Passei alguns dias em Paris e ouvi muitas crianças fazendo birra. A
gente reconhece quando é choro de manha, não? Logo lembrei-me do livro de
Pamela Druckerman, “Crianças francesas não fazem manha.” Fazem sim. Porém,
Pamela tem razão. Realmente a educação delas é bem diferente da nossa. Destaco
alguns pontos. Não se vê criança comendo porcaria e apesar das panificadoras
maravilhosas, quase todos são magros. Educa-se desde pequeno a comer bem, pouco
e na hora. Também se alimentam da cultura bem melhor que nós. Vê-se criança com
os pais em museus, concertos, espetáculos diversos. E as crianças tem muita
curiosidade para tais eventos e se comportam muito bem. Claro, aprendem de
pequena a relacionar-se com a cultura e a manter a arte no olhar. Vê-se ainda
pais e filhos juntos em restaurantes, parques, lojas. Não há a cultura da babá
como nós. Sorte das crianças e dos pais. Mas, neste processo vê-se e se ouve
muita birra sim. Afinal, educar é complexo em toda e qualquer cultura e há
processos de desenvolvimentos que acontecem em todas elas. A diferença está em
como se lida. No quesito manha, os franceses também parecem lidar melhor. Não
ficam negociando ou cedendo como vemos muito por aqui. Eles resolvem logo para
não incomodar, encaram a criança, dizem algo e seguem andando. Ela para o
choro, “cai na real” e os segue. E nesta hora dá vontade de esmagar a criança de
tanta fofura. E aí entra a cultura brasileira. Extremamente afetiva como quase
nenhuma outra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário