Oriento FAMÍLIAS, seus FILHOS e formo PROFESSORES. Este BLOG traz conhecimentos experimentados na minha prática com reflexões e dicas para quem ENSINA e APRENDE. Contato: email: prof.ligiapacheco@gmail.com Instagran: @ligiapa
17 de jun. de 2015
152. PARA GABI EM SEUS 21 ANOS.
11 de jun. de 2015
151. À MODA ANTIGA
Recebi um cartão de minha filha que está na Austrália, e que
aproveitou para viajar ao Cambodja, Laos e Tailândia. De volta à cidade onde
mora pôs-se a enviar os postais que havia comprado. “Gosto da delicadeza e do
carinho implícito ao colocar um cartão no correio.”, revelou-me, enquanto eu a
agradecia. Claro que recebo muitas mensagens instantâneas dela por whatsapp,
facebook, email. E amo todas. Mas receber um cartão pelo correio levou-me ao
céu e chegou com muito mais sabor. Por trás dele havia o tempo gasto na escolha
do cartão, a escrita pensada, o local escolhido para se inspirar, a ida ao
correio, a compra do selo, o preenchimento do envelope... Um cartão que levou
dias e dias para chegar, atravessou o oceano, percorreu quilômetros, passou por
diversas situações. Senti como se todo esse processo apurasse o sabor do
alimento que trazia. Voltei no tempo. Como era bom aguardar o carteiro, esperar
por cartas, respondê-las. Claro que a tecnologia nos possibilitou ter ainda
mais contatos e é incrível poder trocar mensagens em tempo real independente da
distância e do tempo. Mas, assim como o fastfood, não têm o mesmo sabor. Não...
não abro mão da tecnologia que é prática e eficiente. Mas saber saborear esses
prazeres simples é algo que tem me valido a atenção, o exercício e a prática.
Obrigada Gabi por esse momento tão especial que me proporcionou. Obrigada por
todo o processo, pela imagem tão significativa, pelo conteúdo tão emocionante e
por suas digitais por todo ele. Fez sua mãe prá lá de feliz. Te amo.
3 de jun. de 2015
150. DESCONECTAR PARA CONECTAR.
Visita na casa de alguma avó.
|
Esses dias recebemos uma mensagem de nossa filha que está há quase um
ano na Austrália: “Por aqui está tudo bem, não se preocupem. Mas, vou fazer uma
experiência e ficar três dias sem o celular.” Perguntei o motivo e obtive como
resposta: “Mãe, eu quero perceber o que estou perdendo ao meu redor enquanto
fico conectada ao mundo.” Achei brilhante a sua ideia e visão, mas queria me
certificar se havia algum outro motivo. Coisas de mãe. Imediatamente conectei o
facetime para me abastecer, acalmar, vê-la e saber mais. Pausa. Viva sim esta
tecnologia que tem muitos benefícios. Mas, encaremos de frente. Estamos viciados nela. E
isso tem atrapalhado também a relação entre pais e filhos. Um exemplo? Observe qualquer
lugar onde haja família “unida”. Restaurante, shoppings, festas. Em geral, cada
um está no seu mundo. E Gabi tem razão: estamos tão plugados que mal percebemos
o que e quem está ao nosso redor. Quando saímos em família, em geral, nossas
filhas pedem para não levarmos os celulares. Não é maravilhoso? Sinal de que
gostam e priorizam a nossa presença e gostam de conversar conosco. Mas isso não
é sorte ou surgiu do nada. Investimos para tanto. E é esse desafio que quero
propor: desconectar-se um pouco do mundo que está nas mãos para se conectar, sem
distração, com a família. Relação entre pais e filhos se aprende e requer atenção,
intenção, continuidade, espaço, diálogo, carinho, respeito, prazer, confiança,
troca, tempo entre outras construções. Não se dá por um acaso. Atente ao seu
redor e não perca a principal conexão.
26 de mai. de 2015
149. PEDIDO RAPIDAMENTE CUMPRIDO.
Esta história não fui eu quem escrevi, mas adoraria que tivesse sido.
Tampouco sei quem a escreveu. Mas achei que faz muito sentido e nos coloca em
boa reflexão.
“Um dia, minha mãe e eu conversávamos sobre a vida e a
morte e eu lhe disse:
- Mãe, se um dia eu estiver num estado vegetativo, em
que minha vida dependa unicamente de aparelhos, desligue, por favor, as
máquinas que me mantêm artificialmente em vida! EU PREFIRO MORRER!!!
Então eu vi minha mãe se levantar, me olhando cheia de
admiração... E puxando decididamente os fios, ela desligou: a tv,
o dvd,
o cabo de internet,
o
computador,
o MP3/4,
o playstation,
o wifi,
o fixo...
E ainda me arrancou:
o celular,
o tablet,
o Ipod.
EU
QUASE MORRI!"
Para bom entendedor... uma história basta.
21 de mai. de 2015
148. CUIDADO COM O QUE SE ENSINA!
![]() |
| The babes in the wood de Thomas Crawford. Metropolitan Museum - NY |
Esses dias ouvi uma história de um adulto que serve de reflexão e alerta
na educação dos filhos. Contava que na infância sua mãe dizia aos filhos que
quando não se arrumava a cama o anjo da guarda não saia dela e portanto não os acompanhavam
durante o dia. Apavorados, eles não falhavam. E a mãe resolveu o seu problema
de reclamar todo dia. Já adulto, um dia saiu sem tempo de arrumar a cama. Bateu
o carro e logo se lembrou do que a mãe dizia. Tentei receber essa informação
como uma criança e tive logo uma angústia: Se o anjo da guarda não levanta da
cama, logo ele dorme comigo. E se assim for, e como não o vejo, posso criar
medos. “O que ele pode fazer comigo?” “E se eu deitar em cima e o machucar?” Mas
pensando como adulta e com o que já construí até aqui, continuei a conversa.
Notamos que várias outras vezes ele não tinha arrumado a cama e nada havia
acontecido. Duvidou então dessa verdade. Mas confessou a angústia que sentia.
Nem sempre queria arrumar a cama, mas morria de medo de não fazê-lo. A questão
aqui não é se o anjo da guarda fica na cama, se ele existe, se é verdade isso
ou aquilo. O fato é que a infância deixa marcas profundas em nossa vidas que
dirão do nosso ser. A ela agradecem os psicólogos e analistas. Muitas vezes
usamos de fantasias com as crianças para facilitar a resolução de um problema,
ou apenas repetimos “verdades” sem pensar. Sugiro fazer sempre uma “faxina” nos
conceitos e ações antes de passá-los adiante. Resolver um problema e arrumar
outro não parece boa pedida. A não ser para psicólogos e analistas.
15 de mai. de 2015
147. A IMAGEM E A MENSAGEM.
Esta imagem virou um viral nas redes sociais, pois é mesmo impactante,
emocionante e forte. A foto descrita como “irmã de dois anos e meio protegida por
irmão de quatro anos no Nepal” logo nos faz associar aos terremotos recentes na
região que tantas mortes e destruições causaram. E imaginar que as crianças
ficaram órfãos. Dói só de pensar. Mas, segundo a BBC News essa foto foi tirada
em 2007 em Can Ty no Vietnã pelo fotógrafo Na Son Nguyen. Ele conta que passava
pelo vilarejo e parou para observar duas crianças que brincavam enquanto os
pais trabalhavam na lavoura. A menininha chorou com a chegada de um estranho e o
irmão abraçou-a para confortá-la. Nguyen achou emocionante e fez imediatamente
o registro. Claro que, independente da história real da foto, deve haver várias
crianças no Nepal agora em semelhante imagem. Volto a ela. Note a linguagem
corporal das crianças. O que ela me diz? Que o tamanho da emoção da criança,
seja de medo, alegria, raiva, tristeza, afeto, independe do tamanho da
problemática da história. Por isso, não devemos menosprezar a intensidade da
emoção infantil dizendo “isso não é nada”, “é bobagem” ou ainda comparando com as
nossas emoções que parecem sempre maiores. Para a criança as suas emoções são reais
e intensas e precisará de vivências para conhecê-las e aprender a lidar com
elas. Deve assim ser reconhecida, respeitada e acolhida como fez o irmão e ir
além. Deve-se cuidadosamente trabalhá-las para o seu equilíbrio e amadurecimento. 12 de mai. de 2015
146. AMO QUANDO A CRIANÇA ME DÁ UM NÓ!
![]() |
| Sistema ósseo: estrutura para o que viria. |
Assisti com uma criança um vídeo lindo da BBC tendo como fundo a
música “What a wonderful world”. A letra, falada em poesia, era ilustrada por
maravilhosas imagens da natureza. Plantas, animais, rios, mares, sóis e luas
movimentavam-se em versos a encantar nossos sentidos. E eis que a criança
suspira e diz: “Como eu amo a natureza!” E é mesmo incrível notar como a criança
é extremamente sensível à natureza e a tudo o que a atinge. O que nos ajuda a
educá-la para continuar amando e não cair na armadilha “da força da grana que
ergue e destrói coisas belas” (Caetano Veloso). Biofilia é o que a criança tem de
sobra e que falta a tantos adultos. A palavra tem origem grega. Bio significa
vida. Philia, amor. Ou seja, amor à vida, instinto de preservação seja lá ao
que for. Há vários anos, estudava com alunos de 8-9 anos os sistemas do corpo
humano. Para deixar mais concreto sugeri que abríssemos um mamífero, mais
especificamente, um rato. Afinal somos todos parecidos por dentro. A crianças
ficaram indignadas e horrorizadas
comigo. Mas, gostaram da proposta e sugeriram abrirmos outro mamífero: um
indigente já morto. Minha cabeça deu um nó por um bom tempo. “Preferir abrir um
homem a um rato?!”, pensava. Então lembrei-me da biofilia, voltei ao olhar da
infância e notei vários condicionamentos culturais construídos em mim. Afinal,
só queriam trocar um vivo por um morto! Fazia sentido. Mas não abrimos nem
homem, nem rato. Encontrei outras formas também eficientes. E novamente estava
eu aprendendo e crescendo com as crianças.
26 de abr. de 2015
145. JÁ SEI NAMORAR!
A mãe de Júlia de 7 anos estava preocupada com o rápido
desenvolvimento da filha no quesito sexualidade. A menina era provocadora, já
sabia fazer caras e bocas, não saia do facebook, já usava maquiagem e dizia ter
namorados. A mãe chama-a para uma conversa. Feito adolescente, Júlia vem se
arrastando com cara de “Que saco!” A mãe diz: “Vamos conversar desses
namorados.” Júlia responde: “Você quer que eu te ensine a namorar!?” Infelizmente,
conheço algumas Júlias. Digo “infelizmente”, pois sou totalmente a favor da
criança viver a tão passageira infância. Mas também conheço muitos pais de
Júlias. Observemos ao redor e pensemos sobre. Já repararam como os adultos adoram
perguntar às crianças se elas já têm namorado? Pra que? Se as Júlias usam
maquiagem, quem as comprou? Com quem aprenderam a provocar? Será mesmo
necessário ter um smartphone aos 7? E porque não saem das redes sociais? Não
estaremos nós também fixados nelas? O que tenho proporcionado nos tempos livres
da criança? Tantas outras perguntas poderíamos nos fazer. Mas, o mais importante
é lembrar que tudo, TUDO o que a criança faz ela aprendeu. E é essa a minha
provocação do dia: O que tem sido proporcionado à criança para aprender e
desenvolver? Então, alguém pode reclamar: “Mas todas as crianças hoje usam maquiagem,
tem celulares, namoram! Vou criar um estranho no ninho?” Eu respondo: “Não
seria esse ninho estranho? Todo mundo igual?”
Queridos pais de Júlias, deixemo-nas serem crianças.
23 de abr. de 2015
144. QUE TIPO DE PAI/MÃE EU SOU NA ESCOLA?
Aposto que você já ouviu na escola do seu filho a palavra “parceria”. Por que as escolas têm insistido tanto nisso?
Voltemos um pouco no tempo. Pais trabalhavam fora e eram os
provedores. Mães cuidavam da educação dos filhos, enquanto a escola instruía. Rapidamente
essa realidade ficou para trás. Pais e mães viraram profissionais e coube à
escola todo o resto. Há vários anos, quando eu era professora de crianças, uma
mãe veio reclamar que eu não estava ensinando o seu filho a rezar (e a escola
era laica!) nem a amarrar o tênis. Fiquei pensando nas mudanças que estavam
ocorrendo e nas que estavam por vir. A escola, diante da nova realidade, viu-se
com papéis acumulados e com obrigações que não eram dela. Com o tempo e com o
desenvolvimento das ciências, a escola percebeu que o seu papel era bem maior
que a instrução, mas se viu sobrecarregada e começou a falar em parceria,
explicitar os papéis de cada um e a colocar limites, ainda que escutasse injustas
reclamações de incompetência. Pense: você tem um filho para educar. A escola
tem muitas crianças! Não dá para terceirizar a educação dos filhos! Mas
complementar as educações, escola e família, pode ser uma proveitosa e
maravilhosa parceria. Então vamos lá. Que tipo de pai/mãe você está sendo? O
que cabe a você e à escola? Pode melhorar o seu papel? Pode ser mais parceiro?
Pense cuidadosamente, pois entre a escola e a família há o seu filho. E lembre-se
que reflexão sem ação pode levar à tomada de consciência. Que já é bom, mas não
é muito.
20 de abr. de 2015
143. UM PASSO A FRENTE?

Sim e não, mas um passo por vez. Explico.
É muito comum observar pais desejando o próximo passo do filho. Rolou
na cama, já querem que sente. Sentou, já querem que ande. Andou, já querem que
fale. Falou, já querem que leia e escreva. E assim por diante. Por um lado,
isso é bem positivo, afinal sabemos o que a criança é e o que ela pode vir a
ser. E queremos ver progressos. Por outro lado, esse desejo pelo
desenvolvimento, se não for bem administrado, pode ser negativo. Primeiro que
gera mais ansiedade. E, já basta o tanto que ela brota em nós assim que viramos
pais. Pode ainda levar-nos ao erro de superlotar a agenda da criança para que
ela potencialize o seu progresso. Além disso, ouço muito a frase: “Não vejo a
hora que meu filho faça isso ou aquilo.” Todavia, ao focar o que a criança
poderá fazer podemos desfocar o que ela está fazendo. E é uma pena perder o
momento. Estes dias Gisele Bündchen despediu-se das passarelas e o motivo
principal pareceu-me ser os filhos. Sabia que estava a perder desenvolvimentos
importantes no aqui e agora. Não estou sugerindo que abandonemos a “passarela”,
mas que vivamos e nos encantemos com cada momento que a criança vive. Pois o
presente se faz do passado. E o futuro se faz do presente. Assim, pensar a um
passo à frente é fundamental para fazer planejamentos e tomar decisões. Mas
viver cada passo dado, cada nova aprendizagem da criança (e que são muitas!), é
o melhor investimento e o melhor presente. Caminhemos.
Assinar:
Postagens (Atom)




