Mostrando postagens com marcador desenvolvimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador desenvolvimento. Mostrar todas as postagens

4 de mai. de 2016

180. O BLÁ BLÁ BLÁ NÃO FUNCIONA.

O cérebro é um órgão incrível. Uma de suas características é que não gosta de mesmice. E convenhamos que o blá blá blá é mesmice e chatice para todos. Conto-lhes uma história. Minhas filhas tinham 10 e 12 anos e eu estava cansada de “blá blá blar” sobre as colaborações em casa, que sempre achamos importante tanto para aprenderem a fazer, como para desenvolverem autonomias e responsabilidades e se sentirem parte importante da família. Assim, abandonei a falação e dei início as aulas de percepção. Conto uma delas. Levei-as ao varal repleto de roupas e perguntei o que viam. Descreveram. Pronto! Final da aula do dia. Estranharam, mas já me conheciam. No dia seguinte, voltamos ao varal e fizemos o mesmo. No outro dia, já acharam graça, mas se inquietaram. “Mãe, está tudo igual! O que é para a gente ver?”, disseram. “Vocês viram exatamente o que era para ver. O varal está mesmo igual. E que conclusão podemos tirar disso?”, perguntei. Uma delas disse: “Já sei! As roupas não vão sozinhas para o guarda roupa, né?” Bingo!!! Agora era preciso outras lições. Mas reforçar também este aprendizado, não com falação, mas com vida. Pois aprender não é assim tão instantâneo. Em pouco tempo, lá estavam as roupas de novo esquecidas no varal. Chamei-as até a lavanderia e comecei a cantar parabéns pedindo-lhes ajuda. “Mas afinal, para quem é o parabéns?”, perguntaram. Respondi: “Para as roupas no varal. Hoje elas completam uma semana aí.” Rimos e o recado estava dado. Cometa algumas loucuras. Tão bom! E bem mais eficientes que o blá blá bla.

20 de abr. de 2016

179. INGREDIENTES PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

A criança se desenvolve através de aprendizagens. E, na maioria das situações ela precisa vivenciar para aprender, e quanto mais sentidos estiverem envolvidos melhor. Assim, a criança precisa ter oportunidade, interagir com o  que vai aprender e ter motivação para manter a aprendizagem. Por exemplo: Você pode dizer à criança a definição de vulcão. Ela está tendo a chance de aprender pela via da audição e de modo bem abstrato, o que para ela é ainda bem difícil. Mas, se você estiver ao pé de um vulcão e definí-lo, mais sentidos estarão envolvidos, a definição fica mais concreta e palpável e ela terá mais chances de aprender. O cérebro agradece. Se ainda for a algum museu de ciências, destes que podem interagir, e tiver a explicação sobre o vulcão, mais sentidos e mais áreas cerebrais serão ativadas. E se fizer ainda com a criança uma maquete de vulcão e colocá-lo para funcionar, mais complexa e prazerosa será a aprendizagem, e com ela o desenvolvimeto. Isto vale para todas as aprendizagens. Sentir na pele, como dizemos, é o melhor jeito de aprender. Claro, sei que é difícil criar tantas oportunidades assim. Nós vivemos com nossas filhas cada um destes passos. Aproveitamos férias e viagens para ajuda-las a identificar no concreto o que aprendiam na escola e na vida. Claro que o vulcão é um dos exemplos. Mas, testei e aprovei que explorar aprendizagens potencializam o desenvolvimento integral dos filhos. Oportunidade, interação e motivação são os ingredientes principais para aprendizagens e desenvolvimentos. Que tal criar interessantes receitas?

6 de abr. de 2016

178. 3 DICAS PARA MELHOR ENTENDER E AJUDAR O SEU FILHO.

1. Tudo o que aprendemos vamos representando na memória. Se digo “árvore” observe como o seu cérebro identifica a palavra, traz imagens e lhe possibilita a ter acesso a vários conhecimentos e lembranças sobre árvores que você construiu a partir da sua experiência. O mesmo ocorre com o seu filho, e por isso o que está representado em você, não está nele e nem em mais ninguém, pois cada um tem a sua experiência e o modo como representa e organiza na memória. 
2. Interagimos com o mundo a partir destas representações mentais que construímos. Logo, quanto mais conhecimentos bem representados, mais a criança poderá perceber do mundo, abrindo-se a novas possibilidades de aprendizagens e desenvolvimentos. 
3. De certa forma, só percebemos o que já conhecemos. Conto um episódio para ilustrar. Umas crianças de educação infantil aprendiam sobre os insetos. No intervalo, foram ao pátio brincar, mas logo voltaram à professora em alvoroço. Estavam surpresas como o estudo havia feito o pátio ficar repleto de insetos. Claro que sabemos que os insetos já estavam lá. O que aconteceu é que ao dar início a construção das representações sobre os insetos, a percepção das crianças mudou. E elas viram o que antes lhes era desapercebido. 
Então, como podemos ajudar? Lembrar que nossas representações são diferentes das da criança. Atentar-se as suas descobertas, as suas representações, não dizer qualquer bobagem, mas ajudá-las a conhecer, perceber e construir correta e organizadamente o mundo, os outros e a si mesmo.

30 de mar. de 2016

177. A LINGUAGEM MUDA O MUNDO INTERNO DA CRIANÇA.

A linguagem tem como função básica a comunicação entre os membros de uma mesma espécie. Na nossa, o choro é o primeiro ato de comunicação e logo vai ganhando novas formas. Mas há ainda uma função ligada ao pensamento. A linguagem possibilita a representação mental do mundo e é fundamental para a construção, estruturação e organização do pensamento. Ao nomear algo ou alguém, como “mamãe, cadeira, cachorro”, a criança está realizando um ato de classificação. Ao dizer “cadeira” ela está a colocando numa classe de objetos do mundo, na categoria cadeira, o que também implica saber distinguir esta categoria de todas as outras. E assim a criança vai representando o mundo, dando-lhe lógica e o organizando de forma simbólica, isto é, colocando o mundo para dentro de si e pensando sobre ele. Isto gera uma mudança cerebral incrível e a criança começa a desenvolver a cognição rapidamente. Se estimúlo o meu filho a falar “au au” para todo e qualquer animal, o seu mundo interno ficará limitado e o externo por consequinte. Se converso com a criança sem explorar novos conhecimentos e vocabulários, também. O que fazer? Deixe a criança se comunicar o máximo possível, mas com limites. Saber escutar muito ensina. Estimule-a a contar sobre o seu dia, fazer as suas perguntas, desenvolver a linguagem em todos os seus modos. Ajude-a a ganhar vocabulário, a corrigí-lo e a organizar o pensamento. Leia com ela, para ela, deixe-a “ler” para você. E prepare-se para assistir e participar de grandes desenvolvimentos.

17 de mar. de 2016

176. ADOLESCENTE AOS 3?

Tem filho de 3, 4 ou 5 anos? Por um acaso, de repente, ele está parecendo um mini adolescente? Quer fazer tudo sozinho? Acha-se bem independente? Virou do contra? Coloca o dedo em riste e quer dar ordens? Maravilha! Seu filho está passando por uma importante fase de desenvolvimento. Explico.

Segundo Henri Wallon, que tem uma teoria psicogenética bem interessante, a criança nesta fase passa por três momentos. O primeiro é a negação. Ou seja, ela nega tudo o que dizemos e fazemos. Nada tão pessoal. Apenas para expulsar o outro de dentro de si, dar inicio a sua pessoa consciente e esboçar a sua personalidade. (Atenção! Fase bem perigosa para perdermos o rumo.) Mas, expulsar o outro tem também o seu preço. O medo de perdê-lo faz com que a criança apele para a sedução. E seduz. E se torna narcisista, exibicionista e sai em busca de aplausos. E finalmente, a imitação. Em que especialmente pelos jogos de faz de conta, ela internaliza o outro e os papéis sociais. Brinca que é professora, que é mãe, piloto etc. Ao viver o outro ela passa a defini-lo melhor, bem como a si mesma. E o que fazer? Primeiro paciência. Depois, limites bem claros. Deixe ele se opor um pouco e chega. Cuide com as seduções e os exibicionismos. Ambos fazem parte do desenvolvimento, mas em excesso desandam a massa. E não limitem seus filhos ao tablet. Tais vivências vividas são importantíssimas! Propicie baús de fantasias, muitas brincadeiras de imitação enquanto deixa BEM claro os papéis de cada um na casa. Ajude o seu filho a ter bela personalidade.

Neste rápido video, observe a negação pelo grito e logo em seguida a sedução.


3 de mar. de 2016

175. OS PRIMEIROS ANOS DE VIDA SÃO QUASE TUDO!

Creio que nunca mais vamos conseguir aprender tanto como nos dois primeiros anos de vida. Passamos de um ser altamente dependente e quase inerte para um ser, que se tiver espaço, consegue até mandar em toda a família. Em apenas dois anos! Realmente, a capacidade de aprendizagem nesta fase é inimaginável e maravilhosa! E há que ser bem aproveitada. A princípio o bebê fica deitado, e ainda nem enxerga direito. Mas logo, começa a ganhar mais movimentos, a coordená-los, a explorar o que está a sua volta. Começa a aprender das emoções e de como interagir com o meio social para ter suas necessidades alcançadas. Logo senta, e seu mundo ganha nova perspectiva. Quantas coisas a explorar. E logo engatinham e começam a construir o mundo e suas relações. Jogam o bola e ela rola. Jogam o copo e ele quebra. Batem a cabeça na mesa e percebem que dói e machuca. E andam. E o mundo se abre em possibilidades. E logo correm e viram ótimos personal trainers, fazendo-nos correr atrás. Afinal, falta-lhes vivências. Nem imaginam o perigo que correm, por isso estamos nós ali a ensiná-los. E começam a falar e rapidamente ampliam o vocabulário. Quanta aprendizagem! E quantas há por vir. Mas uma dica é importante. O cérebro humano é capaz de aprender em qualquer idade. Mas as experiências dos primeiros anos de vida afetam a arquitetura cerebral e o modo como ele é colocado em ação. Experiências positivas e felizes constroem uma arquitetura forte para o aprendizado, o comportamento e a saúde. Invista na boa base.

16 de dez. de 2015

173. EU QUERIA SER CRIANÇA PARA SEMPRE.


“Eu queria ser criança para sempre” foi uma das frases da menina de sete anos.  Claro que eu fui investigar o porquê. Acho uma delícia entrar no mundo da criança. É tão mais lógico, simples e surpreendente! Logo vi, que era menina como eu fui. Gostava de brincar. E queria ser sempre criança para poder brincar para sempre. Este era o seu desejo. E só se deseja o que se conhece? Talvez. E ela conhecia: brincava e sabia o que era brincar. Nossa conversa foi entrecortada por piruetas, mergulhos na piscina, corrida atrás da bola, penteados diferentes em mim enfim, uma conversa brincante. Mas continuei nosso rico diálogo enquanto dava um tapa na bola que não podia tocar o solo. “Adulto não pode brincar?”, perguntei. Ficou confusa. E então seguimos nossa conversa enquanto ela ia descobrindo que tinha tios, conhecidos e professores que sabiam ser crianças para sempre.
Infelizmente, esta menina é minoria. A maioria das crianças com esta idade já estão ocupadas com coisas de mocinha. Batom, esmalte, chapinha, até depilação eu já vi! O que é uma pena, pois para manter a criança viva é preciso primeiro ser criança. E a infância... a infância... passou.

6 de nov. de 2015

170. MEU AVÔ VIROU BEBÊ!


Ouvi isto de uma criança de 6 anos: “Meu avô virou bebê!” Claro que continuei a conversa para saber o porquê ela assim pensava. “Ele usa fraldas e tem babá!”, explicou rapidamente e com certo desdém. Logo nos vi num ciclo de vida e associei a duas lembranças. Uma delas foi um vídeo que circulou pelas redes sociais (clique no link abaixo) que mostra as fases deste ciclo com os seus surpreendentes desafios. E a outra, foi mais recente. O relato da italiana Maddalena Todeschi, um dos nomes de referência da educação infantil de Reggio Emilia, cidade que é referência mundial em educação infantil. Contou-nos de vários projetos, mas irei focar num pedacinho de um. As crianças de 4-5 anos junto com professores e também com eventuais participações dos pais, pesquisavam, interagiam, construíam o conhecimento sobre o ciclo da vida. Como parte do projeto, colocou-se um vaso com uma planta para as crianças observarem, questionarem, registrarem as suas construções, entre tantas discussões sensacionais entre elas e o mediador. Interessante que as folhas caídas ali ficavam. Nada de vassoura nelas! Pois, ilustrava uma das fases da vida. Isso queriam ensinar às crianças. “Cada um, no momento que está vivendo, tem a sua beleza. É uma responsabilidade ética ensinar isso a elas.”, diz Maddalena. Afinal, se a planta declara seu ciclo vital, nós humanos também. Importante ajudar a criança a perceber que há fases, há ciclos e há beleza em cada uma delas. Inclusive nas folhas caídas e no avô que virou bebê. Este conseguiu viver o ciclo da vida. Bravo!


14 de out. de 2015

168. INFANTILIZAÇÃO EXAGERADA



Uma das maiores reclamações das corporações é a infantilidade de seus colaboradores. E é verdade, basta observar. E é duro dizer isso, mas isto é consequência da educação que estes jovens ou adultos receberam ou ainda recebem. Nós, pais, tendemos a proteger os filhos em exagero. E fazemos de tudo por eles acreditando ser este o melhor a fazer. Mas, sem perceber, estamos desprotegendo-os, infantilizando-os e os criando para um mundo irreal. Contava-me uma amiga advogada que tem uma estagiária de 23 anos que é descompromissada, falta muito, não tem responsabilidade, pro-atividade e há que se rever tudo o que ela faz. Perguntei-a: “Mas por que a contrataram?” Respondeu: “Era a melhor das candidatas.” Mas o que me deixou mais impressionada foi o fato da mãe da estagiária ligar para a chefe da filha avisando e justificando as suas faltas. Uma mulher de 23 anos já deveria estar assumindo a própria vida, não? Mas para isto é preciso começar desde cedo, pois tal desenvolvimento é processual. Arrumar os brinquedos, organizar as suas coisas, fazer a própria mochila da escola, cuidar de suas tarefas, colaborar com as coisas da casa, fazer o seu prato, assumir os seus atos... tudo isso colabora para que a criança vá percebendo que tem responsabilidade sobre a própria vida. Às vezes dá a maior pena dos filhos, mas percebi na experiência que para bem educar é preciso muitas vezes “tirar” o coração da linha de frente. Pois se poupar o filho terá um adulto infantilizado. E isto não é nada saudável, além de ser ruim para ele, para você e para a sociedade. 

2 de out. de 2015

167. PARA CAMILA EM SEU TÚNEL DO TEMPO


Há 19 anos, no dia 1º de Outubro eu estava inquieta. Deitei-me num banco ao ar livre com uma imensa barriga e fiquei a olhar a lua que estava cheia como nunca vi igual. Na manhã seguinte, dia 2, a caminho da hidroginástica notei que a bolsa havia estourado. Era você querendo nascer e logo seus olhos azuis estavam a me fitar. E nestes 19 anos quanta história boa de contar! Você parece ter nascido arteira, moleca, independente, criativa, engraçada, justa, carinhosa, beijoqueira e com personalidade forte. Ficava horas concentrada com seus brinquedos e atividades desafiando as pesquisas sobre a primeira infância. Aos 3 meses tomou o primeiro banho de mar com grande alegria. Aos 9 meses disse: “Mamã”. Ufa! Aos 10 meses deu os primeiros passos e arrastava cadeiras por todos os lugares. Com um ano entrou na escola e se virava muito bem apesar dos colegas serem um ano mais velhos. Em seu primeiro ano amava puxar o rolo de papel higiênico e sair por toda a casa. E quando me via, e sabendo estar errada, pegava a pontinha do papel e assoava o nariz. Que figurinha!  Aos 2 anos, pedi que chamasse o elevador para adiantar. Foi até ele e gritou: “Elevadorrrr!!!” Lição preciosa a mim. Na mesma época pulou na piscina funda argumentando que sabia nadar. Afundou, engoliu água, tentou sair até que a resgatei. Arregalou os olhos, cuspiu parte da água engolida e me disse: “Não falei que eu sabia nadar!” Ai ai! Logo começou a contar mais do que dez e percebeu algo fantástico. “Dez e seis, dez e sete, dez e oito, dez e nove, dez e dez!” Viva a lógica infantil! Aos 3 anos inventou uma mãe. Maria Chiquinha deixava comer doces a toda hora, dormir a qualquer hora e fazer tudo o que eu não deixava. Um dia, desafiando-me disse que preferia morar com ela. Eu já estava cansada e enciumada desta mãe. Pedi que arrumasse suas coisas, pegamos o carro e você foi me orientando. Rodamos, rodamos, rodamos até que me pediu para parar e disse: “Mãe, a Maria Chiquinha engoliu uma espinha de peixe e morreu. Vamos voltar prá casa?” Aos 4, ao sair para o trabalho você me chamou e disse: “Mãe, não se deslembra que eu te amo, viu?” Aos 5, disse-me: “Mãe, você pode me disciplinar, mas eu não concordo, porque você não está respeitando as diferenças.” Pode? Com a mesma idade já amarrava seus sapatos, comia e tomava banho sozinha, andava de bicicleta sem rodinhas e aprendeu a ler e a escrever, mas sempre gostou de objetividade. Lembro de uma história que deveria ser escrita em 20 linhas. Deu seu jeito. Na primeira linha colocou o príncipe e a princesa se encontrando, casando, tendo filhos e nas demais 19 linhas escreveu um prolongado viveram felizes para sempre. Aos 6, simularam uma votação na escola para presidente, pois o país vivia esta escolha. Indagou-me: “Por que não conheço os candidatos?” E eu retruquei: “Não os conhece?” Você citou o nome de todos, mas disse que não conhecia a proposta e que o voto deveria ser consciente. Que maravilha! Aos 7, chegando na escola para buscá-la recebi os parabéns de uma mãe. Logo descobri que você havia ganho uma olimpíada de Matemática e eu nem sabia que você havia se inscrito. Esta é você. Faz as coisas para si, para o seu prazer e desenvolvimento e não para se autopromover ou receber elogios.  Como me ensina! Aos 8 voltou da escola indignada com uma injustiça feita a um colega. Lutou bravamente por ele. Aos 9 fez biscoitos e os vendou pelo prédio para pagar um picolé que havia comprado fiado. E entrou no time de futebol, mesmo sendo a única menina. Aos 10, empenhou-se firmemente nas artes e por um bom tempo se dedicou a ela. Aos 11 passou o aniversário internada sem perder o brilho e sem se lamentar. Aos 12 concluiu que o par ou ímpar não tinham as mesmas chances, e que pedir par era vantajoso, pois ímpar com ímpar dá par, par com par dá par e apenas par com ímpar dá ímpar. Bonito vê-la questionando o que lhe era apresentado como verdade. Aos 13 ganhou troféu por estar entre as melhores alunas da escola. Aos 14 fez uma linda apresentação teatral, mesmo não ganhando o papel que queria. Aos 15 foi para o Canadá e lá brilhou. E a pedidos da coordenação do programa ficou por mais 6 meses. Aos 17 passou na faculdade e foi morar sozinha, assumindo todas as tarefas. Aos 18 tirou carta, trabalha, estuda, namora, faz atividades físicas. Bravo! Aqui estão alguns flashes de sua vida apenas para dizer: Que orgulho de você! Chorou, sorriu, amou, errou, acertou, brincou, machucou-se, mostrando em tudo o que fez e faz a sua maturidade, cuidado, afeto, inteligência, compromisso, dedicação, determinação, justiça, autonomia, responsabilidade e muita sabedoria. Sou sua fã, Camila. Parabéns pela vida tão linda que tem construído. Muito feliz pelos frutos que temos colhido. Continue lindamente a sua história.
Com imenso amor,

24 de set. de 2015

165. UNINDO O ÚTIL AO AGRADÁVEL.


Fui procurada por Michele Pergher, que me contou de um projeto bem interessante e pedi que nos contasse sobre ele.
Após um período de 6 anos na Austrália, Michele e Everson Pergher decidiram voltar ao Brasil trazendo uma proposta inovadora e diferenciada. Tornaram-se máster franqueados da Little Kickers no Brasil que possui um programa de futebol e inglês especificamente desenvolvido para meninos e meninas de 1 ano e meio a 7 anos. As turmas são divididas por idades respeitando o desenvolvimento motor e cognitivo das crianças e utiliza os estilos de aprendizagem - Visual, Áudio e Cinestésico (VAC), os quais já discutimos aqui no blog como essenciais à aprendizagem. O Littke Kickers teve sua origem no Reino Unido em 2002, mas já ganhou o mundo. No Brasil iniciou em 2014 em Porto Alegre em escolas particulares e em duas sedes e já estão fazendo a sua história com mais de 450 alunos em menos de um ano e meio de operação. "Agora estamos em contato com possíveis investidores no Rio de Janeiro, Florianópolis e São Paulo", conta Everson, com plano de expansão para todo o Brasil.
Não estou ganhando para divulgar o projeto, mas aqui estou pois gostei da forma como fui abordada, por acreditar na solidariedade e por achar o projeto criativo e bom desenvolvedor de habilidades e competências. No mundo atual, onde as crianças estão cada vez mais sedentárias, isoladas em seus mundos virtuais e precisando aprender o inglês para dar conta do mundo globalizado, tal projeto vale a pena ser considerado. É realmente "Muito mais que Futebol e Inglês" e sabe unir o útil ao agradável.
Para mais informações acesse o site www.lkfc.com.br ou a página do facebook: www.facebook.com/lkfcbrasil 
Sucesso a vocês!

8 de jul. de 2015

155: QUANDO A CRIANÇA COMEÇA A SE ALFABETIZAR?


Assim que a criança nasce, ela já começa a ser alfabetizada e letrada. Em um processo bem longo e repleto de fases, começa a entender que há uma escrita, como ela funciona e para que ela serve. Quanto mais estímulo tiver, melhor será a sua evolução. E estimular não quer dizer comprar vários livros e cadernos. Conto uma breve história. Conheço uma manicure que lê o tempo todo. E sempre conta com empolgação o livro da vez. Um dia comentou que o programa preferido da filha de 7 anos era ir ao shopping. A cliente ao lado fez algum comentário, do tipo: “Obvio! Qual garota não gosta?” Mas a mãe manicure continuou: “Ela gosta das livrarias! E precisa ver a felicidade dela quando compra um livro. Não vê a hora de chegar em casa para lê-lo!” A cliente então espantou-se: “Nossa! O meu filho da mesma idade odeia ler! E olha que eu compro um monte de livros maravilhosos para ele!” E a manicure fez a pergunta crua, quase cruel: “Mas a senhora gosta de ler?” E ela respondeu: “Eu odeio! Mas compro um monte de livro prá ele.” Será que adianta? No vídeo abaixo, vê-se uma pequena criança “lendo”. É uma pseudoleitura, mas que já mostra muito da construção da alfabetização. Mas como ela sabe que o livro tem algo a dizer e que dá para ler? Não sabemos o que ela sabe exatamente, mas podemos dizer que ela está vivendo o processo da alfabetização. E posso garantir que seus pais lêem, que ela os observa lendo, que eles contam histórias a ela, que ela tem livros e que é bem estimulada. Atente-se: A alfabetização começa em casa e não na escola. Inspire-se nesta fofa.


1 de jul. de 2015

154: SEU FILHO TAMBÉM É MOVIDO A DESAFIOS.


O ser humano é movido a desafios. E o seu filho também. Quer ver? Observe se já não viveu esta cena. Uma criança pequena tenta subir no sofá, que para ela é um enorme desafio. Nesta tentativa, sempre aparece um adulto que resolve o problema, carrega-a e a coloca em cima do sofá, não é? Mas o que acontece? A criança desce imediatamente e começa tudo de novo. Pode parecer bobagem, mas esse desafio de subir no sofá diz de muitos desenvolvimentos motores, psíquicos, cognitivos e que além de serem úteis agora, serão base importante para futuras aprendizagens bem mais complexas. Mas, se desde pequena dizemos à criança que ela não consegue, ou nos adiantamos fazendo em seu lugar, ou ainda a acostumamos a conseguir as coisas fáceis, estaremos proporcionando a formação de uma possível criança insegura, passiva, sem curiosidade a novas descobertas e com limitados conhecimentos.
Assim, deixe seu filho desafiar-se e aceitar desafios para conquista-los. Fique de olho sim e sempre atento, afinal há riscos. Mas não exagere e nem subestime o seu filho. Com riscos calculados, deixe-o viver, desafiar-se, aprender e desenvolver. Sempre.
Assista aos dois vídeos e inspire-se.



ps: Nesse mes de férias usarei vídeos de crianças que circulam pela internet para a nossa reflexão e melhoria de ação.

26 de jun. de 2015

153: PAIS E FILHOS: ASSISTAM E SE INSPIREM.


Território do brincar é um longa, no mínimo, poético, dirigido por David Reeks e Renata Meirelles. Trata do brincar infantil em diferentes regiões e realidades do Brasil. O longa conseguiu me colocar dentro da tela, arrepiou os meus vários sentidos, me fez sentir, deliciar-me e fomentar reflexões. O modo como as crianças brincam no filme dizem da escola dos meus sonhos. Na realidade delas, seja em dunas, mares, florestas, cidades, as crianças desenvolvem brinquedos e brincadeiras que trazem em si valiosos conhecimentos culturais e interdisciplinares. Aprendem e desenvolvem matemática, química, física, biologia, história, geografia, linguística, psicomotricidade, sociologia, cidadania, criatividade, imaginação na experiência. E nela já fazem os ajustes necessários enquanto, sem nem perceberem,  aprendem e se desenvolvem. Seria um sonho se a escola aproveitasse dessa experiência para ampliar o mundo das crianças. Interessante notar que as crianças com menos recursos desenvolvem bem mais habilidades e competências do que as crianças com mais recursos, que já trazem na maioria brinquedos prontos. E como subestimamos as crianças e atrapalhamos seus desenvolvimentos limitando suas brincadeiras em prol de uma organização de tempo e espaço, da super proteção, da facilidade tecnológica, do consumo exagerado de brinquedos entre outros, dificultando com que encontrem o brincar no dia a dia e se desenvolvam integralmente. Leve seu filho para assistir esse filme. Façam dele uma grande inspiração para as férias e para a vida.

17 de jun. de 2015

152. PARA GABI EM SEUS 21 ANOS.


Quando fiz 21 anos meu pai lançou-me um enigma como sempre gostava de fazer. E, como sempre, eu passava horas, dias ou até anos até sossegar com uma boa resposta. E nesse dia não foi diferente. Ele disse: “Parabéns, minha filha! Agora já é dona do seu nariz.” Fez uma pausa e continuou: “Mas lembre-se: não é dona dos buracos que nele há.” A expressão “ser dona do nariz” era-me familiar. Ser independente, livre, responsável por meus atos eu já vinha sendo ao morar sozinha, experiência muito importante à minha formação. Mas, o que significava não ser dona dos buracos do nariz? Já modifiquei alguns vezes essa resposta, mas hoje eu diria que ser dona de si não significa fazer o que se quer, nem quando, onde e por que se quer, pois há os buracos. Os buracos hoje simbolizam tudo o que não sou eu, mas que eu interajo de certa forma. Lembram-me que vivo no mundo, com o mundo e com os outros, e que devo ter uma contribuição responsável com os seres e ambientes, ciente de que esses “buracos” são também ocupados por outros. Que por eles coisas boas e ruins podem ser “respiradas” e por isso que é fundamental saber onde coloco o meu nariz. Mas que é graças ao que não me pertence, o buraco, que posso oxigenar, movimentar e dar vida à vida. Parabéns, minha filha! Há 21 anos vivo a delícia de ser mãe e de tê-la como filha. É um encanto e um presente participar e notar o quão brilhantemente constrói a sua vida e o seu ser com tanta consciência de seu nariz com seus buracos. Viva! Bravo!

26 de mai. de 2015

149. PEDIDO RAPIDAMENTE CUMPRIDO.


Esta história não fui eu quem escrevi, mas adoraria que tivesse sido. Tampouco sei quem a escreveu. Mas achei que faz muito sentido e nos coloca em boa reflexão.

“Um dia, minha mãe e eu conversávamos sobre a vida e a morte e eu lhe disse:
- Mãe, se um dia eu estiver num estado vegetativo, em que minha vida dependa unicamente de aparelhos, desligue, por favor, as máquinas que me mantêm artificialmente em vida! EU PREFIRO MORRER!!!
Então eu vi minha mãe se levantar, me olhando cheia de admiração... E puxando decididamente os fios, ela desligou: a tv,
o dvd,
o cabo de internet,
o computador,
o MP3/4,
o playstation,
o wifi,
o fixo...
E ainda me arrancou:
o celular,
o tablet,
o Ipod.
EU QUASE MORRI!"

Para bom entendedor... uma história basta.

12 de mai. de 2015

146. AMO QUANDO A CRIANÇA ME DÁ UM NÓ!

Sistema ósseo: estrutura para o que viria.

Assisti com uma criança um vídeo lindo da BBC tendo como fundo a música “What a wonderful world”. A letra, falada em poesia, era ilustrada por maravilhosas imagens da natureza. Plantas, animais, rios, mares, sóis e luas movimentavam-se em versos a encantar nossos sentidos. E eis que a criança suspira e diz: “Como eu amo a natureza!” E é mesmo incrível notar como a criança é extremamente sensível à natureza e a tudo o que a atinge. O que nos ajuda a educá-la para continuar amando e não cair na armadilha “da força da grana que ergue e destrói coisas belas” (Caetano Veloso). Biofilia é o que a criança tem de sobra e que falta a tantos adultos. A palavra tem origem grega. Bio significa vida. Philia, amor. Ou seja, amor à vida, instinto de preservação seja lá ao que for. Há vários anos, estudava com alunos de 8-9 anos os sistemas do corpo humano. Para deixar mais concreto sugeri que abríssemos um mamífero, mais especificamente, um rato. Afinal somos todos parecidos por dentro. A crianças ficaram  indignadas e horrorizadas comigo. Mas, gostaram da proposta e sugeriram abrirmos outro mamífero: um indigente já morto. Minha cabeça deu um nó por um bom tempo. “Preferir abrir um homem a um rato?!”, pensava. Então lembrei-me da biofilia, voltei ao olhar da infância e notei vários condicionamentos culturais construídos em mim. Afinal, só queriam trocar um vivo por um morto! Fazia sentido. Mas não abrimos nem homem, nem rato. Encontrei outras formas também eficientes. E novamente estava eu aprendendo e crescendo com as crianças.

26 de abr. de 2015

145. JÁ SEI NAMORAR!



A mãe de Júlia de 7 anos estava preocupada com o rápido desenvolvimento da filha no quesito sexualidade. A menina era provocadora, já sabia fazer caras e bocas, não saia do facebook, já usava maquiagem e dizia ter namorados. A mãe chama-a para uma conversa. Feito adolescente, Júlia vem se arrastando com cara de “Que saco!” A mãe diz: “Vamos conversar desses namorados.” Júlia responde: “Você quer que eu te ensine a namorar!?” Infelizmente, conheço algumas Júlias. Digo “infelizmente”, pois sou totalmente a favor da criança viver a tão passageira infância. Mas também conheço muitos pais de Júlias. Observemos ao redor e pensemos sobre. Já repararam como os adultos adoram perguntar às crianças se elas já têm namorado? Pra que? Se as Júlias usam maquiagem, quem as comprou? Com quem aprenderam a provocar? Será mesmo necessário ter um smartphone aos 7? E porque não saem das redes sociais? Não estaremos nós também fixados nelas? O que tenho proporcionado nos tempos livres da criança? Tantas outras perguntas poderíamos nos fazer. Mas, o mais importante é lembrar que tudo, TUDO o que a criança faz ela aprendeu. E é essa a minha provocação do dia: O que tem sido proporcionado à criança para aprender e desenvolver? Então, alguém pode reclamar: “Mas todas as crianças hoje usam maquiagem, tem celulares, namoram! Vou criar um estranho no ninho?” Eu respondo: “Não seria esse ninho estranho? Todo mundo igual?”
Queridos pais de Júlias, deixemo-nas serem crianças.