26 de mai de 2011

3- MATA-SE POR AMOR

Quando eu era pequena distribuíam pintinhos em qualquer feira de animais. Juntávamos a criançada e íamos brincar com eles. Lembro que colocávamos na cama, deitados no travesseiro e cobertos assim como nós. Após muita insistência, aprendemos que ave não se deita, e nem dorme na hora que a gente quer. Então, exageradamente, abraçávamos, beijávamos, apertávamos contra o peito aquelas bolinhas amarelas com gravetos que formavam pés. Mas logo outra lição: excesso de amor sufoca e mata. Era preciso ser bem forte para aguentar nosso imenso amor, transformar-se em frango e ganhar o Parque da Água Branca (SP), para onde levávamos os sobreviventes.
Mas o que isso tem a ver com pais e mães? Tudo. Amor demais, também sufoca e/ou mata. Conhecemos várias histórias que tratam disso. Mas, vamos pensar mais simbolicamente. Matar desejos, sonhos, realizações, sentimentos, comportamentos. Sem querer ou perceber matamos desenvolvimentos de nossos filhos. Por amor! Parece instintivo querermos controlar nossa família, ter os filhos literalmente nas mãos, protegendo-os de todo o mal e desamor. Além disso, como parte de nós, é incrível o que sentimos e o que fazemos por eles. Todavia, são seres singulares, diferentes de nós, que se constituem nas experiências do dia-a-dia. E é preciso deixar viver, fazer, pensar, agir para desenvolver. É preciso deixar ser o que se é sem sufocar, sem matar. Amar o suficiente para deixar o filho crescer, viver e ser feliz. 

4 comentários:

  1. Oi Lígia
    Linda postagem, gostei quando você colocou: "é incrível o que sentimos e o que fazemos por eles. Todavia, são seres singulares, diferentes de nós, que se constituem nas experiências do dia-a-dia. E é preciso deixar viver, fazer, pensar, agir para desenvolver." Um abençoado dia para você.

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  2. Obrigada querida. E você foi a grande responsável por eu estar "blogando" aqui. beijos, beijos

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  3. Olá Lígia, boa tarde!!!
    Meu nome é Letícia e recebi o link de seu blog de uma amiga. Entrei e estou encantada...
    Admirada de ver o quanto podemos ensinar e aprender sendo pais e filhos.
    Esse seu texto, faz um sentindo imenso pra mim, neste momento. Sou mãe de duas filhas, Millena de 13 e Isabela de 7. E vc deve imaginar quantas coisas tenho que administrar...
    Com Millena, tenho pensado e repensado no amor de mãe, no sentido de proteger por amor e de tb desproteger por amor...Como é difícil entendermos isso!!!!!

    Abraço.

    Letícia.

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  4. Oi Letícia, seja bem vinda. E, fico feliz que este blog tenha a ajudado. Sei bem quantas coisas tem a administrar. Como ouvimos por aí, mãe é tudo igual, só muda de endereço. risos Mas você está certa. A superproteção desprotege. Irei falar disso em breve. Apareça sempre. bjs

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