O cérebro é um órgão incrível. Uma de suas características é que não
gosta de mesmice. E convenhamos que o blá blá blá é mesmice e chatice para
todos. Conto-lhes uma história. Minhas filhas tinham 10 e 12 anos e eu estava
cansada de “blá blá blar” sobre as colaborações em casa, que sempre achamos
importante tanto para aprenderem a fazer, como para desenvolverem autonomias e
responsabilidades e se sentirem parte importante da família. Assim, abandonei a
falação e dei início as aulas de percepção. Conto uma delas. Levei-as ao varal
repleto de roupas e perguntei o que viam. Descreveram. Pronto! Final da aula do
dia. Estranharam, mas já me conheciam. No dia seguinte, voltamos ao varal e fizemos
o mesmo. No outro dia, já acharam graça, mas se inquietaram. “Mãe, está tudo
igual! O que é para a gente ver?”, disseram. “Vocês viram exatamente o que era
para ver. O varal está mesmo igual. E que conclusão podemos tirar disso?”, perguntei.
Uma delas disse: “Já sei! As roupas não vão sozinhas para o guarda roupa, né?”
Bingo!!! Agora era preciso outras lições. Mas reforçar também este aprendizado,
não com falação, mas com vida. Pois aprender não é assim tão instantâneo. Em
pouco tempo, lá estavam as roupas de novo esquecidas no varal. Chamei-as até a
lavanderia e comecei a cantar parabéns pedindo-lhes ajuda. “Mas afinal, para
quem é o parabéns?”, perguntaram. Respondi: “Para as roupas no varal. Hoje elas
completam uma semana aí.” Rimos e o recado estava dado. Cometa algumas
loucuras. Tão bom! E bem mais eficientes que o blá blá bla.Este BLOG serve a quem quer refletir, conhecer e agir na EDUCAÇÃO de filhos, alunos, colaboradores.
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4 de mai. de 2016
180. O BLÁ BLÁ BLÁ NÃO FUNCIONA.
O cérebro é um órgão incrível. Uma de suas características é que não
gosta de mesmice. E convenhamos que o blá blá blá é mesmice e chatice para
todos. Conto-lhes uma história. Minhas filhas tinham 10 e 12 anos e eu estava
cansada de “blá blá blar” sobre as colaborações em casa, que sempre achamos
importante tanto para aprenderem a fazer, como para desenvolverem autonomias e
responsabilidades e se sentirem parte importante da família. Assim, abandonei a
falação e dei início as aulas de percepção. Conto uma delas. Levei-as ao varal
repleto de roupas e perguntei o que viam. Descreveram. Pronto! Final da aula do
dia. Estranharam, mas já me conheciam. No dia seguinte, voltamos ao varal e fizemos
o mesmo. No outro dia, já acharam graça, mas se inquietaram. “Mãe, está tudo
igual! O que é para a gente ver?”, disseram. “Vocês viram exatamente o que era
para ver. O varal está mesmo igual. E que conclusão podemos tirar disso?”, perguntei.
Uma delas disse: “Já sei! As roupas não vão sozinhas para o guarda roupa, né?”
Bingo!!! Agora era preciso outras lições. Mas reforçar também este aprendizado,
não com falação, mas com vida. Pois aprender não é assim tão instantâneo. Em
pouco tempo, lá estavam as roupas de novo esquecidas no varal. Chamei-as até a
lavanderia e comecei a cantar parabéns pedindo-lhes ajuda. “Mas afinal, para
quem é o parabéns?”, perguntaram. Respondi: “Para as roupas no varal. Hoje elas
completam uma semana aí.” Rimos e o recado estava dado. Cometa algumas
loucuras. Tão bom! E bem mais eficientes que o blá blá bla.20 de abr. de 2016
179. INGREDIENTES PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
A criança se desenvolve através
de aprendizagens. E, na maioria das situações ela precisa vivenciar para
aprender, e quanto mais sentidos estiverem envolvidos melhor. Assim, a criança
precisa ter oportunidade, interagir com o que vai aprender e ter motivação para manter a aprendizagem. Por exemplo: Você pode dizer
à criança a definição de vulcão. Ela está tendo a chance de aprender pela via
da audição e de modo bem abstrato, o que para ela é ainda bem difícil. Mas, se
você estiver ao pé de um vulcão e definí-lo, mais sentidos estarão envolvidos,
a definição fica mais concreta e palpável e ela terá mais chances de aprender. O
cérebro agradece. Se ainda for a algum museu de ciências, destes que podem
interagir, e tiver a explicação sobre o vulcão, mais sentidos e mais áreas
cerebrais serão ativadas. E se fizer ainda com a criança uma maquete de vulcão
e colocá-lo para funcionar, mais complexa e prazerosa será a aprendizagem, e
com ela o desenvolvimeto. Isto vale para todas as aprendizagens. Sentir na
pele, como dizemos, é o melhor jeito de aprender. Claro, sei que é difícil criar
tantas oportunidades assim. Nós vivemos com nossas filhas cada um destes
passos. Aproveitamos férias e viagens para ajuda-las a identificar no concreto
o que aprendiam na escola e na vida. Claro que o vulcão é um dos exemplos. Mas,
testei e aprovei que explorar aprendizagens potencializam o desenvolvimento
integral dos filhos. Oportunidade, interação e motivação são os ingredientes
principais para aprendizagens e desenvolvimentos. Que tal criar interessantes
receitas?
6 de abr. de 2016
178. 3 DICAS PARA MELHOR ENTENDER E AJUDAR O SEU FILHO.
1. Tudo o que aprendemos vamos representando na memória. Se digo
“árvore” observe como o seu cérebro identifica a palavra, traz imagens e lhe
possibilita a ter acesso a vários conhecimentos e lembranças sobre árvores que
você construiu a partir da sua experiência. O mesmo ocorre com o seu filho, e
por isso o que está representado em você, não está nele e nem em mais ninguém,
pois cada um tem a sua experiência e o modo como representa e organiza na
memória.
2. Interagimos com o mundo a partir destas representações mentais que
construímos. Logo, quanto mais conhecimentos bem representados, mais a criança
poderá perceber do mundo, abrindo-se a novas possibilidades de aprendizagens e
desenvolvimentos.
3. De certa forma, só percebemos o que já conhecemos. Conto
um episódio para ilustrar. Umas crianças de educação infantil aprendiam sobre
os insetos. No intervalo, foram ao pátio brincar, mas logo voltaram à
professora em alvoroço. Estavam surpresas como o estudo havia feito o pátio ficar
repleto de insetos. Claro que sabemos que os insetos já estavam lá. O que
aconteceu é que ao dar início a construção das representações sobre os insetos,
a percepção das crianças mudou. E elas viram o que antes lhes era
desapercebido.
Então, como podemos ajudar? Lembrar que nossas representações
são diferentes das da criança. Atentar-se as suas descobertas, as suas
representações, não dizer qualquer bobagem, mas ajudá-las a conhecer, perceber
e construir correta e organizadamente o mundo, os outros e a si mesmo.
30 de mar. de 2016
177. A LINGUAGEM MUDA O MUNDO INTERNO DA CRIANÇA.
A linguagem tem como função básica a comunicação entre os membros de
uma mesma espécie. Na nossa, o choro é o primeiro ato de comunicação e logo vai
ganhando novas formas. Mas há ainda uma função ligada ao pensamento. A
linguagem possibilita a representação mental do mundo e é fundamental para a
construção, estruturação e organização do pensamento. Ao nomear algo ou alguém,
como “mamãe, cadeira, cachorro”, a criança está realizando um ato de
classificação. Ao dizer “cadeira” ela está a colocando numa classe de objetos
do mundo, na categoria cadeira, o que também implica saber distinguir esta
categoria de todas as outras. E assim a criança vai representando o mundo,
dando-lhe lógica e o organizando de forma simbólica, isto é, colocando o mundo
para dentro de si e pensando sobre ele. Isto gera uma mudança cerebral incrível
e a criança começa a desenvolver a cognição rapidamente. Se estimúlo o meu
filho a falar “au au” para todo e qualquer animal, o seu mundo interno ficará
limitado e o externo por consequinte. Se converso com a criança sem explorar
novos conhecimentos e vocabulários, também. O que fazer? Deixe a criança se
comunicar o máximo possível, mas com limites. Saber escutar muito ensina.
Estimule-a a contar sobre o seu dia, fazer as suas perguntas, desenvolver a
linguagem em todos os seus modos. Ajude-a a ganhar vocabulário, a corrigí-lo e
a organizar o pensamento. Leia com ela, para ela, deixe-a “ler” para você. E
prepare-se para assistir e participar de grandes desenvolvimentos.
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17 de mar. de 2016
176. ADOLESCENTE AOS 3?
Tem filho de 3, 4 ou 5 anos? Por um acaso, de repente, ele está
parecendo um mini adolescente? Quer fazer tudo sozinho? Acha-se bem
independente? Virou do contra? Coloca o dedo em riste e quer dar ordens? Maravilha!
Seu filho está passando por uma importante fase de desenvolvimento. Explico.
Segundo Henri Wallon, que tem uma teoria psicogenética bem
interessante, a criança nesta fase passa por três momentos. O primeiro é a negação. Ou seja, ela nega tudo o que
dizemos e fazemos. Nada tão pessoal. Apenas para expulsar o outro de dentro de
si, dar inicio a sua pessoa consciente e esboçar a sua personalidade. (Atenção!
Fase bem perigosa para perdermos o rumo.) Mas, expulsar o outro tem também o
seu preço. O medo de perdê-lo faz com que a criança apele para a sedução. E seduz. E se torna
narcisista, exibicionista e sai em busca de aplausos. E finalmente, a imitação. Em que especialmente pelos
jogos de faz de conta, ela internaliza o outro e os papéis sociais. Brinca que
é professora, que é mãe, piloto etc. Ao viver o outro ela passa a defini-lo
melhor, bem como a si mesma. E o que fazer? Primeiro paciência. Depois, limites
bem claros. Deixe ele se opor um pouco e chega. Cuide com as seduções e os
exibicionismos. Ambos fazem parte do desenvolvimento, mas em excesso desandam a
massa. E não limitem seus filhos ao tablet. Tais vivências vividas são
importantíssimas! Propicie baús de fantasias, muitas brincadeiras de imitação enquanto
deixa BEM claro os papéis de cada um na casa. Ajude o seu filho a ter bela
personalidade.
Neste rápido video, observe a negação pelo grito e logo em seguida a sedução.
3 de mar. de 2016
175. OS PRIMEIROS ANOS DE VIDA SÃO QUASE TUDO!
Creio que nunca mais vamos conseguir aprender tanto como nos dois
primeiros anos de vida. Passamos de um ser altamente dependente e quase inerte
para um ser, que se tiver espaço, consegue até mandar em toda a família. Em
apenas dois anos! Realmente, a capacidade de aprendizagem nesta fase é
inimaginável e maravilhosa! E há que ser bem aproveitada. A princípio o bebê
fica deitado, e ainda nem enxerga direito. Mas logo, começa a ganhar mais movimentos,
a coordená-los, a explorar o que está a sua volta. Começa a aprender das
emoções e de como interagir com o meio social para ter suas necessidades
alcançadas. Logo senta, e seu mundo ganha nova perspectiva. Quantas coisas a
explorar. E logo engatinham e começam a construir o mundo e suas relações.
Jogam o bola e ela rola. Jogam o copo e ele quebra. Batem a cabeça na mesa e
percebem que dói e machuca. E andam. E o mundo se abre em possibilidades. E
logo correm e viram ótimos personal trainers, fazendo-nos correr atrás. Afinal,
falta-lhes vivências. Nem imaginam o perigo que correm, por isso estamos nós
ali a ensiná-los. E começam a falar e rapidamente ampliam o vocabulário. Quanta
aprendizagem! E quantas há por vir. Mas uma dica é importante. O cérebro humano
é capaz de aprender em qualquer idade. Mas as experiências dos primeiros anos
de vida afetam a arquitetura cerebral e o modo como ele é colocado em ação.
Experiências positivas e felizes constroem uma arquitetura forte para o
aprendizado, o comportamento e a saúde. Invista na boa base.
16 de dez. de 2015
173. EU QUERIA SER CRIANÇA PARA SEMPRE.
“Eu queria ser criança para
sempre” foi uma das frases da menina de sete anos. Claro que eu fui investigar o porquê. Acho
uma delícia entrar no mundo da criança. É tão mais lógico, simples e surpreendente!
Logo vi, que era menina como eu fui. Gostava de brincar. E queria ser sempre
criança para poder brincar para sempre. Este era o seu desejo. E só se deseja o
que se conhece? Talvez. E ela conhecia: brincava e sabia o que era brincar. Nossa
conversa foi entrecortada por piruetas, mergulhos na piscina, corrida atrás da
bola, penteados diferentes em mim enfim, uma conversa brincante. Mas continuei nosso
rico diálogo enquanto dava um tapa na bola que não podia tocar o solo. “Adulto
não pode brincar?”, perguntei. Ficou confusa. E então seguimos nossa conversa
enquanto ela ia descobrindo que tinha tios, conhecidos e professores que sabiam
ser crianças para sempre.
Infelizmente, esta menina é minoria. A maioria das crianças com esta
idade já estão ocupadas com coisas de mocinha. Batom, esmalte, chapinha, até
depilação eu já vi! O que é uma pena, pois para manter a criança viva é preciso
primeiro ser criança. E a infância... a infância... passou.
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6 de nov. de 2015
170. MEU AVÔ VIROU BEBÊ!
Ouvi isto de uma criança de 6 anos: “Meu avô virou bebê!” Claro que
continuei a conversa para saber o porquê ela assim pensava. “Ele usa fraldas e
tem babá!”, explicou rapidamente e com certo desdém. Logo nos vi num ciclo de vida e associei a duas
lembranças. Uma delas foi um vídeo
que circulou pelas redes sociais (clique no link abaixo) que mostra as fases deste
ciclo com os seus surpreendentes desafios. E a outra, foi mais recente. O relato da italiana Maddalena Todeschi,
um dos nomes de referência da educação infantil de Reggio Emilia, cidade que é
referência mundial em educação infantil. Contou-nos de vários projetos, mas
irei focar num pedacinho de um. As crianças de 4-5 anos junto com professores e
também com eventuais participações dos pais, pesquisavam, interagiam,
construíam o conhecimento sobre o ciclo
da vida. Como parte do projeto, colocou-se um vaso com uma planta para as crianças
observarem, questionarem, registrarem as suas construções, entre tantas
discussões sensacionais entre elas e o mediador. Interessante que as folhas
caídas ali ficavam. Nada de vassoura nelas! Pois, ilustrava uma das fases da
vida. Isso queriam ensinar às crianças. “Cada um, no momento que está vivendo,
tem a sua beleza. É uma responsabilidade ética ensinar isso a elas.”, diz
Maddalena. Afinal, se a planta declara seu ciclo vital, nós humanos também.
Importante ajudar a criança a perceber que há fases, há ciclos e há beleza em
cada uma delas. Inclusive nas folhas caídas e no avô que virou bebê. Este
conseguiu viver o ciclo da vida. Bravo!14 de out. de 2015
168. INFANTILIZAÇÃO EXAGERADA
Uma das maiores reclamações das corporações é a infantilidade de seus
colaboradores. E é verdade, basta observar. E é duro dizer isso, mas isto é
consequência da educação que estes jovens ou adultos receberam ou ainda recebem.
Nós, pais, tendemos a proteger os filhos em exagero. E fazemos de tudo por eles
acreditando ser este o melhor a fazer. Mas, sem perceber, estamos
desprotegendo-os, infantilizando-os e os criando para um mundo irreal. Contava-me
uma amiga advogada que tem uma estagiária de 23 anos que é descompromissada,
falta muito, não tem responsabilidade, pro-atividade e há que se rever tudo o
que ela faz. Perguntei-a: “Mas por que a contrataram?” Respondeu: “Era a melhor
das candidatas.” Mas o que me deixou mais impressionada foi o fato da mãe da
estagiária ligar para a chefe da filha avisando e justificando as suas faltas.
Uma mulher de 23 anos já deveria estar assumindo a própria vida, não? Mas para
isto é preciso começar desde cedo, pois tal desenvolvimento é processual. Arrumar
os brinquedos, organizar as suas coisas, fazer a própria mochila da escola,
cuidar de suas tarefas, colaborar com as coisas da casa, fazer o seu prato, assumir
os seus atos... tudo isso colabora para que a criança vá percebendo que tem
responsabilidade sobre a própria vida. Às vezes dá a maior pena dos filhos, mas
percebi na experiência que para bem educar é preciso muitas vezes “tirar” o
coração da linha de frente. Pois se poupar o filho terá um adulto infantilizado.
E isto não é nada saudável, além de ser ruim para ele, para você e para a
sociedade.
2 de out. de 2015
167. PARA CAMILA EM SEU TÚNEL DO TEMPO
Há 19 anos, no dia 1º de Outubro eu estava inquieta. Deitei-me num
banco ao ar livre com uma imensa barriga e fiquei a olhar a lua que estava
cheia como nunca vi igual. Na manhã seguinte, dia 2, a caminho da hidroginástica
notei que a bolsa havia estourado. Era você querendo nascer e logo seus olhos
azuis estavam a me fitar. E nestes 19 anos quanta história boa de contar! Você parece
ter nascido arteira, moleca, independente, criativa, engraçada, justa,
carinhosa, beijoqueira e com personalidade forte. Ficava horas concentrada com
seus brinquedos e atividades desafiando as pesquisas sobre a primeira infância.
Aos 3 meses tomou o primeiro banho de mar com grande alegria. Aos 9 meses
disse: “Mamã”. Ufa! Aos 10 meses deu os primeiros passos e arrastava cadeiras
por todos os lugares. Com um ano entrou na escola e se virava muito bem apesar
dos colegas serem um ano mais velhos. Em seu primeiro ano amava puxar o rolo de
papel higiênico e sair por toda a casa. E quando me via, e sabendo estar
errada, pegava a pontinha do papel e assoava o nariz. Que figurinha! Aos 2 anos, pedi que chamasse o elevador para
adiantar. Foi até ele e gritou: “Elevadorrrr!!!” Lição preciosa a mim. Na mesma
época pulou na piscina funda argumentando que sabia nadar. Afundou, engoliu
água, tentou sair até que a resgatei. Arregalou os olhos, cuspiu parte da água
engolida e me disse: “Não falei que eu sabia nadar!” Ai ai! Logo começou a contar
mais do que dez e percebeu algo fantástico. “Dez e seis, dez e sete, dez e
oito, dez e nove, dez e dez!” Viva a lógica infantil! Aos 3 anos inventou uma
mãe. Maria Chiquinha deixava comer doces a toda hora, dormir a qualquer hora e
fazer tudo o que eu não deixava. Um dia, desafiando-me disse que preferia morar
com ela. Eu já estava cansada e enciumada desta mãe. Pedi que arrumasse suas
coisas, pegamos o carro e você foi me orientando. Rodamos, rodamos, rodamos até
que me pediu para parar e disse: “Mãe, a Maria Chiquinha engoliu uma espinha de
peixe e morreu. Vamos voltar prá casa?” Aos 4, ao sair para o trabalho você me
chamou e disse: “Mãe, não se deslembra que eu te amo, viu?” Aos 5, disse-me:
“Mãe, você pode me disciplinar, mas eu não concordo, porque você não está
respeitando as diferenças.” Pode? Com a mesma idade já amarrava seus sapatos,
comia e tomava banho sozinha, andava de bicicleta sem rodinhas e aprendeu a ler
e a escrever, mas sempre gostou de objetividade. Lembro de uma história que
deveria ser escrita em 20 linhas. Deu seu jeito. Na primeira linha colocou o
príncipe e a princesa se encontrando, casando, tendo filhos e nas demais 19 linhas
escreveu um prolongado viveram felizes para sempre. Aos 6, simularam uma
votação na escola para presidente, pois o país vivia esta escolha. Indagou-me:
“Por que não conheço os candidatos?” E eu retruquei: “Não os conhece?” Você
citou o nome de todos, mas disse que não conhecia a proposta e que o voto
deveria ser consciente. Que maravilha! Aos 7, chegando na escola para buscá-la recebi
os parabéns de uma mãe. Logo descobri que você havia ganho uma olimpíada de
Matemática e eu nem sabia que você havia se inscrito. Esta é você. Faz as coisas
para si, para o seu prazer e desenvolvimento e não para se autopromover ou
receber elogios. Como me ensina! Aos 8
voltou da escola indignada com uma injustiça feita a um colega. Lutou
bravamente por ele. Aos 9 fez biscoitos e os vendou pelo prédio para pagar um
picolé que havia comprado fiado. E entrou no time de futebol, mesmo sendo a
única menina. Aos 10, empenhou-se firmemente nas artes e por um bom tempo se
dedicou a ela. Aos 11 passou o aniversário internada sem perder o brilho e sem
se lamentar. Aos 12 concluiu que o par ou ímpar não tinham as mesmas chances, e
que pedir par era vantajoso, pois ímpar com ímpar dá par, par com par dá par e
apenas par com ímpar dá ímpar. Bonito vê-la questionando o que lhe era apresentado
como verdade. Aos 13 ganhou troféu por estar entre as melhores alunas da escola.
Aos 14 fez uma linda apresentação teatral, mesmo não ganhando o papel que
queria. Aos 15 foi para o Canadá e lá brilhou. E a pedidos da coordenação do programa
ficou por mais 6 meses. Aos 17 passou na faculdade e foi morar sozinha,
assumindo todas as tarefas. Aos 18 tirou carta, trabalha, estuda, namora, faz
atividades físicas. Bravo! Aqui estão alguns flashes de sua vida apenas para
dizer: Que orgulho de você! Chorou, sorriu, amou, errou, acertou, brincou, machucou-se,
mostrando em tudo o que fez e faz a sua maturidade, cuidado, afeto, inteligência,
compromisso, dedicação, determinação, justiça, autonomia, responsabilidade e
muita sabedoria. Sou sua fã, Camila. Parabéns pela vida tão linda que tem
construído. Muito feliz pelos frutos que temos colhido. Continue lindamente a
sua história.
Com imenso amor,
Com imenso amor,
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24 de set. de 2015
165. UNINDO O ÚTIL AO AGRADÁVEL.
Fui procurada por Michele Pergher, que me contou de um projeto bem
interessante e pedi que nos contasse sobre ele.
Após um período
de 6 anos na Austrália, Michele e Everson Pergher decidiram voltar ao Brasil
trazendo uma proposta inovadora e diferenciada. Tornaram-se máster franqueados
da Little Kickers no Brasil que possui um programa de futebol e inglês
especificamente desenvolvido para meninos e meninas de 1 ano e meio a 7 anos. As
turmas são divididas por idades respeitando o desenvolvimento motor e cognitivo
das crianças e utiliza os estilos de aprendizagem - Visual, Áudio e Cinestésico
(VAC), os quais já discutimos aqui no blog como essenciais à aprendizagem. O
Littke Kickers teve sua origem no Reino Unido em 2002, mas já ganhou o mundo. No
Brasil iniciou em 2014 em Porto Alegre em escolas particulares e em duas sedes
e já estão fazendo a sua história com mais de 450 alunos em menos de um ano e
meio de operação. "Agora estamos em contato com possíveis investidores no Rio de Janeiro, Florianópolis e São Paulo", conta Everson, com plano de expansão para todo o Brasil.
Não estou
ganhando para divulgar o projeto, mas aqui estou pois gostei da forma como fui
abordada, por acreditar na solidariedade e por achar o projeto criativo e bom
desenvolvedor de habilidades e competências. No mundo atual, onde as crianças
estão cada vez mais sedentárias, isoladas em seus mundos virtuais e precisando
aprender o inglês para dar conta do mundo globalizado, tal projeto vale a pena
ser considerado. É realmente "Muito mais que Futebol e Inglês" e sabe unir o
útil ao agradável.
Para mais
informações acesse o site www.lkfc.com.br
ou a página do facebook: www.facebook.com/lkfcbrasil
Sucesso a vocês!
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8 de jul. de 2015
155: QUANDO A CRIANÇA COMEÇA A SE ALFABETIZAR?
Assim que a criança nasce, ela já começa a ser alfabetizada e letrada.
Em um processo bem longo e repleto de fases, começa a entender que há uma
escrita, como ela funciona e para que ela serve. Quanto mais estímulo tiver,
melhor será a sua evolução. E estimular não quer dizer comprar vários livros e
cadernos. Conto uma breve história. Conheço uma manicure que lê o tempo todo. E
sempre conta com empolgação o livro da vez. Um dia comentou que o programa
preferido da filha de 7 anos era ir ao shopping. A cliente ao lado fez algum
comentário, do tipo: “Obvio! Qual garota não gosta?” Mas a mãe manicure
continuou: “Ela gosta das livrarias! E precisa ver a felicidade dela quando
compra um livro. Não vê a hora de chegar em casa para lê-lo!” A cliente então
espantou-se: “Nossa! O meu filho da mesma idade odeia ler! E olha que eu compro
um monte de livros maravilhosos para ele!” E a manicure fez a pergunta crua,
quase cruel: “Mas a senhora gosta de ler?” E ela respondeu: “Eu odeio! Mas
compro um monte de livro prá ele.” Será que adianta? No vídeo abaixo, vê-se uma
pequena criança “lendo”. É uma pseudoleitura, mas que já mostra muito da
construção da alfabetização. Mas como ela sabe que o livro tem algo a dizer e
que dá para ler? Não sabemos o que ela sabe exatamente, mas podemos dizer que
ela está vivendo o processo da alfabetização. E posso garantir que seus pais
lêem, que ela os observa lendo, que eles contam histórias a ela, que ela tem
livros e que é bem estimulada. Atente-se: A alfabetização começa em casa e não
na escola. Inspire-se nesta fofa.
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1 de jul. de 2015
154: SEU FILHO TAMBÉM É MOVIDO A DESAFIOS.
O ser humano é movido a desafios. E o seu filho também. Quer ver? Observe
se já não viveu esta cena. Uma criança pequena tenta subir no sofá, que para
ela é um enorme desafio. Nesta tentativa, sempre aparece um adulto que resolve
o problema, carrega-a e a coloca em cima do sofá, não é? Mas o que acontece? A criança
desce imediatamente e começa tudo de novo. Pode parecer bobagem, mas esse
desafio de subir no sofá diz de muitos desenvolvimentos motores, psíquicos,
cognitivos e que além de serem úteis agora, serão base importante para futuras aprendizagens
bem mais complexas. Mas, se desde pequena dizemos à criança que ela não
consegue, ou nos adiantamos fazendo em seu lugar, ou ainda a acostumamos a
conseguir as coisas fáceis, estaremos proporcionando a formação de uma possível
criança insegura, passiva, sem curiosidade a novas descobertas e com limitados
conhecimentos.
Assim, deixe seu filho desafiar-se e aceitar desafios para conquista-los.
Fique de olho sim e sempre atento, afinal há riscos. Mas não exagere e nem
subestime o seu filho. Com riscos calculados, deixe-o viver, desafiar-se,
aprender e desenvolver. Sempre.
Assista aos dois vídeos e inspire-se.
ps: Nesse mes de férias usarei vídeos de crianças que circulam pela internet para a nossa reflexão e melhoria de ação.
26 de jun. de 2015
153: PAIS E FILHOS: ASSISTAM E SE INSPIREM.
Território do brincar é um longa, no mínimo, poético, dirigido por
David Reeks e Renata Meirelles. Trata do brincar infantil em diferentes regiões
e realidades do Brasil. O longa conseguiu me colocar dentro da tela, arrepiou
os meus vários sentidos, me fez sentir, deliciar-me e fomentar reflexões. O
modo como as crianças brincam no filme dizem da escola dos meus sonhos. Na
realidade delas, seja em dunas, mares, florestas, cidades, as crianças
desenvolvem brinquedos e brincadeiras que trazem em si valiosos conhecimentos culturais
e interdisciplinares. Aprendem e desenvolvem matemática, química, física, biologia,
história, geografia, linguística, psicomotricidade, sociologia, cidadania,
criatividade, imaginação na experiência. E nela já fazem os ajustes necessários
enquanto, sem nem perceberem, aprendem e
se desenvolvem. Seria um sonho se a escola aproveitasse dessa experiência para
ampliar o mundo das crianças. Interessante notar que as crianças com menos
recursos desenvolvem bem mais habilidades e competências do que as crianças com
mais recursos, que já trazem na maioria brinquedos prontos. E como subestimamos
as crianças e atrapalhamos seus desenvolvimentos limitando suas brincadeiras em
prol de uma organização de tempo e espaço, da super proteção, da facilidade tecnológica,
do consumo exagerado de brinquedos entre outros, dificultando com que encontrem
o brincar no dia a dia e se desenvolvam integralmente. Leve seu filho para
assistir esse filme. Façam dele uma grande inspiração para as férias e para a
vida.
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17 de jun. de 2015
152. PARA GABI EM SEUS 21 ANOS.
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26 de mai. de 2015
149. PEDIDO RAPIDAMENTE CUMPRIDO.
Esta história não fui eu quem escrevi, mas adoraria que tivesse sido.
Tampouco sei quem a escreveu. Mas achei que faz muito sentido e nos coloca em
boa reflexão.
“Um dia, minha mãe e eu conversávamos sobre a vida e a
morte e eu lhe disse:
- Mãe, se um dia eu estiver num estado vegetativo, em
que minha vida dependa unicamente de aparelhos, desligue, por favor, as
máquinas que me mantêm artificialmente em vida! EU PREFIRO MORRER!!!
Então eu vi minha mãe se levantar, me olhando cheia de
admiração... E puxando decididamente os fios, ela desligou: a tv,
o dvd,
o cabo de internet,
o
computador,
o MP3/4,
o playstation,
o wifi,
o fixo...
E ainda me arrancou:
o celular,
o tablet,
o Ipod.
EU
QUASE MORRI!"
Para bom entendedor... uma história basta.
12 de mai. de 2015
146. AMO QUANDO A CRIANÇA ME DÁ UM NÓ!
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| Sistema ósseo: estrutura para o que viria. |
Assisti com uma criança um vídeo lindo da BBC tendo como fundo a
música “What a wonderful world”. A letra, falada em poesia, era ilustrada por
maravilhosas imagens da natureza. Plantas, animais, rios, mares, sóis e luas
movimentavam-se em versos a encantar nossos sentidos. E eis que a criança
suspira e diz: “Como eu amo a natureza!” E é mesmo incrível notar como a criança
é extremamente sensível à natureza e a tudo o que a atinge. O que nos ajuda a
educá-la para continuar amando e não cair na armadilha “da força da grana que
ergue e destrói coisas belas” (Caetano Veloso). Biofilia é o que a criança tem de
sobra e que falta a tantos adultos. A palavra tem origem grega. Bio significa
vida. Philia, amor. Ou seja, amor à vida, instinto de preservação seja lá ao
que for. Há vários anos, estudava com alunos de 8-9 anos os sistemas do corpo
humano. Para deixar mais concreto sugeri que abríssemos um mamífero, mais
especificamente, um rato. Afinal somos todos parecidos por dentro. A crianças
ficaram indignadas e horrorizadas
comigo. Mas, gostaram da proposta e sugeriram abrirmos outro mamífero: um
indigente já morto. Minha cabeça deu um nó por um bom tempo. “Preferir abrir um
homem a um rato?!”, pensava. Então lembrei-me da biofilia, voltei ao olhar da
infância e notei vários condicionamentos culturais construídos em mim. Afinal,
só queriam trocar um vivo por um morto! Fazia sentido. Mas não abrimos nem
homem, nem rato. Encontrei outras formas também eficientes. E novamente estava
eu aprendendo e crescendo com as crianças.
26 de abr. de 2015
145. JÁ SEI NAMORAR!
A mãe de Júlia de 7 anos estava preocupada com o rápido
desenvolvimento da filha no quesito sexualidade. A menina era provocadora, já
sabia fazer caras e bocas, não saia do facebook, já usava maquiagem e dizia ter
namorados. A mãe chama-a para uma conversa. Feito adolescente, Júlia vem se
arrastando com cara de “Que saco!” A mãe diz: “Vamos conversar desses
namorados.” Júlia responde: “Você quer que eu te ensine a namorar!?” Infelizmente,
conheço algumas Júlias. Digo “infelizmente”, pois sou totalmente a favor da
criança viver a tão passageira infância. Mas também conheço muitos pais de
Júlias. Observemos ao redor e pensemos sobre. Já repararam como os adultos adoram
perguntar às crianças se elas já têm namorado? Pra que? Se as Júlias usam
maquiagem, quem as comprou? Com quem aprenderam a provocar? Será mesmo
necessário ter um smartphone aos 7? E porque não saem das redes sociais? Não
estaremos nós também fixados nelas? O que tenho proporcionado nos tempos livres
da criança? Tantas outras perguntas poderíamos nos fazer. Mas, o mais importante
é lembrar que tudo, TUDO o que a criança faz ela aprendeu. E é essa a minha
provocação do dia: O que tem sido proporcionado à criança para aprender e
desenvolver? Então, alguém pode reclamar: “Mas todas as crianças hoje usam maquiagem,
tem celulares, namoram! Vou criar um estranho no ninho?” Eu respondo: “Não
seria esse ninho estranho? Todo mundo igual?”
Queridos pais de Júlias, deixemo-nas serem crianças.
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