Temos uma mania irreparável de achar que as outras pessoas percebem o
mundo, os outros e a si mesmo, do mesmo modo que nós. Não é de se estranhar os
tantos problemas de relações que presenciamos. Nietzsche dizia que tudo é
interpretação. E é vero. Pois, o que cada um percebe, sente, constrói, fala,
pensa, age, o faz de acordo com o que já possui dentro de si. Interagimos com o
mundo e com os outros a partir do que somos e não da maneira como se apresentam
a nós. Perceber isso é fundamental para compreender e ajudar no progresso do
seu filho. Certa vez, alfabetizei uma empregada pelos livros de receita, sua
grande paixão. Mas, os bolos eram pesados e indigestos. Alguma coisa não havia
aprendido bem. Após uma breve investigação para encontrar o erro tive um
insight: Perguntei-lhe o que significava ¾ de xícara. Sem pestanejar ela disse:
3 ou 4 xícaras. Senti como se eu tivesse conseguido adentrar em sua cabeça e
detectado o que precisaria ser resignificado. Na aula seguinte estudamos
frações. No caso dos filhos é a mesma coisa. Vale observar, perguntar e buscar
perceber como ele está construindo a realidade, os outros e a si mesmo para
ajudá-lo a fazer os ajustes necessários. Mas é preciso atenção, pois há coisas
que já estão tão incorporadas em nós que nem notamos que há a possibilidade de
se perceber de modo diferente. Uma criança pequena ouviu a mãe dizer que faria
uma plástica, pois sua mama estava caída. A criança assustada logo perguntou:
“Caiu e você colocou de volta?”
Oriento FAMÍLIAS, seus FILHOS e formo PROFESSORES. Este BLOG traz conhecimentos experimentados na minha prática com reflexões e dicas para quem ENSINA e APRENDE. Contato: email: prof.ligiapacheco@gmail.com Instagran: @ligiapa
22 de nov. de 2012
4 de out. de 2012
57- CUIDADO PAI, MÃE, ESCOLA!
Vamos a um único exemplo, mas há vários por aí. Uma mãe procurou-me aflita.
A professora dizia que seu filho tinha déficit de atenção. Rapidamente percebi que
o problema do menino era o desinteresse, isto sim. Como formadora de
professores entendo bem o desencanto das crianças pela aprendizagem. Dá
trabalho encantar e nem todos sabem ou estão dispostos. Mas vejam: Os pais têm
um restaurante. O menino, com apenas dez anos, serve as mesas em busca da diária
e das gorjetas quando quer comprar algo. Administra o que ganha até conseguir o
que quer. No salão, passa de mesa em mesa, com muita atenção e cuidado e conhece
bem a clientela. Chama-os pelo nome, sabe a marca da cerveja de cada um, o
ponto em que deve servir a carne. Déficit de atenção? Eu vejo sim um
empreendedor que desenvolve habilidades e competências com atenção, dedicação e
determinação. Parabéns Garoto! Sugiro que sua professora faça com urgência uma
avalição. Parece-me que ela sim está com déficit de atenção.
20 de set. de 2012
56- TAREFA DE CASA: COMO AJUDAR?
Primeiramente, para que serve a tarefa de casa? Serve para reforçar,
fortalecer ou ampliar a aprendizagem, ou preparar a criança ao novo
conhecimento. Por isso, deve estar relacionada aos conteúdos que ela está
aprendendo. Porém, muitas escolas insistem em passar a tarefa aos pais, pois
estão além da capacidade da criança, ou passam atividades soltas, chatas e/ou
improdutivas. Fique atento. Todavia, hoje temos conhecimentos, como os das
neurociências, que nos ajudam a compreender como o cérebro aprende, dando-nos
dicas para ir a favor do seu funcionamento. Muitas escolas estão de olho nisso,
e colaboram para que o conhecimento possa fazer diferença na vida do seu filho,
possibilitando-o a compreensão e a transformação do mundo e de si mesmo. Colabore
você também. Como?
1- Reflita a maneira como você percebe a tarefa. Em geral, os pais
tiveram muitas experiências negativas e tendem, sem notar, a reproduzí-las nos
filhos. Não o contamine com o seu olhar.
2- Ajude-o a transformar o dever de casa em prazer de casa. Para isso,
a tarefa precisa fazer sentido, seu filho precisa identificar o que aprende no
cotidiano, ela deve ser desafiadora e requer um ambiente favorável e com
diversos recursos de pesquisa.
3- Não faça a tarefa do seu filho, nem crie o hábito de ficar ao seu
lado. Ensine-o que esta responsabilidade é dele, crie uma rotina de estudo, e o
ajude a ganhar autonomia para fazê-la por si só.
Aos poucos vamos dando mais dicas, explorando e clareando melhor cada
ponto levantado. Acompanhe. Tenha um bom dia.
Veja ainda minha coluna na Revista Pais & Filhos.
Ligia Pacheco - Pais & Filhos
6 de ago. de 2012
55- PROBLEMAS NA VOLTA ÀS AULAS: DICAS QUE AJUDAM.
Muitas crianças, mesmo já adaptadas à escola, depois que voltam das
férias parecem terem voltado à estaca zero. Choram, fazem drama, birra, berram,
não querem ir à escola. Sim, uma nova adaptação se faz necessária. Mas o fato é
que a criança é muito adaptável e rapidamente ela ficará bem. Já os pais, ficam
mais ansiosos e acabam sem perceber gerando uma insegurança no filho e
atrapalhando esse recomeço. O que fazer?
- Não deixe de levar seu filho à escola por pena. Se assim fizer será
bem pior.
- Procure relaxar, ter e mostrar segurança.
- Na porta da escola dê um beijo em seu filho, abrace-o com
tranquilidade, buscando harmonizar a sua respiração com a dele.
- Não justifique ou fale em demasia.
- Deixe-o entrar.
- Procure sair tranquila e não olhe para trás. Acredite, logo que você
desaparecer da vista do seu filho, ele irá se divertir e aproveitar as
atividades escolares como qualquer criança.
- Aproveite e faça o mesmo. Faça o que tem que fazer, sem culpa. Se
você ficar bem, será mais fácil para o seu filho também assim ficar.
Pais e Filhos, Feliz volta às aulas!
ps: A partir de agora, este blog tem uma parceira com a Limetree.
21 de jun. de 2012
54- FÉRIAS: APROVEITE PARA MELHORAR A RELAÇÃO ENTRE PAIS E FILHOS
As férias estão aí, e em muitos lugares o frio também. O que fazer com
os filhos? Como aproveitar o tempo com eles sem enlouquecer?
Postei algumas ideias de atividades na minha coluna semanal da Revista
Pais & Filhos. Além de desenvolverem várias habilidades e competências que
são essenciais ao desenvolvimento do seu filho, elas servem para que vocês
tenham momentos deliciosos juntos. Afinal, brincar também é coisa séria.
Infelizmente, tenho ouvido muitas crianças dizerem que não gostam de brincar. E
então eu penso: Não gostam ou não sabem? Vamos lá, retome a infância e ajude o
seu filho a viver a dele. Não a deixe passar, pois ser criança é a base do ser.
Propicie momentos para que o seu filho a viva intensamente. E verás, o quão
delicioso é poder estar pertinho dele.
Boas férias! Boas brincadeiras! Boa infância!
Veja o link:
31 de mai. de 2012
53- TRUQUES PARA FAZER SEU FILHO DORMIR
Seria mesmo bem mais fácil se uma criança nascesse com um manual de instrução. Para fazer dormir então, nossa, levante a mão quem não queria um fórmula mágica! Mas, se manuais existissem, com certeza seríamos menos criativos.
Tenho um amigo que, quando criança, tinha como tarefa ser responsável pela irmã mais nova. Como também era criança e não tinha paciência, arrumou logo um jeito de fazer a irmã dormir. Colocava-a num bebê conforto virado para o sol. Os olhos da pequena não conseguiam ficar abertos por mais que tentasse. Rapidamente, a pequena dormia. Oh dó!
Eu cantava para as minhas filhas e alisava as sobrancelhas bem lentamente. Dica de tia. Mas, talvez dormissem para que eu parasse de cantar logo. Porém, olhando por aí, a gente vê cada estratégia interessante, engraçada e até umas que dá tontura só de ver. Outro dia vi uma mãe que sacodia tanto a criança, que fiquei com medo do cérebro do bebê sair voando.
Mas, e você, como se vira?
Assista ao vídeo abaixo, são menos de dois minutos. São 7 truques para fazer o bebê dormir. E, veja como a maternidade nos deixa criativas.
18 de mai. de 2012
52- ÓCULOS DA CRITICIDADE
Quando dava aula para crianças havia uma novela que os hipnotizava.
Ninguém conseguia terminar as tarefas, a concentração foi para o espaço e o
assunto da aula, por mais interessante que fosse, acabava no capítulo do dia
anterior. Os pais não sabiam mais o que fazer, pois não era um programa muito educativo.
Mas, proibir por proibir não gera resultados.
Percebi que as crianças estavam passivas ao programa, não refletiam,
nem digeriam nada, apenas, como esponjas, absorviam o que viam, ouviam e
facilmente reproduziam. Então, fizemos um exercício de reflexão e criticidade.
Imaginamos nos colocando óculos que ajudavam a ver para além do que aparece ou
aparenta. Exercitamos esse olhar e discutíamos o que víamos. Por dias fizemos
isso, até que passei nova atividade: Assistir o capítulo da novela com os
óculos da criticidade para discussão no dia seguinte. Eles mal podiam acreditar.
Novela como tarefa? Sim.
A novela passava-se numa escola, e naquele capítulo, um dos alunos havia
feito algo errado e conseguido com que a professora, bem camarada, o ajudasse a
esconder o fato dos pais.
Foi uma delícia vê-los discutindo valores, ética e construindo
conceitos para a vida. Aos poucos foram percebendo o que estava por trás de
cada programa e de tudo o que se passava ao redor. A novela acabou perdendo a
graça, mas os “óculos” permaneceram aumentando-lhes a percepção à vida.
Continuamos exercitando e fortalecendo o pensamento crítico para que suas
cabecinhas não fossem entregues, de bandeja, a quem quer que fosse.
imagem: blog.eotica.com.br
11 de mai. de 2012
51- DIA DAS MÃES, QUE DIA É ESSE?
Sabemos que esta data é uma jogada de marketing das boas, como tantas
outras datas “especiais”. Somos mães apenas no segundo domingo de Maio? Tudo
bem, alguém deve estar me contestando: Mas não é bom? Juntamos a família, os
filhos nos presenteiam, somos de certa forma mimada nesse dia. Basta ver a
loucura que ficam os restaurantes de qualquer cidade. Hum... Será que nos veem
como cozinheiras em dia de folga? E as propagandas? Tudo o que diz “do lar” é massacrado aos
consumidores como excelentes presentes. Alto lá! É dia das mães!
O que tem sido ser mãe para a nossa sociedade e para cada uma de nós? Tem
o consumismo nos ditado o que fazer e o que ser? E, no dia seguinte, o que será
ser mãe?
Nunca vi definição de mãe que conseguisse dar conta do que
realmente somos. Chego até a conclusão que não é possível definirmos. Que amor
é esse que sentimos? Que capacidade de doação é essa que nos abraça? Que força
é essa que nos impulsiona? Somos tudo em um único ser. Sem diploma conseguimos ser
médica, enfermeira, nutricionista, contadora, administradora, psicóloga,
pedagoga, advogada, dançarina, marqueteira, motorista, conselheira. Quem há de
negar que somos tudo isso e muito mais? Transformaram-nos em um dia?
Mães, façamos
valer todos os nossos dias e que eles sejam diariamente comemorados. Valorizemo-nos
para sermos valorizadas. Felizes DIAS das mães!
26 de abr. de 2012
50- ONDE NOS LEVARÁ ESTE CONSUMISMO?
“Adolescente troca rim por iPad e iPhone” dizia a manchete estampada
em negrito pela CNN Wire Satff. (Título original: 5 charged in Chinese kidney
scheme, state media says. April, 7 2012). E o que dizia? Que um adolescente de
17 anos vendeu seu rim para comprar um iPad e um iPhone. Segundo a reportagem,
eram cinco pessoas envolvidas no esquema, incluindo um cirurgião, que
encontravam doadores em salas de bate papo da internet. Removeram o órgão do
menino, que agora está com insuficiência renal e em estado de deterioração. O
cirurgião recebeu pela operação cerca de 35 mil dólares, enquanto o rapaz
recebeu US$ 3,5 mil pelo órgão retirado. Sua mãe soube do esquema, ao
investigar de onde havia aparecido o dinheiro para a compra dos eletrônicos.
Tarde demais!
Esta chocante reportagem faz-me pensar em algumas questões:
1- Até onde nos levará esse desenfreado consumismo?
2- Até quando iremos valorizar mais o ter do que o ser?
3- Onde foi parar a nossa condição humana?
4- Que cuidados devemos ter com os nossos filhos?
Uma única resposta me vem a mente: educá-los. Mostrar o valor que eles
tem como seres humanos, ajudando-os a perceber e a enfrentar este consumismo
que encanta, mas que nos transforma em produtos e nos desumaniza. Ensinar-lhes
a andar na contra-mão da sociedade e a fazer diferença pelo que são e não pelo
o que têm. Ensinar-lhes a ter criticidade e a se protegerem em prol da vida. Voltemos
a valorizar o humano do ser.
20 de abr. de 2012
49- PROTEJA SEU FILHO DO MUNDO REAL.
Percebo muitos pais assumindo ou protegendo o comportamento e a responsabilidade dos filhos. Isso não é educativo. Em reunião de Pais e Mestres, da Educação Infantil ao Ensino Médio , é muito comum percebermos pais aflitos com as atividades dos filhos. Anotam as tarefas, os conteúdos das provas, verificam com o professor cada passo dado pelos filhos. Estarão os pais protegendo-os do mundo real? Creio que não. Mas, alguém pode perguntar: “Mas se eu não faço isso, ele também não faz e será reprovado!” E eu rebato: “Como aprender a ter responsabilidade e autonomia se não se tem espaço para tal?” O ser humano tem uma tendência ao comodismo. Se os pais assumem a responsabilidade que é do filho, para que ele irá assumir? Além disso, se você não acredita na capacidade do seu filho, então é melhor parar e rever a maneira como está o educando, pois ele é sim capaz. Porém, só aprendemos a fazer fazendo. E a aprendizagem não se dá de forma passiva e automática. Pelo contrário, é um processo longo, que requer intenção, erros, acertos, esforço, reforço, motivação. E, por isso, ensinar requer paciência, persistência, vontade, criatividade, e principalmente, é preciso acreditar no aprendiz. Lembre-se: Seu filho precisa aprender a ter responsabilidade por seus atos, a assumir suas escolhas e a enfrentar as adversidades do dia a dia. Ensine-o e seja um bom exemplo. Isso sim irá protegê-lo do mundo real.
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