26 de abr de 2012

50- ONDE NOS LEVARÁ ESTE CONSUMISMO?


“Adolescente troca rim por iPad e iPhone” dizia a manchete estampada em negrito pela CNN Wire Satff. (Título original: 5 charged in Chinese kidney scheme, state media says. April, 7 2012). E o que dizia? Que um adolescente de 17 anos vendeu seu rim para comprar um iPad e um iPhone. Segundo a reportagem, eram cinco pessoas envolvidas no esquema, incluindo um cirurgião, que encontravam doadores em salas de bate papo da internet. Removeram o órgão do menino, que agora está com insuficiência renal e em estado de deterioração. O cirurgião recebeu pela operação cerca de 35 mil dólares, enquanto o rapaz recebeu US$ 3,5 mil pelo órgão retirado. Sua mãe soube do esquema, ao investigar de onde havia aparecido o dinheiro para a compra dos eletrônicos. Tarde demais!
Esta chocante reportagem faz-me pensar em algumas questões:
1- Até onde nos levará esse desenfreado consumismo?
2- Até quando iremos valorizar mais o ter do que o ser?
3- Onde foi parar a nossa condição humana?
4- Que cuidados devemos ter com os nossos filhos?
Uma única resposta me vem a mente: educá-los. Mostrar o valor que eles tem como seres humanos, ajudando-os a perceber e a enfrentar este consumismo que encanta, mas que nos transforma em produtos e nos desumaniza. Ensinar-lhes a andar na contra-mão da sociedade e a fazer diferença pelo que são e não pelo o que têm. Ensinar-lhes a ter criticidade e a se protegerem em prol da vida. Voltemos a valorizar o humano do ser.

14 comentários:

  1. Lígia, isso é trágico! E o pior é que sabemos que existem coisas ainda piores. Tem adolescentes que tiram a vida de outros adolescentes por causa de um tênis. O "ter" se juntou com o "a qualquer custo". Realmente a sociedade na qual vivemos sofre com a inversão de valores.

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    1. Paulo Flores, o que está por trás dessas ações, não é? Vai muito além de um rim ou de um tênis. Mas, continuemos a luta pela nova inversão desses valores. Um beijo grande

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    2. Oi, Lígia! Realmente vai muito além disso. Acredito que o vídeo sobre a "Crise do capitalismo" é uma boa reflexão sobre esse assunto.

      http://www.youtube.com/watch?v=5wts8rNbyfY&feature=related

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  2. Valdilene Gomes4/26/2012

    Olá Lígia!! Infelizmente vivemos em uma sociedade que está mergulhada nessa inversão de valores, onde o ter toma o lugar do ser,

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    1. Valdilene, Verdade. Mas, como disse Felipe, qual tem sido nossa contribuição para essa inversão? Façamos diferente para fazer a diferença. beijo grande

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  3. Talvez a pergunta mais difícil de fazer - e de responder - seja "qual a nossa contribuição cotidiana para que essa situação continue assim?". Mesmo que não percebamos como isso aconteceu, não faz sentido que esse mundo tenha surgido sem nossa ajuda. A sociedade não é uma entidade vaga e distante, mas uma coletividade que age e reage contando com a colaboração de todos nós. Podemos colaborar ativamente ou passivamente. Aliás, não existe passividade na dinâmica social. O silêncio e a inação também tem consequências.

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    1. Luiz Felipe Botelho, excelente pergunta, e que mexe lá no fundo. Qual tem sido a minha parcela nisso?, fico aqui a pensar.
      E, concordo, concordo, concordo. A sociedade somos nós. E, cada um de nós faz parte desse bolo, ainda que nos enganemos acusando-a, fazemos parte dela. beijos grandes, adorei.

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    2. Valeu, Lígia. Calhou de eu estar pensando muito nisso. E não por conta de algo tão brutal quanto esse assassinato. Coisas corriqueiras mesmo, como uma garota que vi no elevador, desmerecendo a amiguinha porque o celular dela era de um modelo que não era "da moda". Ou então uma vizinha, que prefere o shopping X ao shopping Y, porque no Y só vai "gente feia". E me dei conta de que eu mesmo também cai nessa esparrela. Já me surpreendi sentindo vergonha de dizer que gosto de usar prendedores de roupa para vedar embalagens com alimentos, só porque uma amiga disse que isso era "coisa de pobre". Que desvalor tão grande é esse que tem se ampliado em nós, a ponto de precisarmos nos cercar de determinadass exterioridades para nos sentirmos dignos e merecedores de respeito?

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    3. Só esclarecendo: usei o termo "assassinato" porque o que me chocou mais foi a naturalidade com que os adultos aceitaram a negociação e exploraram o garoto. Que nível tão baixo de auto-estima tem uma pessoa que não dá valor à vida do outro.
      Beijão pra ti e parabéns por manter este espaço e tocar em tantos temas cruciais.

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    4. Olá, Luiz Felipe Botelho! Acredito que você já conheça o vídeo História das coisas. Faz uma reflexão justamente sobre essa questão. Em todo caso, segue abaixo o link do vídeo, de uns 20min.
      Mas, também tem outro vídeo, Criança, a alma do negócio. Esse é um documentário de 50min, aproximadamente que fala sobre o poder que os meios de comunicação, especificamente a TV, exercem sobre as crianças. Também segue o link abaixo. Vale à pena ver os dois.

      História das coisas
      http://prioridadeeducacao.blogspot.com.br/2010/06/historia-das-coisas.html

      Criança, a alma do negócio
      http://prioridadeeducacao.blogspot.com.br/2012/03/as-criancas-e-ditadura-da-publicidade.html

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    5. Luiz Felipe, também me pego em várias contradições. Mas, o que me consola é que só podemos mudar aquilo que percebemos. Ficar de olho em nós mesmos é algo difícil, pois enxergamos mais do que gostaríamos. Mas, para mim, vale cada olhada e reorganizada de rumo.
      Ps: Cá entre nós, tem coisa mais prática e funcional do que usar pregador para fechar alimentos? rsrsr
      bj grande e que delícia é tê-lo aqui!

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    6. Paulo Flores, excelentes as suas indicações de videos. Valeu mesmo a pena ver cada um deles. Obrigada. Eles me lembraram a história do pescador.

      Certo dia, um grande empresário foi gozar de suas férias numa vila de pescadores.
      Ficou em uma aconchegante pousada e pediu à um pescador da região que o levasse para pescar.
      Peixe vem, conversa vai e o empresário ficou curioso sobre o pescador.
      Começou a questionar:

      (empresário) - Por que tu não montas uma cooperativa para juntar os pescadores?
      (pescador) - Pra quê?
      (empresário) -Assim, tu podes começar a exportar.
      (pescador) – Prá que?
      (empresário) –Para ganhar mais dinheiro.
      (pescador) - Mais dinheiro pra quê?
      (empresário) - Ora, as vendas vão aumentando, as exportações vão te deixar rico!!!
      (pescador) – Mas ficar rico para que?
      (empresário) - Elementar! Depois de muitos anos, chega um momento que você está tão rico, que não precisa mais trabalhar. Então você viaja para um lugar bonito como este, aluga um barco e pode pescar tranqüilamente sem preocupar-se com nada.
      (pescador) - Hum.. Mas isso eu já faço hoje!

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  4. Anônimo4/27/2012

    Me dói o coraçao ler uma notícia assim. Aqui em casa com a Giovana de 7 meses faço questao de ensiná-la a brincar com tudo (o que não é muito difícil nessa idade, né? rsrsr). Na sua caixa de brinquedos vc encontra uma garrafa pet, um pote de margarina, um cabo de televisao, um controle remoto, uma bolsinha minha, uma meia, livros e, claro, todo tipo de brinquedo. Meu irmao morre de rir e brinca que a gente é pobre e que ele vai mandar brinquedos de verdade pra ela. Mas a verdade é que aproveito que ela gosta dessas coisas e ensino a brincar com elas. OUtro dia eu comprei uma grande caixa de fraldas e coloquei ela dentro e saí puxando pela casa. Ela foi à loucura! Foi o melhor brinquedo dela até agora: a caixa de papelao! Quero que ela aprenda que nao é preciso TER pra se divertir nem ser valorizado. Mas é preciso SER criativo pra fazer de qualquer coisa um brinquedo interessante. Este é só o primeiro passo pra uma vida pautada no respeito ao ser humano. :)
    E parabéns mais uma vez Lígia! Quando eu crescer quero ser igual a vc ;)
    Bjo da Renatinha

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  5. Mas eu vou demorar a crescer!!! rsrsr Que graça você!
    Eu também construía muito brinquedo com as minhas meninas. Aprendi com minha avó que transformava macarrão em contas de bijuterias, sabugo de milho em boneca, caroço de manga em cachorro de pelúcia, batatas e palitos em animais e por aí seguia alimentando nossa imaginação e nos mostrando que tudo podia se transformar numa gostosa brincadeira. Que delícia era TER esse SER! beijos enormes

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