6 de abr. de 2016

178. 3 DICAS PARA MELHOR ENTENDER E AJUDAR O SEU FILHO.

1. Tudo o que aprendemos vamos representando na memória. Se digo “árvore” observe como o seu cérebro identifica a palavra, traz imagens e lhe possibilita a ter acesso a vários conhecimentos e lembranças sobre árvores que você construiu a partir da sua experiência. O mesmo ocorre com o seu filho, e por isso o que está representado em você, não está nele e nem em mais ninguém, pois cada um tem a sua experiência e o modo como representa e organiza na memória. 
2. Interagimos com o mundo a partir destas representações mentais que construímos. Logo, quanto mais conhecimentos bem representados, mais a criança poderá perceber do mundo, abrindo-se a novas possibilidades de aprendizagens e desenvolvimentos. 
3. De certa forma, só percebemos o que já conhecemos. Conto um episódio para ilustrar. Umas crianças de educação infantil aprendiam sobre os insetos. No intervalo, foram ao pátio brincar, mas logo voltaram à professora em alvoroço. Estavam surpresas como o estudo havia feito o pátio ficar repleto de insetos. Claro que sabemos que os insetos já estavam lá. O que aconteceu é que ao dar início a construção das representações sobre os insetos, a percepção das crianças mudou. E elas viram o que antes lhes era desapercebido. 
Então, como podemos ajudar? Lembrar que nossas representações são diferentes das da criança. Atentar-se as suas descobertas, as suas representações, não dizer qualquer bobagem, mas ajudá-las a conhecer, perceber e construir correta e organizadamente o mundo, os outros e a si mesmo.

30 de mar. de 2016

177. A LINGUAGEM MUDA O MUNDO INTERNO DA CRIANÇA.

A linguagem tem como função básica a comunicação entre os membros de uma mesma espécie. Na nossa, o choro é o primeiro ato de comunicação e logo vai ganhando novas formas. Mas há ainda uma função ligada ao pensamento. A linguagem possibilita a representação mental do mundo e é fundamental para a construção, estruturação e organização do pensamento. Ao nomear algo ou alguém, como “mamãe, cadeira, cachorro”, a criança está realizando um ato de classificação. Ao dizer “cadeira” ela está a colocando numa classe de objetos do mundo, na categoria cadeira, o que também implica saber distinguir esta categoria de todas as outras. E assim a criança vai representando o mundo, dando-lhe lógica e o organizando de forma simbólica, isto é, colocando o mundo para dentro de si e pensando sobre ele. Isto gera uma mudança cerebral incrível e a criança começa a desenvolver a cognição rapidamente. Se estimúlo o meu filho a falar “au au” para todo e qualquer animal, o seu mundo interno ficará limitado e o externo por consequinte. Se converso com a criança sem explorar novos conhecimentos e vocabulários, também. O que fazer? Deixe a criança se comunicar o máximo possível, mas com limites. Saber escutar muito ensina. Estimule-a a contar sobre o seu dia, fazer as suas perguntas, desenvolver a linguagem em todos os seus modos. Ajude-a a ganhar vocabulário, a corrigí-lo e a organizar o pensamento. Leia com ela, para ela, deixe-a “ler” para você. E prepare-se para assistir e participar de grandes desenvolvimentos.

17 de mar. de 2016

176. ADOLESCENTE AOS 3?

Tem filho de 3, 4 ou 5 anos? Por um acaso, de repente, ele está parecendo um mini adolescente? Quer fazer tudo sozinho? Acha-se bem independente? Virou do contra? Coloca o dedo em riste e quer dar ordens? Maravilha! Seu filho está passando por uma importante fase de desenvolvimento. Explico.

Segundo Henri Wallon, que tem uma teoria psicogenética bem interessante, a criança nesta fase passa por três momentos. O primeiro é a negação. Ou seja, ela nega tudo o que dizemos e fazemos. Nada tão pessoal. Apenas para expulsar o outro de dentro de si, dar inicio a sua pessoa consciente e esboçar a sua personalidade. (Atenção! Fase bem perigosa para perdermos o rumo.) Mas, expulsar o outro tem também o seu preço. O medo de perdê-lo faz com que a criança apele para a sedução. E seduz. E se torna narcisista, exibicionista e sai em busca de aplausos. E finalmente, a imitação. Em que especialmente pelos jogos de faz de conta, ela internaliza o outro e os papéis sociais. Brinca que é professora, que é mãe, piloto etc. Ao viver o outro ela passa a defini-lo melhor, bem como a si mesma. E o que fazer? Primeiro paciência. Depois, limites bem claros. Deixe ele se opor um pouco e chega. Cuide com as seduções e os exibicionismos. Ambos fazem parte do desenvolvimento, mas em excesso desandam a massa. E não limitem seus filhos ao tablet. Tais vivências vividas são importantíssimas! Propicie baús de fantasias, muitas brincadeiras de imitação enquanto deixa BEM claro os papéis de cada um na casa. Ajude o seu filho a ter bela personalidade.

Neste rápido video, observe a negação pelo grito e logo em seguida a sedução.


3 de mar. de 2016

175. OS PRIMEIROS ANOS DE VIDA SÃO QUASE TUDO!

Creio que nunca mais vamos conseguir aprender tanto como nos dois primeiros anos de vida. Passamos de um ser altamente dependente e quase inerte para um ser, que se tiver espaço, consegue até mandar em toda a família. Em apenas dois anos! Realmente, a capacidade de aprendizagem nesta fase é inimaginável e maravilhosa! E há que ser bem aproveitada. A princípio o bebê fica deitado, e ainda nem enxerga direito. Mas logo, começa a ganhar mais movimentos, a coordená-los, a explorar o que está a sua volta. Começa a aprender das emoções e de como interagir com o meio social para ter suas necessidades alcançadas. Logo senta, e seu mundo ganha nova perspectiva. Quantas coisas a explorar. E logo engatinham e começam a construir o mundo e suas relações. Jogam o bola e ela rola. Jogam o copo e ele quebra. Batem a cabeça na mesa e percebem que dói e machuca. E andam. E o mundo se abre em possibilidades. E logo correm e viram ótimos personal trainers, fazendo-nos correr atrás. Afinal, falta-lhes vivências. Nem imaginam o perigo que correm, por isso estamos nós ali a ensiná-los. E começam a falar e rapidamente ampliam o vocabulário. Quanta aprendizagem! E quantas há por vir. Mas uma dica é importante. O cérebro humano é capaz de aprender em qualquer idade. Mas as experiências dos primeiros anos de vida afetam a arquitetura cerebral e o modo como ele é colocado em ação. Experiências positivas e felizes constroem uma arquitetura forte para o aprendizado, o comportamento e a saúde. Invista na boa base.

11 de fev. de 2016

174. AGORA É PRÁ VALER: VOLTA ÀS AULAS!

Estou aqui lembrando os acertos e erros que cometi como mãe de filhas em escolas. E foram várias delas, pois nos mudamos muito. Destas reflexões, vou elencar o que de melhor aprendi na relação escola-filhas-família.

1. Conheça bem a escola, os professores, o que ela propõe e realmente faz em prol do desenvolvimento global de seu filho.

2. Mantenha um contato regular com os profissionais que lidam com o seu filho. Mas não exagere, pois eles têm vários outros pais para lidarem.

3. Não influencie o olhar do professor com uma lista de coisas que o seu filho não é bom. Cada um tem um olhar.

4. Os filhos são bem diferentes em casa e na escola.

5. Você tem um ou alguns filhos, enquanto a escola tem várias crianças. Ela não vai dar conta de ensinar tudo a todos. 

6. Pais, filhos e escola devem formar uma parceira comprometida onde cada um deve ter o seu papel bem definido. Inclusive o seu filho.

7. É incoerente falar mal da escola para a criança e continuar a levando. Mas não deixe de ir lá conversar se algo incomodar.

8. Não troque estudo por prêmios. Ajude o seu filho a descobrir como é gostoso estudar, quando se sabe para que se estuda o que estuda.

9. Não assuma as responsabilidades escolares no lugar do seu filho. Só entre em cena, quando for preciso mesmo.

10. A escola é passageira, o filho é para sempre.

16 de dez. de 2015

173. EU QUERIA SER CRIANÇA PARA SEMPRE.


“Eu queria ser criança para sempre” foi uma das frases da menina de sete anos.  Claro que eu fui investigar o porquê. Acho uma delícia entrar no mundo da criança. É tão mais lógico, simples e surpreendente! Logo vi, que era menina como eu fui. Gostava de brincar. E queria ser sempre criança para poder brincar para sempre. Este era o seu desejo. E só se deseja o que se conhece? Talvez. E ela conhecia: brincava e sabia o que era brincar. Nossa conversa foi entrecortada por piruetas, mergulhos na piscina, corrida atrás da bola, penteados diferentes em mim enfim, uma conversa brincante. Mas continuei nosso rico diálogo enquanto dava um tapa na bola que não podia tocar o solo. “Adulto não pode brincar?”, perguntei. Ficou confusa. E então seguimos nossa conversa enquanto ela ia descobrindo que tinha tios, conhecidos e professores que sabiam ser crianças para sempre.
Infelizmente, esta menina é minoria. A maioria das crianças com esta idade já estão ocupadas com coisas de mocinha. Batom, esmalte, chapinha, até depilação eu já vi! O que é uma pena, pois para manter a criança viva é preciso primeiro ser criança. E a infância... a infância... passou.

2 de dez. de 2015

172. COM A VOZ... AS CRIANÇAS.


Anotei algumas frases de crianças de educação infantil (3 a 6 anos) para atentarmos ao quanto as subestimamos e notarmos a diferença de um cérebro bem estimulado. Elas estudam em escolas na cidade de Reggio Emilia (Itália), que são mundialmente conhecidas pelas  suas práticas educacionais, que entre tantas outras, leva a criança a pensar, a criar hipóteses e teorias, a construir individual e coletivamente o conhecimento ligado ao seu cotidiano. Dá ainda condições para que adultos e crianças desenvolvam competências de dialogar, errar, construir argumentação, sequência lógica, fazer perguntas, desestruturar o pensamento e reorganizá-lo, passar a experiência concreta para uma representação mental, registrar de ene maneiras, não acumular saber e transformar o que tem já construído. A mente precisa saber se orientar em meio há tanta informação. E isto lá se ensina e se aprende muito bem.
As frases estão descontextualizadas, fora de seus projetos que as originaram, mas vale para perceber a complexidade na simplicidade e aprender com elas.

“Quando eu desejo minha mente se abre.”

“A lua perfuma as estrelas.”

“O perfume entra no coração e bate de modo diferente.”

“Você pode comprar uma flor, mas não pode comprar o perfume dela.”

“Quando você toca alguma coisa os dedos te fazem perguntas.”

“Para dar um passo para frente precisamos antes perder o equilíbrio.”

“Se as escolas não existissem não conseguiríamos fazer pensamentos.”

“A natureza é secreta porque não sabemos como se faz algumas coisas como as nuvens, o sol, o céu.”

“Se alguém dá água para a flor quer dizer que deseja a flor e que ela tenha uma vida serena.”

“A natureza é diferente. Depende do jeito que você olha.”

“A morte é a guerra.”

“Descansa porque já teve uma vida tanta!”

“Quando cai a neve tem um barulho de silêncio.”

“O silêncio é o gato que dorme.”

18 de nov. de 2015

171. VOCÊ JÁ DESENHOU O PERFUME DE UMA FLOR?


Estava em seminário com as educadoras Maddalena Todeschi e Loretta Bertani de Reggio Emilia (Itália), cidade reconhecida pela sua educação infantil. Em suas escolas há muita reciprocidade entre adultos e crianças, num clima de alegria e com liberdade para expressar o seu ponto de vista sem que haja julgamentos. “Quanto melhor este clima, mais cada um trará o original que há dentro de si.”, diz Todeschi, e que vai ampliando-se a partir das experiências. Também não há salas fechadas, mas diferentes espaços que se interligam possibilitando a construção ampla do que se aprende, bem como a sua revisitação. Espaços para desenho e pintura, construção, jardim interno e externo, cozinha, enfim uma escola repleta de possibilidades de aprendizagens e em movimento. Conto um episódio. Numa determinada turma e momento, discutia-se o desejo. Citarei duas reflexões dos pequenos. Veja que riqueza: “Quando eu desejo, minha mente se abre.” “Você pode comprar uma flor, mas não pode comprar o perfume dela.” Nossa! Como as crianças sabem dizer as coisas! Parei nestas frases por dias. Mas as crianças continuaram. Foram desenhar o perfume da flor! Alguém aí já pensou em desenhar o perfume? Eu nunca! Obrigada crianças por esta aprendizagem! Achei sensacional e os desenhos ficaram maravilhosos. Concluo que cabe sim ao adulto “provocar” as crianças para que ampliem o conhecimento de si, do mundo e percebam o que não se mostra ou nomeia. Mas cabe principalmente deixar-se ser provocado por elas. Vou lá desenhar o meu perfume.

6 de nov. de 2015

170. MEU AVÔ VIROU BEBÊ!


Ouvi isto de uma criança de 6 anos: “Meu avô virou bebê!” Claro que continuei a conversa para saber o porquê ela assim pensava. “Ele usa fraldas e tem babá!”, explicou rapidamente e com certo desdém. Logo nos vi num ciclo de vida e associei a duas lembranças. Uma delas foi um vídeo que circulou pelas redes sociais (clique no link abaixo) que mostra as fases deste ciclo com os seus surpreendentes desafios. E a outra, foi mais recente. O relato da italiana Maddalena Todeschi, um dos nomes de referência da educação infantil de Reggio Emilia, cidade que é referência mundial em educação infantil. Contou-nos de vários projetos, mas irei focar num pedacinho de um. As crianças de 4-5 anos junto com professores e também com eventuais participações dos pais, pesquisavam, interagiam, construíam o conhecimento sobre o ciclo da vida. Como parte do projeto, colocou-se um vaso com uma planta para as crianças observarem, questionarem, registrarem as suas construções, entre tantas discussões sensacionais entre elas e o mediador. Interessante que as folhas caídas ali ficavam. Nada de vassoura nelas! Pois, ilustrava uma das fases da vida. Isso queriam ensinar às crianças. “Cada um, no momento que está vivendo, tem a sua beleza. É uma responsabilidade ética ensinar isso a elas.”, diz Maddalena. Afinal, se a planta declara seu ciclo vital, nós humanos também. Importante ajudar a criança a perceber que há fases, há ciclos e há beleza em cada uma delas. Inclusive nas folhas caídas e no avô que virou bebê. Este conseguiu viver o ciclo da vida. Bravo!


21 de out. de 2015

169. PARA A BOA EDUCAÇÃO DOS FILHOS BASTA UMA BOA ESCOLA?

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Um pai de duas crianças pequenas perguntou-me qual escola eu indicaria aos seus filhos. Com menos de cinco minutos descobri que para ele bastava uma boa escola para que os seus filhos fossem bem educados. Será? Está cada vez mais comum este discurso e é lamentável, pois a escola tem sim um grande papel na educação de nossos filhos, mas é na família que eles darão início à construção de sua identidade e personalidade e onde terão uma importante base ao desenvolvimento cognitivo, sócio-afetivo e psicomotor, que fará toda a diferença para o seu progresso na escola. Mas alguns pais reclamam: “Eu não sei educar, nem tenho tempo e nem paciência!” Entretanto, por melhor que seja a escola e por mais preparados que sejam os seus profissionais, ela não conseguirá suprir a carência da ausência familiar. Além disso, se a família não consegue dar conta de um, dois, três filhos, porque a escola conseguiria com seus tantos e tantos alunos? Importante ainda ressaltar que aluno tem um fim na escola, mas filho é para sempre. A escola tem sim o seu papel e que é diferente do papel da família. Mas são papéis complementares e por isso se fala tanto em parceria escola-família. Todavia, muitos pais têm delegado os seus filhos à escola, o que é uma medida perigosa com consequências graves. Não sabe educar? Ninguém nasceu sabendo. Informe-se. Há cursos, blogs, livros para isso. Não tem paciência? Aproveite para desenvolvê-la. Não tem tempo? Reflita sobre a sua agenda. Seus filhos agradecerão. E toda a sociedade também.