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26 de ago. de 2015

162. TIRINHAS QUE DIZEM DE NÓS: PUNIÇÕES


A criança precisa desde pequena ter limites claros e saber porque eles estão sendo colocados. Quando descumpre o combinado precisa saber que há consequências. Muitos pais dizem da boca prá fora o que acontecerá e depois têm dificuldade de fazer o filho viver a consequência. Cuidado! Isto acaba com qualquer autoridade e respeito. Há outros que preferem fazer vista grossa e deixar para lá, afinal já são tão ausentes! Perigo! Seu filho pode interpretar esse desleixo como falta de amor e cuidado. Há ainda os que nem percebem. Atenção! Você tem grandes chances de ser punido por seu filho. Há ainda as punições que atrapalham como a que vemos na tirinha. Castigo na biblioteca? Evitemos associações deste tipo.
Punir é palavra forte demais, mas orientar a criança levando-a a tomar consciência do que fez e a buscarem juntos alternativas dela reparar o que fez, pode ser uma grande ação educativa. 


19 de ago. de 2015

161. TIRINHAS QUE DIZEM DE NÓS: FRUSTRAÇÕES.


Deixar o filho se frustrar, sofrer, perder faz parte de seu desenvolvimento emocional. No mercado de trabalho, a maioria dos colaboradores é contratada por sua capacidade técnica e demitida por falta de gestão emocional. Claro que o adulto pode correr atrás, mas terá muito mais trabalho para se desenvolver emocionalmente. Melhor mesmo é começarmos na infância, deixando as crianças experimentarem as emoções, perceberem como funcionam e irem aprendendo a fazer ajustes para bem se adaptarem ao mundo social e às próprias emoções.


12 de ago. de 2015

160. TIRINHAS QUE DIZEM DE NÓS: RESPONSABILIDADE


Desenvolver nos filhos a responsabilidade e a assunção por seus atos é um grande ensinamento. Bom para os pais, para os próprios filhos e para a sociedade. Colaboremos.




6 de ago. de 2015

159. TIRINHAS QUE DIZEM DE NÓS: PRESENÇA

No mes passado as postagens refletiram em torno de vídeos que são postados nas mídias sociais. Este mês será a vez das tirinhas.

PRESENÇA



Sei que todos nós temos dias corridos com agendas que não damos conta. Vida ansiosa e estressante é o mal deste início de século. Sei também que os filhos ficam muito mais tempo com outras pessoas do que com os pais. Esta é a vida que temos escolhido. Porém, por maior que seja a sua responsabilidade no mundo profissional não deixe de presentear o seu filho com a sua presença, antes que seja tarde demais! Faça valer a sua importância a ele, mostrando o quanto ele é importante a você.


29 de jul. de 2015

158: VIVER E NÃO TER A VERGONHA DE SER FELIZ.


Fim de férias e de volta a rotina. O filho volta a acordar cedo, a ir para a escola, a fazer tarefas, provas, aulas extra-curriculares de inglês, dança, futebol, balé. Corre prá cá, corre prá lá. Cuidado com o estresse avisa o doutor! Mas voltar à escola é muito bom. É delicioso rever amigos, professores, aprender coisas novas, desenvolver habilidades, perceber a si e ao mundo de um jeito cada vez mais amplo. Nela temos a oportunidade de fazernos coisas que dificilmente faríamos sem ela. Mas muitos pais, de forma inconsciente, passam aos filhos as suas representações de escola, que muitas vezes não trazem boas lembranças. E repassam os recados: “Se não colocar a comida para o cachorro vai ter que estudar!” “Se não fizer a tarefa, não vai jogar!” “Por que você não é estudioso como o seu amigo?” “O que? Foi mal na prova?” “Se não estudar vai ficar burro!” Ah, o pobre bichano que não tem nada a ver com isso!
Cuidado! Passamos recados aos filhos sem percebermos. E muitos dos relacionados à escola e aos estudos são negativos, fazem parte de punições ou desestímulos. Preste atenção, policie-se, pois aprender é uma das coisas mais maravilhosas desse mundo. Não estrague esse capacidade de seu filho. E se estragaram a sua, aproveite para encontrar a magia do aprender.
Neste início de volta às aulas, desejo a cada pai, mãe, professor, professora e a cada menino e menina que tenha a alegria de ser um eterno aprendiz. E viva sem ter a vergonha de ser feliz. 


22 de jul. de 2015

157: MECÂNICAS SÃO AS MÁQUINAS, NÃO O SEU FILHO.


Inicie assistindo ao video.


A criança aprende por modelos. Isto é, imita o que consciente ou inconscientemente ensinamos. Já temos um alerta: Prestar atenção ao que ensinamos sem perceber. Além disso, caímos em armadilhas perigosas. É bem comum ver crianças dizendo bobagens e palavrões sem ter noção do que dizem. Apenas reproduzem o que ouvem. Mas, como os adultos riem da graça, elas tendem a repetir. Afinal, quem não quer ser reconhecido e valorizado? A criança também.  Mas, aprender mecanicamente não é bom. É mais fácil deformar a criança do que formá-la. Por que? Porque tiramos dela uma das coisas mais lindas que ela tem: a capacidade de pensar. A criança precisa refletir sobre as suas aprendizagens para inclusive construí-las, ressignificá-las, retê-las. A oração no vídeo abaixo é um bom exemplo. Observe que a mãe diz e a criança repete. Seria mais interessante se a mãe fizesse a sua oração e depois pedisse para a criança fazer a dela. A criança aprenderia a rezar, mas com o que lhe tem sentido. Lembro das minhas filhas agradecendo a Deus pelo travesseiro. Eu nunca teria esta ideia e grandeza! Mas, a criança do vídeo não repete tudo, não cede e tenta argumentar. Bravo! Ela está pensando sobre o que diz. Momento ideal para parar, “FILHOsofar” e entender o porquê da discordância. Mas a mãe não dá ouvidos, contorna a oração e só piora. Posso apostar que ela não gostou de estudar e ir à escola! Cuidemos. Criemos espaços e tempos para a criança pensar. Não a transformemos em máquinas de reprodução em busca de aplausos e aceitação. Amém?

15 de jul. de 2015

156: FAÇA DA ALFABETIZAÇÃO UM CAMINHO INSTIGANTE.


Comece assistindo ao video.


Fui alfabetizada, como muitos, pela cartilha “Caminho suave”. Eu não achava tão suave assim e havia palavras que não existiam no meu mundo. Trabalhávamos as sílabas, que depois eram juntadas formando palavras, e então em frases e em histórias bem sem graça. Não havia liberdade. Tinha que seguir a ordem. O “DA DE DI DO DU” não podia ser trabalhado antes do “BA BE BI BO BU”. Aliás, demorou muito para chegar ao “LA LE LI LO LU” onde tinha o LI do meu nome. Mas eu tinha pena mesmo era do Valter. Até chegar no “VA VE VI VO VU”!!! O fato é que chegou, mas o texto dizia: “Vovô viu a uva!” Nem Lígia e nem Valter faziam parte da história, e nem sabiam nada de uva. Mas vovô viu a uva! E eu queria tocá-la, vê-la, cheirá-la, prová-la. Seria bem melhor para escrever e ler sobre ela. Mas repeti e reproduzi a cartilha como muitos. Mas os avanços das ciências fizeram com  que hoje vejamos a alfabetização de modo bem diferente. Sabemos que é bom fazer sentir, ter sentido, saber do seu uso, e principalmente, ser construída pela criança. No vídeo, vemos o garoto soletrando BRAHMA com a ajuda de um adulto, mas ao final lê “cerveja”, pois é isso que contém na caixa e faz sentido a ele. Afinal, qual o sentido de um “B” isolado ou de qualquer letra? Nenhum. Então, que tal fazer diferente nesse exemplo? Não soletre. Leia a palavra inteira, discuta o sentido dela ali, fale das marcas. Brinque e desafie o seu filho a formar palavras que comecem e terminem com BRA, com MA. Faça ele pensar na escrita e no uso dela, e não a ficar como papagaio repetindo letras. Isso já fizemos.

8 de jul. de 2015

155: QUANDO A CRIANÇA COMEÇA A SE ALFABETIZAR?


Assim que a criança nasce, ela já começa a ser alfabetizada e letrada. Em um processo bem longo e repleto de fases, começa a entender que há uma escrita, como ela funciona e para que ela serve. Quanto mais estímulo tiver, melhor será a sua evolução. E estimular não quer dizer comprar vários livros e cadernos. Conto uma breve história. Conheço uma manicure que lê o tempo todo. E sempre conta com empolgação o livro da vez. Um dia comentou que o programa preferido da filha de 7 anos era ir ao shopping. A cliente ao lado fez algum comentário, do tipo: “Obvio! Qual garota não gosta?” Mas a mãe manicure continuou: “Ela gosta das livrarias! E precisa ver a felicidade dela quando compra um livro. Não vê a hora de chegar em casa para lê-lo!” A cliente então espantou-se: “Nossa! O meu filho da mesma idade odeia ler! E olha que eu compro um monte de livros maravilhosos para ele!” E a manicure fez a pergunta crua, quase cruel: “Mas a senhora gosta de ler?” E ela respondeu: “Eu odeio! Mas compro um monte de livro prá ele.” Será que adianta? No vídeo abaixo, vê-se uma pequena criança “lendo”. É uma pseudoleitura, mas que já mostra muito da construção da alfabetização. Mas como ela sabe que o livro tem algo a dizer e que dá para ler? Não sabemos o que ela sabe exatamente, mas podemos dizer que ela está vivendo o processo da alfabetização. E posso garantir que seus pais lêem, que ela os observa lendo, que eles contam histórias a ela, que ela tem livros e que é bem estimulada. Atente-se: A alfabetização começa em casa e não na escola. Inspire-se nesta fofa.


26 de jun. de 2015

153: PAIS E FILHOS: ASSISTAM E SE INSPIREM.


Território do brincar é um longa, no mínimo, poético, dirigido por David Reeks e Renata Meirelles. Trata do brincar infantil em diferentes regiões e realidades do Brasil. O longa conseguiu me colocar dentro da tela, arrepiou os meus vários sentidos, me fez sentir, deliciar-me e fomentar reflexões. O modo como as crianças brincam no filme dizem da escola dos meus sonhos. Na realidade delas, seja em dunas, mares, florestas, cidades, as crianças desenvolvem brinquedos e brincadeiras que trazem em si valiosos conhecimentos culturais e interdisciplinares. Aprendem e desenvolvem matemática, química, física, biologia, história, geografia, linguística, psicomotricidade, sociologia, cidadania, criatividade, imaginação na experiência. E nela já fazem os ajustes necessários enquanto, sem nem perceberem,  aprendem e se desenvolvem. Seria um sonho se a escola aproveitasse dessa experiência para ampliar o mundo das crianças. Interessante notar que as crianças com menos recursos desenvolvem bem mais habilidades e competências do que as crianças com mais recursos, que já trazem na maioria brinquedos prontos. E como subestimamos as crianças e atrapalhamos seus desenvolvimentos limitando suas brincadeiras em prol de uma organização de tempo e espaço, da super proteção, da facilidade tecnológica, do consumo exagerado de brinquedos entre outros, dificultando com que encontrem o brincar no dia a dia e se desenvolvam integralmente. Leve seu filho para assistir esse filme. Façam dele uma grande inspiração para as férias e para a vida.

17 de jun. de 2015

152. PARA GABI EM SEUS 21 ANOS.


Quando fiz 21 anos meu pai lançou-me um enigma como sempre gostava de fazer. E, como sempre, eu passava horas, dias ou até anos até sossegar com uma boa resposta. E nesse dia não foi diferente. Ele disse: “Parabéns, minha filha! Agora já é dona do seu nariz.” Fez uma pausa e continuou: “Mas lembre-se: não é dona dos buracos que nele há.” A expressão “ser dona do nariz” era-me familiar. Ser independente, livre, responsável por meus atos eu já vinha sendo ao morar sozinha, experiência muito importante à minha formação. Mas, o que significava não ser dona dos buracos do nariz? Já modifiquei alguns vezes essa resposta, mas hoje eu diria que ser dona de si não significa fazer o que se quer, nem quando, onde e por que se quer, pois há os buracos. Os buracos hoje simbolizam tudo o que não sou eu, mas que eu interajo de certa forma. Lembram-me que vivo no mundo, com o mundo e com os outros, e que devo ter uma contribuição responsável com os seres e ambientes, ciente de que esses “buracos” são também ocupados por outros. Que por eles coisas boas e ruins podem ser “respiradas” e por isso que é fundamental saber onde coloco o meu nariz. Mas que é graças ao que não me pertence, o buraco, que posso oxigenar, movimentar e dar vida à vida. Parabéns, minha filha! Há 21 anos vivo a delícia de ser mãe e de tê-la como filha. É um encanto e um presente participar e notar o quão brilhantemente constrói a sua vida e o seu ser com tanta consciência de seu nariz com seus buracos. Viva! Bravo!

11 de jun. de 2015

151. À MODA ANTIGA


Recebi um cartão de minha filha que está na Austrália, e que aproveitou para viajar ao Cambodja, Laos e Tailândia. De volta à cidade onde mora pôs-se a enviar os postais que havia comprado. “Gosto da delicadeza e do carinho implícito ao colocar um cartão no correio.”, revelou-me, enquanto eu a agradecia. Claro que recebo muitas mensagens instantâneas dela por whatsapp, facebook, email. E amo todas. Mas receber um cartão pelo correio levou-me ao céu e chegou com muito mais sabor. Por trás dele havia o tempo gasto na escolha do cartão, a escrita pensada, o local escolhido para se inspirar, a ida ao correio, a compra do selo, o preenchimento do envelope... Um cartão que levou dias e dias para chegar, atravessou o oceano, percorreu quilômetros, passou por diversas situações. Senti como se todo esse processo apurasse o sabor do alimento que trazia. Voltei no tempo. Como era bom aguardar o carteiro, esperar por cartas, respondê-las. Claro que a tecnologia nos possibilitou ter ainda mais contatos e é incrível poder trocar mensagens em tempo real independente da distância e do tempo. Mas, assim como o fastfood, não têm o mesmo sabor. Não... não abro mão da tecnologia que é prática e eficiente. Mas saber saborear esses prazeres simples é algo que tem me valido a atenção, o exercício e a prática. Obrigada Gabi por esse momento tão especial que me proporcionou. Obrigada por todo o processo, pela imagem tão significativa, pelo conteúdo tão emocionante e por suas digitais por todo ele. Fez sua mãe prá lá de feliz. Te amo.

3 de jun. de 2015

150. DESCONECTAR PARA CONECTAR.

Visita na casa de alguma avó.
Esses dias recebemos uma mensagem de nossa filha que está há quase um ano na Austrália: “Por aqui está tudo bem, não se preocupem. Mas, vou fazer uma experiência e ficar três dias sem o celular.” Perguntei o motivo e obtive como resposta: “Mãe, eu quero perceber o que estou perdendo ao meu redor enquanto fico conectada ao mundo.” Achei brilhante a sua ideia e visão, mas queria me certificar se havia algum outro motivo. Coisas de mãe. Imediatamente conectei o facetime para me abastecer, acalmar, vê-la e saber mais. Pausa. Viva sim esta tecnologia que tem muitos benefícios. Mas,  encaremos de frente. Estamos viciados nela. E isso tem atrapalhado também a relação entre pais e filhos. Um exemplo? Observe qualquer lugar onde haja família “unida”. Restaurante, shoppings, festas. Em geral, cada um está no seu mundo. E Gabi tem razão: estamos tão plugados que mal percebemos o que e quem está ao nosso redor. Quando saímos em família, em geral, nossas filhas pedem para não levarmos os celulares. Não é maravilhoso? Sinal de que gostam e priorizam a nossa presença e gostam de conversar conosco. Mas isso não é sorte ou surgiu do nada. Investimos para tanto. E é esse desafio que quero propor: desconectar-se um pouco do mundo que está nas mãos para se conectar, sem distração, com a família. Relação entre pais e filhos se aprende e requer atenção, intenção, continuidade, espaço, diálogo, carinho, respeito, prazer, confiança, troca, tempo entre outras construções. Não se dá por um acaso. Atente ao seu redor e não perca a principal conexão.


26 de mai. de 2015

149. PEDIDO RAPIDAMENTE CUMPRIDO.


Esta história não fui eu quem escrevi, mas adoraria que tivesse sido. Tampouco sei quem a escreveu. Mas achei que faz muito sentido e nos coloca em boa reflexão.

“Um dia, minha mãe e eu conversávamos sobre a vida e a morte e eu lhe disse:
- Mãe, se um dia eu estiver num estado vegetativo, em que minha vida dependa unicamente de aparelhos, desligue, por favor, as máquinas que me mantêm artificialmente em vida! EU PREFIRO MORRER!!!
Então eu vi minha mãe se levantar, me olhando cheia de admiração... E puxando decididamente os fios, ela desligou: a tv,
o dvd,
o cabo de internet,
o computador,
o MP3/4,
o playstation,
o wifi,
o fixo...
E ainda me arrancou:
o celular,
o tablet,
o Ipod.
EU QUASE MORRI!"

Para bom entendedor... uma história basta.

15 de mai. de 2015

147. A IMAGEM E A MENSAGEM.


Esta imagem virou um viral nas redes sociais, pois é mesmo impactante, emocionante e forte. A foto descrita como “irmã de dois anos e meio protegida por irmão de quatro anos no Nepal” logo nos faz associar aos terremotos recentes na região que tantas mortes e destruições causaram. E imaginar que as crianças ficaram órfãos. Dói só de pensar. Mas, segundo a BBC News essa foto foi tirada em 2007 em Can Ty no Vietnã pelo fotógrafo Na Son Nguyen. Ele conta que passava pelo vilarejo e parou para observar duas crianças que brincavam enquanto os pais trabalhavam na lavoura. A menininha chorou com a chegada de um estranho e o irmão abraçou-a para confortá-la. Nguyen achou emocionante e fez imediatamente o registro. Claro que, independente da história real da foto, deve haver várias crianças no Nepal agora em semelhante imagem. Volto a ela. Note a linguagem corporal das crianças. O que ela me diz? Que o tamanho da emoção da criança, seja de medo, alegria, raiva, tristeza, afeto, independe do tamanho da problemática da história. Por isso, não devemos menosprezar a intensidade da emoção infantil dizendo “isso não é nada”, “é bobagem” ou ainda comparando com as nossas emoções que parecem sempre maiores. Para a criança as suas emoções são reais e intensas e precisará de vivências para conhecê-las e aprender a lidar com elas. Deve assim ser reconhecida, respeitada e acolhida como fez o irmão e ir além. Deve-se cuidadosamente trabalhá-las para o seu equilíbrio e amadurecimento. 

12 de mai. de 2015

146. AMO QUANDO A CRIANÇA ME DÁ UM NÓ!

Sistema ósseo: estrutura para o que viria.

Assisti com uma criança um vídeo lindo da BBC tendo como fundo a música “What a wonderful world”. A letra, falada em poesia, era ilustrada por maravilhosas imagens da natureza. Plantas, animais, rios, mares, sóis e luas movimentavam-se em versos a encantar nossos sentidos. E eis que a criança suspira e diz: “Como eu amo a natureza!” E é mesmo incrível notar como a criança é extremamente sensível à natureza e a tudo o que a atinge. O que nos ajuda a educá-la para continuar amando e não cair na armadilha “da força da grana que ergue e destrói coisas belas” (Caetano Veloso). Biofilia é o que a criança tem de sobra e que falta a tantos adultos. A palavra tem origem grega. Bio significa vida. Philia, amor. Ou seja, amor à vida, instinto de preservação seja lá ao que for. Há vários anos, estudava com alunos de 8-9 anos os sistemas do corpo humano. Para deixar mais concreto sugeri que abríssemos um mamífero, mais especificamente, um rato. Afinal somos todos parecidos por dentro. A crianças ficaram  indignadas e horrorizadas comigo. Mas, gostaram da proposta e sugeriram abrirmos outro mamífero: um indigente já morto. Minha cabeça deu um nó por um bom tempo. “Preferir abrir um homem a um rato?!”, pensava. Então lembrei-me da biofilia, voltei ao olhar da infância e notei vários condicionamentos culturais construídos em mim. Afinal, só queriam trocar um vivo por um morto! Fazia sentido. Mas não abrimos nem homem, nem rato. Encontrei outras formas também eficientes. E novamente estava eu aprendendo e crescendo com as crianças.

26 de abr. de 2015

145. JÁ SEI NAMORAR!



A mãe de Júlia de 7 anos estava preocupada com o rápido desenvolvimento da filha no quesito sexualidade. A menina era provocadora, já sabia fazer caras e bocas, não saia do facebook, já usava maquiagem e dizia ter namorados. A mãe chama-a para uma conversa. Feito adolescente, Júlia vem se arrastando com cara de “Que saco!” A mãe diz: “Vamos conversar desses namorados.” Júlia responde: “Você quer que eu te ensine a namorar!?” Infelizmente, conheço algumas Júlias. Digo “infelizmente”, pois sou totalmente a favor da criança viver a tão passageira infância. Mas também conheço muitos pais de Júlias. Observemos ao redor e pensemos sobre. Já repararam como os adultos adoram perguntar às crianças se elas já têm namorado? Pra que? Se as Júlias usam maquiagem, quem as comprou? Com quem aprenderam a provocar? Será mesmo necessário ter um smartphone aos 7? E porque não saem das redes sociais? Não estaremos nós também fixados nelas? O que tenho proporcionado nos tempos livres da criança? Tantas outras perguntas poderíamos nos fazer. Mas, o mais importante é lembrar que tudo, TUDO o que a criança faz ela aprendeu. E é essa a minha provocação do dia: O que tem sido proporcionado à criança para aprender e desenvolver? Então, alguém pode reclamar: “Mas todas as crianças hoje usam maquiagem, tem celulares, namoram! Vou criar um estranho no ninho?” Eu respondo: “Não seria esse ninho estranho? Todo mundo igual?”
Queridos pais de Júlias, deixemo-nas serem crianças.


23 de abr. de 2015

144. QUE TIPO DE PAI/MÃE EU SOU NA ESCOLA?


Aposto que você já ouviu na escola do seu filho a palavra “parceria”.  Por que as escolas têm insistido tanto nisso?
Voltemos um pouco no tempo. Pais trabalhavam fora e eram os provedores. Mães cuidavam da educação dos filhos, enquanto a escola instruía. Rapidamente essa realidade ficou para trás. Pais e mães viraram profissionais e coube à escola todo o resto. Há vários anos, quando eu era professora de crianças, uma mãe veio reclamar que eu não estava ensinando o seu filho a rezar (e a escola era laica!) nem a amarrar o tênis. Fiquei pensando nas mudanças que estavam ocorrendo e nas que estavam por vir. A escola, diante da nova realidade, viu-se com papéis acumulados e com obrigações que não eram dela. Com o tempo e com o desenvolvimento das ciências, a escola percebeu que o seu papel era bem maior que a instrução, mas se viu sobrecarregada e começou a falar em parceria, explicitar os papéis de cada um e a colocar limites, ainda que escutasse injustas reclamações de incompetência. Pense: você tem um filho para educar. A escola tem muitas crianças! Não dá para terceirizar a educação dos filhos! Mas complementar as educações, escola e família, pode ser uma proveitosa e maravilhosa parceria. Então vamos lá. Que tipo de pai/mãe você está sendo? O que cabe a você e à escola? Pode melhorar o seu papel? Pode ser mais parceiro? Pense cuidadosamente, pois entre a escola e a família há o seu filho. E lembre-se que reflexão sem ação pode levar à tomada de consciência. Que já é bom, mas não é muito.

20 de abr. de 2015

143. UM PASSO A FRENTE?


Sim e não, mas um passo por vez. Explico. 
É muito comum observar pais desejando o próximo passo do filho. Rolou na cama, já querem que sente. Sentou, já querem que ande. Andou, já querem que fale. Falou, já querem que leia e escreva. E assim por diante. Por um lado, isso é bem positivo, afinal sabemos o que a criança é e o que ela pode vir a ser. E queremos ver progressos. Por outro lado, esse desejo pelo desenvolvimento, se não for bem administrado, pode ser negativo. Primeiro que gera mais ansiedade. E, já basta o tanto que ela brota em nós assim que viramos pais. Pode ainda levar-nos ao erro de superlotar a agenda da criança para que ela potencialize o seu progresso. Além disso, ouço muito a frase: “Não vejo a hora que meu filho faça isso ou aquilo.” Todavia, ao focar o que a criança poderá fazer podemos desfocar o que ela está fazendo. E é uma pena perder o momento. Estes dias Gisele Bündchen despediu-se das passarelas e o motivo principal pareceu-me ser os filhos. Sabia que estava a perder desenvolvimentos importantes no aqui e agora. Não estou sugerindo que abandonemos a “passarela”, mas que vivamos e nos encantemos com cada momento que a criança vive. Pois o presente se faz do passado. E o futuro se faz do presente. Assim, pensar a um passo à frente é fundamental para fazer planejamentos e tomar decisões. Mas viver cada passo dado, cada nova aprendizagem da criança (e que são muitas!), é o melhor investimento e o melhor presente. Caminhemos.

25 de fev. de 2015

139. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: Índia e a metáfora do conhecimento.

Entrada da Biblioteca. Torre vista de fora. Vista da torre.

No Centre for Learning, em Bangalore, vi na biblioteca a metáfora da aprendizagem e da construção do conhecimento. Entrava-se pela porta principal, e ali via-se os livros em estantes em que todos pudessem ter acesso. E uma professora que explorava os livros com um grupo de crianças pequenas. (Como se naquele estágio servisse à apresentação do conhecimento e de suas possibilidades.) No meio do grande salão, via-se uma escada em caracol que levaria a um outro patamar, iluminado, sem tantos estímulos e voltados ao silêncio. (A apropriação do conhecimento requer luz, calma, degrau por degrau num espiral crescente enquanto apura-se em silêncio e individualmente o que se está aprendendo.) Desta parada, encontra-se outra escada. Agora  bem inclinada e reta que dá em um platô menor, porém também iluminado, e onde se encontra um baú. (Uma boa simbologia para "pousar" o conhecimento já apurado e apreendido.) E do baú, uma nova escada. Agora mais íngreme e difícil, terminando em uma pesada tampa que indicava levar para novo patamar. (Como se o conhecimento, sempre inacabado, precisasse cada vez mais de desafios para ampliar-se e se tornar apropriado). A tampa aberta levava para a torre de onde se tinha uma visão surpreendente. Daquelas de tirar o fôlego. (Assim como a aprendizagem que amplia a nossa percepção para o mundo, possibilitando novas visões e ações.) E no alto da torre, um sino. Como se fosse preciso avisar a todos: Consegui!

7 de nov. de 2014

126. SERÁ QUE CONHEÇO O MEU FILHO/ALUNO?



Sabemos que o conhecimento amplia a nossa percepção e aumenta nossas possibilidades de ação. Se você é formado, por exemplo, em odontologia, você terá uma percepção bem diferente do sorriso das pessoas do que a de um leigo. Se é formado em arquitetura, sua visão para as construções deve ser bem mais ampla do que a visão de um advogado ou médico. Basta ver quando fazemos faculdade, o quanto o conhecimento amplia a nossa percepção naquela área, aumentando as chances de acerto nas ações. Mas e com os filhos? Uma faculdade para pais ajudaria tanto!
Graças a essa necessidade é que criei esse blog como também tenho ministrado palestras e cursos pelo Brasil para pais e professores abordando temas diversos.
Se você tiver interesse em alguma palestra para a sua instituição ou se quiser fazer um grupo de pais para ampliar os conhecimentos sobre o desenvolvimento e a educação dos filhos, e poder agir com mais consciência e assertividade, contate-me. Tenho certeza que você conhecerá muito mais do seu filho/aluno, de suas potencialidades e possibilidades. E poderá fazer grande diferença no seu desenvolvimento.