Visitamos várias escolas, na maioria públicas, tanto em Moscou quanto
em São Petersburgo. Apenas 1 % das crianças estudam em escolas particulares. O
ensino pode ser presencial, semipresencial (muito usado por atletas) ou por
correspondência (em geral, opção de pais mais progressistas.) Cada escola visitada
tinha suas especificidades, mas falemos do geral.
Logo na entrada, via-se vários sapatos pelo chão, pois não se entra na
escola com os sapatos vindos da rua, nem na Russia, nem na Finlândia. Nem no
verão.
Chamou-me a atenção, o entusiasmo dos professores e diretores, a vontade
de investir em qualidade de ensino e a quantidade de docentes para cada aluno. Em
média eram 2,5 alunos por professor. Era frequente ver professores dedicando-se
a um único aluno, àqueles com maior dificuldade.
Vi muitos docentes idosos e era
difícil a entrada dos mais jovens. Todavia, há uma mudança na valorização da profissão
e as reformas educacionais estão fervilhando. Creio que haverá mudanças neste
cenário.
Nos corredores silenciosos e limpos, via-se movimentação organizada,
alunos formalmente vestidos e bem comportados.
Há um documento de direitos e
deveres dos alunos que constam ainda das regras comportamentais, ditadas sem a
participação dos mesmos. Apesar do autoritarismo ainda empregnado, era visível
a busca por um ensino e relações mais democráticas. Uma das escolas reforçava o
lema: “Valorize a tradição, porém siga em frente!”
Ao perguntar sobre bulling e
desavenças entre os alunos, uma das diretoras responde que hoje as crianças
brigam menos, pois estão ocupadas em seus jogos eletrônicos. Esta questão dá
pano para mangas!
Era visível, pelas paredes das escolas, a valorização que davam aos seus
poetas, cientistas, escritores e o quão priorizam a arte de uma forma geral e
incentivam o aluno a tal.
As escolas respiravam arte, assim como as ruas,
repletas de importantes museus, monumentos e belíssimas construções históricas.
Sim, a cultura diz de seu povo!
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| Catedral de São Basilio- Moscou |
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| Museu Hermitage- São Petersburgo |
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| Palácio de Catarina- São Petersburgo |
Pelas salas, via-se aulas de música, desenho,
pintura, fotografia, cinema, cerâmica e diversos estúdios. E há muitas
apresentações para que os alunos desenvolvam e mostrem os seus talentos, também
nos esportes.
Segundo eles, não com o objetivo de que se tornassem estrelas,
mas para que tais habilidades pudessem beneficiá-los nas profissões escolhidas.
Brilhante pensamento! E no que seria o nosso Ensino Médio, os alunos podem
escolher as disciplinas que vão de encontro com a profissão almejada, aumentando
seus interesses e melhores condições de êxito no futuro. Vale a reflexão.
Ao perguntar a um grupo de alunos quais as características do bom
professor, eles disseram: ele deve gostar dos alunos, ser objetivo, ter boa
comunicação, ter a mente aberta, métodos para captar a atenção dos alunos, não
ser nem soberbo nem tão brincalhão. Belo recado.
Para concluir, diria que os
russos estão atentos e apressados na adaptação dos novos tempos. Tema da
próxima postagem. Até lá.