9 de dez. de 2014

129. DEZEMBRO DE 2014



Em pouco menos de um mes já estaremos em outro ano. Muito a agradecer nesse diferente 2014, ano marcante para muitos. Grata 2014, grata a você, leitor, por suas trocas, comentários, encorajamentos, aconchegos.
Este ano fui a sete países, em sua maioria, para pesquisar in loco projetos educacionais que geram transformações e dizem dos novos rumos da educação de qualidade. Noto, que quanto mais distante de minha cultura, mais a enxergo, assim como a mim mesma e as possibilidades de mudanças. As próximas postagens serão dedicadas à Índia, país que é mais para viver do que escrever. Mas há muito a compartilhar assim como já fiz nesse blog com a China, Rússia, Finlândia, Croácia, Estados Unidos. Este ano, ainda dei palestras, cursos, aulas em pós-graduação, escrevi as colunas na Pais & Filhos e alimentei com doçura esse blog FILHOsofar, onde compartilho para pais, professores e interessados, experiências educacionais de nossa e outras culturas. E para bem fechar o ano, fui convidada para ser cronista de um site de Portugal premeado e bem recomendado no país. Chamei esse espaço de “MÃEchete do dia”, onde falarei da minha experiência como mãe de um jeito bem sincero e humano.
Ps: Na página do blog você encontra os links tanto para  as colunas na Revista Pais & Filhos Coluna na Pais & Filhos, como para a última MÃEchete do dia MÃEchete do dia e as palestras e cursos mais requisitados.
Ps2: Em breve teremos os posts também em Ingles. Aguarde.
Soon the posts will have version in English. Hold up!

18 de nov. de 2014

128. PENSAMENTO INDIANO E A EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS.

Meu pai e minhas filhas. Foto com várias interpretações. 

Essa postagem foi pré-programada, assim como as anteriores. Hoje  escrevo no presente imaginando a possibilidade do futuro.
Nesse momento, devo estar do outro lado do mundo há 10 dias, fazendo mais uma pesquisa educacional, cultural e pessoal. Visitando escolas, universidades e tendo encontros com mentes brilhantes que percebem a educação de modo bem diferente do mundo ocidentalizado. Devo ainda estar conhecendo mais uma cultura e alimentando os meus sentidos num país tão diferente, país dos contrastes, onde parece se perceber simultaneamente o caos e a paz.
Dizem que quem vai a India volta transformado. E sei que assim voltarei, pois quando nos abrimos às novas aprendizagens, e elas acontecem, nossos circuitos mentais já não são os mesmos, transfomando nossa visão de mundo e de gente, incluindo a nós mesmos. Além disso, lá farei 50 anos, o que será bem significativo para mim.
Por ora, deixo-lhes um pensamento indiano que, a mim, muito diz dos filhos e das possibilidades que a educação irá gerar. E na volta trarei as novidades já vividas e as transformações experimentadas.

Para refletir:
A semente carrega em si a memória do passado e a possibilidade do futuro.

Até a volta!

12 de nov. de 2014

127. PRESIDENTE DA PRÓPRIA VIDA.


Em um dos estágios que minha filha passou, encontrou em sua mesa o seu nome com uma observação abaixo: Presidente (da sua própria vida). Foi uma brincadeira de boas vindas do colega e que achei genial. Pois é exatamente o que eu acredito e que busquei prepara-la para tal. Aos 19 anos, Gabi já havia passado por alguns estágios em áreas distintas para melhor conhecer a profissão que havia escolhido. Confesso que fiquei em conflito, pois desde os 17 já trabalhava, estudava, cuidava da casa e já começava a pagar as primeiras contas. Temi que estivesse pulando etapas. Porém, ao olhar para os jovens do primeiro mundo, via que eles faziam o mesmo percurso. Nós brasileiros somos mais protetores ou até exageradamente superprotetores. Foi então que Gabi recebeu uma proposta do trabalho dos seus sonhos e que havia batalhado por ele. Não era mais um estágio. Refletiu, trocamos muitas conversas, percebeu que a vida de adulto começara. Dirigiu-se ao empresário e lhe disse que estava lisonjeada com a proposta, mas que precisaria parar um pouco para refletir o rumo que queria dar a sua vida. Ele respondeu-lhe: “Voe...voe... e na volta pouse aqui.” E lá foi ela para a Austrália estudar, desenvolver novas habilidades, enquanto vivencia outra cultura, outros trabalhos, explora lugares e se conhece melhor. Ser presidente da própria vida também é processual. Prepare o seu filho desde pequeno para ir assumindo as suas escolhas, decisões, erros, problemas, conflitos. Não o abandone ou assuma por ele, mas seja seu parceiro-orientador nessa empreitada. E delicie-se com os frutos.





7 de nov. de 2014

126. SERÁ QUE CONHEÇO O MEU FILHO/ALUNO?



Sabemos que o conhecimento amplia a nossa percepção e aumenta nossas possibilidades de ação. Se você é formado, por exemplo, em odontologia, você terá uma percepção bem diferente do sorriso das pessoas do que a de um leigo. Se é formado em arquitetura, sua visão para as construções deve ser bem mais ampla do que a visão de um advogado ou médico. Basta ver quando fazemos faculdade, o quanto o conhecimento amplia a nossa percepção naquela área, aumentando as chances de acerto nas ações. Mas e com os filhos? Uma faculdade para pais ajudaria tanto!
Graças a essa necessidade é que criei esse blog como também tenho ministrado palestras e cursos pelo Brasil para pais e professores abordando temas diversos.
Se você tiver interesse em alguma palestra para a sua instituição ou se quiser fazer um grupo de pais para ampliar os conhecimentos sobre o desenvolvimento e a educação dos filhos, e poder agir com mais consciência e assertividade, contate-me. Tenho certeza que você conhecerá muito mais do seu filho/aluno, de suas potencialidades e possibilidades. E poderá fazer grande diferença no seu desenvolvimento.

3 de nov. de 2014

125. BAÚ VERDE

Bel

Trocando e-mails com Valéria Tavares fui tocada por sua ideia, profissionalismo e pessoa. Pedi-lhe então que escrevesse um texto para aqui postar. Ei-lo.

“A Bel nasceu em Londres, e lá era tudo mais fácil. Fiz uma boa rede de mães e trocávamos não só dicas e conselhos, mas também roupas e brinquedos. Quando precisava comprar algo, quase sempre escolhia comprar usado. Objetos que não tinham mais utilidade eram rapidamente passados adiante.
Aí nos mudamos para o Brasil. Foi no susto. Descobri um câncer quando estava aqui de férias e ficamos para fazer o tratamento. Como não foi uma mudança planejada, o estranhamento foi grande. Ao olhar a nosso redor, ficamos assustados com o que vimos: preços surreais e mesmo assim um consumismo exacerbado. Crianças que de tanto terem tudo não apreciavam nada. Uma cultura do “é meu” que não dava espaço para uma visão coletiva. Pensamos: não é assim que queremos criar nossa filha.
Por acaso, essa reflexão se deu na época do aniversário da Bel. Trouxemos da Inglaterra dois brinquedos incríveis com a certeza de que seriam um sucesso: um patinete com banquinho e um andador de madeira com blocos. Ela detestou os dois. Começou a andar só com 16 meses então até lá os brinquedos não faziam sentido para ela. Viraram decoração. E foi por isso que criamos o Baú Verde. Alugamos brinquedos para o dia-a-dia de crianças de 0 a 4 anos. São aqueles brinquedos do dia-a-dia mesmo, super importantes para o desenvolvimento das crianças mas que são caros e logo são ignorados. O Baú Verde é nossa contribuição para aqueles pais que, como nós, querem dar diferentes estímulos para os filhos de uma forma mais consciente e sustentável.
Para conhecer melhor, acesse: www.bauverde.com.br.”


28 de out. de 2014

124. COMPORTAMENTO DAS MENINAS


No museu Metropolitan em Nova Iorque, apreciando os quadros, notei que independente da época e do país as meninas muito se parecem em seus comportamentos. Mudam-se as roupas, as formas de interagir e agir, os objetos que as atraem, mas a essência me parece a mesma.
Primeiro, requerem a mão de quem as cuidam para inserirem-se com segurança no desconhecido mundo ao seu redor.
Cecilia Beaux
Ernesta (Child with nurse)

Mais desenvolvidas socialmente, agrupam-se para brincarem, brigarem, disputarem poder e fazerem conchavos. E já mostram bem a personalidade.
Frank W. Benson
Children in woods.

Possuem também os momentos de solidão, tristeza e rejeição. Quem já não passou por isso?
Robert Henri
Dutch girl in white.

Trocam entre elas conhecimentos, fofocas, segredos que na primeira briga irão as comprometer. As menores adoram estar entre as maiores. O mundo abre-se repentinamente, fazendo-as crer que já são grandes.
James Jebusa Shannon
Jungle Tales.

Um pouco maiores, continuam a se agruparem, mas as conversas são outras. E a postura também.
William Mc Gregor Paxton
Tea leaves.

E não podia faltar o tédio que as lançam na cama trazendo um misto de prepotência, sensualidade, mesmice e inquietude. Hora de se verem mulher e dar conta do rumo que irão tomar.
John White Alexander
Repose.

22 de out. de 2014

123. MINHA MAFALDA


Conheci uma menina que muito me lembra a Mafalda por suas tiradas, colocações e observações. 
Ela estava com o pai a fazer compras. Em uma loja a vendedora ofereceu-lhe balas. Ela hesitou em pegar, olhou para o pai e lhe perguntou: “Qual eu escolho?” A vendedora sem esperar a resposta do pai, disse-lhe: Você não acha que está muito grandinha para pedir para o seu pai escolher?” E a minha Mafalda respondeu-lhe sem pestanejar: “É que meu pai gosta muito mais de balas do que eu. Vou pegar  para ele.”
Cara vendedora, caros pais, caras pessoas,
Julgar uma ação sem antes conhecer o porquê dela pode ser uma péssima ideia. Quantas vezes, julgamos nossos filhos ou mesmo as pessoas sem antes estarmos certos de suas intenções? Consciente ou inconscientemente, toda ação traz concepções e intenções. Atentemo-nos a elas. E as desvendemos  antes de ter uma errônea reação.
O vídeo abaixo ilustra o que quero ressaltar. E a mim, faz chorar. Como são especiais as crianças! Como temos a aprender com elas!  Clique e aproveite.


13 de out. de 2014

122- RECOMENDO


Pela primeira vez viajei sozinha com uma das filhas. Camila faria 18 anos e lá fomos nós comemorar em alto estilo: Nova Iorque. Nenhuma das duas filhas moram mais conosco, e então aproveitar ao máximo cada situação é fundamental. O mais interessante nesses quinze dias de estreita convivência é que não vi mais a relação mãe e filha, mas sim de uma grande parceria, em que nos cuidávamos e colocávamos o nosso talento em prol de melhor aproveitarmos o dia e a nós mesmos, num roteiro que agradasse as duas. Como diz a canção NY não dorme e pouco dormimos também, pois há tanta coisa para se ver e fazer nessa cidade multicultural, tanta vida e ricas experiências, que queríamos aproveitar cada minuto. E a melhor forma que encontramos foi caminhar por toda (ou quase toda) Manhattan, e fora dela também. Creio termos caminhado cerca de 15 km por dia! Foi maravilhoso rever lugares, conhecer novos, reconhecer os locais vistos em filmes e seriados, alimentar os sentidos nas telas e esculturas dos grandes gênios da arte nos vários museus que a cidade aloja. Rico foi ouvir as tão diversificadas línguas ali faladas (mais de 150), ver o mundo todo representado na Times Square, encantar-se com os shows da Broadway, com o colorido outonal das folhagens do Central Park, com o canto gospel na Igreja Abyssinian. 
Surpreendente ter encontrado duas gigantes fênix do chinês Xu Bing em plena nave da Catedral de Saint John the Divine, após uma missa de benção aos cães. Delicioso o menu do Bistrô La Bonne Soupe (a melhor sopa de cebola eleita por nós), comer cup cake no The Magnolia Bakery, acompanhar o crescer da lua entre os gigantes e iluminados arranha-céus e delirar com as fascinantes vitrines da 5th Ave. Um prazer passear por charmosos bairros como Greenwich Village e Soho, atravessar a pé a ponte do Brooklyn, visitar tantos parques, centros culturais, igrejas, universidades, os tradicionais pontos turísticos e ver a cidade do alto e por tantos ângulos. Mas melhor de tudo mesmo, independente do lugar, foi ter a companhia adorável de Camila, compartilhar com ela os sentidos e o sentir, educarmo-nos simultaneamente, enquanto de mãos dadas explorávamos NYC e a nós mesmas. Uma experiência única e inesquecível. Recomendo. 

Rockefeller Center
5th Avenue
Johannes Vermeer no MET
A melhor sopa de cebola
Local onde ficava uma das Torres Gêmeas
Fênix em St John the Divine
Vista de Manhattan da Ponte do Brooklyn
Prá quem assistiu Gossip Girl...
Lincoln Center
PARABÉNS CAMILAAAAA!!!!







8 de out. de 2014

121- DUAS IMAGENS E UMA REFLEXÃO.


Dizem que uma imagem diz mais do que mil palavras. E ao ver estas duas eu só penso numa coisa: 

QUAL DESSAS IMAGENS DIZ DA EDUCAÇÃO QUE DAMOS AOS FILHOS?



    



1 de out. de 2014

120- FILHOS E PAIS QUE VOAM.


Sempre buscamos dar uma boa base às nossas filhas, cientes de que temos limitações. Fazer realmente o melhor que se pode fazer naquele momento é sempre uma boa dica. Como também surpreender-se ao saber que se pode mais. Em suma, procuramos desenvolver-lhes, ao mesmo tempo, raízes (fundadas em princípios, valores e conhecimentos) e asas (que possibilitam sonhar, imaginar e criar movimento). E, num piscar de olhos, suas raízes e asas ganharam lindamente tamanho, personalidade e força. Há algum tempo, a minha filha mais velha, pediu-me orientação para um vôo mais ousado. Analisamos juntas e lhe disse: Voe... voe. Mas quando me dei conta, eu pisava discretamente em suas asas impedindo-a de voar. Tomar consciência é o primeiro passo da mudança. Sentei comigo mesma e conversei por horas: Lígia e Lígia. Tirei meu pé de suas asas e lhe disse: “Voe, minha filha!” Ela olhou para os meus olhos, abraçou-me fortemente e disse: “Obrigada, mãe. Obrigada por tudo. Agora chegou a hora de você retomar o seu voo.” A mais nova complementou: “Imagino o quão difícil deve ser deixar os filhos voarem e ver que eles conseguem voar sem os pais.” E seguiu também agradecida. Aprendi que temos que preparar os filhos e a nós mesmos para o voo. Deixa-los realmente voar. Continuar nossos voos e saber que vamos nos tornando cada vez mais desnecessários. Assim como é naturalmente no reino animal. Voemos todos sem nos desprendermos das raízes que nos alimentam. Ouço o ruflar de asas...