14 de jun de 2011

15- DEIXAR DESENVOLVER

Uma das coisas que me parecem mais difíceis aos pais é o fato de sempre enxergarmos os filhos menores e mais incapazes do que realmente são. Temos uma mania instintiva de protegê-los, alguns até de forma incontrolável e sufocante. Para uma criança desenvolver ela precisa vivenciar, experimentar, aprender, apreender. É um processo. Não se aprende de primeira a servir o próprio leite sem derrubar nada. É preciso prática, ajustar erros, repetir acertos. Para isso, é preciso oportunidade. Mas, se um adulto sempre fizer pela criança, como ela aprenderá? Sei que nem sempre é fácil deixar desenvolver pois, em geral, é preciso experiências até que a nova aprendizagem mude de fato um comportamento. Até que o leite seja bem servido, a mochila seja bem organizada, a tarefa seja feita. Quase tudo nesta vida requer aprendizagem. Claro, é bem mais fácil arrumar os brinquedos da criança do que educá-la para tal. Pois, haja persistência, paciência e tempo, requisitos difíceis à nossa realidade contemporânea. Mas, digo que vale. Aprender a arrumar os próprios brinquedos e a servir o seu leite, vão muito além de habilidades específicas. Além de servirem de base para aprendizagens futuras bem mais complexas, já interferem em desenvolvimentos importantes como o da responsabilidade, da autonomia, da autoestima, do cuidado de si, de noção de grupo. Enfim, por trás de pequenas ações há grandes desenvolvimentos. Respire a cada tentação de resolver rápido e fazer pela criança. Deixe-a fazer e desenvolver.

3 comentários:

  1. Anônimo6/15/2011

    Sempre vale a reflexão sobre a forma como estamos conduzindo a educação de nossos filhos. Ligia, obrigada por contribuir e estimular estas reflexões. Espero estar conseguindo uma justa medida entre superproteção e abandono. Beijo,
    Marilia

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  2. Marília,
    A justa medida talvez pudesse ser a construção da liberdade com responsabilidade e autonomia. Parecido com ajudar o filho a andar. Primeiro, o seguramos pelas mãos, depois só com uma mão, depois nos afastamos e abrimos os braços para os primeiros passos. Vamos aumentando o limite até que conseguem andar por si só. Mas, ainda há muito investimento até que percebam os perigos da gravidade, das pontas dos móveis, das consequencias de ações não planejadas,... vão precisar de muita experiência e apoio até alcançarem o caminhar liberto com autonomia e responsabilidade. beijocas e obrigada pela colaboração
    Lígia

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  3. Anônimo7/10/2011

    Difícil tarefa para mim! Sou muito controladora, estou sempre de olho!!!
    Adorei a reflexão.
    abraços...
    Cenira Hohl

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