26 de abr de 2015

145. JÁ SEI NAMORAR!



A mãe de Júlia de 7 anos estava preocupada com o rápido desenvolvimento da filha no quesito sexualidade. A menina era provocadora, já sabia fazer caras e bocas, não saia do facebook, já usava maquiagem e dizia ter namorados. A mãe chama-a para uma conversa. Feito adolescente, Júlia vem se arrastando com cara de “Que saco!” A mãe diz: “Vamos conversar desses namorados.” Júlia responde: “Você quer que eu te ensine a namorar!?” Infelizmente, conheço algumas Júlias. Digo “infelizmente”, pois sou totalmente a favor da criança viver a tão passageira infância. Mas também conheço muitos pais de Júlias. Observemos ao redor e pensemos sobre. Já repararam como os adultos adoram perguntar às crianças se elas já têm namorado? Pra que? Se as Júlias usam maquiagem, quem as comprou? Com quem aprenderam a provocar? Será mesmo necessário ter um smartphone aos 7? E porque não saem das redes sociais? Não estaremos nós também fixados nelas? O que tenho proporcionado nos tempos livres da criança? Tantas outras perguntas poderíamos nos fazer. Mas, o mais importante é lembrar que tudo, TUDO o que a criança faz ela aprendeu. E é essa a minha provocação do dia: O que tem sido proporcionado à criança para aprender e desenvolver? Então, alguém pode reclamar: “Mas todas as crianças hoje usam maquiagem, tem celulares, namoram! Vou criar um estranho no ninho?” Eu respondo: “Não seria esse ninho estranho? Todo mundo igual?”
Queridos pais de Júlias, deixemo-nas serem crianças.


23 de abr de 2015

144. QUE TIPO DE PAI/MÃE EU SOU NA ESCOLA?


Aposto que você já ouviu na escola do seu filho a palavra “parceria”.  Por que as escolas têm insistido tanto nisso?
Voltemos um pouco no tempo. Pais trabalhavam fora e eram os provedores. Mães cuidavam da educação dos filhos, enquanto a escola instruía. Rapidamente essa realidade ficou para trás. Pais e mães viraram profissionais e coube à escola todo o resto. Há vários anos, quando eu era professora de crianças, uma mãe veio reclamar que eu não estava ensinando o seu filho a rezar (e a escola era laica!) nem a amarrar o tênis. Fiquei pensando nas mudanças que estavam ocorrendo e nas que estavam por vir. A escola, diante da nova realidade, viu-se com papéis acumulados e com obrigações que não eram dela. Com o tempo e com o desenvolvimento das ciências, a escola percebeu que o seu papel era bem maior que a instrução, mas se viu sobrecarregada e começou a falar em parceria, explicitar os papéis de cada um e a colocar limites, ainda que escutasse injustas reclamações de incompetência. Pense: você tem um filho para educar. A escola tem muitas crianças! Não dá para terceirizar a educação dos filhos! Mas complementar as educações, escola e família, pode ser uma proveitosa e maravilhosa parceria. Então vamos lá. Que tipo de pai/mãe você está sendo? O que cabe a você e à escola? Pode melhorar o seu papel? Pode ser mais parceiro? Pense cuidadosamente, pois entre a escola e a família há o seu filho. E lembre-se que reflexão sem ação pode levar à tomada de consciência. Que já é bom, mas não é muito.

20 de abr de 2015

143. UM PASSO A FRENTE?


Sim e não, mas um passo por vez. Explico. 
É muito comum observar pais desejando o próximo passo do filho. Rolou na cama, já querem que sente. Sentou, já querem que ande. Andou, já querem que fale. Falou, já querem que leia e escreva. E assim por diante. Por um lado, isso é bem positivo, afinal sabemos o que a criança é e o que ela pode vir a ser. E queremos ver progressos. Por outro lado, esse desejo pelo desenvolvimento, se não for bem administrado, pode ser negativo. Primeiro que gera mais ansiedade. E, já basta o tanto que ela brota em nós assim que viramos pais. Pode ainda levar-nos ao erro de superlotar a agenda da criança para que ela potencialize o seu progresso. Além disso, ouço muito a frase: “Não vejo a hora que meu filho faça isso ou aquilo.” Todavia, ao focar o que a criança poderá fazer podemos desfocar o que ela está fazendo. E é uma pena perder o momento. Estes dias Gisele Bündchen despediu-se das passarelas e o motivo principal pareceu-me ser os filhos. Sabia que estava a perder desenvolvimentos importantes no aqui e agora. Não estou sugerindo que abandonemos a “passarela”, mas que vivamos e nos encantemos com cada momento que a criança vive. Pois o presente se faz do passado. E o futuro se faz do presente. Assim, pensar a um passo à frente é fundamental para fazer planejamentos e tomar decisões. Mas viver cada passo dado, cada nova aprendizagem da criança (e que são muitas!), é o melhor investimento e o melhor presente. Caminhemos.