais atividades do tipo que você se pega agradecendo: “Meu Deus! Obrigada por eu ser mãe!” E, para finalizar veio a entrega dos presentes, que eu achei incrível além de muito bem contextualizado e útil. Nesta época, morávamos em Fortaleza/CE. As crianças pintaram cangas de praia, e como era escola construtivista, elas mesmo pintaram. Não era aquela coisa para pai ver. E é claro que as tenho até hoje. Eu estava em festa, abraçando minhas filhas, nos enrolando nas cangas, agradecida por tudo e pelo tanto, quando uma mãe puxando o seu filho interrompeu este meu momento sublime e perguntou: “Você pode me fazer um favor?” Nunca a tinha visto, embora a escola fosse pequena, mas disse que sim, se estivesse ao meu alcance. E ela prosseguiu, enquanto puxava uma de minhas cangas: “É que vi esta sua canga e ela está perfeita para o meu biquíni. Você troca comigo?” Atordoada com o pedido, olhei imediatamente para o filho dela, que cabisbaixo esticava o seu braço para me entregar a canga que ele havia pintado para a sua mãe. Abaxei-me e fiquei da sua altura. Segurei a sua canga, envolvendo o menino nos meus braços e fiz com que nós dois a esticássemos juntos. E olhamos e conversamos como ela estava linda! Beijei o menino, levantei, respirei fundo e disse a mãe: “Posso te pedir um favor?” Ela animada, balançou a cabeça afirmativamente. Segurei-lhe as mãos, olhei bem fundo em seus olhos e disse com calma: “Compre um biquíni que combina com a sua canga? Por favor!” E busquei dizer com os olhos tudo o que eu queria dizer, mas não queria deixar ainda mais claro ao menino. E continuei: “Eu tenho certeza que você ficará linda nesta canga e o seu filho muito feliz ao te ver usando.” E chorei por aquele menino. E mais agradeci à vida e ao privilégio de viver, feliz e em intensidade, todos os dias, a tão maravilhosa maternidade. E mesmo as filhas já terem batido asas, eu sei que a maternidade permanece e permanecerá para sempre.
Felizes dias da mãe! Sim, dias, assim como são.
Desejo que seja feliz e intensa na maternidade, assim como na vida. Desejo que seja feliz cada dia, sendo ele bom ou não. Pois se teve dia, teve vida e isto já é mais do que bom.
Parabéns, Mãe!

Parabéns Mães!

16 de mar. de 2018

213. COMO TRANSFORMAR UMA HISTÓRIA INFANTIL EM APRENDIZAGENS E DESENVOLVIMENTOS À CRIANÇA.


Há várias maneiras de transformar um livro numa experiência de aprendizagens e desenvolvimentos. Trarei sugestões e cuidados fundamentados no desenvolvimento da criança, que ajudam a criança a pensar, a se autoconhecer, a identificar suas emoções, sentimentos, conhecimentos e comportamentos, bem como a gerí-los. Claro, que a experiência de leitura dependerá do mediador/leitor e do desenvolvimento da criança ou do jovem. Especificarei quando necessário.

1. Peça ao seu filho para escolher um livro ou escolha você um que tenha uma mensagem que considere importante discutir com ele. Ou que a personagem viva um problema semelhante ao que ele vive, pois perceber no outro é sempre mais fácil. E quando o filho percebe no outro fica mais fácil fazê-lo perceber em si. E percebendo em si, fica mais fácil mudar e/ou gerir seja comportamento, pensamento ou emoção.

2. Ao ler para a criança de qualquer idade é bom que estejam em um lugar confortável, iluminado, tranquilo, sem muitos distratores. Se ela for maior, deixe-a ler.

3. Leia devagar página por página, mostrando em cada uma a gravura. Não comente nada, apenas leia para que você possa perceber e entender como o seu filho percebe e entende sem a interferência da sua interpretação.

4. Se ele fizer algum comentário no decorrer da leitura, apoie-o e o ajude a organizar o seu pensamento e a fala, sem pensar ou dizer por ele. Se ele fizer alguma pergunta, responda com a mesma pergunta que ele fez e o deixe responder. Segure-se mesmo que saiba a resposta. Pois, a pergunta e a resposta da criança nos dão dicas de como está organizada a sua cabeça e como e onde podemos contribuir.

5. Ao final, conversem sobre a história e não economizem perguntas. O que entendeu? O que aprendeu? Onde a percebe na vida? Em que a história se parece com a sua vida? Como usá-la na vida? Uma pergunta por vez. Formule e deixe a criança também elaborar seus questionamentos.

6. Cada um entenderá a história a partir do que já construiu em si e com a maturidade que lhe cabe, inclusive do sistema nervoso. Importante! Antes de você dar a sua interpretação, escute muito a criança ou o adolescente. Provoque-os para que expressem, sem medo, o que apreenderam. Ótima maneira de conhecer o filho, o que e como pensa, o que e como sente, e como age.

7. A criança menor compreenderá mais pelo concreto, ao pé da letra, de forma simples, mas muitas vezes com verdades complexas aos olhos dos adultos que conseguem ver com olhos de criança. Por isso, atenção ao que ela diz, pois sabe dizer saberes incríveis! Porém, ainda apresenta o pensamento confuso e lento, o que é normal. Então, quando ela for explicar ou dizer algo, calma. Não se apresse para completar o pensamento dela como quem adianta ou adivinha o que ela vai falar. Não! Deixe-a ter o esforço de pensar, de pensar sobre o que pensa, de sentir e falar. Segure-se, pois isso ajudará muito no desenvolvimento do autoconhecimento, da linguagem e de suas funções executivas, fundamentais na escola, e essenciais para a vida. E é de pequenininho que a gente começa e só aprendemos a fazer fazendo.

8. Os pré-adolescentes e os adolescentes conseguirão abstrair mais a mensagem e vê-la de modo metafórico, reflexivo e mais profundo. Provoque estes diferentes olhares e as formas de pensar, pois eles estão em ótimo momento para isso. E o desenvolvimento não acontece por um acaso. Precisa ser bem estimulado e trabalhado. Aproveite a história, façam-se perguntas mais profundas sobre ela, busquem analogias com a vida, enfim, FILHOsofem e explorem os deliciosos diálogos entre pais e filhos.

9. Importante cuidar da comunicação. Preste atenção à maneira como você reage ao que o seu filho diz e pergunte-se sempre: “Esta minha reação favorece que ele me conte o que sente, o que pensa e o que faz?” Simples assim.

10. Além da leitura, os pais podem criar outras atividades como desenhar o que achou mais importante, mudar o final da história, criar uma história diferente com a mesma mensagem, fazer novas ilustrações, fazer a personagem com argila etc. Importante é sentir o momento, estimular bom desenvolvimento e aproveitar-se do nosso poder criativo, bem como o da criança.

Estas dicas, testadas e aprovadas com filhas e alunos, proporcionam inúmeros benefícios ao desenvolvimento da criança, do adolescente e da relação entre pais e filhos. Além disso, a leitura do livro com diálogo, cuidados e uma boa dose de atenção, ajuda os pais a conhecerem melhor seus filhos, suas dificuldades, o que sentem, o que pensam e como agem. Tendo a história como apoio e deixando a criança se colocar, estamos ajudando-a a por para fora o que às vezes ela nem percebe que tem dentro. E  identificar como está sendo é a melhor forma dela se conhecer, refletir sobre si e aprimorar-se. Isto também vale a nós e para todos de qualquer idade. Só mudamos aquilo que temos consciência. Por isso, use e abuse das histórias para as crianças se autoconhecerem, pois isso será de grande valia para o hoje e para o amanhã.
Boas leituras. Bons diálogos. Boas inspirações. Felizes encontros.

Até a próxima!