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17 de set. de 2017

202. A VOZ DA MÃE DE CRIANÇA COM NECESSIDADES ESPECIAIS.

Ministro disciplinas em pós-graduação de Neuropsicopedagogia. Os alunos são na maioria psicólogos e professores que almejam ampliar seus conhecimentos por uma melhor mediação com estas crianças em prol de seus desenvolvimentos. E sempre há mães de crianças com necessidades especiais com o mesmo propósito. E ninguém melhor do que elas para nos dizer o que sentem, o que fazem, quais as dificuldades e as alegrias provenientes desta relação. Assim, convidei Willy a nos dar seu depoimento e ela topou.

Com vocês, Willy, mãe de Mary (13) e Anna Carolina (6).



Aos filhos especiais

Escuto muitas pessoas falarem sobre ser mãe de uma criança especial:
- Deus só dá filhos especiais para pessoas especiais...
- Só tem o fardo quem consegue carregá-lo...
Entre tantos outros dizeres pré-estabelecidos.
Vou de encontro a tudo isso! Vou contar minha historinha!
Sou Wylly mãe de Mary (especial), que nasceu aos 8 meses, cesariana e só a mamãe Wylly que não ficou bem, mas a filhota estava muito animada para descobrir o mundo. Esse pequeno ser, ao nascer, me ensinou a amar minha mãe. Eu não fazia ideia do que era o amor de mãe, até que comecei a amar como uma mãe. Agora, toda ação de minha mãezinha é compreendida com sublimidade e amor. Esse pequena Mary, tão frágil e indefesa, veio ao mundo para me ensinar, me fortalecer e corrigir algumas falhas sobre o amor que eu desconhecia (respeito, paciência, renúncia e perdão). Eu aprendi a sentir o amor de mãe. E que grande oportunidade de sentir!
Ela é muito especial! Obrigada, minha filha especial!
Depois de 7 anos chegou Anna Carolina, Carol ou a TODA PODEROSA, como queiram chamar (especial). Carol nasceu prematura, seis meses, problemas no coração, problemas no pulmão, falta de oxigenação, lesão cerebral e um montão de “pias” durante sua vida (fisioterapia, hidroterapia...).
Carol me ensinou a amar o próximo! Eu jamais iria pensar em adaptador de banheiro se ela não tivesse necessidade de segurar- se, eu nunca iria ficar indignada com diagnósticos médicos se não fosse me oportunizado conviver com a AACD.
Carol abre meus olhos, me fazendo enxergar que ser diferente é tão mais especial que estar na normalidade. Faz você sair de seu mundo de mesmice e entrar no universo do outro, sentir o outro e suas limitações e lutar pelo outro por amor, sem querer nada em troca. Não sou eu que sou especial, mas elas!
Minhas meninas estão me lapidando a cada dia, elas estão me tornando mais humana, mais gente, mais consciente de mim, do mundo e do outro.
Filhas especiais, vocês me deram oportunidade de ver além, a não julgar, e, principalmente, amar sem limites. A crer que é possível ser feliz a todo momento!
Sobre ter necessidades especiais? Sabe o que eu acho?
Todos somos especiais!!

Willy

11 de abr. de 2017

198. Conhecer para melhor agir: AUTISMO.

Sofia e seus pais, Andreia e Pedro Bittencourt.
O autista tem o cérebro hiperexcitado. O que isso significa? O cérebro da maioria de nós faz uma atividade de cada vez. Toda vez que fazemos uma nova atividade, desligamos a atividade anterior. E quando escuto música e estudo, por exemplo? Também. Você estuda e ouve e estuda e ouve. É tão rápido que nem percebe que faz uma atividade por vez. O autista, por ter o cérebro hiperexcitado, liga uma nova atividade sem desligar a anterior. Isto significa que ao longo do dia ele vai fazendo centenas de atividade ao mesmo tempo. Já pensou como deve ser difícil! Mas, ele cria um método para se organizar neste mundo de estímulos e agir de forma adequada. Quando se vê neles um padrão de movimentos repetitivos, acentuadas rotinas e rituais, perceba que é um cérebro querendo se organizar. Se bloqueamos o movimento repetitivo, ou os tiramos da rotina, eles se vêem no mundo de estímulos, entram em crise e se desorganizam. O cérebro dele é assim e por isso não é possível querer que funcione como o nosso.
Pedi a Andreia Pereira, mãe de uma criança autista, que nos contasse brevemente um pouco da filha e que desse-nos dicas para atuarmos melhor com o autista. E agora, é com ela.

“Sofia estava no jardim 2, quando fomos chamados para uma conversa com a psicóloga e a coordenadora. Falaram-nos de forma suave, as observações que haviam feito, no mês de fevereiro. Disseram que ela tinha atraso de linguagem, dificuldades na comunicação e interação, sempre buscava brincar só e enfileirando objetos e quando era chamada não olhava, entre outras. Nos mandaram procurar uma neurologista, fiquei muito preocupada e logo estava numa consulta, e foi diagnosticado o autismo. Perdi meu chão nessa hora, sem saber o que nos esperava, e com um luto profundo no peito. Mas não poderíamos perder mais tempo com a tristeza, tínhamos que correr contra o tempo e seguir, e de acordo com as orientações da neuro, fomos em busca do tratamento terapêutico com fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, pscomotricidade relacional e não demorou muito para começar também a análise aplicada do comportamento, na qual Sofia permanece até então. E vem apresentando evoluções significativas. E essa virou nossa rotina diária, nas manhãs tem as terapias e a tarde escola. Fim de semana é mais tranqüilo, a levamos para um parque ou shopping, ou cinema (pouco), ou praia que ela ama. Porém, temos enfrentado olhares turvos e às vezes até escutamos absurdos das pessoas por total falta de conhecimento/ignorância e preconceito, por presenciarem a criança aos gritos ou com birras, por não estar gostando do lugar, ou por estar muito barulho e muita gente, ou estar sentindo alguma dor sem saber expressar o que esteja sentindo. Enfim, pode ser inúmeras situações. Nesse momento a única coisa que eles querem são os pais, que sabem o contexto da história deles, e saberão o que fazer.
Para ajudar uma pessoa com TEA (Transtorno do Espectro Autista), as pessoas só precisam;
Ø  Ter empatia, tente se colocar no lugar de uma pessoa que não sabe se expressar, não porque não quer, mas por causa da síndrome.
Ø  Como a maioria não suporta barulho, por distúrbio sensorial auditivo ou por simplesmente não gostarem, então se puder baixe o tom da voz ou volume do som musical.
Ø  Paciência, uma das principais ajudas que qualquer pessoa possa dar e ter. Às vezes você precisa ensinar mais de uma, duas ou três vezes, para essa pessoa aprender.
Ø  Demonstre alegria e paz, pois eles sentem, como a pessoa está naquele momento.
Ø  Faça um teste em casa, não use comunicação de nenhuma forma, e vende os olhos, se sinta e reflita, como é a dificuldade alheia.

Sofia vem me apresentando um mundo, que eu desconhecia, com todos os detalhes, e diariamente me ensina que todos nós somos diferentes, mas com o mesmo ideal: vivermos felizes e sermos melhor no que escolhemos seguir. Damos mais valor a vida juntas e com amor, superamos tudo.”


Grata Andreia pelos ensinamentos. Grata Sofia por nos possibilitar sermos mais humanos.

12 de mar. de 2015

142. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: Índia e a Educação por Projetos: Ahmedabad.


O último projeto que irei apresentar foi conhecido e vivenciado em Ahmedabad, uma cidade também bem interessante. Fomos a Riverside, escola lindamente construtivista, cuja fundadora, Kiran Bir Sethi, é também a idealizadora do fantástico projeto “Design for Change”. (ps: Tem um TED bem interessante com ela.) Conhecemos a escola pelos alunos que, ainda que pequenos, deram um show de como a escola funcionava. Falaram dos projetos, dos ideais da escola, de como aprendiam e o que aprendiam. Emocionante de se ver, bem como ver alguns projetos acontecerem. 
Interessante como eles vivenciam a aprendizagem, sentindo na pele, o que para mim é o melhor modo de aprender. Por exemplo: Um dos temas era o trabalho infantil, muito comum na Índia. As crianças da escola viveram um dia como se fossem essas crianças. Ficaram o dia todo quebrando pedras embaixo do sol e de um calor insurpotável. Um outro projeto achei uma graça e servia aos alunos que tinham desavenças entre si. Explicitavam a raiva, marcando em um mural quem não gostava de quem. E um deles presenteava o outro com uma planta. E ambos deveriam cuidar dela, enquanto se cuidavam. Deu-me certo conflito essa exposição, mas ao mesmo tempo achei lindo.
Passaria dias contando os projetos que vi ali. Mas vale focar no  “Design for Change”, que inclusive a própria Kiran reforçou aquilo que os pequenos alunos já haviam nos dito. É um projeto que trata o aluno como protagonista histórico e ser capaz de propiciar transformações. O método é simples e segue quatro passos: Sentir (feel), Imaginar (imagine), Fazer (do) e Compartilhar (share). Ou seja, o aluno detecta algum problema que o incomoda, o que já o ensina a observar a realidade como ser ativo. Então ele imagina como pode resolver o problema, e em geral convoca outros para ajudá-lo. Próximo passo é colocar em prática o planejamento do passo anterior, isto é, fazer. E então, compartilhar a experiência, que é um modo de contaminar benignamente a outros.
Esse projeto é relativamente novo e já alcançou boa parte do mundo. Assistimos vídeos de diversos países, com diferentes problemas e suas resoluções. Hong Kong, Butão, Chile, Colômbia, França, Canadá, EUA, Camarões, México, Espanha, Brasil, Filipinas, Portugal, Singapura entre tantos outros. E a maioria conseguiu arrancar-me lágrimas. As crianças levantavam e resolviam problemas de bullying, cantina, recreio, material escolar, acesso à escola, limpeza dos banheiros, buracos nas estradas, inclusão de alunos e diversos outros. Não importava o tamanho do problema nem a sua complexidade, mas sim ensinar às crianças a sentirem os problemas, pensarem em soluções e agirem. Realmente arrepiante de se ver. Tudo muito inspirado no Quociente de Gandhi, já explicado em post anterior. Mas que se resume numa frase do próprio: Seja você a mudança que quer no mundo.
Que ideia simples, mas altamente transformadora. E, além de compartilharem com a comunidade o problema sentido e como foi resolvido, há ainda um evento, de que também participamos, onde há a troca com todas as escolas envolvidas da Índia. Como há ainda um evento bem maior, onde compartilham com todas as escolas do mundo que abraçam essa causa. Kiran, a idealizadora, é de uma simplicidade que nos faz pensar e é mulher iluminada. Não há como negar.
Por mais que existam também aqui no Brasil projetos assim, eu nunca vi algo tão grandioso, organizado e ao mesmo tempo simples e complexo.  Sei que, de todas as viagens que já fiz, talvez a Índia tenha sido a que mais impactou a minha vida. Proporcionou-me rever muitos conceitos, valores e percebi mudanças que vieram delicadamente, assim como os indianos são.

Obrigada Deus pela vida, por me acompanhar nessas aventuras tão construtivas, por me permitir viver tais maravilhas. Obrigada a cada indivíduo que passou pela minha vida, ajudando-me, por bem ou por mal, a ser pessoa melhor. Um ser ainda em construção, e que assim seja até o último suspiro. Até a próxima viagem!

Acesse o link e veja outras postagens da série Educação pelo mundo.

SÉRIE EDUCAÇÃO PELO MUNDO

8 de out. de 2014

121- DUAS IMAGENS E UMA REFLEXÃO.


Dizem que uma imagem diz mais do que mil palavras. E ao ver estas duas eu só penso numa coisa: 

QUAL DESSAS IMAGENS DIZ DA EDUCAÇÃO QUE DAMOS AOS FILHOS?



    



4 de ago. de 2014

111. EDUCAÇÃO PELO MUNDO VIII: Finlândia: Inclusive, educação inclusiva.


Para uma sociedade igualitária, a Finlândia aposta, inclusive, na educação inclusiva. Sabem que a dificuldade de aprendizagem pode colocar o sistema educacional em risco. Então ficam atentos e cuidam para que os alunos tenham uma boa base e não fiquem com lacunas. A cada dois alunos, um vai para as aulas de reforço, por ter mostrado alguma dificuldade. Ou seja, não deixam gaps! Se ainda assim o aluno não vai bem, é feito a ele um programa especial com duração de seis semanas. Se funcionou, volta ao ensino regular. Se não, um novo programa é elaborado, totalmente individualizado, com materiais feitos para o seu perfil, no qual pais, professores, médicos, psicólogos participam. E, há ainda, a classe de baixa motivação, para  alunos que não querem aprender, com uma equipe especializada em ajuda-los a querer e a gostar de aprender. Mas, apenas 4-5% possuem realmente problemas de aprendizagem, porcentagem que é mundial. E este número vem diminuindo devido ao trabalho precoce que fazem já na Educação Infantil. No Brasil, esta porcentagem é bem maior. Resolvemos o problema dopando nossas crianças? Quantas delas tem reais problemas de aprendizagem? Quantas são apenas problemas de ensinagem? Sei que meus ouvidos ouviram e meus olhos viram que os finlandeses fazem o máximo para que o aluno possa integrar-se no programa de ensino geral e quase não há reprovação. É sem dúvida um país igualitário! Atenção escolas, professores, pais!!! Inspiremo-nos neles!