13 de jan. de 2015

134. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: ÍNDIA E SUAS CURIOSIDADES II


A educação diz da cultura, que diz do ser. E na Índia, quase tudo tem um sentido. Assim seguem outras curiosidades que contextualizam o cenário vivido e nos ajudam a refletir também sobre nós e a nossa cultura onde se insere a educação.








NAMASTÊ E SHUKRIÁH
Duas palavras mágicas. Shukriáh quer dizer obrigado. E eles ficam bem felizes ao ouví-la. Namastê é uma maneira respeitosa de cumprimentar ou iniciar uma conversa e quer dizer algo como: O meu deus interior saúda o seu deus interior. É palavra que se diz também com corpo. Junta-se as palmas das mãos e curva-se o corpo. E é mágico o que acontece quando os corpos se curvam.  


PÉ NO CHÃO
 Em todo e qualquer lugar que se vai é preciso ficar descalço. E não só em interiores. Por isso, nada melhor que uma prática sandália que se tira e põe. Alguns turistas usam um sapato de algodão específico para tais locais. Mas como viver e sentir a Índia sem ter os pés no chão?


DIVERSIDADE
A Índia é pluralista, multilíngue e multiétnica, e é de uma plasticidade estonteante.  A língua mais falada é o Hindi, embora o Ingles seja uma língua bem difundida e que traz oportunidades. Há deuses aos milhões, e há diversas formas para adorá-los, pois a verdade única pode ser vista de diferentes formas e pessoas. Para Herman Hesse, o indiano é o povo mais genial da Terra em termos de religiosidade. No livro Minha Fé, diz que o hinduísmo, a religião dominante no país, com capacidade de transformação criadora, e em milhares combinações, admitiu elementos estranhos com infinita generosidade e tolerância. Exatamente como os rostos e figuras dos deuses hindus de vários braços, tem essa religião mil rostos, primitivos e refinados, infantis e másculos, suaves e sombrios em seus diversos e contraditórios dogmas, ritos, mitos, cultos todos convivendo pacificamente.
Exatamente como vi. E o respeito a diversidade pareceu-me um dos pontos alto desse país, ainda que se veja longos e sangrentos conflitos como no Paquistão e Caxemira.


ASHRAM
Estive em alguns e são fundamentais para acalmar a alma e o ouvido das buzinas. Na antiga Índia servia como eremitério hindu para os sábios. Hoje funcionam como um centro para promover a evolução espiritual dos seus membros, orientados por um líder religioso ou um místico. (foto ashram urbano) Talvez o mais importante que fui seja o SATYAGRAHA ASRAM, a beira do Rio Sabarmati, em Ahmedabad, onde Gandhi morou por 12 anos, formou uma escola, desenvolveu uma  filosofia (SATYA significa verdade e AGRAHA significa firmeza, constância) para o movimento de resistência a não-violência na Índia em prol da Independência do país, que ocorreu em 1947. Seis meses depois foi assassinado. Hoje esse Ashram é um museu com pinturas, fotos, cartas, manuscritos, relíquias pessoais, livros, ou seja, memórias concretas que dizem da vida de Gandhi. E como ele dizia: “A minha vida é a minha mensagem.” Mensagem que deixou clara: “Be the change you wish to see in the world.” (Seja a mudança que você deseja ver no mundo.) Há ainda em funcionamento um centro para crianças órfãs, que dá educação e envolve as crianças em trabalhos manuais junto com a comunidade e as vendem em uma loja local. Roupas, bolsas, almofadas, sacolas de presente, caixas, tudo feito a mão.



ALIMENTAÇÃO
Poderia resumir a comida indiana em uma palavra: PIMENTA. Come-a do café ao jantar, num prato grande acompanhado de potes menores para as várias opções, na maioria vegetariana. Difícil era degustar os alimentos que nos faziam soltar fogo pela boca e ventas. Dizem que a pimenta esteriliza os alimentos. E acostumam-se desde cedo. Em geral, as crianças mamam por um ano, sendo logo introduzidas ao ardor. No meu caso, os doces (Hum...) me salvaram. Deliciosos. Curioso... (e dica implícita). O alimento é comido com a mão direita. A esquerda é usada para se limpar. Há também talheres, mas pouco usam. E é bem comum, colocarem a mão em nossa comida ensinando-nos a prepara-la.
A cultura não é uma maravilha? Como ousar dizer qual está certa?

No próximo post um pouco mais da Índia. Acompanhe, comente, aumente o conhecimento. Deixe aqui a sua contribuição.

7 de jan. de 2015

133. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: ÍNDIA E SUAS CURIOSIDADES I


Fomos a 6 cidades na Índia. Mumbai, Bangalore, Pune, Ahmedabad, Agra, Nova Delhi. Visitamos Universidades, escolas, projetos educacionais,  favelas, templos, monumentos, ashrams, museus. Participamos de rituais, laboratórios e eventos ricos em trocas culturais e pessoais. Jantares e encontros com mentes brilhantes, gente interessante e comidas picantes. E ainda de redondas rodas de ciranda que nos colocavam, brasileiros e indianos, no mesmo fôlego e compasso, mais do que no BRICS.
Dessas experiências, iniciarei compartilhando curiosidades que contextualizam o cenário vivido para então chegar à educação.

POPULAÇÃO:
Eu achava que o Brasil era populoso, mesmo já tendo ido à China. Mas desta vez foi diferente. Talvez eu tenha sentido mais as pessoas. Entre no Taj Mahal e sentirá o que quero dizer. Sei que achei o nosso país pequeno. A Índia tem 1 bilhão e 200 milhões de habitantes. Um bilhão a mais do que nós! Imagine a Finlândia com seus 5 milhões! Relativo. Tudo é relativo.


CURIOSA PROPORÇÃO:
Perguntei a um guia qual a proporção entre homens e mulheres, visto que se vê muito mais homens pelos lugares. Achei curioso o modo como respondeu: “Para cada mil homens, 900 mulheres.” Nós usaríamos a proporção 10 para 9 ou no máximo 100 para 90, não é? Afinal, somos apenas 200 milhões! Tudo é relativo!

POLUIÇÃO E CORES:
As cidades possuem construções antigas e mal cuidadas, sendo marcadas pela cinzenta e densa poluição. Mas, da monocromia cinza brotam cores vindas das vestimentas, das especiarias, das pinturas e decorações. Mandalas de flores espalham-se pelos lugares, colorindo e embelezando o ambiente. Um charme! Enquanto a poluição promove lindos pores do sol, avermelhando em espetáculo os vários tons de cinzas. E mais uma vez, as várias conexões caóticas, neste caso, das cores, não agridem o olhar, mas deixa tudo lindo! Coisas da Índia.


VESTIMENTA:
Há duas roupas bem comuns entre as mulheres, sempre com lenços, caximiras, panos, muitos panos. O sari é composto por um tecido de 6 metros que se enrola ao corpo. Usa-se com um top. E o shalwaar kameez que é um conjunto de calça, túnica e dupatta (echarpe), usado e aprovado por mim. Ultra confortável. Entre os homens se vê dhoti, um pano enrolado no corpo como se fosse saia, mas é mais comum o kurta pajama, que é a bata longa com a calça. Mas se vê muito homem de calça e camisa, na maioria xadrez. E entre os jovens começa-se a se ver os efeitos da globalização e ocidentalização.
Curioso... Os saris mostram a barriga. E está tudo bem até nas mais foras de forma ou mais velhas. Mas ouse mostrar as pernas! Adoro essas construções feitas pela cultura! Ajuda a refletir também a nossa!

ASSESSÓRIOS E CIA:
O assessório costuma ter muita cor e brilho. O mais frequente é o bindi, uma marca na testa. São de várias cores e formatos e são várias as histórias de seu simbolismo. Em suma, o chamado terceiro olho ou olho da sabedoria, é para os hindus um dos pontos mais importantes do corpo. Serve como proteção e para a concentrausam a  homens gostam da tintura e comportamziam: ção  do eu interior no verdadeiro mundo, o espiritual. Corresponde a intuição, percepção e desenvolvimento do conhecimento. E em muitos lugares é-se recebido com a marca. Muitas mulheres também pintam a fronte na raiz do cabelo emitindo sinais culturais: é casada. E é comum homens com hena.


TRÂNSITO:
Sabia que o transito na Índia era uma loucura, mas não imaginava o quanto. É experiência com emoções andar de Tuk Tuk (Oto) em meio a tantos outros, a tantas pessoas, buzinas, carros, motos, ônibus, a tantos tudo tão próximos do corpo! Pode-se ainda deparar-se com vaca, camelo, macaco, elefante em meio a pista. Sinal vermelho e verde? Existe, mas não tem serventia. É na base do “Salve-se quem puder” e do “vai ou vai”. Incrivelmente, raríssimos são os acidentes, atropelamentos, brigas, xingamentos. E vê-se muita coordenação,  percepção, habilidade espaço-temporal e flexibilidade dos que participam desse caos loucamente embalado a muita buzina. Os indianos diziam: “Buzinar é costume.” Mas como saber qual a buzina é para você? Eles não sabiam. A buzina parecia ser apenas um som da Índia.

Na próxima postagem, outras tantas curiosidades. Acompanhe, comente, acrescente.

5 de jan. de 2015

132. NOVA SÉRIE “EDUCAÇÃO PELO MUNDO”: ÍNDIA: PRIMEIRAS IMPRESSÕES.


Fui a Índia com alguns propósitos. Entre eles, pesquisar, in loco, projetos educacionais transformadores e voltados à educação de qualidade, como tenho feito em outros países. Apreender da cultura. Vivenciar e potencializar os sentidos e o ser. E, realmente não dá para voltar igual ou indiferente da Índia. Liderados pela encantadora Vashima Goyal da Eduretreat e com o imprescindível apoio da Avante Educação e Mobilização Social, lá fomos nós conhecer desse país tão cheio de mistérios. Sempre que vou a um país, procuro estudar um pouco antes e ampliar minha imaginação sobre ele. E sempre me surpreendo com a diferença entre o que imaginei e o que reamente é. Ansiava conhecer a Índia, mas preocupava-me os estupros, a pobreza, o lixo, as contaminações, os religiosos mais radicais. Mas, a Índia já de cara te pega de jeito e transforma o seu olhar. Junto com ele o seu sentir. E aí a viagem começa.  Mas sabe quando você vê uma lua linda, enorme, brilhante e tira uma foto? O que vê na câmera? Uma bolinha branca bem diferente da lua que se viu. Falar da Índia é mais ou menos assim. País para ser vivido, muito mais do que contado. É país de sentidos, de olhares, de metáforas. É país que se conecta com o caos em múltiplas e diversas conexões, mas que magicamente mostra harmonia! País da flexibilidade, diversidade, integração, barulho e silencio. País que produz em nós coisas que não se nomeiam. E tantas outras para compartilhar. E é o que aqui farei.
Inicia mais um EDUCAÇÃO PELO MUNDO. Vamos nessa?

16 de dez. de 2014

130. LIGIA PACHECO: DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL.


Há quinze anos apresento pesquisas e  ministro palestras e cursos em congressos nacionais e internacionais e em empresas, em especial, as educacionais.
Seguem alguns temas para Empresa, Equipe Pedagógica e Pais. Todos são dinâmicos, teórico-práticos e facilitam mudanças.

Escolha o seu ou traga a sua necessidade para novo tema.



PARA EMPRESA

COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL.
Desenvolver comportamentos básicos para ambiente produtivo e vivo na organização. Como liderança, percepção, pró-atividade, empreendedorismo, responsabilidade,gerenciamento de emoção, motivação, comunicação, autonomia, relações intra-interpessoais.

AS NEUROCIÊNCIAS NA ORGANIZAÇÃO
Conhecer e aprender a atuar nos mecanismos cerebrais que colaboram com o desenvolvimento pessoal e grupal, para melhorar desempenho, envolvimento, motivação e satisfação de todos os envolvidos na organização.

TEAM BUILDING: FORMAÇÃO DE EQUIPES DE ALTO DESEMPENHO.
Vivências que afloram comportamentos pessoais, emocionais, de trabalho em equipe e de resolução de problemas. Relaciona-os com os princípios do team building e traz ferramentas para ressignificá-los em prol de uma equipe de alto desempenho.

PARA EQUIPE PEDAGÓGICA

LIDERANÇA NA SALA DE AULA: COMO ALCANÇÁ-LA?
Identifica os tipos de liderança em situações reais de sala de aula, as concepções que as fundamentam, e as ações que ajudam (ou atrapalham) no desenvolvimento do aluno. Elenca as mudanças necessárias para bem liderar aprendizagens e pessoas.

AS NEUROCIÊNCIAS NO COTIDIANO EDUCACIONAL.
Conhecer nos mecanismos cerebrais de aprendizagem o porquê (e como) diversificar ações didáticas, desenvolver os hemisférios, valorizar atenção, esforço, reforço, emoção, motivação e uso dos sentidos e do movimento no planejamento do cotidiano educacional.

NOVOS RUMOS DA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE.
Fruto de pesquisas educacionais pelo mundo, trata de pensar, identificar e elencar o que é fundamental na educação atual e futura, bem como as competências e habilidades necessárias ao ensinante e aprendiz de uma educação de qualidade.

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: CONCEPÇÕES E AÇÕES.
Conceitua alfabetização e letramento e a evolução dos termos. Identifica e aprofunda as fases da criança na psicogênese da língua escrita e como ajudá-la no processo. E, diz da importância da consciência fonológica e da escrita como sistema notacional.

POR QUE, O QUE E COMO DESENVOLVER A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL.
Por muito tempo as instituições de ensino focaram o desenvolvimento da razão. Hoje sabemos a grande importância da Inteligência Emocional, inclusive para a viabilização da aprendizagem. Além disso, cerca de 80% das demissões no mercado de trabalho ocorrem devido a falta de tal desenvolvimento. Assim, trata-se de trabalhar os principais elementos de tal inteligência, trazendo exemplos práticos de como desenvolvê-los no cotidiano escolar.

PARA PAIS

ADAPTAÇÃO DA CRIANÇA (E DOS PAIS) NA ESCOLA.
A adaptação é proporcional ao conhecimento que se tem dela. Assim, trata dos 4 pilares (escola-família-aluno-conhecimento) como base de uma boa educação, destacando o que ajuda (e atrapalha) na adaptação de pais e filhos na escola.

COMO EDUCAR FILHOS NA ATUALIDADE
Reflete como os pais foram educados e os novos paradigmas educacionais para introduzir temas como: Terceirização e fim da infância, formação, relação, respeito, comunicação, indisciplina, superproteção, tirania infantil, limite, com dicas de como fazer.

COMO AJUDAR O SEU FILHO A APRENDER E DESENVOLVER.
Conceitua e relaciona a aprendizagem e o desenvolvimento. Busca entender como funcionam tais mecanismos a nível cerebral para poder criar ações que favorecem as aprendizagens e os desenvolvimentos da criança.


LIGIA PACHECO: Mestre em Filosofia da Educação (USP), graduada em Pedagogia (USP) e Educação Física (USP). Especialista em Neuropsicologia, Personal & Professional Coaching. Pesquisa e experiência docente da Educação Infantil à Pós-Graduação. Palestras, cursos, workshops que abrangem o desenvolvimento pessoal e profissional. Assessora Educacional, elaboração e execução de projetos educativos e Escola de Pais. Colunista da Revista Pais & Filhos e Autora do blog FILHOsofar.

9 de dez. de 2014

129. DEZEMBRO DE 2014



Em pouco menos de um mes já estaremos em outro ano. Muito a agradecer nesse diferente 2014, ano marcante para muitos. Grata 2014, grata a você, leitor, por suas trocas, comentários, encorajamentos, aconchegos.
Este ano fui a sete países, em sua maioria, para pesquisar in loco projetos educacionais que geram transformações e dizem dos novos rumos da educação de qualidade. Noto, que quanto mais distante de minha cultura, mais a enxergo, assim como a mim mesma e as possibilidades de mudanças. As próximas postagens serão dedicadas à Índia, país que é mais para viver do que escrever. Mas há muito a compartilhar assim como já fiz nesse blog com a China, Rússia, Finlândia, Croácia, Estados Unidos. Este ano, ainda dei palestras, cursos, aulas em pós-graduação, escrevi as colunas na Pais & Filhos e alimentei com doçura esse blog FILHOsofar, onde compartilho para pais, professores e interessados, experiências educacionais de nossa e outras culturas. E para bem fechar o ano, fui convidada para ser cronista de um site de Portugal premeado e bem recomendado no país. Chamei esse espaço de “MÃEchete do dia”, onde falarei da minha experiência como mãe de um jeito bem sincero e humano.
Ps: Na página do blog você encontra os links tanto para  as colunas na Revista Pais & Filhos Coluna na Pais & Filhos, como para a última MÃEchete do dia MÃEchete do dia e as palestras e cursos mais requisitados.
Ps2: Em breve teremos os posts também em Ingles. Aguarde.
Soon the posts will have version in English. Hold up!

18 de nov. de 2014

128. PENSAMENTO INDIANO E A EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS.

Meu pai e minhas filhas. Foto com várias interpretações. 

Essa postagem foi pré-programada, assim como as anteriores. Hoje  escrevo no presente imaginando a possibilidade do futuro.
Nesse momento, devo estar do outro lado do mundo há 10 dias, fazendo mais uma pesquisa educacional, cultural e pessoal. Visitando escolas, universidades e tendo encontros com mentes brilhantes que percebem a educação de modo bem diferente do mundo ocidentalizado. Devo ainda estar conhecendo mais uma cultura e alimentando os meus sentidos num país tão diferente, país dos contrastes, onde parece se perceber simultaneamente o caos e a paz.
Dizem que quem vai a India volta transformado. E sei que assim voltarei, pois quando nos abrimos às novas aprendizagens, e elas acontecem, nossos circuitos mentais já não são os mesmos, transfomando nossa visão de mundo e de gente, incluindo a nós mesmos. Além disso, lá farei 50 anos, o que será bem significativo para mim.
Por ora, deixo-lhes um pensamento indiano que, a mim, muito diz dos filhos e das possibilidades que a educação irá gerar. E na volta trarei as novidades já vividas e as transformações experimentadas.

Para refletir:
A semente carrega em si a memória do passado e a possibilidade do futuro.

Até a volta!

12 de nov. de 2014

127. PRESIDENTE DA PRÓPRIA VIDA.


Em um dos estágios que minha filha passou, encontrou em sua mesa o seu nome com uma observação abaixo: Presidente (da sua própria vida). Foi uma brincadeira de boas vindas do colega e que achei genial. Pois é exatamente o que eu acredito e que busquei prepara-la para tal. Aos 19 anos, Gabi já havia passado por alguns estágios em áreas distintas para melhor conhecer a profissão que havia escolhido. Confesso que fiquei em conflito, pois desde os 17 já trabalhava, estudava, cuidava da casa e já começava a pagar as primeiras contas. Temi que estivesse pulando etapas. Porém, ao olhar para os jovens do primeiro mundo, via que eles faziam o mesmo percurso. Nós brasileiros somos mais protetores ou até exageradamente superprotetores. Foi então que Gabi recebeu uma proposta do trabalho dos seus sonhos e que havia batalhado por ele. Não era mais um estágio. Refletiu, trocamos muitas conversas, percebeu que a vida de adulto começara. Dirigiu-se ao empresário e lhe disse que estava lisonjeada com a proposta, mas que precisaria parar um pouco para refletir o rumo que queria dar a sua vida. Ele respondeu-lhe: “Voe...voe... e na volta pouse aqui.” E lá foi ela para a Austrália estudar, desenvolver novas habilidades, enquanto vivencia outra cultura, outros trabalhos, explora lugares e se conhece melhor. Ser presidente da própria vida também é processual. Prepare o seu filho desde pequeno para ir assumindo as suas escolhas, decisões, erros, problemas, conflitos. Não o abandone ou assuma por ele, mas seja seu parceiro-orientador nessa empreitada. E delicie-se com os frutos.





7 de nov. de 2014

126. SERÁ QUE CONHEÇO O MEU FILHO/ALUNO?



Sabemos que o conhecimento amplia a nossa percepção e aumenta nossas possibilidades de ação. Se você é formado, por exemplo, em odontologia, você terá uma percepção bem diferente do sorriso das pessoas do que a de um leigo. Se é formado em arquitetura, sua visão para as construções deve ser bem mais ampla do que a visão de um advogado ou médico. Basta ver quando fazemos faculdade, o quanto o conhecimento amplia a nossa percepção naquela área, aumentando as chances de acerto nas ações. Mas e com os filhos? Uma faculdade para pais ajudaria tanto!
Graças a essa necessidade é que criei esse blog como também tenho ministrado palestras e cursos pelo Brasil para pais e professores abordando temas diversos.
Se você tiver interesse em alguma palestra para a sua instituição ou se quiser fazer um grupo de pais para ampliar os conhecimentos sobre o desenvolvimento e a educação dos filhos, e poder agir com mais consciência e assertividade, contate-me. Tenho certeza que você conhecerá muito mais do seu filho/aluno, de suas potencialidades e possibilidades. E poderá fazer grande diferença no seu desenvolvimento.

3 de nov. de 2014

125. BAÚ VERDE

Bel

Trocando e-mails com Valéria Tavares fui tocada por sua ideia, profissionalismo e pessoa. Pedi-lhe então que escrevesse um texto para aqui postar. Ei-lo.

“A Bel nasceu em Londres, e lá era tudo mais fácil. Fiz uma boa rede de mães e trocávamos não só dicas e conselhos, mas também roupas e brinquedos. Quando precisava comprar algo, quase sempre escolhia comprar usado. Objetos que não tinham mais utilidade eram rapidamente passados adiante.
Aí nos mudamos para o Brasil. Foi no susto. Descobri um câncer quando estava aqui de férias e ficamos para fazer o tratamento. Como não foi uma mudança planejada, o estranhamento foi grande. Ao olhar a nosso redor, ficamos assustados com o que vimos: preços surreais e mesmo assim um consumismo exacerbado. Crianças que de tanto terem tudo não apreciavam nada. Uma cultura do “é meu” que não dava espaço para uma visão coletiva. Pensamos: não é assim que queremos criar nossa filha.
Por acaso, essa reflexão se deu na época do aniversário da Bel. Trouxemos da Inglaterra dois brinquedos incríveis com a certeza de que seriam um sucesso: um patinete com banquinho e um andador de madeira com blocos. Ela detestou os dois. Começou a andar só com 16 meses então até lá os brinquedos não faziam sentido para ela. Viraram decoração. E foi por isso que criamos o Baú Verde. Alugamos brinquedos para o dia-a-dia de crianças de 0 a 4 anos. São aqueles brinquedos do dia-a-dia mesmo, super importantes para o desenvolvimento das crianças mas que são caros e logo são ignorados. O Baú Verde é nossa contribuição para aqueles pais que, como nós, querem dar diferentes estímulos para os filhos de uma forma mais consciente e sustentável.
Para conhecer melhor, acesse: www.bauverde.com.br.”