8 de jun. de 2011

11- SÓ NÃO LAVE AS MÃOS

A educação dos filhos deve se dar por todos os sentidos, deve se dar por inteira. Quanto mais os conhecemos e mais atentos estivermos, melhor será. Canta Ivan Lins:

Não fechei os olhos
Não tapei os ouvidos
Cheirei, toquei, provei
Ah Eu!
Usei todos os sentidos

Só não lavei as mãos
E é por isso que eu me sinto
Cada vez mais limpo!

É bom lembrar que ao “lavar as mãos” oferecemos a eles o abandono e não a liberdade como muitos acreditam proporcionar. Abandonar é desistir e deixar o filho se desenvolver ao vento. Liberdade é diferente. Ela requer autonomia e responsabilidade que são processos, lentos e demorados. E, que são aprendidos aos poucos, primeiramente com os pais e/ou responsáveis.
Sei que erramos e acertamos, mas sempre com a intenção de oferecermos a eles o melhor. Isso vale. Só não "lave as mãos". E sinta-se cada vez mais limpo.

Ouça a música na íntegra.
DAQUILO QUE EU SEI, Ivan Lins


7 de jun. de 2011

10- UM FILHO EM NOSSAS MÃOS.

Vimos que a criança nasce em potencial e dependente de um meio para desenvolver. Sendo os pais (ou responsável) o seu primeiro “meio”, podemos dizer que a criança, a princípio, está literalmente em suas mãos. E isso é bem sério, pois o que os filhos serão dependem muito desta mão. Assim, é bom refletir. Ajuda a agir. Eu costumo fazer perguntas a mim mesma, e vejo que as respostas vão ficando mais complexas conforme minhas filhas crescem. Hoje com 16 e 14 anos, já encontram-se na corrida que ajuda a alçar vôo. Mas as perguntas valem para filhos de qualquer idade. Pois, são as respostas que dão a direção da ação para com eles. Que oportunidades de desenvolvimento eu tenho ofertado? Que segurança tenho oferecido? Que exemplo vivido tenho passado? Que valores, sentimentos, (pré)conceitos tenho ensinado? Protejo demais? Protejo de menos? Deixo crescer? Deixo fazer? Deixo ser? Essas e outras reflexões têm me ajudado a repensar a educação que tenho dado às minhas filhas, e a fazer os ajustes necessários. Pois é bom lembrar que, a princípio, nossos filhos estão em nossas mãos. Mas, logo voam. E voam com a base que proporcionamos a eles, com as raízes e as asas que oportunizamos e deixamos desenvolver.

E lembre-se, o desenvolvimento é um processo.

Primeiro em nossas mãos...
Depois, observam e ensaiam o vôo...

E então voam de acordo com o que construíram.


Pais, aproveitem o que lhes cabem. 
Ajudem seu filho a bem preparar-se para a vida.
E que saibam voar sem que esqueçam as raízes.

3 de jun. de 2011

9- O MEIO E O DESENVOLVIMENTO DO SEU FILHO

Não basta a genética. É preciso um meio adequado para que haja o desenvolvimento. Somos biológicos e culturais.


   
Não basta um meio cheio de estímulos e oportunidades para o desenvolvimento. É preciso percebê-los e interagir com eles.

 

         
Não basta a oportunidade e a percepção da mesma. É preciso ainda a motivação. Ou seja, que haja um bom motivo-na-ação.




Não basta a motivação. É preciso mantê-la. E isso se faz dando sentido ao que se ensina.



     
Não basta dar sentido. É preciso um ambiente saudável e seguro para bem aprender e desenvolver.



Pais, tudo isso se ensina e se aprende. Ensine o seu filho a perceber as oportunidades e a bem aproveitá-las. Ajude-o a manter a motivação e a dar sentido em tudo o que ele aprende. E favoreça sempre novas oportunidades de desenvolvimento em um ambiente acolhedor, seguro e estimulante.



2 de jun. de 2011

8- EDUCAÇÃO DE PAIS E FILHOS III

ENSINAMOS E APRENDEMOS ENQUANTO EDUCAMOS.

Dizia o pernambucano Paulo Freire:

Quem forma se forma
e reforma ao formar,
e quem é formado forma-se
e forma ao ser formado.

Isso mais parece um trava língua ou um trava neurônio, mas a mensagem é simples: quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. Claro, isso vale para quem se permite (trans)formar e ser (trans)formado. Dou um exemplo. Há algum tempo, estava ensinando a minha caçula a contar. Contávamos tudo o que encontrávamos, pois com criança pequena tem que ser no concreto e tem que fazer sentido o que vai aprender. Afinal o que significa 8? Oito o que? Oito prá que? Então contávamos brinquedos, conchas na praia, os biscoitos que iam para o lanche, as pessoas da casa e a quantidade de pratos para ir à mesa. E assim íamos. Certa vez passamos do dez e fluiu: 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17... e então ela fez um sinal com a mão como quem quer continuar sozinha. E foi feliz, como quem descobre o mundo: “dez e sete, dez e oito, dez e nove, dez e dez!” Abracei-a bem forte e pensei: Não é que a lógica da criança é bem mais lógica que a do adulto? Por que 20?! E não é que ela consegue também abstrair o pensamento e buscar uma lógica para ele? Voltando a Paulo Freire, enquanto eu ensinava, eu aprendia, refletia e transformava o que eu sabia. Sei que depois desta fiquei bem mais atenta a lógica infantil. E à nossa!

1 de jun. de 2011

7- EDUCAÇÃO DE PAIS E FILHOS II

2- AS AÇÕES DIZEM MAIS DO QUE AS PALAVRAS.

A criança, desde o momento em que nasce, vai interagindo com o mundo e com as pessoas, vai aprendendo deles, representando-os e os guardando na memória. “Somos quem somos porque aprendemos e lembramos”, dizem os neurocientistas. E, por vários motivos aprendemos melhor através das ações do que pelas palavras. Por isso, é sempre melhor viver o que ensinamos. Além disso, logo cedo, a criança começa a aprender por imitação de modelos, que são a princípio os pais, os familiares, os cuidadores. Depois imita colegas, professores, super heróis, entre tantos modelos (nem sempre bons) que vai encontrar pela frente.  Imita e apropria-se de seus comportamentos, para só então, mais velha, conseguir criar a sua própria maneira de ser e agir. Porém, é importante ressaltar que estas primeiras aprendizagens servirão de base para as demais aprendizagens, bem como para a busca de se conhecer e agir à sua maneira. Vale lembrar que a base construída não é determinante, afinal podemos mudar. Mas, dirá muito do ser que se é e do ser que poderá vir a ser. Que ações e modelos seu filho tem tido para aprender a ser o que ele está sendo? Pense nisso. Antes tarde, do que mais tarde.

Vale ver o filme abaixo que mostra a importância das nossas ações na vida de nossos filhos.


31 de mai. de 2011

6- EDUCAÇÃO DE PAIS E FILHOS I

Na postagem anterior, levantei 3 pontos a serem refletidos na educação dos filhos que passam também pela educação dos pais. Vejamos por outras facetas, e um por vez.

1. PAIS E FILHOS SÃO SERES INACABADOS

“Não somos, estamos sendo”, dizia Paulo Freire. Sim, somos incabados e espero que nunca prontos, nem pais, nem filhos.



Atenção ao quadrinho!
É bom refletir, conhecer, buscar entender a situação e o nosso desenvolvimento. Devemos incentivar a criança aos questionamentos, ainda que pareça ser só para “matar” a aula. Ajudá-la nessa reflexão, e na percepção de que é grande responsável pela construção do seu ser. Não basta ignorar o fato, as dúvidas, as angústias. Filosofar é bom em qualquer idade. FILHOsofar então, hum... é muito bom. Principalmente por se tratarem de seres, pais e filhos, que "estão sendo", aprendendo a SER nos vários papéis da vida. 
A vida é sim cheia de mistérios. E nós também. Prestar e dar atenção às nossas ações e às ações do filho ajuda a perceber o que é preciso mudar para proporcionar uma melhor construção tanto dos pais quanto dos filhos. FILHOsofe!

28 de mai. de 2011

5- ENSINAR E APRENDER

Foi-se o tempo em que acreditávamos que só os adultos podiam ensinar as crianças. Hoje sabemos que tudo e todos ensinam, para um bom desenvolvimento ou não. E, quem for atento perceberá o quanto aprende ou pode aprender com a criança. Não é um ensinamento novo. Jesus já nos alertava: “assemelhai-vos às crianças”. E é mesmo bom aprender com ela, com sua simplicidade, curiosidade, veracidade, sinceridade, transparência, com seus poucos condicionamentos sócio-culturais. Ajuda-nos a repensar a educação dos filhos, a nossa própria e muito mais.
A educação de filhos passa a todo instante pelo ensino e pela aprendizagem, que são processos que se complementam como as duas faces de uma mesma moeda. Para ensinar é preciso ter o que aprender e ter o aprendiz. Para aprender é preciso ter um ensinante que tenha o que ensinar. Ah, se isso bastasse! Bastaria um pai e um filho para que acontecesse uma boa educação. Mas não é tão simples assim. Por ora, é importante perceber três pontos: 1- Que pais e filhos são seres inacabados e em constante construção. Ambos com potencial para serem ensinantes e aprendizes. 2- Que é melhor ensinar quando se sabe aprender e viver o que se ensina. Pois, os filhos aprenderão mais facilmente pelos modelos de ações do que pelas palavras. 3- Que ao ensinar aprendemos e ao aprender ensinamos. Ou seja, a educação ocorre em ambos, em pais e em filhos. Atente-se, ensine, aprenda e faça valer a educação entre pais e filhos.

27 de mai. de 2011

4- A TRILHA NÃO É O TRILHO.

Cada criança é única e vai se formando a partir das experiências que tem. Nem sempre o caminho que o filho trilha ou sonha vai de acordo com o que imaginávamos. Mas quem disse que os filhos são felizes com os nossos sonhos? Assim, não coloque “trilhos” para o seu filho seguir, mas sim, crie oportunidades de desenvolvimento, dê base, apoio, e ensine o seu filho a desejar e a trilhar o próprio caminho. De quebra, aprenda e se surpreenda com ele.



26 de mai. de 2011

3- MATA-SE POR AMOR

Quando eu era pequena distribuíam pintinhos em qualquer feira de animais. Juntávamos a criançada e íamos brincar com eles. Lembro que colocávamos na cama, deitados no travesseiro e cobertos assim como nós. Após muita insistência, aprendemos que ave não se deita, e nem dorme na hora que a gente quer. Então, exageradamente, abraçávamos, beijávamos, apertávamos contra o peito aquelas bolinhas amarelas com gravetos que formavam pés. Mas logo outra lição: excesso de amor sufoca e mata. Era preciso ser bem forte para aguentar nosso imenso amor, transformar-se em frango e ganhar o Parque da Água Branca (SP), para onde levávamos os sobreviventes.
Mas o que isso tem a ver com pais e mães? Tudo. Amor demais, também sufoca e/ou mata. Conhecemos várias histórias que tratam disso. Mas, vamos pensar mais simbolicamente. Matar desejos, sonhos, realizações, sentimentos, comportamentos. Sem querer ou perceber matamos desenvolvimentos de nossos filhos. Por amor! Parece instintivo querermos controlar nossa família, ter os filhos literalmente nas mãos, protegendo-os de todo o mal e desamor. Além disso, como parte de nós, é incrível o que sentimos e o que fazemos por eles. Todavia, são seres singulares, diferentes de nós, que se constituem nas experiências do dia-a-dia. E é preciso deixar viver, fazer, pensar, agir para desenvolver. É preciso deixar ser o que se é sem sufocar, sem matar. Amar o suficiente para deixar o filho crescer, viver e ser feliz. 

25 de mai. de 2011

2- FILHOS... FILHOS, MELHOR NÃO TÊ-LOS?

Diz o poeta Vinicius de Moraes em seu “Poema Enjoadinho” que “Filhos... filhos? Melhor não tê-los! Mas se não os temos como sabê-los?” Ter ou não ter, eis a questão. Você está preparado para coco branco, coco preto, noites de insônia, prantos convulsos e muito mais? Sabia que eles bebem amoníaco, comem botão,  chupam gilete, bebem xampu, ateiam fogo no quarteirão? Melhor tê-los? Incrível, mas continuo acreditando que sim. Apesar da responsabilidade, da doação, do investimento, do amor quase sem limites, do mundo violento, da carreira profissional... filhos... filhos, melhor tê-los e sabê-los. Sempre. Afinal, como diz o poeta, como saber da macieza nos seus cabelos, do cheiro morno em sua carne, do gosto doce em sua boca... Sim, melhor tê-los, pois “que coisa louca, que coisa linda, que os filhos são.”

Vale a pena ouvir Paulo Autran, que aliás não teve filhos, declamando o "Poema Enjoadinho".