Como quase tudo na vida, depende. Há brinquedos geniais que ajudam a
desenvolver a imaginação, o autoconhecimento, a socialização, a coordenação, a
lógica, a cognição, a emoção, entre outros. Como há brinquedos que preocupam,
como muitos eletrônicos. Vi um menino ávido por matar grávidas, pois valiam o
dobro. Arrepiei-me. Pois ainda que seja virtual, a experiência fica registrada
no cérebro da criança, com suas aprendizagens, sejam boas ou ruins. Além disso,
a criança demora a distinguir realidade de fantasia. Cuidado, cuidado! Também, diversificar
com muitos brinquedos não é efetivo. Já sabemos pelo nosso guarda roupa que
quanto mais opções, mais nos parece que não há nada para vestir. Quase toda
criança, cercada de brinquedos, diz: “Não tenho nada para brincar!” Além disso,
brinquedos prontos tendem a limitar, pois já possuem uma função e um modo de operar.
Comparemos um carrinho com controle remoto com um carrinho feito pela criança
de garrafa pet, rodas de tampas que se movimentam com roldanas e elásticos.
Qual destes dois brinquedos propiciam mais desenvolvimentos à criança? Há
escolas, como na Noruega, que trocam os brinquedos por sucatas, tecidos, roupas,
almofadas para que as crianças criem. Trabalhei em uma em SP que o maior
brinquedo era a natureza. As crianças inventavam coisas incríveis. O que se percebe?
Que elas tornam-se mais criativas (fundamental aos dias atuais), usam mais a
imaginação (essencial à alfabetização) e tem menos conflitos entre elas. E o melhor,
nenhuma criança reclama e adora. Fica aí a dica.
Este BLOG serve a quem quer refletir, conhecer e agir na EDUCAÇÃO de filhos, alunos, colaboradores.
22 de set. de 2016
5 de ago. de 2016
184. AOS RESPONSÁVEIS PELA CRIANÇA E PELO JOVEM.
Fim de férias, volta às aulas, volta à rotina. Feliz novo semestre! E nele
inicio com desejos àqueles responsáveis pela criança e pelo jovem.
Quero desejar que consigam ter mais tempo com eles em quantidade
e qualidade. Que tenham tempo também para si e encontrem suas válvulas de
escape. Que tenham coragem, perseverança, ânimo, determinação e vontade para
bem educá-los. Que busquem conhecimentos, que conversem e criem meios para
desenvolvimentos e relações harmônicas. Que tenham sabedoria no cuidar, sem
super ou sub-estimar. Que sejam norte, ninho e apoio, e exemplo do que a eles desejar. Que consigam estimulá-los diversificadamente e percebam, valorizem e
se encantem com os progressos. Que cuidem bem das escolhas dos que compartilham de sua educação, seja escola, clube, amigo, família, babá. Que tenham uma
relação amorosa, uma comunicação transparente e saibam lidar com cuidado dos
conflitos que aparecem. Que vivam a empatia e que haja respeito uns pelos
outros. Que percebam a responsabilidade de educar para uma sociedade complexa,
dinâmica e orgânica, onde cada um é diferente e faz diferença, seja boa ou má.
Que propiciem o desenvolvimento da confiança, da autonomia e dêem uma base ampla e bem construída para
que possam crescer e por si só andar.
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26 de jun. de 2016
183. PEÇA TEATRAL: A RELAÇÃO PAIS E FILHOS.
Estive em São Paulo e a convite
de minha filha mais velha fui assistir uma peça do grupo de teatro da faculdade
ESPM. O assunto me interessava e a companhia das filhas mais ainda. O título da
peça, “Cultivando cactos”, já dizia da relação espinhuda e que requer poucos
tratos. O cacto sobrevive em condições precárias e quase sem alimento, assim
como a relação pais e filhos, que existe e é, com ou sem alimento. A peça foi idealizada
e dirigida pelo professor Otávio Dantas. Achei genial o tema e o processo da elaboração
e de catarse. Os alunos através de suas percepções das relações com seus pais e
de cenas de filmes recriaram histórias que apesar de arrancarem risadas, também
espinhavam, pais e filhos. Várias eram as cenas intercaladas com vídeos: recados reais aos
seus pais, daquelas que são mais fáceis de dizer longe dos olhos. Mas que precisavam
ser ditos e ouvidos. Apelos, descompassos e abismos. Tomara que os pais tenham
assistido a peça e que tenham fervilhado muitos diálogos. Chamou-me a atenção como os jovens vêem os
seus pais e suas relações, além da percepção crítica que têm de si mesmos. Ressalto alguns pontos: O
apelo emocional que tanto pais quanto filhos sabem bem fazer. A reprodução de padrões comportamentais de pais para filhos. A dificuldade dos pais para lidarem com a diferença e a dos filhos para verem os pais como humanos. A consciência do jovem de que a vida lá fora não
é fácil e as artimanhas para ampliar a adolescência. O fortalecimento das mães, que empurram os
filhos para a vida e pressionam os pais para as tomadas de decisões. Entre tanto outros recados. Uma peça para entender mais desta relação e de si. Recomendo os
divertidos espinhos. Parabéns ao grupo Tangerina! Bravo!
17 de jun. de 2016
182. NOSSO FILHO DIZ DO MEIO EM QUE ESTÁ INSERIDO.
3 de jun. de 2016
181. NOSSO FILHO DIZ DE NÓS.
Este vídeo encontrado no YOUTUBE (cerveja x mamadeira) mostra bem o
quanto nosso filho diz e dirá de nós.
A criança nasce com bem poucas construções. Terá que aprender tudo do
mundo, de si, do outro, de nós. Mas, incrivelmente, nos primeiros dois anos de
vida passa de um ser quase inerte a um ser que, se tiver espaço, estará com
dedo em riste a nos apontar e mandar. Em apenas dois anos! Isto nos mostra o
poder da aprendizagem da criança pequena. Porém, aprende como uma esponja.
Ainda não possui amadurecimento neurológico para refletir sobre o que aprende. E
nem tem bagagem suficiente para fazer escolhas com autonomia. Eis aí o perigo.
Pois, ela aprenderá e construirá a si e o que está ao seu redor a partir das
experiências que o meio, em que se insere, lhe oferta. E sem dúvida, este meio diz
e dirá muito de suas concepções, percepções e ações presentes e futuras. E,
quem é o principal “meio” da criança pequena, aquele que dará a base para as
suas construções? Nós, os pais. Quanta responsabilidade! Assim, sempre é bom ao
educar os filhos, reeducar-nos conjuntamente. Pois, há sempre muitas coisas a
rever em nós e é bom que façamos isso antes dos filhos dizerem de nós.
Neste vídeo, vemos os pais já enganando a criança. E assim, a crinça
aprenderá. E usam a bebida alcoólica como estratégia! E assim ela aprenderá. Será
que é muito difícil perceber que a nossa responsabilidade como pais é imesa!!!!
Cuidemos, pois tudo forma. Trans-forma, re-forma, de-forma... o que irei
propiciar?
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4 de mai. de 2016
180. O BLÁ BLÁ BLÁ NÃO FUNCIONA.
O cérebro é um órgão incrível. Uma de suas características é que não
gosta de mesmice. E convenhamos que o blá blá blá é mesmice e chatice para
todos. Conto-lhes uma história. Minhas filhas tinham 10 e 12 anos e eu estava
cansada de “blá blá blar” sobre as colaborações em casa, que sempre achamos
importante tanto para aprenderem a fazer, como para desenvolverem autonomias e
responsabilidades e se sentirem parte importante da família. Assim, abandonei a
falação e dei início as aulas de percepção. Conto uma delas. Levei-as ao varal
repleto de roupas e perguntei o que viam. Descreveram. Pronto! Final da aula do
dia. Estranharam, mas já me conheciam. No dia seguinte, voltamos ao varal e fizemos
o mesmo. No outro dia, já acharam graça, mas se inquietaram. “Mãe, está tudo
igual! O que é para a gente ver?”, disseram. “Vocês viram exatamente o que era
para ver. O varal está mesmo igual. E que conclusão podemos tirar disso?”, perguntei.
Uma delas disse: “Já sei! As roupas não vão sozinhas para o guarda roupa, né?”
Bingo!!! Agora era preciso outras lições. Mas reforçar também este aprendizado,
não com falação, mas com vida. Pois aprender não é assim tão instantâneo. Em
pouco tempo, lá estavam as roupas de novo esquecidas no varal. Chamei-as até a
lavanderia e comecei a cantar parabéns pedindo-lhes ajuda. “Mas afinal, para
quem é o parabéns?”, perguntaram. Respondi: “Para as roupas no varal. Hoje elas
completam uma semana aí.” Rimos e o recado estava dado. Cometa algumas
loucuras. Tão bom! E bem mais eficientes que o blá blá bla.20 de abr. de 2016
179. INGREDIENTES PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
A criança se desenvolve através
de aprendizagens. E, na maioria das situações ela precisa vivenciar para
aprender, e quanto mais sentidos estiverem envolvidos melhor. Assim, a criança
precisa ter oportunidade, interagir com o que vai aprender e ter motivação para manter a aprendizagem. Por exemplo: Você pode dizer
à criança a definição de vulcão. Ela está tendo a chance de aprender pela via
da audição e de modo bem abstrato, o que para ela é ainda bem difícil. Mas, se
você estiver ao pé de um vulcão e definí-lo, mais sentidos estarão envolvidos,
a definição fica mais concreta e palpável e ela terá mais chances de aprender. O
cérebro agradece. Se ainda for a algum museu de ciências, destes que podem
interagir, e tiver a explicação sobre o vulcão, mais sentidos e mais áreas
cerebrais serão ativadas. E se fizer ainda com a criança uma maquete de vulcão
e colocá-lo para funcionar, mais complexa e prazerosa será a aprendizagem, e
com ela o desenvolvimeto. Isto vale para todas as aprendizagens. Sentir na
pele, como dizemos, é o melhor jeito de aprender. Claro, sei que é difícil criar
tantas oportunidades assim. Nós vivemos com nossas filhas cada um destes
passos. Aproveitamos férias e viagens para ajuda-las a identificar no concreto
o que aprendiam na escola e na vida. Claro que o vulcão é um dos exemplos. Mas,
testei e aprovei que explorar aprendizagens potencializam o desenvolvimento
integral dos filhos. Oportunidade, interação e motivação são os ingredientes
principais para aprendizagens e desenvolvimentos. Que tal criar interessantes
receitas?
6 de abr. de 2016
178. 3 DICAS PARA MELHOR ENTENDER E AJUDAR O SEU FILHO.
1. Tudo o que aprendemos vamos representando na memória. Se digo
“árvore” observe como o seu cérebro identifica a palavra, traz imagens e lhe
possibilita a ter acesso a vários conhecimentos e lembranças sobre árvores que
você construiu a partir da sua experiência. O mesmo ocorre com o seu filho, e
por isso o que está representado em você, não está nele e nem em mais ninguém,
pois cada um tem a sua experiência e o modo como representa e organiza na
memória.
2. Interagimos com o mundo a partir destas representações mentais que
construímos. Logo, quanto mais conhecimentos bem representados, mais a criança
poderá perceber do mundo, abrindo-se a novas possibilidades de aprendizagens e
desenvolvimentos.
3. De certa forma, só percebemos o que já conhecemos. Conto
um episódio para ilustrar. Umas crianças de educação infantil aprendiam sobre
os insetos. No intervalo, foram ao pátio brincar, mas logo voltaram à
professora em alvoroço. Estavam surpresas como o estudo havia feito o pátio ficar
repleto de insetos. Claro que sabemos que os insetos já estavam lá. O que
aconteceu é que ao dar início a construção das representações sobre os insetos,
a percepção das crianças mudou. E elas viram o que antes lhes era
desapercebido.
Então, como podemos ajudar? Lembrar que nossas representações
são diferentes das da criança. Atentar-se as suas descobertas, as suas
representações, não dizer qualquer bobagem, mas ajudá-las a conhecer, perceber
e construir correta e organizadamente o mundo, os outros e a si mesmo.
30 de mar. de 2016
177. A LINGUAGEM MUDA O MUNDO INTERNO DA CRIANÇA.
A linguagem tem como função básica a comunicação entre os membros de
uma mesma espécie. Na nossa, o choro é o primeiro ato de comunicação e logo vai
ganhando novas formas. Mas há ainda uma função ligada ao pensamento. A
linguagem possibilita a representação mental do mundo e é fundamental para a
construção, estruturação e organização do pensamento. Ao nomear algo ou alguém,
como “mamãe, cadeira, cachorro”, a criança está realizando um ato de
classificação. Ao dizer “cadeira” ela está a colocando numa classe de objetos
do mundo, na categoria cadeira, o que também implica saber distinguir esta
categoria de todas as outras. E assim a criança vai representando o mundo,
dando-lhe lógica e o organizando de forma simbólica, isto é, colocando o mundo
para dentro de si e pensando sobre ele. Isto gera uma mudança cerebral incrível
e a criança começa a desenvolver a cognição rapidamente. Se estimúlo o meu
filho a falar “au au” para todo e qualquer animal, o seu mundo interno ficará
limitado e o externo por consequinte. Se converso com a criança sem explorar
novos conhecimentos e vocabulários, também. O que fazer? Deixe a criança se
comunicar o máximo possível, mas com limites. Saber escutar muito ensina.
Estimule-a a contar sobre o seu dia, fazer as suas perguntas, desenvolver a
linguagem em todos os seus modos. Ajude-a a ganhar vocabulário, a corrigí-lo e
a organizar o pensamento. Leia com ela, para ela, deixe-a “ler” para você. E
prepare-se para assistir e participar de grandes desenvolvimentos.
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Ligia Pacheco,
relação pai e filho
17 de mar. de 2016
176. ADOLESCENTE AOS 3?
Tem filho de 3, 4 ou 5 anos? Por um acaso, de repente, ele está
parecendo um mini adolescente? Quer fazer tudo sozinho? Acha-se bem
independente? Virou do contra? Coloca o dedo em riste e quer dar ordens? Maravilha!
Seu filho está passando por uma importante fase de desenvolvimento. Explico.
Segundo Henri Wallon, que tem uma teoria psicogenética bem
interessante, a criança nesta fase passa por três momentos. O primeiro é a negação. Ou seja, ela nega tudo o que
dizemos e fazemos. Nada tão pessoal. Apenas para expulsar o outro de dentro de
si, dar inicio a sua pessoa consciente e esboçar a sua personalidade. (Atenção!
Fase bem perigosa para perdermos o rumo.) Mas, expulsar o outro tem também o
seu preço. O medo de perdê-lo faz com que a criança apele para a sedução. E seduz. E se torna
narcisista, exibicionista e sai em busca de aplausos. E finalmente, a imitação. Em que especialmente pelos
jogos de faz de conta, ela internaliza o outro e os papéis sociais. Brinca que
é professora, que é mãe, piloto etc. Ao viver o outro ela passa a defini-lo
melhor, bem como a si mesma. E o que fazer? Primeiro paciência. Depois, limites
bem claros. Deixe ele se opor um pouco e chega. Cuide com as seduções e os
exibicionismos. Ambos fazem parte do desenvolvimento, mas em excesso desandam a
massa. E não limitem seus filhos ao tablet. Tais vivências vividas são
importantíssimas! Propicie baús de fantasias, muitas brincadeiras de imitação enquanto
deixa BEM claro os papéis de cada um na casa. Ajude o seu filho a ter bela
personalidade.
Neste rápido video, observe a negação pelo grito e logo em seguida a sedução.
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