15 de dez. de 2020

8 DICAS PARA ESCOLHER A ESCOLA DE SEU FILHO.

  1. A escola próxima de casa facilita em todos os sentidos. Não cansa a criança no trajeto, nem a familia. E a maioria dos amigos mora próximo.
  2. Conhecer a filosofia da escola. Quando levamos a criança para a escola é bom saber para onde a escola leva a criança.
  3. Criança precisa brincar, colocar a “mão na massa”. Verifique se há espaço para atividades lúdicas. Escolas muito tecnológicas vão deixar de desenvolver habilidades fundamentais à criança.
  4. Muitos alunos em sala de aula dificultarão a criança a ser olhada como um ser único, além de dificultar a aprendizagem e o desenvolvimento de habilidades e competências importantes. E, plataformas e aplicativos que dizem do seu filho estão muito baseados em algoritmos. Gosto muito mais do olhar humano e complexo para o desenvolvimento da criança.
  5. Verifique se a escola está mais interessada na memorização dos conteúdos ou na construção deles. Pois só aprendemos a fazer fazendo e só faz sentido aprender quando identificamos e utilizamos o aprendido. 
  6. Certifique-se como a criança será avaliada. O ideal é que a avaliação seja processual. E se há muita ênfase em provas averigue melhor, pois prova não prova muito.
  7. Parceria família e escola é fundamental. Veja se a escola tem esta abertura real.
  8. Observe as famílias, os alunos mais velhos que lá estudam… veja se estão afinados com o que você espera de seu filho.

30 de jul. de 2020

232. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: CANADÁ.

Simulação da maternidade na adolescência.



Esta foi uma experiência que minha filha viveu aos 15 anos quando fez intercâmbio no Canadá. E achei simplesmente fantástica. A gravidez na adolescência é mais comum do que imaginamos, e o quão pode desestruturar não só os adolescentes, mas toda a família. As escolas e os pais costumam trabalhar esta questão, mas aprender sentindo na pele faz toda a diferença.

 

E como a escola fazia?

Após alguns blá blá blá que conhecemos bem, cada adolescente ganhava um bebê robô. Era perfeito, tinha tamanho e peso de bebê, era programado com algumas características e repleto de sensores que emitiam mensagens aos professores que analisavam a conduta das novas “mães” ou “pais”. O “bebê” da minha filha, por exemplo, foi programado para chorar a noite inteira. Oh dó! Cada vez que eu falava com ela, suas olheiras estavam mais profundas e seu humor mais descontrolado. Chegou a chorar junto: “Não aguento mais! Eu já nem apago a luz do quarto durante a noite!”

 

O bebê robô, assim como os bebês reais, não tinha botão para desligar. E para onde ia precisava levá-lo. Muitas vezes ela teve que abandonar as salas de aula, as de cinema, as diversões com os amigos para trocar fralda, alimentar, ninar, cuidar. E pela manhã, não bastava mais cuidar de si. Precisava acordar bem mais cedo, pois havia o “filho” para cuidar também, independente da noite mal dormida.

 

Lembro que sua nota abaixou quando esqueceu de agasalhar o bebê num dia frio. Os professores ficavam atentos a cada detalhe. E quando terminou a sua missão e devolveu o bebê aos professores, conseguiu fazer várias reflexões importantes, além de nos agradecer muito por tudo o que havíamos feito por ela. E, com certeza, valorizou o sono como nunca antes. :))

22 de mai. de 2020

231. JOGO É JOGO, FAMÍLIA É FAMÍLIA


Minhas filhas eram pequenas e sempre jogávamos jogos de tabuleiros em família. Tais jogos costumam desenvolver muito o córtex pré-frontal (aquele que nos diferencia dos outros animais) e ótimas habilidades comportamentais (aquelas que nos diferenciam dos outros humanos), além de aumentarem o vínculo da família. Mas, como uma mãe normal, eu costumava deixar as crianças vencerem. Até que um dia, nossa caçula desapontada reclamou com bravura: “Mãe, jogo é jogo, família é família!” O que entendi do recado? Que todo ser humano quer ganhar por merecimento. Não há graça vencer facilmente. O desafio faz parte do nosso desenvolvimento, assim como a autorrealização faz um bem danado a qualquer ser humano. Em segundo lugar, era importante aprender sobre perdas e frustrações afinal, proteger os filhos disso é um grande engano, pois o mundo não os protegerá. E é melhor aprender desde pequeno. A partir deste dia, nunca mais as poupei. E logo, comecei a precisar me empenhar muito, pois já me venciam facilmente. Às vezes até sentia que queriam me poupar, mas daí era a minha vez: “Alto lá! Jogo é jogo, família é família!”

19 de mai. de 2020

230. PÉ DE GALINHA


Certa vez, estava em um parque de São Paulo, que mais parece um sítio em meio aos concretos da pauliceia. Há galinhas, pintinhos, gansos, patos, pavões todos soltos compartilhando o espaço conosco sem cerimônia. O sol começava a se despedir e as galinhas começaram a se empoleirar em uma árvore. Cacarejavam sem parar e eu as observava feito criança, imaginando o que tanto falavam. Neste momento, chega uma criança de cerca de cinco anos, fixa o seu olhar para a árvore com encantamento e exclama a mim a sua grande descoberta: “Agora que eu entendi o que minha mãe sempre fala!!! Já sei o que é um pé de galinha!!!!” E saiu todo importante, com o peito empinado, sorriso largo, sem nem se preocupar com o que eu pensava. Além da fofura da sua conclusão, e de como funciona a mente infantil (leia postagem anterior), fiquei a pensar no quanto muitas vezes saímos assim, como se tivéssemos descoberto a pólvora sem nos atentarmos aos enganos de nossas verdades e conclusões.

16 de mai. de 2020

229. ATENÇÃO, MÃES! UMA SUGESTÃO? PERCAM PARA GANHAR.


Na postagem anterior, escrevi sobre estes meninos de 8 e 6 anos, cuja mãe os ensina às atividades domésticas como um trabalho de equipe. E vimos quantas HABILIDADES estão por trás destas atividades tão necessárias ao HOJE quanto ao AMANHÃ destas crianças. (Leia: O que as tarefas domésticas podem causar aos seus filhos?). Hoje é dia de faxina de novo, e lá estão elas a repetí-las. Quando aprendemos algo novo, NOVAS CONEXÕES NEURONAIS são formadas, mas estas precisam de REPETIÇÃO para se estabelecerem. Por isso, manter uma ROTINA é tão importante. Sim, eu sei, dá trabalho ENSINAR. E GASTA tempo. Concorda que seria bem mais fácil à mãe, por exemplo, lavar a louça do que ensinar para as crianças? E ainda podemos imaginar o chão todo molhado, o uso exagerado de detergente e até a espuma no teto. Eu já passei por isso, sei bem como é. Mas como DESENVOLVEMOS mesmo? APRENDENDO. E como aprendemos? Na EXPERIÊNCIA, isto é, FAZENDO. A mãe está GASTANDO o seu tempo sim, mas mais à frente estará GANHANDO TEMPO, pois os meninos já estarão mais habilidosos e poderão contribuir bem mais, não só com a louça, isto eu garanto. Já provei e aprovei destes ganhos. Muitas vezes, é mesmo preciso PERDER PARA GANHAR. Então fica a sugestão: Gaste este tempo agora. E se prepare para contabilizar os inúmeros ganhos.

14 de mai. de 2020

228. O QUE AS TAREFAS DOMÉSTICAS PODEM CAUSAR AO SEU FILHO?


Já respondo: muitos desenvolvimentos. Estes meninos têm 8 e 6 anos e uma mãe que os educa maravilhosamente, além de quebrar paradigmas. Não cabe mais o discurso de “isto é coisa de menina” e/ou que “são muito pequenos para tal”. E sem mimimi, lá estão eles em TRABALHO DE EQUIPE, tirando o pó, limpando vidros, colocando roupa em máquina de lavar, lavando louça, assim como vemos em tantos países desenvolvidos. Aliás, para mim, isto faz parte do verdadeiro homeschooling. Notem que estes meninos estão aprendendo tais atividades enquanto desenvolvem RESPONSABILIDADE E AUTONOMIA, COORDENAÇÃO MOTORA e muito mais. Além das tão faladas HABILIDADES COMPORTAMENTAIS fundamentais ao hoje e ao amanhã, como planejamento, tomada de decisão, solução de problemas, criatividade, empatia entre outras. Tudo isto não se desenvolve na teoria, nem em tablets, mas ali na prática, no dia a dia. E quanto antes, melhor. Aprendemos a fazer fazendo, pois o CÉREBRO É CONFIGURADO NA EXPERIÊNCIA. Aproveitem esta oportunidade única.

11 de mai. de 2020

227. TROQUE A PALAVRA “AJUDA” POR TRABALHO DE EQUIPE.


Neste período de confinamento, muitas mães, mais do que nunca, estão berrando por socorro. E é muito comum elas dizerem aos membros da família: “Ninguém me ajuda!” Analisemos esta frase: Ao dizer que “ninguém te ajuda”, você está dizendo que esta tarefa é sua. E é? Creio que não. Que tal começar a desenvolver na sua família o trabalho de equipe? Este é um momento incrível para reeducar toda a família. Que tal todos participarem de tudo, dividindo as tarefas conforme a faixa etária? Todos podem participar, inclusive os pequenos. Você acha que a criança é pequena demais para fazer seu próprio lanche? Ensine-a e verás. Você acha que ela é pequena demais para colocar e tirar a mesa? Ensine-a e verás. Será que é pequena para varrer, lavar, arrumar a cama e o próprio quarto? Ensine-a e verás. Nós subestimamos muito a criança. Muitoooo. Quando pensar que o seu filho ou a sua filha são pequenos demais, lembre-se que uma criança de 2 anos já é capaz de correr, falar, dançar fazer graça e birra. Já é capaz de perceber os seus pontos fracos e estrategicamente cutucá-los. E se tiver espaço, este pequeno ser já é capaz de mandar em toda a família e ainda com o dedo em riste e com autoritarismo. Não é? Reeduque sua família. Fazer atividades domésticas ensina muito, inclusive conhecimentos escolares como escreverei outro dia. E toda aprendizagem leva a desenvolvimentos. Troque a palavra ajuda por trabalho de equipe. No começo não será tão fácil, em especial se todos já estiverem acostumados a serem servidos. Mas leve isto a sério e verás o quanto ganhará, não só você, mas toda a família.

8 de mai. de 2020

226. A AULA VIRTUAL E OS PRINCÍPIOS DA APRENDIZAGEM


Além de formar professores, ORIENTO FAMÍLIAS, interagindo tanto com crianças e jovens, como com os seus pais. Creio ser mais efetivo envolver a todos. Nesta quarentena, meu maior foco tem sido com as famílias cujos os filhos têm dificuldades de aprendizagem. Pois estão aí, pais e filhos, com esta difícil tarefa do “homeschooling”. Tem sido um desafio deixar os encontros virtuais com a METODOLOGIA que acredito e que vai a favor dos MECANISMOS CEREBRAIS DE APRENDIZAGEM da criança. Mas tenho amado desenvolver-me também. Hoje, uma das crianças, entre outros tantos conteúdos, precisava entender os gráficos de barras. Olhamos no seu livro os vários exemplos que tinha.  E ela começava a entender a função dos mesmos. Mas a criança APRENDE bem melhor com coisas que estão em sua REALIDADE e que lhe são SIGNIFICATIVAS. E não faz sentido “aprender” por aprender. É preciso IDENTIFICAR no seu cotidiano e saber USAR o que se aprende. Então, pensamos juntas em uma pesquisa a fazer e a escolha foi sabores de sorvete. TRANSFORMAR A CRIANÇA EM PROTAGONISTA DA SUA APRENDIZAGEM AJUDA A DAR SENTIDO e SENTIR ao que se aprende. Pedi que ela fizesse a pesquisa com os seus familiares, pois envolver quem se gosta FACILITA A ATIVAÇÃO DA EMOÇÃO, QUE É EXTREMAMENTE FUNDAMENTAL AO PROCESSO DE APRENDIZAGEM. O resultado da pesquisa foi: 4 pessoas preferiam o de chocolate, 2 pessoas o de morango e 3 pessoas escolheram o de flocos. Se eu estivesse na presença da criança teria várias possibilidades. Mas virtualmente? Não! Não queria vídeos explicativos, embora haja alguns bem bons. Mas ela se DESCONCENTRA muito e nem sempre os entende. Apreveitei meus dedos e fiz os eixos do gráfico e nele coloquei os dados conforme já havíamos visto. E pedi que ela fizesse o mesmo em sua mão. E lá fomos construir, primeiramente o gráfico com o nosso corpo e com os materiais que tínhamos. AS MEMÓRIAS MOTORAS SÃO EXCELENTES PARA A APRENDIZAGEM, ASSIM COMO ENVOLVER O MÁXIMO DOS SENTIDOS. Uso e abuso deles. Aproveitamos ainda para ver qual foi o sabor mais escolhido, qual o menos, qual a diferença entre a quantidade de um sabor com o outro, qual a soma de todos eles, aproveitando para revisar e reforçar conhecimentos que ela havia aprendido. Depois disso e de algumas risadas, a criança fez o registro no papel. ESTÁ APRENDIDO? Não há garantias. AS NOVAS CONEXÕES NEURONAIS NÃO SE ESTABELECEM ASSIM FACILMENTE. É preciso REFORÇAR tal aprendizagem. Vamos então às novas pesquisas. Como também ORIENTAR AOS PAIS, de forma significativa, todos estes princípios de aprendizagem para que possam colaborar com o progresso do processo de seus filhos.

7 de mai. de 2020

225. LIDAR COM A FRUSTRAÇÃO SE APRENDE.


Achei um encanto esta carta para a fada dos dentes, que recebi da avó da criança. Pelo conteúdo, imagino que a mãe, que deve estar levando a quarentena a sério, não poupou a filha do sentimento da FRUSTRAÇÃO, uma vez que até a fada está em quarentena, ainda que o dente da criança tenha caído. QUAL O MELHOR MOMENTO PARA SE TRABALHAR COM A FRUSTRAÇÃO? Quando ela acontece. A frustração ocorre quando um desejo ou uma expectativa não são satisfeitos, e facilmente causam um sofrimento e um DESEQUILÍBRIO EMOCIONAL. Mas quem é que quer ver o seu filho(a) assim? Resultado: POUPAMOS a criança e fazemos o que ela quer e na hora que ela quer. Mas, ao protegê-la estaremos de fato a desprotegendo, pois ela não aprenderá a lidar com este sentimento. E não temos como evitá-lo seja na escola, no playground ou em qualquer situação em que não estamos presentes. Assim, se você quer realmente proteger o seu filho, ENSINE-O A LIDAR COM ESTE SENTIMENTO o quanto antes. COMO? 

1.          Não o poupe, mas o acolha. Abrace-o e diga que você entende a sua tristeza e o seu querer, mas que não é possível realizá-lo naquele momento. 
2.          Converse com ele, deixe-o colocar o que sente para fora, ainda que não saiba nomeá-lo. 
3.          Busquem alternativas de como resolver aquele desejo não realizado. 
4.          Ajude a criança a dar forma ao que sente.


Na nossa ilustração, a criança escreveu para a fada. DEU FORMA À SUA FRUSTRAÇÃO, colocou-a para fora. Isto ajuda a criança a elaborar e a lidar com este difícil sentimento. A criança pode ainda desenhar, dar ideias de como farão depois, vocês podem criar um diálogo com os bichos de pelúcia que “estão na mesma situação”, enfim, use a imaginação, mas não desproteja seu filho ao tentar protegê-lo. LIDAR COM A FRUSTRAÇÃO SE APRENDE. E SE APRENDE, ENTÃO SE ENSINA. Seja você este mestre.

5 de mai. de 2020

224. HOMESCHOOLING E UM PEDIDO ÀS ESCOLAS


Trabalho com formação de professores, com educação parental e com crianças. Ou seja, estou percebendo o homeschooling pelos três ângulos. E não está fácil a ninguém, pois talvez estejamos complicando. Hoje meu pedido vai para as escolas. Eu sei que as equipes pedagógicas estão se desdobrando para produzirem conteúdos de um jeito novo para as crianças. Sei que estão dando o seu melhor. Mas sabem o que eu mais queria agora? Que invertessem um pouco. Que neste momento, ao invés de ensinarem virtualmente o período paleolítico, o vértice dos polígonos, a tabuada, os substantivos abstratos e adjetivos, ou qualquer outro conteúdo, que parassem um pouco e ouvissem as crianças. O que elas têm aprendido neste período de isolamento? Como é ter os pais em casa? O que elas têm sentido na nova rotina? O que têm feito? Como têm gastado energia? Que emoções têm aflorado? Como elas têm lidado com isso? Do que elas mais sentem falta? Que estranhamentos percebem? O que acham disso tudo? Que recados têm aos adultos e às crianças? Este seria um hangout precioso, não acham? Que troca mais rica! E quantos recados conseguiríamos captar! Afinal, todos estes conteúdos escolares podem esperar, enquanto repensamos o modo como são ensinados. Mas, neste momento, há outras urgências: a saúde mental e emocional das crianças. E não há aula virtual expositiva que possa dar conta disso. O cérebro é configurado na experiência. Vamos aproveitar?

3 de mai. de 2020

223. ACERTE NA MOSCA COM A CRIANÇA


Certa vez, uma professora preparava as crianças para o feriado: “Não teremos aula amanhã, pois é dia de TIRADENTES.” Uma criança começou a chorar, levantou-se e saiu em desespero pelos corredores da escola. A professora assustada foi conferir o que ocorria. E a criança, aos soluços,  clamou: “ Eu não quero tirar meus dentes!!!!” 
Esta é uma dica a nós adultos. A criança, por conta de seu desenvolvimento cerebral, percebe a realidade de modo muito concreto e leva tudo ao pé da letra. Ops! Aqui ela já perguntaria: “Como é o pé da letra?” Assim, tudo o que falar à criança lembre-se que o mundo interno do adulto é completamente diferente do da criança. Procure não falar pelos cotovelos, não pise na bola, nem meta os pés pelas mãos, mas faça das tripas coração para não dar um tiro no pé e acertar na mosca. E agora releia esta última frase como se tivesse a mente concreta da criança e veja como é difícil a ela compreender muito do que falamos. Vamos dar o braço a torcer. Ui! Torci! Doeu!

16 de abr. de 2020

222. ESCOLA-PAIS-ALUNOS: UMA IDEIA PARA SAIR DA SINUCA EM QUE ESTAMOS.

Tenho acompanhado algumas tarefas virtuais que as escolas enviam às crianças. Não deve estar sendo fácil aos professores desenvolverem os conteúdos e virarem youtubers do dia para a noite. E não tenho dúvida que tais conteúdos acabam tornando-se empobrecidos, uma vez que já sabemos da importância da mediação na construção do conhecimento e da utilização das metodologias ativas neste processo. Como fazer isso em EAD? Ajudaria se os pais soubessem, no mínimo, das teorias educacionais, psicológicas e do desenvolvimento do sistema nervoso para ajudarem melhor os filhos nesta empreitada da aprendizagem. Mas, esta não é a formação da grande maioria, e nem estava no cronograma deles realizar tal função, assim como lavar, faxinar, esterilizar, cozinhar, lidar com este turbilhão de emoções que a situação provoca. Além, é claro, do Home office. Consideramos ainda que as crianças não têm autonomia e nem habilidade para navegarem com maestria por este mundo virtual e acompanharem os links que aprimoram os seus conhecimentos. E nem para realizarem com autonomia as tarefas, pelo menos as que tenho acompanhado. Para dificultar, o cérebro é configurado na experiência e o movimento é de extrema importância para as representações mentais dos pequenos. E os conteúdos devem ser ligados à realidade da criança e trabalhados de forma bem concreta. Como contemplar tais exigências cerebrais frente a uma tela? Se paramos as escolas, o que as crianças farão o dia todo, e como irão aprender apenas por si sós? Se continuamos, o que as crianças estarão deixando de fazer e de aprenderem por elas mesmas? Como sair desta sinuca? Talvez o caminho do meio. Porém, todas as ideias que tenho requerem investimento de tempo (que de fato será um ganho de tempo), enquanto este, o tempo, tem sido a grande falta neste momento em que vivemos. Mas creio que a parceira escola-família, enfim, está sendo percebida como de extrema necessidade. Tenho uma ideia: já que os pais estão precisando doar seu tempo para estes aprendizados, que tal a escola ensiná-los a ensinar enquanto a escola ensina? E, claro, que tal darem menos tarefas para que as mesmas possam ser saboreadas por todos assim como devem ser os saberes? Dou um exemplo: Uma das tarefas que acompanhei hoje: aprender sobre os continentes. Que tal pedir a quem for ajudar a criança que navegue pelo Google Earth começando pela casa da criança, ampliando para a sua cidade, país até chegar à noção de continente? Então amplie mais e viagem de um continente a outro, fazendo provocações que levem a criança a pensar, a investigar, a buscar respostas e a fazer perguntas. Se a família já viajou ao exterior ou se sonha com algum lugar, há várias possibilidades. Ex: “Lembra que fomos (ou queremos) ir à Disney? Vamos achá-la? Em que país está? Qual o continente? Por onde o avião passa da nossa cidade até lá? Por quais países? Por quais continentes?” Façam isso com alguns países. A imaginação não está em quarentena. Depois, abra um mapa-mundi. Se tiver o material físico, melhor. Mas, antes, ajude a criança a imaginar o globo sendo aberto e se transformando em um plano. Lembremos que o que é claro a nós, não é necessariamente para a criança. Busquem coisas pela casa que são de outros países. Uma camiseta (veja as etiquetas e se surpreenda), um azeite,  um perfume, fotos, explore a sua observação e criatividade. E então busquem encontrar os países de onde vieram tais objetos e encontrem no mapa. E façam uma competição entre os continentes. O azeite era de Portugal? Um ponto para a Europa. A camiseta foi feita no Camboja? Um ponto para Ásia. E por aí vai. Mas deixe a criança procurar. Dê dicas: fica perto de tal lugar. Fica em tal continente. Mas deixe-a buscar, pois este também já é um exercício de atenção seletiva, muito importante às crianças. Pode ainda pedir para a criança ligar para a avó, ou  para a tia que viaja sempre ou seja lá quem for e fazer uma pesquisa dos países que as pessoas foram e o que gostaram mais. E vão lá procurar no mapa. Além de deixar a outra pessoa feliz, a criança estará desenvolvendo habilidades de comunicação importantes.  Se não tiver nada em casa de outro país, criem um roteiro de viagem. Vejam por onde querem ir. Pesquisem alguns lugares, vejam imagens, atividades para fazer, como é o clima por lá, quantos quilômetros viajarão. E deixem a imaginação fluir, inclusive para explorar o tema. E basta esta atividade, que já trabalha história, geografia, matemática, português, ciências e muitas e muitas habilidades. E ainda reforça o vínculo entre a família, que para mim é a principal lição.

27 de fev. de 2020

221. EU QUERO UM NÃO!


Queridos Pais e Mães,
Ontem cheguei do trabalho por volta das 21 hs. Do outro lado da calçada, um jovem de cerca de 23 anos andava de um lado ao outro com um imenso facão nas mãos. Pelo seu movimento não era fácil intuir que esperava alguém. Estava bem vestido, tinha um carro de luxo e aparentava ter tido boas oportunidades na vida. Rapidamente o cenário se criou em minha mente. E pode não ser real, mas creio ter grandes possibilidades que eu esteja certa, embora amaria estar errada. Imaginei o rapaz levando um fora da namorada, e por não saber o que é um “não”, iria buscar resolver com a estrutura psíquica que lhe foi formada desde a infância. Não importa a minha imaginação, mas sabemos o quanto há de crianças e jovens sem inteligência emocional. Nem precisa procurar, basta olhar ao lado. Dizer NÃO à criança, deixar que ela se frustre, dar limites claros, não barganhar, não ceder, não passar a mão na cabeça, não ser submisso (a) ou subserviente a ela, não deixar que ela nos eduque e nem nos condicione, não fará de nós pais menos amados. Pelo contrário, elas nos respeitarão e nos admirarão mais, e também nos amarão mais. E serão seres mais equilibrados e melhores preparados para viver consigo e em sociedade. Não deixemos para arrumar depois. Se educar dá trabalho, consertar os erros dá bem mais. Além disso, a infância é a base de tudo. E bons “nãos” ajudam a estruturar uma base segura.

24 de jan. de 2020

220. BRINCAR, DESENVOLVER E APRENDER DA VIDA VIVENDO.


Meu irmão e eu.
Quando eu era criança, passava muitas férias na praia, assim como minhas filhas.  E passávamos o dia todo entretidos com as tantas possibilidades de brincadeiras que a praia oportuniza. Minha preferida era construir castelos gigantes. Aprendi na prática que toda construção precisava de uma boa base. Que as pontes e túneis não eram tão fáceis de construir, mas fazia e refazia até conseguir a melhor técnica. Que o fosso dos jacarés podia comprometer toda a estrutura. Que uma criança irritada ou uma bola perdida podiam destruir tudo, assim como o mar que parecia esperar estar tudo pronto para enviar a enorme onda a lamber tudo. Aprendi a me frustrar, a recomeçar, a focar no projeto e a só sossegar quando estivesse tudo pronto. E nem imaginava o quanto estas lições me serviriam para a vida e nem o quanto de desenvolvimento do meu sistema nervoso estavam ali em jogo. Hoje caminho pela praia a procura dos castelos. Raramente encontro uma criança brincando na areia.  Mas as vejo embaixo do guarda-sol a brincar com seus tablets e sei o quanto estão comprometendo os seus desenvolvimentos. Pais, mães, cuidadores, por favor, não levem tablet para a praia. Levem pá, balde, regador, forminhas e deixem a criança aprender da vida, brincando com todos os seus sentidos e com o corpo em movimento. Pois esta base é semelhante a do castelo. Precisa ser fortalecida para que possam crescer e desenvolver. Aproveitem este final de férias, pois num instante os filhos crescem e sem uma boa base desmoronam assim como os castelos de areia.

Minhas filhas.


5 de set. de 2019

219. MÃE, O QUE É SEXO?


A criança tinha 8 anos, mas a mãe já estava a postos para a pergunta. Havia lido blogs, comprado livros, conversado com psicólogas. Sabia exatamente o que responderia à filha, o que os seus pais não a conseguiram responder: “O que é sexo?” E este tabu ela não queria repassar. Queria poder falar abertamente com a filha, o que não conseguiu com os seus pais.E eis que chega o dia. A criança fazia as suas tarefas, quando perguntou:

- Mãe, o que é sexo?

Naquele momento a mãe corre ao quarto, volta carregada e expõe livros infantis sobre o tema, espalhando-os pela mesa. O olhar curioso da criança avança e logo a mãe se propõe a explanar. Ao final, faz algumas perguntas e a filha responde sem tanto envolvimento e interesse para frustração da mãe. Logo volta à sua tarefa e lança mais uma pergunta:

- Mãe, mas o que eu coloco aqui na ficha. Sexo F ou M?

Ou seja, era preciso contextualizar antes a pergunta da criança. Às vezes criamos tantas expectativas em algo e o planejamos tanto, que esquecemos de observar o mais importante. Quer uma dica que não falha às perguntas? Sonde o que a criança quer de fato perguntar. Busque entrar no mundo dela, que aliás é bem diferente do seu, pois cada um percebe o mundo à sua maneira de acordo com os recursos que tem. Deixe o diálogo fluir, deixe a criança se expressar. E busque ampliar sim o mundo dela, mas com cuidados. Afinal, são tantas possibilidades de assuntos e diálogos! Entre tantas, pode ser sobre o questionário, sobre a diferença de sexo e gênero, dar até esta aula sobre sexo se a conversa assim fluir. Mas é bom que os assuntos partam da necessidade da criança e não da nossa.

Que tal assim?
- Mãe, o que é sexo?
- Onde está aparecendo a palavra, Filha? Deixe-me ver com você. 
E assim contextualizando, e em diálogo, você pode melhor ajudar seu filho(a) a compreender a si e o mundo ao seu redor.


17 de abr. de 2019

218. DICA PARA A PÁSCOA

A criança pequena, graças ao sistema nervoso em desenvolvimento, mistura realidade e fantasia. E é uma delícia bem aproveitar esta fase. Costumava fazer uma atividade com as minhas filhas e era uma festa. Na noite anterior ao domingo de páscoa, colocávamos no chão da cozinha um pratinho com água e uma cenoura. Pela manhã, se a cenoura estivesse mordida e a água mexida era sinal de que o coelhinho havia passado e escondido os ovos. Antes de dormir, eu mordia a cenoura e derramava a água pelo chão. E no domingo pela manhã, eu acordava com os gritos: “O coelhinho passou! O coelhinho passou!” E saiam as duas atrás dos ovos escondidos com seus olhos brilhantes de felicidade. Ai como era bom! Aproveite, pois num instante o cérebro amadurece e estas fantasias serão transformadas em outras. Feliz Páscoa!

9 de abr. de 2019

217. APRENDER USANDO TODOS OS SENTIDOS FAZ TODA A DIFERENÇA.



Aprender usando todos so sentidos faz toda a diferença. Por que? Porque a aprendizagem, entre tantas outras, é MULTISSENSORIAL. Note que colocamos o mundo externo para dentro de nós através dos sentidos. E cada um deles, seja a visão, a audição, o tato, o paladar, a audição, nos possibilita aprender. Cada sentido possue uma área específica no cérebro, que será ativada quando requisitada. Quando a criança aprende pelo tablet o que é um coelho, ou seja o que for, especialmente a área da visão será ativada. Quando aprende ao vivo e a cores, as áreas de todos os sentidos serão ativadas e isto fará toda a diferença para que a informação possa ser processada  e aprendida de forma mais complexa e duradoura. Assim, ativar o cérebro como um todo, além de promover mais desenvolvimentos e maior plasticidade cerebral, possibilita à criança uma aprendizagem mais fortalecida, mais organizada e mais fácil de ser lembrada. Além é claro de ser bem mais prazeroso e significativo, fatores essenciais para realmente aprender, gostar de aprender e se desenvolver. Isto vale também para nós adultos. Fica a dica.

27 de jun. de 2018

216. AS EMOÇÕES DOS PAIS MUITO DIRÃO DAS EMOÇÕES DOS FILHOS.

Se você não leu a postagem anterior, sugiro que a leia, pois fundamenta a emoção e o sentimento, que servirão de base para o melhor aproveitamento desta postagem.

Por que as emoções dos pais dizem das emoções dos filhos?
Photo by Nathan Shively on Unsplash
Porque os filhos sem maturidade suficiente para gerir as emoções, imitarão seus pais. E esta experiência será registrada em suas memórias e servirá de base para futuras experiências semelhantes.Vamos a um exemplo: Cada vez que o pai da criança interpreta como injusta a ação do árbitro, ele bufa, gesticula, berra com a TV o xingando. O que acontece? A ação do árbitro entra sem “colorido” no cérebro do pai através dos seus sentidos. É codificada e interpretada pela emoção a partir de suas memórias emocionais registradas em experiências anteriores. Neste caso, esta interpretação ativa nele a emoção da raiva, e a informação contaminada e colorida pela raiva será então racionalizada. Esta, por sua vez, mostra neste caso que, mal analisada e gerida, transforma aquela ebulição causada pela emoção em sentimento de injustiça, irritação e de revolta com um comportamento explosivo. E a criança aprenderá com esta experiência, e quando achar que um árbitro foi injusto, ou o professor, ou futuramente o seu chefe, terá como forte influência estas memórias guardadas. Quando dizemos, “ele puxou o pai, pois é explosivo como ele” estamos de fato dizendo que o pai, sem se dar conta, ensinou o seu filho a ser explosivo.  Assim como ensinamos tantas coisas sem nos darmos conta. Cuidemos das nossas emoções, pois assim estaremos também cuidando das emoções dos nossos filhos. Boas emoções! Vamos lá Brasil!

24 de jun. de 2018

215. A COPA DO MUNDO NO MUNDO DAS EMOÇÕES.

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Os jogos da copa afloram e potencializam em nós muitas emoções e sentimentos, o que facilita com que tomemos mais consciência deles para melhor SENTIR, NOMEAR, PENSAR, GERIR e bem AGIR. E o melhor modo de educar as emoções é conhecendo mais deste mundo, que por séculos foi tão preterido em prol da razão. Todavia, pesquisas, em especial das neurociências, revelam o oposto: a emoção precede a razão e interfere fortemente em nossos processos perceptivos, emocionais, cognitivos e comportamentais. Quando um jogador erra um pênalti, sabemos que não foi por falta de treino. Mas, na maioria, a emoção mal gerida contaminou os demais processos impedindo o gol. Assim como, quando metemos os pés pelas mãos, ou agimos sem pensar e nos damos mal. Sim, isto é má gestão das emoções, isto é, quando não as usamos a nosso favor. Importante diferenciar emoção de sentimento para que aprendamos a agir sobre eles com maior eficiência, assim como ensinar aos filhos para que desde a primeira infância consigam identificar as suas emoções e a cuidar delas. As EMOÇÕES são o que nos move, o que dá vida à vida e são manifestadas por reações fisiológicas, como sudorese, taquicardia, aumento das pupilas, entre outros. O SENTIMENTO é a racionalização deste movimento no corpo que a emoção causou. E ambos irão se pautar em experiências anteriores registradas na memória. Observe que todo estímulo que provém do meio não vem carregado de emoção, mas somos nós, cada um de nós, que interpretamos e damos um “colorido” ao que entra a partir das nossas memórias emocionais construídas em experiências anteriores. Por isso, uma barata pode parecer um dinossauro para um, enquanto que para outro ela é apenas um inseto. Alerta! As memórias da infância são muito poderosas e importantes e muitas delas acabam servindo de base interpretativa às novas situações até quando já adultos. Cuide das do seu filho. Assim, os estímulos que entram em nossos cérebros passam pelo centro das emoções, são interpretados a partir de memórias registradas gerando um colorido e um movimento à informação e preparando o corpo para uma ação baseada nesta análise. Todavia, antes de agirmos primitivamente, temos a chance de interpretar todo este movimento de modo racional, lembrando que a informação já foi contaminada pela emoção. Mais um motivo para ficarmos alertas às memórias emocionais das crianças. A racionalização da emoção acontece em nossa área cortical mais nobre: pré-frontal, onde se processam as funções executivas, a gestão das emoções, a moral, o certo e o errado, o justo e o injusto, o bom e o mal entre tantas outras funções essenciais à nossa sobrevivência e ao nosso progresso, além de serem muito requisitadas ao assistirmos aos jogos da copa. Afinal, haja coração! Ou melhor, haja sistema límbico e pré-frontal! Atente-se, pois o pré-frontal começa a se desenvolver entre 3 e 4 anos e precisará muito aprender para isso. Logo, precisará ser ensinado. E, conscientes ou não, a nossa interferência dirá muito deste desenvolvimento e nosso comportamento também. Pois, a criança, com seu sistema nervoso ainda imaturo e suas poucas experiências de aprendizagens, tem dificuldades para lidar com as emoções e com todas as novidades à sua volta. Então, utiliza-se de um grande recurso para aprender: a imitação, que acelera (ou retarda) processos.  E esta aprendizagem, cognitiva, psicomotora, emocional, servirá de base a outras novas aprendizagens como vimos. Por isso, é bom cuidarmos de nossos comportamentos, pois eles dizem de como usamos a razão em benefício da emoção (ou não). E nossos filhos nos imitarão. Assim, fique de olho na copa do mundo sem perder o foco também no mundo das emoções. Afinal, sabemos bem: em jogo do Brasil, haja emoção!
Vamos lá, Brasil!
No próximo post, trarei um exemplo bem prático para que fique ainda mais claro o poder das emoções e o quanto as emoções dos pais dirão das emoções dos filhos. Inscreva-se e receba por email. Até a próxima!