26 de jun. de 2016

183. PEÇA TEATRAL: A RELAÇÃO PAIS E FILHOS.

Estive em São Paulo e a convite de minha filha mais velha fui assistir uma peça do grupo de teatro da faculdade ESPM. O assunto me interessava e a companhia das filhas mais ainda. O título da peça, “Cultivando cactos”, já dizia da relação espinhuda e que requer poucos tratos. O cacto sobrevive em condições precárias e quase sem alimento, assim como a relação pais e filhos, que existe e é, com ou sem alimento. A peça foi idealizada e dirigida pelo professor Otávio Dantas. Achei genial o tema e o processo da elaboração e de catarse. Os alunos através de suas percepções das relações com seus pais e de cenas de filmes recriaram histórias que apesar de arrancarem risadas, também espinhavam, pais e filhos. Várias eram as cenas intercaladas com vídeos: recados reais aos seus pais, daquelas que são mais fáceis de dizer longe dos olhos. Mas que precisavam ser ditos e ouvidos. Apelos, descompassos e abismos. Tomara que os pais tenham assistido a peça e que tenham fervilhado muitos diálogos.  Chamou-me a atenção como os jovens vêem os seus pais e suas relações, além da percepção crítica que têm de si mesmos. Ressalto alguns pontos: O apelo emocional que tanto pais quanto filhos sabem bem fazer. A reprodução de padrões comportamentais de pais para filhos. A dificuldade dos pais para lidarem com a diferença e a dos filhos para verem os pais como humanos. A consciência do jovem de que a vida lá fora não é fácil e as artimanhas para ampliar a adolescência. O fortalecimento das mães, que empurram os filhos para a vida e pressionam os pais para as tomadas de decisões. Entre tanto outros recados. Uma peça para entender mais desta relação e de si. Recomendo os divertidos espinhos. Parabéns ao grupo Tangerina! Bravo!

17 de jun. de 2016

182. NOSSO FILHO DIZ DO MEIO EM QUE ESTÁ INSERIDO.




Este vídeo encontrado no YOUTUBE (prato-pandeiro), mostra o quanto o meio interfere na pessoa que vamos sendo. Note que para desenvolver precisamos aprender. E para aprender precisamos oportunidade, que dependerá da cultura em que estanos inseridos. Pode uma criança virar grande escritora inserida num meio iletrado? Pode, mas as chances são mínimas. Afinal, o meio diz de nós. Assim, o que possibilitamos aos filhos, dentro do que a nossa cultura e outras disponibilizam, é muito importante, pois dirão das aprendizagens e desenvolvimentos, e por conseguinte, dirão do ser da criança. Que ser vai ser? Mas isto não basta. Há muitas crianças em culturas repletas de possibilidades, que não percebem e nem sabem aproveitar, nem elas e nem seus pais, os vários elementos culturais que lhes servem ao desenvolvimento. Por isso, a melhor dica é, atente-se a tudo com olhos de criticidade. E ensine o seu filho a assim olhar. Escolha o que lhe faz bem ao desenvolvimento, sabendo que as melhores escolhas são as que dão mais trabalho. Ajude-o a manter-se curioso, motivado a aprender, buscando um sentido naquilo que aprende. Atente-se sempre aos elementos a serem oferecidos, ao modo como o seu filho interage com eles e tenha a consciência de que a criança aprende tudo, até o que nos escapa. 


3 de jun. de 2016

181. NOSSO FILHO DIZ DE NÓS.



Este vídeo encontrado no YOUTUBE (cerveja x mamadeira) mostra bem o quanto nosso filho diz e dirá de nós.
A criança nasce com bem poucas construções. Terá que aprender tudo do mundo, de si, do outro, de nós. Mas, incrivelmente, nos primeiros dois anos de vida passa de um ser quase inerte a um ser que, se tiver espaço, estará com dedo em riste a nos apontar e mandar. Em apenas dois anos! Isto nos mostra o poder da aprendizagem da criança pequena. Porém, aprende como uma esponja. Ainda não possui amadurecimento neurológico para refletir sobre o que aprende. E nem tem bagagem suficiente para fazer escolhas com autonomia. Eis aí o perigo. Pois, ela aprenderá e construirá a si e o que está ao seu redor a partir das experiências que o meio, em que se insere, lhe oferta. E sem dúvida, este meio diz e dirá muito de suas concepções, percepções e ações presentes e futuras. E, quem é o principal “meio” da criança pequena, aquele que dará a base para as suas construções? Nós, os pais. Quanta responsabilidade! Assim, sempre é bom ao educar os filhos, reeducar-nos conjuntamente. Pois, há sempre muitas coisas a rever em nós e é bom que façamos isso antes dos filhos dizerem de nós.

Neste vídeo, vemos os pais já enganando a criança. E assim, a crinça aprenderá. E usam a bebida alcoólica como estratégia! E assim ela aprenderá. Será que é muito difícil perceber que a nossa responsabilidade como pais é imesa!!!! Cuidemos, pois tudo forma. Trans-forma, re-forma, de-forma... o que irei propiciar?

4 de mai. de 2016

180. O BLÁ BLÁ BLÁ NÃO FUNCIONA.

O cérebro é um órgão incrível. Uma de suas características é que não gosta de mesmice. E convenhamos que o blá blá blá é mesmice e chatice para todos. Conto-lhes uma história. Minhas filhas tinham 10 e 12 anos e eu estava cansada de “blá blá blar” sobre as colaborações em casa, que sempre achamos importante tanto para aprenderem a fazer, como para desenvolverem autonomias e responsabilidades e se sentirem parte importante da família. Assim, abandonei a falação e dei início as aulas de percepção. Conto uma delas. Levei-as ao varal repleto de roupas e perguntei o que viam. Descreveram. Pronto! Final da aula do dia. Estranharam, mas já me conheciam. No dia seguinte, voltamos ao varal e fizemos o mesmo. No outro dia, já acharam graça, mas se inquietaram. “Mãe, está tudo igual! O que é para a gente ver?”, disseram. “Vocês viram exatamente o que era para ver. O varal está mesmo igual. E que conclusão podemos tirar disso?”, perguntei. Uma delas disse: “Já sei! As roupas não vão sozinhas para o guarda roupa, né?” Bingo!!! Agora era preciso outras lições. Mas reforçar também este aprendizado, não com falação, mas com vida. Pois aprender não é assim tão instantâneo. Em pouco tempo, lá estavam as roupas de novo esquecidas no varal. Chamei-as até a lavanderia e comecei a cantar parabéns pedindo-lhes ajuda. “Mas afinal, para quem é o parabéns?”, perguntaram. Respondi: “Para as roupas no varal. Hoje elas completam uma semana aí.” Rimos e o recado estava dado. Cometa algumas loucuras. Tão bom! E bem mais eficientes que o blá blá bla.

20 de abr. de 2016

179. INGREDIENTES PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

A criança se desenvolve através de aprendizagens. E, na maioria das situações ela precisa vivenciar para aprender, e quanto mais sentidos estiverem envolvidos melhor. Assim, a criança precisa ter oportunidade, interagir com o  que vai aprender e ter motivação para manter a aprendizagem. Por exemplo: Você pode dizer à criança a definição de vulcão. Ela está tendo a chance de aprender pela via da audição e de modo bem abstrato, o que para ela é ainda bem difícil. Mas, se você estiver ao pé de um vulcão e definí-lo, mais sentidos estarão envolvidos, a definição fica mais concreta e palpável e ela terá mais chances de aprender. O cérebro agradece. Se ainda for a algum museu de ciências, destes que podem interagir, e tiver a explicação sobre o vulcão, mais sentidos e mais áreas cerebrais serão ativadas. E se fizer ainda com a criança uma maquete de vulcão e colocá-lo para funcionar, mais complexa e prazerosa será a aprendizagem, e com ela o desenvolvimeto. Isto vale para todas as aprendizagens. Sentir na pele, como dizemos, é o melhor jeito de aprender. Claro, sei que é difícil criar tantas oportunidades assim. Nós vivemos com nossas filhas cada um destes passos. Aproveitamos férias e viagens para ajuda-las a identificar no concreto o que aprendiam na escola e na vida. Claro que o vulcão é um dos exemplos. Mas, testei e aprovei que explorar aprendizagens potencializam o desenvolvimento integral dos filhos. Oportunidade, interação e motivação são os ingredientes principais para aprendizagens e desenvolvimentos. Que tal criar interessantes receitas?

6 de abr. de 2016

178. 3 DICAS PARA MELHOR ENTENDER E AJUDAR O SEU FILHO.

1. Tudo o que aprendemos vamos representando na memória. Se digo “árvore” observe como o seu cérebro identifica a palavra, traz imagens e lhe possibilita a ter acesso a vários conhecimentos e lembranças sobre árvores que você construiu a partir da sua experiência. O mesmo ocorre com o seu filho, e por isso o que está representado em você, não está nele e nem em mais ninguém, pois cada um tem a sua experiência e o modo como representa e organiza na memória. 
2. Interagimos com o mundo a partir destas representações mentais que construímos. Logo, quanto mais conhecimentos bem representados, mais a criança poderá perceber do mundo, abrindo-se a novas possibilidades de aprendizagens e desenvolvimentos. 
3. De certa forma, só percebemos o que já conhecemos. Conto um episódio para ilustrar. Umas crianças de educação infantil aprendiam sobre os insetos. No intervalo, foram ao pátio brincar, mas logo voltaram à professora em alvoroço. Estavam surpresas como o estudo havia feito o pátio ficar repleto de insetos. Claro que sabemos que os insetos já estavam lá. O que aconteceu é que ao dar início a construção das representações sobre os insetos, a percepção das crianças mudou. E elas viram o que antes lhes era desapercebido. 
Então, como podemos ajudar? Lembrar que nossas representações são diferentes das da criança. Atentar-se as suas descobertas, as suas representações, não dizer qualquer bobagem, mas ajudá-las a conhecer, perceber e construir correta e organizadamente o mundo, os outros e a si mesmo.

30 de mar. de 2016

177. A LINGUAGEM MUDA O MUNDO INTERNO DA CRIANÇA.

A linguagem tem como função básica a comunicação entre os membros de uma mesma espécie. Na nossa, o choro é o primeiro ato de comunicação e logo vai ganhando novas formas. Mas há ainda uma função ligada ao pensamento. A linguagem possibilita a representação mental do mundo e é fundamental para a construção, estruturação e organização do pensamento. Ao nomear algo ou alguém, como “mamãe, cadeira, cachorro”, a criança está realizando um ato de classificação. Ao dizer “cadeira” ela está a colocando numa classe de objetos do mundo, na categoria cadeira, o que também implica saber distinguir esta categoria de todas as outras. E assim a criança vai representando o mundo, dando-lhe lógica e o organizando de forma simbólica, isto é, colocando o mundo para dentro de si e pensando sobre ele. Isto gera uma mudança cerebral incrível e a criança começa a desenvolver a cognição rapidamente. Se estimúlo o meu filho a falar “au au” para todo e qualquer animal, o seu mundo interno ficará limitado e o externo por consequinte. Se converso com a criança sem explorar novos conhecimentos e vocabulários, também. O que fazer? Deixe a criança se comunicar o máximo possível, mas com limites. Saber escutar muito ensina. Estimule-a a contar sobre o seu dia, fazer as suas perguntas, desenvolver a linguagem em todos os seus modos. Ajude-a a ganhar vocabulário, a corrigí-lo e a organizar o pensamento. Leia com ela, para ela, deixe-a “ler” para você. E prepare-se para assistir e participar de grandes desenvolvimentos.

17 de mar. de 2016

176. ADOLESCENTE AOS 3?

Tem filho de 3, 4 ou 5 anos? Por um acaso, de repente, ele está parecendo um mini adolescente? Quer fazer tudo sozinho? Acha-se bem independente? Virou do contra? Coloca o dedo em riste e quer dar ordens? Maravilha! Seu filho está passando por uma importante fase de desenvolvimento. Explico.

Segundo Henri Wallon, que tem uma teoria psicogenética bem interessante, a criança nesta fase passa por três momentos. O primeiro é a negação. Ou seja, ela nega tudo o que dizemos e fazemos. Nada tão pessoal. Apenas para expulsar o outro de dentro de si, dar inicio a sua pessoa consciente e esboçar a sua personalidade. (Atenção! Fase bem perigosa para perdermos o rumo.) Mas, expulsar o outro tem também o seu preço. O medo de perdê-lo faz com que a criança apele para a sedução. E seduz. E se torna narcisista, exibicionista e sai em busca de aplausos. E finalmente, a imitação. Em que especialmente pelos jogos de faz de conta, ela internaliza o outro e os papéis sociais. Brinca que é professora, que é mãe, piloto etc. Ao viver o outro ela passa a defini-lo melhor, bem como a si mesma. E o que fazer? Primeiro paciência. Depois, limites bem claros. Deixe ele se opor um pouco e chega. Cuide com as seduções e os exibicionismos. Ambos fazem parte do desenvolvimento, mas em excesso desandam a massa. E não limitem seus filhos ao tablet. Tais vivências vividas são importantíssimas! Propicie baús de fantasias, muitas brincadeiras de imitação enquanto deixa BEM claro os papéis de cada um na casa. Ajude o seu filho a ter bela personalidade.

Neste rápido video, observe a negação pelo grito e logo em seguida a sedução.


3 de mar. de 2016

175. OS PRIMEIROS ANOS DE VIDA SÃO QUASE TUDO!

Creio que nunca mais vamos conseguir aprender tanto como nos dois primeiros anos de vida. Passamos de um ser altamente dependente e quase inerte para um ser, que se tiver espaço, consegue até mandar em toda a família. Em apenas dois anos! Realmente, a capacidade de aprendizagem nesta fase é inimaginável e maravilhosa! E há que ser bem aproveitada. A princípio o bebê fica deitado, e ainda nem enxerga direito. Mas logo, começa a ganhar mais movimentos, a coordená-los, a explorar o que está a sua volta. Começa a aprender das emoções e de como interagir com o meio social para ter suas necessidades alcançadas. Logo senta, e seu mundo ganha nova perspectiva. Quantas coisas a explorar. E logo engatinham e começam a construir o mundo e suas relações. Jogam o bola e ela rola. Jogam o copo e ele quebra. Batem a cabeça na mesa e percebem que dói e machuca. E andam. E o mundo se abre em possibilidades. E logo correm e viram ótimos personal trainers, fazendo-nos correr atrás. Afinal, falta-lhes vivências. Nem imaginam o perigo que correm, por isso estamos nós ali a ensiná-los. E começam a falar e rapidamente ampliam o vocabulário. Quanta aprendizagem! E quantas há por vir. Mas uma dica é importante. O cérebro humano é capaz de aprender em qualquer idade. Mas as experiências dos primeiros anos de vida afetam a arquitetura cerebral e o modo como ele é colocado em ação. Experiências positivas e felizes constroem uma arquitetura forte para o aprendizado, o comportamento e a saúde. Invista na boa base.

11 de fev. de 2016

174. AGORA É PRÁ VALER: VOLTA ÀS AULAS!

Estou aqui lembrando os acertos e erros que cometi como mãe de filhas em escolas. E foram várias delas, pois nos mudamos muito. Destas reflexões, vou elencar o que de melhor aprendi na relação escola-filhas-família.

1. Conheça bem a escola, os professores, o que ela propõe e realmente faz em prol do desenvolvimento global de seu filho.

2. Mantenha um contato regular com os profissionais que lidam com o seu filho. Mas não exagere, pois eles têm vários outros pais para lidarem.

3. Não influencie o olhar do professor com uma lista de coisas que o seu filho não é bom. Cada um tem um olhar.

4. Os filhos são bem diferentes em casa e na escola.

5. Você tem um ou alguns filhos, enquanto a escola tem várias crianças. Ela não vai dar conta de ensinar tudo a todos. 

6. Pais, filhos e escola devem formar uma parceira comprometida onde cada um deve ter o seu papel bem definido. Inclusive o seu filho.

7. É incoerente falar mal da escola para a criança e continuar a levando. Mas não deixe de ir lá conversar se algo incomodar.

8. Não troque estudo por prêmios. Ajude o seu filho a descobrir como é gostoso estudar, quando se sabe para que se estuda o que estuda.

9. Não assuma as responsabilidades escolares no lugar do seu filho. Só entre em cena, quando for preciso mesmo.

10. A escola é passageira, o filho é para sempre.