12 de set de 2014

117: MEDO INFANTIL.


Quantos medos povoam a mente de uma criança, e quantos deles seguem à vida adulta! Medo do escuro, do ambiente estranho, de ficar só, de interagir, de ser rejeitado, de não conseguir, de perder os pais, entre tantos. Contudo, nenhum medo deve ser tratado como bobagem. E é bom que seja resolvido. Volto no quarto da minha infância, onde dormia com meus irmãos. Num dos cantos moravam nossas fantasias para além das alojadas em nós. Livros, discos, bonecas, jogos e brinquedos de toda forma e cor. À noite, após uma história, apagava-se a luz, e ligava-se o medo. Eu acreditava que os brinquedos ganhavam vida enquanto dormíamos. Era fascinante a ideia, mas era aterrorizante pensar o que eles poderiam fazer, no mesmo espaço que nós, e livres dos nossos comandos! Além disso, no escuro, os monstros, as sombras, os barulhos, a imaginação potencializavam-se. Ai o ranger da escada e o vento fazendo gemer a janela! Eu queria a luz acessa. Minha irmã a luz apagada. Ela dizia que assim não veríamos os monstros. E eu argumentava que era bom vê-los, conhecê-los, averiguar o tamanho, antecipar seus atos, nos proteger e encarar o que nos afligia. Mas vencia a luz apagada. Assim, aprendi, no escuro, a lidar na imaginação com o que me afligia. E na luz, a olhar nos olhos do medo, buscando enfrentá-lo com todas as minhas forças e fraquezas. Hoje meus escuros, monstros e medos são outros e ainda assim procedo. Aprendi que fugir ou esconder o medo, só o atrai. Mas encarar, enfrentar e ressignificar o medo, liberta. Ajude o seu filho nessa conquista. 

15 comentários:

  1. Anônimo9/15/2014

    Parabéns Prof Ligia Pacheco pela matéria.
    Rose Andrade.

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  2. Anônimo9/17/2014

    E muitas vezes quando mal resolvidos acabam nos perseguindo para nossa vida adulta.
    Edi Marques

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    1. Esta é a ideia: Ajudar a criança a identificar, a encarar, enfrentar e ressignificar o "tamanho" do medo, para que esse nem chegue com ela a fase adulta, e ainda para que aprenda a lidar com outros que virão.
      beijo grande

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  3. Anônimo9/17/2014

    Muito bom tema, descrito com sabedoria e leveza! Beijos
    Edna Marchini

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    1. Edna querida, namastê!
      Que bom ler isso vindo de uma grande educadora como você.
      bj grande

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  4. Anônimo9/17/2014

    Amei professora! Saudades, Bjs
    Miriam Mirtes Stadler

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    1. Miriam, os medos é que nos mantém vivos. Mas medos que travam, esses não valem a pena. bjs bjs e que bom te ver por aqui. :)

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  5. Anônimo9/17/2014

    Mto legal. Serve para medos adultos tb... Gostei Bjs
    Paula Penteado

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    1. Isso mesmo Paulita bacana! Aliás, os aprendizados da infância são muito mais ricos do que podemos imaginar. Grata, por ter nesse meu percurso, ensinado tanto!
      E saio cantando... Eu sou a filha da Paulita bacana...
      bjs e amo você.

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  6. Anônimo9/17/2014

    Adorei. Parabéns, Ligia! Bjs
    Márcia Maranhão

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    1. Oi Marcia, obrigada, obrigada. É uma honra ser lida por você. um beijo grande.

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  7. Publiquei no meu Facebook. Adoro suas materias em ambos, blog e coluna Pais e Filhos.

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    1. Que bom! Eu adoro fazer este blog e ser a primeira leitora. rsrsr Obrigada por compartilhar.
      Grande abraço

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  8. Anônimo9/27/2014

    O medo é a forma que encontramos pra fugir das mudanças. Mas a mudança é necessária e implacável. Ai que saudade dos meus medos de criança....hoje....são tão maiores....meu ratinho é um dinossauro...rs.Bjs, PatVal

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