7 de jul. de 2014

106. EDUCAÇÃO PELO MUNDO III: Algumas curiosidades da educação russa.

Visitamos várias escolas, na maioria públicas, tanto em Moscou quanto em São Petersburgo. Apenas 1 % das crianças estudam em escolas particulares. O ensino pode ser presencial, semipresencial (muito usado por atletas) ou por correspondência (em geral, opção de pais mais progressistas.) Cada escola visitada tinha suas especificidades, mas falemos do geral.
Logo na entrada, via-se vários sapatos pelo chão, pois não se entra na escola com os sapatos vindos da rua, nem na Russia, nem na Finlândia. Nem no verão. 

Chamou-me a atenção, o entusiasmo dos professores e diretores, a vontade de investir em qualidade de ensino e a quantidade de docentes para cada aluno. Em média eram 2,5 alunos por professor. Era frequente ver professores dedicando-se a um único aluno, àqueles com maior dificuldade. 

Vi muitos docentes idosos e era difícil a entrada dos mais jovens. Todavia, há uma mudança na valorização da profissão e as reformas educacionais estão fervilhando. Creio que haverá mudanças neste cenário.

Nos corredores silenciosos e limpos, via-se movimentação organizada, alunos formalmente vestidos e bem comportados.

Há um documento de direitos e deveres dos alunos que constam ainda das regras comportamentais, ditadas sem a participação dos mesmos. Apesar do autoritarismo ainda empregnado, era visível a busca por um ensino e relações mais democráticas. Uma das escolas reforçava o lema: “Valorize a tradição, porém siga em frente!” 

Ao perguntar sobre bulling e desavenças entre os alunos, uma das diretoras responde que hoje as crianças brigam menos, pois estão ocupadas em seus jogos eletrônicos. Esta questão dá pano para mangas!


Era visível, pelas paredes das escolas, a valorização que davam aos seus poetas, cientistas, escritores e o quão priorizam a arte de uma forma geral e incentivam o aluno a tal. 

As escolas respiravam arte, assim como as ruas, repletas de importantes museus, monumentos e belíssimas construções históricas. Sim, a cultura diz de seu povo! 
Catedral de São Basilio- Moscou
Museu Hermitage- São Petersburgo
Palácio de Catarina- São Petersburgo
Pelas salas, via-se aulas de música, desenho, pintura, fotografia, cinema, cerâmica e diversos estúdios. E há muitas apresentações para que os alunos desenvolvam e mostrem os seus talentos, também nos esportes.

Segundo eles, não com o objetivo de que se tornassem estrelas, mas para que tais habilidades pudessem beneficiá-los nas profissões escolhidas. Brilhante pensamento! E no que seria o nosso Ensino Médio, os alunos podem escolher as disciplinas que vão de encontro com a profissão almejada, aumentando seus interesses e melhores condições de êxito no futuro. Vale a reflexão.

Ao perguntar a um grupo de alunos quais as características do bom professor, eles disseram: ele deve gostar dos alunos, ser objetivo, ter boa comunicação, ter a mente aberta, métodos para captar a atenção dos alunos, não ser nem soberbo nem tão brincalhão. Belo recado.
Para concluir, diria que os russos estão atentos e apressados na adaptação dos novos tempos. Tema da próxima postagem. Até lá.

11 de jun. de 2014

105. EDUCAÇÃO PELO MUNDO II: Tá Russo!


A Rússia lembra o Brasil em certos aspectos. É grande na geografia, na população e nas carências. Talvez a maior delas seja a real liberdade. Afinal, a história de um povo deixa nele muitas marcas, inclusive em seus governantes, apesar das mudanças. As lindas estações de metro de Moscou, luxuosas e repletas de obras de artes com referencias históricas e politicas do país, tinham como meta serem símbolos de que o comunismo seria o futuro. Mas o McDonald‘s venceu! E o comportamento capitalista mostra-se no prestígio de quem tem carros e roupas importadas. Também o padrão chega as escolas, repletas de Macintoshes e outros equipamentos importados. E, quem tem mais aluno, recebe maior financiamento do governo. Assim, a concorrência é acirrada e requer novas aprendizagens em investimento, excelência, administração e marketing. Vê-se ainda nas escolas a marca do totalitarismo, mas as reformas educacionais prometem mudanças. A primeira delas é adequar a escola às pessoas e não o contrário como até então se cumpriu. Mas, sabemos que mudanças paradigmáticas são lentas, pois a cultura já incorporada nos seres dificulta a percepção das reais transformações necessárias. Vamos aguardar. Todavia, notei nos seminários e nas instituições educacionais um misto de teorias  fundamentando a filosofia e a prática pedagógica, não apregoando uma forte identidade. Porém, são pressupostos interessantes, que podem dar uma colcha de retalhos ou um mágico caleidoscópio. Falaremos mais disso na próxima postagem.

A tradição
A inovação
O respeito. Alunos levantam-se ao entrarmos na sala.


7 de jun. de 2014

104. EDUCAÇÃO PELO MUNDO I: Primeiras Impressões


Tulipas
Estive no mes de Maio em pesquisa educacional na Finlândia e Rússia juntamente com uma delegação de educadores. Nosso país é campeão nas últmas colocações do ‘Programa Internacional de Avaliação de Estudantes‘ e por isso fomos conhecer de perto, e aprender, o que os países com bons resultados fazem. No ano passado, fomos a China uma das mais bem colocadas no ranking. Veja as postagens de número 70 a 76. Agora, nos próximos posts tratarei do que percebi e aprendi nas visitas em escolas e universidades, e na participação em seminários sobre o sistema educacional destes países, e as consequências desta educação na vida dos alunos e da própria sociedade. Primeira parada: Rússia.
Moscou e São Petersburgo, as cidades visitadas, são magníficas nos monumentos arquitetônicos mostrando riqueza, história e arte. E o seu povo, produto da educação que recebe, mostrou-se bem educado, amável, discreto e disciplinado. Vê-se pouquíssima obesidade, um povo bem arrumado, inclusive os alunos. Fiquei a pensar se uma vestimenta interfere na organização escolar. Mas vê-se também depressão, prostituição e problemas de alcoolismo. O clima afeta sim as histórias de vida. Impressionou-me ainda os jardins e a limpeza, especialmente em Moscou. Não vi um papel no chão por onde andei, e notei pouquíssimas lixeiras. E em meio ao trânsito intenso, via-se lindos canteiros de tulipas e muitas macieras floridas. Eu que já desenhei tantas macieiras na escola, dei-me conta de nunca havia visto uma. Mas nem tudo são flores apesar da primavera. Aguardem a próxima parada.

Arquitetura - Igreja de São Basilio
Limpeza do Metrô-Museu
As Macieiras em flor
A elegância das crianças
                                              

12 de mai. de 2014

103. ALIMENTAR-SE É PRECISO. VIVER TAMBÉM.

Em algumas horas saio para realizar uma pesquisa educacional na Russia, Finlândia e Croácia com um grupo de educadores de todo o Brasil. Vamos em busca de melhores recursos, de concepções, percepções e ações que tem dado certo por lá, para então podermos ampliar nosso olhar por aqui e buscar fazer a diferença. Conhecer outras culturas e outros modos de fazer, além de ampliar nossos mundos, faz com que também possamos nos perceber melhor. Esta é, ao menos, a minha ideia. Assim, o blog ficará um mes sem postagens, mas há várias antigas que você pode aproveitar. Agora lá vou eu alimentar-me. Voltarei com novidades. Até breve.
Grande abraço

10 de mai. de 2014

102. MATERNIDADE: QUE EXPERIÊNCIA!


Quando engravidei tive clara sensação. Nunca mais seria Lígia, mas Lígia acrescida. Foi a transformação mais importante da minha vida além da minha própria vida. A maternidade me centralizou, mudou minha visão de homem e de mundo, e de mim mesma. Mudou meu corpo, minha alma, transformou o meu ser. Ensinou-me a doar, a me entregar, a perceber os instintos em mim. Despertou nova força, uma garra desconhecida, a amar sem medo, sem fronteira e sem medida. Mudou o meu tempo, meu sono, sonhos, preocupações. Mexeu na minha agenda, nas prioridades, nos interesses e até em verdades, valores e princípios. Quanta coisa mudou em mim, e garanto, para melhor. 
Claro que nem tudo são flores, quem é mãe há de concordar. Assusta o tamanho da responsabilidade, as dúvidas e receios de não acertar. Não é fácil educar, ter que se desdobrar, potencializar o tempo, sentir-se esgotada e ter que ter prá dar mesmo quando não se tem. Também enlouqueci, gritei, chorei, zanguei, quis sumir, parar o mundo e descer. Mas não dá, e ainda bem. Pois entre perdas e ganhos, quem arriscaria abrir mão de ser mãe? Eu não. A maternidade me fez mulher, fêmea, guerreira. Deu-me novo sentido de vida, de completude, me fez inteira. Meu mundo ampliou, ganhou magia, cor, vida, energia. Tornei-me maior, melhor, mais feliz. Que experiência! Que maravilha! Quão agradecida sou de ser Lígia acrescida, de ser mãe além de mim, de ser mãe de Gabi e Camila. Começaria tudo outra vez se preciso fosse. 
FELIZ DIA DAS MÃES!

9 de mai. de 2014

101. EU VEJO QUE APRENDI O QUANTO ENSINEI


Tive uma experiência muito interessante nesta semana. Fui convidada a falar para pais de escolas do SESI do Distrito Federal. Duas palestras em cidades diferentes: Taguatinga e Gama. Algo chamou minha atenção: as crianças. Alguns pais as levaram, e então fiz certa adaptação para que elas também se interessassem. E foram fantásticas! Apesar de já ser tarde da noite,  elas deixaram seus pais ouvirem. Houve ali certo encanto, daqueles que a gente não explica.
O tema constava em como as crianças aprendem e como os pais podem ajudar nesta aprendizagem para gerar desenvolvimentos. Um dos tópicos dizia que para ajudar o cérebro a aprender era preciso que a informação dada tivesse algum significado emocional ou estivesse relacionado a alguma coisa que a criança já conhecia. No meu caso, eu teria que usar esta estratégia para que os pais aprendessem o que eu dizia. Conforme fui falando pude notar que eles foram colocando os filhos no colo e os abraçando calorosamente. Era a constatação de que a teoria estava mesmo certa. O que faz sentir, faz sentido. E como não fazer sentido o que eu dizia, quando se tem no colo o calor do filho? Ao final, várias crianças vieram falar comigo, me abraçar, beijar, agradecer. Um deles, com cerca de 7 anos, estendeu o braço e na ponta dos pés quis alcançar minhas mãos. Eu estava lá no palco e ele lá embaixo. Peguei a sua mão e ele disse com seriedade: “Gostei muito da sua palestra!” Pulei do palco com uma felicidade imensa e o abracei. Sim, se faz sentir faz sentido!

25 de abr. de 2014

100. 100 POSTS


100sibilizada pela aluna Lucinalva dei início a este blog.
100sitiva Gabi, minha filha, ajudou-me a caminhar.
100telhas de luz ampliaram o olhar
100entes romperam em mim
100sores ativaram-se 100das de difícil caminhar.
100ti, 100sibilizei-me, 100eei o que podia.
100tenciei 100 medo e sem 100sura o que queria.
100timentos vieram à tona
100sações relatadas a luz do dia
100trípeta e 100trifugamente
100ti claro o inacabamento em mim
100ário magistral para educar-se ao educar.
100sacional compartilhar ganhei
100elhança em querer acertar
100blante de contentamento
100sação de olhar contente
100tir quando faz 100tido a educação melhorar.
100sibilizada agradeço a cada leitor do Brasil, Estados Unidos, Rússia, Portugal, Ucrânia, Colômbia, Espanha, Angola, Reino Unido, Peru, China, Alemanha, Belarus, França, Japão, Bélgica, Romênia, Itália, Suiça, Canadá, Cabo Verde, Holanda, México, Malásia, Uruguai, Áustria, Índia, Bolívia, Polônia, Indonésia, Austrália e Irlanda que por aqui deixaram sua marca.
100piterno desejo de continuar
100tuplicar com 100satez (ou não) a maravilha de FILHOsofar.

Ps: Em Maio estarei na Russia e Finlândia para pesquisa educacional. Email me para quiçá nos encontrarmos.

13 de abr. de 2014

99. EDUCAÇÃO FINANCEIRA: QUANDO COMEÇAR?



Aos cinco anos uma de minhas filhas pediu-me R$ 1,00 para pagar um picolé que havia comprado fiado na escola. Era uma das únicas crianças que não tinha conta na cantina, pois não creio ser educativo. É preciso visualizar o dinheiro, manipulá-lo, perceber o quanto custa cada coisa, conferir o troco, fazer escolhas dentro das possibilidades, entre outros. E isto uma conta não dá conta.
Primeiramente, elogiei-a pela responsabilidade em pagar o picolé e cumprir a sua palavra. Todavia, sou do tipo que desassossega com qualquer dívida e não uso o dinheiro que ainda está por vir. ‘Não gastar o que não se tem’ era um princípio que se fazia necessário desenvolver. Pois, naquele momento tratava-se de um real, mas e depois? Assim, neguei a ela o valor, conversamos sobre isso e juntas fomos em busca de soluções. Depois de várias alternativas, decidiu fazer e vender biscoitos pelo prédio. Claro que era bem mais fácil e econômico dar-lhe um real, mas não a educaria financeiramente. Juntas compramos os ingredientes, fizemos os biscoitos, ela colocou em saquinhos e foi de porta em porta vende-los. Aprendeu ainda que era preciso investir antes de vender, que não é fácil ganhar, descobriu a existência do lucro e conseguiu além do valor necessário, podendo sem preocupação comprar outros picolés, bem como poupar. Educar não é caminho fácil e rápido, pois qualquer aprendizagem é processual. Ainda hoje, aos 17 anos, é necessário fazer pequenos ajustes.
Sugiro que comece o quanto antes a educar financeiramente o seu filho e evite assutadoras surpresas como as que vemos por aí.

4 de abr. de 2014

98. AJUDE O SEU FILHO A AMPLIAR MUNDOS.



Nem tudo o que está a nossa frente conseguimos perceber. Isso vale para os pais, os filhos, para todos. Para que uma informação do mundo externo (realidade) penetre em nosso mundo interno (cérebro) e possa ter a chance de ser processada é preciso primeiramente intenção e atenção para com aquele estímulo. Caso contrário, passa desapercebido. Mas o que nos chama a atenção? Aquilo que nos interessa, que nos motiva, faz sentido, faz sentir, é significativo. Ou seja, aquilo que de certa forma já é conhecido e/ou sentido por nós. Quantas coisas nem notamos e estão bem abaixo de nosso nariz! Mas, aquilo que não percebemos (ou os nossos filhos), pode vir a ser notado e ser bem interessante de se notar. Basta alguém ou algo nos ajudar a “ver”. Bingo! Que coisa importante! Percepção também se ensina e aprende. Mas como?
Darei um exemplo prático, e o farei com você, enquanto dou algumas dicas importantes para quando for apresentar algo novo ao seu filho. Vou usar a música que gostava de ninar minhas filhas, e que um dia revelou-me grata surpresa, ampliando minha percepção e meus mundos. Vamos lá: “Minha canção”, de Chico Buarque do musical “Os Saltimbancos”.
Siga a leitura passo a passo e observe o que acontece com a sua percepção em relação a música. Não tenha pressa, desfrute cada passo e se deixe encantar.

1. Vamos iniciar pela música. Clique, escute-a, sinta-a... só isso.


2. Escute-a de novo, desta vez prestando atenção à canção e aos seus mistérios. 

3. Leia agora a letra, ampliando ainda mais a sua percepção para a música, buscando compreendê-la.
(É excelente diversificar os sentidos e processos na apresentação de algo novo. Iniciamos pela audição, envolvendo sensações, lembranças, emoções. Agora vamos percebê-la pela visão, enfatizando a razão na análise da letra.) 


4. Percebeu algum mistério na letra e na música? Verifique-a atentamente.
(Observe que agora estou tentando atiçar a sua curiosidade, para ajudar com que você tenha intenção e atenção para perceber.)

5. Não? Vou dar uma dica. Observe que a música sobe e desce na escala musical. Se puder escute-a de novo.
(Note que provoco um desafio, dando uma dica. O cérebro gosta de desafios.)

6. Des-vendou? 


O gênio Chico Buarque brincou em poesia, e nos brindou com este encantamento, não foi? Que delicia de canção! E quantas maravilhas há ainda a serem desvendadas por nós e pelos nossos filhos. Atice o seu filho a querer aprender sempre e a se manter curioso. Chame lhe a atenção para o novo de um modo significativo. Ensine-o a “ver”. Instigue-o a ampliar o seu mundo externo e interno. E os mundos se ampliarão maravilhosamente. Afinal, somos do tamanho do que vemos e não da nossa estatura.