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5 de set. de 2019

219. MÃE, O QUE É SEXO?


A criança tinha 8 anos, mas a mãe já estava a postos para a pergunta. Havia lido blogs, comprado livros, conversado com psicólogas. Sabia exatamente o que responderia à filha, o que os seus pais não a conseguiram responder: “O que é sexo?” E este tabu ela não queria repassar. Queria poder falar abertamente com a filha, o que não conseguiu com os seus pais.E eis que chega o dia. A criança fazia as suas tarefas, quando perguntou:

- Mãe, o que é sexo?

Naquele momento a mãe corre ao quarto, volta carregada e expõe livros infantis sobre o tema, espalhando-os pela mesa. O olhar curioso da criança avança e logo a mãe se propõe a explanar. Ao final, faz algumas perguntas e a filha responde sem tanto envolvimento e interesse para frustração da mãe. Logo volta à sua tarefa e lança mais uma pergunta:

- Mãe, mas o que eu coloco aqui na ficha. Sexo F ou M?

Ou seja, era preciso contextualizar antes a pergunta da criança. Às vezes criamos tantas expectativas em algo e o planejamos tanto, que esquecemos de observar o mais importante. Quer uma dica que não falha às perguntas? Sonde o que a criança quer de fato perguntar. Busque entrar no mundo dela, que aliás é bem diferente do seu, pois cada um percebe o mundo à sua maneira de acordo com os recursos que tem. Deixe o diálogo fluir, deixe a criança se expressar. E busque ampliar sim o mundo dela, mas com cuidados. Afinal, são tantas possibilidades de assuntos e diálogos! Entre tantas, pode ser sobre o questionário, sobre a diferença de sexo e gênero, dar até esta aula sobre sexo se a conversa assim fluir. Mas é bom que os assuntos partam da necessidade da criança e não da nossa.

Que tal assim?
- Mãe, o que é sexo?
- Onde está aparecendo a palavra, Filha? Deixe-me ver com você. 
E assim contextualizando, e em diálogo, você pode melhor ajudar seu filho(a) a compreender a si e o mundo ao seu redor.


9 de abr. de 2019

217. APRENDER USANDO TODOS OS SENTIDOS FAZ TODA A DIFERENÇA.



Aprender usando todos so sentidos faz toda a diferença. Por que? Porque a aprendizagem, entre tantas outras, é MULTISSENSORIAL. Note que colocamos o mundo externo para dentro de nós através dos sentidos. E cada um deles, seja a visão, a audição, o tato, o paladar, a audição, nos possibilita aprender. Cada sentido possue uma área específica no cérebro, que será ativada quando requisitada. Quando a criança aprende pelo tablet o que é um coelho, ou seja o que for, especialmente a área da visão será ativada. Quando aprende ao vivo e a cores, as áreas de todos os sentidos serão ativadas e isto fará toda a diferença para que a informação possa ser processada  e aprendida de forma mais complexa e duradoura. Assim, ativar o cérebro como um todo, além de promover mais desenvolvimentos e maior plasticidade cerebral, possibilita à criança uma aprendizagem mais fortalecida, mais organizada e mais fácil de ser lembrada. Além é claro de ser bem mais prazeroso e significativo, fatores essenciais para realmente aprender, gostar de aprender e se desenvolver. Isto vale também para nós adultos. Fica a dica.

27 de jun. de 2018

216. AS EMOÇÕES DOS PAIS MUITO DIRÃO DAS EMOÇÕES DOS FILHOS.

Se você não leu a postagem anterior, sugiro que a leia, pois fundamenta a emoção e o sentimento, que servirão de base para o melhor aproveitamento desta postagem.

Por que as emoções dos pais dizem das emoções dos filhos?
Photo by Nathan Shively on Unsplash
Porque os filhos sem maturidade suficiente para gerir as emoções, imitarão seus pais. E esta experiência será registrada em suas memórias e servirá de base para futuras experiências semelhantes.Vamos a um exemplo: Cada vez que o pai da criança interpreta como injusta a ação do árbitro, ele bufa, gesticula, berra com a TV o xingando. O que acontece? A ação do árbitro entra sem “colorido” no cérebro do pai através dos seus sentidos. É codificada e interpretada pela emoção a partir de suas memórias emocionais registradas em experiências anteriores. Neste caso, esta interpretação ativa nele a emoção da raiva, e a informação contaminada e colorida pela raiva será então racionalizada. Esta, por sua vez, mostra neste caso que, mal analisada e gerida, transforma aquela ebulição causada pela emoção em sentimento de injustiça, irritação e de revolta com um comportamento explosivo. E a criança aprenderá com esta experiência, e quando achar que um árbitro foi injusto, ou o professor, ou futuramente o seu chefe, terá como forte influência estas memórias guardadas. Quando dizemos, “ele puxou o pai, pois é explosivo como ele” estamos de fato dizendo que o pai, sem se dar conta, ensinou o seu filho a ser explosivo.  Assim como ensinamos tantas coisas sem nos darmos conta. Cuidemos das nossas emoções, pois assim estaremos também cuidando das emoções dos nossos filhos. Boas emoções! Vamos lá Brasil!

16 de mar. de 2018

213. COMO TRANSFORMAR UMA HISTÓRIA INFANTIL EM APRENDIZAGENS E DESENVOLVIMENTOS À CRIANÇA.


Há várias maneiras de transformar um livro numa experiência de aprendizagens e desenvolvimentos. Trarei sugestões e cuidados fundamentados no desenvolvimento da criança, que ajudam a criança a pensar, a se autoconhecer, a identificar suas emoções, sentimentos, conhecimentos e comportamentos, bem como a gerí-los. Claro, que a experiência de leitura dependerá do mediador/leitor e do desenvolvimento da criança ou do jovem. Especificarei quando necessário.

1. Peça ao seu filho para escolher um livro ou escolha você um que tenha uma mensagem que considere importante discutir com ele. Ou que a personagem viva um problema semelhante ao que ele vive, pois perceber no outro é sempre mais fácil. E quando o filho percebe no outro fica mais fácil fazê-lo perceber em si. E percebendo em si, fica mais fácil mudar e/ou gerir seja comportamento, pensamento ou emoção.

2. Ao ler para a criança de qualquer idade é bom que estejam em um lugar confortável, iluminado, tranquilo, sem muitos distratores. Se ela for maior, deixe-a ler.

3. Leia devagar página por página, mostrando em cada uma a gravura. Não comente nada, apenas leia para que você possa perceber e entender como o seu filho percebe e entende sem a interferência da sua interpretação.

4. Se ele fizer algum comentário no decorrer da leitura, apoie-o e o ajude a organizar o seu pensamento e a fala, sem pensar ou dizer por ele. Se ele fizer alguma pergunta, responda com a mesma pergunta que ele fez e o deixe responder. Segure-se mesmo que saiba a resposta. Pois, a pergunta e a resposta da criança nos dão dicas de como está organizada a sua cabeça e como e onde podemos contribuir.

5. Ao final, conversem sobre a história e não economizem perguntas. O que entendeu? O que aprendeu? Onde a percebe na vida? Em que a história se parece com a sua vida? Como usá-la na vida? Uma pergunta por vez. Formule e deixe a criança também elaborar seus questionamentos.

6. Cada um entenderá a história a partir do que já construiu em si e com a maturidade que lhe cabe, inclusive do sistema nervoso. Importante! Antes de você dar a sua interpretação, escute muito a criança ou o adolescente. Provoque-os para que expressem, sem medo, o que apreenderam. Ótima maneira de conhecer o filho, o que e como pensa, o que e como sente, e como age.

7. A criança menor compreenderá mais pelo concreto, ao pé da letra, de forma simples, mas muitas vezes com verdades complexas aos olhos dos adultos que conseguem ver com olhos de criança. Por isso, atenção ao que ela diz, pois sabe dizer saberes incríveis! Porém, ainda apresenta o pensamento confuso e lento, o que é normal. Então, quando ela for explicar ou dizer algo, calma. Não se apresse para completar o pensamento dela como quem adianta ou adivinha o que ela vai falar. Não! Deixe-a ter o esforço de pensar, de pensar sobre o que pensa, de sentir e falar. Segure-se, pois isso ajudará muito no desenvolvimento do autoconhecimento, da linguagem e de suas funções executivas, fundamentais na escola, e essenciais para a vida. E é de pequenininho que a gente começa e só aprendemos a fazer fazendo.

8. Os pré-adolescentes e os adolescentes conseguirão abstrair mais a mensagem e vê-la de modo metafórico, reflexivo e mais profundo. Provoque estes diferentes olhares e as formas de pensar, pois eles estão em ótimo momento para isso. E o desenvolvimento não acontece por um acaso. Precisa ser bem estimulado e trabalhado. Aproveite a história, façam-se perguntas mais profundas sobre ela, busquem analogias com a vida, enfim, FILHOsofem e explorem os deliciosos diálogos entre pais e filhos.

9. Importante cuidar da comunicação. Preste atenção à maneira como você reage ao que o seu filho diz e pergunte-se sempre: “Esta minha reação favorece que ele me conte o que sente, o que pensa e o que faz?” Simples assim.

10. Além da leitura, os pais podem criar outras atividades como desenhar o que achou mais importante, mudar o final da história, criar uma história diferente com a mesma mensagem, fazer novas ilustrações, fazer a personagem com argila etc. Importante é sentir o momento, estimular bom desenvolvimento e aproveitar-se do nosso poder criativo, bem como o da criança.

Estas dicas, testadas e aprovadas com filhas e alunos, proporcionam inúmeros benefícios ao desenvolvimento da criança, do adolescente e da relação entre pais e filhos. Além disso, a leitura do livro com diálogo, cuidados e uma boa dose de atenção, ajuda os pais a conhecerem melhor seus filhos, suas dificuldades, o que sentem, o que pensam e como agem. Tendo a história como apoio e deixando a criança se colocar, estamos ajudando-a a por para fora o que às vezes ela nem percebe que tem dentro. E  identificar como está sendo é a melhor forma dela se conhecer, refletir sobre si e aprimorar-se. Isto também vale a nós e para todos de qualquer idade. Só mudamos aquilo que temos consciência. Por isso, use e abuse das histórias para as crianças se autoconhecerem, pois isso será de grande valia para o hoje e para o amanhã.
Boas leituras. Bons diálogos. Boas inspirações. Felizes encontros.

Até a próxima!

15 de mar. de 2018

212. POR QUE LER "A PARTE QUE FALTA" E “A PARTE QUE FALTA ENCONTRA O GRANDE O.”?

“A parte que falta” e “A Parte que falta encontra o grande O”, ambos de Shel Silverstein, são livros infanto-juvenis (e para toda a idade) que tocam, pois tratam da natureza humana, da nossa incompletude e da nossa busca por plenitude, chamando-nos ao autoconhecimento. É de se supor que pais que tenham esta preocupação consigo favorecem maiores oportunidades aos filhos de se autoconhecerem também, o que é fundamental ao seu pleno desenvolvimento como apregoam tantas pesquisas. Além disso, são livros que chamam ao diálogo e várias questões podem ser trabalhadas de acordo com a idade do filho. Ajuda ainda a perceber a compreensão da criança para a mensagem, identificar as suas “faltas”, ajudá-la a lidar com elas, perceber como estão suas habilidades sócio-emocionais entre outras, além de muitas vezes nos surpreender com suas deliciosas interpretações, que mostram bem que o menos é mais. Ai as crianças! Como ensinam! Mas voltemos aos pais.
“A parte que falta” foi primeiramente lançado em 1976, mas inquietou a muitos, graças à Companhia das Letrinhas que o relançou este ano e ao vídeo cheio de vida da youtuber Jout Jout. Ouvi jovens, adultos, crianças comentando o livro aparentemente simples no texto e nos desenhos. Como se o autor não quisesse nos distrair com detalhes, mas sim nos fazer rolar junto com a personagem, que afinal rola para dentro de si e nos leva junto, fazendo brotar indagações de autoconhecimento na revelação enigmática da mensagem. Nele, a personagem é como uma pizza faltando um pedaço que rola em busca desta parte que falta. Interage com o meio, aprecia o entorno e até elege alegrias, enquanto tenta ajustar-se às partes que parecem ser a parte que falta. Mas elas sobram, faltam, sufocam, quebram, limitam, não encaixam. E, quando parece ter encontrado a parte perfeita, a “pizza” plena passa a sentir falta da vida, de seu ser e da sua falta. Então, coloca com cuidado a parte no chão e segue a rolar em busca da parte que lhe falta. Não, não tem um final feliz. E, talvez por isso, fiquem a ecoar em nós as tantas  perguntas: Falta em mim? O que falta? Por que falta? Como falta? Deve faltar? Fico com a sensação de que a falta nos move e nos faz avançar. Mas, até que ponto nos falta o que cremos faltar?
Perguntas que nos levam, também, ao autoconhecimento na relação com os filhos. Escuto mães dizendo: “Meu filho é minha vida!” “Meu filho deu sentido à minha vida.” “Meu filho me completa!” É bonito, mas será saudável e justo fazer do filho a parte que nos falta e moldá-lo para tal? Será que o meu filho quer ser a parte que me falta e me completa? Ou será melhor que ele seja inteiro? E eu?
E é esta a reflexão, ser parte ou inteiro, que me tocou em “A parte que falta encontra o grande O.”, lançado em 1984. Afinal, a ideia do outro ou de algo a nos completar é mais antiga que Cristo e está incorporada em nós pela cultura. Aprendemos a buscar a nossa metade, a achar a tampa da nossa panela, a fazer do filho uma parte de nós ou o todo de nós. E o livro trata bem esta questão: a ideia da união de inteiros e não de metades. Acho que vale pensar. Neste, é a parte que sente a falta e na sua busca encontra a “pizza”, agora um círculo completo. A parte crê que encontrou o seu complemento e quer rolar com o círculo. Mas este a nega pois já se encontra completo. Sugere, então, num diálogo cru(el) e de impacto, que o pedaço role sozinho. E assim a parte segue, aos trancos e barrancos, arredondando suas arestas com esforço e determinação, até que rola por si, tornando-se livre para rolar junto sem precisar rolar com. E assim seguem ambos inteiros rolando juntos num final bem mais feliz.
Resumindo em uma palavra, eu diria que um livro é PIECE e o outro PEACE. O primeiro trata de PIECE (pedaço), e nos faz refletir o que falta, seja em relação a nós, aos filhos, a outros, a objetos, a desejos diversos. Já o segundo, remete-nos a PEACE (paz), estado que nos permite sentir a completude, ainda que nos falte, mas que nos faz cientes de que cabe a nós completarmo-nos. Creio que só assim poderemos em todos os nossos papéis rolar junto sem precisar rolar com, o que propicia relações mais saudáveis e de desenvolvimentos. E creio que só assim poderemos ajudar nossos filhos em suas faltas e completudes: rolando e ensinando a rolar junto, sem rolar com.
Dito tudo isso, como explorar estes livros com a criança ou adolescente? Leia, escute, indaque, leve seu filho a pensar sobre o livro, sobre si e sobre o que pensa, sente e age: O que é a parte? O que falta? O que está por trás da falta? Traga exemplos do seu cotidiano como a falta daquele celular, tênis ou jogo que todo mundo tem menos ele. Ou faça uma analogia com os amores, amigos, manias. Como eles completam? Por que completam? Deveriam? E deixem fluir perguntas e respostas que lhe tragam informações importantes para ajudar o seu filho a constituir-se por inteiro.
No próximo post, trarei sugestões e cuidados fundamentados no desenvolvimento da criança e adolescente para proporcionar ao seu filho uma rica experiência de leitura e autoconhecimento com a ajuda dos livros infanto-juventis.
Boas leituras! Continuemos a rolar.


22 de fev. de 2018

211. QUANDO OS FILHOS EDUCAM.


Sempre penso no processo da maternidade por diferentes ângulos. Ultimamente sondo o que tenho vivido: quando os filhos educam. Noto-me com minha mãe e me percebo educando-a em algumas facetas. Noto-me com minhas filhas e as percebo educando-me em alguns aspectos. Fico feliz e tiro uma conclusão: Fizemos um bom trabalho. Não me refiro às crianças pequenas que educam os pais numa perigosa inversão de papéis. E nem às tantas educações que os filhos nos proporcionam sem nem perceberem. Digo de filhos já mais amadurecidos que educam intencionalmente os seus pais. E isto é fazer um bom trabalho? Ser educado pelos filhos? Sim, eu creio que sim.
Quando minhas filhas me educam ou eu educo minha mãe, faz-se claro que entendemos que somos seres em construção, eternos aprendizes. Além disso, demonstra que há uma relação de valorização e de amorosidade entre mãe e filha, que vai além de uma feliz aparência. E ainda, que há transparência, abertura, diálogo, profundidade, confiança, democracia, numa relação que não foi construída a qualquer preço. Quando os filhos nos educam é sinal de que souberam ir além do que ofertamos. E voltam para nos ajudar a perceber o que há para melhorar em nossa realização de vida. Quando minhas filhas me educam, sinto paz e alegria tamanha a percepção que alcançaram de si, do mundo e dos outros. E sigo educando sem deixar de aproveitar-me do imenso privilégio deste fruto educacional que é ser educada pelos filhos.