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1 de jul. de 2015

154: SEU FILHO TAMBÉM É MOVIDO A DESAFIOS.


O ser humano é movido a desafios. E o seu filho também. Quer ver? Observe se já não viveu esta cena. Uma criança pequena tenta subir no sofá, que para ela é um enorme desafio. Nesta tentativa, sempre aparece um adulto que resolve o problema, carrega-a e a coloca em cima do sofá, não é? Mas o que acontece? A criança desce imediatamente e começa tudo de novo. Pode parecer bobagem, mas esse desafio de subir no sofá diz de muitos desenvolvimentos motores, psíquicos, cognitivos e que além de serem úteis agora, serão base importante para futuras aprendizagens bem mais complexas. Mas, se desde pequena dizemos à criança que ela não consegue, ou nos adiantamos fazendo em seu lugar, ou ainda a acostumamos a conseguir as coisas fáceis, estaremos proporcionando a formação de uma possível criança insegura, passiva, sem curiosidade a novas descobertas e com limitados conhecimentos.
Assim, deixe seu filho desafiar-se e aceitar desafios para conquista-los. Fique de olho sim e sempre atento, afinal há riscos. Mas não exagere e nem subestime o seu filho. Com riscos calculados, deixe-o viver, desafiar-se, aprender e desenvolver. Sempre.
Assista aos dois vídeos e inspire-se.



ps: Nesse mes de férias usarei vídeos de crianças que circulam pela internet para a nossa reflexão e melhoria de ação.

17 de jun. de 2015

152. PARA GABI EM SEUS 21 ANOS.


Quando fiz 21 anos meu pai lançou-me um enigma como sempre gostava de fazer. E, como sempre, eu passava horas, dias ou até anos até sossegar com uma boa resposta. E nesse dia não foi diferente. Ele disse: “Parabéns, minha filha! Agora já é dona do seu nariz.” Fez uma pausa e continuou: “Mas lembre-se: não é dona dos buracos que nele há.” A expressão “ser dona do nariz” era-me familiar. Ser independente, livre, responsável por meus atos eu já vinha sendo ao morar sozinha, experiência muito importante à minha formação. Mas, o que significava não ser dona dos buracos do nariz? Já modifiquei alguns vezes essa resposta, mas hoje eu diria que ser dona de si não significa fazer o que se quer, nem quando, onde e por que se quer, pois há os buracos. Os buracos hoje simbolizam tudo o que não sou eu, mas que eu interajo de certa forma. Lembram-me que vivo no mundo, com o mundo e com os outros, e que devo ter uma contribuição responsável com os seres e ambientes, ciente de que esses “buracos” são também ocupados por outros. Que por eles coisas boas e ruins podem ser “respiradas” e por isso que é fundamental saber onde coloco o meu nariz. Mas que é graças ao que não me pertence, o buraco, que posso oxigenar, movimentar e dar vida à vida. Parabéns, minha filha! Há 21 anos vivo a delícia de ser mãe e de tê-la como filha. É um encanto e um presente participar e notar o quão brilhantemente constrói a sua vida e o seu ser com tanta consciência de seu nariz com seus buracos. Viva! Bravo!

3 de jun. de 2015

150. DESCONECTAR PARA CONECTAR.

Visita na casa de alguma avó.
Esses dias recebemos uma mensagem de nossa filha que está há quase um ano na Austrália: “Por aqui está tudo bem, não se preocupem. Mas, vou fazer uma experiência e ficar três dias sem o celular.” Perguntei o motivo e obtive como resposta: “Mãe, eu quero perceber o que estou perdendo ao meu redor enquanto fico conectada ao mundo.” Achei brilhante a sua ideia e visão, mas queria me certificar se havia algum outro motivo. Coisas de mãe. Imediatamente conectei o facetime para me abastecer, acalmar, vê-la e saber mais. Pausa. Viva sim esta tecnologia que tem muitos benefícios. Mas,  encaremos de frente. Estamos viciados nela. E isso tem atrapalhado também a relação entre pais e filhos. Um exemplo? Observe qualquer lugar onde haja família “unida”. Restaurante, shoppings, festas. Em geral, cada um está no seu mundo. E Gabi tem razão: estamos tão plugados que mal percebemos o que e quem está ao nosso redor. Quando saímos em família, em geral, nossas filhas pedem para não levarmos os celulares. Não é maravilhoso? Sinal de que gostam e priorizam a nossa presença e gostam de conversar conosco. Mas isso não é sorte ou surgiu do nada. Investimos para tanto. E é esse desafio que quero propor: desconectar-se um pouco do mundo que está nas mãos para se conectar, sem distração, com a família. Relação entre pais e filhos se aprende e requer atenção, intenção, continuidade, espaço, diálogo, carinho, respeito, prazer, confiança, troca, tempo entre outras construções. Não se dá por um acaso. Atente ao seu redor e não perca a principal conexão.


11 de fev. de 2015

136. EDUCAÇÃO PELO MUNDO: ÍNDIA E A EDUCAÇÃO GERAL


Tenho sentido urgência em conhecer os países, in loco, antes que a globalização tire deles o que há de mais interessante: a própria cultura com suas especificidades. Por isso, as últimas postagens trataram da cultura da Índia, que diz também da educação e da formação do ser. A Índia não é país que se destaca em educação. Mas, há projetos belíssimos que merecem ser compartilhados. Iniciemos com o que há em comum nas concepções e ações das instituições visitadas e que nos fazem refletir sobre as nossas.
Os projetos educacionais envolvem todos no processo. A equipe pedagógica, os alunos, funcionários, os pais. Cada um tem o seu papel definido e espera-se que o faça bem feito. E para fazer bem feito é preciso incluir o outro pois, como vimos, o bem estar de um depende do bem estar do outro. Isso faz uma diferença! Também assemelham-se no modo como vêem o educando. Um ser protagonista que requer ser desenvolvido no aspecto físico, intelectual, mental e espiritual. Espiritual que não se reduz ao sentido religioso, mas sim à formação do eu interior, muitíssimo valorizado na cultura.
Interessante notar que antes de qualquer atividade, e isso incluía os seminários de educação que participamos, havia uma introdução que objetivava levar os participantes à concentração, colocando-os na mesma frequência e harmonia. Uma música, um mantra, uma atividade meditativa, uma dança conjunta, uma construção de mandalas são exemplos que por lá vivi em diferentes ambientes educacionais.
Assemelham-se ainda nos espaços físicos. Poucas coisas, sem luxo, contendo apenas o que faz sentido usar. Curioso, que a maioria das escolas preferem o chão a vi mesas e cadeiras. Em geral, professores e alunos sentam no chão, descalços e em círculo para não haver diferenciação entre o ensinante e o aprendiz. E tanto professores quanto alunos fazem os seus registros em esquemas ou mapas conceituais, que sabemos que é uma excelente maneira de organização do conhecimento externo e interno.

Apensar da não diferenciação, era claro uma hierarquia na instituição, mas com relações bem integradas. Como exemplo, ilustro as refeições. Diretor, funcionário, aluno, visitante, cada qual tinha o seu espaço. Mas todos comiam com a mão, a mesma alimentação e lavavam os seus pratos. Linda metáfora.
Professor e Diretora do Centre for Learning
O ambiente escolar era vivo e colorido. Pés no chão, literalmente. Simplicidade em grandeza que desnudavam o meu ser, colocando-me de frente a tantos condicionamentos. E para além do quociente intelectual (QI) e o quociente emocional (QE), as instituições viviam o QG: quociente de Gandhi. A imagem abaixo já diz tudo.

Nas próximas postagens contarei dos projetos específicos, daqueles que me fizeram sentir e fizeram sentido.  Serão postagens divididas por cidades. Mas todos os projetos tem algo a nos acrescentar. Acompanhe, aproveite.

12 de nov. de 2014

127. PRESIDENTE DA PRÓPRIA VIDA.


Em um dos estágios que minha filha passou, encontrou em sua mesa o seu nome com uma observação abaixo: Presidente (da sua própria vida). Foi uma brincadeira de boas vindas do colega e que achei genial. Pois é exatamente o que eu acredito e que busquei prepara-la para tal. Aos 19 anos, Gabi já havia passado por alguns estágios em áreas distintas para melhor conhecer a profissão que havia escolhido. Confesso que fiquei em conflito, pois desde os 17 já trabalhava, estudava, cuidava da casa e já começava a pagar as primeiras contas. Temi que estivesse pulando etapas. Porém, ao olhar para os jovens do primeiro mundo, via que eles faziam o mesmo percurso. Nós brasileiros somos mais protetores ou até exageradamente superprotetores. Foi então que Gabi recebeu uma proposta do trabalho dos seus sonhos e que havia batalhado por ele. Não era mais um estágio. Refletiu, trocamos muitas conversas, percebeu que a vida de adulto começara. Dirigiu-se ao empresário e lhe disse que estava lisonjeada com a proposta, mas que precisaria parar um pouco para refletir o rumo que queria dar a sua vida. Ele respondeu-lhe: “Voe...voe... e na volta pouse aqui.” E lá foi ela para a Austrália estudar, desenvolver novas habilidades, enquanto vivencia outra cultura, outros trabalhos, explora lugares e se conhece melhor. Ser presidente da própria vida também é processual. Prepare o seu filho desde pequeno para ir assumindo as suas escolhas, decisões, erros, problemas, conflitos. Não o abandone ou assuma por ele, mas seja seu parceiro-orientador nessa empreitada. E delicie-se com os frutos.





13 de out. de 2014

122- RECOMENDO


Pela primeira vez viajei sozinha com uma das filhas. Camila faria 18 anos e lá fomos nós comemorar em alto estilo: Nova Iorque. Nenhuma das duas filhas moram mais conosco, e então aproveitar ao máximo cada situação é fundamental. O mais interessante nesses quinze dias de estreita convivência é que não vi mais a relação mãe e filha, mas sim de uma grande parceria, em que nos cuidávamos e colocávamos o nosso talento em prol de melhor aproveitarmos o dia e a nós mesmos, num roteiro que agradasse as duas. Como diz a canção NY não dorme e pouco dormimos também, pois há tanta coisa para se ver e fazer nessa cidade multicultural, tanta vida e ricas experiências, que queríamos aproveitar cada minuto. E a melhor forma que encontramos foi caminhar por toda (ou quase toda) Manhattan, e fora dela também. Creio termos caminhado cerca de 15 km por dia! Foi maravilhoso rever lugares, conhecer novos, reconhecer os locais vistos em filmes e seriados, alimentar os sentidos nas telas e esculturas dos grandes gênios da arte nos vários museus que a cidade aloja. Rico foi ouvir as tão diversificadas línguas ali faladas (mais de 150), ver o mundo todo representado na Times Square, encantar-se com os shows da Broadway, com o colorido outonal das folhagens do Central Park, com o canto gospel na Igreja Abyssinian. 
Surpreendente ter encontrado duas gigantes fênix do chinês Xu Bing em plena nave da Catedral de Saint John the Divine, após uma missa de benção aos cães. Delicioso o menu do Bistrô La Bonne Soupe (a melhor sopa de cebola eleita por nós), comer cup cake no The Magnolia Bakery, acompanhar o crescer da lua entre os gigantes e iluminados arranha-céus e delirar com as fascinantes vitrines da 5th Ave. Um prazer passear por charmosos bairros como Greenwich Village e Soho, atravessar a pé a ponte do Brooklyn, visitar tantos parques, centros culturais, igrejas, universidades, os tradicionais pontos turísticos e ver a cidade do alto e por tantos ângulos. Mas melhor de tudo mesmo, independente do lugar, foi ter a companhia adorável de Camila, compartilhar com ela os sentidos e o sentir, educarmo-nos simultaneamente, enquanto de mãos dadas explorávamos NYC e a nós mesmas. Uma experiência única e inesquecível. Recomendo. 

Rockefeller Center
5th Avenue
Johannes Vermeer no MET
A melhor sopa de cebola
Local onde ficava uma das Torres Gêmeas
Fênix em St John the Divine
Vista de Manhattan da Ponte do Brooklyn
Prá quem assistiu Gossip Girl...
Lincoln Center
PARABÉNS CAMILAAAAA!!!!







8 de out. de 2014

121- DUAS IMAGENS E UMA REFLEXÃO.


Dizem que uma imagem diz mais do que mil palavras. E ao ver estas duas eu só penso numa coisa: 

QUAL DESSAS IMAGENS DIZ DA EDUCAÇÃO QUE DAMOS AOS FILHOS?



    



24 de set. de 2014

119- SORTE?



Frequentemente escuto que tenho muita sorte por ter duas filhas autônomas, responsáveis, esforçadas, carinhosas, cooperativas entre outras qualidades as quais confirmo todas. Sorte? Bem sei o investimento feito! Melhor ouvir o ditado: sorte é o encontro da competência com a oportunidade.
Para ser pai e mãe é preciso preparar-se. É incrível como temos faculdade de tudo, e não temos para pais. Preparamo-nos para nossas profissões, adquirimos diversos conhecimentos, habilidades e competências, que nos ajudam a perceber e a agir melhor em nossa área, inclusive a notar as oportunidades! Porém, deixamos o nosso maior projeto, a formação de um ser, para “estagiarmos” a partir do que sabemos. E seguimos aprendendo entre erros e acertos numa vida sem ensaio.
Como melhorar? Estudar o desenvolvimento do filho em seu aspecto social, cognitivo, motor, afetivo, psíquico. Saber como ele aprende e como é bom ensiná-lo. Participar de palestras aos pais,  ler blogs, revistas, livros... informações não faltam. Acompanhar o filho de perto, delegando o menos possível. Orientá-lo (que é diferente de fazer por ele) sem se levar somente pelo coração ou pelo cansaço. Não esperar resultados a curto prazo, lembrando que entre a semente e a flor há o cuidado, a paciência, a perseverança, a determinação. Não desanimar com os erros ou as derrotas. Eles fazem parte. Treinar a percepção, buscando ver para além do que se mostra. E, se a oportunidade está difícil ou não te salta aos olhos, crie-a. E boa sorte! :)

21 de ago. de 2014

113. EDUCAÇÃO PELO MUNDO.FINLÂNDIA: X. A voz do leitor.


Visitei entre outras, na Finlândia, uma escola para crianças de 1 a 3 anos. Escrevi na minha coluna da Revista Pais & Filhos as minhas impressionadas impressões e lições tiradas dessa visita. Vale a pena conferir. http://www.paisefilhos.com.br/blogs-e-colunistas/de-olho-no-cotidiano/elevar-a-crianca-grande-licao
Recebi comentários em redes sociais, mas um deles chamou-me a atenção e o coloco em discussão. Resumidamente, a coluna fala do desenvolvimento da autonomia, responsabilidade e independência desde a primeira infância. E, a diferença que isto faz no presente e futuro do ser em formação.
A brasileira Renata trabalha com educação infantil em Montreal, Canadá. Ela conta que lá a base da educação é essa mesmo: autonomia acima de tudo. “Se uma criança aprende determinada tarefa (colocar os sapatos por exemplo) nunca mais os pais a farão por ela.” Todavia, percebe nas crianças mais velhas, nos jovens e mesmo nos adultos uma grande dificuldade para lidar com a hierarquia e a autoridade. Nota muito desrespeito e desobediencia de todos para com todos. Então, questiona se isto não é fruto do desenvolvimento precoce da independência. Pois, se desde pequena a criança é tão acostumada ao “Je suis capable de le faire” (Sou capaz de fazer sozinho), como conseguirá cumprir ordens ou reconhecer uma autoridade? Para ela, tudo parece ser uma “reaçao em cadeia: criança autonoma/independente demais - adolescente idem que nao suporta autoridade - adulto que cresceu sem conhecer hierarquia/autoridade.” Faz sim sentido a sua inquietação. Contudo, vejo esse comportamento no Brasil, onde não é costume educarmos para a independência e autonomia. Então, o buraco parece ser mais embaixo. Pergunta ainda se vi isso na Finlândia ou se educação previne tal conduta. Eu não vi tal comportamento nem em escolas e nem nas ruas, mas vi uma educação com liberdade e limites bem claros. Porém, verifiquei com uma brasileira que já está inserida na cultura finlandesa por dois anos. Diana conta que há alguns jovens que fogem a regra, e que perdem os princípios básicos da educação, como em qualquer parte do mundo. Porém, nota que a maioria das pessoas, independente de classe sócio-econômica, respeita a autoridade alheia e “quando você conhece os seus limites e responsabilidades, a autonomia ou independência é consequência.” A disciplina e as regras, diz ela, libertam. Também faz muito sentido o que ela diz.
Eu continuo a crer que a melhor forma de educar ainda seja pelo desenvolvimento da autonomia responsável e com uma liberdade onde a criança, desde pequena, aprenda que está no mundo, com o mundo e com os outros. Eu percebo em minhas filhas adolescentes, que assim as eduquei, um enorme respeito a nós e aos outros, e reconhecem autoridades, inclusive a nossa. Todavia, é fato que os jovens de hoje não vêem hierarquia como víamos. O mundo não pára e nem a educação. Leia este post. http://filhosofar.blogspot.com.br/2014/02/92-o-jovem-de-hoje-foi-crianca-de-ontem_4.html

7 de ago. de 2014

112. EDUCAÇÃO PELO MUNDO XIX: Finlândia: Coerência do princípio ao fim.


Nas escolas visitadas na Finlândia, vê-se excelente estrutura, moderna e ampla, espaço transparente, organizado e limpo. Nos corredores, obras de artes feitas pelos alunos são repletas de mensagens, habilidades, liberdade e respeito à diversidade. 
Além das aulas do currículo básico, os alunos têm várias optativas. Aulas de línguas, instrumentos musicais, corte e costura, gastronomia, lavanderia, marcenaria, tecelagem entre outras, com salas incrivelmente bem equipadas. 
E claro que numa sociedade tão igualitária e com mão de obra tão cara, no mínimo, aprender a fazer de tudo é uma excelente opção. Meninos e meninas cozinham, costuram, soldam, martelam sem distinção. A maioria dos alunos tem aparência saudável, descontraída e feliz. E o clima difícil não os impede de nada. Equipamentos e roupas especiais fazem com que a vida continue e explorem os conhecimentos para além das salas de aula.
Em geral, a conversa iniciava-se com a direção, mas eram os alunos que nos apresentavam as escolas em movimento. Apesar de ainda jovens, mostravam-se bem posicionados, seguros e cientes do que diziam. Sabiam o que aprendiam, o por que aprendiam e como aprendiam cada coisa. Que maravilha! Mas isso não é milagre. Para se ter uma educação de referência, o professor tem mesmo que ser bom, dedicado, estudioso e gostar do que faz. Precisa desenvolver nos alunos diversas habilidades e competências, diversificar métodos de ensino pois cada aluno aprende de um modo e em um tempo. Usar ainda os diversos sentidos e tecnologias, e propor várias possibilidades de aprendizagem. E isso vi na prática. Cito um exemplo: Os alunos haviam escrito um texto sobre um dado assunto, usando caneta e computador. Depois transformaram-no em imagens, então em colagens e por fim em audiovisuais. E tudo era apresentado ao grupo. As neurociências aplaudem!
O professor divide ainda os alunos em grupos de acordo com as capacidades e habilidades, e para isso é preciso conhece-las e saber identifica-las. Como também, possibilita que os melhores alunos ajudem os que têm mais dificuldade para que todos sejam bons. Mas ele não trabalha sozinho. Tem o apoio de um equipe de profissionais, o que contribui para um trabalho que prima a unidade na diversidade, e à igualdade. E isso também vi. Os alunos não são competitivos, mas estimulados à convivência e à construção em conjunto, pois ninguém aprende sozinho.  “Se é para competir que seja consigo mesmo para ser melhor.”, diz Mikael Flemminch do Conselho de Educação.
E nota-se, na prática, que os alunos têm mesmo a responsabilidade, e  não sofrem tantas pressões. A avaliação, por exemplo, serve em especial, para trazer informações aos alunos e aos professores sobre os ajustes necessários tanto ao ensino quanto à aprendizagem. Bravo! Disse-me uma professora: "A escola não é lugar de competitividade e alta pressão. Mas sim lugar de fazer amigos, aprender e ser feliz." E assim parecia ser.
O que mais dizer?
Finlândia, coerência é o seu sobrenome. E qual o nosso?

4 de ago. de 2014

111. EDUCAÇÃO PELO MUNDO VIII: Finlândia: Inclusive, educação inclusiva.


Para uma sociedade igualitária, a Finlândia aposta, inclusive, na educação inclusiva. Sabem que a dificuldade de aprendizagem pode colocar o sistema educacional em risco. Então ficam atentos e cuidam para que os alunos tenham uma boa base e não fiquem com lacunas. A cada dois alunos, um vai para as aulas de reforço, por ter mostrado alguma dificuldade. Ou seja, não deixam gaps! Se ainda assim o aluno não vai bem, é feito a ele um programa especial com duração de seis semanas. Se funcionou, volta ao ensino regular. Se não, um novo programa é elaborado, totalmente individualizado, com materiais feitos para o seu perfil, no qual pais, professores, médicos, psicólogos participam. E, há ainda, a classe de baixa motivação, para  alunos que não querem aprender, com uma equipe especializada em ajuda-los a querer e a gostar de aprender. Mas, apenas 4-5% possuem realmente problemas de aprendizagem, porcentagem que é mundial. E este número vem diminuindo devido ao trabalho precoce que fazem já na Educação Infantil. No Brasil, esta porcentagem é bem maior. Resolvemos o problema dopando nossas crianças? Quantas delas tem reais problemas de aprendizagem? Quantas são apenas problemas de ensinagem? Sei que meus ouvidos ouviram e meus olhos viram que os finlandeses fazem o máximo para que o aluno possa integrar-se no programa de ensino geral e quase não há reprovação. É sem dúvida um país igualitário! Atenção escolas, professores, pais!!! Inspiremo-nos neles!

21 de fev. de 2014

94. A ESCOLA IDEAL: QUAL O MEU PAPEL NESTA SEARA?


Este mes, fiz uma palestra para pais, diretores, coordenadores e professores de uma escola de Educação Infantil. Discutimos a escola ideal para o desenvolvimento da criança e o papel de cada um nesta conquista. Uma escola ideal requer pais, alunos, equipe pedagógica e sociedade ideais. Mas o que temos? Pais, alunos, equipe pedagógica e sociedade reais. Como aproximá-los?
Algumas dicas: Perceber que a escola ideal depende de uma época. O ideal de ontem, não é o de hoje. Lembrar que a escola é feita de gente, logo não está isenta de falhas. A escola deve se aproximar de seus ideias de homem e de mundo. Feita a escolha, trava-se uma parceria: escola-família. Sem ela, os pais deixam um pacote na escola, e não um filho. E por fim, cada um tem o seu papel pelo “ser ideal” da escola: pais, escola e alunos. Quais são?
Para mim, à escola dos pequenos, cabe adequação, segurança inovação em recursos materiais. Aprimoramento, fundamentação e encantamento de todos os envolvidos. Ensinar a 'aprender a aprender', diversificar aprendizagens ao desenvolvimento integral, acolher e orientar pais e crianças sem distinção. À criança, cabe perceber e construir o mundo e a si. Abrir-se às aprendizagens e ao desenvolvimento integral. E, aos pais, cabe conhecimento da proposta pedagógica da escola e de sua organização. Adequar-se às regras comuns e colaborar para que o ambiente escolar seja preservado. Ensinar e educar o filho para uma atuação autônoma e responsável consigo mesmo, com os outros e com o mundo. Esta junção pode resultar na escola dos meus sonhos.