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3 de jun. de 2016

181. NOSSO FILHO DIZ DE NÓS.



Este vídeo encontrado no YOUTUBE (cerveja x mamadeira) mostra bem o quanto nosso filho diz e dirá de nós.
A criança nasce com bem poucas construções. Terá que aprender tudo do mundo, de si, do outro, de nós. Mas, incrivelmente, nos primeiros dois anos de vida passa de um ser quase inerte a um ser que, se tiver espaço, estará com dedo em riste a nos apontar e mandar. Em apenas dois anos! Isto nos mostra o poder da aprendizagem da criança pequena. Porém, aprende como uma esponja. Ainda não possui amadurecimento neurológico para refletir sobre o que aprende. E nem tem bagagem suficiente para fazer escolhas com autonomia. Eis aí o perigo. Pois, ela aprenderá e construirá a si e o que está ao seu redor a partir das experiências que o meio, em que se insere, lhe oferta. E sem dúvida, este meio diz e dirá muito de suas concepções, percepções e ações presentes e futuras. E, quem é o principal “meio” da criança pequena, aquele que dará a base para as suas construções? Nós, os pais. Quanta responsabilidade! Assim, sempre é bom ao educar os filhos, reeducar-nos conjuntamente. Pois, há sempre muitas coisas a rever em nós e é bom que façamos isso antes dos filhos dizerem de nós.

Neste vídeo, vemos os pais já enganando a criança. E assim, a crinça aprenderá. E usam a bebida alcoólica como estratégia! E assim ela aprenderá. Será que é muito difícil perceber que a nossa responsabilidade como pais é imesa!!!! Cuidemos, pois tudo forma. Trans-forma, re-forma, de-forma... o que irei propiciar?

6 de abr. de 2016

178. 3 DICAS PARA MELHOR ENTENDER E AJUDAR O SEU FILHO.

1. Tudo o que aprendemos vamos representando na memória. Se digo “árvore” observe como o seu cérebro identifica a palavra, traz imagens e lhe possibilita a ter acesso a vários conhecimentos e lembranças sobre árvores que você construiu a partir da sua experiência. O mesmo ocorre com o seu filho, e por isso o que está representado em você, não está nele e nem em mais ninguém, pois cada um tem a sua experiência e o modo como representa e organiza na memória. 
2. Interagimos com o mundo a partir destas representações mentais que construímos. Logo, quanto mais conhecimentos bem representados, mais a criança poderá perceber do mundo, abrindo-se a novas possibilidades de aprendizagens e desenvolvimentos. 
3. De certa forma, só percebemos o que já conhecemos. Conto um episódio para ilustrar. Umas crianças de educação infantil aprendiam sobre os insetos. No intervalo, foram ao pátio brincar, mas logo voltaram à professora em alvoroço. Estavam surpresas como o estudo havia feito o pátio ficar repleto de insetos. Claro que sabemos que os insetos já estavam lá. O que aconteceu é que ao dar início a construção das representações sobre os insetos, a percepção das crianças mudou. E elas viram o que antes lhes era desapercebido. 
Então, como podemos ajudar? Lembrar que nossas representações são diferentes das da criança. Atentar-se as suas descobertas, as suas representações, não dizer qualquer bobagem, mas ajudá-las a conhecer, perceber e construir correta e organizadamente o mundo, os outros e a si mesmo.

30 de mar. de 2016

177. A LINGUAGEM MUDA O MUNDO INTERNO DA CRIANÇA.

A linguagem tem como função básica a comunicação entre os membros de uma mesma espécie. Na nossa, o choro é o primeiro ato de comunicação e logo vai ganhando novas formas. Mas há ainda uma função ligada ao pensamento. A linguagem possibilita a representação mental do mundo e é fundamental para a construção, estruturação e organização do pensamento. Ao nomear algo ou alguém, como “mamãe, cadeira, cachorro”, a criança está realizando um ato de classificação. Ao dizer “cadeira” ela está a colocando numa classe de objetos do mundo, na categoria cadeira, o que também implica saber distinguir esta categoria de todas as outras. E assim a criança vai representando o mundo, dando-lhe lógica e o organizando de forma simbólica, isto é, colocando o mundo para dentro de si e pensando sobre ele. Isto gera uma mudança cerebral incrível e a criança começa a desenvolver a cognição rapidamente. Se estimúlo o meu filho a falar “au au” para todo e qualquer animal, o seu mundo interno ficará limitado e o externo por consequinte. Se converso com a criança sem explorar novos conhecimentos e vocabulários, também. O que fazer? Deixe a criança se comunicar o máximo possível, mas com limites. Saber escutar muito ensina. Estimule-a a contar sobre o seu dia, fazer as suas perguntas, desenvolver a linguagem em todos os seus modos. Ajude-a a ganhar vocabulário, a corrigí-lo e a organizar o pensamento. Leia com ela, para ela, deixe-a “ler” para você. E prepare-se para assistir e participar de grandes desenvolvimentos.

17 de mar. de 2016

176. ADOLESCENTE AOS 3?

Tem filho de 3, 4 ou 5 anos? Por um acaso, de repente, ele está parecendo um mini adolescente? Quer fazer tudo sozinho? Acha-se bem independente? Virou do contra? Coloca o dedo em riste e quer dar ordens? Maravilha! Seu filho está passando por uma importante fase de desenvolvimento. Explico.

Segundo Henri Wallon, que tem uma teoria psicogenética bem interessante, a criança nesta fase passa por três momentos. O primeiro é a negação. Ou seja, ela nega tudo o que dizemos e fazemos. Nada tão pessoal. Apenas para expulsar o outro de dentro de si, dar inicio a sua pessoa consciente e esboçar a sua personalidade. (Atenção! Fase bem perigosa para perdermos o rumo.) Mas, expulsar o outro tem também o seu preço. O medo de perdê-lo faz com que a criança apele para a sedução. E seduz. E se torna narcisista, exibicionista e sai em busca de aplausos. E finalmente, a imitação. Em que especialmente pelos jogos de faz de conta, ela internaliza o outro e os papéis sociais. Brinca que é professora, que é mãe, piloto etc. Ao viver o outro ela passa a defini-lo melhor, bem como a si mesma. E o que fazer? Primeiro paciência. Depois, limites bem claros. Deixe ele se opor um pouco e chega. Cuide com as seduções e os exibicionismos. Ambos fazem parte do desenvolvimento, mas em excesso desandam a massa. E não limitem seus filhos ao tablet. Tais vivências vividas são importantíssimas! Propicie baús de fantasias, muitas brincadeiras de imitação enquanto deixa BEM claro os papéis de cada um na casa. Ajude o seu filho a ter bela personalidade.

Neste rápido video, observe a negação pelo grito e logo em seguida a sedução.


3 de mar. de 2016

175. OS PRIMEIROS ANOS DE VIDA SÃO QUASE TUDO!

Creio que nunca mais vamos conseguir aprender tanto como nos dois primeiros anos de vida. Passamos de um ser altamente dependente e quase inerte para um ser, que se tiver espaço, consegue até mandar em toda a família. Em apenas dois anos! Realmente, a capacidade de aprendizagem nesta fase é inimaginável e maravilhosa! E há que ser bem aproveitada. A princípio o bebê fica deitado, e ainda nem enxerga direito. Mas logo, começa a ganhar mais movimentos, a coordená-los, a explorar o que está a sua volta. Começa a aprender das emoções e de como interagir com o meio social para ter suas necessidades alcançadas. Logo senta, e seu mundo ganha nova perspectiva. Quantas coisas a explorar. E logo engatinham e começam a construir o mundo e suas relações. Jogam o bola e ela rola. Jogam o copo e ele quebra. Batem a cabeça na mesa e percebem que dói e machuca. E andam. E o mundo se abre em possibilidades. E logo correm e viram ótimos personal trainers, fazendo-nos correr atrás. Afinal, falta-lhes vivências. Nem imaginam o perigo que correm, por isso estamos nós ali a ensiná-los. E começam a falar e rapidamente ampliam o vocabulário. Quanta aprendizagem! E quantas há por vir. Mas uma dica é importante. O cérebro humano é capaz de aprender em qualquer idade. Mas as experiências dos primeiros anos de vida afetam a arquitetura cerebral e o modo como ele é colocado em ação. Experiências positivas e felizes constroem uma arquitetura forte para o aprendizado, o comportamento e a saúde. Invista na boa base.

2 de out. de 2015

167. PARA CAMILA EM SEU TÚNEL DO TEMPO


Há 19 anos, no dia 1º de Outubro eu estava inquieta. Deitei-me num banco ao ar livre com uma imensa barriga e fiquei a olhar a lua que estava cheia como nunca vi igual. Na manhã seguinte, dia 2, a caminho da hidroginástica notei que a bolsa havia estourado. Era você querendo nascer e logo seus olhos azuis estavam a me fitar. E nestes 19 anos quanta história boa de contar! Você parece ter nascido arteira, moleca, independente, criativa, engraçada, justa, carinhosa, beijoqueira e com personalidade forte. Ficava horas concentrada com seus brinquedos e atividades desafiando as pesquisas sobre a primeira infância. Aos 3 meses tomou o primeiro banho de mar com grande alegria. Aos 9 meses disse: “Mamã”. Ufa! Aos 10 meses deu os primeiros passos e arrastava cadeiras por todos os lugares. Com um ano entrou na escola e se virava muito bem apesar dos colegas serem um ano mais velhos. Em seu primeiro ano amava puxar o rolo de papel higiênico e sair por toda a casa. E quando me via, e sabendo estar errada, pegava a pontinha do papel e assoava o nariz. Que figurinha!  Aos 2 anos, pedi que chamasse o elevador para adiantar. Foi até ele e gritou: “Elevadorrrr!!!” Lição preciosa a mim. Na mesma época pulou na piscina funda argumentando que sabia nadar. Afundou, engoliu água, tentou sair até que a resgatei. Arregalou os olhos, cuspiu parte da água engolida e me disse: “Não falei que eu sabia nadar!” Ai ai! Logo começou a contar mais do que dez e percebeu algo fantástico. “Dez e seis, dez e sete, dez e oito, dez e nove, dez e dez!” Viva a lógica infantil! Aos 3 anos inventou uma mãe. Maria Chiquinha deixava comer doces a toda hora, dormir a qualquer hora e fazer tudo o que eu não deixava. Um dia, desafiando-me disse que preferia morar com ela. Eu já estava cansada e enciumada desta mãe. Pedi que arrumasse suas coisas, pegamos o carro e você foi me orientando. Rodamos, rodamos, rodamos até que me pediu para parar e disse: “Mãe, a Maria Chiquinha engoliu uma espinha de peixe e morreu. Vamos voltar prá casa?” Aos 4, ao sair para o trabalho você me chamou e disse: “Mãe, não se deslembra que eu te amo, viu?” Aos 5, disse-me: “Mãe, você pode me disciplinar, mas eu não concordo, porque você não está respeitando as diferenças.” Pode? Com a mesma idade já amarrava seus sapatos, comia e tomava banho sozinha, andava de bicicleta sem rodinhas e aprendeu a ler e a escrever, mas sempre gostou de objetividade. Lembro de uma história que deveria ser escrita em 20 linhas. Deu seu jeito. Na primeira linha colocou o príncipe e a princesa se encontrando, casando, tendo filhos e nas demais 19 linhas escreveu um prolongado viveram felizes para sempre. Aos 6, simularam uma votação na escola para presidente, pois o país vivia esta escolha. Indagou-me: “Por que não conheço os candidatos?” E eu retruquei: “Não os conhece?” Você citou o nome de todos, mas disse que não conhecia a proposta e que o voto deveria ser consciente. Que maravilha! Aos 7, chegando na escola para buscá-la recebi os parabéns de uma mãe. Logo descobri que você havia ganho uma olimpíada de Matemática e eu nem sabia que você havia se inscrito. Esta é você. Faz as coisas para si, para o seu prazer e desenvolvimento e não para se autopromover ou receber elogios.  Como me ensina! Aos 8 voltou da escola indignada com uma injustiça feita a um colega. Lutou bravamente por ele. Aos 9 fez biscoitos e os vendou pelo prédio para pagar um picolé que havia comprado fiado. E entrou no time de futebol, mesmo sendo a única menina. Aos 10, empenhou-se firmemente nas artes e por um bom tempo se dedicou a ela. Aos 11 passou o aniversário internada sem perder o brilho e sem se lamentar. Aos 12 concluiu que o par ou ímpar não tinham as mesmas chances, e que pedir par era vantajoso, pois ímpar com ímpar dá par, par com par dá par e apenas par com ímpar dá ímpar. Bonito vê-la questionando o que lhe era apresentado como verdade. Aos 13 ganhou troféu por estar entre as melhores alunas da escola. Aos 14 fez uma linda apresentação teatral, mesmo não ganhando o papel que queria. Aos 15 foi para o Canadá e lá brilhou. E a pedidos da coordenação do programa ficou por mais 6 meses. Aos 17 passou na faculdade e foi morar sozinha, assumindo todas as tarefas. Aos 18 tirou carta, trabalha, estuda, namora, faz atividades físicas. Bravo! Aqui estão alguns flashes de sua vida apenas para dizer: Que orgulho de você! Chorou, sorriu, amou, errou, acertou, brincou, machucou-se, mostrando em tudo o que fez e faz a sua maturidade, cuidado, afeto, inteligência, compromisso, dedicação, determinação, justiça, autonomia, responsabilidade e muita sabedoria. Sou sua fã, Camila. Parabéns pela vida tão linda que tem construído. Muito feliz pelos frutos que temos colhido. Continue lindamente a sua história.
Com imenso amor,

24 de set. de 2015

165. UNINDO O ÚTIL AO AGRADÁVEL.


Fui procurada por Michele Pergher, que me contou de um projeto bem interessante e pedi que nos contasse sobre ele.
Após um período de 6 anos na Austrália, Michele e Everson Pergher decidiram voltar ao Brasil trazendo uma proposta inovadora e diferenciada. Tornaram-se máster franqueados da Little Kickers no Brasil que possui um programa de futebol e inglês especificamente desenvolvido para meninos e meninas de 1 ano e meio a 7 anos. As turmas são divididas por idades respeitando o desenvolvimento motor e cognitivo das crianças e utiliza os estilos de aprendizagem - Visual, Áudio e Cinestésico (VAC), os quais já discutimos aqui no blog como essenciais à aprendizagem. O Littke Kickers teve sua origem no Reino Unido em 2002, mas já ganhou o mundo. No Brasil iniciou em 2014 em Porto Alegre em escolas particulares e em duas sedes e já estão fazendo a sua história com mais de 450 alunos em menos de um ano e meio de operação. "Agora estamos em contato com possíveis investidores no Rio de Janeiro, Florianópolis e São Paulo", conta Everson, com plano de expansão para todo o Brasil.
Não estou ganhando para divulgar o projeto, mas aqui estou pois gostei da forma como fui abordada, por acreditar na solidariedade e por achar o projeto criativo e bom desenvolvedor de habilidades e competências. No mundo atual, onde as crianças estão cada vez mais sedentárias, isoladas em seus mundos virtuais e precisando aprender o inglês para dar conta do mundo globalizado, tal projeto vale a pena ser considerado. É realmente "Muito mais que Futebol e Inglês" e sabe unir o útil ao agradável.
Para mais informações acesse o site www.lkfc.com.br ou a página do facebook: www.facebook.com/lkfcbrasil 
Sucesso a vocês!

2 de set. de 2015

163. TIRINHAS QUE DIZEM DE NÓS: DISTRIBUIÇÃO DE TAREFAS.



 
Esta tirinha é bem conhecida por qualquer mãe. Mas pode-se ouvir: “Pai?” Ufa, ufa! Qual pergunta virá? Eis que vem: “Onde está a mamãe?”
Mães, desenvolvam autonomia em seus filhos, deleguem tarefas, não assumam tudo. Não pense que seu filho a amará menos se deixar de fazer coisas. Pelo contrário, ele tenderá a te valorizar ainda mais.

Mamãe, o que você gostaria de ser se vivesse?
Um erro muito comum que as mães cometem é pedir ajuda. Se pedimos ajuda estamos querendo dizer que todas estas tarefas são nossas. Não estou querendo ser feminista. Mas, convenhamos, estas tarefas são todas nossas? E acredite: saber arrumar a cama e a casa, fazer o próprio prato, cozinhar em família, cuidar da roupa entre tantas outras tarefas dizem de aprendizagens de base importantíssimas para que outras mais complexas possam ser desenvolvidas. Colabore com você e com o seu filho.




8 de jul. de 2015

155: QUANDO A CRIANÇA COMEÇA A SE ALFABETIZAR?


Assim que a criança nasce, ela já começa a ser alfabetizada e letrada. Em um processo bem longo e repleto de fases, começa a entender que há uma escrita, como ela funciona e para que ela serve. Quanto mais estímulo tiver, melhor será a sua evolução. E estimular não quer dizer comprar vários livros e cadernos. Conto uma breve história. Conheço uma manicure que lê o tempo todo. E sempre conta com empolgação o livro da vez. Um dia comentou que o programa preferido da filha de 7 anos era ir ao shopping. A cliente ao lado fez algum comentário, do tipo: “Obvio! Qual garota não gosta?” Mas a mãe manicure continuou: “Ela gosta das livrarias! E precisa ver a felicidade dela quando compra um livro. Não vê a hora de chegar em casa para lê-lo!” A cliente então espantou-se: “Nossa! O meu filho da mesma idade odeia ler! E olha que eu compro um monte de livros maravilhosos para ele!” E a manicure fez a pergunta crua, quase cruel: “Mas a senhora gosta de ler?” E ela respondeu: “Eu odeio! Mas compro um monte de livro prá ele.” Será que adianta? No vídeo abaixo, vê-se uma pequena criança “lendo”. É uma pseudoleitura, mas que já mostra muito da construção da alfabetização. Mas como ela sabe que o livro tem algo a dizer e que dá para ler? Não sabemos o que ela sabe exatamente, mas podemos dizer que ela está vivendo o processo da alfabetização. E posso garantir que seus pais lêem, que ela os observa lendo, que eles contam histórias a ela, que ela tem livros e que é bem estimulada. Atente-se: A alfabetização começa em casa e não na escola. Inspire-se nesta fofa.


26 de abr. de 2015

145. JÁ SEI NAMORAR!



A mãe de Júlia de 7 anos estava preocupada com o rápido desenvolvimento da filha no quesito sexualidade. A menina era provocadora, já sabia fazer caras e bocas, não saia do facebook, já usava maquiagem e dizia ter namorados. A mãe chama-a para uma conversa. Feito adolescente, Júlia vem se arrastando com cara de “Que saco!” A mãe diz: “Vamos conversar desses namorados.” Júlia responde: “Você quer que eu te ensine a namorar!?” Infelizmente, conheço algumas Júlias. Digo “infelizmente”, pois sou totalmente a favor da criança viver a tão passageira infância. Mas também conheço muitos pais de Júlias. Observemos ao redor e pensemos sobre. Já repararam como os adultos adoram perguntar às crianças se elas já têm namorado? Pra que? Se as Júlias usam maquiagem, quem as comprou? Com quem aprenderam a provocar? Será mesmo necessário ter um smartphone aos 7? E porque não saem das redes sociais? Não estaremos nós também fixados nelas? O que tenho proporcionado nos tempos livres da criança? Tantas outras perguntas poderíamos nos fazer. Mas, o mais importante é lembrar que tudo, TUDO o que a criança faz ela aprendeu. E é essa a minha provocação do dia: O que tem sido proporcionado à criança para aprender e desenvolver? Então, alguém pode reclamar: “Mas todas as crianças hoje usam maquiagem, tem celulares, namoram! Vou criar um estranho no ninho?” Eu respondo: “Não seria esse ninho estranho? Todo mundo igual?”
Queridos pais de Júlias, deixemo-nas serem crianças.


20 de abr. de 2015

143. UM PASSO A FRENTE?


Sim e não, mas um passo por vez. Explico. 
É muito comum observar pais desejando o próximo passo do filho. Rolou na cama, já querem que sente. Sentou, já querem que ande. Andou, já querem que fale. Falou, já querem que leia e escreva. E assim por diante. Por um lado, isso é bem positivo, afinal sabemos o que a criança é e o que ela pode vir a ser. E queremos ver progressos. Por outro lado, esse desejo pelo desenvolvimento, se não for bem administrado, pode ser negativo. Primeiro que gera mais ansiedade. E, já basta o tanto que ela brota em nós assim que viramos pais. Pode ainda levar-nos ao erro de superlotar a agenda da criança para que ela potencialize o seu progresso. Além disso, ouço muito a frase: “Não vejo a hora que meu filho faça isso ou aquilo.” Todavia, ao focar o que a criança poderá fazer podemos desfocar o que ela está fazendo. E é uma pena perder o momento. Estes dias Gisele Bündchen despediu-se das passarelas e o motivo principal pareceu-me ser os filhos. Sabia que estava a perder desenvolvimentos importantes no aqui e agora. Não estou sugerindo que abandonemos a “passarela”, mas que vivamos e nos encantemos com cada momento que a criança vive. Pois o presente se faz do passado. E o futuro se faz do presente. Assim, pensar a um passo à frente é fundamental para fazer planejamentos e tomar decisões. Mas viver cada passo dado, cada nova aprendizagem da criança (e que são muitas!), é o melhor investimento e o melhor presente. Caminhemos.

3 de nov. de 2014

125. BAÚ VERDE

Bel

Trocando e-mails com Valéria Tavares fui tocada por sua ideia, profissionalismo e pessoa. Pedi-lhe então que escrevesse um texto para aqui postar. Ei-lo.

“A Bel nasceu em Londres, e lá era tudo mais fácil. Fiz uma boa rede de mães e trocávamos não só dicas e conselhos, mas também roupas e brinquedos. Quando precisava comprar algo, quase sempre escolhia comprar usado. Objetos que não tinham mais utilidade eram rapidamente passados adiante.
Aí nos mudamos para o Brasil. Foi no susto. Descobri um câncer quando estava aqui de férias e ficamos para fazer o tratamento. Como não foi uma mudança planejada, o estranhamento foi grande. Ao olhar a nosso redor, ficamos assustados com o que vimos: preços surreais e mesmo assim um consumismo exacerbado. Crianças que de tanto terem tudo não apreciavam nada. Uma cultura do “é meu” que não dava espaço para uma visão coletiva. Pensamos: não é assim que queremos criar nossa filha.
Por acaso, essa reflexão se deu na época do aniversário da Bel. Trouxemos da Inglaterra dois brinquedos incríveis com a certeza de que seriam um sucesso: um patinete com banquinho e um andador de madeira com blocos. Ela detestou os dois. Começou a andar só com 16 meses então até lá os brinquedos não faziam sentido para ela. Viraram decoração. E foi por isso que criamos o Baú Verde. Alugamos brinquedos para o dia-a-dia de crianças de 0 a 4 anos. São aqueles brinquedos do dia-a-dia mesmo, super importantes para o desenvolvimento das crianças mas que são caros e logo são ignorados. O Baú Verde é nossa contribuição para aqueles pais que, como nós, querem dar diferentes estímulos para os filhos de uma forma mais consciente e sustentável.
Para conhecer melhor, acesse: www.bauverde.com.br.”


28 de out. de 2014

124. COMPORTAMENTO DAS MENINAS


No museu Metropolitan em Nova Iorque, apreciando os quadros, notei que independente da época e do país as meninas muito se parecem em seus comportamentos. Mudam-se as roupas, as formas de interagir e agir, os objetos que as atraem, mas a essência me parece a mesma.
Primeiro, requerem a mão de quem as cuidam para inserirem-se com segurança no desconhecido mundo ao seu redor.
Cecilia Beaux
Ernesta (Child with nurse)

Mais desenvolvidas socialmente, agrupam-se para brincarem, brigarem, disputarem poder e fazerem conchavos. E já mostram bem a personalidade.
Frank W. Benson
Children in woods.

Possuem também os momentos de solidão, tristeza e rejeição. Quem já não passou por isso?
Robert Henri
Dutch girl in white.

Trocam entre elas conhecimentos, fofocas, segredos que na primeira briga irão as comprometer. As menores adoram estar entre as maiores. O mundo abre-se repentinamente, fazendo-as crer que já são grandes.
James Jebusa Shannon
Jungle Tales.

Um pouco maiores, continuam a se agruparem, mas as conversas são outras. E a postura também.
William Mc Gregor Paxton
Tea leaves.

E não podia faltar o tédio que as lançam na cama trazendo um misto de prepotência, sensualidade, mesmice e inquietude. Hora de se verem mulher e dar conta do rumo que irão tomar.
John White Alexander
Repose.

24 de set. de 2014

119- SORTE?



Frequentemente escuto que tenho muita sorte por ter duas filhas autônomas, responsáveis, esforçadas, carinhosas, cooperativas entre outras qualidades as quais confirmo todas. Sorte? Bem sei o investimento feito! Melhor ouvir o ditado: sorte é o encontro da competência com a oportunidade.
Para ser pai e mãe é preciso preparar-se. É incrível como temos faculdade de tudo, e não temos para pais. Preparamo-nos para nossas profissões, adquirimos diversos conhecimentos, habilidades e competências, que nos ajudam a perceber e a agir melhor em nossa área, inclusive a notar as oportunidades! Porém, deixamos o nosso maior projeto, a formação de um ser, para “estagiarmos” a partir do que sabemos. E seguimos aprendendo entre erros e acertos numa vida sem ensaio.
Como melhorar? Estudar o desenvolvimento do filho em seu aspecto social, cognitivo, motor, afetivo, psíquico. Saber como ele aprende e como é bom ensiná-lo. Participar de palestras aos pais,  ler blogs, revistas, livros... informações não faltam. Acompanhar o filho de perto, delegando o menos possível. Orientá-lo (que é diferente de fazer por ele) sem se levar somente pelo coração ou pelo cansaço. Não esperar resultados a curto prazo, lembrando que entre a semente e a flor há o cuidado, a paciência, a perseverança, a determinação. Não desanimar com os erros ou as derrotas. Eles fazem parte. Treinar a percepção, buscando ver para além do que se mostra. E, se a oportunidade está difícil ou não te salta aos olhos, crie-a. E boa sorte! :)