16 de jul de 2013

72- EDUCAÇÃO PELO MUNDO. CHINA: II: O FIM DA AFETIVIDADE E O INÍCIO DA COMPETIÇÃO.


Como vimos na postagem anterior, na primeira infância os chineses enchem as crianças de carinhos e toques. E a medida em que os filhos vão crescendo, os pais se afastam deles, física e afetuosamente. Reprimem o afeto. Os chineses não se abraçam! Claro que há uma interferência cultural nesse comportamento. Durante a Revolução Cultural o amor pela família era considerado uma traição ao país e ao partido comunista que deveria estar acima de tudo e de todos. Assim, as crianças eram afastadas dos pais para não se contaminarem com os antigos costumes.
Hoje, após a abertura ao mundo, a China começa a ter influências ocidentais, inclusive na afetividade. Mas, toda mudança é lenta, e enquanto isso a repressão afetiva parece servir como uma proteção emocional às famílias. Além disso, as mais pobres mandam os filhos para outras províncias em busca de trabalho. E as mais ricas internam as crianças em escolas acreditando ser o melhor para a sua formação. Visitei alguns quartos destas escolas. Sem aconchego, frio, pouco colorido e impecavelmente organizado. Num deles havia um mural com as fotos das crianças que ali habitavam. Tinham no máximo 5 anos! Meu coração brasileiro saiu pequenininho.
Quadro de honra ao mérito.
E, por serem únicos, os filhos recebem muitas pressões e grandes expectativas da família para serem os melhores alunos, os melhores no trabalho, os melhores em tudo. A competitividade está travada. Veja como isto funciona na próxima postagem. 



10 comentários:

  1. Sou um admirador dos chineses que conheci. São responsáveis, trabalhadores, inteligentes e disciplinados. Alguém já encontrou algum chinês na sarjeta, bêbado? Assim mesmo acho que a educação chinesa é exagerada na competitividade. Não somos robôs, há outros valores importantes a cultivar. Nosso sentimentalismo exagerado também atrapalha.
    Dagoberto Aranha Pacheco autor de NEW LESSONS OF ABYSS. WWW.dagobertopacheco.com.br

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    1. Dagoberto, você tem toda razão. É um povo para se admirar. Claro que eles são exagerados na competitividade e já perceberam que isso não tem sido bom. Mas como fazer quando se está em meio a uma população fixa de 1 bilhão e 300 milhões de habitantes? Nos seminários de educação com o ministério da educação foi colocada tal problemática. Como eles irão resolver isso virou uma grande curiosidade minha. E concordo: somos sentimentais demais e isso atrapalha sim, principalmente no amadurecimento do ser. O ideal, é claro, não está na chegada e nem na saída, mas no meio da travessia, como diria Guimarães Rosa. bj grande.

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  2. bete attene gregor7/17/2013

    Que experiência única Ligia!!! Rrsr eu imagino seu coração brasileiro saindo dali rsr Eu vou lendo seu texto e fico pequenininha... Porém reflito bem tbm, porque penso na nossa cultura que acreditamos que os filhos mudam os pais, sem que eles estejam conscientes disso. Por este motivo existe uma resistência em reconhecermos as mudanças necessárias no crescimento dos nossos filhos, falo de coração aberto (meu coração brasileiro - lógico que não são todas as mães assim, mas infelizmente eu faço parte do grupo das mães que agem assim) rs... Talvez por inconsciência, não deixamos que nossos filhos cresçam e o prejuízo futuro é enorme ... leva anos para “reajustar ou organizar” a cabeça deles não é? Parece contraditório, mas penso o quanto a educação chinesa está certa nessa rigidez, bom... talvez exista um excesso de ambos os lados tbm, complicado...

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    1. Bete, a resposta escrita acima para Dagoberto serve aqui também. Aliás, adoro este seu jeito transparente de ser, além da sua consciência e de sua auto análise. Não seriam estas os primeiros passos para uma mudança? bj grande e obrigada.

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  3. Completamente diferente da nossa realidade histórica e cultural, porém muito interessante a forma que os Chines utilizam para educarem suas crianças, talvez isto venha "responder" o porque esse povo estão anos luz a frente dos países Ocidentais. Mas, acredito que dentro do nosso contexto educacional esse modelo educativo não surtiria tanto resultados positivos, porque fazemos parte de um povo onde a afetividade e o calor humano prevalece nas relações, e a família ainda é a base para os princípios da educação, hoje, já temos estudos que comprovam que a expressão da afetividade ajuda no processo da aprendizagem e no desenvolvimento social e político do sujeito. Segundo Lucckesi (1984, p. 213):
    "O desenvolvimento do educando pressupõe o desenvolvimento das diversas
    facetas do ser humano: a cognição, a afetividade, a psicomotricidade e o modo de
    viver. Educação tem que ser não o que pensar, mas sim como pensar. Para que
    isso ocorra com nossas crianças devemos propiciar um ambiente alegre, feliz e
    que possui um espaço para dialogar, discutir, questionar e compartilhar saberes.
    Onde há espaço para a construção do conhecimento significativo".

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  4. Italo, os chineses valorizam muito a família, mas o modo como lidam com ela é bem diferente do nosso. Concordo com você que a afetividade é importantíssima ao desenvolvimento. Aliás, segundo os neurocientistas, a emoção é a base para as aprendizagens. O ideal, claro, é o meio termo. Se para os chineses a afetividade é reprimida, para nós brasileiros sobra. E isso também não é bom ao desenvolvimento. Acabamos protegendo em demasia as nossas crianças, em nome do amor, dificultando em especial o desenvolvimento da responsabilidade e autonomia. O que vejo de mais importante, que aliás é a ideia desta série, é a percepção de nossos condicionamentos culturais, pois só podemos mudar aquilo que identificamos. Não estou aqui defendendo o fim da afetividade. Apenas colocando observações para que possamos repensar as nossas construções. um beijo enorme e obrigada pela colocação tão importante.

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  5. Anônimo7/29/2013

    TENHO MUITA VONTADE DE CONHECER A CHINA E AGORA ENTÃO DEPOIS DAS SUAS EXPERIENCIAS FIQUEI MAIS AINDA. MUITO LEGAL. ABS CARLA

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  6. Carla, é realmente um lugar que vale a pena conhecer. Uma cultura muito diferente da nossa. E viajar é tudo de bom. Aprendemos muito e como diz Quintana: "Viajar é trocar a roupa da alma." Volta novinha em folha. rsrsr bj grande

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  7. Ligia, também fiquei com o coração pequeno. Sou tão sentimental, acho até que exageradamente, mas...voltemos, a cultura...Aqui mesmo no Brasil já encontramos esse choque. O nordeste é dengoso e confesso meu orgulho de ser nordestino. Na sua terra, senti uma distância grande nas pessoas. Não tem muito calor humano. Mas acho que tudo se baseia em um equilíbrio. Não lembro bem se estou certo, mas tem um ditado antigo que diz: Tudo de mais é sobra. Precisamos incluir mais nordestinos na China pra ensinar-lhes a delícia de um bom chamego. rssss. E vou ao próximo post.

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    1. Marcos, com certeza a China precisa de um chamego nordestino. Como nós, brasileiros, também precisamos mais de concentração, dedicação, disciplina. Seria uma boa mistura para eles e para nós.
      abraços

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