A cada dia temos visto pessoas próximas a nós serem demitidas. Profissionais
qualificados, medianos e excelentes. Não importa. Enxugar e diminuir gastos tem
sido a palavra de ordem nesta crise complicada. Ser demitido mexe com qualquer
um, mesmo com uma justificativa como esta. E não é fácil chegar em casa e
contar para a família. Curioso notar que por mais que as mulheres estejam
empoderando-se, brigando por igualdade e bancando muitos dos lares, percebo que
ainda são os homens os que mais sofrem com as demissões. Por muito tempo eles tiveram
um papel muito definido: o de provedores. Por mais que isto esteja mudando há
anos, noto muitos homens com uma vergonha social por estarem demitidos e temem
não proverem a família. Muitos conseguem contar à esposa, mas têm grande
dificuldade de contar aos filhos. Inventam histórias para amenizar ou aliviar. Bobagem.
Quem é fracassado na crise? Além disso, a criança sabe muito pouco sobre demissão.
O modo como você lidar com esta situação, será o modo como a criança irá
aprender sobre ela. Minha opinião: seja transparente com o seu filho e o ensine
sobre o mundo real. Não é bom que os filhos nos vejam como infalíveis ou
super-heróis. Aproveite este rico momento de aprendizagens, como por exemplo, a
educação financeira, a flexibilidade em relação aos programas e aos gastos,
aproveitar mais os momentos juntos e compartilhar as situações reais de acordo
com a idade da criança. Crie convivências econômicas, aperte o cinto, aperte o
abraço e lute em família que fica mais fácil e lindo.
Este BLOG serve a quem quer refletir, conhecer e agir na EDUCAÇÃO de filhos, alunos, colaboradores.
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5 de out. de 2016
17 de jun. de 2016
182. NOSSO FILHO DIZ DO MEIO EM QUE ESTÁ INSERIDO.
20 de abr. de 2016
179. INGREDIENTES PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
A criança se desenvolve através
de aprendizagens. E, na maioria das situações ela precisa vivenciar para
aprender, e quanto mais sentidos estiverem envolvidos melhor. Assim, a criança
precisa ter oportunidade, interagir com o que vai aprender e ter motivação para manter a aprendizagem. Por exemplo: Você pode dizer
à criança a definição de vulcão. Ela está tendo a chance de aprender pela via
da audição e de modo bem abstrato, o que para ela é ainda bem difícil. Mas, se
você estiver ao pé de um vulcão e definí-lo, mais sentidos estarão envolvidos,
a definição fica mais concreta e palpável e ela terá mais chances de aprender. O
cérebro agradece. Se ainda for a algum museu de ciências, destes que podem
interagir, e tiver a explicação sobre o vulcão, mais sentidos e mais áreas
cerebrais serão ativadas. E se fizer ainda com a criança uma maquete de vulcão
e colocá-lo para funcionar, mais complexa e prazerosa será a aprendizagem, e
com ela o desenvolvimeto. Isto vale para todas as aprendizagens. Sentir na
pele, como dizemos, é o melhor jeito de aprender. Claro, sei que é difícil criar
tantas oportunidades assim. Nós vivemos com nossas filhas cada um destes
passos. Aproveitamos férias e viagens para ajuda-las a identificar no concreto
o que aprendiam na escola e na vida. Claro que o vulcão é um dos exemplos. Mas,
testei e aprovei que explorar aprendizagens potencializam o desenvolvimento
integral dos filhos. Oportunidade, interação e motivação são os ingredientes
principais para aprendizagens e desenvolvimentos. Que tal criar interessantes
receitas?
30 de mar. de 2016
177. A LINGUAGEM MUDA O MUNDO INTERNO DA CRIANÇA.
A linguagem tem como função básica a comunicação entre os membros de
uma mesma espécie. Na nossa, o choro é o primeiro ato de comunicação e logo vai
ganhando novas formas. Mas há ainda uma função ligada ao pensamento. A
linguagem possibilita a representação mental do mundo e é fundamental para a
construção, estruturação e organização do pensamento. Ao nomear algo ou alguém,
como “mamãe, cadeira, cachorro”, a criança está realizando um ato de
classificação. Ao dizer “cadeira” ela está a colocando numa classe de objetos
do mundo, na categoria cadeira, o que também implica saber distinguir esta
categoria de todas as outras. E assim a criança vai representando o mundo,
dando-lhe lógica e o organizando de forma simbólica, isto é, colocando o mundo
para dentro de si e pensando sobre ele. Isto gera uma mudança cerebral incrível
e a criança começa a desenvolver a cognição rapidamente. Se estimúlo o meu
filho a falar “au au” para todo e qualquer animal, o seu mundo interno ficará
limitado e o externo por consequinte. Se converso com a criança sem explorar
novos conhecimentos e vocabulários, também. O que fazer? Deixe a criança se
comunicar o máximo possível, mas com limites. Saber escutar muito ensina.
Estimule-a a contar sobre o seu dia, fazer as suas perguntas, desenvolver a
linguagem em todos os seus modos. Ajude-a a ganhar vocabulário, a corrigí-lo e
a organizar o pensamento. Leia com ela, para ela, deixe-a “ler” para você. E
prepare-se para assistir e participar de grandes desenvolvimentos.
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21 de out. de 2015
169. PARA A BOA EDUCAÇÃO DOS FILHOS BASTA UMA BOA ESCOLA?
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Um pai de duas crianças pequenas perguntou-me qual escola eu indicaria
aos seus filhos. Com menos de cinco minutos descobri que para ele bastava uma
boa escola para que os seus filhos fossem bem educados. Será? Está cada vez
mais comum este discurso e é lamentável, pois a escola tem sim um grande papel
na educação de nossos filhos, mas é na família que eles darão início à
construção de sua identidade e personalidade e onde terão uma importante base
ao desenvolvimento cognitivo, sócio-afetivo e psicomotor, que fará toda a
diferença para o seu progresso na escola. Mas alguns pais reclamam: “Eu não sei
educar, nem tenho tempo e nem paciência!” Entretanto, por melhor que seja a
escola e por mais preparados que sejam os seus profissionais, ela não
conseguirá suprir a carência da ausência familiar. Além disso, se a família não
consegue dar conta de um, dois, três filhos, porque a escola conseguiria com
seus tantos e tantos alunos? Importante ainda ressaltar que aluno tem um fim na
escola, mas filho é para sempre. A escola tem sim o seu papel e que é diferente
do papel da família. Mas são papéis complementares e por isso se fala tanto em
parceria escola-família. Todavia, muitos pais têm delegado os seus filhos à
escola, o que é uma medida perigosa com consequências graves. Não sabe educar? Ninguém
nasceu sabendo. Informe-se. Há cursos, blogs, livros para isso. Não tem
paciência? Aproveite para desenvolvê-la. Não tem tempo? Reflita sobre a sua
agenda. Seus filhos agradecerão. E toda a sociedade também.
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8 de jul. de 2015
155: QUANDO A CRIANÇA COMEÇA A SE ALFABETIZAR?
Assim que a criança nasce, ela já começa a ser alfabetizada e letrada.
Em um processo bem longo e repleto de fases, começa a entender que há uma
escrita, como ela funciona e para que ela serve. Quanto mais estímulo tiver,
melhor será a sua evolução. E estimular não quer dizer comprar vários livros e
cadernos. Conto uma breve história. Conheço uma manicure que lê o tempo todo. E
sempre conta com empolgação o livro da vez. Um dia comentou que o programa
preferido da filha de 7 anos era ir ao shopping. A cliente ao lado fez algum
comentário, do tipo: “Obvio! Qual garota não gosta?” Mas a mãe manicure
continuou: “Ela gosta das livrarias! E precisa ver a felicidade dela quando
compra um livro. Não vê a hora de chegar em casa para lê-lo!” A cliente então
espantou-se: “Nossa! O meu filho da mesma idade odeia ler! E olha que eu compro
um monte de livros maravilhosos para ele!” E a manicure fez a pergunta crua,
quase cruel: “Mas a senhora gosta de ler?” E ela respondeu: “Eu odeio! Mas
compro um monte de livro prá ele.” Será que adianta? No vídeo abaixo, vê-se uma
pequena criança “lendo”. É uma pseudoleitura, mas que já mostra muito da
construção da alfabetização. Mas como ela sabe que o livro tem algo a dizer e
que dá para ler? Não sabemos o que ela sabe exatamente, mas podemos dizer que
ela está vivendo o processo da alfabetização. E posso garantir que seus pais
lêem, que ela os observa lendo, que eles contam histórias a ela, que ela tem
livros e que é bem estimulada. Atente-se: A alfabetização começa em casa e não
na escola. Inspire-se nesta fofa.
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26 de jun. de 2015
153: PAIS E FILHOS: ASSISTAM E SE INSPIREM.
Território do brincar é um longa, no mínimo, poético, dirigido por
David Reeks e Renata Meirelles. Trata do brincar infantil em diferentes regiões
e realidades do Brasil. O longa conseguiu me colocar dentro da tela, arrepiou
os meus vários sentidos, me fez sentir, deliciar-me e fomentar reflexões. O
modo como as crianças brincam no filme dizem da escola dos meus sonhos. Na
realidade delas, seja em dunas, mares, florestas, cidades, as crianças
desenvolvem brinquedos e brincadeiras que trazem em si valiosos conhecimentos culturais
e interdisciplinares. Aprendem e desenvolvem matemática, química, física, biologia,
história, geografia, linguística, psicomotricidade, sociologia, cidadania,
criatividade, imaginação na experiência. E nela já fazem os ajustes necessários
enquanto, sem nem perceberem, aprendem e
se desenvolvem. Seria um sonho se a escola aproveitasse dessa experiência para
ampliar o mundo das crianças. Interessante notar que as crianças com menos
recursos desenvolvem bem mais habilidades e competências do que as crianças com
mais recursos, que já trazem na maioria brinquedos prontos. E como subestimamos
as crianças e atrapalhamos seus desenvolvimentos limitando suas brincadeiras em
prol de uma organização de tempo e espaço, da super proteção, da facilidade tecnológica,
do consumo exagerado de brinquedos entre outros, dificultando com que encontrem
o brincar no dia a dia e se desenvolvam integralmente. Leve seu filho para
assistir esse filme. Façam dele uma grande inspiração para as férias e para a
vida.
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26 de abr. de 2015
145. JÁ SEI NAMORAR!
A mãe de Júlia de 7 anos estava preocupada com o rápido
desenvolvimento da filha no quesito sexualidade. A menina era provocadora, já
sabia fazer caras e bocas, não saia do facebook, já usava maquiagem e dizia ter
namorados. A mãe chama-a para uma conversa. Feito adolescente, Júlia vem se
arrastando com cara de “Que saco!” A mãe diz: “Vamos conversar desses
namorados.” Júlia responde: “Você quer que eu te ensine a namorar!?” Infelizmente,
conheço algumas Júlias. Digo “infelizmente”, pois sou totalmente a favor da
criança viver a tão passageira infância. Mas também conheço muitos pais de
Júlias. Observemos ao redor e pensemos sobre. Já repararam como os adultos adoram
perguntar às crianças se elas já têm namorado? Pra que? Se as Júlias usam
maquiagem, quem as comprou? Com quem aprenderam a provocar? Será mesmo
necessário ter um smartphone aos 7? E porque não saem das redes sociais? Não
estaremos nós também fixados nelas? O que tenho proporcionado nos tempos livres
da criança? Tantas outras perguntas poderíamos nos fazer. Mas, o mais importante
é lembrar que tudo, TUDO o que a criança faz ela aprendeu. E é essa a minha
provocação do dia: O que tem sido proporcionado à criança para aprender e
desenvolver? Então, alguém pode reclamar: “Mas todas as crianças hoje usam maquiagem,
tem celulares, namoram! Vou criar um estranho no ninho?” Eu respondo: “Não
seria esse ninho estranho? Todo mundo igual?”
Queridos pais de Júlias, deixemo-nas serem crianças.
6 de mar. de 2015
140. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: Índia e a Educação por Projetos: Srishti School (Bangalore).
Srishti School of Art, Design and Technology fica em Bangalore,
principal hub de alta tecnologia e telecomunicações da Índia. Também conhecida
como o coração do Vale do Silício Asiático. Cidade bem desenvolvida, mas como
toda a Índia, também repleta de pobreza. Em Sristhi, há um projeto bem interessante e que pude vive-lo tal qual
os fundamentos que ele proclama. Primeiro, a experiência. Explorar sem muito
pensar. Segundo, pensar a respeito e de diferentes formas. Terceiro, voltar-se
à experiência modificando-a. E foi exatamente assim que a Faculdade nos recebeu.
Com um grupo de alunos do primeiro ano, ano que é destinado, intencionalmente
para bagunçar os conceitos. Participamos dos conhecimentos de Kabir, o místico e
popular poeta do século XV, que nos foi apresentado por músicas, histórias, documentários,
vivências corporais, vivências sociais e depoimentos de diversos indianos que
diziam da origem e da morada do conhecimento, enquanto expressavam seus modos
de ver a vida, de dar sentidos a ela e encontrar sua missão na mesma. Pensamentos
que pareciam alcançar uma ideia comum: o ser interior. Leia alguns retirados
dos depoimentos.
“O conhecimento mora na experiência e então suas ações determinam quem
você é!”; “Mas quem determina o que é bom ou ruim?”; “Minha ação é a minha
religião.”; “Se você aprendeu só em livros, o seu conhecimento está limitado
entre A a Z. É preciso ir além disso.”; “Muito do conhecimento já está em nós.
É preciso saber olhar.”; “Se você enxerga a guerra fora é porque você tem a
guerra dentro. Se você vê o amor fora, é porque você vê o amor dentro.”; “Muito
do conhecimento, que vai além do A a Z, só pode ser encontrado no silêncio.”; “A
verdade está nos seus olhos e há coisas que não se nomeiam.”; “Eu achei Deus na
pupila dos meus olhos!” E assim seguiu, até o momento que conversamos com os
alunos fazendo trocas de conflitos gerados pelo o que tínhamos já construído em
nós e pelo o que foi ali apresentado. Muito rico o modo com os indianos vêem
essas questões. Colocou-me para pensar. Objetivo atingido: provocou-me a desestabilização
dos conhecimentos já construídos. Maravilha!
Um rápido lanche e então, uma
exposição liderada pela coordenadora Arzu Mistry sobre como a Faculdade se
desenvolve, os seus projetos interdisciplinares e reais e como ela age de forma
transformadora na comunidade.
Almoçamos, sintetizamos o que vimos mediante os
nossos corpos numa vivência interessante e fomos à prática, ver alguns projetos
já vivenciados e outros ainda em construção.
Um deles me encantou. Os alunos de
4° e 5° anos visitaram comunidades carentes em busca de entender melhor a
cultura popular. Foram em busca de metáforas, de conhecimentos, de histórias e
relatos para então voltarem à faculdade e transformar o que detectaram em uma
história infantil que voltaria depois à comunidade. Um encanto de projeto e de
uma qualidade fantástica. Fez arrepiar.
No dia seguinte, fomos a uma das sete
comunidades que a Srishti apoia, oferecendo ajuda múltipla para trazer de volta
as crianças e jovens que haviam abandonado a escola. Assim, dentro da
comunidade e com a grande colaboração deles propiciam ampliar os horizontes de
todos. Outro projeto de arrepiar. Estivemos com alguns alunos que deram
belíssimos depoimentos de superação. Mostraram o funcionamento genial da escola
e as possibilidades que se abrem a eles. Alguns já em faculdades, outros em
trabalhos que antes nem podiam imaginar, falavam e apresentavam o seus
crescimentos.
E a noite, jantamos com o staff da Faculdade, cada qual expondo o
seu projeto principal dentro daquele vivo sistema educacional transformador de
mundos e gentes. Aplausos, aplausos, aplausos. Propostas que fazem sentir e
sentido. Bravo!
9 de dez. de 2014
129. DEZEMBRO DE 2014
Em pouco menos de um mes já estaremos em outro ano. Muito a agradecer
nesse diferente 2014, ano marcante para muitos. Grata 2014, grata a você,
leitor, por suas trocas, comentários, encorajamentos, aconchegos.
Este ano fui a sete países, em sua maioria, para pesquisar in loco
projetos educacionais que geram transformações e dizem dos novos rumos da
educação de qualidade. Noto, que quanto mais distante de minha cultura, mais a
enxergo, assim como a mim mesma e as possibilidades de mudanças. As próximas
postagens serão dedicadas à Índia, país que é mais para viver do que escrever.
Mas há muito a compartilhar assim como já fiz nesse blog com a China, Rússia,
Finlândia, Croácia, Estados Unidos. Este ano, ainda dei palestras, cursos,
aulas em pós-graduação, escrevi as colunas na Pais & Filhos e alimentei com
doçura esse blog FILHOsofar, onde compartilho para pais, professores e
interessados, experiências educacionais de nossa e outras culturas. E para bem
fechar o ano, fui convidada para ser cronista de um site de Portugal premeado e
bem recomendado no país. Chamei esse espaço de “MÃEchete do dia”, onde falarei
da minha experiência como mãe de um jeito bem sincero e humano.
Ps: Na página do blog você encontra os links tanto para as colunas na Revista Pais & Filhos Coluna na Pais & Filhos, como
para a última MÃEchete do dia MÃEchete do dia e as palestras e cursos mais requisitados.
Ps2: Em breve teremos os posts também em Ingles. Aguarde.
Soon the posts will have
version in English. Hold up!
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18 de nov. de 2014
128. PENSAMENTO INDIANO E A EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS.
![]() |
| Meu pai e minhas filhas. Foto com várias interpretações. |
Essa postagem foi pré-programada, assim como as anteriores. Hoje escrevo no presente
imaginando a possibilidade do futuro.
Nesse momento, devo estar do outro lado do mundo há 10 dias, fazendo mais uma
pesquisa educacional, cultural e pessoal. Visitando escolas, universidades e
tendo encontros com mentes brilhantes que percebem a educação de modo bem
diferente do mundo ocidentalizado. Devo ainda estar conhecendo mais uma cultura
e alimentando os meus sentidos num país tão diferente, país dos contrastes,
onde parece se perceber simultaneamente o caos e a paz.
Dizem que quem vai a India volta transformado. E sei que assim
voltarei, pois quando nos abrimos às novas aprendizagens, e elas acontecem,
nossos circuitos mentais já não são os mesmos, transfomando nossa visão de
mundo e de gente, incluindo a nós mesmos. Além disso, lá farei 50 anos, o que
será bem significativo para mim.
Por ora, deixo-lhes um pensamento indiano que, a mim, muito diz dos
filhos e das possibilidades que a educação irá gerar. E na volta trarei as
novidades já vividas e as transformações experimentadas.
Para refletir:
A semente carrega em si a
memória do passado e a possibilidade do futuro.
Até a volta!
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3 de nov. de 2014
125. BAÚ VERDE
![]() |
| Bel |
Trocando e-mails com Valéria Tavares fui tocada por sua ideia,
profissionalismo e pessoa. Pedi-lhe então que escrevesse um texto para aqui
postar. Ei-lo.
“A Bel nasceu em Londres, e lá era tudo mais fácil. Fiz uma boa rede
de mães e trocávamos não só dicas e conselhos, mas também roupas e brinquedos.
Quando precisava comprar algo, quase sempre escolhia comprar usado. Objetos que
não tinham mais utilidade eram rapidamente passados adiante.
Aí nos mudamos para o Brasil. Foi no susto. Descobri um câncer quando
estava aqui de férias e ficamos para fazer o tratamento. Como não foi uma
mudança planejada, o estranhamento foi grande. Ao olhar a nosso redor, ficamos
assustados com o que vimos: preços surreais e mesmo assim um consumismo
exacerbado. Crianças que de tanto terem tudo não apreciavam nada. Uma cultura
do “é meu” que não dava espaço para uma visão coletiva. Pensamos: não é assim
que queremos criar nossa filha.
Por acaso, essa reflexão se deu na época do aniversário da Bel.
Trouxemos da Inglaterra dois brinquedos incríveis com a certeza de que seriam
um sucesso: um patinete com banquinho e um andador de madeira com blocos. Ela
detestou os dois. Começou a andar só com 16 meses então até lá os brinquedos
não faziam sentido para ela. Viraram decoração. E foi por isso que criamos o
Baú Verde. Alugamos brinquedos para o dia-a-dia de crianças de 0 a 4 anos. São
aqueles brinquedos do dia-a-dia mesmo, super importantes para o desenvolvimento
das crianças mas que são caros e logo são ignorados. O Baú Verde é nossa
contribuição para aqueles pais que, como nós, querem dar diferentes estímulos
para os filhos de uma forma mais consciente e sustentável.
Para conhecer melhor, acesse: www.bauverde.com.br.”
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22 de out. de 2014
123. MINHA MAFALDA
Conheci uma menina que muito me lembra a Mafalda por suas tiradas,
colocações e observações.
Ela estava com o pai a fazer compras. Em uma loja a vendedora
ofereceu-lhe balas. Ela hesitou em pegar, olhou para o pai e lhe perguntou:
“Qual eu escolho?” A vendedora sem esperar a resposta do pai, disse-lhe: Você
não acha que está muito grandinha para pedir para o seu pai escolher?” E a minha
Mafalda respondeu-lhe sem pestanejar: “É que meu pai gosta muito mais de balas
do que eu. Vou pegar para ele.”
Cara vendedora, caros pais, caras pessoas,
Julgar uma ação sem antes conhecer o porquê dela pode ser uma péssima
ideia. Quantas vezes, julgamos nossos filhos ou mesmo as pessoas sem antes
estarmos certos de suas intenções? Consciente ou inconscientemente, toda ação
traz concepções e intenções. Atentemo-nos a elas. E as desvendemos antes
de ter uma errônea reação.
O vídeo abaixo ilustra o que quero ressaltar. E a mim, faz chorar.
Como são especiais as crianças! Como temos a aprender com elas! Clique e aproveite.
13 de out. de 2014
122- RECOMENDO
Pela primeira vez viajei sozinha com uma das filhas. Camila faria 18
anos e lá fomos nós comemorar em alto estilo: Nova Iorque. Nenhuma das duas
filhas moram mais conosco, e então aproveitar ao máximo cada situação é
fundamental. O mais interessante nesses quinze dias de estreita convivência é
que não vi mais a relação mãe e filha, mas sim de uma grande parceria, em que nos
cuidávamos e colocávamos o nosso talento em prol de melhor aproveitarmos o dia
e a nós mesmos, num roteiro que agradasse as duas. Como diz a canção NY não
dorme e pouco dormimos também, pois há tanta coisa para se ver e fazer nessa
cidade multicultural, tanta vida e ricas experiências, que queríamos aproveitar
cada minuto. E a melhor forma que encontramos foi caminhar por toda (ou quase
toda) Manhattan, e fora dela também. Creio termos caminhado cerca de 15 km por
dia! Foi maravilhoso rever lugares, conhecer novos, reconhecer os locais vistos
em filmes e seriados, alimentar os sentidos nas telas e esculturas dos grandes
gênios da arte nos vários museus que a cidade aloja. Rico foi ouvir as tão
diversificadas línguas ali faladas (mais de 150), ver o mundo todo representado
na Times Square, encantar-se com os shows da Broadway, com o colorido outonal
das folhagens do Central Park, com o canto gospel na Igreja Abyssinian.
Surpreendente
ter encontrado duas gigantes fênix do chinês Xu Bing em plena nave da Catedral
de Saint John the Divine, após uma missa de benção aos cães. Delicioso o menu
do Bistrô La Bonne Soupe (a melhor sopa de cebola eleita por nós), comer cup
cake no The Magnolia Bakery, acompanhar o crescer da lua entre os gigantes e iluminados
arranha-céus e delirar com as fascinantes vitrines da 5th Ave. Um prazer
passear por charmosos bairros como Greenwich Village e Soho, atravessar a pé a
ponte do Brooklyn, visitar tantos parques, centros culturais, igrejas, universidades,
os tradicionais pontos turísticos e ver a cidade do alto e por tantos ângulos. Mas
melhor de tudo mesmo, independente do lugar, foi ter a companhia adorável de
Camila, compartilhar com ela os sentidos e o sentir, educarmo-nos
simultaneamente, enquanto de mãos dadas explorávamos NYC e a nós mesmas. Uma
experiência única e inesquecível. Recomendo.
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| Rockefeller Center |
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| 5th Avenue |
![]() |
| Johannes Vermeer no MET |
![]() |
| A melhor sopa de cebola |
![]() |
| Local onde ficava uma das Torres Gêmeas |
![]() |
| Fênix em St John the Divine |
| Vista de Manhattan da Ponte do Brooklyn |
| Prá quem assistiu Gossip Girl... |
![]() |
| Lincoln Center |
PARABÉNS CAMILAAAAA!!!!
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8 de out. de 2014
121- DUAS IMAGENS E UMA REFLEXÃO.
Dizem que uma imagem diz mais do que mil palavras. E ao ver estas duas
eu só penso numa coisa:
QUAL DESSAS IMAGENS DIZ DA EDUCAÇÃO QUE DAMOS AOS FILHOS?
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1 de out. de 2014
120- FILHOS E PAIS QUE VOAM.
Sempre buscamos dar uma boa
base às nossas filhas, cientes de que temos limitações. Fazer realmente o
melhor que se pode fazer naquele momento é sempre uma boa dica. Como também
surpreender-se ao saber que se pode mais. Em suma, procuramos desenvolver-lhes,
ao mesmo tempo, raízes (fundadas em princípios, valores e conhecimentos) e asas
(que possibilitam sonhar, imaginar e criar movimento). E, num piscar de olhos, suas
raízes e asas ganharam lindamente tamanho, personalidade e força. Há algum
tempo, a minha filha mais velha, pediu-me orientação para um vôo mais ousado.
Analisamos juntas e lhe disse: Voe... voe. Mas quando me dei conta, eu pisava
discretamente em suas asas impedindo-a de voar. Tomar consciência é o primeiro
passo da mudança. Sentei comigo mesma e conversei por horas: Lígia e Lígia. Tirei
meu pé de suas asas e lhe disse: “Voe, minha filha!” Ela olhou para os meus
olhos, abraçou-me fortemente e disse: “Obrigada, mãe. Obrigada por tudo. Agora
chegou a hora de você retomar o seu voo.” A mais nova complementou: “Imagino o
quão difícil deve ser deixar os filhos voarem e ver que eles conseguem voar sem
os pais.” E seguiu também agradecida. Aprendi que temos que preparar os filhos
e a nós mesmos para o voo. Deixa-los realmente voar. Continuar nossos voos e
saber que vamos nos tornando cada vez mais desnecessários. Assim como é naturalmente
no reino animal. Voemos todos sem nos desprendermos das raízes que nos
alimentam. Ouço o ruflar de asas...
24 de set. de 2014
119- SORTE?
Frequentemente escuto que tenho muita sorte por ter duas filhas autônomas, responsáveis, esforçadas, carinhosas, cooperativas entre outras
qualidades as quais confirmo todas. Sorte? Bem sei o investimento feito! Melhor
ouvir o ditado: sorte é o encontro da competência com a oportunidade.
Para ser pai e mãe é preciso preparar-se. É incrível como temos
faculdade de tudo, e não temos para pais. Preparamo-nos para nossas profissões,
adquirimos diversos conhecimentos, habilidades e competências, que nos ajudam a
perceber e a agir melhor em nossa área, inclusive a notar as oportunidades! Porém,
deixamos o nosso maior projeto, a formação de um ser, para “estagiarmos” a
partir do que sabemos. E seguimos aprendendo entre erros e acertos numa vida sem
ensaio.
Como melhorar? Estudar o desenvolvimento do filho em seu aspecto
social, cognitivo, motor, afetivo, psíquico. Saber como ele aprende e como é
bom ensiná-lo. Participar de palestras aos pais, ler blogs, revistas, livros... informações não
faltam. Acompanhar o filho de perto, delegando o menos possível. Orientá-lo
(que é diferente de fazer por ele) sem se levar somente pelo coração ou pelo
cansaço. Não esperar resultados a curto prazo, lembrando que entre a semente e
a flor há o cuidado, a paciência, a perseverança, a determinação. Não desanimar
com os erros ou as derrotas. Eles fazem parte. Treinar a percepção, buscando
ver para além do que se mostra. E, se a oportunidade está difícil ou não te
salta aos olhos, crie-a. E boa sorte! :)
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