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| Dra Yasmin Jayathirtha, fundadora do Centre for Learning. |
Em Bangalore, conheci dois projetos especiais. Um deles lembrou-me a deliciosa
Escola Ágora em Cotia-SP onde aprendi muito enquanto ensinava. O outro,
encantou-me o modo como nos foi apresentado, bem como a integração da
instituição em sua complexidade. Um projeto vivido por vários ângulos. (Falarei dele no post de n.140.)
Centre for Learning fica há 40 Km de Bangalore, e assim como a Ágora,
fica “em meio ao mato”, lugar privilegiado para muitos ensinos e aprendizagens,
com espaços inimagináveis a serem explorados. Foi criado em 1990 por um grupo
de educadores que queriam explorar a natureza da aprendizagem, a sua relação
com os desafios atuais e o desenvolvimento do eu interior. Assim, baseados em Krishnamurti,
fundamentaram a escola de forma não hierárquica, holística, interdisciplinar,
introspectiva, provocando mais perguntas do que oferecendo respostas. Não trabalham com recompensa e nem
punição. E buscam que o ambiente educativo
traga conforto e segurança para que os alunos possam ser vulneráveis,
enquanto buscam a própria verdade.
Tive o privilégio de participar de uma das aulas, que durou cerca de
duas horas. Voltei no tempo e me vi com meus alunos, há tantas e tantas milhas
dali. Eram dois professores, cerca de doze alunos de 10 a 11 anos, Ana Lucia Guimarães
(querida amiga e educadora) e eu. Todos sentados no chão, com os pés descalços
e no mesmo círculo. A aula deu início com os professores calmamente perguntando
o que os alunos haviam aprendido na aula anterior. (Bravo!) E alunos respondiam
com a mesma calma, sem nenhum tumulto. (Bem diferente da nossa realidade!) Esse
início já me deixou claro que a aula seria produtiva e construtiva. Logo o
professor passou um filme sobre o que estudavam: dinastia chinesa. Provocava
reflexões, novas perguntas que não eram por ele respondidas, mas que devolvia
aos alunos proporcionando-lhes inquietantes e novas questões, além de muito
crescimento. Os alunos mostravam muita atenção, participação, curiosidade e
respeito aos outros enquanto construíam seus conhecimentos. E cada um deles
anotava, em esquemas, o que achavam pertinente. O professor não dizia: “Isso é
para anotar.” “Posso apagar?” Não! Os alunos eram educados para serem autores
do conhecimento, da própria vida, com autonomia e responsabilidade. Cada
caderno era diferente do outro. (Aleluia!) Após essa rica troca, mudamos para a
sala ao lado, que era muito parecida com a que estávamos. Ou seja, não tinha
quase nada. Mas esta tinha um quadro que a diferenciava. E dos dois
professores, brotavam ainda mais debates, reforçando com as crianças os novos
conhecimentos (A neurociência agradece!), enquanto propunham a atividade a ser
feita em casa. Os alunos deveriam se imaginar pertencentes a dinastia chinesa e
escreverem em forma de uma peça teatral, ou uma carta, ou dialogando com alguém
da mesma época. Enfim, deveriam ser bem criativos para apresentar o que sabiam.
Isso me lembrou eu mesma. Adoro proporcionar tarefas assim, pois sei que o
cérebro do aluno adora. Nada melhor do que transformar dever de casa em prazer
de casa. (Atenção professores!).
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| Aula do querido professor Navneeth. |
Interessante que ainda almoçamos com eles, ficamos boa parte do dia
por lá e não vi nenhum smartphone, nem tablets, nem celulares comuns nas mãos
dos alunos ou de professores. Mas vi muito conhecimento vivo e de vida sendo alí
construído. (Boa refexão a se fazer.) E, em meio a intensa vegetação, lá estava
a biblioteca com uma metáfora pronta sobre a aprendizagem e a construção do
conhecimento. Contarei na próxima postagem, para então falar de Srishti com
seus lindos e integrados projetos.






























