25 de nov de 2016

190. APRENDE- SE DA CULTURA VIVENDO A CULTURA.


Estive estes dias em Londres e Paris e visitei vários museus. Em todos eles, sem exceção, encontrei professores com os seus alunos com didáticas diversas e metas também. Conto um pouco do que vi. Um grupo, bem a vontade espalhado pelo salão, estudava perspectiva ao reproduzir a escultura por vários ângulos. Outro grupo fazia uma gincana pelo museu. As crianças tinham que encontrar e fotografar as dez obras que haviam estudado. Outro grupo, encontrava-se cada qual atento a um quadro e fazia uma releitura. Um dos garotos desenhava a Mulher Maravilha no lugar da Nossa Senhora. Fazia sentido! E apesar de novos, desenhavam muito bem. Claro, professores desenvolvidos e recursos favoráveis ajudam a promover desenvolvimentos aos alunos. Vi ainda, um grupo de adolescentes, que parava nos quadros e o professor dialogava em busca de ampliar percepções. Apenas dois mostravam-se desinteressados. Diferente do outro salão, onde vários jovens nem piscavam, atentos à obra, ao professor e às anotações. E era bem comum ver crianças sentadas em frente a uma obra enquanto aprendiam a percebe-la e e senti-la na sua complexidade. Alguns professores eram mais interativos, outros mais expositivas, outros mais lúdicas. Mas todos, proporcionavam a vivência da cultura na cultura. E lembrei da educação do Brasil. Temos muitos projetos bonitos, escolas sem igual. Mas, penso na maioria. Nas nossas aulas, nos recursos, no desenvolvimento do professor e do aluno, no que valorizamos como cultura. Penso na esperança e no trabalho pela frente.

15 de nov de 2016

189. CRIANÇAS FRANCESAS FAZEM BIRRA SIM.

Passei alguns dias em Paris e ouvi muitas crianças fazendo birra. A gente reconhece quando é choro de manha, não? Logo lembrei-me do livro de Pamela Druckerman, “Crianças francesas não fazem manha.” Fazem sim. Porém, Pamela tem razão. Realmente a educação delas é bem diferente da nossa. Destaco alguns pontos. Não se vê criança comendo porcaria e apesar das panificadoras maravilhosas, quase todos são magros. Educa-se desde pequeno a comer bem, pouco e na hora. Também se alimentam da cultura bem melhor que nós. Vê-se criança com os pais em museus, concertos, espetáculos diversos. E as crianças tem muita curiosidade para tais eventos e se comportam muito bem. Claro, aprendem de pequena a relacionar-se com a cultura e a manter a arte no olhar. Vê-se ainda pais e filhos juntos em restaurantes, parques, lojas. Não há a cultura da babá como nós. Sorte das crianças e dos pais. Mas, neste processo vê-se e se ouve muita birra sim. Afinal, educar é complexo em toda e qualquer cultura e há processos de desenvolvimentos que acontecem em todas elas. A diferença está em como se lida. No quesito manha, os franceses também parecem lidar melhor. Não ficam negociando ou cedendo como vemos muito por aqui. Eles resolvem logo para não incomodar, encaram a criança, dizem algo e seguem andando. Ela para o choro, “cai na real” e os segue. E nesta hora dá vontade de esmagar a criança de tanta fofura. E aí entra a cultura brasileira. Extremamente afetiva como quase nenhuma outra.

5 de nov de 2016

188. DICAS QUE FACILITAM ENSINAR A CRIANÇA.


Quando eu tinha cerca de 4 anos, achava que já era independente como quase toda a criança desta idade. Minha mãe quis se previnir ensinando-me a atravessar a rua. Morávamos numa ladeira, pista para tantas brincadeiras. Deu-me a mão, caminhamos até o meio-fio, mas fixei o olhar na sarjeta por onde navegavam nossos barcos de papel nos dias de chuva. Como eu era feliz com tão pouco! Ela chamou-me a atenção e disse: “Antes de atravessar a rua você deve olhar bem para cima e para baixo.” E repetiu isso várias vezes e me fez repetir para ter certeza de que eu havia entendido. Observou o entorno, viu que era seguro e soltou a minha mão para eu ir. E conta que fui toda importante, olhando para baixo e para cima. Literalmente, para o céu e para o chão incansáveis vezes até o outro lado da rua. (rsrsrsrs)
Valeu, mãe, pelo carinho e cuidado. Todavia, hoje, com o avanço das ciências temos novas dicas de como agir em situações como esta. Ei-las. 
1. Coloque-se no lugar da criança, como se fosse possível esquecer o que você sabe e pensar com o pensamento dela.
2. A criança pensa no concreto e ao pé da letra. Um trânsito engarrafado pode significar carros dentro da garrafa.
3. O movimento é um grande aliado na aprendizagem da criança. Neste caso, atravessem juntos e exagere ludicamente os movimentos da cabeça orientando-a para ambos os lados da ladeira. Repitam e a ensine também a analisar o entorno. 
4. Quando ambas sentirem segurança, deixe-a ir, mas sem tirar o olho. E, num instante, já estarão prontos para novos desafios.
Te amo, Mãe! Grata pela linda história.