22 de fev de 2015

138. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: Índia e a educação por projetos: Bangalore.

Dra Yasmin Jayathirtha, fundadora do Centre for Learning.

Em Bangalore, conheci dois projetos especiais. Um deles lembrou-me a deliciosa Escola Ágora em Cotia-SP onde aprendi muito enquanto ensinava. O outro, encantou-me o modo como nos foi apresentado, bem como a integração da instituição em sua complexidade. Um projeto vivido por vários ângulos. (Falarei dele no post de n.140.)
Centre for Learning fica há 40 Km de Bangalore, e assim como a Ágora, fica “em meio ao mato”, lugar privilegiado para muitos ensinos e aprendizagens, com espaços inimagináveis a serem explorados. Foi criado em 1990 por um grupo de educadores que queriam explorar a natureza da aprendizagem, a sua relação com os desafios atuais e o desenvolvimento do eu interior. Assim, baseados em Krishnamurti, fundamentaram a escola de forma não hierárquica, holística, interdisciplinar, introspectiva, provocando mais perguntas do que oferecendo  respostas. Não trabalham com recompensa e nem punição. E buscam que o ambiente educativo  traga conforto e segurança para que os alunos possam ser vulneráveis, enquanto buscam a própria verdade.

Tive o privilégio de participar de uma das aulas, que durou cerca de duas horas. Voltei no tempo e me vi com meus alunos, há tantas e tantas milhas dali. Eram dois professores, cerca de doze alunos de 10 a 11 anos, Ana Lucia Guimarães (querida amiga e educadora) e eu. Todos sentados no chão, com os pés descalços e no mesmo círculo. A aula deu início com os professores calmamente perguntando o que os alunos haviam aprendido na aula anterior. (Bravo!) E alunos respondiam com a mesma calma, sem nenhum tumulto. (Bem diferente da nossa realidade!) Esse início já me deixou claro que a aula seria produtiva e construtiva. Logo o professor passou um filme sobre o que estudavam: dinastia chinesa. Provocava reflexões, novas perguntas que não eram por ele respondidas, mas que devolvia aos alunos proporcionando-lhes inquietantes e novas questões, além de muito crescimento. Os alunos mostravam muita atenção, participação, curiosidade e respeito aos outros enquanto construíam seus conhecimentos. E cada um deles anotava, em esquemas, o que achavam pertinente. O professor não dizia: “Isso é para anotar.” “Posso apagar?” Não! Os alunos eram educados para serem autores do conhecimento, da própria vida, com autonomia e responsabilidade. Cada caderno era diferente do outro. (Aleluia!) Após essa rica troca, mudamos para a sala ao lado, que era muito parecida com a que estávamos. Ou seja, não tinha quase nada. Mas esta tinha um quadro que a diferenciava. E dos dois professores, brotavam ainda mais debates, reforçando com as crianças os novos conhecimentos (A neurociência agradece!), enquanto propunham a atividade a ser feita em casa. Os alunos deveriam se imaginar pertencentes a dinastia chinesa e escreverem em forma de uma peça teatral, ou uma carta, ou dialogando com alguém da mesma época. Enfim, deveriam ser bem criativos para apresentar o que sabiam. Isso me lembrou eu mesma. Adoro proporcionar tarefas assim, pois sei que o cérebro do aluno adora. Nada melhor do que transformar dever de casa em prazer de casa. (Atenção professores!). 
Aula do querido professor Navneeth.

Interessante que ainda almoçamos com eles, ficamos boa parte do dia por lá e não vi nenhum smartphone, nem tablets, nem celulares comuns nas mãos dos alunos ou de professores. Mas vi muito conhecimento vivo e de vida sendo alí construído. (Boa refexão a se fazer.) E, em meio a intensa vegetação, lá estava a biblioteca com uma metáfora pronta sobre a aprendizagem e a construção do conhecimento. Contarei na próxima postagem, para então falar de Srishti com seus lindos e integrados projetos.

6 comentários:

  1. Anônimo2/24/2015

    Fui sua aluna e sei bem a delícia que era. Aprender com você era a maior gostosura. Você foi a professora mais importante que eu tive. Muito obrigada por ter marcado positivamente a minha vida.
    beijo enorme
    Laís Ribeiro

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    1. Laís querida, que lindo ouvir isso. E que maravilha marcar sua vida com vida. bj enorme

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  2. Mto lindo e gratificante saber que existem pessoas assim. E saber que vc é uma delas. Bjs

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    1. Ai Dona Paula, assim você me mata! Linda!!!!

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  3. Anônimo3/06/2015

    Ligia Pacheco obrigada por estes presentes que vem como deleites na nossa memória.
    Monica Sâmia

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    1. Monica querida, para mim também entram como deleites... que momentos ricos! bj grande

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