8 de mai. de 2013

69- MÃE EM CONSTRUÇÃO.


No princípio era eu com meus sonhos, desejos, valores. Depois, virei nós com laços matrimoniais e vi que também era bom. E então, viramos três e percebi que ser mãe era algo mágico e de grande responsabilidade. E logo, viramos quatro e notei que ter a própria família era deliciosamente bom.
Mas também me dei conta de que o “eu” do princípio já não existia mais. Mudei hábitos, gostos, valores e os planejamentos de vida eram pensados para mim e para além de mim. A vida passava a ser com-partilhada. Já não tinha a independência e a liberdade de outrora, mas pesando na balança era notório que valia a pena.
E a vida correu e nós crescemos e amadurecemos sempre em busca de harmonia. Crises, desentendimentos, dificuldades, dúvidas também tivemos. Mas, sobrevivemos, fortalecendo sempre os laços fundados no respeito, no diálogo, no compromisso e na construção do amor de um para com o outro.
Por muitas vezes, abri mão de mim, afetando minha vida pessoal e profissional. Nem sempre foi fácil esta escolha, mas eu a fiz de forma consciente e por isso, sem cobranças. Outras tantas vezes, percebi que educar os filhos era um educar-se constante. E, que para (trans)formar um ser era preciso tempo, dedicação, quantidade e qualidade de princípios, conhecimentos e ações num dia que só tem 24 hs. Também notei que não bastava o coração. Era ainda preciso o estômago, pulmão, músculos, cérebro, coluna, corpo e alma por inteiro. E, ainda reunir, para além da própria profissão, todos os diplomas em um só ser: administradora, contadora, médica, enfermeira, dentista, professora, psicóloga, motorista, nutricionista, cozinheira, faxineira, engenheira, advogada, malabarista, animadora, ninja, entre tantos outras. Tudo isso virei ao ser mãe. Nada tranquilo, mas viva a potencialização do ser.
E num piscar de olhos as meninas cresceram, ampliaram seus recursos e bagagens, fortaleceram as asas e voam cada dia mais alto. O ninho vazio bate a porta, mas os laços continuam firmes. O coração e mente estremecem, mas dá muito orgulho, prazer e felicidade apreciar seus desenvolvimentos. Mais uma etapa, mais uma nova aprendizagem. E vi que ser mãe é uma construção sem fim, deliciosamente humana. E, que transforma o “eu” em “nós” para sempre, por mais que os filhos comecem a própria história de que no princípio era eu com meus sonhos, desejos, valores...  

30 de abr. de 2013

68- EU, ETERNA APRENDIZ.


Ouvi um menino de cerca de 8 anos dando um recado aos professores: “Usem mais a tecnologia nas salas de aula! Mas se você é velho e não consegue, tudo bem. Mas, se você tem de 30 a 40 anos, ainda dá para aprender.” Achei graça do seu parâmetro de velhice, embora eu conheça velhos de 8 anos e jovens de 80. Por sorte, ele está errado, pois podemos aprender até o último suspiro. Ainda bem, pois já tenho 48! Nosso cérebro tem um alto poder de plasticidade. Viva! Mas é preciso disposição e abertura para continuar aprendendo e não se aprende passivamente. A aprendizagem é intencional e atencional.
Este ano comecei com grandes desafios de aprendizagem. E, por mais que já tenhamos experimentado algo, sempre há algo novo para desorganizar nossas conexões neuronais e reorganizá-la de modo mais amplo. Comecei um projeto novo: “Lígia Pacheco em 3 minutos”. Aprendi a gravar, filmar, editar. Fiz meu primeiro prefácio para um livro lançado em Portugal. Inesquecível. Fui entrevistada duas vezes pela BAND NEWS e aprendi dos bastidores da rádio. Dei palestras para pais e equipe pedagógica de várias cidades em diferentes estados do Brasil: SP, RJ, PE, BA, DF, GO, RN, CE, ES, MG. Aprendi mais da cultura local, do ser humano e fui desafiada a estudar ainda mais. E agora embarco para Dubai, China e Hong Kong com uma missão: pesquisar mais da cultura e da educação do oriente. Agradeço a Deus por me abençoar tanto e me dar tanta disposição para não envelhecer, mantendo-me uma eterna aprendiz. Até a volta!

25 de abr. de 2013

67- TODA CRIANÇA É GENIAL


Dizia Albert Einstein: “Somos todos geniais. Mas, se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em árvores, ele passará sua vida inteira acreditando ser estúpido.”
Quantas vezes não fazemos isto, ainda que inconscientemente, com  os nossos próprios filhos ou alunos?
A criança ao nascer é um ser de possibilidades. Não acreditamos mais no determinismo e portanto, a expressão “filho de peixe peixinho é” já não faz mais sentido. E nem os nossos sonhos e conhecimentos passam pela genética. Cuidado, cada ser é cada ser, sendo. E, sendo um ser de possibilidades pode vir a ser um ser qualquer. Pois, para desenvolver seus potenciais, a criança vai depender de oportunidades, mas isto não basta. Não basta colocá-la na melhor escola, nos melhores cursos de línguas, informática, esportes, músicas, artes. Para que ela aproveite estes recursos, em prol de seu desenvolvimento, é necessário que  tenha a capacidade. E então, motivação, isto é, que tenha um motivo na ação. E para isto é preciso que a atividade mexa com suas emoções, faça sentido, seja ricamente desafiadora, mas nem aquém e nem além de suas capacidades. Portanto, avaliar nossas crianças a partir de nossos interesses, sonhos, capacidades, conhecimentos, visões e percepções é  tirar-lhes delas o que há de mais lindo no humano: o ser especial e essencialmente único. Assim, veja a criança como ela está sendo, ajude-a a desenvolver potenciais, cuide para que ela possa ser uma unidade na diversidade e admire sua genialidade, seja ela qual for.

16 de abr. de 2013

66- NO AR: AS NOVAS CONFIGURAÇÕES FAMILIARES

Fui novamente entrevistada pela BANDNEWS com mais um tema provocador: “As novas configurações familiares”.
É certo que nenhuma mudança pode ser vista de forma isolada. A família faz parte de um contexto maior, histórico-sócio-político-econômico-cultural, onde a mudança de uma das partes modifica as demais. E é fato que a família vem sofrendo nas últimas décadas mudanças profundas quanto a sua natureza, função, composição e concepção. Observe: Na década de 70 meus pais se separaram. Meus irmãos e eu perdemos os nossos amigos, tivemos que mudar de escola e algumas delas não nos aceitaram alegando que seríamos más influências às outras crianças. Vinte anos depois, minha filha chega da Educação Infantil aos prantos querendo saber quando iríamos nos separar, visto que ela era a única na classe que tinha os pais casados. Interessante notar a velocidade da mudança! Por motivos opostos, tanto eu quanto ela éramos “ETs” na sociedade! Além disso, qual escola hoje ousaria negar a matricula de uma criança de pais separados? Não há como fechar os olhos para a mudança familiar, hoje composta por múltiplos e diferentes arranjos: monoparental, homoparental, adotiva, recomposta, comunitária entre tantos outros formatos, que em breve estarão normalmente incorporados ao novo contexto. Independente de nossas crenças, valores, princípios, a diversidade é rica, cada qual tem o direito as suas escolhas, a criança não deve pagar o preço pela mudança e o preconceito não impedirá o turbilhão das transformações. Reflitamos.
Tendo interesse, segue o link da entrevista:

3 de abr. de 2013

65- SERÁ QUE CONHEÇO MEU FILHO?



Assisti esta semana o filme “A busca”, dirigido por Luciano Moura e protagonizado por Wagner Moura que me fez refletir o quanto (des)conhecemos os filhos e o que é preciso para conhece-los melhor. O longa é um triller dramático. O casal vive uma crise conjugal, o pai é bem austero e controlador e o filho que está prestes a completar 15 anos sai em viagem, mas não volta. O pai em desespero sai em sua busca e  percorre uma longa jornada atrás das pistas deixadas, encontrando várias lições de relações humanas, e da relação entre pai e filho. Há muitas cenas especiais, mas vou citar apenas uma para não estragar o filme de quem ainda não assistiu. O pai mostra uma fotografia 3X4 do filho a um barqueiro que havia estado com o menino dias antes. O homem em sua simplicidade diz algo como: “O rapaz que esteve aqui é muito diferente deste menino aí.” A foto era do garoto com seus 5-6 anos, enquanto ele já estava fazendo 15!  E pensei: Quantas vezes não enxergamos que os filhos cresceram com seus sonhos e desejos! “Olha pra mim” dizia uma das músicas da trilha sonora. Arnaldo Antunes deixou seu recado. E, foi mesmo lindo perceber a aprendizagem do pai nesta jornada, conhecendo o filho através do seu rastro, como também a si próprio. Foi visível a sua transformação, e fácil perceber que o resgate do filho, acaba sendo um resgate dele próprio. Saí do cinema reflexiva, pensando em minhas filhas, em mim e com uma certeza: Só é possível conhecer o outro, conhecer o filho, quando nos dispomos a conhecer, primeira e verdadeiramente, a nós mesmos. Vamos lá?

14 de mar. de 2013

64- QUEIJO COR-DE-ROSA E ALGUMAS LIÇÕES


No ultimo video do novo projeto “Lígia Pacheco em 3 minutos” discutimos qual a melhor maneira de responder as perguntas das crianças com base no diálogo reflexivo, a fim de que ela resolva por si a sua curiosodade, construindo um conhecimento fortalecido e desenvolvendo várias outras habilidades. Todavia, nem sempre o diálogo é suficiente.  Veja esta bonitinha história e a fantástica attitude da mãe.
Lu tinha cerca de 4 anos. Toda a sua vida era rosa. Da camisola à escova de dentes, da mochila e roupas aos enfeites de cabelo. Rosa era definitivamente a sua cor favorita. Um dia chegou à mãe e pediu para comer queijo cor-de-rosa. A mãe achou graça, mas tentou desvendar o mistério. No diálogo travado com a filha descobriu que já o haviam comido em casa, e logo concluiu que estava havendo algum erro na cabecinha da criança. Levou-a à geladeira e mostrou o queijo do reino com sua capa rosa. Mas, a criança insistia: “Não, ele é todo cor-de-rosa!” Muitos adultos teriam desistido e terminado por aí dizendo não existir tal queijo. Mas esta mãe continuou bravamente. Levou a filha ao supermercado e a deixou explorar cada gôndola até encontrá-lo. A criança corria atenta e incansavelmente. Até que um grito ecoou no espaço: “Encontrei!!!” A mãe aliviada foi ao seu encontro. O queijo cor-de-rosa era um grande presunto. 
Parabéns à mãe que paciente e sabiamente ajudou a sua filha a lutar pelo o que quer, a desvendar as confusões, a resignificar o erro e a construir conhecimentos de forma prazerosa e efetiva. Bravo!

25 de fev. de 2013

63- NOVIDADE NO AR


Comecei este mes um novo projeto. Consta de pequenos videos para pais e professores.
Como sei que a vida de todos nós é bem corrida e há muita informação no ar, optei por videos curtos, mas com conteúdo. São cerca de tres minutos e abordam temas relacionados à educação das crianças.
O programa chama-se “LÍGIA PACHECO EM 3 MINUTOS”. A abertura foi feita por Gabi Pacheco, minha filha mais velha, que está cursando a Faculdade de Propaganda e Marketing e que me ensinou o be-a-bá para que este projeto pudesse ir ao ar. Que delicia é poder aprender com os filhos!
Na página do blog à esquerda você encontra dois acessos: Um para minha última coluna da Pais & Filhos e outro para a minha conta no UTube. Mas estarei sempre postando aqui as novidades.
Para facilitar, você pode inscrever-se como seguidor, bem como para receber as novas postagens por e-mail.

Já estão no ar dois episódios:
1- COMO FACILITAR A ADAPTAÇÃO DA CRIANÇA NA ESCOLA.

2- COMO RESPONDER AS PERGUNTAS DAS CRIANÇAS.

Espero que gostem, que seja útil e aguardo sugestões de temas.
Grande abraço

15 de fev. de 2013

62- COMO FACILITAR A ADAPTAÇÃO DA CRIANÇA NA ESCOLA.


Seja a primeira vez que a criança vai a escola, ou ao voltar das férias, há sempre o momento de adaptação. Para algumas crianças isto é fácil, mas para outras nem tanto. Conheço a escola como professora e como mãe, e logo percebi que o que mais dificulta a adaptação da criança ou são experiências ruins que ela teve ou somos nós, os pais. Nossa ansiedade e medos contaminam a criança, deixando-a também ansiosa e insegura. Assim, é bom sabermos que a primeira adaptação é nossa.
Vamos a algumas dicas que ajudam:
1- Mantenha a calma e não se sinta culpado. A escola é um ótimo lugar para a criança aprender e se desenvolver integralmente.
2- Conheça bem  a proposta pedagógica e filosófica da escola e confie na sua escolha.
3-Fale da escola com animação e nunca a associe a algo ruim ou como ameaça, nem fale mal da escola na frente da criança.
4- Se você sentir muita necessidade, fique uns dias na escola de acordo com as regras da mesma. Mas não fique em cima da criança. Isso dificultará ainda mais.
5- Se a criança chorar é normal. Logo ela irá se divertir. E se você chorar evite fazer isto na frente dela. Mas se a criança estiver muito resistente, não menospreze o problema. Converse com ela e com a professora buscando entender o que tem acontecido.
6- Não leve a criança no colo. É muito difícil deixar o colo dos pais. E se ela for bem pequena, leve alguma coisa que lhe seja familiar e que lhe traga segurança como paninho, fraldinha, bichinho.
7-Ao se despedir, não saia de fininho e nem minta. Abrace-a forte e seja natural. E, cuidado com as manipulações infantis.
Por fim, 8- Pais felizes, calmos, seguros e confiantes tendem a ter filhos felizes, calmos, seguros e confiantes.
Vamos lá, respire fundo e boa volta às aulas!

3 de fev. de 2013

61- MINHA ENTREVISTA NA BAND NEWS: COMO AGIR COM OS FILHOS NA VOLTA ÀS AULAS?



Fui entrevistada no dia 28.01.2013 na BAND NEWS por Renato Cordeiro e Patrícia Tosta e a grande questão era como conciliar a volta às aulas em meio a tantos estímulos de festas pré-carnavalescas. Como os pais deveriam agir?
Não é fácil ao jovem trocar as festas por Capitanias Hereditárias, tabela periódica, logaritmo ou qualquer outro conteúdo escolar. Por isso, é importante que a escola seja um lugar de encantamento onde se queira estar, cuidar, voltar e viver sem ter a vergonha de ser feliz, podendo ser um eterno aprendiz. Onde o conhecimento propicie a compreensão e a transformação do mundo e de cada ser. Assim, comece por uma boa escolha.
E depois? Não há receita mágica, instantânea  ou imediatista. A educação é um processo que se inicia no berço. Por isso, atente-se o quanto antes. Importante ressaltar que a educação não se dá por decreto. Obrigar, proibir, castigar, premiar podem ser medidas aparentemente satisfatórias, mas não se iluda: as transformações devem vir de dentro para fora. Assim, ensine o seu filho a ser autor e responsável pela própria vida, inclusive pela vida escolar. Dê uma boa base para que ele se estruture, oportunidades para ele cresça e se desenvolva, e liberdade de ação, pois só aprendemos a fazer fazendo. E acesse o link da entrevista onde encontrará outras dicas de como agir não só na volta as aulas, mas por uma educação que faça a diferença na vida do seu filho e na sua. Vamos lá?

10 de jan. de 2013

60- ORIENTAÇÃO PELA AÇÃO


Minha filha de 16 anos está em intercâmbio no Canadá. Ontem contava-me empolgada sobre uma nova disciplina que terá. 
O objetivo é fazer com que os alunos vivenciem a experiência de terem filho, sentirem na pele a responsabilidade e as consequências de ser pai ou mãe na adolescência. Entre outras atividades, recebem um bebê robô, cheio de sensores e que se porta como uma criança real. Chora, tem fome, sente cólica, faz manha, quer aconchego, dá trabalho, dá alegria. Os “pais” precisam dar assistência a toda e qualquer necessidade e não podem desligá-lo nem de madrugada, nem durante as aulas, nem em baladas ou em qualquer momento do dia, assim como um bebê real. Além disso, eles têm programações que são simulações de bebês que foram estudados. Assim, há bebês bonzinhos, outros mais ou menos e há os mais complicados. E cada “mãe” ou “pai” receberá na sorte o seu. Esta relação e cuidado será monitorada por um computador e pelo professor que avaliarão e darão feedbacks e notas aos novos “pais”.
É uma experiência simplesmente fantástica. Afinal, não há nada mais eficiente do que aprender vivenciando. Por isso, ressalto a importância de deixarmos os filhos vivenciarem as situações, sejam quais forem, ainda que de forma simulada, para que possam melhor compreendê-las. Palavras não têm tanto poder quando comparadas às ações. Pensemos nisso e, com bom senso, proporcionemos aos filhos vivências importantes ao seu desenvolvimento. 
Um excelente começo de ano a todos nós!