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15 de dez. de 2020

8 DICAS PARA ESCOLHER A ESCOLA DE SEU FILHO.

  1. A escola próxima de casa facilita em todos os sentidos. Não cansa a criança no trajeto, nem a familia. E a maioria dos amigos mora próximo.
  2. Conhecer a filosofia da escola. Quando levamos a criança para a escola é bom saber para onde a escola leva a criança.
  3. Criança precisa brincar, colocar a “mão na massa”. Verifique se há espaço para atividades lúdicas. Escolas muito tecnológicas vão deixar de desenvolver habilidades fundamentais à criança.
  4. Muitos alunos em sala de aula dificultarão a criança a ser olhada como um ser único, além de dificultar a aprendizagem e o desenvolvimento de habilidades e competências importantes. E, plataformas e aplicativos que dizem do seu filho estão muito baseados em algoritmos. Gosto muito mais do olhar humano e complexo para o desenvolvimento da criança.
  5. Verifique se a escola está mais interessada na memorização dos conteúdos ou na construção deles. Pois só aprendemos a fazer fazendo e só faz sentido aprender quando identificamos e utilizamos o aprendido. 
  6. Certifique-se como a criança será avaliada. O ideal é que a avaliação seja processual. E se há muita ênfase em provas averigue melhor, pois prova não prova muito.
  7. Parceria família e escola é fundamental. Veja se a escola tem esta abertura real.
  8. Observe as famílias, os alunos mais velhos que lá estudam… veja se estão afinados com o que você espera de seu filho.

3 de mai. de 2020

223. ACERTE NA MOSCA COM A CRIANÇA


Certa vez, uma professora preparava as crianças para o feriado: “Não teremos aula amanhã, pois é dia de TIRADENTES.” Uma criança começou a chorar, levantou-se e saiu em desespero pelos corredores da escola. A professora assustada foi conferir o que ocorria. E a criança, aos soluços,  clamou: “ Eu não quero tirar meus dentes!!!!” 
Esta é uma dica a nós adultos. A criança, por conta de seu desenvolvimento cerebral, percebe a realidade de modo muito concreto e leva tudo ao pé da letra. Ops! Aqui ela já perguntaria: “Como é o pé da letra?” Assim, tudo o que falar à criança lembre-se que o mundo interno do adulto é completamente diferente do da criança. Procure não falar pelos cotovelos, não pise na bola, nem meta os pés pelas mãos, mas faça das tripas coração para não dar um tiro no pé e acertar na mosca. E agora releia esta última frase como se tivesse a mente concreta da criança e veja como é difícil a ela compreender muito do que falamos. Vamos dar o braço a torcer. Ui! Torci! Doeu!

24 de jan. de 2020

220. BRINCAR, DESENVOLVER E APRENDER DA VIDA VIVENDO.


Meu irmão e eu.
Quando eu era criança, passava muitas férias na praia, assim como minhas filhas.  E passávamos o dia todo entretidos com as tantas possibilidades de brincadeiras que a praia oportuniza. Minha preferida era construir castelos gigantes. Aprendi na prática que toda construção precisava de uma boa base. Que as pontes e túneis não eram tão fáceis de construir, mas fazia e refazia até conseguir a melhor técnica. Que o fosso dos jacarés podia comprometer toda a estrutura. Que uma criança irritada ou uma bola perdida podiam destruir tudo, assim como o mar que parecia esperar estar tudo pronto para enviar a enorme onda a lamber tudo. Aprendi a me frustrar, a recomeçar, a focar no projeto e a só sossegar quando estivesse tudo pronto. E nem imaginava o quanto estas lições me serviriam para a vida e nem o quanto de desenvolvimento do meu sistema nervoso estavam ali em jogo. Hoje caminho pela praia a procura dos castelos. Raramente encontro uma criança brincando na areia.  Mas as vejo embaixo do guarda-sol a brincar com seus tablets e sei o quanto estão comprometendo os seus desenvolvimentos. Pais, mães, cuidadores, por favor, não levem tablet para a praia. Levem pá, balde, regador, forminhas e deixem a criança aprender da vida, brincando com todos os seus sentidos e com o corpo em movimento. Pois esta base é semelhante a do castelo. Precisa ser fortalecida para que possam crescer e desenvolver. Aproveitem este final de férias, pois num instante os filhos crescem e sem uma boa base desmoronam assim como os castelos de areia.

Minhas filhas.


2 de dez. de 2017

205. AS FASES DA CRIANÇA E O MUNDO DA FAMÍLIA.


A criança não nasce sabendo do mundo, de si e das pessoas. Precisará de tudo aprender. A princípio, pelos SENTIDOS, EMOÇÕES e MOVIMENTOS. Leva o mundo à boca, desafia-se, explora os objetos, a si mesma, as pessoas, os tempos, os espaços, as relações de tudo isso e a sua relação com tudo isso. Estas experiências lhe proporcionam um primeiro conhecimento de como as pessoas e as coisas são e funcionam. E nesta fase, a cada dia, há sempre uma surpreendente novidade.

Com o desenvolvimento da LINGUAGEM o seu mundo interno ganha muitas possibilidades. Brinca, cria e representa o mundo que vive e conhece através de personagens, jogos simbólicos, de faz-de-conta. Conversa sozinha, interage com tudo e todos numa imensa e intensa vontade de explorar e aprender. Ao brincar de casinha, de médico, de bicho, de polícia ladrão, de luta, a criança, além de desenvolver a linguagem e habilidades sócio-emocionais, ela vive papéis que a ajudam a compreender as regras de cada segmento da cultura que está inserida, as suas convenções, seus problemas, suas diferenças, seus costumes. Pode refletir e incorporar as características e as ações de quem imita e aprende que o mundo não é ela e nem que tudo é do jeito dela. Estas experiências, ajudam-na a compreender melhor de si, dos outros e do  mundo, e a representá-los dentro de si. Isto a possibilita pensar, imaginar, entender, falar sobre ele, ainda que seja de forma desorganizada e sem lógica. Por exemplo, quando a criança nos conta uma história, não há ainda uma organização espaço-temporal, certo? O fim vem embolado com o meio que passa ao começo e volta ao fim. Isso é normal para a fase. Mas é momento que requer redobrada atenção ao que é oferecido à criança, pois ela ainda age como “esponja”, imita e absorve tudo sem crítica. Aliás, esta se ensina desde pequeno. E é bom fazê-lo.

Pois, o MUNDO EXTERNO que é oferecido ao seu filho, com suas concepções, valores, erros, acertos, medos, modos de viver e de ser, dirá de seu MUNDO INTERNO, de seu ser, de sua interação com o meio. Dirá de como ele agirá, pensará, amará, odiará, falará, perceberá, criará o mundo externo, que dirá do seu interno num processo sem fim. Ou seja, se uma criança recebe sempre elogios, é protegida de qualquer frustração e a mãe obedece a tudo o que ela pede, este será o mundo externo que ela internalizará, e a partir dele perceberá e agirá no mundo. Quando na escola, a professor não a destacar diante da classe, ou quando tirar uma nota baixa, ou não for tratada como rainha, é bem provável que sofra, que culpe a outros, que se desorganize, que fique agressiva, pois não foi este mundo externo que construiu em si. Por isso vale sempre se perguntar: QUE MUNDO OFEREÇO AO MEU FILHO? Claro que outros mundos virão. Mas o primeiro deles, é a família. E o primeiro deles será a base de tudo. Pense na sua vida e observe como tudo o que você é tem uma ligação com a sua criança. A infância é tudo. Cuide bem da do seu filho, da construção do mundo que ele fará.

Conforme a criança amplia suas representações, ela sente a necessidade de organizá-las, dar um sentido maior e passa a CATEGORIZAR os mundos que conhece. O mundo das profissões, dos animais, dos objetos engraçados, dos objetos escolares, além de amar as coleções. Nesta fase, é bom enfatizar a organização externa para ajudar na interna, e saber que a criança ainda pensa de forma bem concreta, ao pé da letra e com uma pré-lógica deliciosa. Para ela, um trânsito engarrafado, pode significar carros dentro de uma garrafa, assim como ao pé da letra, pode ser uma letra com pé. Mas, os estímulos cada vez mais diversos do meio, a mediação daqueles que interagem com ela, sua interação com eles e o amadurecimento do sistema nervoso, a ajudarão a progredir e logo conseguirá ABSTRAIR o pensamento, desenvolver a lógica, a perceber metáforas, expressões idiomáticas, fortalecer a sua personalidade, as suas verdades, valores, saberes de tantos outros mundos, usando as bases das construções do seu primeiro mundo. E num piscar de olhos está adolescente, adulto e parindo nova criança, que a princípio aprenderá pelos sentidos, emoções e movimentos...

Note que em todas as fases, a participação ativa da criança na EXPERIÊNCIA é fundamental. Afinal, não é possível desenvolver no lugar do outro. Assim, com bom senso, não devemos impedí-la, pois será como querer alimentá-la oferecendo-lhe um cardápio. Logo, quantidade e qualidade de experiências são importantes, assim como o modo como a criança interage com a oportunidade. E isso se aprende. Atenção! Dizer a criança que ela não é capaz, enche-la de medos, criar resistências, fazer em seu lugar, superprotegê-la, poupá-la, devem ser observados, pois são impeditivos de desenvolvimento. Vale diversificar atividades, não se acomodar só a tecnologia, criar boas oportunidades de aprendizagens e desenvolvimentos e reflitir sempre sobre o mundo oferecido ao filho, pois é dele que ele constituirá o seu primeiro e mais importante mundo. Base de tudo e de todo o resto. Atente-se a isso. Feliz mundos!


22 de set. de 2016

185. BRINQUEDOS AJUDAM?

Como quase tudo na vida, depende. Há brinquedos geniais que ajudam a desenvolver a imaginação, o autoconhecimento, a socialização, a coordenação, a lógica, a cognição, a emoção, entre outros. Como há brinquedos que preocupam, como muitos eletrônicos. Vi um menino ávido por matar grávidas, pois valiam o dobro. Arrepiei-me. Pois ainda que seja virtual, a experiência fica registrada no cérebro da criança, com suas aprendizagens, sejam boas ou ruins. Além disso, a criança demora a distinguir realidade de fantasia. Cuidado, cuidado! Também, diversificar com muitos brinquedos não é efetivo. Já sabemos pelo nosso guarda roupa que quanto mais opções, mais nos parece que não há nada para vestir. Quase toda criança, cercada de brinquedos, diz: “Não tenho nada para brincar!” Além disso, brinquedos prontos tendem a limitar, pois já possuem uma função e um modo de operar. Comparemos um carrinho com controle remoto com um carrinho feito pela criança de garrafa pet, rodas de tampas que se movimentam com roldanas e elásticos. Qual destes dois brinquedos propiciam mais desenvolvimentos à criança? Há escolas, como na Noruega, que trocam os brinquedos por sucatas, tecidos, roupas, almofadas para que as crianças criem. Trabalhei em uma em SP que o maior brinquedo era a natureza. As crianças inventavam coisas incríveis. O que se percebe? Que elas tornam-se mais criativas (fundamental aos dias atuais), usam mais a imaginação (essencial à alfabetização) e tem menos conflitos entre elas. E o melhor, nenhuma criança reclama e adora. Fica aí a dica.

16 de dez. de 2015

173. EU QUERIA SER CRIANÇA PARA SEMPRE.


“Eu queria ser criança para sempre” foi uma das frases da menina de sete anos.  Claro que eu fui investigar o porquê. Acho uma delícia entrar no mundo da criança. É tão mais lógico, simples e surpreendente! Logo vi, que era menina como eu fui. Gostava de brincar. E queria ser sempre criança para poder brincar para sempre. Este era o seu desejo. E só se deseja o que se conhece? Talvez. E ela conhecia: brincava e sabia o que era brincar. Nossa conversa foi entrecortada por piruetas, mergulhos na piscina, corrida atrás da bola, penteados diferentes em mim enfim, uma conversa brincante. Mas continuei nosso rico diálogo enquanto dava um tapa na bola que não podia tocar o solo. “Adulto não pode brincar?”, perguntei. Ficou confusa. E então seguimos nossa conversa enquanto ela ia descobrindo que tinha tios, conhecidos e professores que sabiam ser crianças para sempre.
Infelizmente, esta menina é minoria. A maioria das crianças com esta idade já estão ocupadas com coisas de mocinha. Batom, esmalte, chapinha, até depilação eu já vi! O que é uma pena, pois para manter a criança viva é preciso primeiro ser criança. E a infância... a infância... passou.