26 de mai de 2015

149. PEDIDO RAPIDAMENTE CUMPRIDO.


Esta história não fui eu quem escrevi, mas adoraria que tivesse sido. Tampouco sei quem a escreveu. Mas achei que faz muito sentido e nos coloca em boa reflexão.

“Um dia, minha mãe e eu conversávamos sobre a vida e a morte e eu lhe disse:
- Mãe, se um dia eu estiver num estado vegetativo, em que minha vida dependa unicamente de aparelhos, desligue, por favor, as máquinas que me mantêm artificialmente em vida! EU PREFIRO MORRER!!!
Então eu vi minha mãe se levantar, me olhando cheia de admiração... E puxando decididamente os fios, ela desligou: a tv,
o dvd,
o cabo de internet,
o computador,
o MP3/4,
o playstation,
o wifi,
o fixo...
E ainda me arrancou:
o celular,
o tablet,
o Ipod.
EU QUASE MORRI!"

Para bom entendedor... uma história basta.

21 de mai de 2015

148. CUIDADO COM O QUE SE ENSINA!

The babes in the wood de Thomas Crawford.
Metropolitan Museum - NY

Esses dias ouvi uma história de um adulto que serve de reflexão e alerta na educação dos filhos. Contava que na infância sua mãe dizia aos filhos que quando não se arrumava a cama o anjo da guarda não saia dela e portanto não os acompanhavam durante o dia. Apavorados, eles não falhavam. E a mãe resolveu o seu problema de reclamar todo dia. Já adulto, um dia saiu sem tempo de arrumar a cama. Bateu o carro e logo se lembrou do que a mãe dizia. Tentei receber essa informação como uma criança e tive logo uma angústia: Se o anjo da guarda não levanta da cama, logo ele dorme comigo. E se assim for, e como não o vejo, posso criar medos. “O que ele pode fazer comigo?” “E se eu deitar em cima e o machucar?” Mas pensando como adulta e com o que já construí até aqui, continuei a conversa. Notamos que várias outras vezes ele não tinha arrumado a cama e nada havia acontecido. Duvidou então dessa verdade. Mas confessou a angústia que sentia. Nem sempre queria arrumar a cama, mas morria de medo de não fazê-lo. A questão aqui não é se o anjo da guarda fica na cama, se ele existe, se é verdade isso ou aquilo. O fato é que a infância deixa marcas profundas em nossa vidas que dirão do nosso ser. A ela agradecem os psicólogos e analistas. Muitas vezes usamos de fantasias com as crianças para facilitar a resolução de um problema, ou apenas repetimos “verdades” sem pensar. Sugiro fazer sempre uma “faxina” nos conceitos e ações antes de passá-los adiante. Resolver um problema e arrumar outro não parece boa pedida. A não ser para psicólogos e analistas.

15 de mai de 2015

147. A IMAGEM E A MENSAGEM.


Esta imagem virou um viral nas redes sociais, pois é mesmo impactante, emocionante e forte. A foto descrita como “irmã de dois anos e meio protegida por irmão de quatro anos no Nepal” logo nos faz associar aos terremotos recentes na região que tantas mortes e destruições causaram. E imaginar que as crianças ficaram órfãos. Dói só de pensar. Mas, segundo a BBC News essa foto foi tirada em 2007 em Can Ty no Vietnã pelo fotógrafo Na Son Nguyen. Ele conta que passava pelo vilarejo e parou para observar duas crianças que brincavam enquanto os pais trabalhavam na lavoura. A menininha chorou com a chegada de um estranho e o irmão abraçou-a para confortá-la. Nguyen achou emocionante e fez imediatamente o registro. Claro que, independente da história real da foto, deve haver várias crianças no Nepal agora em semelhante imagem. Volto a ela. Note a linguagem corporal das crianças. O que ela me diz? Que o tamanho da emoção da criança, seja de medo, alegria, raiva, tristeza, afeto, independe do tamanho da problemática da história. Por isso, não devemos menosprezar a intensidade da emoção infantil dizendo “isso não é nada”, “é bobagem” ou ainda comparando com as nossas emoções que parecem sempre maiores. Para a criança as suas emoções são reais e intensas e precisará de vivências para conhecê-las e aprender a lidar com elas. Deve assim ser reconhecida, respeitada e acolhida como fez o irmão e ir além. Deve-se cuidadosamente trabalhá-las para o seu equilíbrio e amadurecimento. 

12 de mai de 2015

146. AMO QUANDO A CRIANÇA ME DÁ UM NÓ!

Sistema ósseo: estrutura para o que viria.

Assisti com uma criança um vídeo lindo da BBC tendo como fundo a música “What a wonderful world”. A letra, falada em poesia, era ilustrada por maravilhosas imagens da natureza. Plantas, animais, rios, mares, sóis e luas movimentavam-se em versos a encantar nossos sentidos. E eis que a criança suspira e diz: “Como eu amo a natureza!” E é mesmo incrível notar como a criança é extremamente sensível à natureza e a tudo o que a atinge. O que nos ajuda a educá-la para continuar amando e não cair na armadilha “da força da grana que ergue e destrói coisas belas” (Caetano Veloso). Biofilia é o que a criança tem de sobra e que falta a tantos adultos. A palavra tem origem grega. Bio significa vida. Philia, amor. Ou seja, amor à vida, instinto de preservação seja lá ao que for. Há vários anos, estudava com alunos de 8-9 anos os sistemas do corpo humano. Para deixar mais concreto sugeri que abríssemos um mamífero, mais especificamente, um rato. Afinal somos todos parecidos por dentro. A crianças ficaram  indignadas e horrorizadas comigo. Mas, gostaram da proposta e sugeriram abrirmos outro mamífero: um indigente já morto. Minha cabeça deu um nó por um bom tempo. “Preferir abrir um homem a um rato?!”, pensava. Então lembrei-me da biofilia, voltei ao olhar da infância e notei vários condicionamentos culturais construídos em mim. Afinal, só queriam trocar um vivo por um morto! Fazia sentido. Mas não abrimos nem homem, nem rato. Encontrei outras formas também eficientes. E novamente estava eu aprendendo e crescendo com as crianças.