18 de jun de 2011

18- LEITURA DE MUNDO


Oportunidades aparecem ou as criamos.
Criei uma. Assim, farei uma pausa, pois também é preciso ler o mundo para além das palavras.
Lá vou eu.
Na volta retomo com a motivação sendo colocada em prática no dia a dia, e em como desenvolver a autonomia no seu filho.
Aguarde também a série: Pais, Filhos e Escola.
Grande abraço,
Lígia

17 de jun de 2011

17- OPORTUNIDADE E MOTIVAÇÃO EM AÇÃO.

Leia a postagem anterior e observe nos filmes abaixo a
oportunidade e a motivação em ação.

Jonathan com 3 anos "maestrando" Beethoven.

QUEM PROPORCIONOU E PROPORCIONA A MÚSICA CLÁSSICA AO MENINO?
COMO ELE SABE O QUE E COMO FAZ UM MAESTRO?

COMO SERIA JONATHAN SE TIVESSE NASCIDO NA CASA DE UM PAGODEIRO?

Note:
NÃO SE APRENDE O QUE NÃO SE CONHECE.

Se acompanhar Jonathan pela internet verá a diversidade de oportunidades que ele tem e a manutenção de sua motivação. O seu desenvolvimento musical não acontece por um acaso.

Veja também:
Jonathan tocando violino. A irmã menor o imita e também aprende. Conseguirá manter a motivação do irmão? 
Jonathan regendo a Sinfonia nº 1 de Brahms.
Jonathan apresentando-se formalmente com orquestra. 

16 de jun de 2011

16- OPORTUNIDADE E MOTIVAÇÃO

Para que a criança e qualquer ser humano queira realizar algo, aprender e desenvolver há que ter oportunidade. João Carlos Martins (JCM) dificilmente teria se tornado pianista e maestro se tivesse nascido em lugarejo iletrado, sem recursos, sem luz elétrica, sem notícias. Sua genética poderia ser propicia à música, mas como saber que existe piano se não for apresentado a um? O pai de JCM comprou um piano quando ele era ainda pequeno, e logo ingressou em aulas de piano clássico. Oportunidade é tudo, mas não garante nada. Há que querê-la, bem como saber aproveitá-la. E isso também se aprende. Mas de nada vale, se o que se realiza não fizer sentido e tiver motivação suficiente para ultrapassar as dificuldades do desenvolvimento. Afinal, JCM não nasceu tocando Bach, mas passou pelo do re mi, estudou e praticou muito para chegar aonde chegou. E sempre soube se reinventar e “maestrar” a própria vida em nome daquilo que o motivava. Aos 11 anos, já estudava 6 horas de piano por dia. Vejam, não dá para manter tal façanha se não houver a motivação, um motivo-na-ação. Que traz junto um querer, uma paixão, que consegue manter aceso o sentido do que se faz. Assim, pais, é bom dar oportunidades, diversificá-las, ajudar o filho a dar sentido a elas e a bem aproveitá-las. Mas, atento ao que motiva e por que motiva. Nem sempre a motivação está relacionada a boas oportunidades. Mas, se for algo que vocês julgam fazer bem ao filho, apóie e ajude a manter a chama acesa.

14 de jun de 2011

15- DEIXAR DESENVOLVER

Uma das coisas que me parecem mais difíceis aos pais é o fato de sempre enxergarmos os filhos menores e mais incapazes do que realmente são. Temos uma mania instintiva de protegê-los, alguns até de forma incontrolável e sufocante. Para uma criança desenvolver ela precisa vivenciar, experimentar, aprender, apreender. É um processo. Não se aprende de primeira a servir o próprio leite sem derrubar nada. É preciso prática, ajustar erros, repetir acertos. Para isso, é preciso oportunidade. Mas, se um adulto sempre fizer pela criança, como ela aprenderá? Sei que nem sempre é fácil deixar desenvolver pois, em geral, é preciso experiências até que a nova aprendizagem mude de fato um comportamento. Até que o leite seja bem servido, a mochila seja bem organizada, a tarefa seja feita. Quase tudo nesta vida requer aprendizagem. Claro, é bem mais fácil arrumar os brinquedos da criança do que educá-la para tal. Pois, haja persistência, paciência e tempo, requisitos difíceis à nossa realidade contemporânea. Mas, digo que vale. Aprender a arrumar os próprios brinquedos e a servir o seu leite, vão muito além de habilidades específicas. Além de servirem de base para aprendizagens futuras bem mais complexas, já interferem em desenvolvimentos importantes como o da responsabilidade, da autonomia, da autoestima, do cuidado de si, de noção de grupo. Enfim, por trás de pequenas ações há grandes desenvolvimentos. Respire a cada tentação de resolver rápido e fazer pela criança. Deixe-a fazer e desenvolver.

13 de jun de 2011

14- A PROTEÇÃO QUE DESPROTEGE.

Dr. Alexandre é um pediatra muito querido, que cuidou de minhas filhas quando moramos em Fortaleza. Em toda consulta, eu levava uma lista de perguntas sempre óbvias, cujas respostas, no fundo, eu já sabia. Mas, surpreendi-me ao perguntar sobre as vitaminas essenciais à criança. “Vitamina S.”, ele respondeu. Vasculhei o “S” na memória, em meu repertório de letras vitamínicas, mas não o localizei. E logo investiguei: “Em que fruta ou verdura a encontro?” E o Dr riu: “É “S” de Sujeira!” Dizia que proteger demais o filho, não cria imunidade. Ou seja, assim como na vida, proteger em excesso, acaba desprotegendo. Não dava medicamento em vão, dizia que também desprotegia, e cuidadosamente tratava de tudo. Mas parabenizava coisas engraçadas, que me faziam pensar cada vez mais na relação entre a experiência da criança e a super proteção do adulto. Elogiava se a criança estivesse com piolho, pois era sinal de que estava interagindo com outras crianças. O bicho de pé também era bem vindo. Sinal de que interagia com animais. Dor de ouvido? Muito bom. Garantia de que a criança nadava. Parabéns até para os pontos embaixo do queixo. Sinal de que a criança brincava, vivia, era ativa. Entre outras, Dr. Alexandre me ensinou que os filhos sobrevivem apesar de nós, que a proteção exagerada desprotege e que ter oportunidades de vivencias diversas é fundamental ao desenvolvimento deles. Colocá-los numa redoma, não irá protegê-los. Pelo contrário. Mas isso o Dr. já sabia!

10 de jun de 2011

13- QUAL A FASE MAIS DIFÍCIL?

Um leitor me perguntou: qual das fases de minhas filhas havia sido a mais difícil até aqui, adolescência. É difícil falar em fases de tanto que se misturam. Não as vejo como degraus, mas como uma grande teia de desenvolvimentos, que se amplia, fortalece, ganha complexidade. Mas, cada parte (fase) como interdependente do todo e vive-versa. Mas, respondo: “Até aqui, todas e nenhuma”.
Todas, pois cada “fase” é uma novidade, um campo desconhecido a entrar, a aprender e a se relacionar. Cada uma tem suas particularidades, preocupações, seu jeito de lidar, de desafiar, de ajudar a desenvolver nos vários aspectos da vida.
Nenhuma, pois o desenvolvimento também acontece apesar de nós. E, cada fase é muito dependente da anterior. Assim, se começamos a cuidar do começo, dando uma boa base, o progresso do processo segue num contínuo.  Mas, não na inércia. É preciso esforço, intenção, dedicação, persistência, cuidado entre tantos outros. A cada fase acrescenta-se sim aprendizagens e desenvolvimentos, o que parece torná-la mais difícil. Mas também os pais se desenvolvem e amadurecem. E daí dá empate.
Escuto mães dizendo: “Não vejo a hora do meu filho sentar”. E quando ele senta, ela diz: “Não vejo a hora dele andar”. E quando ele anda ... E, por aí segue até que ele bate asas e ela diz: “Não vejo a hora dele voltar!” Calma, curta cada momento! Cada fase tem seus encantos, mazelas e delicias. Agradeça, aprecie e aproveite cada uma. Pois, elas passam sem pedir licença.

9 de jun de 2011

12- COISA DE PROFESSORA: REVISÃO

Leia a síntese das postagens e procure identificar, no filme abaixo, os pontos refletidos até aqui. E então, faça uma análise de como tem percebido e agido para o desenvolvimento do seu filho. Não se preocupe, sempre há ajustes a fazer. Garanto.

VIMOS QUE:
O desenvolvimento do seu filho depende da genética, do meio sócio-cultural que ele está inserido e de como ele interage com o que lhe é disponibilizado.

O meio é fundamental e a interação do sujeito com ele idem. Pois, quase tudo que sabemos, aprendemos pela experiência. Inclusive, aprendemos a maneira de viver a experiência.

O primeiro meio da criança é a família, que oportunizará a base de seu desenvolvimento. Lugar onde terá as primeiras experiências e modelos que interferirão na construção do seu ser.

Entre o que o seu filho é e o que ele poderá a vir a ser, depende das oportunidades de desenvolvimento, que dependerá da base construída. Base esta que não é determinante, mas muito marcante. A expressão “vem de berço” faz sentido.

Pais e filhos são seres em construção. E, nesse processo as ações dizem mais do que as palavras, ensina-se e aprende, desenvolve e é desenvolvido, transforma e é transformado. Mas nada disso é automático. É preciso perceber e querer.

VEJA AGORA ESTA SÍNTESE NO FILME:



8 de jun de 2011

11- SÓ NÃO LAVE AS MÃOS

A educação dos filhos deve se dar por todos os sentidos, deve se dar por inteira. Quanto mais os conhecemos e mais atentos estivermos, melhor será. Canta Ivan Lins:

Não fechei os olhos
Não tapei os ouvidos
Cheirei, toquei, provei
Ah Eu!
Usei todos os sentidos

Só não lavei as mãos
E é por isso que eu me sinto
Cada vez mais limpo!

É bom lembrar que ao “lavar as mãos” oferecemos a eles o abandono e não a liberdade como muitos acreditam proporcionar. Abandonar é desistir e deixar o filho se desenvolver ao vento. Liberdade é diferente. Ela requer autonomia e responsabilidade que são processos, lentos e demorados. E, que são aprendidos aos poucos, primeiramente com os pais e/ou responsáveis.
Sei que erramos e acertamos, mas sempre com a intenção de oferecermos a eles o melhor. Isso vale. Só não "lave as mãos". E sinta-se cada vez mais limpo.

Ouça a música na íntegra.
DAQUILO QUE EU SEI, Ivan Lins


7 de jun de 2011

10- UM FILHO EM NOSSAS MÃOS.

Vimos que a criança nasce em potencial e dependente de um meio para desenvolver. Sendo os pais (ou responsável) o seu primeiro “meio”, podemos dizer que a criança, a princípio, está literalmente em suas mãos. E isso é bem sério, pois o que os filhos serão dependem muito desta mão. Assim, é bom refletir. Ajuda a agir. Eu costumo fazer perguntas a mim mesma, e vejo que as respostas vão ficando mais complexas conforme minhas filhas crescem. Hoje com 16 e 14 anos, já encontram-se na corrida que ajuda a alçar vôo. Mas as perguntas valem para filhos de qualquer idade. Pois, são as respostas que dão a direção da ação para com eles. Que oportunidades de desenvolvimento eu tenho ofertado? Que segurança tenho oferecido? Que exemplo vivido tenho passado? Que valores, sentimentos, (pré)conceitos tenho ensinado? Protejo demais? Protejo de menos? Deixo crescer? Deixo fazer? Deixo ser? Essas e outras reflexões têm me ajudado a repensar a educação que tenho dado às minhas filhas, e a fazer os ajustes necessários. Pois é bom lembrar que, a princípio, nossos filhos estão em nossas mãos. Mas, logo voam. E voam com a base que proporcionamos a eles, com as raízes e as asas que oportunizamos e deixamos desenvolver.

E lembre-se, o desenvolvimento é um processo.

Primeiro em nossas mãos...
Depois, observam e ensaiam o vôo...

E então voam de acordo com o que construíram.


Pais, aproveitem o que lhes cabem. 
Ajudem seu filho a bem preparar-se para a vida.
E que saibam voar sem que esqueçam as raízes.

3 de jun de 2011

9- O MEIO E O DESENVOLVIMENTO DO SEU FILHO

Não basta a genética. É preciso um meio adequado para que haja o desenvolvimento. Somos biológicos e culturais.


   
Não basta um meio cheio de estímulos e oportunidades para o desenvolvimento. É preciso percebê-los e interagir com eles.

 

         
Não basta a oportunidade e a percepção da mesma. É preciso ainda a motivação. Ou seja, que haja um bom motivo-na-ação.




Não basta a motivação. É preciso mantê-la. E isso se faz dando sentido ao que se ensina.



     
Não basta dar sentido. É preciso um ambiente saudável e seguro para bem aprender e desenvolver.



Pais, tudo isso se ensina e se aprende. Ensine o seu filho a perceber as oportunidades e a bem aproveitá-las. Ajude-o a manter a motivação e a dar sentido em tudo o que ele aprende. E favoreça sempre novas oportunidades de desenvolvimento em um ambiente acolhedor, seguro e estimulante.



2 de jun de 2011

8- EDUCAÇÃO DE PAIS E FILHOS III

ENSINAMOS E APRENDEMOS ENQUANTO EDUCAMOS.

Dizia o pernambucano Paulo Freire:

Quem forma se forma
e reforma ao formar,
e quem é formado forma-se
e forma ao ser formado.

Isso mais parece um trava língua ou um trava neurônio, mas a mensagem é simples: quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. Claro, isso vale para quem se permite (trans)formar e ser (trans)formado. Dou um exemplo. Há algum tempo, estava ensinando a minha caçula a contar. Contávamos tudo o que encontrávamos, pois com criança pequena tem que ser no concreto e tem que fazer sentido o que vai aprender. Afinal o que significa 8? Oito o que? Oito prá que? Então contávamos brinquedos, conchas na praia, os biscoitos que iam para o lanche, as pessoas da casa e a quantidade de pratos para ir à mesa. E assim íamos. Certa vez passamos do dez e fluiu: 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17... e então ela fez um sinal com a mão como quem quer continuar sozinha. E foi feliz, como quem descobre o mundo: “dez e sete, dez e oito, dez e nove, dez e dez!” Abracei-a bem forte e pensei: Não é que a lógica da criança é bem mais lógica que a do adulto? Por que 20?! E não é que ela consegue também abstrair o pensamento e buscar uma lógica para ele? Voltando a Paulo Freire, enquanto eu ensinava, eu aprendia, refletia e transformava o que eu sabia. Sei que depois desta fiquei bem mais atenta a lógica infantil. E à nossa!

1 de jun de 2011

7- EDUCAÇÃO DE PAIS E FILHOS II

2- AS AÇÕES DIZEM MAIS DO QUE AS PALAVRAS.

A criança, desde o momento em que nasce, vai interagindo com o mundo e com as pessoas, vai aprendendo deles, representando-os e os guardando na memória. “Somos quem somos porque aprendemos e lembramos”, dizem os neurocientistas. E, por vários motivos aprendemos melhor através das ações do que pelas palavras. Por isso, é sempre melhor viver o que ensinamos. Além disso, logo cedo, a criança começa a aprender por imitação de modelos, que são a princípio os pais, os familiares, os cuidadores. Depois imita colegas, professores, super heróis, entre tantos modelos (nem sempre bons) que vai encontrar pela frente.  Imita e apropria-se de seus comportamentos, para só então, mais velha, conseguir criar a sua própria maneira de ser e agir. Porém, é importante ressaltar que estas primeiras aprendizagens servirão de base para as demais aprendizagens, bem como para a busca de se conhecer e agir à sua maneira. Vale lembrar que a base construída não é determinante, afinal podemos mudar. Mas, dirá muito do ser que se é e do ser que poderá vir a ser. Que ações e modelos seu filho tem tido para aprender a ser o que ele está sendo? Pense nisso. Antes tarde, do que mais tarde.

Vale ver o filme abaixo que mostra a importância das nossas ações na vida de nossos filhos.