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16 de mar. de 2018

213. COMO TRANSFORMAR UMA HISTÓRIA INFANTIL EM APRENDIZAGENS E DESENVOLVIMENTOS À CRIANÇA.


Há várias maneiras de transformar um livro numa experiência de aprendizagens e desenvolvimentos. Trarei sugestões e cuidados fundamentados no desenvolvimento da criança, que ajudam a criança a pensar, a se autoconhecer, a identificar suas emoções, sentimentos, conhecimentos e comportamentos, bem como a gerí-los. Claro, que a experiência de leitura dependerá do mediador/leitor e do desenvolvimento da criança ou do jovem. Especificarei quando necessário.

1. Peça ao seu filho para escolher um livro ou escolha você um que tenha uma mensagem que considere importante discutir com ele. Ou que a personagem viva um problema semelhante ao que ele vive, pois perceber no outro é sempre mais fácil. E quando o filho percebe no outro fica mais fácil fazê-lo perceber em si. E percebendo em si, fica mais fácil mudar e/ou gerir seja comportamento, pensamento ou emoção.

2. Ao ler para a criança de qualquer idade é bom que estejam em um lugar confortável, iluminado, tranquilo, sem muitos distratores. Se ela for maior, deixe-a ler.

3. Leia devagar página por página, mostrando em cada uma a gravura. Não comente nada, apenas leia para que você possa perceber e entender como o seu filho percebe e entende sem a interferência da sua interpretação.

4. Se ele fizer algum comentário no decorrer da leitura, apoie-o e o ajude a organizar o seu pensamento e a fala, sem pensar ou dizer por ele. Se ele fizer alguma pergunta, responda com a mesma pergunta que ele fez e o deixe responder. Segure-se mesmo que saiba a resposta. Pois, a pergunta e a resposta da criança nos dão dicas de como está organizada a sua cabeça e como e onde podemos contribuir.

5. Ao final, conversem sobre a história e não economizem perguntas. O que entendeu? O que aprendeu? Onde a percebe na vida? Em que a história se parece com a sua vida? Como usá-la na vida? Uma pergunta por vez. Formule e deixe a criança também elaborar seus questionamentos.

6. Cada um entenderá a história a partir do que já construiu em si e com a maturidade que lhe cabe, inclusive do sistema nervoso. Importante! Antes de você dar a sua interpretação, escute muito a criança ou o adolescente. Provoque-os para que expressem, sem medo, o que apreenderam. Ótima maneira de conhecer o filho, o que e como pensa, o que e como sente, e como age.

7. A criança menor compreenderá mais pelo concreto, ao pé da letra, de forma simples, mas muitas vezes com verdades complexas aos olhos dos adultos que conseguem ver com olhos de criança. Por isso, atenção ao que ela diz, pois sabe dizer saberes incríveis! Porém, ainda apresenta o pensamento confuso e lento, o que é normal. Então, quando ela for explicar ou dizer algo, calma. Não se apresse para completar o pensamento dela como quem adianta ou adivinha o que ela vai falar. Não! Deixe-a ter o esforço de pensar, de pensar sobre o que pensa, de sentir e falar. Segure-se, pois isso ajudará muito no desenvolvimento do autoconhecimento, da linguagem e de suas funções executivas, fundamentais na escola, e essenciais para a vida. E é de pequenininho que a gente começa e só aprendemos a fazer fazendo.

8. Os pré-adolescentes e os adolescentes conseguirão abstrair mais a mensagem e vê-la de modo metafórico, reflexivo e mais profundo. Provoque estes diferentes olhares e as formas de pensar, pois eles estão em ótimo momento para isso. E o desenvolvimento não acontece por um acaso. Precisa ser bem estimulado e trabalhado. Aproveite a história, façam-se perguntas mais profundas sobre ela, busquem analogias com a vida, enfim, FILHOsofem e explorem os deliciosos diálogos entre pais e filhos.

9. Importante cuidar da comunicação. Preste atenção à maneira como você reage ao que o seu filho diz e pergunte-se sempre: “Esta minha reação favorece que ele me conte o que sente, o que pensa e o que faz?” Simples assim.

10. Além da leitura, os pais podem criar outras atividades como desenhar o que achou mais importante, mudar o final da história, criar uma história diferente com a mesma mensagem, fazer novas ilustrações, fazer a personagem com argila etc. Importante é sentir o momento, estimular bom desenvolvimento e aproveitar-se do nosso poder criativo, bem como o da criança.

Estas dicas, testadas e aprovadas com filhas e alunos, proporcionam inúmeros benefícios ao desenvolvimento da criança, do adolescente e da relação entre pais e filhos. Além disso, a leitura do livro com diálogo, cuidados e uma boa dose de atenção, ajuda os pais a conhecerem melhor seus filhos, suas dificuldades, o que sentem, o que pensam e como agem. Tendo a história como apoio e deixando a criança se colocar, estamos ajudando-a a por para fora o que às vezes ela nem percebe que tem dentro. E  identificar como está sendo é a melhor forma dela se conhecer, refletir sobre si e aprimorar-se. Isto também vale a nós e para todos de qualquer idade. Só mudamos aquilo que temos consciência. Por isso, use e abuse das histórias para as crianças se autoconhecerem, pois isso será de grande valia para o hoje e para o amanhã.
Boas leituras. Bons diálogos. Boas inspirações. Felizes encontros.

Até a próxima!

2 de dez. de 2017

205. AS FASES DA CRIANÇA E O MUNDO DA FAMÍLIA.


A criança não nasce sabendo do mundo, de si e das pessoas. Precisará de tudo aprender. A princípio, pelos SENTIDOS, EMOÇÕES e MOVIMENTOS. Leva o mundo à boca, desafia-se, explora os objetos, a si mesma, as pessoas, os tempos, os espaços, as relações de tudo isso e a sua relação com tudo isso. Estas experiências lhe proporcionam um primeiro conhecimento de como as pessoas e as coisas são e funcionam. E nesta fase, a cada dia, há sempre uma surpreendente novidade.

Com o desenvolvimento da LINGUAGEM o seu mundo interno ganha muitas possibilidades. Brinca, cria e representa o mundo que vive e conhece através de personagens, jogos simbólicos, de faz-de-conta. Conversa sozinha, interage com tudo e todos numa imensa e intensa vontade de explorar e aprender. Ao brincar de casinha, de médico, de bicho, de polícia ladrão, de luta, a criança, além de desenvolver a linguagem e habilidades sócio-emocionais, ela vive papéis que a ajudam a compreender as regras de cada segmento da cultura que está inserida, as suas convenções, seus problemas, suas diferenças, seus costumes. Pode refletir e incorporar as características e as ações de quem imita e aprende que o mundo não é ela e nem que tudo é do jeito dela. Estas experiências, ajudam-na a compreender melhor de si, dos outros e do  mundo, e a representá-los dentro de si. Isto a possibilita pensar, imaginar, entender, falar sobre ele, ainda que seja de forma desorganizada e sem lógica. Por exemplo, quando a criança nos conta uma história, não há ainda uma organização espaço-temporal, certo? O fim vem embolado com o meio que passa ao começo e volta ao fim. Isso é normal para a fase. Mas é momento que requer redobrada atenção ao que é oferecido à criança, pois ela ainda age como “esponja”, imita e absorve tudo sem crítica. Aliás, esta se ensina desde pequeno. E é bom fazê-lo.

Pois, o MUNDO EXTERNO que é oferecido ao seu filho, com suas concepções, valores, erros, acertos, medos, modos de viver e de ser, dirá de seu MUNDO INTERNO, de seu ser, de sua interação com o meio. Dirá de como ele agirá, pensará, amará, odiará, falará, perceberá, criará o mundo externo, que dirá do seu interno num processo sem fim. Ou seja, se uma criança recebe sempre elogios, é protegida de qualquer frustração e a mãe obedece a tudo o que ela pede, este será o mundo externo que ela internalizará, e a partir dele perceberá e agirá no mundo. Quando na escola, a professor não a destacar diante da classe, ou quando tirar uma nota baixa, ou não for tratada como rainha, é bem provável que sofra, que culpe a outros, que se desorganize, que fique agressiva, pois não foi este mundo externo que construiu em si. Por isso vale sempre se perguntar: QUE MUNDO OFEREÇO AO MEU FILHO? Claro que outros mundos virão. Mas o primeiro deles, é a família. E o primeiro deles será a base de tudo. Pense na sua vida e observe como tudo o que você é tem uma ligação com a sua criança. A infância é tudo. Cuide bem da do seu filho, da construção do mundo que ele fará.

Conforme a criança amplia suas representações, ela sente a necessidade de organizá-las, dar um sentido maior e passa a CATEGORIZAR os mundos que conhece. O mundo das profissões, dos animais, dos objetos engraçados, dos objetos escolares, além de amar as coleções. Nesta fase, é bom enfatizar a organização externa para ajudar na interna, e saber que a criança ainda pensa de forma bem concreta, ao pé da letra e com uma pré-lógica deliciosa. Para ela, um trânsito engarrafado, pode significar carros dentro de uma garrafa, assim como ao pé da letra, pode ser uma letra com pé. Mas, os estímulos cada vez mais diversos do meio, a mediação daqueles que interagem com ela, sua interação com eles e o amadurecimento do sistema nervoso, a ajudarão a progredir e logo conseguirá ABSTRAIR o pensamento, desenvolver a lógica, a perceber metáforas, expressões idiomáticas, fortalecer a sua personalidade, as suas verdades, valores, saberes de tantos outros mundos, usando as bases das construções do seu primeiro mundo. E num piscar de olhos está adolescente, adulto e parindo nova criança, que a princípio aprenderá pelos sentidos, emoções e movimentos...

Note que em todas as fases, a participação ativa da criança na EXPERIÊNCIA é fundamental. Afinal, não é possível desenvolver no lugar do outro. Assim, com bom senso, não devemos impedí-la, pois será como querer alimentá-la oferecendo-lhe um cardápio. Logo, quantidade e qualidade de experiências são importantes, assim como o modo como a criança interage com a oportunidade. E isso se aprende. Atenção! Dizer a criança que ela não é capaz, enche-la de medos, criar resistências, fazer em seu lugar, superprotegê-la, poupá-la, devem ser observados, pois são impeditivos de desenvolvimento. Vale diversificar atividades, não se acomodar só a tecnologia, criar boas oportunidades de aprendizagens e desenvolvimentos e reflitir sempre sobre o mundo oferecido ao filho, pois é dele que ele constituirá o seu primeiro e mais importante mundo. Base de tudo e de todo o resto. Atente-se a isso. Feliz mundos!


4 de nov. de 2017

203. NEM NEM NO ENEM.

Ao meu lado duas jovens conversavam. Uma delas contava o seu drama e a outra a apoiava. Seu desespero era com o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), que inicia amanhã. Dizia que não havia estudado nada e mal havia assistido as aulas. Preferiu o grupo que bebia e fumava escondido. Não! Não havia se preparado para o exame que abre as portas a tantas faculdades e universidades. E dizia freneticamente balançando as mãos: "Já chorei muito, muito mesmo. Não há mais o que fazer a não ser entregar a Deus. E… ter calma. Muita calma. O único problema é que quando mantenho a calma eu fico muito calma. E não dá tempo de fazer a prova." E a conversa continuou com mais do mesmo. Conversa típica de um "Nem Nem", isto é, "Nem estuda e Nem trabalha". E como diz a charge, tem sim um descuido dos pais. Além de falta de autoridade e grande despreparo da menina que não se percebe autora da própria vida. Por isso, gasta horas chorando e se lamentando com a amiga, ao invés de estar correndo atrás. E, como é de costume para gente assim, entrega a responsabilidade a outro. Afinal, se não der certo, há quem culpar ou apenas dizer: "Deus não quis!" Abram os olhos, pais. Ensinem seu filho desde pequeno, a assumir as próprias ações e a ir, paulatinamente, percebendo-se responsável pelo próprio desenvolvimento e vida. Mas, não basta blá-blá-blá. Ensinar requer tempo, dedicação, criatividade, vontade e viver o que se deseja e apregoa. Ou isso, ou um "nem nem" folgado e que ainda implica com tudo. Ou não?

11 de mar. de 2017

195. DIREITOS SIM, DEVERES TAMBÉM.

No pátio de uma escola, dois meninos brigavam de arrancar o couro, enquanto as outras crianças pareciam soprar brasa, inflamando-os. A servente apenas berrava, sem cessar, para que parassem. Até que duas crianças seguraram os conflitantes e desta vez sopravam para esfriar. Perguntei à servente: “Por que não os separou?” E debruçada na vassoura respondeu: “São os direito da criança. Aqui mandam a gente não tocá nelas. Já pensou se vou apartá e deixo o braço do minino roxo? Eles me processam, sabia?”(sic) Direitos das crianças. São tantos! Mas muitas vezes, mal usados, seja pelos adultos que deixam de agir por autoproteção, seja pelas próprias crianças, que muitas vezes se aproveitam deles e ainda citam o Estatuto (ECA), em geral, de forma autoritária e sócio-emocionalmente desequilibrada. Vi, li, ouvi diversas histórias destas. Não nego aqui a importancia dos direitos da criança e do adolescente. Esta é uma vitória de dar alegria. Mas, os direitos só fazem sentido se os deveres estiverem sintonizados, caminhando junto. O problema é que as crianças e adolescentes aprendem mais dos direitos do que de deveres. E fica desbalanceado, inclusive os seus desenvolvimentos. Já é hora de valorizar e ensinar também os deveres. Que tal começarmos pelo respeito ao direito do outro, o respeito às pessoas, inclusive as que são ou pensam diferente de nós evitando brigas. O dever de estudar, de cuidar, de cooperar, de aprender a ser responsável pela própria vida e de assumir as ações. São tantos ainda, mas já temos um bom começo. Direito sim. Deveres também!

8 de fev. de 2017

193. DICAS PARA COMEÇAR BEM O ANO ESCOLAR

CLAREZA NOS PAPÉIS
A escola e seus profissionais tem os seus papéis, os pais têm outros e o aluno outro. Se não está claro os papéis de cada um, sugiro que converse com a escola, uma vez que cada uma tem seus “temperos”. É fundamental que cada um conheça para caminhar com tranquilidade pelo ano escolar.

VOCÊ TEM AS SUAS RESPONSABILIDADES E O SEU FILHO AS DELE. Desde pequeno, ensine o seu filho a ser responsável por todas as atividades da vida escolar: mochila, materiais, provas, tarefas. Ensine paulatinamente sem subestimar a criança. Com dez anos, ela já deve ser capaz de estar responsável por tudo. E se foram bem aprendidas, a autonomia e a responsabilidade, nem precisará da supervisão dos pais.

NO PAINS NO GAINS
Sim, sem esforço não há ganho, já dizia o velho ditado. Mas para nos esforçarmos é preciso um por que, um motivo na ação (motivação). Ou seja, a oportunidade e a motivação é uma excelente dupla ao desenvolvimento do seu filho. Use e abuse. Crie oportunidades onde o esforço valha a pena.

NÃO SE DESENVOLVE NO LUGAR DO OUTRO

Podemos possibilitar desenvolvimentos aos filhos, mas não desenvolvê-los. E, ainda bem. E como desenvolvemos? Aprendendo. E como aprendemos? Na experiência. Ou seja, proteger a criança para que ela não se frustre, canse ou sofra, evitar-se-á que ela viva, experiemente, aprenda e se desenvolva. Há erros que parecem acertos. Fique de olho.

28 de dez. de 2016

192. BYE BYE SO LONG FAREWELL



2016 vai e deixa marcas. Um ano que sacodiu o Brasil, outros países e muitos dos bilhões de cidadãos. Para mim, foi ano de mudança, também geográfica. Ano de inspiração, transpiração, ação. Ano intenso, produtivo, de reencontros e (des)encontros. Ano para agradecer. Fiz muito do que gosto, trabalhei, viajei, interagi com a família e com pessoas queridas em cursos, palestras, faculdades e pela vida. Conheci mais de mim, dos meus, do outro, do mundo, de amor, de felicidade. Ensinei e muito aprendi. 2016 vi a primeira filha se formar e apesar de prepará-las para o mundo de forma cuidadosa e consciente, assusta quando  conduzem a própria vida e pagam as próprias contas. A princípio os filhos são carentes de nós, mas rapidamente nós é que ficamos deles. Noto que diariamente a maternidade pede reflexões e revisões de papéis. Observo as minhas filhas e vejo a boa  base que demos. Como também como elas souberam e sabem dar continuidade aos seus desenvolvimentos com linda autoria. Aos 22 e 20 anos já possuem um belo caminho profissional, muita experiência enriquecedora, são comprometidas, éticas, autônomas, responsáveis  e sabem respeitar a si, ao mundo e aos outros. São amorosas, cuidadosas, competentes, pró-ativas, resilientes, posicionadas. E como todos os filhos têm um mãe coruja. Uma mãe e filhas que vão se constituindo mãe e filhas numa vida sem ensaios, com perdas e ganhos, com erros e acertos, mas com vida e com a vida, na busca de vida que seja viva e que valha a pena. Bem vindo 2017 e felicidade a todos neste fim de ano e no que se inicia. Até lá!