Segundo os ornitólogos todo cisne negro tem também plumas brancas. E
nesta metáfora usada, diria que há em nós o potencial de ambos os cisnes:
branco e negro. E, conscientemente ou não, desenvolvemos mais um deles. Ser
cisne negro tem vantagens, mas é minoria e convive com a maioria. E se somos
biológicos, somos também sociais. Assim, entender, respeitar e saber viver com
cisne branco é necessário, caso contrário o cisne negro isolar-se-á em sua arrogância.
Ter algumas penas brancas não é de todo mal. Há nelas características por vezes
necessárias. E uma certa semelhança dará aos cisnes brancos segurança, o que
possibilitará ao negro diferenciar-se. Mas, que penas escolher?
Ser cisne branco é agradar
ao outro e não ser problema. É estar seguro nos trilhos, atento ao que já sabe
e acomodado aos padrões. É ser dependente, submisso, meigo, passivo,
previsível. Perfeito, frágil, inocente, suave, vulnerável, virginal.
Ser cisne negro é ser
ousado, forte, espontâneo, criativo, visceral. Verdadeiro, intenso, exuberante,
imprevisível, surpreendente. É reconhecer-se único, liberto da opressão e dos
condicionamentos sem medo de impactar, de se entregar e de frustrar
expectativas alheias. É saber andar por trilhas junto ao inesperado, ao incerto
e à busca da excelência. Pronto a superar-se, a sair do lugar comum, a privilegiar
o que não sabe em dúvidas e curiosidades.
Posto assim, que saibamos dialetizar os modos opostos de ser, bem escolher
as nossas penas, em busca de uma síntese que faça de nós, pais e filhos, seres
convictos do que se quer ser.









