Já respondo: muitos desenvolvimentos. Estes meninos têm 8 e 6 anos e uma mãe que os educa maravilhosamente, além de quebrar paradigmas. Não cabe mais o discurso de “isto é coisa de menina” e/ou que “são muito pequenos para tal”. E sem mimimi, lá estão eles em TRABALHO DE EQUIPE, tirando o pó, limpando vidros, colocando roupa em máquina de lavar, lavando louça, assim como vemos em tantos países desenvolvidos. Aliás, para mim, isto faz parte do verdadeiro homeschooling. Notem que estes meninos estão aprendendo tais atividades enquanto desenvolvem RESPONSABILIDADE E AUTONOMIA, COORDENAÇÃO MOTORA e muito mais. Além das tão faladas HABILIDADES COMPORTAMENTAIS fundamentais ao hoje e ao amanhã, como planejamento, tomada de decisão, solução de problemas, criatividade, empatia entre outras. Tudo isto não se desenvolve na teoria, nem em tablets, mas ali na prática, no dia a dia. E quanto antes, melhor. Aprendemos a fazer fazendo, pois o CÉREBRO É CONFIGURADO NA EXPERIÊNCIA. Aproveitem esta oportunidade única.
Oriento FAMÍLIAS, seus FILHOS e formo PROFESSORES. Este BLOG traz conhecimentos experimentados na minha prática com reflexões e dicas para quem ENSINA e APRENDE. Contato: email: prof.ligiapacheco@gmail.com Instagran: @ligiapa
14 de mai. de 2020
11 de mai. de 2020
227. TROQUE A PALAVRA “AJUDA” POR TRABALHO DE EQUIPE.
Neste período de confinamento, muitas mães, mais do que nunca, estão berrando por socorro. E é muito comum elas dizerem aos membros da família: “Ninguém me ajuda!” Analisemos esta frase: Ao dizer que “ninguém te ajuda”, você está dizendo que esta tarefa é sua. E é? Creio que não. Que tal começar a desenvolver na sua família o trabalho de equipe? Este é um momento incrível para reeducar toda a família. Que tal todos participarem de tudo, dividindo as tarefas conforme a faixa etária? Todos podem participar, inclusive os pequenos. Você acha que a criança é pequena demais para fazer seu próprio lanche? Ensine-a e verás. Você acha que ela é pequena demais para colocar e tirar a mesa? Ensine-a e verás. Será que é pequena para varrer, lavar, arrumar a cama e o próprio quarto? Ensine-a e verás. Nós subestimamos muito a criança. Muitoooo. Quando pensar que o seu filho ou a sua filha são pequenos demais, lembre-se que uma criança de 2 anos já é capaz de correr, falar, dançar fazer graça e birra. Já é capaz de perceber os seus pontos fracos e estrategicamente cutucá-los. E se tiver espaço, este pequeno ser já é capaz de mandar em toda a família e ainda com o dedo em riste e com autoritarismo. Não é? Reeduque sua família. Fazer atividades domésticas ensina muito, inclusive conhecimentos escolares como escreverei outro dia. E toda aprendizagem leva a desenvolvimentos. Troque a palavra ajuda por trabalho de equipe. No começo não será tão fácil, em especial se todos já estiverem acostumados a serem servidos. Mas leve isto a sério e verás o quanto ganhará, não só você, mas toda a família.
8 de mai. de 2020
226. A AULA VIRTUAL E OS PRINCÍPIOS DA APRENDIZAGEM
Além de formar professores, ORIENTO FAMÍLIAS, interagindo tanto com crianças e jovens, como com os seus pais. Creio ser mais efetivo envolver a todos. Nesta quarentena, meu maior foco tem sido com as famílias cujos os filhos têm dificuldades de aprendizagem. Pois estão aí, pais e filhos, com esta difícil tarefa do “homeschooling”. Tem sido um desafio deixar os encontros virtuais com a METODOLOGIA que acredito e que vai a favor dos MECANISMOS CEREBRAIS DE APRENDIZAGEM da criança. Mas tenho amado desenvolver-me também. Hoje, uma das crianças, entre outros tantos conteúdos, precisava entender os gráficos de barras. Olhamos no seu livro os vários exemplos que tinha. E ela começava a entender a função dos mesmos. Mas a criança APRENDE bem melhor com coisas que estão em sua REALIDADE e que lhe são SIGNIFICATIVAS. E não faz sentido “aprender” por aprender. É preciso IDENTIFICAR no seu cotidiano e saber USAR o que se aprende. Então, pensamos juntas em uma pesquisa a fazer e a escolha foi sabores de sorvete. TRANSFORMAR A CRIANÇA EM PROTAGONISTA DA SUA APRENDIZAGEM AJUDA A DAR SENTIDO e SENTIR ao que se aprende. Pedi que ela fizesse a pesquisa com os seus familiares, pois envolver quem se gosta FACILITA A ATIVAÇÃO DA EMOÇÃO, QUE É EXTREMAMENTE FUNDAMENTAL AO PROCESSO DE APRENDIZAGEM. O resultado da pesquisa foi: 4 pessoas preferiam o de chocolate, 2 pessoas o de morango e 3 pessoas escolheram o de flocos. Se eu estivesse na presença da criança teria várias possibilidades. Mas virtualmente? Não! Não queria vídeos explicativos, embora haja alguns bem bons. Mas ela se DESCONCENTRA muito e nem sempre os entende. Apreveitei meus dedos e fiz os eixos do gráfico e nele coloquei os dados conforme já havíamos visto. E pedi que ela fizesse o mesmo em sua mão. E lá fomos construir, primeiramente o gráfico com o nosso corpo e com os materiais que tínhamos. AS MEMÓRIAS MOTORAS SÃO EXCELENTES PARA A APRENDIZAGEM, ASSIM COMO ENVOLVER O MÁXIMO DOS SENTIDOS. Uso e abuso deles. Aproveitamos ainda para ver qual foi o sabor mais escolhido, qual o menos, qual a diferença entre a quantidade de um sabor com o outro, qual a soma de todos eles, aproveitando para revisar e reforçar conhecimentos que ela havia aprendido. Depois disso e de algumas risadas, a criança fez o registro no papel. ESTÁ APRENDIDO? Não há garantias. AS NOVAS CONEXÕES NEURONAIS NÃO SE ESTABELECEM ASSIM FACILMENTE. É preciso REFORÇAR tal aprendizagem. Vamos então às novas pesquisas. Como também ORIENTAR AOS PAIS, de forma significativa, todos estes princípios de aprendizagem para que possam colaborar com o progresso do processo de seus filhos.
7 de mai. de 2020
225. LIDAR COM A FRUSTRAÇÃO SE APRENDE.
Achei um encanto esta carta para a fada dos dentes, que recebi da avó da criança. Pelo conteúdo, imagino que a mãe, que deve estar levando a quarentena a sério, não poupou a filha do sentimento da FRUSTRAÇÃO, uma vez que até a fada está em quarentena, ainda que o dente da criança tenha caído. QUAL O MELHOR MOMENTO PARA SE TRABALHAR COM A FRUSTRAÇÃO? Quando ela acontece. A frustração ocorre quando um desejo ou uma expectativa não são satisfeitos, e facilmente causam um sofrimento e um DESEQUILÍBRIO EMOCIONAL. Mas quem é que quer ver o seu filho(a) assim? Resultado: POUPAMOS a criança e fazemos o que ela quer e na hora que ela quer. Mas, ao protegê-la estaremos de fato a desprotegendo, pois ela não aprenderá a lidar com este sentimento. E não temos como evitá-lo seja na escola, no playground ou em qualquer situação em que não estamos presentes. Assim, se você quer realmente proteger o seu filho, ENSINE-O A LIDAR COM ESTE SENTIMENTO o quanto antes. COMO?
1. Não o poupe, mas o acolha. Abrace-o e diga que você entende a sua tristeza e o seu querer, mas que não é possível realizá-lo naquele momento.
2. Converse com ele, deixe-o colocar o que sente para fora, ainda que não saiba nomeá-lo.
3. Busquem alternativas de como resolver aquele desejo não realizado.
4. Ajude a criança a dar forma ao que sente.
Na nossa ilustração, a criança escreveu para a fada. DEU FORMA À SUA FRUSTRAÇÃO, colocou-a para fora. Isto ajuda a criança a elaborar e a lidar com este difícil sentimento. A criança pode ainda desenhar, dar ideias de como farão depois, vocês podem criar um diálogo com os bichos de pelúcia que “estão na mesma situação”, enfim, use a imaginação, mas não desproteja seu filho ao tentar protegê-lo. LIDAR COM A FRUSTRAÇÃO SE APRENDE. E SE APRENDE, ENTÃO SE ENSINA. Seja você este mestre.
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5 de mai. de 2020
224. HOMESCHOOLING E UM PEDIDO ÀS ESCOLAS
Trabalho com formação de professores, com educação parental e com crianças. Ou seja, estou percebendo o homeschooling pelos três ângulos. E não está fácil a ninguém, pois talvez estejamos complicando. Hoje meu pedido vai para as escolas. Eu sei que as equipes pedagógicas estão se desdobrando para produzirem conteúdos de um jeito novo para as crianças. Sei que estão dando o seu melhor. Mas sabem o que eu mais queria agora? Que invertessem um pouco. Que neste momento, ao invés de ensinarem virtualmente o período paleolítico, o vértice dos polígonos, a tabuada, os substantivos abstratos e adjetivos, ou qualquer outro conteúdo, que parassem um pouco e ouvissem as crianças. O que elas têm aprendido neste período de isolamento? Como é ter os pais em casa? O que elas têm sentido na nova rotina? O que têm feito? Como têm gastado energia? Que emoções têm aflorado? Como elas têm lidado com isso? Do que elas mais sentem falta? Que estranhamentos percebem? O que acham disso tudo? Que recados têm aos adultos e às crianças? Este seria um hangout precioso, não acham? Que troca mais rica! E quantos recados conseguiríamos captar! Afinal, todos estes conteúdos escolares podem esperar, enquanto repensamos o modo como são ensinados. Mas, neste momento, há outras urgências: a saúde mental e emocional das crianças. E não há aula virtual expositiva que possa dar conta disso. O cérebro é configurado na experiência. Vamos aproveitar?
3 de mai. de 2020
223. ACERTE NA MOSCA COM A CRIANÇA
Certa vez, uma professora preparava as crianças para o feriado: “Não teremos aula amanhã, pois é dia de TIRADENTES.” Uma criança começou a chorar, levantou-se e saiu em desespero pelos corredores da escola. A professora assustada foi conferir o que ocorria. E a criança, aos soluços, clamou: “ Eu não quero tirar meus dentes!!!!”
Esta é uma dica a nós adultos. A criança, por conta de seu desenvolvimento cerebral, percebe a realidade de modo muito concreto e leva tudo ao pé da letra. Ops! Aqui ela já perguntaria: “Como é o pé da letra?” Assim, tudo o que falar à criança lembre-se que o mundo interno do adulto é completamente diferente do da criança. Procure não falar pelos cotovelos, não pise na bola, nem meta os pés pelas mãos, mas faça das tripas coração para não dar um tiro no pé e acertar na mosca. E agora releia esta última frase como se tivesse a mente concreta da criança e veja como é difícil a ela compreender muito do que falamos. Vamos dar o braço a torcer. Ui! Torci! Doeu!
16 de abr. de 2020
222. ESCOLA-PAIS-ALUNOS: UMA IDEIA PARA SAIR DA SINUCA EM QUE ESTAMOS.
Tenho acompanhado algumas tarefas virtuais que as escolas enviam às crianças. Não deve estar sendo fácil aos professores desenvolverem os conteúdos e virarem youtubers do dia para a noite. E não tenho dúvida que tais conteúdos acabam tornando-se empobrecidos, uma vez que já sabemos da importância da mediação na construção do conhecimento e da utilização das metodologias ativas neste processo. Como fazer isso em EAD? Ajudaria se os pais soubessem, no mínimo, das teorias educacionais, psicológicas e do desenvolvimento do sistema nervoso para ajudarem melhor os filhos nesta empreitada da aprendizagem. Mas, esta não é a formação da grande maioria, e nem estava no cronograma deles realizar tal função, assim como lavar, faxinar, esterilizar, cozinhar, lidar com este turbilhão de emoções que a situação provoca. Além, é claro, do Home office. Consideramos ainda que as crianças não têm autonomia e nem habilidade para navegarem com maestria por este mundo virtual e acompanharem os links que aprimoram os seus conhecimentos. E nem para realizarem com autonomia as tarefas, pelo menos as que tenho acompanhado. Para dificultar, o cérebro é configurado na experiência e o movimento é de extrema importância para as representações mentais dos pequenos. E os conteúdos devem ser ligados à realidade da criança e trabalhados de forma bem concreta. Como contemplar tais exigências cerebrais frente a uma tela? Se paramos as escolas, o que as crianças farão o dia todo, e como irão aprender apenas por si sós? Se continuamos, o que as crianças estarão deixando de fazer e de aprenderem por elas mesmas? Como sair desta sinuca? Talvez o caminho do meio. Porém, todas as ideias que tenho requerem investimento de tempo (que de fato será um ganho de tempo), enquanto este, o tempo, tem sido a grande falta neste momento em que vivemos. Mas creio que a parceira escola-família, enfim, está sendo percebida como de extrema necessidade. Tenho uma ideia: já que os pais estão precisando doar seu tempo para estes aprendizados, que tal a escola ensiná-los a ensinar enquanto a escola ensina? E, claro, que tal darem menos tarefas para que as mesmas possam ser saboreadas por todos assim como devem ser os saberes? Dou um exemplo: Uma das tarefas que acompanhei hoje: aprender sobre os continentes. Que tal pedir a quem for ajudar a criança que navegue pelo Google Earth começando pela casa da criança, ampliando para a sua cidade, país até chegar à noção de continente? Então amplie mais e viagem de um continente a outro, fazendo provocações que levem a criança a pensar, a investigar, a buscar respostas e a fazer perguntas. Se a família já viajou ao exterior ou se sonha com algum lugar, há várias possibilidades. Ex: “Lembra que fomos (ou queremos) ir à Disney? Vamos achá-la? Em que país está? Qual o continente? Por onde o avião passa da nossa cidade até lá? Por quais países? Por quais continentes?” Façam isso com alguns países. A imaginação não está em quarentena. Depois, abra um mapa-mundi. Se tiver o material físico, melhor. Mas, antes, ajude a criança a imaginar o globo sendo aberto e se transformando em um plano. Lembremos que o que é claro a nós, não é necessariamente para a criança. Busquem coisas pela casa que são de outros países. Uma camiseta (veja as etiquetas e se surpreenda), um azeite, um perfume, fotos, explore a sua observação e criatividade. E então busquem encontrar os países de onde vieram tais objetos e encontrem no mapa. E façam uma competição entre os continentes. O azeite era de Portugal? Um ponto para a Europa. A camiseta foi feita no Camboja? Um ponto para Ásia. E por aí vai. Mas deixe a criança procurar. Dê dicas: fica perto de tal lugar. Fica em tal continente. Mas deixe-a buscar, pois este também já é um exercício de atenção seletiva, muito importante às crianças. Pode ainda pedir para a criança ligar para a avó, ou para a tia que viaja sempre ou seja lá quem for e fazer uma pesquisa dos países que as pessoas foram e o que gostaram mais. E vão lá procurar no mapa. Além de deixar a outra pessoa feliz, a criança estará desenvolvendo habilidades de comunicação importantes. Se não tiver nada em casa de outro país, criem um roteiro de viagem. Vejam por onde querem ir. Pesquisem alguns lugares, vejam imagens, atividades para fazer, como é o clima por lá, quantos quilômetros viajarão. E deixem a imaginação fluir, inclusive para explorar o tema. E basta esta atividade, que já trabalha história, geografia, matemática, português, ciências e muitas e muitas habilidades. E ainda reforça o vínculo entre a família, que para mim é a principal lição.
27 de fev. de 2020
221. EU QUERO UM NÃO!
Queridos Pais e Mães,
Ontem cheguei do trabalho por volta das 21 hs. Do outro lado da calçada, um jovem de cerca de 23 anos andava de um lado ao outro com um imenso facão nas mãos. Pelo seu movimento não era fácil intuir que esperava alguém. Estava bem vestido, tinha um carro de luxo e aparentava ter tido boas oportunidades na vida. Rapidamente o cenário se criou em minha mente. E pode não ser real, mas creio ter grandes possibilidades que eu esteja certa, embora amaria estar errada. Imaginei o rapaz levando um fora da namorada, e por não saber o que é um “não”, iria buscar resolver com a estrutura psíquica que lhe foi formada desde a infância. Não importa a minha imaginação, mas sabemos o quanto há de crianças e jovens sem inteligência emocional. Nem precisa procurar, basta olhar ao lado. Dizer NÃO à criança, deixar que ela se frustre, dar limites claros, não barganhar, não ceder, não passar a mão na cabeça, não ser submisso (a) ou subserviente a ela, não deixar que ela nos eduque e nem nos condicione, não fará de nós pais menos amados. Pelo contrário, elas nos respeitarão e nos admirarão mais, e também nos amarão mais. E serão seres mais equilibrados e melhores preparados para viver consigo e em sociedade. Não deixemos para arrumar depois. Se educar dá trabalho, consertar os erros dá bem mais. Além disso, a infância é a base de tudo. E bons “nãos” ajudam a estruturar uma base segura.
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24 de jan. de 2020
220. BRINCAR, DESENVOLVER E APRENDER DA VIDA VIVENDO.
| Meu irmão e eu. |
Quando eu era criança, passava muitas férias na praia, assim como minhas filhas. E passávamos o dia todo entretidos com as tantas possibilidades de brincadeiras que a praia oportuniza. Minha preferida era construir castelos gigantes. Aprendi na prática que toda construção precisava de uma boa base. Que as pontes e túneis não eram tão fáceis de construir, mas fazia e refazia até conseguir a melhor técnica. Que o fosso dos jacarés podia comprometer toda a estrutura. Que uma criança irritada ou uma bola perdida podiam destruir tudo, assim como o mar que parecia esperar estar tudo pronto para enviar a enorme onda a lamber tudo. Aprendi a me frustrar, a recomeçar, a focar no projeto e a só sossegar quando estivesse tudo pronto. E nem imaginava o quanto estas lições me serviriam para a vida e nem o quanto de desenvolvimento do meu sistema nervoso estavam ali em jogo. Hoje caminho pela praia a procura dos castelos. Raramente encontro uma criança brincando na areia. Mas as vejo embaixo do guarda-sol a brincar com seus tablets e sei o quanto estão comprometendo os seus desenvolvimentos. Pais, mães, cuidadores, por favor, não levem tablet para a praia. Levem pá, balde, regador, forminhas e deixem a criança aprender da vida, brincando com todos os seus sentidos e com o corpo em movimento. Pois esta base é semelhante a do castelo. Precisa ser fortalecida para que possam crescer e desenvolver. Aproveitem este final de férias, pois num instante os filhos crescem e sem uma boa base desmoronam assim como os castelos de areia.
5 de set. de 2019
219. MÃE, O QUE É SEXO?
A criança tinha 8 anos, mas a mãe já estava a postos para a pergunta. Havia lido blogs, comprado livros, conversado com psicólogas. Sabia exatamente o que responderia à filha, o que os seus pais não a conseguiram responder: “O que é sexo?” E este tabu ela não queria repassar. Queria poder falar abertamente com a filha, o que não conseguiu com os seus pais.E eis que chega o dia. A criança fazia as suas tarefas, quando perguntou:
- Mãe, o que é sexo?
Naquele momento a mãe corre ao quarto, volta carregada e expõe livros infantis sobre o tema, espalhando-os pela mesa. O olhar curioso da criança avança e logo a mãe se propõe a explanar. Ao final, faz algumas perguntas e a filha responde sem tanto envolvimento e interesse para frustração da mãe. Logo volta à sua tarefa e lança mais uma pergunta:
- Mãe, mas o que eu coloco aqui na ficha. Sexo F ou M?
Ou seja, era preciso contextualizar antes a pergunta da criança. Às vezes criamos tantas expectativas em algo e o planejamos tanto, que esquecemos de observar o mais importante. Quer uma dica que não falha às perguntas? Sonde o que a criança quer de fato perguntar. Busque entrar no mundo dela, que aliás é bem diferente do seu, pois cada um percebe o mundo à sua maneira de acordo com os recursos que tem. Deixe o diálogo fluir, deixe a criança se expressar. E busque ampliar sim o mundo dela, mas com cuidados. Afinal, são tantas possibilidades de assuntos e diálogos! Entre tantas, pode ser sobre o questionário, sobre a diferença de sexo e gênero, dar até esta aula sobre sexo se a conversa assim fluir. Mas é bom que os assuntos partam da necessidade da criança e não da nossa.
Que tal assim?
- Mãe, o que é sexo?
- Onde está aparecendo a palavra, Filha? Deixe-me ver com você.
E assim contextualizando, e em diálogo, você pode melhor ajudar seu filho(a) a compreender a si e o mundo ao seu redor.
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