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18 de jan. de 2015

135. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: ÍNDIA E SUAS CURIOSIDADES III


Na Índia há muitas sensações que não se nomeiam. Mas há as que são possíveis compartilhar. Assim, seguem mais algumas curiosidades desse interessante povo, de sua cultura e educação.

ATENCIOSOS
Num dos dias fui dormir bem indisposta e acordei sem hora. No café da manhã, o garçon adiantou-se antes de eu sentar perguntando-me se eu havia melhorado, se eu queria algo especial para comer. Como ele soube? Essas coisas acontecem na Índia. Atenção e cuidado.


GENEROSOS
Um dos princípios que notei nessa sociedade é que o bem estar de um depende do bem estar do outro. Com isso, tem-se um povo generoso, que contrasta com o nosso egocentrismo, egoísmo, bem estar próprio. Um exemplo: Estávamos numa favela ameaçada de destruição. Esgoto a céu aberto, casebres, cheiro muito forte, sujeira. Os moradores, ao nos notarem, vestiram suas melhores roupas e vieram timidamente conversar. Nada pediram. Pelo contrário, levaram-nos para um espaço que nos protegia do sol e do forte calor. Serviram água, biscoito e tchai, feito com especiarias, leite e chá preto. Eu pensava na procedência da oferta, enquanto observava tais vidas. Mais uma lição: O indiano é mais ação do que palavra. Brindamos com o tchái, apimentado, e dançamos deliciosamente uma ciranda.


OLHOS
O olhar do indiano é forte, intenso, triste, seguro, contemplativo. Atrai feito imã. Assim viu e sentiu o meu olhar.


NÃO COBIÇAM, NÃO OSTENTAM
“Impuro e desfigurante é o olhar do desejo. Só quando nada cobiçamos, só quando nosso olhar se torna pura contemplação, é que se abre a alma das coisas, a beleza.” Herman Hesse em Minha Fé.
Tentei explicar para umas adolescentes que o nosso povo é  consumista, valoriza o ter e o parecer. Mas isso não lhes fazia sentido. Afinal, pra que ter tanta coisa? O indiano parece ser feliz com o que tem. Não fica desejando, cobiçando ou ostentando. Tem o que necessita e se contenta contente. Perguntaram-me sobre a segurança no Brasil. Disse-lhes que não era país de todo seguro. Havia muito roubo. Exatamente, porque diferente deles, nós cobiçamos e ostentamos. Damos mais valor ao que tem o ser exterior, enquanto eles primam pela evolução do ser interior. Isso faz uma diferença!



SER E TER
Eles são muito voltados ao eu interior, ao seu desenvolvimento e a sua elevação. Talvez o  sistema de castas tenha os ajudado a serem assim, como o próprio hinduísmo que ajuda o indivíduo a experimentar a divindade e a encontrar a verdadeira natureza de seu ser. Esta valorização se mostra também em metáfora nas construções. Fui a alguns apartamentos e casas de indianos de classe média-alta e alta. As contruções eram velhas, sujas, sem trato. Mas o interior das casas era repleto de obras de artes, móveis bonitos, decoração requintada e de bom gosto. Ou seja, maior valor no interior em detrimento do exterior.




SEGURANÇA
Em meio aquela multidão raras vezes me senti ameaçada, e as que me senti foram muito mais pela minha herança cultural do que pela situação. Claro que num país populoso desse fica-se tenso. Mas pude relaxar minhas neuroses de prevenção contra roubos e furtos de objetos ou de vida. Como é bom! Sempre sinto isso quando saio do país. Mas, de novo, a Índia me surpreendeu. E, fiquei tão relaxada nesse quesito que no meu último vôo dessa jornada já a caminho de casa, fui passar no RX e encontrei um casal de italianos com problemas e fui ajuda-los. Segui com eles conversando e só depois de 50 minutos, graças ao atraso do vôo, é que me dei conta de que havia esquecido minha mala de mão no RX. Voltei correndo, e no Brasil, a encontrei. Ufa! Viva!



PROPINA
Bem evidente a corrupção no trânsito indiano. Nosso ônibus ou carro eram sempre parados. Conversavam em hindi, mas pelo tom do diálogo e pelas rupias passadas pela janela, era fácil imaginar o que acontecia. Mas um dia, a briga parecia grande. O motorista era acusado de falar no celular. Lá se foi mais uma nota. Curioso é que o motorista não tinha celular. Coisas da Índia!

NÓS E ELES
Corrija-me se eu estiver errada,
Nessa rápida generalização.
Os indianos focam mais o ser.
Os brasileiros mais o ter.
Os indianos focam o interno.
Os brasileiros, o externo.
Os indianos tem milhões de deuses.
Os brasileiros um único Deus e milhões de deusezinhos.
Na Índia há várias línguas
No Brasil apenas uma já une.
A quebra da moral aos indianos anuncia a vergonha.
A dos brasileiros, a culpa. Minha culpa, minha tão grande culpa.
Os indianos buscam a felicidade a partir do que tem.
Os brasileiros almejam a felicidade a partir do que não tem.
Os indianos...
Os brasileiros...


No próximo post, falarei de alguns projetos educacionais bem interessantes que por lá conheci. Acompanhe, comente, aumente o conhecimento. Deixe aqui a sua contribuição. 

13 de jan. de 2015

134. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: ÍNDIA E SUAS CURIOSIDADES II


A educação diz da cultura, que diz do ser. E na Índia, quase tudo tem um sentido. Assim seguem outras curiosidades que contextualizam o cenário vivido e nos ajudam a refletir também sobre nós e a nossa cultura onde se insere a educação.








NAMASTÊ E SHUKRIÁH
Duas palavras mágicas. Shukriáh quer dizer obrigado. E eles ficam bem felizes ao ouví-la. Namastê é uma maneira respeitosa de cumprimentar ou iniciar uma conversa e quer dizer algo como: O meu deus interior saúda o seu deus interior. É palavra que se diz também com corpo. Junta-se as palmas das mãos e curva-se o corpo. E é mágico o que acontece quando os corpos se curvam.  


PÉ NO CHÃO
 Em todo e qualquer lugar que se vai é preciso ficar descalço. E não só em interiores. Por isso, nada melhor que uma prática sandália que se tira e põe. Alguns turistas usam um sapato de algodão específico para tais locais. Mas como viver e sentir a Índia sem ter os pés no chão?


DIVERSIDADE
A Índia é pluralista, multilíngue e multiétnica, e é de uma plasticidade estonteante.  A língua mais falada é o Hindi, embora o Ingles seja uma língua bem difundida e que traz oportunidades. Há deuses aos milhões, e há diversas formas para adorá-los, pois a verdade única pode ser vista de diferentes formas e pessoas. Para Herman Hesse, o indiano é o povo mais genial da Terra em termos de religiosidade. No livro Minha Fé, diz que o hinduísmo, a religião dominante no país, com capacidade de transformação criadora, e em milhares combinações, admitiu elementos estranhos com infinita generosidade e tolerância. Exatamente como os rostos e figuras dos deuses hindus de vários braços, tem essa religião mil rostos, primitivos e refinados, infantis e másculos, suaves e sombrios em seus diversos e contraditórios dogmas, ritos, mitos, cultos todos convivendo pacificamente.
Exatamente como vi. E o respeito a diversidade pareceu-me um dos pontos alto desse país, ainda que se veja longos e sangrentos conflitos como no Paquistão e Caxemira.


ASHRAM
Estive em alguns e são fundamentais para acalmar a alma e o ouvido das buzinas. Na antiga Índia servia como eremitério hindu para os sábios. Hoje funcionam como um centro para promover a evolução espiritual dos seus membros, orientados por um líder religioso ou um místico. (foto ashram urbano) Talvez o mais importante que fui seja o SATYAGRAHA ASRAM, a beira do Rio Sabarmati, em Ahmedabad, onde Gandhi morou por 12 anos, formou uma escola, desenvolveu uma  filosofia (SATYA significa verdade e AGRAHA significa firmeza, constância) para o movimento de resistência a não-violência na Índia em prol da Independência do país, que ocorreu em 1947. Seis meses depois foi assassinado. Hoje esse Ashram é um museu com pinturas, fotos, cartas, manuscritos, relíquias pessoais, livros, ou seja, memórias concretas que dizem da vida de Gandhi. E como ele dizia: “A minha vida é a minha mensagem.” Mensagem que deixou clara: “Be the change you wish to see in the world.” (Seja a mudança que você deseja ver no mundo.) Há ainda em funcionamento um centro para crianças órfãs, que dá educação e envolve as crianças em trabalhos manuais junto com a comunidade e as vendem em uma loja local. Roupas, bolsas, almofadas, sacolas de presente, caixas, tudo feito a mão.



ALIMENTAÇÃO
Poderia resumir a comida indiana em uma palavra: PIMENTA. Come-a do café ao jantar, num prato grande acompanhado de potes menores para as várias opções, na maioria vegetariana. Difícil era degustar os alimentos que nos faziam soltar fogo pela boca e ventas. Dizem que a pimenta esteriliza os alimentos. E acostumam-se desde cedo. Em geral, as crianças mamam por um ano, sendo logo introduzidas ao ardor. No meu caso, os doces (Hum...) me salvaram. Deliciosos. Curioso... (e dica implícita). O alimento é comido com a mão direita. A esquerda é usada para se limpar. Há também talheres, mas pouco usam. E é bem comum, colocarem a mão em nossa comida ensinando-nos a prepara-la.
A cultura não é uma maravilha? Como ousar dizer qual está certa?

No próximo post um pouco mais da Índia. Acompanhe, comente, aumente o conhecimento. Deixe aqui a sua contribuição.

18 de nov. de 2014

128. PENSAMENTO INDIANO E A EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS.

Meu pai e minhas filhas. Foto com várias interpretações. 

Essa postagem foi pré-programada, assim como as anteriores. Hoje  escrevo no presente imaginando a possibilidade do futuro.
Nesse momento, devo estar do outro lado do mundo há 10 dias, fazendo mais uma pesquisa educacional, cultural e pessoal. Visitando escolas, universidades e tendo encontros com mentes brilhantes que percebem a educação de modo bem diferente do mundo ocidentalizado. Devo ainda estar conhecendo mais uma cultura e alimentando os meus sentidos num país tão diferente, país dos contrastes, onde parece se perceber simultaneamente o caos e a paz.
Dizem que quem vai a India volta transformado. E sei que assim voltarei, pois quando nos abrimos às novas aprendizagens, e elas acontecem, nossos circuitos mentais já não são os mesmos, transfomando nossa visão de mundo e de gente, incluindo a nós mesmos. Além disso, lá farei 50 anos, o que será bem significativo para mim.
Por ora, deixo-lhes um pensamento indiano que, a mim, muito diz dos filhos e das possibilidades que a educação irá gerar. E na volta trarei as novidades já vividas e as transformações experimentadas.

Para refletir:
A semente carrega em si a memória do passado e a possibilidade do futuro.

Até a volta!

12 de nov. de 2014

127. PRESIDENTE DA PRÓPRIA VIDA.


Em um dos estágios que minha filha passou, encontrou em sua mesa o seu nome com uma observação abaixo: Presidente (da sua própria vida). Foi uma brincadeira de boas vindas do colega e que achei genial. Pois é exatamente o que eu acredito e que busquei prepara-la para tal. Aos 19 anos, Gabi já havia passado por alguns estágios em áreas distintas para melhor conhecer a profissão que havia escolhido. Confesso que fiquei em conflito, pois desde os 17 já trabalhava, estudava, cuidava da casa e já começava a pagar as primeiras contas. Temi que estivesse pulando etapas. Porém, ao olhar para os jovens do primeiro mundo, via que eles faziam o mesmo percurso. Nós brasileiros somos mais protetores ou até exageradamente superprotetores. Foi então que Gabi recebeu uma proposta do trabalho dos seus sonhos e que havia batalhado por ele. Não era mais um estágio. Refletiu, trocamos muitas conversas, percebeu que a vida de adulto começara. Dirigiu-se ao empresário e lhe disse que estava lisonjeada com a proposta, mas que precisaria parar um pouco para refletir o rumo que queria dar a sua vida. Ele respondeu-lhe: “Voe...voe... e na volta pouse aqui.” E lá foi ela para a Austrália estudar, desenvolver novas habilidades, enquanto vivencia outra cultura, outros trabalhos, explora lugares e se conhece melhor. Ser presidente da própria vida também é processual. Prepare o seu filho desde pequeno para ir assumindo as suas escolhas, decisões, erros, problemas, conflitos. Não o abandone ou assuma por ele, mas seja seu parceiro-orientador nessa empreitada. E delicie-se com os frutos.





7 de nov. de 2014

126. SERÁ QUE CONHEÇO O MEU FILHO/ALUNO?



Sabemos que o conhecimento amplia a nossa percepção e aumenta nossas possibilidades de ação. Se você é formado, por exemplo, em odontologia, você terá uma percepção bem diferente do sorriso das pessoas do que a de um leigo. Se é formado em arquitetura, sua visão para as construções deve ser bem mais ampla do que a visão de um advogado ou médico. Basta ver quando fazemos faculdade, o quanto o conhecimento amplia a nossa percepção naquela área, aumentando as chances de acerto nas ações. Mas e com os filhos? Uma faculdade para pais ajudaria tanto!
Graças a essa necessidade é que criei esse blog como também tenho ministrado palestras e cursos pelo Brasil para pais e professores abordando temas diversos.
Se você tiver interesse em alguma palestra para a sua instituição ou se quiser fazer um grupo de pais para ampliar os conhecimentos sobre o desenvolvimento e a educação dos filhos, e poder agir com mais consciência e assertividade, contate-me. Tenho certeza que você conhecerá muito mais do seu filho/aluno, de suas potencialidades e possibilidades. E poderá fazer grande diferença no seu desenvolvimento.

1 de out. de 2014

120- FILHOS E PAIS QUE VOAM.


Sempre buscamos dar uma boa base às nossas filhas, cientes de que temos limitações. Fazer realmente o melhor que se pode fazer naquele momento é sempre uma boa dica. Como também surpreender-se ao saber que se pode mais. Em suma, procuramos desenvolver-lhes, ao mesmo tempo, raízes (fundadas em princípios, valores e conhecimentos) e asas (que possibilitam sonhar, imaginar e criar movimento). E, num piscar de olhos, suas raízes e asas ganharam lindamente tamanho, personalidade e força. Há algum tempo, a minha filha mais velha, pediu-me orientação para um vôo mais ousado. Analisamos juntas e lhe disse: Voe... voe. Mas quando me dei conta, eu pisava discretamente em suas asas impedindo-a de voar. Tomar consciência é o primeiro passo da mudança. Sentei comigo mesma e conversei por horas: Lígia e Lígia. Tirei meu pé de suas asas e lhe disse: “Voe, minha filha!” Ela olhou para os meus olhos, abraçou-me fortemente e disse: “Obrigada, mãe. Obrigada por tudo. Agora chegou a hora de você retomar o seu voo.” A mais nova complementou: “Imagino o quão difícil deve ser deixar os filhos voarem e ver que eles conseguem voar sem os pais.” E seguiu também agradecida. Aprendi que temos que preparar os filhos e a nós mesmos para o voo. Deixa-los realmente voar. Continuar nossos voos e saber que vamos nos tornando cada vez mais desnecessários. Assim como é naturalmente no reino animal. Voemos todos sem nos desprendermos das raízes que nos alimentam. Ouço o ruflar de asas...

24 de set. de 2014

119- SORTE?



Frequentemente escuto que tenho muita sorte por ter duas filhas autônomas, responsáveis, esforçadas, carinhosas, cooperativas entre outras qualidades as quais confirmo todas. Sorte? Bem sei o investimento feito! Melhor ouvir o ditado: sorte é o encontro da competência com a oportunidade.
Para ser pai e mãe é preciso preparar-se. É incrível como temos faculdade de tudo, e não temos para pais. Preparamo-nos para nossas profissões, adquirimos diversos conhecimentos, habilidades e competências, que nos ajudam a perceber e a agir melhor em nossa área, inclusive a notar as oportunidades! Porém, deixamos o nosso maior projeto, a formação de um ser, para “estagiarmos” a partir do que sabemos. E seguimos aprendendo entre erros e acertos numa vida sem ensaio.
Como melhorar? Estudar o desenvolvimento do filho em seu aspecto social, cognitivo, motor, afetivo, psíquico. Saber como ele aprende e como é bom ensiná-lo. Participar de palestras aos pais,  ler blogs, revistas, livros... informações não faltam. Acompanhar o filho de perto, delegando o menos possível. Orientá-lo (que é diferente de fazer por ele) sem se levar somente pelo coração ou pelo cansaço. Não esperar resultados a curto prazo, lembrando que entre a semente e a flor há o cuidado, a paciência, a perseverança, a determinação. Não desanimar com os erros ou as derrotas. Eles fazem parte. Treinar a percepção, buscando ver para além do que se mostra. E, se a oportunidade está difícil ou não te salta aos olhos, crie-a. E boa sorte! :)

7 de ago. de 2014

112. EDUCAÇÃO PELO MUNDO XIX: Finlândia: Coerência do princípio ao fim.


Nas escolas visitadas na Finlândia, vê-se excelente estrutura, moderna e ampla, espaço transparente, organizado e limpo. Nos corredores, obras de artes feitas pelos alunos são repletas de mensagens, habilidades, liberdade e respeito à diversidade. 
Além das aulas do currículo básico, os alunos têm várias optativas. Aulas de línguas, instrumentos musicais, corte e costura, gastronomia, lavanderia, marcenaria, tecelagem entre outras, com salas incrivelmente bem equipadas. 
E claro que numa sociedade tão igualitária e com mão de obra tão cara, no mínimo, aprender a fazer de tudo é uma excelente opção. Meninos e meninas cozinham, costuram, soldam, martelam sem distinção. A maioria dos alunos tem aparência saudável, descontraída e feliz. E o clima difícil não os impede de nada. Equipamentos e roupas especiais fazem com que a vida continue e explorem os conhecimentos para além das salas de aula.
Em geral, a conversa iniciava-se com a direção, mas eram os alunos que nos apresentavam as escolas em movimento. Apesar de ainda jovens, mostravam-se bem posicionados, seguros e cientes do que diziam. Sabiam o que aprendiam, o por que aprendiam e como aprendiam cada coisa. Que maravilha! Mas isso não é milagre. Para se ter uma educação de referência, o professor tem mesmo que ser bom, dedicado, estudioso e gostar do que faz. Precisa desenvolver nos alunos diversas habilidades e competências, diversificar métodos de ensino pois cada aluno aprende de um modo e em um tempo. Usar ainda os diversos sentidos e tecnologias, e propor várias possibilidades de aprendizagem. E isso vi na prática. Cito um exemplo: Os alunos haviam escrito um texto sobre um dado assunto, usando caneta e computador. Depois transformaram-no em imagens, então em colagens e por fim em audiovisuais. E tudo era apresentado ao grupo. As neurociências aplaudem!
O professor divide ainda os alunos em grupos de acordo com as capacidades e habilidades, e para isso é preciso conhece-las e saber identifica-las. Como também, possibilita que os melhores alunos ajudem os que têm mais dificuldade para que todos sejam bons. Mas ele não trabalha sozinho. Tem o apoio de um equipe de profissionais, o que contribui para um trabalho que prima a unidade na diversidade, e à igualdade. E isso também vi. Os alunos não são competitivos, mas estimulados à convivência e à construção em conjunto, pois ninguém aprende sozinho.  “Se é para competir que seja consigo mesmo para ser melhor.”, diz Mikael Flemminch do Conselho de Educação.
E nota-se, na prática, que os alunos têm mesmo a responsabilidade, e  não sofrem tantas pressões. A avaliação, por exemplo, serve em especial, para trazer informações aos alunos e aos professores sobre os ajustes necessários tanto ao ensino quanto à aprendizagem. Bravo! Disse-me uma professora: "A escola não é lugar de competitividade e alta pressão. Mas sim lugar de fazer amigos, aprender e ser feliz." E assim parecia ser.
O que mais dizer?
Finlândia, coerência é o seu sobrenome. E qual o nosso?

25 de jul. de 2014

109. EDUCAÇÃO PELO MUNDO VI: A educação na Finlândia


 Prá quem acha que Finlânida é sinônimo de Papai Noel, Nokia e Angry Birds, pode ampliar a sua visão. É também a terra da educação de sucesso. Uma das melhores do mundo. Mas como?
A Finlândia foi destruída com a guerra, tornou-se independente há quase 100 anos, com uma população pobre e carente de estudos. É quase uma ilha, é bilíngue (Finlandes e Sueco) e tem um clima bastante cruel. Como conseguiram fazer diferença com tal perfil? Vamos em partes.
Em seminários com representantes do Conselho Educacional Finlandês, sob a chancela do Ministério da Educação e Cultura,  percebe-se que o sistema educacional é bem descentralizado. O Ministério da Educação traça as políticas educacionais e o enxuto Conselho Nacional de Educação coloca-as em prática. Elabora as diretrizes curriculares, que são adaptadas pelos municípios de acordo com sua realidade. As escolas adaptam-nas às necessidades locais, assim como os professores de acordo com a realidade e as necessidades dos alunos. O Conselho ainda, em amplo diálogo com as escolas, levanta dados (dos alunos, dos professores, dos métodos, dos problemas), analisa-os, compartilha com todas as escolas em busca de rápidas soluções. São cientes de que a educação deve ser cuidada no agora, mas também para um futuro, e para isso é preciso saber prever e resolver problemas. Levantam então as habilidades e competências atuais e as que se farão necessárias e traçam mudanças. Nota-se a ênfase dada à metacognição, à resolução de problemas e tomada de decisões, à criatividade e inovação, à colaboração e negociação, à cidadania e responsabilidade, às novas profissões, à comunicação em diversos idiomas, dando recursos para o desenvolvimento integral do aluno, abrindo-lhes portas de oportunidades sem fronteiras. E a educação funciona, pois há uma cultura da confiança onde todos são educados para trabalharem com liberdade, responsabilidade e autonomia em prol de um bem comum. Não há barganhas, não há falcatruas, não há supervisão. Há solução em todos os setores da sociedade. Cada um reconhece o seu papel e faz.

Claro que estamos falando de um  país com um pouco mais de 5 milhões de habitantes, com uma sociedade que prima pela igualdade, por desenvolvimento de mundos e gentes e que investe a longo prazo. Desde a década de 60, a educação básica é gratuita e obrigatória, e a partir da década de 70, o grau de mestre, a todos os docentes, tornou-se requisito mínimo necessário. O professor é muito valorizado e respeitado, e formado para ser consciente do seu papel social e da grande influência nas gerações futuras. Já o Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes, a educação não é valorizada, temos uma cultura imediatista, oportunista e da vantagem, o que dificulta mudanças e implementações de ideias. Mas é possível mudar? Sim. Basta olhar os finlandeses. Resgataram a auto e heteroconfiança, educam bem o seu povo e com fortes princípios, não se acomodam, traçam sempre novas metas e com atitude as alcançam. Ficam aí as primeiras lições. Aguardem as próximas.

11 de jul. de 2014

107. EDUCAÇÃO PELO MUNDO IV: Rússia: Recuperação de prestígio pela educação.

Seminário do Ministério da Educação Russa

O interessante de conhecer a educação de outra cultura é poder notar as diferenças e semelhanças em relação a nossa e ver o que podemos refletir e aprender.
Nota-se que a Rússia tem como meta a reforma educacional para dar conta da mudança político-econômica e retomar o prestígio mundial. Até 2021 todas as escolas terão que adotar os princípios educacionais estabelecidos pela nação, com foco tanto na prática pedagógica quanto na formação docente. Parece óbvio repensar a educação junto com tal formação, mas nem sempre se vê por aí ou por aqui. Nos pressupostos da reforma, percebe-se, entre outros, muita influencia dos princípios educacionais finlandeses, bem como de Paulo Freire, citado nos seminários organizados pelo Ministério da Educação da Rússia.
Mas que mudanças investem ou já adotam?
O papel do professor foi revisto para dar conta deste novo contexto. Os professores devem ter formação pedagógica com educação continuada a cada três anos. E aqueles sem experiência  tem um tutor para ajuda-los no saber fazer pedagógico. Aqueles com menos formação trabalham com as crianças pequenas, o que na minha opinião é um grande erro, visto que a base do desenvolvimento se dá na educação infantil, e portanto, onde deveriam estar os mais preparados e os mais experientes.
Se antes a meta era fazer o aluno confortável e cômodo à escola, agora tratam de fazer a escola confortável e cômoda ao aluno, desenvolvendo-lhe o interesse por estudar. Perceberam que não basta conhecer, mas sim ensinar o aluno a aprender a aprender. Desenvolver-lhe a capacidade de identificar e aplicar na prática o conteúdo aprendido, bem como relacionar a matérias. (Bravo!) Citam como exemplo a matemática que sempre foi muito forte entre eles. Hoje cuidam para que as regras se apliquem no mundo real dando maior sentido. E transparecem que o maior orgulho deles está na escola primária onde já ensinam através do aprender a fazer fazendo. Todavia é mais fácil neste nível de ensino, onde os conteúdos são mais básicos e os alunos menos condicionados. Contudo, seguem em desafio.

A escola deve ainda dar ênfase na  comunicação, aumentando a capacidade linguística dos alunos, a segurança, dando espaço para  que defendam seus pontos de vista e não se acanhem na resolução de novos problemas. 
Alunos apresentando-nos o sistema educacional russo.
Dar voz e vez ao aluno é realmente uma grande quebra de paradigma entre eles, mas necessária nos novos tempos. Contudo, na prática, percebi os professores muito arraigados num modo de fazer, com pouca fluidez e espontaneidade, e com um olhar sobre os alunos, que sem dúvida os intimidava. Claro, leva tempo mudar comportamentos tão incorporados, tanto em alunos quanto em professores. Mas pareciam dispostos a tal.
Alunos apresentando os livros lidos.
Plateia não tão animada.
À escola cabe ainda utilizar-se do método da problematização com base na metacognição, que consta em desenvolver nos alunos a faculdade de conscientizar, analisar e avaliar como se conhece, e pensar sobre o próprio pensamento. Concordo com a escolha. E, como é um método relativamente novo a eles, os melhores professores ensinam aos demais as competências necessárias para tal, multiplicando este novo jeito de ensinar e aprender. Há ainda um espaço virtual criado para que todos da comunidade educativa, inclusive os pais, possam interagir, estudar e aprender.
Aluno demonstrando as suas descobertas.
A escola deve ainda Introduzir novas tecnologias ao processo educacional, mas sem deixar de incentivar os trabalhos manuais. Também desenvolver nos alunos diversas competências, usar os diversos sentidos e diversificar tecnologias para as aprendizagens. E isto realmente vi na prática. Estão aprendendo a viver a teoria, enquanto as neurociências aplaudem!
Todavia, se percebi uma prática com ranços do tradicionalismo, percebi um discurso mais renovado. Agora é aguardar prá ver o que será. Mas uma coisa eu sei, é preciso querer caminhar, e caminhar. E isso eles estão fazendo.
Na próxima postagem, leia um presente recebido: tive o privilégio de assistir uma aula na Companhia do Balé Bolshoi. Aguarde.


7 de jul. de 2014

106. EDUCAÇÃO PELO MUNDO III: Algumas curiosidades da educação russa.

Visitamos várias escolas, na maioria públicas, tanto em Moscou quanto em São Petersburgo. Apenas 1 % das crianças estudam em escolas particulares. O ensino pode ser presencial, semipresencial (muito usado por atletas) ou por correspondência (em geral, opção de pais mais progressistas.) Cada escola visitada tinha suas especificidades, mas falemos do geral.
Logo na entrada, via-se vários sapatos pelo chão, pois não se entra na escola com os sapatos vindos da rua, nem na Russia, nem na Finlândia. Nem no verão. 

Chamou-me a atenção, o entusiasmo dos professores e diretores, a vontade de investir em qualidade de ensino e a quantidade de docentes para cada aluno. Em média eram 2,5 alunos por professor. Era frequente ver professores dedicando-se a um único aluno, àqueles com maior dificuldade. 

Vi muitos docentes idosos e era difícil a entrada dos mais jovens. Todavia, há uma mudança na valorização da profissão e as reformas educacionais estão fervilhando. Creio que haverá mudanças neste cenário.

Nos corredores silenciosos e limpos, via-se movimentação organizada, alunos formalmente vestidos e bem comportados.

Há um documento de direitos e deveres dos alunos que constam ainda das regras comportamentais, ditadas sem a participação dos mesmos. Apesar do autoritarismo ainda empregnado, era visível a busca por um ensino e relações mais democráticas. Uma das escolas reforçava o lema: “Valorize a tradição, porém siga em frente!” 

Ao perguntar sobre bulling e desavenças entre os alunos, uma das diretoras responde que hoje as crianças brigam menos, pois estão ocupadas em seus jogos eletrônicos. Esta questão dá pano para mangas!


Era visível, pelas paredes das escolas, a valorização que davam aos seus poetas, cientistas, escritores e o quão priorizam a arte de uma forma geral e incentivam o aluno a tal. 

As escolas respiravam arte, assim como as ruas, repletas de importantes museus, monumentos e belíssimas construções históricas. Sim, a cultura diz de seu povo! 
Catedral de São Basilio- Moscou
Museu Hermitage- São Petersburgo
Palácio de Catarina- São Petersburgo
Pelas salas, via-se aulas de música, desenho, pintura, fotografia, cinema, cerâmica e diversos estúdios. E há muitas apresentações para que os alunos desenvolvam e mostrem os seus talentos, também nos esportes.

Segundo eles, não com o objetivo de que se tornassem estrelas, mas para que tais habilidades pudessem beneficiá-los nas profissões escolhidas. Brilhante pensamento! E no que seria o nosso Ensino Médio, os alunos podem escolher as disciplinas que vão de encontro com a profissão almejada, aumentando seus interesses e melhores condições de êxito no futuro. Vale a reflexão.

Ao perguntar a um grupo de alunos quais as características do bom professor, eles disseram: ele deve gostar dos alunos, ser objetivo, ter boa comunicação, ter a mente aberta, métodos para captar a atenção dos alunos, não ser nem soberbo nem tão brincalhão. Belo recado.
Para concluir, diria que os russos estão atentos e apressados na adaptação dos novos tempos. Tema da próxima postagem. Até lá.