12 de mai de 2018

214. NO DIA DAS MÃES, CHOREI PELO FILHO.

Há vinte anos, fui a uma festa descontraída, de dia das mães, na escola de Educação Infantil de minhas filhas. A escola caprichou muito mais em emoções do que em aparências, tanto é que não esqueci de cada detalhe. Afinal, a emoção é a cola da memória. A festa foi no pátio da escola e começou com um coral composto por crianças de 1 a 5 anos. As minhas filhas tinham 3 e 1 na época. As crianças começaram, com aquelas vozes infantis que pareciam anjos, a cantar Vinícius: “Eu sem você não tenho porque, porque sem você não sei nem chorar. Sou chama sem luz, jardim sem luar, luar sem amor amor sem se dar. E eu sem você, sou só desamor, um barco sem mar, um campo sem flor...” E claro que quase todas as mães se debulharam em lágrimas. Devo até ter puxado o coro. Mal havíamos recuperado e mais atividades e mais atividades do tipo que você se pega agradecendo: “Meu Deus! Obrigada por eu ser mãe!” E, para finalizar veio a entrega dos presentes, que eu achei incrível além de muito bem contextualizado e útil. Nesta época, morávamos em Fortaleza/CE. As crianças pintaram cangas de praia, e como era escola construtivista, elas mesmo pintaram. Não era aquela coisa para pai ver. E é claro que as tenho até hoje. Eu estava em festa, abraçando minhas filhas, nos enrolando nas cangas, agradecida por tudo e pelo tanto, quando uma mãe puxando o seu filho interrompeu este meu momento sublime e perguntou: “Você pode me fazer um favor?” Nunca a tinha visto, embora a escola fosse pequena, mas disse que sim, se estivesse ao meu alcance. E ela prosseguiu, enquanto puxava uma de minhas cangas: “É que vi esta sua canga e ela está perfeita para o meu biquíni. Você troca comigo?” Atordoada com o pedido, olhei imediatamente para o filho dela, que cabisbaixo esticava o seu braço para me entregar a canga que ele havia pintado para a sua mãe. Abaxei-me e fiquei da sua altura. Segurei a sua canga, envolvendo o menino nos meus braços e fiz com que nós dois a esticássemos juntos. E olhamos e conversamos como ela estava linda! Beijei o menino, levantei, respirei fundo e disse a mãe: “Posso te pedir um favor?” Ela animada, balançou a cabeça afirmativamente. Segurei-lhe as mãos, olhei bem fundo em seus olhos e disse com calma: “Compre um biquíni que combina com a sua canga? Por favor!” E busquei dizer com os olhos tudo o que eu queria dizer, mas não queria deixar ainda mais claro ao menino. E continuei: “Eu tenho certeza que você ficará linda nesta canga e o seu filho muito feliz ao te ver usando.” E chorei por aquele menino. E mais agradeci à vida e ao privilégio de viver, feliz e em intensidade, todos os dias, a tão maravilhosa maternidade. E mesmo as filhas já terem batido asas, eu sei que a maternidade permanece e permanecerá para sempre.
Felizes dias da mãe! Sim, dias, assim como são.
Desejo que seja feliz e intensa na maternidade, assim como na vida. Desejo que seja feliz cada dia, sendo ele bom ou não. Pois se teve dia, teve vida e isto já é mais do que bom.
Parabéns, Mãe!

Parabéns Mães!