30 de abr de 2013

68- EU, ETERNA APRENDIZ.


Ouvi um menino de cerca de 8 anos dando um recado aos professores: “Usem mais a tecnologia nas salas de aula! Mas se você é velho e não consegue, tudo bem. Mas, se você tem de 30 a 40 anos, ainda dá para aprender.” Achei graça do seu parâmetro de velhice, embora eu conheça velhos de 8 anos e jovens de 80. Por sorte, ele está errado, pois podemos aprender até o último suspiro. Ainda bem, pois já tenho 48! Nosso cérebro tem um alto poder de plasticidade. Viva! Mas é preciso disposição e abertura para continuar aprendendo e não se aprende passivamente. A aprendizagem é intencional e atencional.
Este ano comecei com grandes desafios de aprendizagem. E, por mais que já tenhamos experimentado algo, sempre há algo novo para desorganizar nossas conexões neuronais e reorganizá-la de modo mais amplo. Comecei um projeto novo: “Lígia Pacheco em 3 minutos”. Aprendi a gravar, filmar, editar. Fiz meu primeiro prefácio para um livro lançado em Portugal. Inesquecível. Fui entrevistada duas vezes pela BAND NEWS e aprendi dos bastidores da rádio. Dei palestras para pais e equipe pedagógica de várias cidades em diferentes estados do Brasil: SP, RJ, PE, BA, DF, GO, RN, CE, ES, MG. Aprendi mais da cultura local, do ser humano e fui desafiada a estudar ainda mais. E agora embarco para Dubai, China e Hong Kong com uma missão: pesquisar mais da cultura e da educação do oriente. Agradeço a Deus por me abençoar tanto e me dar tanta disposição para não envelhecer, mantendo-me uma eterna aprendiz. Até a volta!

25 de abr de 2013

67- TODA CRIANÇA É GENIAL


Dizia Albert Einstein: “Somos todos geniais. Mas, se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em árvores, ele passará sua vida inteira acreditando ser estúpido.”
Quantas vezes não fazemos isto, ainda que inconscientemente, com  os nossos próprios filhos ou alunos?
A criança ao nascer é um ser de possibilidades. Não acreditamos mais no determinismo e portanto, a expressão “filho de peixe peixinho é” já não faz mais sentido. E nem os nossos sonhos e conhecimentos passam pela genética. Cuidado, cada ser é cada ser, sendo. E, sendo um ser de possibilidades pode vir a ser um ser qualquer. Pois, para desenvolver seus potenciais, a criança vai depender de oportunidades, mas isto não basta. Não basta colocá-la na melhor escola, nos melhores cursos de línguas, informática, esportes, músicas, artes. Para que ela aproveite estes recursos, em prol de seu desenvolvimento, é necessário que  tenha a capacidade. E então, motivação, isto é, que tenha um motivo na ação. E para isto é preciso que a atividade mexa com suas emoções, faça sentido, seja ricamente desafiadora, mas nem aquém e nem além de suas capacidades. Portanto, avaliar nossas crianças a partir de nossos interesses, sonhos, capacidades, conhecimentos, visões e percepções é  tirar-lhes delas o que há de mais lindo no humano: o ser especial e essencialmente único. Assim, veja a criança como ela está sendo, ajude-a a desenvolver potenciais, cuide para que ela possa ser uma unidade na diversidade e admire sua genialidade, seja ela qual for.

16 de abr de 2013

66- NO AR: AS NOVAS CONFIGURAÇÕES FAMILIARES

Fui novamente entrevistada pela BANDNEWS com mais um tema provocador: “As novas configurações familiares”.
É certo que nenhuma mudança pode ser vista de forma isolada. A família faz parte de um contexto maior, histórico-sócio-político-econômico-cultural, onde a mudança de uma das partes modifica as demais. E é fato que a família vem sofrendo nas últimas décadas mudanças profundas quanto a sua natureza, função, composição e concepção. Observe: Na década de 70 meus pais se separaram. Meus irmãos e eu perdemos os nossos amigos, tivemos que mudar de escola e algumas delas não nos aceitaram alegando que seríamos más influências às outras crianças. Vinte anos depois, minha filha chega da Educação Infantil aos prantos querendo saber quando iríamos nos separar, visto que ela era a única na classe que tinha os pais casados. Interessante notar a velocidade da mudança! Por motivos opostos, tanto eu quanto ela éramos “ETs” na sociedade! Além disso, qual escola hoje ousaria negar a matricula de uma criança de pais separados? Não há como fechar os olhos para a mudança familiar, hoje composta por múltiplos e diferentes arranjos: monoparental, homoparental, adotiva, recomposta, comunitária entre tantos outros formatos, que em breve estarão normalmente incorporados ao novo contexto. Independente de nossas crenças, valores, princípios, a diversidade é rica, cada qual tem o direito as suas escolhas, a criança não deve pagar o preço pela mudança e o preconceito não impedirá o turbilhão das transformações. Reflitamos.
Tendo interesse, segue o link da entrevista:

3 de abr de 2013

65- SERÁ QUE CONHEÇO MEU FILHO?



Assisti esta semana o filme “A busca”, dirigido por Luciano Moura e protagonizado por Wagner Moura que me fez refletir o quanto (des)conhecemos os filhos e o que é preciso para conhece-los melhor. O longa é um triller dramático. O casal vive uma crise conjugal, o pai é bem austero e controlador e o filho que está prestes a completar 15 anos sai em viagem, mas não volta. O pai em desespero sai em sua busca e  percorre uma longa jornada atrás das pistas deixadas, encontrando várias lições de relações humanas, e da relação entre pai e filho. Há muitas cenas especiais, mas vou citar apenas uma para não estragar o filme de quem ainda não assistiu. O pai mostra uma fotografia 3X4 do filho a um barqueiro que havia estado com o menino dias antes. O homem em sua simplicidade diz algo como: “O rapaz que esteve aqui é muito diferente deste menino aí.” A foto era do garoto com seus 5-6 anos, enquanto ele já estava fazendo 15!  E pensei: Quantas vezes não enxergamos que os filhos cresceram com seus sonhos e desejos! “Olha pra mim” dizia uma das músicas da trilha sonora. Arnaldo Antunes deixou seu recado. E, foi mesmo lindo perceber a aprendizagem do pai nesta jornada, conhecendo o filho através do seu rastro, como também a si próprio. Foi visível a sua transformação, e fácil perceber que o resgate do filho, acaba sendo um resgate dele próprio. Saí do cinema reflexiva, pensando em minhas filhas, em mim e com uma certeza: Só é possível conhecer o outro, conhecer o filho, quando nos dispomos a conhecer, primeira e verdadeiramente, a nós mesmos. Vamos lá?