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3 de jun. de 2016

181. NOSSO FILHO DIZ DE NÓS.



Este vídeo encontrado no YOUTUBE (cerveja x mamadeira) mostra bem o quanto nosso filho diz e dirá de nós.
A criança nasce com bem poucas construções. Terá que aprender tudo do mundo, de si, do outro, de nós. Mas, incrivelmente, nos primeiros dois anos de vida passa de um ser quase inerte a um ser que, se tiver espaço, estará com dedo em riste a nos apontar e mandar. Em apenas dois anos! Isto nos mostra o poder da aprendizagem da criança pequena. Porém, aprende como uma esponja. Ainda não possui amadurecimento neurológico para refletir sobre o que aprende. E nem tem bagagem suficiente para fazer escolhas com autonomia. Eis aí o perigo. Pois, ela aprenderá e construirá a si e o que está ao seu redor a partir das experiências que o meio, em que se insere, lhe oferta. E sem dúvida, este meio diz e dirá muito de suas concepções, percepções e ações presentes e futuras. E, quem é o principal “meio” da criança pequena, aquele que dará a base para as suas construções? Nós, os pais. Quanta responsabilidade! Assim, sempre é bom ao educar os filhos, reeducar-nos conjuntamente. Pois, há sempre muitas coisas a rever em nós e é bom que façamos isso antes dos filhos dizerem de nós.

Neste vídeo, vemos os pais já enganando a criança. E assim, a crinça aprenderá. E usam a bebida alcoólica como estratégia! E assim ela aprenderá. Será que é muito difícil perceber que a nossa responsabilidade como pais é imesa!!!! Cuidemos, pois tudo forma. Trans-forma, re-forma, de-forma... o que irei propiciar?

4 de mai. de 2016

180. O BLÁ BLÁ BLÁ NÃO FUNCIONA.

O cérebro é um órgão incrível. Uma de suas características é que não gosta de mesmice. E convenhamos que o blá blá blá é mesmice e chatice para todos. Conto-lhes uma história. Minhas filhas tinham 10 e 12 anos e eu estava cansada de “blá blá blar” sobre as colaborações em casa, que sempre achamos importante tanto para aprenderem a fazer, como para desenvolverem autonomias e responsabilidades e se sentirem parte importante da família. Assim, abandonei a falação e dei início as aulas de percepção. Conto uma delas. Levei-as ao varal repleto de roupas e perguntei o que viam. Descreveram. Pronto! Final da aula do dia. Estranharam, mas já me conheciam. No dia seguinte, voltamos ao varal e fizemos o mesmo. No outro dia, já acharam graça, mas se inquietaram. “Mãe, está tudo igual! O que é para a gente ver?”, disseram. “Vocês viram exatamente o que era para ver. O varal está mesmo igual. E que conclusão podemos tirar disso?”, perguntei. Uma delas disse: “Já sei! As roupas não vão sozinhas para o guarda roupa, né?” Bingo!!! Agora era preciso outras lições. Mas reforçar também este aprendizado, não com falação, mas com vida. Pois aprender não é assim tão instantâneo. Em pouco tempo, lá estavam as roupas de novo esquecidas no varal. Chamei-as até a lavanderia e comecei a cantar parabéns pedindo-lhes ajuda. “Mas afinal, para quem é o parabéns?”, perguntaram. Respondi: “Para as roupas no varal. Hoje elas completam uma semana aí.” Rimos e o recado estava dado. Cometa algumas loucuras. Tão bom! E bem mais eficientes que o blá blá bla.

11 de fev. de 2016

174. AGORA É PRÁ VALER: VOLTA ÀS AULAS!

Estou aqui lembrando os acertos e erros que cometi como mãe de filhas em escolas. E foram várias delas, pois nos mudamos muito. Destas reflexões, vou elencar o que de melhor aprendi na relação escola-filhas-família.

1. Conheça bem a escola, os professores, o que ela propõe e realmente faz em prol do desenvolvimento global de seu filho.

2. Mantenha um contato regular com os profissionais que lidam com o seu filho. Mas não exagere, pois eles têm vários outros pais para lidarem.

3. Não influencie o olhar do professor com uma lista de coisas que o seu filho não é bom. Cada um tem um olhar.

4. Os filhos são bem diferentes em casa e na escola.

5. Você tem um ou alguns filhos, enquanto a escola tem várias crianças. Ela não vai dar conta de ensinar tudo a todos. 

6. Pais, filhos e escola devem formar uma parceira comprometida onde cada um deve ter o seu papel bem definido. Inclusive o seu filho.

7. É incoerente falar mal da escola para a criança e continuar a levando. Mas não deixe de ir lá conversar se algo incomodar.

8. Não troque estudo por prêmios. Ajude o seu filho a descobrir como é gostoso estudar, quando se sabe para que se estuda o que estuda.

9. Não assuma as responsabilidades escolares no lugar do seu filho. Só entre em cena, quando for preciso mesmo.

10. A escola é passageira, o filho é para sempre.

21 de out. de 2015

169. PARA A BOA EDUCAÇÃO DOS FILHOS BASTA UMA BOA ESCOLA?

bigstockfoto

Um pai de duas crianças pequenas perguntou-me qual escola eu indicaria aos seus filhos. Com menos de cinco minutos descobri que para ele bastava uma boa escola para que os seus filhos fossem bem educados. Será? Está cada vez mais comum este discurso e é lamentável, pois a escola tem sim um grande papel na educação de nossos filhos, mas é na família que eles darão início à construção de sua identidade e personalidade e onde terão uma importante base ao desenvolvimento cognitivo, sócio-afetivo e psicomotor, que fará toda a diferença para o seu progresso na escola. Mas alguns pais reclamam: “Eu não sei educar, nem tenho tempo e nem paciência!” Entretanto, por melhor que seja a escola e por mais preparados que sejam os seus profissionais, ela não conseguirá suprir a carência da ausência familiar. Além disso, se a família não consegue dar conta de um, dois, três filhos, porque a escola conseguiria com seus tantos e tantos alunos? Importante ainda ressaltar que aluno tem um fim na escola, mas filho é para sempre. A escola tem sim o seu papel e que é diferente do papel da família. Mas são papéis complementares e por isso se fala tanto em parceria escola-família. Todavia, muitos pais têm delegado os seus filhos à escola, o que é uma medida perigosa com consequências graves. Não sabe educar? Ninguém nasceu sabendo. Informe-se. Há cursos, blogs, livros para isso. Não tem paciência? Aproveite para desenvolvê-la. Não tem tempo? Reflita sobre a sua agenda. Seus filhos agradecerão. E toda a sociedade também.

14 de out. de 2015

168. INFANTILIZAÇÃO EXAGERADA



Uma das maiores reclamações das corporações é a infantilidade de seus colaboradores. E é verdade, basta observar. E é duro dizer isso, mas isto é consequência da educação que estes jovens ou adultos receberam ou ainda recebem. Nós, pais, tendemos a proteger os filhos em exagero. E fazemos de tudo por eles acreditando ser este o melhor a fazer. Mas, sem perceber, estamos desprotegendo-os, infantilizando-os e os criando para um mundo irreal. Contava-me uma amiga advogada que tem uma estagiária de 23 anos que é descompromissada, falta muito, não tem responsabilidade, pro-atividade e há que se rever tudo o que ela faz. Perguntei-a: “Mas por que a contrataram?” Respondeu: “Era a melhor das candidatas.” Mas o que me deixou mais impressionada foi o fato da mãe da estagiária ligar para a chefe da filha avisando e justificando as suas faltas. Uma mulher de 23 anos já deveria estar assumindo a própria vida, não? Mas para isto é preciso começar desde cedo, pois tal desenvolvimento é processual. Arrumar os brinquedos, organizar as suas coisas, fazer a própria mochila da escola, cuidar de suas tarefas, colaborar com as coisas da casa, fazer o seu prato, assumir os seus atos... tudo isso colabora para que a criança vá percebendo que tem responsabilidade sobre a própria vida. Às vezes dá a maior pena dos filhos, mas percebi na experiência que para bem educar é preciso muitas vezes “tirar” o coração da linha de frente. Pois se poupar o filho terá um adulto infantilizado. E isto não é nada saudável, além de ser ruim para ele, para você e para a sociedade. 

2 de out. de 2015

167. PARA CAMILA EM SEU TÚNEL DO TEMPO


Há 19 anos, no dia 1º de Outubro eu estava inquieta. Deitei-me num banco ao ar livre com uma imensa barriga e fiquei a olhar a lua que estava cheia como nunca vi igual. Na manhã seguinte, dia 2, a caminho da hidroginástica notei que a bolsa havia estourado. Era você querendo nascer e logo seus olhos azuis estavam a me fitar. E nestes 19 anos quanta história boa de contar! Você parece ter nascido arteira, moleca, independente, criativa, engraçada, justa, carinhosa, beijoqueira e com personalidade forte. Ficava horas concentrada com seus brinquedos e atividades desafiando as pesquisas sobre a primeira infância. Aos 3 meses tomou o primeiro banho de mar com grande alegria. Aos 9 meses disse: “Mamã”. Ufa! Aos 10 meses deu os primeiros passos e arrastava cadeiras por todos os lugares. Com um ano entrou na escola e se virava muito bem apesar dos colegas serem um ano mais velhos. Em seu primeiro ano amava puxar o rolo de papel higiênico e sair por toda a casa. E quando me via, e sabendo estar errada, pegava a pontinha do papel e assoava o nariz. Que figurinha!  Aos 2 anos, pedi que chamasse o elevador para adiantar. Foi até ele e gritou: “Elevadorrrr!!!” Lição preciosa a mim. Na mesma época pulou na piscina funda argumentando que sabia nadar. Afundou, engoliu água, tentou sair até que a resgatei. Arregalou os olhos, cuspiu parte da água engolida e me disse: “Não falei que eu sabia nadar!” Ai ai! Logo começou a contar mais do que dez e percebeu algo fantástico. “Dez e seis, dez e sete, dez e oito, dez e nove, dez e dez!” Viva a lógica infantil! Aos 3 anos inventou uma mãe. Maria Chiquinha deixava comer doces a toda hora, dormir a qualquer hora e fazer tudo o que eu não deixava. Um dia, desafiando-me disse que preferia morar com ela. Eu já estava cansada e enciumada desta mãe. Pedi que arrumasse suas coisas, pegamos o carro e você foi me orientando. Rodamos, rodamos, rodamos até que me pediu para parar e disse: “Mãe, a Maria Chiquinha engoliu uma espinha de peixe e morreu. Vamos voltar prá casa?” Aos 4, ao sair para o trabalho você me chamou e disse: “Mãe, não se deslembra que eu te amo, viu?” Aos 5, disse-me: “Mãe, você pode me disciplinar, mas eu não concordo, porque você não está respeitando as diferenças.” Pode? Com a mesma idade já amarrava seus sapatos, comia e tomava banho sozinha, andava de bicicleta sem rodinhas e aprendeu a ler e a escrever, mas sempre gostou de objetividade. Lembro de uma história que deveria ser escrita em 20 linhas. Deu seu jeito. Na primeira linha colocou o príncipe e a princesa se encontrando, casando, tendo filhos e nas demais 19 linhas escreveu um prolongado viveram felizes para sempre. Aos 6, simularam uma votação na escola para presidente, pois o país vivia esta escolha. Indagou-me: “Por que não conheço os candidatos?” E eu retruquei: “Não os conhece?” Você citou o nome de todos, mas disse que não conhecia a proposta e que o voto deveria ser consciente. Que maravilha! Aos 7, chegando na escola para buscá-la recebi os parabéns de uma mãe. Logo descobri que você havia ganho uma olimpíada de Matemática e eu nem sabia que você havia se inscrito. Esta é você. Faz as coisas para si, para o seu prazer e desenvolvimento e não para se autopromover ou receber elogios.  Como me ensina! Aos 8 voltou da escola indignada com uma injustiça feita a um colega. Lutou bravamente por ele. Aos 9 fez biscoitos e os vendou pelo prédio para pagar um picolé que havia comprado fiado. E entrou no time de futebol, mesmo sendo a única menina. Aos 10, empenhou-se firmemente nas artes e por um bom tempo se dedicou a ela. Aos 11 passou o aniversário internada sem perder o brilho e sem se lamentar. Aos 12 concluiu que o par ou ímpar não tinham as mesmas chances, e que pedir par era vantajoso, pois ímpar com ímpar dá par, par com par dá par e apenas par com ímpar dá ímpar. Bonito vê-la questionando o que lhe era apresentado como verdade. Aos 13 ganhou troféu por estar entre as melhores alunas da escola. Aos 14 fez uma linda apresentação teatral, mesmo não ganhando o papel que queria. Aos 15 foi para o Canadá e lá brilhou. E a pedidos da coordenação do programa ficou por mais 6 meses. Aos 17 passou na faculdade e foi morar sozinha, assumindo todas as tarefas. Aos 18 tirou carta, trabalha, estuda, namora, faz atividades físicas. Bravo! Aqui estão alguns flashes de sua vida apenas para dizer: Que orgulho de você! Chorou, sorriu, amou, errou, acertou, brincou, machucou-se, mostrando em tudo o que fez e faz a sua maturidade, cuidado, afeto, inteligência, compromisso, dedicação, determinação, justiça, autonomia, responsabilidade e muita sabedoria. Sou sua fã, Camila. Parabéns pela vida tão linda que tem construído. Muito feliz pelos frutos que temos colhido. Continue lindamente a sua história.
Com imenso amor,

24 de set. de 2015

165. UNINDO O ÚTIL AO AGRADÁVEL.


Fui procurada por Michele Pergher, que me contou de um projeto bem interessante e pedi que nos contasse sobre ele.
Após um período de 6 anos na Austrália, Michele e Everson Pergher decidiram voltar ao Brasil trazendo uma proposta inovadora e diferenciada. Tornaram-se máster franqueados da Little Kickers no Brasil que possui um programa de futebol e inglês especificamente desenvolvido para meninos e meninas de 1 ano e meio a 7 anos. As turmas são divididas por idades respeitando o desenvolvimento motor e cognitivo das crianças e utiliza os estilos de aprendizagem - Visual, Áudio e Cinestésico (VAC), os quais já discutimos aqui no blog como essenciais à aprendizagem. O Littke Kickers teve sua origem no Reino Unido em 2002, mas já ganhou o mundo. No Brasil iniciou em 2014 em Porto Alegre em escolas particulares e em duas sedes e já estão fazendo a sua história com mais de 450 alunos em menos de um ano e meio de operação. "Agora estamos em contato com possíveis investidores no Rio de Janeiro, Florianópolis e São Paulo", conta Everson, com plano de expansão para todo o Brasil.
Não estou ganhando para divulgar o projeto, mas aqui estou pois gostei da forma como fui abordada, por acreditar na solidariedade e por achar o projeto criativo e bom desenvolvedor de habilidades e competências. No mundo atual, onde as crianças estão cada vez mais sedentárias, isoladas em seus mundos virtuais e precisando aprender o inglês para dar conta do mundo globalizado, tal projeto vale a pena ser considerado. É realmente "Muito mais que Futebol e Inglês" e sabe unir o útil ao agradável.
Para mais informações acesse o site www.lkfc.com.br ou a página do facebook: www.facebook.com/lkfcbrasil 
Sucesso a vocês!

2 de set. de 2015

163. TIRINHAS QUE DIZEM DE NÓS: DISTRIBUIÇÃO DE TAREFAS.



 
Esta tirinha é bem conhecida por qualquer mãe. Mas pode-se ouvir: “Pai?” Ufa, ufa! Qual pergunta virá? Eis que vem: “Onde está a mamãe?”
Mães, desenvolvam autonomia em seus filhos, deleguem tarefas, não assumam tudo. Não pense que seu filho a amará menos se deixar de fazer coisas. Pelo contrário, ele tenderá a te valorizar ainda mais.

Mamãe, o que você gostaria de ser se vivesse?
Um erro muito comum que as mães cometem é pedir ajuda. Se pedimos ajuda estamos querendo dizer que todas estas tarefas são nossas. Não estou querendo ser feminista. Mas, convenhamos, estas tarefas são todas nossas? E acredite: saber arrumar a cama e a casa, fazer o próprio prato, cozinhar em família, cuidar da roupa entre tantas outras tarefas dizem de aprendizagens de base importantíssimas para que outras mais complexas possam ser desenvolvidas. Colabore com você e com o seu filho.




12 de ago. de 2015

160. TIRINHAS QUE DIZEM DE NÓS: RESPONSABILIDADE


Desenvolver nos filhos a responsabilidade e a assunção por seus atos é um grande ensinamento. Bom para os pais, para os próprios filhos e para a sociedade. Colaboremos.




29 de jul. de 2015

158: VIVER E NÃO TER A VERGONHA DE SER FELIZ.


Fim de férias e de volta a rotina. O filho volta a acordar cedo, a ir para a escola, a fazer tarefas, provas, aulas extra-curriculares de inglês, dança, futebol, balé. Corre prá cá, corre prá lá. Cuidado com o estresse avisa o doutor! Mas voltar à escola é muito bom. É delicioso rever amigos, professores, aprender coisas novas, desenvolver habilidades, perceber a si e ao mundo de um jeito cada vez mais amplo. Nela temos a oportunidade de fazernos coisas que dificilmente faríamos sem ela. Mas muitos pais, de forma inconsciente, passam aos filhos as suas representações de escola, que muitas vezes não trazem boas lembranças. E repassam os recados: “Se não colocar a comida para o cachorro vai ter que estudar!” “Se não fizer a tarefa, não vai jogar!” “Por que você não é estudioso como o seu amigo?” “O que? Foi mal na prova?” “Se não estudar vai ficar burro!” Ah, o pobre bichano que não tem nada a ver com isso!
Cuidado! Passamos recados aos filhos sem percebermos. E muitos dos relacionados à escola e aos estudos são negativos, fazem parte de punições ou desestímulos. Preste atenção, policie-se, pois aprender é uma das coisas mais maravilhosas desse mundo. Não estrague esse capacidade de seu filho. E se estragaram a sua, aproveite para encontrar a magia do aprender.
Neste início de volta às aulas, desejo a cada pai, mãe, professor, professora e a cada menino e menina que tenha a alegria de ser um eterno aprendiz. E viva sem ter a vergonha de ser feliz. 


1 de jul. de 2015

154: SEU FILHO TAMBÉM É MOVIDO A DESAFIOS.


O ser humano é movido a desafios. E o seu filho também. Quer ver? Observe se já não viveu esta cena. Uma criança pequena tenta subir no sofá, que para ela é um enorme desafio. Nesta tentativa, sempre aparece um adulto que resolve o problema, carrega-a e a coloca em cima do sofá, não é? Mas o que acontece? A criança desce imediatamente e começa tudo de novo. Pode parecer bobagem, mas esse desafio de subir no sofá diz de muitos desenvolvimentos motores, psíquicos, cognitivos e que além de serem úteis agora, serão base importante para futuras aprendizagens bem mais complexas. Mas, se desde pequena dizemos à criança que ela não consegue, ou nos adiantamos fazendo em seu lugar, ou ainda a acostumamos a conseguir as coisas fáceis, estaremos proporcionando a formação de uma possível criança insegura, passiva, sem curiosidade a novas descobertas e com limitados conhecimentos.
Assim, deixe seu filho desafiar-se e aceitar desafios para conquista-los. Fique de olho sim e sempre atento, afinal há riscos. Mas não exagere e nem subestime o seu filho. Com riscos calculados, deixe-o viver, desafiar-se, aprender e desenvolver. Sempre.
Assista aos dois vídeos e inspire-se.



ps: Nesse mes de férias usarei vídeos de crianças que circulam pela internet para a nossa reflexão e melhoria de ação.

3 de jun. de 2015

150. DESCONECTAR PARA CONECTAR.

Visita na casa de alguma avó.
Esses dias recebemos uma mensagem de nossa filha que está há quase um ano na Austrália: “Por aqui está tudo bem, não se preocupem. Mas, vou fazer uma experiência e ficar três dias sem o celular.” Perguntei o motivo e obtive como resposta: “Mãe, eu quero perceber o que estou perdendo ao meu redor enquanto fico conectada ao mundo.” Achei brilhante a sua ideia e visão, mas queria me certificar se havia algum outro motivo. Coisas de mãe. Imediatamente conectei o facetime para me abastecer, acalmar, vê-la e saber mais. Pausa. Viva sim esta tecnologia que tem muitos benefícios. Mas,  encaremos de frente. Estamos viciados nela. E isso tem atrapalhado também a relação entre pais e filhos. Um exemplo? Observe qualquer lugar onde haja família “unida”. Restaurante, shoppings, festas. Em geral, cada um está no seu mundo. E Gabi tem razão: estamos tão plugados que mal percebemos o que e quem está ao nosso redor. Quando saímos em família, em geral, nossas filhas pedem para não levarmos os celulares. Não é maravilhoso? Sinal de que gostam e priorizam a nossa presença e gostam de conversar conosco. Mas isso não é sorte ou surgiu do nada. Investimos para tanto. E é esse desafio que quero propor: desconectar-se um pouco do mundo que está nas mãos para se conectar, sem distração, com a família. Relação entre pais e filhos se aprende e requer atenção, intenção, continuidade, espaço, diálogo, carinho, respeito, prazer, confiança, troca, tempo entre outras construções. Não se dá por um acaso. Atente ao seu redor e não perca a principal conexão.


26 de mai. de 2015

149. PEDIDO RAPIDAMENTE CUMPRIDO.


Esta história não fui eu quem escrevi, mas adoraria que tivesse sido. Tampouco sei quem a escreveu. Mas achei que faz muito sentido e nos coloca em boa reflexão.

“Um dia, minha mãe e eu conversávamos sobre a vida e a morte e eu lhe disse:
- Mãe, se um dia eu estiver num estado vegetativo, em que minha vida dependa unicamente de aparelhos, desligue, por favor, as máquinas que me mantêm artificialmente em vida! EU PREFIRO MORRER!!!
Então eu vi minha mãe se levantar, me olhando cheia de admiração... E puxando decididamente os fios, ela desligou: a tv,
o dvd,
o cabo de internet,
o computador,
o MP3/4,
o playstation,
o wifi,
o fixo...
E ainda me arrancou:
o celular,
o tablet,
o Ipod.
EU QUASE MORRI!"

Para bom entendedor... uma história basta.

21 de mai. de 2015

148. CUIDADO COM O QUE SE ENSINA!

The babes in the wood de Thomas Crawford.
Metropolitan Museum - NY

Esses dias ouvi uma história de um adulto que serve de reflexão e alerta na educação dos filhos. Contava que na infância sua mãe dizia aos filhos que quando não se arrumava a cama o anjo da guarda não saia dela e portanto não os acompanhavam durante o dia. Apavorados, eles não falhavam. E a mãe resolveu o seu problema de reclamar todo dia. Já adulto, um dia saiu sem tempo de arrumar a cama. Bateu o carro e logo se lembrou do que a mãe dizia. Tentei receber essa informação como uma criança e tive logo uma angústia: Se o anjo da guarda não levanta da cama, logo ele dorme comigo. E se assim for, e como não o vejo, posso criar medos. “O que ele pode fazer comigo?” “E se eu deitar em cima e o machucar?” Mas pensando como adulta e com o que já construí até aqui, continuei a conversa. Notamos que várias outras vezes ele não tinha arrumado a cama e nada havia acontecido. Duvidou então dessa verdade. Mas confessou a angústia que sentia. Nem sempre queria arrumar a cama, mas morria de medo de não fazê-lo. A questão aqui não é se o anjo da guarda fica na cama, se ele existe, se é verdade isso ou aquilo. O fato é que a infância deixa marcas profundas em nossa vidas que dirão do nosso ser. A ela agradecem os psicólogos e analistas. Muitas vezes usamos de fantasias com as crianças para facilitar a resolução de um problema, ou apenas repetimos “verdades” sem pensar. Sugiro fazer sempre uma “faxina” nos conceitos e ações antes de passá-los adiante. Resolver um problema e arrumar outro não parece boa pedida. A não ser para psicólogos e analistas.

26 de abr. de 2015

145. JÁ SEI NAMORAR!



A mãe de Júlia de 7 anos estava preocupada com o rápido desenvolvimento da filha no quesito sexualidade. A menina era provocadora, já sabia fazer caras e bocas, não saia do facebook, já usava maquiagem e dizia ter namorados. A mãe chama-a para uma conversa. Feito adolescente, Júlia vem se arrastando com cara de “Que saco!” A mãe diz: “Vamos conversar desses namorados.” Júlia responde: “Você quer que eu te ensine a namorar!?” Infelizmente, conheço algumas Júlias. Digo “infelizmente”, pois sou totalmente a favor da criança viver a tão passageira infância. Mas também conheço muitos pais de Júlias. Observemos ao redor e pensemos sobre. Já repararam como os adultos adoram perguntar às crianças se elas já têm namorado? Pra que? Se as Júlias usam maquiagem, quem as comprou? Com quem aprenderam a provocar? Será mesmo necessário ter um smartphone aos 7? E porque não saem das redes sociais? Não estaremos nós também fixados nelas? O que tenho proporcionado nos tempos livres da criança? Tantas outras perguntas poderíamos nos fazer. Mas, o mais importante é lembrar que tudo, TUDO o que a criança faz ela aprendeu. E é essa a minha provocação do dia: O que tem sido proporcionado à criança para aprender e desenvolver? Então, alguém pode reclamar: “Mas todas as crianças hoje usam maquiagem, tem celulares, namoram! Vou criar um estranho no ninho?” Eu respondo: “Não seria esse ninho estranho? Todo mundo igual?”
Queridos pais de Júlias, deixemo-nas serem crianças.


23 de abr. de 2015

144. QUE TIPO DE PAI/MÃE EU SOU NA ESCOLA?


Aposto que você já ouviu na escola do seu filho a palavra “parceria”.  Por que as escolas têm insistido tanto nisso?
Voltemos um pouco no tempo. Pais trabalhavam fora e eram os provedores. Mães cuidavam da educação dos filhos, enquanto a escola instruía. Rapidamente essa realidade ficou para trás. Pais e mães viraram profissionais e coube à escola todo o resto. Há vários anos, quando eu era professora de crianças, uma mãe veio reclamar que eu não estava ensinando o seu filho a rezar (e a escola era laica!) nem a amarrar o tênis. Fiquei pensando nas mudanças que estavam ocorrendo e nas que estavam por vir. A escola, diante da nova realidade, viu-se com papéis acumulados e com obrigações que não eram dela. Com o tempo e com o desenvolvimento das ciências, a escola percebeu que o seu papel era bem maior que a instrução, mas se viu sobrecarregada e começou a falar em parceria, explicitar os papéis de cada um e a colocar limites, ainda que escutasse injustas reclamações de incompetência. Pense: você tem um filho para educar. A escola tem muitas crianças! Não dá para terceirizar a educação dos filhos! Mas complementar as educações, escola e família, pode ser uma proveitosa e maravilhosa parceria. Então vamos lá. Que tipo de pai/mãe você está sendo? O que cabe a você e à escola? Pode melhorar o seu papel? Pode ser mais parceiro? Pense cuidadosamente, pois entre a escola e a família há o seu filho. E lembre-se que reflexão sem ação pode levar à tomada de consciência. Que já é bom, mas não é muito.

12 de mar. de 2015

142. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: Índia e a Educação por Projetos: Ahmedabad.


O último projeto que irei apresentar foi conhecido e vivenciado em Ahmedabad, uma cidade também bem interessante. Fomos a Riverside, escola lindamente construtivista, cuja fundadora, Kiran Bir Sethi, é também a idealizadora do fantástico projeto “Design for Change”. (ps: Tem um TED bem interessante com ela.) Conhecemos a escola pelos alunos que, ainda que pequenos, deram um show de como a escola funcionava. Falaram dos projetos, dos ideais da escola, de como aprendiam e o que aprendiam. Emocionante de se ver, bem como ver alguns projetos acontecerem. 
Interessante como eles vivenciam a aprendizagem, sentindo na pele, o que para mim é o melhor modo de aprender. Por exemplo: Um dos temas era o trabalho infantil, muito comum na Índia. As crianças da escola viveram um dia como se fossem essas crianças. Ficaram o dia todo quebrando pedras embaixo do sol e de um calor insurpotável. Um outro projeto achei uma graça e servia aos alunos que tinham desavenças entre si. Explicitavam a raiva, marcando em um mural quem não gostava de quem. E um deles presenteava o outro com uma planta. E ambos deveriam cuidar dela, enquanto se cuidavam. Deu-me certo conflito essa exposição, mas ao mesmo tempo achei lindo.
Passaria dias contando os projetos que vi ali. Mas vale focar no  “Design for Change”, que inclusive a própria Kiran reforçou aquilo que os pequenos alunos já haviam nos dito. É um projeto que trata o aluno como protagonista histórico e ser capaz de propiciar transformações. O método é simples e segue quatro passos: Sentir (feel), Imaginar (imagine), Fazer (do) e Compartilhar (share). Ou seja, o aluno detecta algum problema que o incomoda, o que já o ensina a observar a realidade como ser ativo. Então ele imagina como pode resolver o problema, e em geral convoca outros para ajudá-lo. Próximo passo é colocar em prática o planejamento do passo anterior, isto é, fazer. E então, compartilhar a experiência, que é um modo de contaminar benignamente a outros.
Esse projeto é relativamente novo e já alcançou boa parte do mundo. Assistimos vídeos de diversos países, com diferentes problemas e suas resoluções. Hong Kong, Butão, Chile, Colômbia, França, Canadá, EUA, Camarões, México, Espanha, Brasil, Filipinas, Portugal, Singapura entre tantos outros. E a maioria conseguiu arrancar-me lágrimas. As crianças levantavam e resolviam problemas de bullying, cantina, recreio, material escolar, acesso à escola, limpeza dos banheiros, buracos nas estradas, inclusão de alunos e diversos outros. Não importava o tamanho do problema nem a sua complexidade, mas sim ensinar às crianças a sentirem os problemas, pensarem em soluções e agirem. Realmente arrepiante de se ver. Tudo muito inspirado no Quociente de Gandhi, já explicado em post anterior. Mas que se resume numa frase do próprio: Seja você a mudança que quer no mundo.
Que ideia simples, mas altamente transformadora. E, além de compartilharem com a comunidade o problema sentido e como foi resolvido, há ainda um evento, de que também participamos, onde há a troca com todas as escolas envolvidas da Índia. Como há ainda um evento bem maior, onde compartilham com todas as escolas do mundo que abraçam essa causa. Kiran, a idealizadora, é de uma simplicidade que nos faz pensar e é mulher iluminada. Não há como negar.
Por mais que existam também aqui no Brasil projetos assim, eu nunca vi algo tão grandioso, organizado e ao mesmo tempo simples e complexo.  Sei que, de todas as viagens que já fiz, talvez a Índia tenha sido a que mais impactou a minha vida. Proporcionou-me rever muitos conceitos, valores e percebi mudanças que vieram delicadamente, assim como os indianos são.

Obrigada Deus pela vida, por me acompanhar nessas aventuras tão construtivas, por me permitir viver tais maravilhas. Obrigada a cada indivíduo que passou pela minha vida, ajudando-me, por bem ou por mal, a ser pessoa melhor. Um ser ainda em construção, e que assim seja até o último suspiro. Até a próxima viagem!

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