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19 de mai. de 2020

230. PÉ DE GALINHA


Certa vez, estava em um parque de São Paulo, que mais parece um sítio em meio aos concretos da pauliceia. Há galinhas, pintinhos, gansos, patos, pavões todos soltos compartilhando o espaço conosco sem cerimônia. O sol começava a se despedir e as galinhas começaram a se empoleirar em uma árvore. Cacarejavam sem parar e eu as observava feito criança, imaginando o que tanto falavam. Neste momento, chega uma criança de cerca de cinco anos, fixa o seu olhar para a árvore com encantamento e exclama a mim a sua grande descoberta: “Agora que eu entendi o que minha mãe sempre fala!!! Já sei o que é um pé de galinha!!!!” E saiu todo importante, com o peito empinado, sorriso largo, sem nem se preocupar com o que eu pensava. Além da fofura da sua conclusão, e de como funciona a mente infantil (leia postagem anterior), fiquei a pensar no quanto muitas vezes saímos assim, como se tivéssemos descoberto a pólvora sem nos atentarmos aos enganos de nossas verdades e conclusões.

16 de mai. de 2020

229. ATENÇÃO, MÃES! UMA SUGESTÃO? PERCAM PARA GANHAR.


Na postagem anterior, escrevi sobre estes meninos de 8 e 6 anos, cuja mãe os ensina às atividades domésticas como um trabalho de equipe. E vimos quantas HABILIDADES estão por trás destas atividades tão necessárias ao HOJE quanto ao AMANHÃ destas crianças. (Leia: O que as tarefas domésticas podem causar aos seus filhos?). Hoje é dia de faxina de novo, e lá estão elas a repetí-las. Quando aprendemos algo novo, NOVAS CONEXÕES NEURONAIS são formadas, mas estas precisam de REPETIÇÃO para se estabelecerem. Por isso, manter uma ROTINA é tão importante. Sim, eu sei, dá trabalho ENSINAR. E GASTA tempo. Concorda que seria bem mais fácil à mãe, por exemplo, lavar a louça do que ensinar para as crianças? E ainda podemos imaginar o chão todo molhado, o uso exagerado de detergente e até a espuma no teto. Eu já passei por isso, sei bem como é. Mas como DESENVOLVEMOS mesmo? APRENDENDO. E como aprendemos? Na EXPERIÊNCIA, isto é, FAZENDO. A mãe está GASTANDO o seu tempo sim, mas mais à frente estará GANHANDO TEMPO, pois os meninos já estarão mais habilidosos e poderão contribuir bem mais, não só com a louça, isto eu garanto. Já provei e aprovei destes ganhos. Muitas vezes, é mesmo preciso PERDER PARA GANHAR. Então fica a sugestão: Gaste este tempo agora. E se prepare para contabilizar os inúmeros ganhos.

8 de mai. de 2020

226. A AULA VIRTUAL E OS PRINCÍPIOS DA APRENDIZAGEM


Além de formar professores, ORIENTO FAMÍLIAS, interagindo tanto com crianças e jovens, como com os seus pais. Creio ser mais efetivo envolver a todos. Nesta quarentena, meu maior foco tem sido com as famílias cujos os filhos têm dificuldades de aprendizagem. Pois estão aí, pais e filhos, com esta difícil tarefa do “homeschooling”. Tem sido um desafio deixar os encontros virtuais com a METODOLOGIA que acredito e que vai a favor dos MECANISMOS CEREBRAIS DE APRENDIZAGEM da criança. Mas tenho amado desenvolver-me também. Hoje, uma das crianças, entre outros tantos conteúdos, precisava entender os gráficos de barras. Olhamos no seu livro os vários exemplos que tinha.  E ela começava a entender a função dos mesmos. Mas a criança APRENDE bem melhor com coisas que estão em sua REALIDADE e que lhe são SIGNIFICATIVAS. E não faz sentido “aprender” por aprender. É preciso IDENTIFICAR no seu cotidiano e saber USAR o que se aprende. Então, pensamos juntas em uma pesquisa a fazer e a escolha foi sabores de sorvete. TRANSFORMAR A CRIANÇA EM PROTAGONISTA DA SUA APRENDIZAGEM AJUDA A DAR SENTIDO e SENTIR ao que se aprende. Pedi que ela fizesse a pesquisa com os seus familiares, pois envolver quem se gosta FACILITA A ATIVAÇÃO DA EMOÇÃO, QUE É EXTREMAMENTE FUNDAMENTAL AO PROCESSO DE APRENDIZAGEM. O resultado da pesquisa foi: 4 pessoas preferiam o de chocolate, 2 pessoas o de morango e 3 pessoas escolheram o de flocos. Se eu estivesse na presença da criança teria várias possibilidades. Mas virtualmente? Não! Não queria vídeos explicativos, embora haja alguns bem bons. Mas ela se DESCONCENTRA muito e nem sempre os entende. Apreveitei meus dedos e fiz os eixos do gráfico e nele coloquei os dados conforme já havíamos visto. E pedi que ela fizesse o mesmo em sua mão. E lá fomos construir, primeiramente o gráfico com o nosso corpo e com os materiais que tínhamos. AS MEMÓRIAS MOTORAS SÃO EXCELENTES PARA A APRENDIZAGEM, ASSIM COMO ENVOLVER O MÁXIMO DOS SENTIDOS. Uso e abuso deles. Aproveitamos ainda para ver qual foi o sabor mais escolhido, qual o menos, qual a diferença entre a quantidade de um sabor com o outro, qual a soma de todos eles, aproveitando para revisar e reforçar conhecimentos que ela havia aprendido. Depois disso e de algumas risadas, a criança fez o registro no papel. ESTÁ APRENDIDO? Não há garantias. AS NOVAS CONEXÕES NEURONAIS NÃO SE ESTABELECEM ASSIM FACILMENTE. É preciso REFORÇAR tal aprendizagem. Vamos então às novas pesquisas. Como também ORIENTAR AOS PAIS, de forma significativa, todos estes princípios de aprendizagem para que possam colaborar com o progresso do processo de seus filhos.

7 de mai. de 2020

225. LIDAR COM A FRUSTRAÇÃO SE APRENDE.


Achei um encanto esta carta para a fada dos dentes, que recebi da avó da criança. Pelo conteúdo, imagino que a mãe, que deve estar levando a quarentena a sério, não poupou a filha do sentimento da FRUSTRAÇÃO, uma vez que até a fada está em quarentena, ainda que o dente da criança tenha caído. QUAL O MELHOR MOMENTO PARA SE TRABALHAR COM A FRUSTRAÇÃO? Quando ela acontece. A frustração ocorre quando um desejo ou uma expectativa não são satisfeitos, e facilmente causam um sofrimento e um DESEQUILÍBRIO EMOCIONAL. Mas quem é que quer ver o seu filho(a) assim? Resultado: POUPAMOS a criança e fazemos o que ela quer e na hora que ela quer. Mas, ao protegê-la estaremos de fato a desprotegendo, pois ela não aprenderá a lidar com este sentimento. E não temos como evitá-lo seja na escola, no playground ou em qualquer situação em que não estamos presentes. Assim, se você quer realmente proteger o seu filho, ENSINE-O A LIDAR COM ESTE SENTIMENTO o quanto antes. COMO? 

1.          Não o poupe, mas o acolha. Abrace-o e diga que você entende a sua tristeza e o seu querer, mas que não é possível realizá-lo naquele momento. 
2.          Converse com ele, deixe-o colocar o que sente para fora, ainda que não saiba nomeá-lo. 
3.          Busquem alternativas de como resolver aquele desejo não realizado. 
4.          Ajude a criança a dar forma ao que sente.


Na nossa ilustração, a criança escreveu para a fada. DEU FORMA À SUA FRUSTRAÇÃO, colocou-a para fora. Isto ajuda a criança a elaborar e a lidar com este difícil sentimento. A criança pode ainda desenhar, dar ideias de como farão depois, vocês podem criar um diálogo com os bichos de pelúcia que “estão na mesma situação”, enfim, use a imaginação, mas não desproteja seu filho ao tentar protegê-lo. LIDAR COM A FRUSTRAÇÃO SE APRENDE. E SE APRENDE, ENTÃO SE ENSINA. Seja você este mestre.

3 de mai. de 2020

223. ACERTE NA MOSCA COM A CRIANÇA


Certa vez, uma professora preparava as crianças para o feriado: “Não teremos aula amanhã, pois é dia de TIRADENTES.” Uma criança começou a chorar, levantou-se e saiu em desespero pelos corredores da escola. A professora assustada foi conferir o que ocorria. E a criança, aos soluços,  clamou: “ Eu não quero tirar meus dentes!!!!” 
Esta é uma dica a nós adultos. A criança, por conta de seu desenvolvimento cerebral, percebe a realidade de modo muito concreto e leva tudo ao pé da letra. Ops! Aqui ela já perguntaria: “Como é o pé da letra?” Assim, tudo o que falar à criança lembre-se que o mundo interno do adulto é completamente diferente do da criança. Procure não falar pelos cotovelos, não pise na bola, nem meta os pés pelas mãos, mas faça das tripas coração para não dar um tiro no pé e acertar na mosca. E agora releia esta última frase como se tivesse a mente concreta da criança e veja como é difícil a ela compreender muito do que falamos. Vamos dar o braço a torcer. Ui! Torci! Doeu!

16 de abr. de 2020

222. ESCOLA-PAIS-ALUNOS: UMA IDEIA PARA SAIR DA SINUCA EM QUE ESTAMOS.

Tenho acompanhado algumas tarefas virtuais que as escolas enviam às crianças. Não deve estar sendo fácil aos professores desenvolverem os conteúdos e virarem youtubers do dia para a noite. E não tenho dúvida que tais conteúdos acabam tornando-se empobrecidos, uma vez que já sabemos da importância da mediação na construção do conhecimento e da utilização das metodologias ativas neste processo. Como fazer isso em EAD? Ajudaria se os pais soubessem, no mínimo, das teorias educacionais, psicológicas e do desenvolvimento do sistema nervoso para ajudarem melhor os filhos nesta empreitada da aprendizagem. Mas, esta não é a formação da grande maioria, e nem estava no cronograma deles realizar tal função, assim como lavar, faxinar, esterilizar, cozinhar, lidar com este turbilhão de emoções que a situação provoca. Além, é claro, do Home office. Consideramos ainda que as crianças não têm autonomia e nem habilidade para navegarem com maestria por este mundo virtual e acompanharem os links que aprimoram os seus conhecimentos. E nem para realizarem com autonomia as tarefas, pelo menos as que tenho acompanhado. Para dificultar, o cérebro é configurado na experiência e o movimento é de extrema importância para as representações mentais dos pequenos. E os conteúdos devem ser ligados à realidade da criança e trabalhados de forma bem concreta. Como contemplar tais exigências cerebrais frente a uma tela? Se paramos as escolas, o que as crianças farão o dia todo, e como irão aprender apenas por si sós? Se continuamos, o que as crianças estarão deixando de fazer e de aprenderem por elas mesmas? Como sair desta sinuca? Talvez o caminho do meio. Porém, todas as ideias que tenho requerem investimento de tempo (que de fato será um ganho de tempo), enquanto este, o tempo, tem sido a grande falta neste momento em que vivemos. Mas creio que a parceira escola-família, enfim, está sendo percebida como de extrema necessidade. Tenho uma ideia: já que os pais estão precisando doar seu tempo para estes aprendizados, que tal a escola ensiná-los a ensinar enquanto a escola ensina? E, claro, que tal darem menos tarefas para que as mesmas possam ser saboreadas por todos assim como devem ser os saberes? Dou um exemplo: Uma das tarefas que acompanhei hoje: aprender sobre os continentes. Que tal pedir a quem for ajudar a criança que navegue pelo Google Earth começando pela casa da criança, ampliando para a sua cidade, país até chegar à noção de continente? Então amplie mais e viagem de um continente a outro, fazendo provocações que levem a criança a pensar, a investigar, a buscar respostas e a fazer perguntas. Se a família já viajou ao exterior ou se sonha com algum lugar, há várias possibilidades. Ex: “Lembra que fomos (ou queremos) ir à Disney? Vamos achá-la? Em que país está? Qual o continente? Por onde o avião passa da nossa cidade até lá? Por quais países? Por quais continentes?” Façam isso com alguns países. A imaginação não está em quarentena. Depois, abra um mapa-mundi. Se tiver o material físico, melhor. Mas, antes, ajude a criança a imaginar o globo sendo aberto e se transformando em um plano. Lembremos que o que é claro a nós, não é necessariamente para a criança. Busquem coisas pela casa que são de outros países. Uma camiseta (veja as etiquetas e se surpreenda), um azeite,  um perfume, fotos, explore a sua observação e criatividade. E então busquem encontrar os países de onde vieram tais objetos e encontrem no mapa. E façam uma competição entre os continentes. O azeite era de Portugal? Um ponto para a Europa. A camiseta foi feita no Camboja? Um ponto para Ásia. E por aí vai. Mas deixe a criança procurar. Dê dicas: fica perto de tal lugar. Fica em tal continente. Mas deixe-a buscar, pois este também já é um exercício de atenção seletiva, muito importante às crianças. Pode ainda pedir para a criança ligar para a avó, ou  para a tia que viaja sempre ou seja lá quem for e fazer uma pesquisa dos países que as pessoas foram e o que gostaram mais. E vão lá procurar no mapa. Além de deixar a outra pessoa feliz, a criança estará desenvolvendo habilidades de comunicação importantes.  Se não tiver nada em casa de outro país, criem um roteiro de viagem. Vejam por onde querem ir. Pesquisem alguns lugares, vejam imagens, atividades para fazer, como é o clima por lá, quantos quilômetros viajarão. E deixem a imaginação fluir, inclusive para explorar o tema. E basta esta atividade, que já trabalha história, geografia, matemática, português, ciências e muitas e muitas habilidades. E ainda reforça o vínculo entre a família, que para mim é a principal lição.

3 de jan. de 2018

207. A CRIANÇA DIFERENTE.

Toda criança é diferente. Não há um ser igual ao outro, mas há coisas que nos assemelham, que dizem de nós humanos. A maioria de nós, engatinha, anda, corre, embora pareça que os filhos corram primeiro para então andar. A maioria, aprendeu a balbuciar, a articular palavras, a dar-lhes sentido, a criar sentidos, a falar, a pensar, a ler a escrever numa sequência sem fim, em que cada fase é base para as subsequentes. A criança de um ano não consegue expressar-se perfeitamente, pois nem tem aprendizagens suficientes de palavras com seus significados, como não tem sistema nervoso maduro para tal proesa. Tudo a seu tempo, pasito a pasito, para não perder o hit do momento! Este processo contínuo de constituição e construção do ser para além do plano motor e da linguagem aqui exemplificados,  deve-se, em especial, ao desenvolvimento do sistema nervoso, que recebe fortíssima influência do meio. Logo, é importante ressaltar que, quando a criança chega ao mundo, um mundo chegará a ela. E este mundo muito dirá de suas possibilidades, inclusive do desenvolvimento do sistema nervoso. E por isso, insisto: Que mundo ofereço à biologia de meu filho? Além disso, há crianças cujo desenvolvimento não se dá como na maioria e portanto, elas não podem “funcionar” da mesma forma. São crianças diferentes. E o melhor modo de agir com elas é conhecendo os seus transtornos e dificuldades para que nossa ação possa ir a favor de suas tantas e diferentes possibilidades. Neste mes de Janeiro, dedicarei-me a elas aqui no FILHOsofar, começando pelo TEA, Transtorno do Espectro Autista. Inscreva-se para receber por email e acompanhe. Feliz 2018 a nós!


Qualquer dúvida, email me
prof.ligiapacheco@gmail.com

21 de dez. de 2017

206. O MUNDO ENCANTADO E ENCANTADOR DA CRIANÇA.

Na última postagem do ano da minha coluna na Revista Pais & Filhos http://paisefilhos.com.br/blogs-e-colunistas/de-olho-no-cotidiano/seu-filho-no-mar-de-possibilidade, contei uma mesma situação retirada do cotidiano entre pais e filhos, mas com a mediação de duas mães diferentes, chamando a atenção para as consequências de nossa ação em relação ao desenvolvimento da criança e de seu futuro adulto. Vale a pena conferir. Mas, nesta última coluna do ano, aqui no FILHOsofar, quero ressaltar o quanto o conhecimento que temos de cada fase da criança nos ajuda a “entrar em seu mundo” e fazer bom uso dele em prol do desenvolvimento da criança ou de apenas interagir melhor com ela. Conto o que me aconteceu. Estava em minha caminhada matinal, que acontece na beira do mar sempre que possível. Planejava mentalmente minha aula da noite, enquanto respirava profundo aquele ar e distraía-me com as crianças brincando no mar. Ando tão saudosa delas que não as perco de vista. No meio da caminhada, encontro uma criança de cerca de 3 anos, com uma Barbie-sereia nas mãos. Olhava para o mar e conversava sem parar. Olhei ao redor e não havia ninguém que com ela estivesse falando. Não aguentei, parei e perguntei:
-        “Você está conversando com a sua boneca?”
Sem hesitar e toda segura de si, como costumam ser as crianças desta idade, disse:
-        “Não, estou conversando com o mar.”
Entrei em seu mundo encantado, pois sei que com esta idade o desenvolvimento de seu sistema nervoso não permite ainda que distingua bem a fantasia da realidade, tem um pensamento muito mágico, sei que ainda está construindo como funciona o mundo e que fala muito sozinha como estratégia natural para melhorar a linguagem e a organização de seu mundo interno construído a partir de suas já tantas experiências.
-        “E o mar te responde?”, perguntei curiosa.
-        “Sim! Ele conversa com a gente.”, disse toda sabida.
-        “Você me ensina a falar com o mar?”, perguntei com interesse.
-     “É fácil! Você pode falar normal mesmo, do jeito que a gente fala, que ele entende.”, ensinou-me sentindo-se toda importante.
Então, postei-me ao lado dela e disse ao mar:
-        “Mar, você pode mandar uma onda molhar os meus pés?”
E no mesmo instante, veio uma onda e molhou os nossos pés. A menina olhou para mim com ar de satisfação e disse:
-        “Não falei que ele entendia?”
Comemoramos e agradeci o ensinamento. E, antes que a mãe aparecesse preocupada, disse-lhe:
-        “Vou continuar a minha caminhada, só que agora eu vou conversando com o mar.”
Ganhei outro sorriso, um beijo solto pelo ar, um aceno de mãos delicioso e saí feliz com tamanha fofura.
Isto o que quero ressaltar: Como é gostoso e gratificante interagir com a criança compreendendo o que se pode esperar dela, qual a melhor maneira de conversar, como podemos facilitar para gerar desenvolvimentos, o que vale ensinar neste ou naquele momento, como se encantar e como encantá-la e, especialmente, como aprender com ela. Vale muito a pena conhecer melhor a criança, seus processos e suas possibilidades, para ter ações mais assertivas.
Desejo a você, boas festas, uma feliz entrada em 2018, momentos incríveis com seu(s) filho(s) neste periodo de férias e que você possa se deliciar cada vez mais com o encantado e encantador mundo da criança, que nos faz, inclusive lembrar como éramos. Agora me dá licença que vou lá conversar com o mar. Feliz férias!

Ps: Em Janeiro, dedicarei-me às crianças com determinados transtornos, seus desenvolvimentos e como podemos agir para ajudá-las. E seguirá a linha de que o conhecimento amplia as nossas percepções e as possibilidades de ações. 
Até lá! Boas férias!

2 de dez. de 2017

205. AS FASES DA CRIANÇA E O MUNDO DA FAMÍLIA.


A criança não nasce sabendo do mundo, de si e das pessoas. Precisará de tudo aprender. A princípio, pelos SENTIDOS, EMOÇÕES e MOVIMENTOS. Leva o mundo à boca, desafia-se, explora os objetos, a si mesma, as pessoas, os tempos, os espaços, as relações de tudo isso e a sua relação com tudo isso. Estas experiências lhe proporcionam um primeiro conhecimento de como as pessoas e as coisas são e funcionam. E nesta fase, a cada dia, há sempre uma surpreendente novidade.

Com o desenvolvimento da LINGUAGEM o seu mundo interno ganha muitas possibilidades. Brinca, cria e representa o mundo que vive e conhece através de personagens, jogos simbólicos, de faz-de-conta. Conversa sozinha, interage com tudo e todos numa imensa e intensa vontade de explorar e aprender. Ao brincar de casinha, de médico, de bicho, de polícia ladrão, de luta, a criança, além de desenvolver a linguagem e habilidades sócio-emocionais, ela vive papéis que a ajudam a compreender as regras de cada segmento da cultura que está inserida, as suas convenções, seus problemas, suas diferenças, seus costumes. Pode refletir e incorporar as características e as ações de quem imita e aprende que o mundo não é ela e nem que tudo é do jeito dela. Estas experiências, ajudam-na a compreender melhor de si, dos outros e do  mundo, e a representá-los dentro de si. Isto a possibilita pensar, imaginar, entender, falar sobre ele, ainda que seja de forma desorganizada e sem lógica. Por exemplo, quando a criança nos conta uma história, não há ainda uma organização espaço-temporal, certo? O fim vem embolado com o meio que passa ao começo e volta ao fim. Isso é normal para a fase. Mas é momento que requer redobrada atenção ao que é oferecido à criança, pois ela ainda age como “esponja”, imita e absorve tudo sem crítica. Aliás, esta se ensina desde pequeno. E é bom fazê-lo.

Pois, o MUNDO EXTERNO que é oferecido ao seu filho, com suas concepções, valores, erros, acertos, medos, modos de viver e de ser, dirá de seu MUNDO INTERNO, de seu ser, de sua interação com o meio. Dirá de como ele agirá, pensará, amará, odiará, falará, perceberá, criará o mundo externo, que dirá do seu interno num processo sem fim. Ou seja, se uma criança recebe sempre elogios, é protegida de qualquer frustração e a mãe obedece a tudo o que ela pede, este será o mundo externo que ela internalizará, e a partir dele perceberá e agirá no mundo. Quando na escola, a professor não a destacar diante da classe, ou quando tirar uma nota baixa, ou não for tratada como rainha, é bem provável que sofra, que culpe a outros, que se desorganize, que fique agressiva, pois não foi este mundo externo que construiu em si. Por isso vale sempre se perguntar: QUE MUNDO OFEREÇO AO MEU FILHO? Claro que outros mundos virão. Mas o primeiro deles, é a família. E o primeiro deles será a base de tudo. Pense na sua vida e observe como tudo o que você é tem uma ligação com a sua criança. A infância é tudo. Cuide bem da do seu filho, da construção do mundo que ele fará.

Conforme a criança amplia suas representações, ela sente a necessidade de organizá-las, dar um sentido maior e passa a CATEGORIZAR os mundos que conhece. O mundo das profissões, dos animais, dos objetos engraçados, dos objetos escolares, além de amar as coleções. Nesta fase, é bom enfatizar a organização externa para ajudar na interna, e saber que a criança ainda pensa de forma bem concreta, ao pé da letra e com uma pré-lógica deliciosa. Para ela, um trânsito engarrafado, pode significar carros dentro de uma garrafa, assim como ao pé da letra, pode ser uma letra com pé. Mas, os estímulos cada vez mais diversos do meio, a mediação daqueles que interagem com ela, sua interação com eles e o amadurecimento do sistema nervoso, a ajudarão a progredir e logo conseguirá ABSTRAIR o pensamento, desenvolver a lógica, a perceber metáforas, expressões idiomáticas, fortalecer a sua personalidade, as suas verdades, valores, saberes de tantos outros mundos, usando as bases das construções do seu primeiro mundo. E num piscar de olhos está adolescente, adulto e parindo nova criança, que a princípio aprenderá pelos sentidos, emoções e movimentos...

Note que em todas as fases, a participação ativa da criança na EXPERIÊNCIA é fundamental. Afinal, não é possível desenvolver no lugar do outro. Assim, com bom senso, não devemos impedí-la, pois será como querer alimentá-la oferecendo-lhe um cardápio. Logo, quantidade e qualidade de experiências são importantes, assim como o modo como a criança interage com a oportunidade. E isso se aprende. Atenção! Dizer a criança que ela não é capaz, enche-la de medos, criar resistências, fazer em seu lugar, superprotegê-la, poupá-la, devem ser observados, pois são impeditivos de desenvolvimento. Vale diversificar atividades, não se acomodar só a tecnologia, criar boas oportunidades de aprendizagens e desenvolvimentos e reflitir sempre sobre o mundo oferecido ao filho, pois é dele que ele constituirá o seu primeiro e mais importante mundo. Base de tudo e de todo o resto. Atente-se a isso. Feliz mundos!


18 de nov. de 2017

204. NÃO VEJO A HORA!

A Persistência da memória. Salvador Dalí.
“Não vejo a hora que sente!"
"Não vejo a hora que ande!”
 “Não vejo a hora que faça!”
“Não vejo a hora que leia e escreva!”
“Não vejo a hora que cresça!”
“Não vejo a hora que canse!”
“Não vejo a hora que forme!”
“Não vejo a hora que trabalhe!”
“Não vejo a hora que case!”
“Não vejo a hora! Não vejo a hora!” E a mãe quando se dá conta que tanto olhou para o amanhã, lamenta o que passou, sente saudades e chora o que não viveu. Foi-se a hora sem agoras.
Note que nós humanos passamos por um processo de desenvolvimento, que será adiantado, potencializado, retardado, minimizado, de acordo com os estímulos do meio e a apropriação dos mesmos. Cada etapa tem seus encantos, detalhes, cuidados, estímulos que devem ser bem explorados para favorecer uma boa formação à criança. Sugiro ler e estudar as fases de seu filho, para saber bem aproveitá-las. Na próxima postagem falaremos de cada uma. Por ora, quero apenas reforçar: Substitua o “Não vejo a hora!” pelo agora. Por observações do processo do progresso, por anotações daquilo que vale lembrar (Sim! A gente esquece!), por interações ricas e prazerosas. Curta cada momento como único, pois ele é único e passageiro. E o futuro se faz de presentes. Não deixe que as horas passem sem histórias.