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29 de out. de 2013

79- PRIMEIRA LIÇÃO: SEJAM CISNES NEGROS!

www.institutoricardobrennand.org.br

Há alguns anos, levei minhas filhas para ver a exposição de Albert Eckout no Instituto Ricardo Brennand em Recife. Estudavam na época o Brasil Holandês (1630 - 1654) e Eckout havia feito parte da comitiva científica e artística de Maurício de Nassau para documentar o nosso mundo. Fomos buscar sentido, identificar, complementar, inquietar-se para além dos estudos. Ao final, sentamos num gramado para admirar o lago cheio de aves. Chamou-me a atenção os cisnes, e a representação que me vinha a mente: lindos e elegantes cisnes brancos. Mas havia lá os raros cisnes negros que me puseram a pensar e com elas compartilhei.  Pedi que observassem o lago e notaram vários cisnes brancos e bem poucos negros. Então perguntei: “Se eu tirar um cisne branco irão perceber?” E elas responderam prontamente: “Não”.  “E se eu tirar dois? Cinco? Oito?”, reperguntei. E as respostas eram iguais: “Não, não perceberemos.” “E se eu tirar um cisne negro, apenas um?”, indaguei. Elas riram da obviedade: “Aí sim perceberemos.” E então eu disse: “Sejam cisnes negros!” E com linguagem de criança conversamos da pequenez em ser massa social, ser igual e ser comum, ser padronizado e ser mais um, ser previsível dentro das expectativas comuns. E o quão bom é ser raro, diferente, notável, surpreendente, envolvente. Mas lembrei-as que a maioria prefere os cisnes brancos, pois se reconhece neles, e teme e ataca o diferente. Por isso,  ser cisne negro requer ousadia, garra, coragem, autoconfiança, autoconhecimento, vontade. Ser maioria é fácil. Ser raro e liberto é para poucos.

Na próxima postagem, um exemplo concreto de uma criança que intuitivamente já se mostra um cisne negro.

16 de out. de 2013

78- VIDAS QUE ENSINAM


Assisti a semana passada o programa The Voice Brasil, nossa versão do formato original holandês. É um show de talentos, que inicia com audições às cegas, isto é, apenas a voz do candidato, e não a sua aparência ou performance, é valorizada. Os avaliadores ficam de costas e o candidato canta na expectativa de que ao menos uma das quatro cadeiras vire-se, o que significa que participará do programa. Gosto de observar tanto o candidato quanto os que o julgam: a escolha da música, o controle das emoções, a ousadia, a subjetividade da avaliação, a reação da plateia, a concentração, a competência, as estratégias... Mas neste dia, quando dei por mim estava em lágrimas antes dele começar. A mãe o havia encontrado em uma caixa de papelão. Pegou-o e o colocou na cama dizendo: “Este é o seu lar.” Como há gente generosa neste mundo! Mas não parou por aí. Foi uma mãe atenta e logo reparou que o menino gostava de assobiar. Deu-lhe então oportunidades e este as agarrou e se desenvolveu. E então, Sam Alves, que já havia participado nos EUA deste programa e sido reprovado, ainda que Shakira tivesse se arrependido, chorou, mas não parou. Determinado, bem preparado e com humildade colocava-se para mais uma prova de fogo. “Eu só quero que uma cadeira vire para mim”, desejou. Mas não. Quando começou a cantar When I was your man, de Bruno Mars, era notório que cantava com a alma, indo além da técnica e da perfeição. Todos o escolheram. Acolhimento, oportunidade, motivação, apoio, tudo isso o jovem recebeu. Mas fez sua parte e foi além. Que emoção!

2 de out. de 2013

77- Para Camila


Hoje você faz 17 anos. Olho fotos antigas, que nostalgia! Nós na praia, no zoológico, nas festas da escola, nos campos, em aventuras, em viagens, estudando, filhosofando, brincando, em refeição, em comunhão. Vejo o seu desenvolvimento e as ricas experiências que te oportunizamos. Parabéns, você fez a sua parte e as bem aproveitou. Tenho grande orgulho da vida que constrói, do modo como vive, do quanto se percebe autora de si. Felicidade tenho em aprender com você, com sua sabedoria, com seus valores, princípios e senso de justiça que abalam os meus. Não tive pressa para você engatinhar, andar, falar, amar. Desejei-te criança, enquanto era criança. Menina, enquanto era menina. Adolescente, enquanto ainda é, embora já tenha corpo e confiança de mulher. Parabéns Camila! Continue com sua autonomia responsável, com sua alegria de menina, com suas inquietações que te fazem crescer. Continue traçando planos, colocando-se metas, buscando dar o seu melhor naquilo que faz. Não se contente com pouco, olhe sempre o outro, respeite a todos, não se intimide. Muitos invejam, outros querem o mal, alguns incomodam, siga em frente. Conte até três, ate cem e se preciso dobre, mas não quebre. Pois há também muita gente boa neste mundo, e muita experiência rica por viver. Não desanime, desafie-se e caminhe. Chore para esvaziar, mas sorria. Ame sem medo, atente-se às influencias com crítica e busque sempre o que você acredita. Seja Camila! E saiba que te amarei para sempre, daqui até a lua, ida e volta, ene vezes. Sempre. Parabéns, Camila!

4 de set. de 2013

76- EDUCAÇÃO PELO MUNDO.CHINA: VI- E EU QUE ACHAVA DIFÍCIL ALFABETIZAR!


Nosso alfabeto é fonético. Cada letra identifica um som, e não dá nenhuma informação do seu significado. Já a escrita chinesa é baseada em ideogramas, “desenhos” que representam ideias, sentimentos, objetos, etc. Ou seja, cada ideograma tem um significado, mas não um som. E a junção de ideogramas traz novas ideias. Por exemplo: crise é formada pelos ideogramas perigo e oportunidade. Tranquilidade pela junção de ouro e verdade. A dupla repetição do ideograma mulher transforma-se em fofoca. E três deles, confusão. Hum, difícil admitir esta ideia, mas acho que eles têm razão. A escrita é extremamente complexa e quantos caracteres existem é difícil precisar. Mas, o grande dicionário chines de 1990 consta de 8 volumes totalizando 56 mil caracteres. Mas que alivio! Com 3 mil consegue-se ler o básico de um jornal. Eu que achava complicado alfabetizar alguém usando a combinação de 26 letras! A cada ano escolar, a criança é desafiada a aprender 500 novos ideogramas. Mas, tanto trabalho e dedicação serviriam ao mundo atual, digitalizado e globalizado? Difícil convencer um chinês, afinal aprecia em demasia a sua cultura e tradições. Todavia, o mundo online começa a fazê-los perceber que os ideogramas têm sido uma muralha entre a China e o mundo. E, aos poucos aparece a coexistência da escrita alfabética e ideográfica. Irão os ideogramas resistir? O tempo dirá. Mas, no próximo post veremos os benefícios (e dicas) que a escrita ideográfica traz ao desenvovlimento cerebral. Não perca.

16 de ago. de 2013

75- EDUCAÇÃO PELO MUNDO.CHINA: V. A FORMAÇÃO INTEGRAL DO SER HUMANO.



Os chineses valorizam muito a formação integral e equilibrada da criança, deixando claro ser este um grande investimento para toda a vida. Boa parte das escolas, começam e findam o dia com uma atividade física, pois acreditam na relação corpo e mente. E em todas elas os alunos são avaliados por três critérios: resultado acadêmico, sociabilidade e saúde corporal. Assim, diferente de nós, os esportes, as artes diversas e as relações pessoais são valorizadas no mesmo nível de importância dos conteúdos acadêmicos. Como também, trabalham o conhecimento que o aluno tem de si, ensinando-os a ter controle do corpo e da mente. 
Nota-se que escola, pais e o próprio aluno colaboram nesta formação. A escola prima pela qualidade, acredita no potencial do aluno e está sempre atenta às suas deficiências e em como resolvê-las. Os pais pressionam a escola e os filhos por qualidade, investem na criação de hábitos para o estudo e em atividades extra curriculares. O aluno dedica-se com afinco ao aprendizado, tem consciência de sua responsabilidade nesta formação, além de reconhecer o investimento que a família e a escola fazem para esta viabilização. Assim, aproveita a oportunidade. E todos acreditam no poder da educação para alcançar patamares diferenciados. 
Com isso, não há espaço para a indisciplina, o tempo é bem aproveitado e a  diferença entre a média mais baixa e mais alta dos estudantes é mínima. Ou seja, todos os alunos são excelentes. Como vemos, não é só questão de genética. 

16 de jul. de 2013

72- EDUCAÇÃO PELO MUNDO. CHINA: II: O FIM DA AFETIVIDADE E O INÍCIO DA COMPETIÇÃO.


Como vimos na postagem anterior, na primeira infância os chineses enchem as crianças de carinhos e toques. E a medida em que os filhos vão crescendo, os pais se afastam deles, física e afetuosamente. Reprimem o afeto. Os chineses não se abraçam! Claro que há uma interferência cultural nesse comportamento. Durante a Revolução Cultural o amor pela família era considerado uma traição ao país e ao partido comunista que deveria estar acima de tudo e de todos. Assim, as crianças eram afastadas dos pais para não se contaminarem com os antigos costumes.
Hoje, após a abertura ao mundo, a China começa a ter influências ocidentais, inclusive na afetividade. Mas, toda mudança é lenta, e enquanto isso a repressão afetiva parece servir como uma proteção emocional às famílias. Além disso, as mais pobres mandam os filhos para outras províncias em busca de trabalho. E as mais ricas internam as crianças em escolas acreditando ser o melhor para a sua formação. Visitei alguns quartos destas escolas. Sem aconchego, frio, pouco colorido e impecavelmente organizado. Num deles havia um mural com as fotos das crianças que ali habitavam. Tinham no máximo 5 anos! Meu coração brasileiro saiu pequenininho.
Quadro de honra ao mérito.
E, por serem únicos, os filhos recebem muitas pressões e grandes expectativas da família para serem os melhores alunos, os melhores no trabalho, os melhores em tudo. A competitividade está travada. Veja como isto funciona na próxima postagem. 



4 de jun. de 2013

70- POR QUE A CHINA OCUPA HOJE O 1º LUGAR NO PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes)?


Visitei escolas particulares e públicas em Pequim, Shangai e Hong Kong, além de participar de seminários com representantes do Ministério da Educação Chinesa. O que notei?
1. Eles recebem muito bem os seus convidados. Em todas as escolas havia um luminoso de boas vindas. E na maioria, tivemos apresentação de danças e músicas que divulgavam a sua cultura. 2. Eles tem plena consciência do que conquistaram, tem autoconfiança, sabem os desafios que os esperam e colocam prazos bem definidos para alcança-los. Inclusive já perceberam que muita pressão não tem ajudado na qualidade e estão revendo isso. 3. Entre a média mais baixa e a mais alta dos estudantes das escolas a diferença é mínima. Ou seja, todos os alunos são muito bons. 4. Bons, pois nota-se muita organização, disciplina, estudos individuais, investimento em estrutura, conteúdos acadêmicos, esportes e artes, além de muito apoio da família. 5. A concentração dos alunos é surpreendente. Entrávamos em salas de aulas de diferentes faixas etárias e os alunos não perdiam o foco. Fiquei a pensar em nossas crianças e na Ritalina (remédio para TDAH) cada vez mais presente em nossas salas de aula. 6. Ao perguntarmos como lidavam com a indisciplina, ficaram confusos ao responder. Logo notei que este problema não existe, pois não há espaço para ele. 7. Sempre fui avessa às premiações aos estudantes. E o que mais vi nas escolas eram troféus e divulgação dos melhores alunos nisso ou naquilo. Mas, gostei da intenção: usam a premiação para fortalecer a autoconfiança, o que facilita ao aluno desenvolver seus pontos mais fracos. 8. E o que achei mais maravilhoso: acreditam no potencial do aluno e investem para o seu desenvolvimento. Bem, nem tudo que vi gostei, mas gostei de muito do que vi.

25 de abr. de 2013

67- TODA CRIANÇA É GENIAL


Dizia Albert Einstein: “Somos todos geniais. Mas, se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em árvores, ele passará sua vida inteira acreditando ser estúpido.”
Quantas vezes não fazemos isto, ainda que inconscientemente, com  os nossos próprios filhos ou alunos?
A criança ao nascer é um ser de possibilidades. Não acreditamos mais no determinismo e portanto, a expressão “filho de peixe peixinho é” já não faz mais sentido. E nem os nossos sonhos e conhecimentos passam pela genética. Cuidado, cada ser é cada ser, sendo. E, sendo um ser de possibilidades pode vir a ser um ser qualquer. Pois, para desenvolver seus potenciais, a criança vai depender de oportunidades, mas isto não basta. Não basta colocá-la na melhor escola, nos melhores cursos de línguas, informática, esportes, músicas, artes. Para que ela aproveite estes recursos, em prol de seu desenvolvimento, é necessário que  tenha a capacidade. E então, motivação, isto é, que tenha um motivo na ação. E para isto é preciso que a atividade mexa com suas emoções, faça sentido, seja ricamente desafiadora, mas nem aquém e nem além de suas capacidades. Portanto, avaliar nossas crianças a partir de nossos interesses, sonhos, capacidades, conhecimentos, visões e percepções é  tirar-lhes delas o que há de mais lindo no humano: o ser especial e essencialmente único. Assim, veja a criança como ela está sendo, ajude-a a desenvolver potenciais, cuide para que ela possa ser uma unidade na diversidade e admire sua genialidade, seja ela qual for.

14 de mar. de 2013

64- QUEIJO COR-DE-ROSA E ALGUMAS LIÇÕES


No ultimo video do novo projeto “Lígia Pacheco em 3 minutos” discutimos qual a melhor maneira de responder as perguntas das crianças com base no diálogo reflexivo, a fim de que ela resolva por si a sua curiosodade, construindo um conhecimento fortalecido e desenvolvendo várias outras habilidades. Todavia, nem sempre o diálogo é suficiente.  Veja esta bonitinha história e a fantástica attitude da mãe.
Lu tinha cerca de 4 anos. Toda a sua vida era rosa. Da camisola à escova de dentes, da mochila e roupas aos enfeites de cabelo. Rosa era definitivamente a sua cor favorita. Um dia chegou à mãe e pediu para comer queijo cor-de-rosa. A mãe achou graça, mas tentou desvendar o mistério. No diálogo travado com a filha descobriu que já o haviam comido em casa, e logo concluiu que estava havendo algum erro na cabecinha da criança. Levou-a à geladeira e mostrou o queijo do reino com sua capa rosa. Mas, a criança insistia: “Não, ele é todo cor-de-rosa!” Muitos adultos teriam desistido e terminado por aí dizendo não existir tal queijo. Mas esta mãe continuou bravamente. Levou a filha ao supermercado e a deixou explorar cada gôndola até encontrá-lo. A criança corria atenta e incansavelmente. Até que um grito ecoou no espaço: “Encontrei!!!” A mãe aliviada foi ao seu encontro. O queijo cor-de-rosa era um grande presunto. 
Parabéns à mãe que paciente e sabiamente ajudou a sua filha a lutar pelo o que quer, a desvendar as confusões, a resignificar o erro e a construir conhecimentos de forma prazerosa e efetiva. Bravo!

25 de fev. de 2013

63- NOVIDADE NO AR


Comecei este mes um novo projeto. Consta de pequenos videos para pais e professores.
Como sei que a vida de todos nós é bem corrida e há muita informação no ar, optei por videos curtos, mas com conteúdo. São cerca de tres minutos e abordam temas relacionados à educação das crianças.
O programa chama-se “LÍGIA PACHECO EM 3 MINUTOS”. A abertura foi feita por Gabi Pacheco, minha filha mais velha, que está cursando a Faculdade de Propaganda e Marketing e que me ensinou o be-a-bá para que este projeto pudesse ir ao ar. Que delicia é poder aprender com os filhos!
Na página do blog à esquerda você encontra dois acessos: Um para minha última coluna da Pais & Filhos e outro para a minha conta no UTube. Mas estarei sempre postando aqui as novidades.
Para facilitar, você pode inscrever-se como seguidor, bem como para receber as novas postagens por e-mail.

Já estão no ar dois episódios:
1- COMO FACILITAR A ADAPTAÇÃO DA CRIANÇA NA ESCOLA.

2- COMO RESPONDER AS PERGUNTAS DAS CRIANÇAS.

Espero que gostem, que seja útil e aguardo sugestões de temas.
Grande abraço

18 de mai. de 2012

52- ÓCULOS DA CRITICIDADE


Quando dava aula para crianças havia uma novela que os hipnotizava. Ninguém conseguia terminar as tarefas, a concentração foi para o espaço e o assunto da aula, por mais interessante que fosse, acabava no capítulo do dia anterior. Os pais não sabiam mais o que fazer, pois não era um programa muito educativo. Mas, proibir por proibir não gera resultados.
Percebi que as crianças estavam passivas ao programa, não refletiam, nem digeriam nada, apenas, como esponjas, absorviam o que viam, ouviam e facilmente reproduziam. Então, fizemos um exercício de reflexão e criticidade. Imaginamos nos colocando óculos que ajudavam a ver para além do que aparece ou aparenta. Exercitamos esse olhar e discutíamos o que víamos. Por dias fizemos isso, até que passei nova atividade: Assistir o capítulo da novela com os óculos da criticidade para discussão no dia seguinte. Eles mal podiam acreditar. Novela como tarefa? Sim.
A novela passava-se numa escola, e naquele capítulo, um dos alunos havia feito algo errado e conseguido com que a professora, bem camarada, o ajudasse a esconder o fato dos pais.
Foi uma delícia vê-los discutindo valores, ética e construindo conceitos para a vida. Aos poucos foram percebendo o que estava por trás de cada programa e de tudo o que se passava ao redor. A novela acabou perdendo a graça, mas os “óculos” permaneceram aumentando-lhes a percepção à vida. Continuamos exercitando e fortalecendo o pensamento crítico para que suas cabecinhas não fossem entregues, de bandeja, a quem quer que fosse.
imagem: blog.eotica.com.br

23 de nov. de 2011

44- PASSOU OU REPETIU?

Chega o final do ano. Muitos pais e alunos ficam apreensivos: Passou ou vai repetir o ano? Claro que isto importa, mas há que tomar muito cuidado com o que está acontecendo. Vejo inúmeros pais oferecendo aos filhos presentes caríssimos caso eles passem de ano. E tantos outros, ameaçando os filhos caso repitam o ano. É preciso ficar claro para o seu filho o porquê ela vai à escola e para que ela serve.  E então, que seu filho tenha consciência, assim que possível, de que ele é o responsável primeiro pelo seu desenvolvimento.  Não basta ofertar o melhor, se o filho não sabe aproveitar e se não percebe que para aprender é preciso atenção e interação com o que aprende. Por isso, sou contra a barganha. Afinal, se a escola serve para que ele desenvolva, entre outras funções, é bom que ele perceba que ela é um privilégio em sua vida. Mas, se troco o boletim por presente, a sua meta será outra, isto é, o presente, e não as aprendizagens que o possibilitam ampliar a si e ao mundo. E, se seu filho não vai bem na escola e está prestes a repetir é preciso investigar o porque disto e não simplesmente puni-lo. Vamos supor que ele não goste de estudar. Se isto acontece é bem provável que ele não esteja vendo sentido naquilo tudo. Não se aprende por decreto, nem por imposição. E nem adianta dizer que se ele não estudar não será alguém na vida. Olhe em volta e verá que isto não é verdade. Converse com o seu filho, converse com a escola, ajude-o a perceber o quanto pode ser maravilhoso aprender, crescer e desenvolver.

16 de nov. de 2011

43- A ESCOLHA DA ESCOLA

Se o meio é tão essencial ao desenvolvimento de um filho, uma boa escola torna-se fundamental. Mas como escolhê-la? Já escolhi muitas escolas para as minhas filhas, por mudarmos muito de cidade. Minha filha mais velha acaba de terminar o 3º ano do Ensino Médio em sua 9ª escola. E, creia, temos grande preocupação em escolhê-las. É tão importante que ao chegar na nova cidade, a escola é escolhida antes da moradia, pois sabemos o quanto o trânsito desgasta qualquer ser humano. Além disso, há trabalhos em grupo, atividades extras curriculares, festas de amigos e a logística fica mais fácil quando se tem autonomia para ir e vir. Em cada idade, valorizávamos aspectos diferentes nas escolhas. Mas em todas as fases havia algo em comum: a escola tinha que ter espaço, ser afetiva, preocupada com a construção do ser e do conhecimento (e não a reprodução deles). Ter uma proposta pedagógica que afinasse com a nossa visão de homem e de mundo.  Mas, com o tempo fui percebendo que toda escola tem seus acertos e erros, e que a melhor delas é a própria família, inclusive para consertar erros cometidos pela escola. E, aprendi que de nada vale uma proposta maravilhosa, se o professor não for um encantador de alunos, e se não resignificar a sua prática diariamente. E que importante mesmo é que o filho seja feliz, sinta-se gente e possa compreender e transformar a si, aos outros e ao mundo com respeito, liberdade, autonomia e responsabilidade. Esta é a boa escola para as minhas filhas.

30 de set. de 2011

36- DICAS PARA A EDUCAÇÃO ALIMENTAR.

DIVERSIFIQUE SEMPRE OS ALIMENTOS.
   
LEVE O SEU FILHO ÀS COMPRAS E O ENSINE A ESCOLHER.

CUIDADO COMO APRESENTA O ALIMENTO.

PREPARE ALGO COM ELE.

EXPLORE A CRIATIVIDADE.

DEIXE-O EXPLORAR, CHEIRAR, TOCAR, PROVAR.

ENSINE-O O QUE É BOM AO SEU CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO.

AJUDE-O A TER ATENÇÃO AO QUE COME E COMO COME.
COMER NA FRENTE DA TV DESFOCA.

FAÇAM DA REFEIÇÃO UM MOMENTO RICO DE APRENDIZAGENS. E, APROVEITE A REUNIÃO DA FAMÍLIA.

16 de set. de 2011

32- PENSAR TAMBÉM SE APRENDE.

Outro dia estive a observar crianças a cantar e a coreografar uma música bem conhecida de quase todos: A Dona Aranha. Animadas, faziam movimentos que acompanhavam o ritmo e interpretavam a música corporalmente. Sou bem a favor dessas práticas, pois hoje sabemos o quanto ajudam na construção, manutenção e evocação da aprendizagem. Mas, não é bom aprender nada mecanicamente, nem a cantar a música. Pelo contrário, devemos aproveitá-la para ensinar à criança, desde pequena, a pensar sobre o que canta, fala, sente e como age. A música diz:

A Dona Aranha subiu pela parede.
Veio a chuva forte e a derrubou.
Já passou a chuva e o sol já vem surgindo
E a Dona Aranha continua a subir.
Ela é teimosa e desobediente,
Sobe, sobe, sobe e nunca está contente.

Se usarmos a ação da Dona Aranha como metáfora ou exemplo, podemos notar que ela vai atrás de sua meta, e não desiste com as adversidades da vida. Seria ela teimosa e desobediente? Ou seria uma aranha de fibra e de garra que sabe o que quer e luta por isso? Ensinar e aprender a dialogar com os estímulos que vêm do mundo são importantes para tomar consciência deles e desenvolver o pensamento crítico e reflexivo, a fim de que a criança não acolha a tudo e a todos de modo passivo e automático. Sou a favor de começar de pequeno. Em tudo, aprendemos a fazer fazendo, e o pensar crítico não é diferente.

8 de set. de 2011

29- LIÇÃO DE CASA: COMO AJUDAR?

Para aprender é preciso oportunidade e interação com ela.
Para aproveitar a oportunidade é preciso motivação.
Para ter um motivo-na-ação é preciso ter sentido.
Para ter sentido é preciso identificação e utilidade.

Na prática:





O livro é uma porcaria para Calvin, pois ele não faz sentido na sua vida. Não basta a oportunidade. Mas como fazer para que Calvin busque um sentido? A mãe pode ler com ele, ajudá-lo a dar sentido, ensinando-o a identificar, em seu dia-a-dia, o que ele aprende. Como assim? Vamos supor que Calvin precise estudar alguma batalha para a aula de História. A mãe pode relacioná-la ao que acontece nos condomínios, ou na própria escola, ou com os amigos do prédio. Chamar a atenção às diversas batalhas do dia a dia, compará-las com as batalhas que estuda, buscar diferenças, semelhanças, refletir sobre elas. A relação feita vai depender da idade e do conhecimento da criança, mas trazer o conteúdo para a sua realidade ajuda a motivar e dar sentido. Mas lembre-se, não se aprende pelo outro, e nem é bom criar uma dependência entre você e o estudo do seu filho. Invista, comece junto, ensine-o a pensar, a manter a motivação, mas favoreça o desenvolvimento da autonomia.