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19 de mai. de 2020

230. PÉ DE GALINHA


Certa vez, estava em um parque de São Paulo, que mais parece um sítio em meio aos concretos da pauliceia. Há galinhas, pintinhos, gansos, patos, pavões todos soltos compartilhando o espaço conosco sem cerimônia. O sol começava a se despedir e as galinhas começaram a se empoleirar em uma árvore. Cacarejavam sem parar e eu as observava feito criança, imaginando o que tanto falavam. Neste momento, chega uma criança de cerca de cinco anos, fixa o seu olhar para a árvore com encantamento e exclama a mim a sua grande descoberta: “Agora que eu entendi o que minha mãe sempre fala!!! Já sei o que é um pé de galinha!!!!” E saiu todo importante, com o peito empinado, sorriso largo, sem nem se preocupar com o que eu pensava. Além da fofura da sua conclusão, e de como funciona a mente infantil (leia postagem anterior), fiquei a pensar no quanto muitas vezes saímos assim, como se tivéssemos descoberto a pólvora sem nos atentarmos aos enganos de nossas verdades e conclusões.

7 de mai. de 2020

225. LIDAR COM A FRUSTRAÇÃO SE APRENDE.


Achei um encanto esta carta para a fada dos dentes, que recebi da avó da criança. Pelo conteúdo, imagino que a mãe, que deve estar levando a quarentena a sério, não poupou a filha do sentimento da FRUSTRAÇÃO, uma vez que até a fada está em quarentena, ainda que o dente da criança tenha caído. QUAL O MELHOR MOMENTO PARA SE TRABALHAR COM A FRUSTRAÇÃO? Quando ela acontece. A frustração ocorre quando um desejo ou uma expectativa não são satisfeitos, e facilmente causam um sofrimento e um DESEQUILÍBRIO EMOCIONAL. Mas quem é que quer ver o seu filho(a) assim? Resultado: POUPAMOS a criança e fazemos o que ela quer e na hora que ela quer. Mas, ao protegê-la estaremos de fato a desprotegendo, pois ela não aprenderá a lidar com este sentimento. E não temos como evitá-lo seja na escola, no playground ou em qualquer situação em que não estamos presentes. Assim, se você quer realmente proteger o seu filho, ENSINE-O A LIDAR COM ESTE SENTIMENTO o quanto antes. COMO? 

1.          Não o poupe, mas o acolha. Abrace-o e diga que você entende a sua tristeza e o seu querer, mas que não é possível realizá-lo naquele momento. 
2.          Converse com ele, deixe-o colocar o que sente para fora, ainda que não saiba nomeá-lo. 
3.          Busquem alternativas de como resolver aquele desejo não realizado. 
4.          Ajude a criança a dar forma ao que sente.


Na nossa ilustração, a criança escreveu para a fada. DEU FORMA À SUA FRUSTRAÇÃO, colocou-a para fora. Isto ajuda a criança a elaborar e a lidar com este difícil sentimento. A criança pode ainda desenhar, dar ideias de como farão depois, vocês podem criar um diálogo com os bichos de pelúcia que “estão na mesma situação”, enfim, use a imaginação, mas não desproteja seu filho ao tentar protegê-lo. LIDAR COM A FRUSTRAÇÃO SE APRENDE. E SE APRENDE, ENTÃO SE ENSINA. Seja você este mestre.

5 de set. de 2019

219. MÃE, O QUE É SEXO?


A criança tinha 8 anos, mas a mãe já estava a postos para a pergunta. Havia lido blogs, comprado livros, conversado com psicólogas. Sabia exatamente o que responderia à filha, o que os seus pais não a conseguiram responder: “O que é sexo?” E este tabu ela não queria repassar. Queria poder falar abertamente com a filha, o que não conseguiu com os seus pais.E eis que chega o dia. A criança fazia as suas tarefas, quando perguntou:

- Mãe, o que é sexo?

Naquele momento a mãe corre ao quarto, volta carregada e expõe livros infantis sobre o tema, espalhando-os pela mesa. O olhar curioso da criança avança e logo a mãe se propõe a explanar. Ao final, faz algumas perguntas e a filha responde sem tanto envolvimento e interesse para frustração da mãe. Logo volta à sua tarefa e lança mais uma pergunta:

- Mãe, mas o que eu coloco aqui na ficha. Sexo F ou M?

Ou seja, era preciso contextualizar antes a pergunta da criança. Às vezes criamos tantas expectativas em algo e o planejamos tanto, que esquecemos de observar o mais importante. Quer uma dica que não falha às perguntas? Sonde o que a criança quer de fato perguntar. Busque entrar no mundo dela, que aliás é bem diferente do seu, pois cada um percebe o mundo à sua maneira de acordo com os recursos que tem. Deixe o diálogo fluir, deixe a criança se expressar. E busque ampliar sim o mundo dela, mas com cuidados. Afinal, são tantas possibilidades de assuntos e diálogos! Entre tantas, pode ser sobre o questionário, sobre a diferença de sexo e gênero, dar até esta aula sobre sexo se a conversa assim fluir. Mas é bom que os assuntos partam da necessidade da criança e não da nossa.

Que tal assim?
- Mãe, o que é sexo?
- Onde está aparecendo a palavra, Filha? Deixe-me ver com você. 
E assim contextualizando, e em diálogo, você pode melhor ajudar seu filho(a) a compreender a si e o mundo ao seu redor.